Onde comer e o que fazer para se emocionar no Monte Saint-Michel – França

Mistério, história, comida antiga com receitas que são as mesmas há mais de 1000 anos e paisagens de fazer a respiração pausar. O Monte Saint-Michel, uma pequena ilha rochosa com a imponente Abadia e vila medieval, fica situado na região francesa da Normandia. Estar lá é uma experiência misteriosa e profunda que conduz a gente para um estado de espírito diferente – você parece que sai do seu tempo e da sua vida e entra num outro período do mundo – tem ideia do quanto isso é delicioso e impressionante? Vale realmente a pena conhecer esse canto do mundo – durante o dia, mas principalmente, durante a noite – explico porque abaixo!

Primeiro vou te dar 3 dicas de onde comer e se emocionar no Monte Saint-Michel, e depois conto detalhes sobre a história do Monte, onde se hospedar e o que não deixar de fazer por lá!

Onde comer e se emocionar no Monte Saint-Michel:

1) As emblemáticas omeletes no La Mère Poulard

Fachada do La Mère Poulard, à noite.

As omeletes são simbolo absoluto da gastronomia do lugar. La Mère Poulard ficou conhecida na época em que servia omelete para os peregrinos que passavam por lá e ficavam ilhados no local quando a maré subia e isolava o Monte. Por ser uma comida barata e rápida, a omelete era feita em grande quantidade e servida à eles. Outro elemento famoso desse lugar são os biscoitos, que eram distribuídos para as crianças que acompanhavam os peregrinos (lá você encontra os biscoitos também ainda hoje).

A omelete é singular, diferente de qualquer uma que já provei, é gigante e absolutamente fofa, leve mesmo, quase uma espuma. É servida com 1 acompanhamento e se estiver com pouca fome, peça para compartilhar com alguém (com pouca fome serve 2).

Cozinha do La Mère Poulard

Há uma cozinha aberta onde você pode passar e ver os cozinheiros batendo as omeletes à mão – eles fazem a receita da mesma forma como ela é feita há quase 1000 anos na região – e a emoção de comer algo tão ancestral num lugar tão ancestral quanto? Arrepia, sério. Não é tão barato para uma omelete, mas vale a pena. Sinta todo traço da história e tradição do lugar através desse prato simples e tão simbólico. Vemos aqui um traço marcante pra mim da gastronomia francesa, que é fazer de algo tão simples (como uma omelete) uma coisa emocionante e brilhante.

Clique aqui e veja todas informações do La Mère Poulard

Endereço: Grande Rue, 50170 Le Mont-Saint-Michel, França

2) Coma um dia na charmosa vilinha (que fica ainda no continente, antes do Monte)

Sopa de cebola

Na beira da passarela que leva ao Monte, fica uma vilinha charmosa com pouquíssimas construções. Me hospedei lá e na noite que cheguei jantei num restaurante chamado Restaurant La Rôtisserie – A comida é singela e caseira até, nada espetacular, mas gostosa e delicada, principalmente a sopa de cebola e Ilha flutuante (uma sobremesa bem francesa que consiste numa espuma delicada flutuando num creme simples e absolutamente bom).

Ilha flutuante

 Adorei o charme dessa vilinha que parece esquecida e perdia no mundo, comer lá foi aconchegante e curioso. Sinta todo o marasmo poético enquanto come nesse lugar – acho que poético é a palavra pra esse pedacinho do mundo.

Uma casinha encantadora nessa vilinha

Endereço: Route du Mont Saint Michel, 50170 Le Mont-Saint-Michel, França

3) Ostras

O Monte Saint-Michel fica bem entre a região da Normandia e Bretanha – essa última é uma região francesa muito famosa pelas ostras, e no Monte sentimos essa marca – muito famosas na região, as ostras lá são fresquíssimas, vale a pena provar. Eu não consegui comer nenhuma lá e lamento muito, mas amigos que confio super no paladar e opinião comeram e indicam, todo frescor é verídico. Eu acho que o mais bacana quando você viaja é se propor provar a gastronomia mais comum e habitual do lugar, para sentir o lugar através do gosto – como sabemos, a memória que o gosto deixa, é eterna. Coma ostras em Monte Saint-Michel e sinta o terroir puro da região. Quase todo lugar lá vende ostras, não tem erro.

 

O Monte Saint-Michel

Com certeza um dos lugares mais impressionantes que já fui na vida. Uma ilha rochosa onde a construção imponente da Abadia e vilarejo aos seus pés parece ser parte das rochas que constituem a própria ilha. A sensação de caminhar no Monte Saint-Michel é de se deslocar no tempo completamente. As construções conservam tudo que é original, então você se sente mesmo numa vila medieval, não tem quase nenhuma construção moderna lá.

Além da Abadia, construção mais imponente da pequena ilha que lembra um castelo, há uma vilinha aos pés da ilha com hotel, restaurante, lojas e outros estabelecimentos.

Vilarejo no Monte

Detalhe da Abadia

A abadia foi construída no século XIII, em homenagem ao Arcanjo São Miguel, e faz parte de diversos períodos históricos da França (como lugar de refúgio e fortaleza em períodos de guerra). Acredito que pelo aspecto misterioso e um tanto obscuro que o lugar tem, se tornou palco de muitas lendas e contos místicos – caminhando por lá a noite você entende isso melhor, rs, é meio macabro, mas lindo.

Como ir até o Monte

Eu fui de Paris até o Monte Saint-Michel de carro e se você puder, indico demais ir assim, pois as paisagens no caminho são absolutamente lindas, e você pode ir parando nos pontos que quer para olhar, tirar fotos, ou até dar umas voltas nas pequenas e graciosas cidades da Normandia. De Paris até lá de carro dá cerca de 4h de viagem, sem parar, parando leva mais que isso. Sugiro sair de manhã de Paris e dedicar 1 dia para a viagem, se programando para chegar no final da tarde no Monte, assim você tem tempo de parar e apreciar tudo no trajeto – apreciar o caminho vale tanto quanto o destino. Dica: Para viajar de carro na França você pode pegar as auto estradas direto ou, em partes dos trajetos, ir por dentro das cidades – indico, se tiver com tempo, que passe por dentro, será chance de conhecer muitos cantinhos charmosos do interior francês.

Caminhos até o Monte

Onde se hospedar:

Há hotéis na própria ilha (fortificação) do Monte, que são mega interessantes pois são também construções extremamente antigas – a sensação de se hospedar aos pés da Abadia dentro do vilarejo deve ser alucinante, porém, é caro. Para economizar sugiro se hospedar nas redondezas da ilha – ainda na parte do continente tem uma vilinha charmosa onde há alguns hotéis e restaurantes (um deles é onde indiquei comer nas sugestões de gastronomia). Minha dica de hospedagem é o Hôtel Gabriel – Ele é super novo, com instalações ótimas, limpo, fofo, atendimento gentil e o melhor – um café da manhã incrível – cheio dos deliciosos queijos e manteigas da Normandia! E o preço foi o melhor custo benefício que encontrei na época.

Hôtel Gabriel – Route du Mont Saint-Michel, La Caserne, 50170 Le Mont-Saint-Michel, França

O que não deixar de fazer no Mont Saint Michel

O que quero mais ressaltar é que você deve fazer uma caminhada diurna e outra noturna pelo Monte. De dia, visite a Abadia, os restaurantes, lojinhas, e veja todo detalhe da arquitetura impressionante do lugar. A noite, tenha uma experiência misteriosa e um pouco macabra (mas linda) de caminhar por lá e se sentir deslocado no tempo – durante a noite não há dezenas de turistas, então, estando ali com tudo meio vazio, a sensação de ter voltado no tempo é muito intensa! Chega a dar um medo, mas vale demais a pena! A melhor coisa para se fazer no monte é isso: caminhar, olhar e sentir cada encanto da arquitetura e paisagem. E a noite a iluminação é bem baixa no Monte, dando ainda mais sensação de estar em outro tempo da história.

Visão da passarela antes de chegar no Monte

Há uma passarela (de uns 2km) para chegar até o monte que fica acessível a noite, porém é um caminho meio escuro – fui com mais 3 pessoas e ficamos com um pouco de medo, mas isso fez parte da emoção e foi tudo muito seguro. Há ônibus que fazem o trajeto, saem de 15 em 15 min e funcionam das 7h à meia noite, mas eu jamais pegaria um ônibus e perderia a chance dessa caminhada – tanto de dia quanto de noite, fomos à pé.

A iluminação noturna do Monte é misteriosa e deixa a experiência linda.

A maré atinge diversos picos ao longo do ano e mesmo em um único dia varia, muita gente busca visitar o Monte em épocas de maré cheia para ter a experiência de ver ele totalmente isolado do continente (mesmo assim ele fica acessível, mas pela passarela). Se quiser checar os períodos de maré, clique aqui.

Aproveite, se emocione e guarde, através de todos seus sentidos, esse lugar dentro de você!

Onde comer e se emocionar em Londres – Uma autêntica experiência londrina em 6 atos.

Como sempre digo: Quando viajar, “coma o lugar”. A comida é sempre uma forte marca cultural que conta muita coisa de onde você está. O gosto de algo marca uma cena, e a memória que o gosto deixa é eterna. E ao contrário do que muitos pensam, Londres tem uma gastronomia forte e interessante, cheia de influências de diversas culturas. Quero compartilhar com vocês uma verdadeira experiência gastronômica londrina em 6 atos – Não apenas 6 locais para comer, mas 6 momentos e maneiras de comer que te farão tocar Londres intensamente. Começando por um café da manhã inglês forte e curioso, passando por um almoço simples ao ar livre em um dos parques lindos da cidade, seguindo por um tradicional chá da tarde inglês e finalizando com 3 opções para comer a noite: um restaurante inglês típico, um restaurante para provar o famoso curry inglês – a famosa comida indiana de Londres – e um autêntico e bom pub. Vem ver o que tem de bom na incrível cidade da Beth, que é muito mais que só fish and chips!

 

  • Primeiro ato: O grandioso e farto café da manhã inglês na Patisserie Valerie.

Really English Breakfeast.

Esse lugar é famoso pelos seus lindos bolos (o item mais apreciado da confeitaria inglesa), porém lá você consegue fazer qualquer refeição. Eles tem um cardápio super amplo a preços acessíveis, e tomar seu café da manhã lá te trará uma experiência extremamente inglesa para começar o dia – Peça o English Breakfeast – vem com ovos pochés, tomates assados, feijão, linguiça, presunto, cogumelos, manteiga e torradas – (um prato serve 2). É uma delícia, alimenta você bastante e permite que depois você faça um almoço mais leve no parque (que é o segundo ato). Enquanto come sinta o contraste desse café da manhã com aquilo que você está acostumado na sua cultura, sinta a diferença e pense no quanto ela é interessante, no quanto o mundo é grande e diverso… E ah, sempre dê uma volta nas redondezas de onde for comer, vale sempre a pena curiar os cantos de um jeito livre sem saber o que vai achar também. 

Há diversas unidades na cidade, clique aqui e veja o site da Patisserie Valerie para mais informações. 

 

  • Segundo ato: Comprar um “Meal Deal” (refeição pronta) em uma das unidades da rede Tesco ou da Pret A Manger.

Vista no lindo Primrose Hill.

Na hora do almoço uma das coisas mais comuns em Londres é ver os parques e alguns outros locais públicos cheios de pessoas com seus “meal deals” almoçando ao ar livre. Isso é muito londrino, principalmente no verão e primavera, quando eles querem aproveitar cada gota de sol. O meal deal é uma refeição completa vendida em muitos lugares (mercados, lanchonetes e até farmácias), é composto de um prato principal, um snack e uma bebida por um preço fixo (normalmente £3). Comprar sua comida e ir comer no parque te faz experimentar uma comum atmosfera da cidade, muita gente lá faz isso. Você pode comprar sua refeição na famosa rede Tesco (uma loja que tem de tudo) ou na Pret A Manger (gosto mais dessa, ela só trabalha com produtos frescos e suas refeições são feitas artesanalmente, custa um pouco mais mas acho que compensa). Depois é só escolher um dos parques lindos da cidade e fazer sua refeição – meu preferido é o Primrose Hill – Onde você consegue ter uma das melhores vistas de Londres. Também adoro o St James Park e o Hyde Park. Amoce na grama, olhe em volta, sinta-se tocando um hábito cultural de onde você está.

Uma salada fresquinha do meu meal deal.

Clique aqui para ver as unidades do Tesco ou aqui para ver unidades do Pret A Manger . 

 

  • Terceiro ato: O tradicional chá da tarde inglês, novamente no Patisserie Valerie.

Os famosos bolos da Patisserie Valerie.

Não faz muito sentido ir à Inglaterra e não tomar um chá. O tradicional chá da tarde é uma refeição muito famosa na cidade, e todo mundo quer provar – por isso os preços são altos – existem locais que oferecem a famosa refeição por preços absurdos (em combos que vem até champagne) e locais mais simples. Normalmente oferecem a refeição em um combo, um valor que vem o chá e diversas especialidades, docinhos, sanduichinhos, etc. Para seu tradicional chá da tarde inglês indico novamente a Patisserie Valerie, o preço é um dos melhores e as coisas são gostosas, considero que vale a pena para provar o tradicional chá sem pesar muito no bolso! Também aproveite para prestar atenção no detalhe das vitrines de doces das lojas das unidades. Olhe como eles destacam os bolos. É uma experiência legal olhar a vitrine de doces e em seguida olhar para o ritmo nas ruas londrinas, gosto de relacionar os detalhes da cidade, é algo poético e sensível, faz a gente sentir algo bom, se estivermos dispostos. Se puder escolher ir em alguma unidade perto de algum parque vá, saindo do seu chá veja o entardecer em algum canto bonito verde da cidade. É bom.

Clique aqui e veja mais informações sobre a Patisserie Valerie.

 

  • Quarto ato: Opção de jantar: um prato completamente inglês no agradável Garfunkel’s Restaurant.

Proper pie.

Um das coisas mais gostosas que comi em Londres foi a famosa “Proper pie” – um bolo de carne  – algo que está mais para uma torta de carne. É vendida em muitos lugares (inclusive você pode encontrar ela em um dos famosos pubs da cidade), mas a que mais gostei foi uma que comi em um restaurante da rede Garfunkel’s – o recheio era extremamente suculento e marcante. Normalmente ela é servida com um purê de batatas e legumes. No Garfunkel’s tem um Fish and Chips (o famoso peixe frito com batatas fritas) bem gostoso também, mas essa torta é maravilhosa e você precisa provar, sério. Esse prato é aconchegante e da a sensação de uma comida inglesa caseira, de mãe. Sinta esse aconchego, é bom. Também se puder sente perto de alguma janela do restaurante e enquanto come olhe as luzes de Londres do lado de fora, o ritmo das pessoas, e coma junto com essa sensação.

O Garfunkel’s tem diversas unidades espalhadas pela cidade, clique aqui e veja mais informações. 

 

  • Quinto ato: Opção de jantar: Sentir o ardor emocionante da popular comida indiana em Londres – o curry inglês!

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Os londrinos amam a potente e apimentada comida indiana, então existe uma infinidade de restaurantes da categoria por lá, eu escolhi ir em um da popular rede Masala Zone.  O curry é um prato indiano tipicamente inglês, que designa um preparo de carne, frango ou peixe feito num molho apimentado e muito bem temperado. Cada restaurante faz o seu “curry” misturando as especiarias de sua preferência (cominho, gengibre e cardamomo costumam ser bem presentes). Aquele temperinho amarelo que conhecemos como curry aqui no Brasil é chamado pelos ingleses de “curry powder” ou “curry paste”. Nos cardápios dos restaurantes indianos por lá você pode não achar um prato descrito como “curry”, porque curry é o termo para o tipo de preparo da carne em determinado molho, os pratos feitos no estilo “curry” tem nomes próprios. Um dos favoritos dos ingleses é o Chicken Tikka Masala – um frango no estilo mais autêntico do curry. Quando fui em uma das unidades do Masala Zone (a do bairro Soho) já perguntei por algo que tinha o famoso Tikka. O garçon me sugeriu esse prato da foto, o Grand Thali – que vem com o chicken tikka masala, arroz e pão típicos da culinária indiana, 2 sabores de chutneys e dois molhos feitos com legumes – segundo o garçon o prato diverso com pequenas porções é um bom jeito de provar o sabor da comida indiana. Não sei toda composição dos pratos porque francamente não consegui entender tudo do inglês rápido do garçon, mas é tudo absolutamente forte, temperado e bom – mas só vá se você amar pimenta. Arde mesmo. Indico também lá uma bebida que é feita com coca-cola e cominho, surprendentemente boa. Adorei provar a intensidade da comida indiana, sai ardendo de felicidade. Se for na unidade do Soho, não deixe de passear pelo bairro, charmoso que só ele!

Clique aqui e acesse o site da rede Masala Zone para ver o endereço das unidades. 

  • Sexto ato: Opção de jantar e bar para curtir a noite londrina – Pride of Paddington, um autêntico pub inglês! 

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Ir num pub em Londres é absolutamente típico – um lindo jeito de ver de pertinho o estilo de vida londrino – vá numa hora cheia, tipo entre 18:00 e 21:00, é mais legal pra ver o movimento da cidade e entendê-lo. Adorei ter minha experiência de pub inglês no Pride of Paddington, atendimento entusiasmado, cerveja boa e um fish and chips muito gostosinho pra acompanhar a situação! – Sim, foi lá que comi pela primeira vez o famoso fish and chips. Além de um filé grosso e suculento de peixe vem peixinhos pequenos inteiros também, adorei isso! A música é animada, as pessoas parecem estar numa festa onde todos se conhecem (apesar de não socializarem muito com estranhos, numa situação em pub todo mundo parece ficar mais a vontade e “solto”, gostei disso).

Endereço: 1-3 Crave Road Paddington, Londres. W2 3BP.

Clique aqui e acesse o site do Pride of Paddington

Essas experiências gastronômicas são uma forma de ir além do comum e entrar em contato com a cultura do local de diversos jeitos. Mas ela precisa ser feita com sensibilidade  – coma os pratos, olhe em volta, observe as pessoas, sinta toda a atmosfera enquanto o gosto da comida acontece. A experiência será plena. Isso é emocionante. Londres é linda e tem um gosto muito bom! Aproveite!

Onde comer em Buenos Aires – 5 sugestões para sentir afetivamente o verdadeiro gosto porteño!

Buenos Aires me deu muito mais do que eu esperava. A riqueza de detalhes e o charme sedutor dessa cidade marcou uma experiência sem prazo de validade no meu coração. E a gastronomia dança nesse mesmo tom – lugares lindos apresentando uma comida com força suficiente para deixar a memória do gosto na gente. A experiência gastronômica em uma viagem é afetiva se rodeada de muitos detalhes – passeios, paisagens, hábitos culturais, temos que comer em volta disso tudo. Compartilho aqui uma experiência afetiva em Buenos Aires através da comida, rodeada de outros elementos e sugestões. Espero que sinta uma parcela da emoção que tento conduzir. Do charme estilo europeu dos cafés elegantes cheio de tango, passando pela carne intensa, também pelo rei alfajor e até mesmo por um “fast-food” moderno e interessante, até chegar nas marcas da cozinha latina expressa nas lindas empanadas. Vem comigo! Buenos Aires tem um gosto muito bom e vale a pena!

  • Empanadas no tradicional El Sanjuanino

Empanadas realmente boas, atendimento rápido e direto (estilo argentino) mas você pode ter a sorte de pegar um dos garçons animados que te servem correndo mas com humor. Os recheios são os mais tradicionais, cardápio bem completo. Peça uma empanada frita, vale a pena! O ambiente é aconchegante, sem luxo e muito agradável, bastante móveis e detalhes em madeira, dando uma sensação rústica e despretensiosa. Peça junto uma boa cerveja argentina ou um gostoso vinho malbec. Preço justo! E já adianto que o lugar é cheio, recebeu muitos prêmios e está em muitos guias, mas vale a pena esperar um pouco para conseguir uma mesa. Eles tem 3 unidades, eu fui que fica no bairro Recoleta. Se for nesse aproveite para dar uma volta no bairro elegante da cidade, olhando a arquitetura singular do lugar (que tem muita influência francesa). O cemitério da Recoleta (onde está sepultada Evita Perón) e os museus mais famosos (como o Museo Nacional de Bellas Artes) são bem perto – se tratando de arte, vale a pena ir lá depois de ir em um dos museus e entender que a empanada é uma arte muito expressiva da cozinha latina e argentina.

Site: www.elsanjuanino.com.ar/

  • Las Cañas: Uma carne à preço justo com um tostado de lembrar pra sempre.

Um lugar maior do que parece (mais de 3 pisos) sempre cheio mas sempre com um lugar sobrando. Massas e carnes são a marca do local. Comi lá o famoso bife de chorizo e um assado de tira que tinha uma crosta tão linda que me conectou fortemente a cozinha de fogo alto, e marcou em mim o gosto da carne e fogo porteño. Muito valeu a pena! Adorei sentar no espaço externo que eles tem, árvores, luzinhas, uma espécie de pracinha com um tom muito latino e fofo. A casa fica na rua Montevideo, quando for lá aproveite para dar um passeio nas redondezas, indo adiante nessa rua, sentido à esquerda do restaurante, chegará em avenidas muito famosas da cidade, ótimo para ver o movimento noturno. Seguindo direto para a direita, depois de alguns quarteirões você chega numa praça muito linda onde fica a também linda construção que abriga o senado argentino. Buenos Aires é iluminada e tem uma noite muito agradável, e essa região mostra isso.

Onde fica: Rua Montevideo, 350.

  • Alfajor Cachafaz ou Alfajor Terrabusi – 2 dos melhores para sentir o gosto do doce rei da cidade.

Não há como ir a Buenos Aires e não comer um Alfajor. Existem muitos realmente bons, os que mais gostei foram esses dois: o da Cachafaz é mais caro, fácil de encontrar em mercados e quiosques de shoppings, muito acentuado e gostoso, com texturas delicadas e macias, adorei! O Terrabusi é mais em conta mas igualmente bom, talvez até um pouco melhor que o outro – achei ele mais equilibrado no doce. Tirar um alfajor da bolsa/mochila e comer durante um passeio em um dos parques lindos chega a dar um entusiasmo na gente, fiz isso umas 4 vezes.

Onde achar: Quase em todos os mercados e quiosques de shoppings.

  • O traço europeu de Buenos Aires e toda elegância do tradicional Café Tortoni

Buenos Aires tem uma forte marca francesa – na arquitetura, em alguns hábitos e no estilo dos restaurantes. É a capital latina mais européia que existe. Tem todo um contexto histórico que explica o esforço dos argentinos para “apagar” a marca da colonização espanhola, e você vê Paris em muitas coisas lá. O Café Tortoni é muito elegante e parisiense – a decoração, a luz, os detalhes. Um lugar muito charmoso para um sensacional café da tarde. Peça os churros da casa e o chocolate quente, divino é pouco! O preço é bem mais barato do que parece, fique tranquilo. Também um bom lugar para comer a famosa medialuna (o croissant argentino). Enquanto come no Café Tortoni pense sobre a América e como é interessante ver um lugar no mundo que traz em si a identidade de outros lugares do mundo que mesmo separados por um oceano tem conexões fortes entre si. A avenida em que o café fica é uma das mais famosas e históricas da cidade, o final dela dá na Casa Rosada, uma delicia de caminhar! E a noite a casa te apresentações de tango, num palco elegante e muito tradicional.

Site: www.cafetortoni.com.ar/br/

  • Um Fast-food charmosinho e moderno no Puerto Madero: Dandy Deli

Puerto Madero tem restaurantes extremamente caros e charmosos. Fui lá no dia em que estava afim de comer um hamburguer bom. Não comi em nenhum restaurante mega caro lá, o que me chamou atenção foi um charmoso fast-food, o Dandy Deli – obviamente sou muito desconfiado com fast-food, mas esse soou diferente, e depois de provar vi que era mesmo. É uma casa completa com várias opções de pratos bem frescos e com doces lindos! A casa faz parte de uma rede grande que tem diversas categorias de restaurantes. Nesse comi um hamburguer de salmão de chorar de bom! Tomei também lá um sorvete de doce de leite memorável. Uma ótima opção para fugir dos preços caríssimos de Puerto Madero. Adorei comer nas mesinhas externas e olhar a paisagem aberta do porto, sentindo o vento que naquele dia estava forte, e bom.

Site: somosdandy.com.ar/

Enfim, Buenos Aires é um mundo de possibilidades, obviamente tem muito mais que essas. Ouse e descubra um lugar novo também, seguindo sua intuição. Isso também é bom. Boa viagem!