Canjica ou Mungunzá!

Existem tantas receitas dessa por aí que na verdade não sei se vocês precisam de mais uma. Mas aí lembrei da história que essa tem e então achei que fazia sentido compartilhar – porque com a história junto, eu convido vocês a escrever também uma história quando forem cozinhar. Assim tem mais sentido.

Ingredientes:

  • 500g de milho branco para canjica
  • 2 conchas da água do cozimento do milho
  • 1 lata de leite condensado
  • 900 ml de leite integral
  • 300 ml de leite de coco
  • 2 paus de canela
  • Cravo da Índia à gosto
  • 1 xícara de chá de coco fresco ralado
  • 1 xícara de chá de amendoim tostado sem pele (opcional)

Preparo histórico e afetivo:

Era uns 9 anos que eu tinha. Sempre amava quando minha mãe ia cozinhar coisas que o processo começa 1 dia antes – eu adorava a sensação de ir dormir sabendo que já tinha algo que começou a ser feito lá na cozinha. Minha mãe colocava 500g de milho branco para canjica de molho na noite anterior ao preparo. No dia seguinte, com o sol já baixo das 17h batendo na pia, ela escorria a água do milho, lavava, depois colocava na panela de pressão cobrindo eles com água uns 3 dedos de altura. Cozinhava na pressão por 30 minutos. Na hora de abrir a panela eu ia sempre colocar a cara em cima e ela gritava pra eu sair dali que podia explodir tudo, mas eu adorava correr esse perigo. Estando o milho cozido, a água do cozimento é quase toda descartada, deixando ali apenas 2 conchas dessa água. Aí junta na panela: 1 lata de leite condensado, 900ml de leite integral, 300ml de leite de coco, 2 paus de canela, uns cravinhos da Índia e 1 xícara de chá de coco fresco ralado. A panela ia pro fogo médio até ficar tudo cremoso. Às vezes juntávamos 1 xícara de chá de amendoim tostado sem pele uns 5 minutos antes de desligar a panela. Daí perto da hora da novela das 20h que na verdade começava as 21h, eu ia no bar do Zé com 50 centavos comprar paçoca pra esfarelar em cima na hora de comer – era minha finalização do prato e eu me sentia um artista nessa hora. A gente comia no sofá vendo a novela e no dia de canjica nem janta tinha, era disso que toda a noite era feita.

Como fazer o tradicional ceviche!

Ceviche. Consumido há mais de dois mil anos pelos povos Incas, esse prato peruano tem ganhado fama mundial, sendo um representante do atual brilho e expansão da gastronomia peruana (que hoje já está presente nas listas dos melhores restaurantes do mundo) – quando a cozinha (e seu poder) eleva a cultura de um país e confere à ele novos lugares (isso é lindo). O preparo do ceviche consiste em um processo químico que acontece quando o suco do limão, ácido e cítrico, entra em contato com a carne do animal e a cozinha de um modo diferente, a carne se desnatura e muda de textura, e de sabor. É absurdamente simples e rápido fazer um ceviche emocionante – você só precisa ter um peixe fresco de verdade, honestamente fresco, escandalosamente fresco, aí tudo vai dar certo. Veja receita abaixo!

Ingredientes (para 2 porções como entrada):

  • 300g de filé de peixe branco muito fresco (pode ser filé de tilápia, robalo, namorado, etc)
  • 200 ml de suco de limão
  • Meia colher de chá de gengibre picadinho
  • Pimenta à gosto (dedo de moça, ou algum molho de pimenta também serve, mas a fresca é legal).
  • Azeite de oliva extra virgem à gosto
  • Cebola roxa à gosto
  • Coentro à gosto
  • Sal à gosto
  • Pimenta-do-reino à gosto

Modo de preparo:

Depois do peixe limpo, corte ele em pedaços (tentando a forma de cubos), cuide para que o tamanho dos pedaços sejam similares. Após cortar o peixe, se estiver um dia quente coloque ele na geladeira enquanto prepara o resto (é importante que ele se mantenha frio).

Corte o gengibre em pedcinhos minúsculos. Pique o coentro. Se usar pimenta fresca, tire as sementes e pique em pedaços bem pequenos também (se for usar molho é só substituir pelas gotas do molho, quantidade à gosto). Corte a cebola em juliana (tiras finas).

Feito isso, coloque o peixe em um bowl e acrescente todos os igredientes. Misture tudo muito bem, vá colocando sal aos poucos e provando para ver se atingiu seu gosto. Pronto. O peixe, cozido pelo ácido do limão, irá mudar de cor e textura, ficando mais esbranquiçado. É lindo, e bom. Sirva imediatamente, é bom gelado.