Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 83/94: Galinha-d’angola com beterrabas. 

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 83/94: Galinha-d’angola com beterrabas. Post atrasado, mas atraso, como esse projeto tem mostrado, não é algo que importa tanto. Quando o tempo do atraso é significado e tem um porque, o atraso é valioso. Transformar um ingrediente no melhor que ele pode ser é um contato interessante com o sentido do tempo. Eu sei, é repetitivo falar de tempo aqui nesse projeto, mas é verdadeiro, porque o livro “Todas as sextas” é sobre tempo, comida e tempo, afeto e tempo, vida e tempo, mundo e tempo. Eu gostei muito de ficar perto da panela que a galinha cozinhava quase 1 hora e 20 minutos, dessa vez eu quis ficar ali sempre muito perto da panela. Foi de uma panela que tenho carinho, gosto dela. Foi bom. Eu não acho que eu vá esquecer um dia dessa manhã, desse tempo. A cozinha marca o tempo na gente.  Obrigado, cozinha. . O tempo é o tecido de nossas vidas. Espero que entendam isso, cozinhar ajuda a entender.

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Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 81/94: Tagliolini verde com lulas frescas e tomates apimentados. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 81/94: Tagliolini verde com lulas frescas e tomates apimentados. Fazer massa. Eu não consigo te dizer o tanto que cabe nessa frase – nesse ato. Unir, amassar, esperar, abrir, cortar, encharcar com um molho muito generoso que respeite a massa e vice-versa, tudo, absolutamente tudo feito à mão – você sabe o quanto é emocionante sentar pra comer um prato desses? Tem você nessa comida, seu tempo, sua mão, sua energia, seu afeto – a comida que tem isso é sempre a mais fantástica. Nessa massa da Paola, que eu transformei também em uma experiência minha, também tem Caetano, que esteve comigo na cozinha enquanto ela se constituia – tem músicas que revolucionam a experiência de cozinhar. Foi uma tarde toda fazendo, pra comer só a noite, bem a noite. Poucas coisas na vida são tão emocionantes quanto pegar uma panela de ferro, pesada, cheia de comida linda, cheia de você e do que você tem de bom para oferecer, e por na mesa com força e emoção dizendo com entusiasmo: comam, está pronto! Estou revigorado. Estou muito grato.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 80/94: Torta de maçãs com masaa de brioche. 

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 80/94: Torta de maçãs com massa de brioche. Torta fechadinha, quente, com recheio de fruta, é a coisa certa a se fazer nos dias em que a vida não está muito legal. Uma das coisas mais mágicas da cozinha é um prato poder amaciar a gente, acariciar a gente, em dias em que a vida não está nada doce e aconchegante, como essa torta. A gente precisa aprender a entender quais sentimentos uma comida causa na gente, para saber o que fazer na cozinha em determinados dias. A tristeza ganha um tom diferente quando eu pinto ela com uma torta gentil – e essa, que tem massa de brioche… (suspiros de amor) é muito mais potente em gentileza e carinho. Ela entrou para meu repertório de receitas que ressignificam as durezas dessa vida, que às vezes é tão doida. Adorei a casquinha crocante e o recheio cremoso, quase chorei com o aroma dela quando sai do forno (é emocionante de verdade, não tô sendo hiperbólico), adorei experimentar, mais uma vez, as emoções profundas que a cozinha de alma guarda e cativa na vida. Obrigado, novamente. Dia de agradecer é um dia sagrado sempre. Amo sexta-feira.

Gratidão de todas sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 77/94: Picarones. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 77/94: Picarones. Levantei do sofá pra fazer essa receita no último domingo, 19:30. Domingos não foram dias muito fáceis ao longo da minha vida, mas isso tem mudado. A vida se transforma e as nossas marcas também. Aconteceu que nesse domingo um tom novo e bom se revelou claramente. Aí fui cozinhar – eu precisava registrar na cozinha essa marca nova, no domingo. Era em tudo isso que eu pensava enquanto fazia esses bolinhos peruanos, com massa à base de abóbora e batata doce, com uma calda cítrica perfumada como o cheiro que a existência autêntica tem. Enquanto eu transformava os ingredientes pensava na minha transformação pessoal. Era para os bolinhos ficarem em formato de rosquinha, mas não deu. A vida também não sai na forma ideal que a gente imagina, mas pode ser boa mesmo assim. Os bolinhos ficaram bons mesmo sem o formato ideal, se eles podem, a vida também pode. Espero que entendam. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 76/94: Vitello tonnato. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 76/94: Vitello tonnato. Uma carne que ficou 3 dias em um banho que transformou ela, e depois foi para a panela, ser transformada então pelo calor. Enquanto ela descansava eu vivi uma semana em que, devido a carne que descansava na geladeira, me vi algumas vezes pensando no tempo que as coisas levam e como a gente hoje em dia esqueceu que esperar é natural e importante, isso também foi transformador – enquanto a salmoura transformava a carne essa espera transformava alguma ideia em mim. Finalmente após o descanso, cozinhei a carne com ervas e vegetais pra dar perfume e carinho. Cozinhei ouvindo Chico Buarque, e isso também foi transformador, porque Chico nunca deixa na gente tudo no mesmo lugar. Se a gente fazer  direito e prestar atenção, depois de cozinhar um prato desses, nada fica exatamente no mesmo lugar, e isso é o maravilhoso da cozinha. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 73/94: Confit de peras, queijo manchego e sablée de amêndoas. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 73/94: Confit de peras, queijo manchego e sablée de amêndoas. Que alegria. A pera generosa lança um perfume que te conecta à algo muito bom, não sei bem o que, mas é um conforto curioso. Eu adoro pera cozida, adoro muito. Adoro também quando um perfume me conecta à algo delicado e subjetivo. O sablée quando você coloca na boca parece que estará uma secura só, mas ele é úmido, se transforma na boca em uma textura tão agradável que nossa, é uma surpresa emocionante. Eu nunca havia provado queijo manchego, ele deu um tom de divindade à tudo nesse prato. Eu fiz essa receita domingo passado, um domingo que ficou registrado como divino maravilhoso. Atenção para o refrão: Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 71/94: Ajo blanco, pata negra e uvas frescas. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 71/94: Ajo blanco, pata negra e uvas frescas. Eu estava bem cansado antes de comer isso. Acho maravilhoso quando você está realmente cansado e come algo que te conduz para um nível de relaxamento impressionante, te enroscando num prazer que desata qualquer amargura. Pata negra é uma coisa profunda e boa, algo que a gente come e se sente muito sortudo por ter a honra de comer. O ajo branco é sútil e me descansa. O pão moro me arrepia sempre, eu gosto tanto. A uva também é importante, bonita e feliz junto nisso tudo. Esse prato é um descanso magestoso, ele é tão ideal pra ser comido sexta, tô feliz, obrigado, Paola.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 68/94: Coniglio a cacciotora in bianco con tagliatelle. Receita 69/94: Caldo de frango. Receita 70/94: Massa Alfredo. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 68/94: Coniglio a cacciatora in bianco con tagliatelle. Receita 69/94: Caldo de frango. Receita 70/94: Massa Alfredo. Cozinhar coelho é uma experiência muito delicada pra mim. Não sei exatamente porque, mas é. Me preocupo muito que ele fique bonito – cortes bonitos bem feitos, cor bonita, textura certa. Sabe quando um prato que te servem prende seu olhar e você nunca mais esquece a imagem dele? Então, é isso que acho que o coelho deve ser. O alecrim tempera esse coelho e isso concede uma emoção diferente pra ele. É uma emoção que vale a pena sentir na vida. A massa alfredo tem manteiga, queijo lindo e sálvia – uma massa assim faz a gente se sentir seguro quando come, é bom. Eu tinha um caldo de frango guardado que fiz outro dia, foi especial usar ele na receita do coelho, porque ele também é delicado e contém uma lição profunda sobre o tempo. É um caldo feito com tempo e verdade. As azeitonas tem caroços – e isso é muito simbólico, como Paola diz: “não sei em que momento da vida nos transformamos nesses seres tão chatos que queremos azeitonas sem caroço, peixe sem espinhas e todas carnes macias”. Entendem o que isso significa? Espero que entendam. Estamos esquecendo como as coisas de verdade e reais são. Obrigado Paola, por mais esse lembrete tão sério. Dia de gratidão.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 67/94: Afogatto. 

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 67/94: Afogatto. Mais um post atrasado porque o tempo da vida é meio controverso e incerto, às vezes. Isso é apenas um sorvete de baunilha afogado em uma xícara de café. Apenas um sorvete de baunilha maravilhoso feito à mão, cheio de detalhe e carinho. Apenas um café gostoso mesmo, cheiroso, em uma xícara bonita e colorida cheia de significado e histórias. Tem um biscoitinho gentil do lado – vocês entendem que um biscoitinho acompanhando o café é um gesto sutil de carinho, importante de sentir? Apenas tudo isso junto nos tons amarelos do balcão da cozinha de casa. Eu amo amarelo. O afogatto é apenas um sorvete de baunilha afogado no café, mas existe um mundo todo nessa cena. Comida é assim, um mundo dentro de uma xícara. Apenas. Obrigado, mais uma vez, Paola.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 65/94: Ravióli de beterrabas. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 65/94: Ravióli de beterrabas. A cor da beterraba é um amor avassalador, doce e invasivo – entende quando um ingrediente nos transfere um sentimento assim? Pois é, pra mim a beterraba é sensual. Só que nesse ravióli ela é um amor um pouco mais inocente e não pretensioso, mas tão lindo… suave e bom. Essa massa recheada dessa coisa emocionante de beterrabas é boa mesmo. O molho de manteiga, dill e cenouras honestas pequenininhas é muito bom. O que a gente faz depois de comer isso se não agradecer? Não sei.