Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Continuando a última receita: O pão. 

​Sexta-feira passada não postei algo do projeto gratidão de todas as sextas (Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella ) porque só hoje foi possível seguir a próxima etapa da receita 94/94 que está em processo – O pão Arturito. Não pôde ser na sexta porque o tempo do pão não é o meu tempo programado, mas sim o tempo natural dele – e como temos visto, é ruim não respeitar o tempo que algo precisa para ficar realmente pronto. Nossa pressa é resultado da nossa incompreensão das coisas, esse projeto só tem sentido se eu respeitar o tempo, então atrasos fazem parte. Enfim. Enquanto eu estiver fazendo o pão vou compartilhando aqui com vocês a emoção de cada etapa – Hoje a água de fruta ficou pronta, depois de 5 dias, então comecei a fazer a massa madre. Vou alimentar essa massa durante 7 dias. É um cuidado intenso, que mexe com a gente. A generosidade do mundo natural mexe comigo. Vamos fazendo e sentindo esse pão. Compartilho pra tentar que sintam um pouco junto comigo. Se quiserem ver o post da primeira etapa do pão e todas as outras receitas do projeto Gratidão de todas as sextas é só ir na #gratidaodetodasassextas no Instagram ou olhar a categoria aqui do blog chamada “Gratidão de todas as sextas”.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Iniciando a última e simbólica receita: O pão arturito – o senhor do tempo. 

Hoje eu fui atrás de maçãs, queria encontrar maçãs significativas porque elas não são para uma coisa qualquer – São para a receita 94/94 do projeto “Gratidão de todas as sextas”, aquele que me comprometi a cozinhar as 94 receitas do livro “Todas as sextas” de @paolacarosella . Vou encerrar com essa receita de propósito. É o pão porque o pão é o senhor do tempo, e o livro é sobre comida, afeto e tempo. O projeto tem sido uma das experiências mais profundas de tempo que tive. Eu sabia que não ia sair igual dele, mas não achei que era tanto. Achei essas maçãs orgânicas, honestas, diferentes umas das outras, de verdade e lindas na @solliorganicos , então comecei a fazer a água de fruta – o primeiro processo do pão de fermentação natural. O pão começou a nascer hoje em uma caminhada bonita por São Paulo enquanto eu ia atrás das maçãs. Agora uma delas está fermentando na água, e o pão está a caminho. Acompanhem. E se quiserem ver as outras 93 receitas que já fiz do livro (coração chega a pular quando escrevo isso), é só olhar na hashtag do projeto #gratidaodetodasassextas no Instagram  ou dar uma olhada na categoria aqui do blog chamada “Gratidão de todas as sextas”, tem toda uma história lá. Enfim. Só queria dizer que o pão começou, e agradecer. A foto linda do pão do livro, do @emperorofhoxton , diz muito, como todas as outras imagens do livro dizem profundamente muito. O pão pronto na imagem e as maçãs que achei hoje – os dois lados extremos do processo de criação natural do pão. Essa foto é simbólica, espero que entendam.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 92/94: Massa para nero di seppia. Receita 93/94: Nero di seppia com lagostins frescos. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 92/94: Massa para nero di seppia. Receita 93/94: Nero di seppia com lagostins frescos. Essa era uma receita que eu achava muito dificil no inicio do projeto, talvez por isso ela foi ficando para o final. Foi uma surpresa, ao fazer ela, ir notando minha maior familiaridade com os ingredientes que eu, ao longo do projeto, fui aprendendo a tratar melhor. Uma das coisas mais lindas do livro e linguagem da Paola é ensinar a gente a tratar os bichos melhor, as plantas melhor, as coisas da cozinha melhor. Eu acho que isso muda pra sempre nosso modo de comer. Eu digo meio que emocionado que a massa ficou uma delícia, o molho, que foi feito com o sabor da cabeça e carcaça do bicho ficou uma delícia emocionante (porque é simbólico extrair um sabor lindo daquilo que muitos acham que não serve). O lagostim ficou em um ponto respeitável. Estou tão feliz com esse prato e com o que ter conseguido fazer ele bem significa pra mim. É, meus caros, chegamos na receita 93/94. Falta só 1. O pão. Essa ficou por último de propósito. Porque o pão é milenarmente simbólico. O pão é o senhor do tempo. O livro “Todas as sextas” é uma grande lição sobre o valor do tempo – que não é dinheiro (te contaram essa mentira). O tempo é o tecido de nossas vidas.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 91/94: Ceviche de Ostras. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 91/94: Ceviche de ostras. Ontem tive a sorte de encontrar pessoas gentis que venderam com sorrisos ostras fresquinhas. Também tive a sorte de morar em uma cidade-mundo onde se encontra de tudo e de todos (São Paulo é um presente). Tive a sorte de ter alguém que amo tão profundamente para comer as ostras comigo. Tivemos a sorte de ter um vinho muito bom para acompanhar uma tarde calma e boa, de descanso e frescor, o mesmo frescor das ostras. Tive a sorte de Paola ensinar um modo tão sagrado e bom de comer ostras e temperá-las. Pensei também na sorte que tive de ter encontrado Paola de algum modo, de ter inciado esse projeto e de ter tido disposição e convicção para estar hoje na receita 91/94 e ter aprendido tanto. Se isso não for motivo de gratidão, senhores, eu não sei o que é.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 90/94: Caldo de carne. 

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 90/94: Caldo de carne. Primeiro dourar no fogo as partes corretas do boi e os aromas da terra (os legumes), depois pegar tudo, já transformado pelo calor do fogo sagrado, e deixar cozinhando por 8 horas e meia – para o tempo fazer sua mágica, para o tempo extrair o melhor possível disso tudo. O cheiro e gosto complexo e intenso desse caldo é o cheiro e gosto do tempo. O tempo que as coisas levam e que não temos mais gostado de esperar, já que queremos tudo instantâneo. Foi profundamente emocionante fazer meu próprio caldo de carne, ver acontecer diante dos meus olhos o que genuinamente pode ser chamado de caldo de carne (e não qualquer coisa vendida por aí roubando esse nome sagrado). Nada faz você refletir tanto sobre o tempo quanto uma receita que precisa ficar quase 10 horas na panela, lentamente acontecendo. Eu estou transformado e esse caldo deixou uma marca forte em mim. Como não sentir uma vontade enorme de agradecer? Esse projeto tem me dado tanto… nem sei te contar. O tempo é mesmo o tecido de nossas vidas, ele não é dinheiro.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 87/94: Linguiça de porco. Receita 88/94: Gnocchi de ricota de búfala. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 87/94: Linguiça de porco. Receita 88:94: Gnocchi de ricota de búfala. Foi uma longa caminhada para ir atrás da ricota de búfala mais fresca que eu pudesse achar. Achei uma bonita, não acho que era a mais fresca de São Paulo, mas achei boa. É interessante rodar São Paulo atrás de um ingrediente, enquanto eu andava atrás da ricota tive tempo de olhar os detalhes da cidade, de respirar direito, de pensar nos detalhes da receita, de sentir. Me desconectei de um ritmo intenso e me conectei com alguma sutileza da vida. Acho que eu gosto quando um ingrediente é dificil de achar e exige idas e vindas por São Paulo, afinal. Fazer a linguiça artesanal foi mágico – o perfume dessa linguiça linda, que temperei acariciando gentilmente, parece que perfumou diferente a própria vida. Fiz a linguiça, fiz o molho, fiz o gnocchi. Fiz uma noite alegre aqui em casa. Fiz uma memória para agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 86/94: Frango recheado de Mimi. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 86/94: Frango recheado de Mimi. Eu não sei mesmo dizer a emoção que foi desossar um frango inteiro pela primeira vez. É algo tão complexo e foi tão lindo conseguir, uma realização profunda que me marcou. Acho que ter feito essa receita pro natal ajudou a emocionar, porque mais do que em qualquer outro dia, nesse dia estamos inspirados à oferecer. Colocar ele lindo assim na mesa, ver todo mundo curioso, cortando, comendo, gostando, esboçando faces de alegria e prazer… poucas coisas me preechem tanto de sentido quanto isso. Eu sei muito bem o porque (assunto longo), e saber é bom: cozinhar é meu jeito de me conectar com um lugar de amor. Isso é profundo em mim. E tem um detalhe muito sério e importante sobre essa receita: Até agora todas as receitas do livro eu segui à risca, sem a menor ousadia de mexer. Mas nessa eu mexi, mudei algumas coisas no recheio, nada demais, mas depois que pensei entendi. Eu só consegui colocar algo mais meu na receita 86 porque, além de ter aprendido muita coisa nas outras 85 receitas que me deram condições diferentes, eu também tenho aprendido no último ano a acreditar mais no que sou eu, no que minha mão constrói. Acho que quando isso acontece a gente sente autorização de achar importante o que pensamos e deixamos algo autoral acontecer. A receita ainda foi a da Paola, mas nessa eu pude ouvir uma voz sutil que vinha de dentro de mim e me deixava confiar, em mim. Entendem a força disso? E assim tem sido, eu crescendo com a vida, crescendo com o livro, crescendo. Nunca estive tão grato com esse projeto quanto hoje.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 85/94: Stracciatella de Mimi.

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 85/94: Stracciatella de Mimi. Cheguei em casa, há 3 horas, depois de um longo dia, longa semana. Peguei um caldo de frango que estava guardado como um tesouro, na geladeira (fiz outro dia e guardei o caldo que sobrou pensando nessa receita). Pensei nessa receita durante a tarde toda hoje, porque ela soava aconchego, toda vez que folheava ela no livro sentia que era uma receita de abraço. E era isso mesmo, suave, gentil, exatamente o que eu precisava. Algumas receitas chegam em nossas vidas no dia certo. O dia hoje era da Stracciatella. É tão lindo pingar as gotas da massa úmida no caldo de frango quente e ver as bolotinhas se formando, naquele perfume, naquele carinho. Enfim. Eu queria, claro, agradecer, essas receitas que dão o sentido que um dia precisa ter. Feliz.

Como fazer Poisson meunière (Peixe com molho de limão e manteiga queimada) acompanhado de tomates confit e berinjela refogada. Rápido e bom de verdade.

Essa é uma refeição rápida, mas uma refeição rápida com alma, fica boa mesmo, porque os preparos são em sua essência rápidos de verdade (não são aquelas receitas rápidas que encurtam sem respeito o tempo certo que as coisas precisam para ficar prontas). Você não precisa sempre ter duas horas para cozinhar para comer bem, com afeto e verdade. Adoro um peixe fresco, com algo cítrico acompanhado de tomates confitados, é um dos meus jeitos mais felizes de comer um filé de peixe. A berinjela é uma convidada muito querida nesse prato, é um carinho tê-la junto aqui. Para fazer tudo isso  precisei só de uns 30 minutos e de uma música que deixou meus movimentos mais harmônicos e alegres, tipo “I wanna dance with  somebody”, da Whitney Houston. É bom, muito bom.

Modo de preparo:

Clique aqui e confira a receita do Poisson meurinère (Peixe com molho de limão e manteiga queimada).

O tomate confit você pode fazer de dois jeitos: Se tiver mais tempo e puder deixar ele 1 hora no forno, clique aqui e veja como fazer do modo mais tradicional.  Agora se tiver pouco tempo, dá para fazer assim também: Em uma panela pequena coloque o tanto de tomatinhos cerejas que vai querer confitar, acrescente uma quantidade de azeite de oliva extra virgem suficiente para cobrir metade dos tomates, coloque 2 dentes de alho cortados em lâminas, sal à gosto, açúcar à gosto, folhas frescas de louro e pimenta-do-reino. Deixe em fogo médio até que os tomates estejam bem cozidos e molhinhos, com a pele quase soltando, se precisar vire eles durante o cozimento. Em 20 minutos normalmente ficam bons, deixe esfriar um pouco depois que terminar de cozinhar e está pronto.

A berinjela aqui nesse prato é uma visita muito simples de fazer: Refogue alho e cebola em um pouco de azeite e depois coloque a berinjela cortada em cubos, vá refogando em fogo médio até que ela esteja cozida, meio transparente e deliciosa. Tempere com sal e pimenta à gosto.

Prontinho! Bon appétit!

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 83/94: Galinha-d’angola com beterrabas. 

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 83/94: Galinha-d’angola com beterrabas. Post atrasado, mas atraso, como esse projeto tem mostrado, não é algo que importa tanto. Quando o tempo do atraso é significado e tem um porque, o atraso é valioso. Transformar um ingrediente no melhor que ele pode ser é um contato interessante com o sentido do tempo. Eu sei, é repetitivo falar de tempo aqui nesse projeto, mas é verdadeiro, porque o livro “Todas as sextas” é sobre tempo, comida e tempo, afeto e tempo, vida e tempo, mundo e tempo. Eu gostei muito de ficar perto da panela que a galinha cozinhava quase 1 hora e 20 minutos, dessa vez eu quis ficar ali sempre muito perto da panela. Foi de uma panela que tenho carinho, gosto dela. Foi bom. Eu não acho que eu vá esquecer um dia dessa manhã, desse tempo. A cozinha marca o tempo na gente.  Obrigado, cozinha. . O tempo é o tecido de nossas vidas. Espero que entendam isso, cozinhar ajuda a entender.