Como fazer Poisson meunière (Peixe com molho de limão e manteiga queimada) acompanhado de tomates confit e berinjela refogada. Rápido e bom de verdade.

Essa é uma refeição rápida, mas uma refeição rápida com alma, fica boa mesmo, porque os preparos são em sua essência rápidos de verdade (não são aquelas receitas rápidas que encurtam sem respeito o tempo certo que as coisas precisam para ficar prontas). Você não precisa sempre ter duas horas para cozinhar para comer bem, com afeto e verdade. Adoro um peixe fresco, com algo cítrico acompanhado de tomates confitados, é um dos meus jeitos mais felizes de comer um filé de peixe. A berinjela é uma convidada muito querida nesse prato, é um carinho tê-la junto aqui. Para fazer tudo isso  precisei só de uns 30 minutos e de uma música que deixou meus movimentos mais harmônicos e alegres, tipo “I wanna dance with  somebody”, da Whitney Houston. É bom, muito bom.

Modo de preparo:

Clique aqui e confira a receita do Poisson meurinère (Peixe com molho de limão e manteiga queimada).

O tomate confit você pode fazer de dois jeitos: Se tiver mais tempo e puder deixar ele 1 hora no forno, clique aqui e veja como fazer do modo mais tradicional.  Agora se tiver pouco tempo, dá para fazer assim também: Em uma panela pequena coloque o tanto de tomatinhos cerejas que vai querer confitar, acrescente uma quantidade de azeite de oliva extra virgem suficiente para cobrir metade dos tomates, coloque 2 dentes de alho cortados em lâminas, sal à gosto, açúcar à gosto, folhas frescas de louro e pimenta-do-reino. Deixe em fogo médio até que os tomates estejam bem cozidos e molhinhos, com a pele quase soltando, se precisar vire eles durante o cozimento. Em 20 minutos normalmente ficam bons, deixe esfriar um pouco depois que terminar de cozinhar e está pronto.

A berinjela aqui nesse prato é uma visita muito simples de fazer: Refogue alho e cebola em um pouco de azeite e depois coloque a berinjela cortada em cubos, vá refogando em fogo médio até que ela esteja cozida, meio transparente e deliciosa. Tempere com sal e pimenta à gosto.

Prontinho! Bon appétit!

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Como fazer Poisson meunière (Peixe com molho de limão e manteiga queimada)

“Meunière” significa em francês “mulher do moleiro”, o que faz referência à farinha usada para fazer uma fina camada no filé de peixe, o protegendo ao cozinhá-lo, evitando ressecamento. Com um perfume sensual de lembrar pra sempre, esse prato é daqueles que você não sabe mesmo o que dizer na primeira garfada. O tom forte da manteiga “queimada” com o cítrico do limão casam muito bem com um filé de peixe fresco. Esse prato é uma história de amor pra mim, meu jeito preferido de comer peixe. um jeito envolvente que te conecta ao prato em uma experiência sensorial muito forte. Coma peixe assim pelo menos uma vez na vida, sério.

Ingredientes (para 2 pessoas):

  • 2 filés frescos de peixe (uso Saint Peter ou linguado, mas se aventure e escolha o seu) limpo e sem espinhas, de aproximadamente 160g cada.
  • 2 colheres e meia de sopa de farinha de trigo
  • Pimenta-do-reino preta à gosto
  • Meia colher de chá de sal
  • 2 colheres de sopa de óleo de girassol ou azeite de oliva extra virgem
  • 45g de manteiga
  • Suco de meio limão (melhor se for siciliano)
  • 2 colheres de sopa de salsa fresca picada
  • 1 colher de sopa de alcaparras pequenas (opcional)
  • Lemon pepper  à gosto (opcional, mas eu gosto muito de colocar)

Modo de preparo:

Misture em um prato a farinha com o sal, a pimenta e o lemon pepper, se for usar. Salpique só um tico de sal nos filés de peixe (porque o sal na farinha já irá temperá-los) e em seguida empane eles na mistura de farinha. Tire o excesso e reserve.

Aqueça o óleo (ou azeite) na frigideira, deixe o fogo médio e então acrescente os filés, doure de um lado por cerca de 1 no máximo 2 minutos (depende to tamanho do filé). Vire e doure o outro lado também por 1 ou 2 minutos. Se seu filé for muito grosso será mais tempo, sinta a coerência. Após dourar retire os filés da frigideira e coloque em um prato aquecido se puder, cubra com papel alumínio.

Na mesma frigideira, ainda em fogo médio, acrescente a manteiga e deixe ela derreter, quando começar a escurecer apague o fogo e coloque o caldo de limão (cuidado, pode espirrar). Coloque a salsa e as alcaparrar e movimente a frigideira para misturar tudo. Sinta o perfume nessa hora, é lindo. Volte os filés para frigideira e encharque no molho. Sirva imediatamente e seja muito feliz comendo. Bon appétit!

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as ssxtas”, de Paola Carosella. Receita 82/94: Stinco de cordeiro com laranjas e cenouras.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 82/94: Stinco de cordeiro com laranjas e cenouras. Conhecer de perto o tempo que cada carne leva para ficar maravilhosa, conhecer melhor o animal, suas características, seu gosto, que acompanhamento o dignifica –  Isso constrói na gente uma intimidade com a natureza. A gastronomia tem o poder de nos tornar mais intimos do mundo natural, e ele é tão impressionante que quanto mais nos aproximamos dele mais o respeitamos e nos sentimos honrados em ser sua parte. É, cozinhar pela primeira vez stinco de cordeiro, do jeito que a Paola indica, foi tudo isso. Ele ficou uma delícia, minha mãe comeu comigo e gostou muito, lembrou das panelas quentes da infância dela, da terra dela, onde os animais eram também muito respeitados e aproveitados do nariz até o rabo. Foi muito bom. Eu agradeço imensamente a intimidade com a natureza que esse projeto tem construído. Feliz.

Como fazer brusqueta  de queijo branco e geleia de fruta. 

As minhas tardes de domingo sempre foram um pouco vazias, e no meio desse vazio nasce o convite de criar alguma coisa. A cozinha ajuda nisso. Na minha história, um pedaço de pão sempre rendeu algo. Tenho um grande carinho por fazer torradinhas, brusquetinhas, pedaços de pão com alguma coisa carinhosa e boa por cima. Ontem a tarde de domingo foi significada com essa brusqueta simples, mas deliciosa e marcante.

Ingredientes (as quantidades são totalmente à gosto e variam de acordo com a quantidade de brusquetas, use seu gosto e bom senso):

  • Fatias de pão
  • Queijo branco
  • Geleia de fruta
  • Azeite de oliva extra virgem
  • Folhas de hortelã para finalizar

Modo de preparo:

Pegue as fatias de pão, regue generosamente com azeite, coloque queijo branco e leve ao forno até dourar e o queijo amolecer. Tire e coloque um doce de fruta (pode ser qualquer doce/geleia de fruta que você tenha algum carinho, aqui eu usei uma de calafate (uma frutinha da Patagônia). Coloque folhinhas de hortelã, dá um frescor gentil. O azeite é importante pra dar umidade (visto que o queijo branco sozinho não faz isso) e o aroma do azeite fica ótimo com o doce de fruta. Escolha um bom, isso importa.Seja muito feliz comendo.

E ah,  o que na real preenche vazios não são as torradinhas, óbvio. Elas são uma delicia, mas o que preenche mesmo o vazio é a experiência criativa de fazer algo, mesmo que simples, com suas mãos, com seu tempo. Bon appétit.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 81/94: Tagliolini verde com lulas frescas e tomates apimentados. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 81/94: Tagliolini verde com lulas frescas e tomates apimentados. Fazer massa. Eu não consigo te dizer o tanto que cabe nessa frase – nesse ato. Unir, amassar, esperar, abrir, cortar, encharcar com um molho muito generoso que respeite a massa e vice-versa, tudo, absolutamente tudo feito à mão – você sabe o quanto é emocionante sentar pra comer um prato desses? Tem você nessa comida, seu tempo, sua mão, sua energia, seu afeto – a comida que tem isso é sempre a mais fantástica. Nessa massa da Paola, que eu transformei também em uma experiência minha, também tem Caetano, que esteve comigo na cozinha enquanto ela se constituia – tem músicas que revolucionam a experiência de cozinhar. Foi uma tarde toda fazendo, pra comer só a noite, bem a noite. Poucas coisas na vida são tão emocionantes quanto pegar uma panela de ferro, pesada, cheia de comida linda, cheia de você e do que você tem de bom para oferecer, e por na mesa com força e emoção dizendo com entusiasmo: comam, está pronto! Estou revigorado. Estou muito grato.

Gratidão de todas sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 77/94: Picarones. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 77/94: Picarones. Levantei do sofá pra fazer essa receita no último domingo, 19:30. Domingos não foram dias muito fáceis ao longo da minha vida, mas isso tem mudado. A vida se transforma e as nossas marcas também. Aconteceu que nesse domingo um tom novo e bom se revelou claramente. Aí fui cozinhar – eu precisava registrar na cozinha essa marca nova, no domingo. Era em tudo isso que eu pensava enquanto fazia esses bolinhos peruanos, com massa à base de abóbora e batata doce, com uma calda cítrica perfumada como o cheiro que a existência autêntica tem. Enquanto eu transformava os ingredientes pensava na minha transformação pessoal. Era para os bolinhos ficarem em formato de rosquinha, mas não deu. A vida também não sai na forma ideal que a gente imagina, mas pode ser boa mesmo assim. Os bolinhos ficaram bons mesmo sem o formato ideal, se eles podem, a vida também pode. Espero que entendam. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 73/94: Confit de peras, queijo manchego e sablée de amêndoas. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 73/94: Confit de peras, queijo manchego e sablée de amêndoas. Que alegria. A pera generosa lança um perfume que te conecta à algo muito bom, não sei bem o que, mas é um conforto curioso. Eu adoro pera cozida, adoro muito. Adoro também quando um perfume me conecta à algo delicado e subjetivo. O sablée quando você coloca na boca parece que estará uma secura só, mas ele é úmido, se transforma na boca em uma textura tão agradável que nossa, é uma surpresa emocionante. Eu nunca havia provado queijo manchego, ele deu um tom de divindade à tudo nesse prato. Eu fiz essa receita domingo passado, um domingo que ficou registrado como divino maravilhoso. Atenção para o refrão: Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 72/94: Peixe cozido em caldo branco de erva-doce. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 72/94: Peixe cozido em caldo branco de erva-doce. Com certeza o mais importante dessa receita foi ter usado um peixe total, da cabeça ao rabo, extraindo toda maravilha sagrada do animal, dando a ele o destino mais digno após ter morrido para entrar num ciclo e virar uma refeição nossa. Ver na panela o bicho todo nos lembra que ele é um bicho, que vem de um lugar. Não adianta você fingir que não vem – a vaca, o peixe, o porco, a galinha. É bicho, vida, um ser com uma história natural. Comer com honestidade e beleza é comer com verdade – se quer comer carregue a responsabilidade e carga do que está no seu prato. Se você encara, entende e aceita a verdade das coisas, você as transforma e confere um significado puro e genuíno à elas. Se você encara, entende e aceita que o bicho é um bicho, fará um peixe no caldo branco de erva-doce emocionante, lindo, que te ensinará muito. E coma com aïoli, a emoção fica x20. Obrigado, peixe.

Receita de Gâteau au chocolat (bolo de chocolate cremoso sem farinha)!

 

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Receita de gâteau au chocolat (um bolo de chocolate cremoso e amoroso sem farinha). Você é capaz de ver a alegria de viver nesse gâteau? É uma receita simbólica e guarda muito. Fazê-la é sempre uma experiência delicada – começo escolhendo com cuidado e carinho os utensílios e ingredientes (só vai 4 ingredientes, então eles precisam ser escolhidos com seriedade e carinho, é importante que sejam bons). Misturo os ovos com o açúcar sempre num bowl bonito. Pego folhinhas das plantas de casa para servir de molde para as folhas de chocolate que a enfeitam. Os detalhes e cuidados importam. Aprendi essa receita com uma confeiteira que me ensinou a ver na cozinha a “joie de vivre” – a alegria de viver, de se relacionar com o mundo natural de um modo revolucionário e fazer da cozinha o lugar mais feliz, ocupado e vivo da casa. Você é capaz de ver nesse bolo a alegria de viver? Espero que seja. Ele é muito bom, cremoso, intenso e lindo. Mas além de bom, diz muito, pra mim.

Ingredientes:

  • 290g de chocolate amargo (pode ser meio amargo, eu uso amargo)
  • 5 ovos
  • 200g de açúcar
  • 100g de manteiga
  • cacau em pó para polvilhar a fôrma

Você precisará de uma fôrma de fundo removível de cerca de 21cm de diâmetro.

Modo de preparo:

Derreta o chocolate em banho-maria junto com a manteiga – derreter os dois juntos é importante pois a manteiga, nossa amiga querida, é uma gordura gentil que protege todas as propriedades do chocolate e as mantém perfeitas pra gente sentir seu melhor. Após derreter tudo reserve. Em uma vasilha bata os ovos e o açúcar com um fouet – não bata demais, apenas o suficiente para incorporar. Acrescente então o chocolate derretido com a mistura de ovos e bata com um fouet até incorporar tudo.

Pré-aqueça seu forno à 180 graus. Unte a fôrma de fundo removível com manteiga e polvilhe cacau em pó nela, então despeje a mistura do bolo. Leve para assar em banho-maria (é uma mistura muito delicada, sem farinha, com muitos ovos, para ficar em uma consistência incrível, cremosa e meio mousse, precisa assar lentamente de um modo que só o banho-maria permite). Pegue uma folha grande de papel alumínio e coloque a fôrma em cima, rodeando o alumínio em volta dela para proteger e evitar que a água do banho-maria entre na fôrma (já que ela é de fundo removível, né). Coloque então a fôrma com a massa em uma fôrma maior que ela e acrescente água já quente. Leve ao forno pré-aquecido e asse por cerca de 50 minutos à 1 hora.

Uma casquinha crocante incrível se formará por cima! Isso dará um contraste delicioso no gâteau.

Após assar, deixe o bolo ainda na fôrma esfriar um pouco em temperatura ambiente e depois leve para geladeira – só desenforme quando ele estiver completamente gelado. Para desenformar solte as laterais com uma faquinha para ajudar. Ele é um bolo melequentinho lindo mesmo, então é meio difícil desenformar, mas nada demais também. Seja muito feliz comendo – porque não tem como não ser comendo isso.

Dica de decoração:

Tanto essa receita quanto essa dica de decoração eu aprendi com a diva da cozinha Raíza Costa. Para fazer essas folhinhas de chocolate que decoram o bolo faço o seguinte: Derreto o chocolate, espero que esfrie um pouco e então pincelo folhas naturais de árvores ou plantas – que gracinha né? Pois é. As coloco na geladeira e quando endurecem retiro a folha de chocolate da folha, pronto. Também gosto de colocar pedaços rústicos de avelã junto por cima do bolo.

Dicas de acompanhamento:

Fica ótimo com chantili de cachaça do lado (que você obtém batendo creme de leite fresco e quando estiver no ponto de chantili acrescente uma colherzinha de cachaça). Também fica divino com creme inglês, ou uma frutas frescas azedinhas tipo framboesa…

Bon appétit!

Como fazer figos assados com creme de mel. 

Figos emocionantes de sobremesa porque fruta é sobremesa sim, rapaz. Se você prestar atenção vai achar tanta coisa  a sua volta que é capaz de emocionar você na vida e você nem liga. Tem muito prazer simples oculto por aí que ninguém usa direito. Esses figos contam isso, você é capaz de ouvir? O simples pode ser lindo. Fruta pode ser sobremesa, vem feita e a gente só ajeita pra tirar mais emoção dela.

Como fazer:

Corte os figos em 4, coloque em uma assadeira, regue com azeite e asse no forno à 180 graus por uns 10/15 minutos. Enquanto eles assam misture creme de leite com mel, em uma proporção para ficar um amarelinho gentil, como o da foto. Retire os figos do forno e regue com o molho. Quando comer entenda o quanto o singelo pode ser bom e o quanto um figo pode ser muito bom sendo apenas ele mesmo, um figo. Compreenda algumas coisas importantes e adocica a sua vida, meu amor.