Ovo poché com molho de vinho tinto (Oeufs en meurette) e Risoto Funghi – Veja como fazer!

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Ovo poché com molho de vinho tinto (Oeufs en meurette) sob uma torrada, com risoto funghi. O risoto talvez fosse dispensável nesse prato, mas meu desejo era esses aromas todos juntos. Nossos  desejos às vezes não são catalogados ou conhecidos, são estranhamente não compreendidos ou aceitos, ao mesmo passo que são lindos e autênticos. A cozinha expressa a possibilidade de realizar-se, de simbolicamente dizer em um prato o que queremos dizer em um mundo. Nos links abaixo você encontra a receita completa desse menu, em sua intuição você encontra o caminho para seus desejos autênticos, próprios.

Clique aqui e veja como fazer o perfeito Ovo Poché!

Clique aqui e veja como fazer o molho de vinho tinto!

Clique aqui e veja como fazer o Risoto de Funghi!

Receita de Peras Bela Helena (Poires Belle Hélène)!

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Gastronomia, arte, equilíbrio, amor. Peras Bela Helena (Poires Belle Hélène) – Sobremesa francesa de resultado encantador! A maciez da pera cozida com as coisas certas, o chocolate banhando a maciez da pera conferindo peso e presença. Fazê-las é manusear amor. Prová-las é sentir o gosto do amor. Na verdade a delicadeza e poesia toda delas vem lembrar que: Love is all you need. Mais uma gracinha francesa para nossa adorável coleção. Confira receita completa!

Ingredientes:

  • 1,5 litro de água fria
  • 1 fava de baunilha (se você não tiver a fava pode usar de 3 a 4 colheres de sopa de essência, porém sentirá diferença no resultado, mas fica bom também!).
  • 150g de açúcar (3/4 de xícara de chá)
  • 4 peras firmes descascadas e com as hastes (as Willians são ótimas para essa receita)
  • 100g de chocolate meio amargo picado
  • 100g de creme de leite fresco (pode usar aqueles de latinha sem o soro)
  • 3 favas de cardamomo amassadas

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Mas que gracinha essas perinhas… 🙂

Modo de preparo:

Leve a água ao fogo e acrescente a baunilha (se usar a fava corte-a ao meio, raspe o conteúdo para dentro da água e depois coloque a fava junto, se usar a essência apenas acrescente) e o açúcar, mexa um pouco para dissolver. Acrescente na mistura as peras e coloque por cima um pedaço de papel manteiga, encostando-o na água, assim garantirá que toda a pera fique submersa na água. Cozinhe em fogo médio por cerca de 30 à 45 minutos (o tempo depende, vá verificando com um garfinho, só desligue quando as peras já estiverem bem macias e totalmente cozidas).

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As peras no cozimento.

Depois de desligar deixe as peras esfriarem por 2 ou 3 horas, ou de preferência por uma noite (quanto mais tempo mais absorção de sabor).

Agora prepare a calda: Coloque o chocolate numa tigela, então ferva o creme de leite com o cardamomo e depois despeje sobre o chocolate. Espere 1 minuto e então comece mexer delicadamente, sem mexer muito, apenas o suficiente para misturar tudo por completo e ter uma ganache linda.

Na hora de servir retire as peras da calda, coloque em um prato e regue com uma boa quantidade da calda de chocolate. Fica muito bom servir junto com chantilly (como sugiro na imagem)! Aproveitem esse amor todo!

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Bon appétit!

Como fazer Crème Caramel (Pudim de leite com calda de caramelo)!

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Crème caramel – Fazer caramelo é uma aventura. Tem quem odeie. Eu amo. Esperar o açúcar se transformar direito, respeitando o movimento sutil que ele precisa e a temperatura adequada é uma arte que a gente precisa de calma para executar. No crème caramel o caramelo é fundamental, então você precisa conseguir fazer um de respeito. Essa receita é a versão original francesa, aqui no Brasil temos o pudim de leite – a diferença entre eles é que aqui no Brasil fazemos com leite condensado (o que se deve a nossa herança portuguesa que tem apreço por doces beeeem doces). A versão francesa é mais equilibrada em doce e não tem leite condensado. Adoro ambas. Não conheço quem não tenha alguma memória feliz com uma boa colherada de um crème caramel/pudim correto e bom – com caramelo perfeito, doce equilibrado, sem mil bolhinhas de ar dentro e cremoso de verdade (quando assa demais, é uma tristeza). Te ensino essa receita do jeito mais generoso que consegui. Você só precisa de leite, ovos, açúcar e baunilha. Adocica, meu amor.

Ingredientes:

  • 500 ml de leite
  • 2 colheres de sopa de essência de baunilha (ou uma fava de baunilha)
  • 3 colheres não muito cheias de sopa de açúcar (aproximadamente 60 g)
  • 3 ovos
  • 2 gemas
  • Para a calda: Uma xícara de chá bem cheia de açúcar e 2 colheres de sopa de água.

Modo de preparo:

Primeiro faça a calda de caramelo: Coloque uma camada de açúcar em uma frigideira e coloque em fogo médio. Quando essa camada começar a derreter coloque mais uma camada. Vá fazendo isso até usar toda a xícara cheia de açúcar. Quando o açúcar todo estiver derretido coloque a água (cuidado nessa parte para não espirrar caramelo em você). Procure não mexer o caramelo com colher, vá apenas fazendo movimentos circulares com a frigideira, para ajudar a derreter. Mexer com a colher pode fazer o caramelo cristalizar, pois agita as moléculas do açúcar!

As fases do preparo do caramelo. As duas primeiras imagens são do processo de derretimento por camadas graduais, conforme explicaod na receita. A penúltima imagem é o açúcar já todo derretido, e a última imagem é já depois de por a água. Tente deixar o seu caramelo sempre perto dessa cor, se ficar muito escuro fica amargo.

As fases do preparo do caramelo. As duas primeiras imagens são do processo de derretimento por camadas graduais, conforme explicaod na receita. A penúltima imagem é o açúcar já todo derretido, e a última imagem é já depois de por a água. Tente deixar o seu caramelo sempre perto dessa cor, se ficar muito escuro fica amargo.

Feito isso, espalhe o caramelo nos potinhos que você irá assar seu pudim (potinhos que podem ir ao forno), forre o fundo todo dos potinhos com caramelo. Faça isso rapidinho, o caramelo endurece rápido! Se você preferir pode por em uma forma grande, se quiser fazer um pudim grandão ao invés de 6 pequenos! No caso de potinhos pequenos, você precisará de 6 potinhos (ramequins).

Os potinhos com o fundo forrado de caramelo.

Os potinhos com o fundo forrado de caramelo.

Pré-aqueça o forno à 150 graus. Coloque o leite em uma panela e junte a baunilha. Se você for usar a fava de baunilha corte ela ao meio (no sentido de comprimento) e coloque no leite. Se for usar a essência só junte ao leite também. Usar a fava faz diferença, deixa mais acentuado o tom da baunilha, mas vai ficar bom dos dois jeitos! Leve o leite ao fogo e quando levantar fervura desligue (se você usou a fava, depois de ferver tire ela do leite e descarte). Misture os ovos e as gemas com o açúcar, e depois vá acrescendo lentamente no leite quente, sempre misturando. Não bata muito, evite criar muitas bolhas.

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Coloque essa mistura nos potinhos que você colocou o caramelo (ou na forma grandona), leve-os para uma assadeira e encha ela com água fria até cobrir metade dos potinhos.

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Asse por aproximadamente 1 hora, ou até o creme ficar firme nas bordas e meio mole no meio.Retire-os do forno e deixe esfriar em temperatura ambiente, depois cubra-os com um papel filme e leve a geladeira por 4 horas, ou por 1 noite.

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Antes de servir passe uma faca nas beiradas para ajudar a soltar, e coloque cada potinho em água fervente por cerca de 30 segundos, para dar uma amolecida e sair fácil. Então coloque um prato virado sobre o potinho e vire os dois juntos, se for necessário dê uma sacudidazinha para o pudim sair. Prontinho! Fica tão fofinho, né? Ah! Sirva gelado e bon appétit!

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Como fazer Crème Brûlée – o clássico!

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Ah… crème brûlée! Uma das minhas receitas francesas preferidas, daquelas de fazer os olhos brilharem! A primeira vez que ouvi falar dessa sobremesa foi no filme “O Fabulo destino de Amélie Poulain”, na cena em que falava da felicidade discreta encontrada nos prazeres simples do cotidiano  – e quebrar a casquinha do crème brûlée era um item dessa lista. Não sei se pela poesia do filme, se por ser tão a cara de Paris ou pelo sabor delicado e gentil, mas eu amo essa sobremesa! É difícil de explicar, mas esse doce é muito importante pra mim, ele de algum modo me lembra de ter esperança nas coisas (acho que ele já coloriu o preto e branco de outras horas). Fazer não é assim tão complicado! Vem quebrar a casquinha de um crème brûlée e entender melhor isso tudo.

E ah! Se quiser saber de onde vem e toda a história em torno dessa sobremesa, clique aqui e desvende o crème brûlée!

Ingredientes:

  • 300g de creme de leite fresco (ou use aqueles de latinha mas sem o soro!)
  • 200ml de leite
  • 3 colheres de sopa de extrato de baunilha – o natural é sempre muito melhor (ou você pode usar uma fava de baunilha inteira).
  • 6 gemas
  • 100g de açúcar (aproximadamente 10 colheres de sopa), e mais um pouco para fazer a casquinha caramelizada de cima – o brûlée.

Modo de preparo:

Coloque o creme de leite junto com o leite em uma panela e junte a baunilha (se for usar a fava corte-a ao meio, raspe as sementes para dentro da panela e jogue a casca dentro também). Ferva essa mistura, assim que levantar fervura desligue (se tiver usado a fava de baunilha retire ela e descarte). Reserve.

Em uma travessa misture as gemas com o açúcar, bata até atingir o ponto de fita – ponto mais grossinho e cremoso, para verificar esse ponto faça assim: Pegue um pouco da mistura com uma colher ou o próprio fouet e deixe cair de volta, estará no ponto de fita se cair fazendo essas dobrinhas como da imagem, repare:

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Então vá acrescentando aos poucos o creme quente que estava reservado, batendo sempre, mas não demais nem muito rápido para não criar muitas bolhas (mas não se preocupe, algumas são normais criar).

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Pré-aqueça o forno à 130 graus. Divida a mistura em 6 ramequins e coloque-os em uma assadeira.

Essa foto deixou o creme mais pálido gente, mas ele é mais amarelinho que isso tá!

Essa foto deixou o creme mais pálido gente, mas ele é mais amarelinho que isso tá!

Encha a assadeira de água morna até cobrir a metade dos ramequins. Asse de 40 à 50 minutos (depende do seu forno), até o creme ficar firme nas bordas e um pouco mole no meio. Quando der 35 minutos fique sempre de olho, vá tirando um ramequin para averiguar a consistência, assim não passará do ponto certo. Se assar demais fica duro e meio espumoso e não com aquela cremosidade mágica!

Após assar, retire do forno e deixe esfriar em temperatura ambiente. Então cubra-os com papel filme e leve para a geladeira por 3 à 4 horas, ou por uma noite. Na hora de servir vem a parte mais legal: Fazer aquela casquinha linda por cima! Retire-os da geladeira e tire o papel filme, se a superfície estiver úmida seque com um papel toalha delicadamente. Então polvilhe uma camada de açúcar por cima (não muito grossa), e aí é só caramelizar esse açúcar, e você tem duas opções para fazer isso: Pode usar um maçarico culinário (mais prático e com resultados melhores), ou usar uma colher de ferro aquecida. Se usar o maçarico é só ir fazendo com ele movimentos circulares até “queimar” o açúcar e deixar ele no tom das imagens abaixo (sem queimar muito para não ficar amargo, tem que ficar bronzeadinho só, 10 segundos de maçarico em cada um é suficiente). Se for usar uma colher de metal faça da seguinte forma: Esquente ela na chama do seu fogão a gás até que ela esquente bastante (o metal ficará num tom azul e meio escurecido). Após aquecer encoste a colher no açúcar e faça movimentos circulares, até caramelizar toda a superfície. Antes de aquecer a colher novamente lave-a muito bem para não ficar resíduos.

Prontinho! Quebre sua casquinha de Crème Brûlée e sinta a felicidade lendária que tal ação proporciona!

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Bon appétit!

Tartine de chocolate e azeite de oliva – Uma variação doce dos tradicionais sanduíches abertos franceses!

Tartine – do verbo francês “tartiner”, que significa “espalhar no pão” – nada mais é do que um sanduíche aberto. Um pão com algo em cima. Existem inúmeras opções de recheio e de pães para fazê-las – desde a tradicional preferida dos franceses – baguete com manteiga e geleia – até outras mais elaboradas. Na verdade é um prato bem simples de fazer, coisa bem “sanduíche” mesmo, mas com a sofisticação e charme francês.

Essa receita é de uma tartine doce, em homenagem à Páscoa! Fácil e linda, vamos lá!

Ingredientes:

Modo de preparo:

Coloque a barra de chocolate no freezer por uns 10 minutos, e depois rale ela (ou pique com uma faca). Pincele azeite de oliva nas fatias de pão e em seguida cubra com o chocolate ralado. Leve então ao forno (À uns 200 graus) por cerca de 10 minutos, ou até as tartines estarem levemente crocantes e o chocolate estar já derretido. Se quiser, coloque mais azeite antes de servir, eu adoro. Um azeite bom nunca é demais. Prontinho! Simples e uma delícia! Aproveite-as!

Bon appétit!

Cinema e Gastronomia – Filme “A 100 Passos de um Sonho”.

 

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A 100 passos de um Sonho é um dos melhores filmes que vi esse ano sobre gastronomia, arte, cultura e afeto. O filme fala do encontro entre a cultura gastronômica indiana e a francesa, mostrando a possibilidade de culturas diferentes coexistirem e juntas criarem elementos novos – e lindos. Podemos estender a ideia que o filme traz para diversas questões sobre preconceitos e exclusão que tanto nos limitem e nos impedem de aprender com o diferente de nós. Me identifico muito com o filme, principalmente quando lembro dos tantos toques que já dei em receitas clássicas francesas com especiarias do nordeste – nossa origem e nossa alma estando no prato o torno autentico. O filme fala de gastronomia, amor, autenticidade, respeito.

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O filme narra um história ocorrida no sul da França, onde Madame Mallory (Helen Mirren) é uma respeitada e autoritária dona de um restaurante estrelado no famoso guia Michelin que está cada vez mais preocupada com um estabelecimento indiano, concorrente, que abriu do outro lado da rua do seu famoso restaurante. Ela trava uma verdadeira guerra contra o vizinho, mas aos poucos conhece o filho do seu adversário, Hassan Kadam (Manish Dayal), um garoto com autêntico talento para a culinária. Os dois tornam-se amigos, e Mallory passa a guiá-lo pelos conhecimentos da refinada gastronomia francesa, sem abandonar a tradição indiana, encorajando-o a alçar voos muito mais altos. Uma história de encontro autêntico, aprendizado e amor promovido pela gastronomia.

A delicadeza do filme nos inspira. O permitir-se permear por uma cultura e costumes diferentes do nosso é algo extremamente difícil, porém a abertura ao novo, ao estranho à nós nos proporciona um crescimento sem igual. O filme lindamente mostra isso, ilustrado através do ato de cozinhar está indicado uma conduta existencial aberta as mais belas possibilidades. O filme proporciona uma lição de ética, cidadania, respeito e humanidade. Também nos faz observar apaixonadamente a dança de sentidos de o ato de cozinhar proporcionar. Uma linda obra que vale muito a pena ser vista!

Título original: The Hundred-foot Journey, Ano: 2014.

Clique aqui e confira o trailer!

No site Filmes Online Grátis você encontra o filme para assistir online! Clique aqui e vá para lá.

 

O que é e de onde vem o Crème Brûleé? Comida e história!

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Crème Brûleé para os franceses, Crema Catalana para os espanhóis ou Leite-creme para os portugueses. Com qualquer nome ou em qualquer lugar do mundo, amo esse doce e toda delicadeza que ele me faz sentir – tem coisas que a gente come porque o gosto é bom, mas também porque a experiência de comer produz alguma sensação valiosa, delicada, boa. Fazer e comer crème brûlée me transporta para um estado de apreciação do belo através de algo simples. Vou explicar melhor.

A primeira referência história sobre essa sobremesa foi encontrada no livro Nouveau cuisinier royal et bourgeois, do francês François Massialot, publicado em 1691. Brulée designa um termo para “tostado”, o que é a característica principal desse doce – que tem aquela casquinha caramelizada por cima. Há uma curiosidade: “brûlée” é um termo também usado para referir-se à pessoa de alto poder aquisitivo e esnobe, a expressão foi extraída do nome da sobremesa crème brûlée, por ela, na França, ter sido uma sobremesa elitizada durante muito tempo.

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No filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulin, de Jean-Pierre Jeunet, existe uma referência muito famosa à essa sobremesa, que ajudou ela a se popularizar no mundo todo. Na poesia do filme é dito que o ato de quebrar com uma colher a casquinha do créme brûlée pode produzir um prazer simples, delicado, que te ajuda a extrair poesia da simplicidade de seu cotidiano. Acho isso tão lindo, evoca coisas tão sérias sobre conseguir extrair dos atos simples marcas boas, que nos alimentem… Enfim, o filme em si é lindo e tem muito sobre essa poesia do simples, e responsabilizo ele em grande parte por esse meu amor ao crème brûlée.

A origem da sobremesa é controversa e suspeita: franceses, espanhóis e ingleses disputam sua origem. Na Grã-Bretanha, existe uma referência, de 1879, ao Trinity Cream ou Cambridge burnt cream. No Trinity College, Cambridge, o símbolo da universidade era marcado, com um ferro quente, sobre o açúcar da cobertura. Mas os franceses, como mencionei acima, tem registros anteriores a esse, então por hora a honra é deles.

Ovos, leite, baunilha e açúcar – basicamente ele é feito disso. Há vários modos de fazer a casquinha linda e marcante de cima, o maçarico é a forma mais comum hoje, mas alguns lugares colocam bebida alcoólica por cima e botam fogo, para uma caramelização meio com cara de espetáculo. E também tem o modo mais antigo, de fazer a casquinha com ferro quente (meu jeito preferido, na verdade).

Adoro a história e narrativas possíveis de qualquer alimento. Há traços em tudo que comemos que contam histórias, poesias, hábitos… Comida é assim. Agora se você ficou com vontade clique aqui e veja como fazer creme brulee! Eu ensino, e você nem precisa ter maçarico culinário! Vem que tem!

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Como fazer molho de vinho tinto – Perfeito para servir com ovo poché!

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A magia da cozinha fica tão evidente quando juntamos 2 coisas que isoladas são apenas algo sem muito brilho, mas que juntas viram praticamente estrelas de Hollywood. Esse molho veste pratos com a roupa certa, encanta e abrilhanta (essa palavra existe?) muitos preparos simples. Ele fica sensacional para regar um humilde ovo poché, que deixará de ser humilde.

Ingredientes:

  • 1 cebola picada
  • Cerca de metade de um talo de alho-poró bem picado
  • 1 cenoura picada
  • 1 colher de sopa de bacon picado
  • 1 colher de sopa de azeite de oliva extra virgem.
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1 colher de sopa de farinha de trigo
  • 500 ml de caldo de carne morno (o caldo que fica depois que uma carne é assada ou cozida é perfeito, bem melhor que os artificiais).
  • 1 colher de sopa de molho de tomate
  • 165 ml de vinho tinto
  • Tomilho à gosto
  • Louro á gosto
  • Salsinha à gosto
  • Pimenta-do-reino à gosto

Modo de preparo:

Comece a dourar o bacon em uma panela, espere 1 minuto e acrescente o azeite, os vegetais e temperos todos. Retire-os da panela com uma escumadeira e acrescente a manteiga na panela, espere derreter e coloque a farinha de trigo (faça um roux), mexa sempre até ficar em um tom mais escuro (um castanho bem escuro). Vá acrescentando aos poucos o caldo de carne morno, mexendo sem parar. Adicione a massa de tomate e vinho tinto e mexa até misturar bem tudo. Coloque de volta na panela o bacon com os vegetais que você havia tirado. Cozinha tudo em fogo brando por cerca de 15 minutos (não deixe ferver). Passe o molho na peneira, e então prove o sal, acertando se achar necessário. Prontinho! Você pode manter na geladeira por uns 5 dias, ou até congelar.

Como eu disse acima, com ovo poché fica divino! Bon appétit!

Clique aqui e saiba como fazer um perfeito ovo poché!

Como fazer Ovo Poché!

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Cortar um Ovo Poché e ver o mostrar-se da gema é uma emoção muito parecida com quebrar a casquinha do Crème Brûlée. Sentir seu sabor, tão delicado, lembrando quase um queijo, é uma experiência quase religiosa, meio transcedental. E para ir aos céus com tudo isso, você precisa só de um ovo fresco, água, sal e vinagre. Existem momentos importantes do preparo que garantem a perfeição, eu sempre segui isso e nunca errei um Ovo Poché! Veja abaixo o passo a passo!

Ingredientes:

  • 1 Ovo
  • Vinagre branco (aproximadamente 2 colhares de sopa)
  • Sal

Modo preparo:

Ferva água em uma panela pequena, com certa profundidade (o suficiente para a altura da água atingir uns 4 dedos de profundidade). É legal uma panela pequena e mais fundinha, pois isso te ajuda a fazer o redemoinho de água mais forte (quanto mais rasa e larga a panela, mais difícil é fazer um redemoinho forte que segure bem o ovo quando você colocar ele). Quando a água esquentar acrescente o vinagre e um pouco de sal e então espere ferver. Enquanto isso quebre o ovo com cuidado para não desfazer, e o coloque em uma concha (estando em uma concha fica mais fácil de você colocar na panela do jeito certo). Então quando a água estiver fervendo comece a fazer movimentos circulares nela com uma colher, criando um redemoinho forte no centro – eis o momento mais importante do preparo de um Ovo Poché perfeito: Colocar o ovo!

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Note o redemoinho de água no centro.

Depois de fazer os movimentos circulares e ter um redemoinho no centro acrescente o ovo EXATAMENTE no centro do redemoinho – é muito importante que caia no centro.

Quando cai na água da a sensaçãp de ter se espatifado. Mas fique tranquilo, se caiu bem no centro do redemoinho dará tudo certo! Ele roda um pouco assim que cai, acompanhando o rodar do redemoinho.

Quando cai na água da a sensaçãp de ter se espatifado. Mas fique tranquilo, se caiu bem no centro do redemoinho dará tudo certo! Ele roda um pouco assim que cai, acompanhando o rodar do redemoinho.

Então feche a panela e desligue o fogo. Se quiser uma gema mais para mole deixe 5 minutos desse modo (eu prefiro nesse ponto), se quiser mais dura deixe 7 minutos. Depois é só retirar o ovo com uma escumadeira, delicadamente, e morrer de amor pela delicadeza e sabor! Ficam perfeitos servidos com torradas douradas com manteiga! Aproveite esse clássico europeu e seja feliz!

O ovo inteiro antes de cortar.

O ovo inteiro antes de cortar – Servido com torradas e um creme balsâmico de laranja e mel.

Julia Child: O mito que ensina sobre a possibilidade de inauguração existencial na arte de cozinhar.

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Julia Carolyn McWilliams  – A Julia Child –  para quem entende as inaugurações e ousadias que cozinhar é capaz de produzir em nossas vidas, falar de Julia é encontrar em uma história todo o amor e autenticidade que a cozinha produz e exala. O entusiasmo de uma mulher que decide não mais apenas comer, mas sim criar suas próprias experiências sensoriais na cozinha, revela o quão transformador a arte de cozinhar pode ser em uma história. Julia ousou desvendar a cozinha francesa, e através disso transformou não apenas sua vida, mas toda história da cozinha americana, inaugurando novas perspectivas culturais sobre o ato de cozinhar e comer. Julia, somada a outros artistas que tanto admiro (como Paola Carosella e Raíza Costa) foi enorme inspiração para que eu iniciasse um intenso mergulho em mim mesmo através da gastronomia, assim como foi essa mesma inspiração para milhares de pessoas.

Julia nasceu em 15 de agosto de 1912, na Califórnia (EUA). Sua história com a culinária começou após seus 30 anos, antes disso fez diversas coisas, já foi esportista (praticou tênis, basquete e até golf), trabalhou como redatora, e também trabalhou durante a segunda guerra mundial na OSS (Escritório de Serviços Estratégicos), foi onde conheceu Paul Cushing, militar que também trabalhava na OSS, com quem viria a se casar em 1946.

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Julia iniciou seu interesse por culinária quando mudou-se para França para acompanhar o marido. É encantador como a sensibilidade, a arte e o charme da cozinha francesa toca o sentido existencial dessa mulher, que decide compreender mais da cozinha, mais de si mesma, mais de um prazer que lhe renderia muito mais do que uma simples ocupação do tempo. Julia se matriculou na lendária Le Cordon Bleu de Paris, estudou, enfrentou desafios para lidar com preconceitos (mulher na alta gastronomia era – talvez ainda seja – um desafio grande). Começou então a entrar cada vez mais no mundo da gastronomia, até se envolver em um projeto com outras duas cozinheiras (Simone Beck e Luisette Bertholle), que juntas escreveram um livro de culinária francesa para americanos (O famoso “Mastering The Art of French Cooking”). A partir daí Julia iria aos poucos intrigar e encantar muitas cozinheiras americanas, as convidando a algo novo, tornando o que parecia ser algo tão distante muito acessível. Julia virou uma grande referência, virou apresentadora de televisão, com seu jeito irreverente, espontâneo e autêntico encantava a todos, mostrando o quão cozinhar poderia ser simples, grandioso, divertido e mágico. Seu famoso “Bon appétit” com o qual finalizava todos seus programas – dizendo de um jeito tão entusiasmado que faz a gente até rir ouvindo – é uma de suas maiores marcas.

Um dos mais famosos legados de Julia - "Mastering the Arte of French Cooking".

Um dos mais famosos legados de Julia – “Mastering the Arte of French Cooking” – Edição atual com 2 volumes. 

Conhecer Julia através do filme Julie & Julia (Clique aqui e confira artigo sobre o filme) ajudou a nascer um incomodo em mim, um incomodo que me dizia: “Ei, ta faltando você fazer alguma coisa que você sabe que quer fazer, não acha?”. Foi então que comecei a cozinhar mais, cozinhar todos os dias, encontrar (talvez reencontrar) a delicadeza, poesia e sensibilidade que meus dias estavam gritando por. Cozinhar preenche coisas importantes em mim, coisas que preciso. A história de Julia me ajudou a mergulhar mais na cozinha e nas minhas emoções, e isso somado a outras coisas me ajudou a parir o blog. Julia foi a porta para o encontro com uma possibilidade já habitante em mim à tempos, e que eu precisava desenvolver mais. Ela me faz ver o divã que vejo na minha cozinha e deitar nele, para encontrar a mim mesmo e construir as inaugurações existenciais que acredito que a cozinha é capaz de proporcionar.

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Bon appétit!