Como fazer o clássico Soufflé au fromage (suflê de queijo). Receita, conceito e história!

Soufflé – um sopro. O nome simboliza a delicadeza de um dos clássicos franceses mais famosos no mundo. Inventado em Paris no século XIX, não se sabe ao certo se foi criado por Antonin Carême (um homem de origem muito pobre que entrou na cozinha para ter um teto após ser abandonado pelos pais. Foi um dos primeiros da história a receber o título de “chef” e também lançar a moda do famoso chapéu de chef usado até hoje) ou por Jean Anthelme Brillat-Savarin (grande gastrônomo com imensa participação política na França e que escreveu uma das obras mais famosas da gastronomia: “Physiologie du goût” (A fisiologia do gosto).

O também francês Hervé This, um dos pais da gastronomia molecular, analisou muito o clássico para entender o que garante seu crescimento e estabilidade. Ele descobriu que, ao contrário do que imaginavam, não é a clara em neve que faz o suflê crescer, mas sim a água presente nos ingredientes da massa que, ao aquecer, forma um vapor que sobe e eleva o suflê. O que causa sua temida descida é quando ele é retirado do forno antes da massa estar cozida o suficiente para reter esse vapor, o fazendo escapar e o suflê murchar.

Fazê-lo parece um terror de difícil, mas não é. A gente erra algumas vezes, naturalmente, mas uma hora criamos familiaridade com os cuidados e detalhes que essa gracinha precisa para dar certo. Errar e treinar é um jeito honesto e real de aprender de verdade, não tenha receio disso – e se você for de alma leve, o erro pode ser divertido, inclusive. Mas enfim, para te ajudar a caminhar para o acerto, divido esse receita, com algumas dicas carinhosas.

Antes de começar tenha em mente:

  • Para assar, é melhor que o calor venha de baixo, como em um balão de gás.
  • Controle bem a temperatura e siga a indicada sempre.
  • Após desligar, deixe o suflê alguns segundos no forno desligado.

Ingredientes:

  • 120g de claras (aproximadamente claras de 4 ovos médios)
  • 60g de gemas (aproximadamente gemas de 3 ovos médios)
  • 1 colher de chá de mostarda de Dijon
  • 20g de farinha de trigo
  • 250 ml de leite
  • 100g de queijo gruyère ou um outro queijo duro curado, ralado
  • Sal à gosto
  • 1 pitada de pimenta-de-caiena
  • 1 pitada de noz-moscada
  • Gotas de suco de limão (melhor que seja siciliano)
  • Manteiga para untar
  • Farinha de rosca para untar

Modo de preparo:

Prepare a base do suflê: Coloque em uma tigela as gemas, a mostarda, a pimenta, uma pitada de sal e a noz-moscada. Bata até esbranquiçar um pouco. Acrescente a farinha de trigo e incorpore. Ferva o leite e depois acrescente ele aos poucos na mistura de gemas, mexendo sempre. Em seguida leve essa mistura em uma panela ao fogo médio, cozinhe mexendo sempre e raspando as laterais para não queimar. Quando engrossar e soltar as primeiras borbulhas de fervor desligue. Incorpore o queijo e prove o sal. Cubra com um papel filme (que encoste direto no molho) e deixe esfriar por completo. Você pode preparar a base até 2 dias antes de usar.

Para finalizar: Aqueça o forno à 200 graus. Unte 4 ramequins com manteiga e polvilhe farinha de rosca, reserve. Bata as claras em neve, quando atingir o ponto pingue gotas de limão e uma pitada de sal para firmar. Pegue o molho de queijo, mexa ele para ficar maleável e coloque em um recipiente para receber as claras em neve. Incorpore delicadamente metade das claras, fazendo movimentos leves de baixo para cima sempre. Adicione a outra metade das claras e incorpore com o mesmo cuidado. Divida a mistura nos ramequins, nivele com uma colher e passe o polegar em volta, fazendo um sulco, como desenhando um circulo na superfície, isso ajuda no crescimento.

Leve os ramequins ao forno pré-aquecido e imediatamente baixe  a temperatura para 180 graus. Asse por 20/25 minutos – até crescer e dourar por cima. Pronto. Fica lindo, leve e encantador. Seja feliz fazendo. Boa sorte e bon appétit!

Obs: No da foto coloquei uma pimenta biquinho, porque eu acho que fica bonito e bom.

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Como fazer cinnamon apple – maçã caramelada com canela. 

Cinnamon apple – maçã caramelizada com canela boa para comer com porco, com pancake, com sorvete, com iogurte ou ela plena e linda só mesmo. É fácil fazer, é assim:

Ingredientes:

  • 2 maçãs
  • 100 ml de água
  • 5 colheres de sopa de açúcar
  • 2 colheres de sopa de canela
  • Caldo de meio limão

Modo de preparo:

Descasque as maçãs, torneando elas bem bonitas com gentileza, elas merecem isso. Depois corte ao meio, tire as sementes e corte em pedaços rústicos e belos, não muito pequenos. Em uma frigideira coloque a água, o açúcar, a canela e o caldo de meio limão. Misture com alegria. Quando começar a ferver coloque as maçãs. Deixe cozinhar e mexa de tempo em tempo. Quando o líquido se transformar em uma calda grossa caramelada linda de chorar e a maçã estiver cozida, está pronto. Uma alegria só. Tem cheiro de vida feliz. Seja feliz fazendo, comendo.

Receita de Gâteau au chocolat (bolo de chocolate cremoso sem farinha)!

 

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Receita de gâteau au chocolat (um bolo de chocolate cremoso e amoroso sem farinha). Você é capaz de ver a alegria de viver nesse gâteau? É uma receita simbólica e guarda muito. Fazê-la é sempre uma experiência delicada – começo escolhendo com cuidado e carinho os utensílios e ingredientes (só vai 4 ingredientes, então eles precisam ser escolhidos com seriedade e carinho, é importante que sejam bons). Misturo os ovos com o açúcar sempre num bowl bonito. Pego folhinhas das plantas de casa para servir de molde para as folhas de chocolate que a enfeitam. Os detalhes e cuidados importam. Aprendi essa receita com uma confeiteira que me ensinou a ver na cozinha a “joie de vivre” – a alegria de viver, de se relacionar com o mundo natural de um modo revolucionário e fazer da cozinha o lugar mais feliz, ocupado e vivo da casa. Você é capaz de ver nesse bolo a alegria de viver? Espero que seja. Ele é muito bom, cremoso, intenso e lindo. Mas além de bom, diz muito, pra mim.

Ingredientes:

  • 290g de chocolate amargo (pode ser meio amargo, eu uso amargo)
  • 5 ovos
  • 200g de açúcar
  • 100g de manteiga
  • cacau em pó para polvilhar a fôrma

Você precisará de uma fôrma de fundo removível de cerca de 21cm de diâmetro.

Modo de preparo:

Derreta o chocolate em banho-maria junto com a manteiga – derreter os dois juntos é importante pois a manteiga, nossa amiga querida, é uma gordura gentil que protege todas as propriedades do chocolate e as mantém perfeitas pra gente sentir seu melhor. Após derreter tudo reserve. Em uma vasilha bata os ovos e o açúcar com um fouet – não bata demais, apenas o suficiente para incorporar. Acrescente então o chocolate derretido com a mistura de ovos e bata com um fouet até incorporar tudo.

Pré-aqueça seu forno à 180 graus. Unte a fôrma de fundo removível com manteiga e polvilhe cacau em pó nela, então despeje a mistura do bolo. Leve para assar em banho-maria (é uma mistura muito delicada, sem farinha, com muitos ovos, para ficar em uma consistência incrível, cremosa e meio mousse, precisa assar lentamente de um modo que só o banho-maria permite). Pegue uma folha grande de papel alumínio e coloque a fôrma em cima, rodeando o alumínio em volta dela para proteger e evitar que a água do banho-maria entre na fôrma (já que ela é de fundo removível, né). Coloque então a fôrma com a massa em uma fôrma maior que ela e acrescente água já quente. Leve ao forno pré-aquecido e asse por cerca de 50 minutos à 1 hora.

Uma casquinha crocante incrível se formará por cima! Isso dará um contraste delicioso no gâteau.

Após assar, deixe o bolo ainda na fôrma esfriar um pouco em temperatura ambiente e depois leve para geladeira – só desenforme quando ele estiver completamente gelado. Para desenformar solte as laterais com uma faquinha para ajudar. Ele é um bolo melequentinho lindo mesmo, então é meio difícil desenformar, mas nada demais também. Seja muito feliz comendo – porque não tem como não ser comendo isso.

Dica de decoração:

Tanto essa receita quanto essa dica de decoração eu aprendi com a diva da cozinha Raíza Costa. Para fazer essas folhinhas de chocolate que decoram o bolo faço o seguinte: Derreto o chocolate, espero que esfrie um pouco e então pincelo folhas naturais de árvores ou plantas – que gracinha né? Pois é. As coloco na geladeira e quando endurecem retiro a folha de chocolate da folha, pronto. Também gosto de colocar pedaços rústicos de avelã junto por cima do bolo.

Dicas de acompanhamento:

Fica ótimo com chantili de cachaça do lado (que você obtém batendo creme de leite fresco e quando estiver no ponto de chantili acrescente uma colherzinha de cachaça). Também fica divino com creme inglês, ou uma frutas frescas azedinhas tipo framboesa…

Bon appétit!

Receita clássica de pão de ló!

Pão de ló – Nome que os portugueses deram à esse tipo de massa de bolo, que é delicada e frágil como um tipo de tecido que foi popular em Portugal no século XVI, o “ló”. Nossos colonizadores amam essa massa, muitas cidades portuguesas são famosas pelas suas diferentes versões de pão de ló. Dizem que a inspiração para os portugueses criarem a receita veio após visitarem terras japonesas no século XVI e conhecerem o kasutera – um bolo japonês com a mesma estrutura do pão de ló, só que levava xarope de milho. Também há registros que dedicam a criação do pão de ló ao italiano Giobatta Carbona, que criou um bolo comemorativo encomendado por um marquês italiano para o rei da Espanha (Fernando IV), batizando o bolo leve e aerado de Pan di Spagna. Enfim, como muitas receitas, há muitas trocas, influências e encontros culturais que a permeiam, mas o que a gente tem certeza é que essa mágica da natureza, tão simples e com apenas 3 ingredientes, resulta numa massa incrível e muito versátil, ótima para muitos tipos de bolo, perfeita para Naked Cake. Você pode fazer ela aromatizada e servir purinha, num café da tarde fofo, que nem a massa.

Ingredientes (para uma fôrma redonda de cerca de 25cm de diâmetro):

  • 5 ovos
  • 170g de farinha de trigo
  • 150g de açúcar

Modo de preparo:

Pré aqueça o forno à 160 graus. Peneire a farinha de trigo 3 vezes e reserve. Na batedeira, bata os ovos com o açúcar até a mistura ficar super branca e aerada. Feito isso, acrescente a farinha aos poucos, misturando com uma espátula ou fouet, delicadamente (nem pensar em bater na batedeira nessa parte). A delicadeza para misturar a farinha é muito importante para a massa não perder a qualidade aerada. Misture apenas até incorporar tudo, não mexa demais. Unte uma fôrma de 25cm de diâmetro (com manteiga e farinha), despeje a massa e leve para assar no forno pré-aquecido por 30 minutos, ou até espetar um garfo ou palito no centro e ele sair seco e limpo. Prontinho. Espere esfriar uns 15 minutos pelo menos para desenformar.

Sem fermento nem nada, o bolo cresce o suficiente, fica fofo, lindo, apaixonante, um amor real. Crie bolos incríveis com essa massa super versátil!

Dicas:

  • Essa é um tipo de massa seca, que não tem gordura, então para um bolo ela precisa sempre ser umedecida com uma calda maravilhosa.
  • Você pode aromatizar a massa acrescentando delicadamente raspas de algum cítrico (limão, laranja, etc) na massa no momento anterior ao que acrescenta a farinha de trigo. Fica ótimo também!

 

Receita da clássica cheesecake!

 

A clássica cheesecake – Uma deusa sabor queijo que encanta o mundo há mais tempo do que pode imaginar nossa vã filosofia. A versão que hoje conhecemos foi criada e consagrada em New York, mas a origem desse “bolo/torta de queijo” remonta a Grécia e Roma antiga – há registros antropológicos de cheesecake desde 2000 a.c., vejam vocês. Ao longo da história ela foi feita em diversos países europeus com queijos típicos de cada região, a versão que conhecemos hoje é feita com cream cheese – queijo lindo de Deus que foi descoberto por acidente pelo americano William A. Lawrence em uma tentativa dele de reproduzir um queijo francês chamado Neufchatek (como tantas outras coisas na gastronomia, que nasceram de “erros”. Acho isso inspirador, não devíamos ter tanto medo de errar, pode ser bom). Cheesecake é descaradamente mais fácil de fazer do que você imagina. Tirar uma cheesecake do forno e ver a perfeição dela, quando assada certinho, faz com que eu me sinta sensacional. Não to querendo dizer que fazer uma cheesecake aumenta minha autoestima. Na verdade eu tô sim. Vem aprender!

Nessa que fiz cobri com caramelo salgado, mas você pode cobrir com o que quiser: Caldas, geleias, chocolate, etc.

Ingredientes (para uma cheesecake média que serve umas 7 pessoas):

  • 540g de cream cheese em temperatura ambiente
  • 2 ovos em temperatura ambiente
  • 90g de açúcar
  • 110g de iogurte natural em temperatura ambiente
  • raspas de meio limão siciliano, se quiser (eu amo colocar).
  • 1 colher de sopa de suco de limão (de preferência siciliano)
  • 1 pitada de sal
  • 120g de biscoito de maizena
  • 45g de manteiga derretida

Você precisará de uma fôrma de fundo removível de uns 24cm de diâmetro, mais ou menos.

Muito importante:

– Como notou, todos os ingredientes devem estar em temperatura ambiente, isso é muito importante para a consistência agradável da massa.

– Asse mesmo em banho-maria e em baixa temperatura, se não sua cheesecake não ficará tão emocionante. É preciso delicadeza e tempo, respeite isso.

Modo de preparo:

Comece pela massa. Unte o fundo de sua fôrma com manteiga molinha. Triture as bolachas (pode ser colocando num saquinho e batendo com algo que faça ela virar uma farofa, ou batendo num processador ou num liquidificador – o importante é ter uma farofa bem fina). Acrescente a manteiga derretida e misture até formar uma farofa densa e úmida. Forre o fundo da fôrma com toda a farofa, pressione com seus dedos para assentar bem. Reserve.

Pré-aqueça seu forno à 160 graus. Coloque o cream cheese em uma batedeira e comece a bater, na velocidade máxima até ele ficar uma mistura cremosinha. Continue batendo, acrescente o açúcar e bata até ficar mais fofo. Coloque então o suco de limão e as raspas se for usar, a pitada de sal, o iogurte e os ovos. Bata por mais alguns minutos até todos os ingredientes incorporarem bem (passe a espatula na borda da batedeira para se certificar disso). Coloque essa mistura na fôrma, sob a camada da massa de bolachas.

Hora de levar para assar, em banho-maria. Pegue uma folha grande de papel alumínio e coloque a forma em cima, rodeando o alumínio em volta dela para proteger e evitar que a água do banho-maria entre na fôrma (já que ela é de fundo removível, né). Coloque então a fôrma com a cheesecake em uma fôrma maior que ela e acrescente água já quente, até cobrir metade da fôrma da cheesecake. Leve para assar no forno pré-aquecido por cerca de 45 minutos à 1 hora. O ponto é quanto você chachoalha um pouco o forno e a cheesecake está bem firme nas bordas e firme/meio não tão firme no centro. Não pode pegar cor nenhuma, o aspecto é esse ó:

A sua gracinha está pronta! Tire do forno, passe uma faca gentilmente na lateral da fôrma para soltar a cheesecake, espere 5 minutos e desenforme. Deixe gelar por cerca de 6 horas – ela é boa fria, esse tempo na geladeira garante isso, e também garante uma umidade linda.

Cobertura:

Cubra com que quiser. Essa eu cobri com caramelo salgado (vi a linda amada Raíza Costa fazendo desse modo e amei!). Para ter o caramelo salgado é só fazer isso: Em uma panela derreta 150g de açúcar até caramelizar, quando isso acontecer acrescente 120g de creme de leite fresco, mexa até ficar cremosinho, pronto, só cobrir sua cheesecake com ele. Depois de cobrir salpique uma pitadinha de flor de sal, para deixar o seu caramelo salgado. Pronto.

Seja feliz fazendo e comendo. Bon appétit!

 

 

 

Como fazer mascarpone!

Um queijo de origem italiana, meio adocicado, todo cremoso e com cerca de 70% de gordura – o que faz dele um grande amigo para atingir consistências emocionantes nas sobremesas. É o principal ingrediente do tiramisù e pode ser usado para dar uma cremosidade carinhosa em muitos preparos, como no crème brûlée. Ele é mais simples de fazer em casa que achar nos mercados, vou provar:

Ingredientes:

  • 500g de creme de leite fresco
  • 3 colheres de sopa de caldo de limão

Modo de preparo:

Leve o creme de leite ao fogo médio em uma panela bonita que você goste (Paola Carosella me fez ver que é especial quando gostamos de nossas panelas), quando ele levantar fervura acrescente o caldo de limão e cozinhe por 5 minutos mexendo sem parar. Imagine o ácido do limão cortando o leite e o transformando em queijo, entenda a beleza disso. Após isso desligue o fogo. Coloque uma peneira em uma vasilha e cubra ela com um coador de papel resistente ou com aqueles panos de malha fina de escorrer queijo. Despeje a mistura da panela na peneira e deixe 3 horas em temperatura ambiente e depois uma noite na geladeira, para o soro escorrer. Pronto. Ele fica assim que nem o da foto, rindo pra você e te contando o quanto fazer em casa é libertador.

Como fazer brigadeiro de limão siciliano!

Brigadeiro faz parte da nossa história. Um doce brasileiro que ocupa incrivelmente muitas de nossas memórias afetivas. Alguma coisa da sua vida tem brigadeiro no meio, certeza. Lembro de umas férias de quando eu tinha uns 11 anos em que fiz brigadeiro uns 4 dias seguidos para comer enquanto assistia Cavalo de Fogo (aquele desenho que todo mundo lembra pela música: “Que tocou meu coração, quando me disse então que um dia raaaeeeeeee(…)eeeenha eu seriiiiaaa…”, enfim, lembrou?), foi quase um ritual, só dava para assistir comendo brigadeiro. Foi uma overdose muito doce que eu jamais esquecerei. Adoro essa versão com limão siciliano, acho sutilmente refrescante. Vem fazer e ver o que é bom! Pode comer assistindo Cavalo de Fogo se quiser, mas se não quiser não precisa, é um item opcional.

 

Ingredientes:

  • 1 lata de leite condensado
  • 100g chocolate branco picado
  • 1 colher (sopa) de manteiga sem sal (jamais substituir por margarina, peloamordedeus!)
  • Raspas de 1 limão siciliano (sem raspar a parte branca).
  • Suco de ½ limão siciliano.

Modo de preparo:

Coloque em uma panela o leite condensado, o chocolate e a manteiga. Leve ao fogo médio e mexa sem parar para cozinhar o brigadeiro até atingir o ponto – que é quando você conseguir ver o fundo da panela ao passar a colher. Outro jeito de ver o ponto é inclinar a panela e ver se a mistura está soltando da panela, se estiver está pronto. Normalmente o brigadeiro leva uns 13 minutos de cozimento para atingir o ponto, mas isso varia, o negócio é checar o ponto mesmo. Após atingir o ponto desligue o fogo e continue mexendo uns segundos, então acrescente o suco de limão e as raspas, e mexa para misturar. Coloque em um prato e deixe esfriar para depois manusear e fazer as bolinhas, ou comer assim mesmo. Eu gosto de fazer bolinhas (unto a mão com óleo de canola ou manteiga para não grudar) e enrolar no leite em pó, acho que fica ótimo! Mas fica bom também enrolar em chocolate branco picado, granulado, farofa de pistache ou castanha…enfim.

Se divirta fazendo e seja feliz comendo.

Como fazer tomates confit.

O doce, ácido, salgado, perfumado, sensual e hipnotizante desses vermelhinhos. O gosto disso marca a gente. O simples marca. Cobre uma massa, um pão lindo, uma torrada, um arroz, uma carne ou um coração triste, transformando qualquer um desses em algo melhor e mais feliz. Segue a receita. Seja feliz fazendo.

Ingredientes:

  • 500g de tomate – dos miudinhos fofos
  • 1 colher sopa de açúcar
  • 1/2 colher sopa de sal
  • Pimenta-do-reino a gosto
  • Folhas de louro, alecrim, tomilho ou qualquer outro mato amoroso cheio de perfume que você tenha carinho
  • 3 dentes de alho cortados em laminas
  • Azeite de oliva (o suficiente para cobrir pelo menos a metade os tomates).

Modo de preparo:

Coloque os ingredientes em uma fôrma seguindo a ordem que descrevi acima (começando pelos tomates). Leve ao forno pré-aquecido a 180 graus e deixe 1 hora. Depois tire, deixe esfriar e seja muito feliz comendo.

Como fazer Madeleines e de onde elas vem? Aprenda a sentir o melhor que uma madeleine pode te trazer!

Madeleines – um dos maiores símbolos da França. Originária da região de Lorraine (do mesmo santo lugar de onde veio a quiche lorraine) esse bolinho traz “joie de vivre” pra gente – a alegria de viver. Alguns dizem que ela surgiu na cozinha do duque de Lorraine, Stanislas Leszcynski (que era, além de sogro de Louis XV, rei da Polônia que perdeu seu reino e então ficou exilado na França). Diz a história que o duque um dia receberia para o jantar o polêmico escritor Voltaire, que era odiado por todos naquela cidade, tanto que o mordomo e padeiro do duque se recusaram à servi-lo. Então a cozinheira da casa, Madeleine, para salvar o jantar fez uma receita de bolo que aprendeu com sua avó – que ficou tão boa que ganhou a apreciação do duque, de seus convidados e depois se espalhou pela cidade, em seguida por toda a França, levando o nome da cozinheira. As madeleines também foram imortalizadas na obra “Em busca do tempo perdido” do escritor Marcel Proust, que usa as madeleines para explicar suas ideias sobre memórias afetivas evocadas através do gosto de algo (no caso do exemplo que ele conta na obra, através do gosto de uma madeleine).

Não é a toa que as madeleines ganharam tanta fama e ainda foram escolhidas por Proust para ilustrar suas ideias sobre tempo e memórias. Recém-assadas elas nos proporcionam uma experiência marcante, de memória eterna. Ao sair do forno possuem um breve momento de glória, apresentando bordas sutilmente crocantes, um centro macio e ao  ser mordida libera um vapor cheio de aroma, que é um sopro de vida, absolutamente emocionante. Mas  isso só acontece nos seus primeiros 5 minutos, depois já mudam de textura. Ficam boas depois também, mas essa glória dos primeiros 5 minutos é algo mágico, prove ao menos uma vez na vida. Já disse Dominique Ansel: “Pisque e você vai perder o melhor da madeleine”. Elas sensivelmente nos mostram uma lição sobre o tempo e sua sutileza – sobre o sopro da glória que é rápida mas que deixa uma marca eterna. É complexo de explicar, melhor sentir. Vamos a receita.

Ingredientes (para aproximadamente 22 madeleines): 

  • 3 ovos
  • 130g de açúcar
  • 200g de farinha de trigo
  • 10g de fermento em pó
  • rapas de 1 limão-siciliano ou laranja
  • 180g de manteiga
  • 20g de mel
  • 60 ml de leite

Modo de preparo:

Você precisará da manteiga derretida, mas ao invés de só derreter, eu faço uma coisinha que aprendi com a Raíza Costa: se você “queimar” um pouquinho a manteiga ela cria um sabor bem mais intenso, que beira o sabor de nozes, e deixa sua receita muito mais encorpada com um tom incrível! Para isso, basta fazer o seguinte: Coloque a manteiga em uma panela em fogo brando, quando derreter você verá os sólidos do leite subindo e se separando da gordura (formando uma espuma na superfície), depois de alguns segundos esses sólidos (a espuma) vão afundar e tostarão no fundo da panela, deixando a mistura num tom castanho escuro – quando atingir essa cor desligue a panela – pronto, essa reação deixará a manteiga com um sabor singular incrível! Quando desligar o fogo, misture nela o mel e o leite. Reserve.

Bata os ovos com o açúcar até ficar mais esbranquiçado e espumoso. Adicione a farinha e o fermento e misture tudo. Em seguida acrescente a mistura de manteiga derretida e as raspas de limão, misture tudo até ficar homogêneo. Cubra e deixe na geladeira por algumas horas ou por uma noite – esse descanso é muito importante para você ter a experiência emocionante ao morder sua madeleine.

Após o tempo de descanso da massa, hora de assar. Pré-aqueça seu forno à 200 graus. Unte com manteiga e farinha as forminhas de madeleine se tiver, se não tiver unte as que tiver. Coloque a massa nas formas (não encha as formas até o final, coloque massa um pouco acima da metade do espaço). Leve para o forno pré-aquecido e asse à 200 graus por 5 minutos, então abaixe o forno para 180 graus e deixe mais cerca de 10 minutos – até ficar dourado nas bordas.

Enquanto assa, deixe seu chá ou o que for acompanhar prontos, na mesa, esperando – porque quando as madeleines sairem do forno você precisa comer pelo menos uma delas no momento de glória – que são os seus primeiros 5 minutos. Morda, sinta, respire essa vida incrível que ela exala nesse momento. Enfim, espero que ao morder entenda a emoção que escrevo aqui.

Dicas: Antes de assar as madeleines, você pode espetar uma framboesa fresca em cada uma delas, fica muito gostoso. Também pode fazer cremes doces de seu agrado para acompanhar. Seja criativo e faça algo que tenha sentido para você para complementar, você é livre para criar e a cozinha te lembra disso.

Bon appétit!

Como fazer Ovo de Páscoa de Colher Sabor Oreo!

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Então vamos falar de chocolate! Nessa época do ano ele penetra nossa alma de um jeito que nem sei. E muito mais divertido e interessante que ir no mercado e comprar um ovo pronto (pagando uma fortuna) é fazer em casa o seu – artesanal, criativo, de qualidade e com sua marca. Ir no mercado e comprar um pronto vai levar uns 30 minutos. Fazer um em casa vai levar no mínimo 2 ou 3 horas, mas a marca que isso vai deixar e a experiência que você terá de sabor, de tempo e de afeto é impagável e vai durar para sempre, mesmo depois que o ovo acabar. Faça em casa, chame alguém para fazer junto, se tiver crianças elas vão amar participar e terão uma memória eterna, bem mais valiosa e interessante que o ovo do mercado com brinquedo. Se topar essa aventura, tem essa receita que eu divido com vocês há 2 anos – Ovo de páscoa de colher sabor Oreo – Um que amo verdadeiramente e sempre faço. Acrescento nele uma misturinha de cream cheese que me faz chorar de bom! E adoro ovo de páscoa de colher, dá para brincar muito mais com a criatividade! Vem, gente! E se divirta fazendo, por favor. Receita aqui!

Ingredientes:

  • 1 metade de ovo de chocolate ao leite (Se você for comprar pronto, é uma metade de um ovo de 350g, ou se for fazer em casa (o que é muito mais legal e eu vou explicar abaixo), você precisará de uma fôrma de ovo de páscoa (tamanho da fôrma para um ovo de 350g) e aproximadamente 200g de chocolate ao leite.

Para o recheio:

  • Biscoitos Oreo (aproximadamente 6 biscoitos)
  • 2 colheres de sopa de cream cheese
  • 1 colher de chá de açúcar de confeiteiro
  • Meia xícara de creme de leite (use aqueles de lata)
  • Cerca de 250g de chocolate branco
  • 1 colher de café de essência de baunilha
  • 1 colher de sopa (bem cheia) de chantilly.

Modo de preparo:

Primeiro a casca do ovo: Você precisará de uma metade de ovo (de chocolate ao leite) que pese cerca de 175g à 200g (metade de um ovo que tenha no total 350g). Você pode comprar pronto ou fazer em casa. Se for fazer em casa siga as dicas a seguir:

Pique as 200g de chocolate ao leite em pedaços pequenos (ou raspas) e derreta no microondas. Não coloque muito tempo de uma vez, vá olhando e mexendo para não queimar de 30 em 30 segundos, cerca de 2 minutos no total é suficiente para derreter por completo. Após derreter todo retire o refratário do microondas, mexa novamente e então de o choque térmico (o que você faz colocando o refratário em algum outro recipiente com água gelada). E então vá mexendo o chocolate nesse banho-maria frio, até ele esfriar (coloque um palito de dente no chocolate e depois toque o chocolate na palma da mão ou lábios, se ainda estiver quente ou morno mexa mais, se já estiver frio aí está no ponto). Então coloque o chocolate na sua fôrma de ovo de páscoa (lembre-se, você precisará de apenas uma metade), e coloque na geladeira, quando endurecer e o ovo estiver desprendido da fôrma você desenforma (você notará esse ponto observando o fundo da fôrma, o chocolate estará desprendido dela). Deixe então o ovo entrar em temperatura ambiente (uns 20 minutos parado em um lugar de boa ventilação). Então estará pronto para rechear!

Obs: As melhores formas para fazer ovos de páscoa são aquelas com uma parte de silicone, que permite maior acerto na espessura do ovo! E nem é caro, compra dessa!

Recheio: Coloque o creme de leite em uma panela e ligue em fogo médio, quando começar a ferver desligue a panela e coloque o chocolate branco. Mexa até que o chocolate derreta por completo (se ficar ainda pedaços maiores sem derreter ligue o fogo um pouco, rapidinho apenas para aumentar a temperatura e derreter tudo). Coloque a baunilha e misture, então deixe na geladeira por uns 20 minutos. Coloque em uma tigelinha o cream cheese e o açúcar de confeiteiro e bata com uma colher até estar misturado por completo (se for fazer uma quantidade maior, para mais de uma metade de ovo, talvez compense bater na batedeira). Acrescente na panela que estava na geladeira essa mistura de cream cheese e o chantilly.  Misture até ficar homogêneo.

Chegou a hora de montar o ovo, o que é bem simples. Coloque o ovo no local onde você o deixará (use sua criatividade para fazer embalagens lindas), então coloque um pouco do creme branco. Pegue cerca de 3 biscoitos Oreo,  triture com as mãos e coloque em cima dessa camada de creme, e em seguida coloque mais uma camada de creme (não precisa pôr toda a mistura tá gente, porque as vezes sobra um pouco – dependendo da profundidade da casca do ovo, então não lote muito para não derramar). E aí é só usar os biscoitos restantes para confeitar em cima! Prontinho! Lindo e delicioso!

Observações: O Cream cheese da um tom de “cheescake” nessa mistura,então se você achar o resultado final do creme branco muito doce, você pode acrescentar um pouco mais de cream cheese batido (mas sempre o acrescente na mistura em temperatura ambiente, nunca gelado e duro se não fica empelotado).

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