Como fazer um almoço honesto e bom: Cenouras caramelizadas com cogumelos e berinjela defumada. 

As quantidades tem a ver com quantas pessoas terão a honra de comer. Leia e pense.

Modo de preparo:

Para um almoço honesto e bom: Escolha cenouras orgânicas – pequenas, tortinhas, de verdade, docinhas, que provavelmente foram cultivadas por alguém que se orgulhe delas. Corte a parte do talinho. Eu nem descasco. Unte uma fôrma com manteiga, coloque as cenouras, regue com azeite e coloque mais manteiga, pincelando as cenourinhas. Polvilhe açúcar e sal. Se quiser, também coloque folhinhas de sálvia. Asse no forno até elas ficarem na textura que te faça feliz – no meio do tempo em que assam vire elas, para caramelizar por todos os lados. Um pouco antes das cenouras ficarem prontas você pode por cogumelos na mesma fôrma para ficarem amigos da cenoura. É uma amizade bonita. A berinjela defumada: é só queimar a casca de uma berinjela na boca do fogão até tostar toda casca. Depois descasque e tempere com sal e azeite. Aïoli fica bom para acompanhar. É uma alegria profunda comer isso. A terra e a energia do mundo é captada na cozinha, quando cozinhamos honestamente e direito. Entendam isso. Bom domingo.

Como fazer salmão no papelote, e aprender o valor do tempo. 

Você pode temperar, assar e comer um salmão em apenas alguns minutos, pode ser super rápido. Mas hoje eu quero sugerir um salmão que te ensine algo: o valor do tempo. Essa coisa de só querer coisas rápidas… a pressa tem tirado da gente a chance de ter experiências significativas importantes, que trazem cor e sentido pra vida, e isso pode ser bem triste. Que marcas ficam em você depois que a receita/refeição acaba? O que você registra e guarda? Preste atenção nessa receita:

Ingredientes:

  • 1kg de salmão cortado em postas (eu deixo a pele porque ela protege a carne do calor mantendo umidade).
  • Sal à gosto
  • Pimenta-do-reino à gosto
  • 3 colheres de sopa de vinho branco
  • Azeite de oliva extra virgem à gosto
  • Dill à gosto.

Você precisará de papel manteiga e vontade de desacelerar.

Como fazer (sem pressa e com verdade):

Abra a garrafa de vinho, beba alguns goles e coloque uma música que você goste muito. Abra um folha de papel manteiga sob uma fôrma (de um tamanho que dê para receber o salmão e cobrir ele depois). Coloque nela o salmão, o ajeite com calma e carinho, pensando no quanto o mar é imenso, assim como sua vida e história. Coloque todos os ingredientes sob o salmão, com o cuidado de que cada posta seja temperada. Enquanto temperar apenas tempere, não pense em outras coisas que não estão ali, diante de você agora. Quando terminar, olhe para o salmão e agradeça, em seguida feche o papel manteiga, fazendo uma trouxinha. Pré-aqueça o forno à 200 graus. Enquanto espera ouça com atenção a música que está tocando e pense no porque você gosta dela. Leve ao forno por 15/20 minutos – o ponto do salmão é quando ele está com um rosa vivo por dentro. Retire, coma com os acompanhamentos e molhos que sentir vontade, ou só ele.

Você poderia fazer essa receita em 20 minutos. Desse jeito deve levar quase 1 hora, mas o legado que ficará é outro. A vida é boa, se dê uma chance de notar.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 15/94: Coalhada. Receita 16/94: Dukkah. Receita 17/94: Cebolas na brasa, coalhada e dukkah.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 15/94: Coalhada. Receita 16/94: Dukkah. Receita 17/94: Cebolas na brasa, coalhada e dukkah. Tenho me emocionado tanto com os comentários das pessoas acompanhando o projeto que fazer as receitas tem tido uma carga de energia incrível. É absurdamente emocionante quando a gratidão se multiplica, acerta tantos, se torna um agente transformador na vida das pessoas. Eu tenho cada vez mais para agradecer através da cozinha. Essa semana, o dukkah ia ganhando forma e alma enquanto eu esmagava as sementes no meu pilão que veio da Bahia (um presente da minha mãe da terra criativa e amorosa dela) – ele é uma espécie de farofa/tempero de origem egípicia. Que cheiro, que sabor. Deu onda.  Amassei no pilão com toda minha energia. Como mandava a receita, foi romântico. E a melhor coalhada que já comi na minha vida? A que respeita e considera o tempo, que concentra, que no seu cremoso nos envolve no intenso de algo bom. Não sei direito explicar o que senti ao comê-la. Ainda sinto. A cebola assada na brasa – no fogo selvagem que foi domado pelo homem frágil diante da força natural. Fogo na cebola, terra do dukkah, o tempo e outros seres vivos fazendo a coalhada comigo. Cozinhar é um encontro com forças fortes e lindas. Paola ensina receitas que são uma oração, um retorno, um reencontro natural. Hoje eu só queria agradecer.

Cinema e Gastronomia – Filme: “Sem Reservas”.

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Qual o laço afetivo de sua história com a cozinha? Kate, no filme “Sem Reservas”, percebe em suas sessões de análise o quanto dedicar-se tão intensamente ao seu trabalho de chef – cozinhando perfeitamente – era também uma forma de estar conectada com sua mãe, que morreu muito cedo. Cozinhando Kate construiu uma possibilidade segura de continuar vivendo diante da dor, usando a dedicação árdua muitas vezes como uma defesa diante de seus sentimentos mais duros. Esse filme nos ilustra muito bem o papel simbólico que muitas vezes cozinhar pode ter em nossas vidas. Nos envolvemos nos afetos que a gastronomia proporciona e criamos laços com essa arte que estão muitas vezes além de nossa compreensão. O filme conta uma história linda de transformação, enfrentamento e renovação da personagem Kate – A cozinha do cozinheiro caminho no ritmo de sua vida e mostra quem ele é.

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Kate (Catherine Zeta-Jones) é a chef de um sofisticado restaurante em Manhattan. Durona e totalmente séria com seu trabalho, tem fama de brava, o que ajuda a alimentar sua rotina sem muita vida social – no máximo se relaciona com os fornecedores de seus produtos. Sua vida inteiramente dedicada ao trabalho se transforma quando sua irmã morre em um acidente de carro e Kate passa a ser a responsável pela sua sobrinha de 9 anos. Ao mesmo tempo, Nick (Aaron Eckhart), um animado subchef italiano entra para a cozinha de Kate com um espirito alegre e descontraído – bem diferente do estilo de Kate – o que cria enormes conflitos. Em meio a tantas mudanças e descobertas, Kate se permite mergulhar mais no universo menos perfeccionista e mais alegre da cozinha de Nick, ao mesmo tempo se vive os desafios de cuidar de uma menina de 9 anos. Sua vida se transforma, ela saí de sua zona segura e confortável e ao mesmo tempo sua cozinha vai se transformando junto com ela. Inspirador!

Até a data desse post o filme está disponível na Netflix! Também é possível assistir ele online no site “Filmes Online Grátis”. Aproveitem!

Receita de croque de brócolis com purê de ervilhas frescas e brócolis.

Estrelando croque de brócolis e purê de ervilhas frescas. Escolher ingredientes frescos, cozinhá-los com cuidado e respeito, alimentar-se não só de comida, mas da experiência de transformar a natureza artesanalmente para suprir a si mesmo. Artesanal significa fazer com as mãos. Em tempos de alimentação tão industrial e “terceirizada”, de tanta falta de tempo, cozinhar é revolucionário. Não peça pizza hoje. Tenha pão fatiado, queijo, leite, manteiga, brócolis e ervilha e faça com suas mãos o que irá te nutrir hoje. É mágico.

Ingredientes do croque (para 4 croques):

  • 1 receita de molho béchamel, ou se gostar de muito molho, 1 receita e meia. Clique aqui e veja a receita do molho béchamel perfeito.
  • 8 fatias de pão – de fôrma, integral, brioche, o que preferir.
  • Queijo (umas 300g) do que preferir – eu gosto de usar gruyére, mas mussarela também fica bom. Rale o queijo, fica melhor usar ralado.
  • Mostarda dijon para passar no pão.
  • Manteiga para passar no pão.
  • Brócolis – mais ou menos metade de uma cabeça (é cabeça que fala gente? Enfim…)

Ingredientes do purê de ervilhas frescas com brócolis:

  • Umas 4 colheres de sopa de ervilhas frescas
  • Mais ou menos meia cabeça de um brócolis pequeno.
  • Um terço de uma batata doce grande
  • Umas 2 colheres de sopa de coentro picado
  • Uma colher de chá de manteiga
  • Uma colher de chá de azeite de oliva
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto
  • Leite o quanto bastar
  • 3 colheres de sopa de creme de leite

Modo de preparo do croque:

Enquanto prepara o molho béchamel (receita no link acima) deixe o brócolis cozinhando no vapor. Estando o molho pronto, prepare as fatias de pão: Toste elas em uma torradeira ou colocando no forno por alguns minutos. Não toste muito, apenas para criar uma superfície crocante, mas que continue macia por dentro. Após isso passe um pouco de manteiga e um pouco de mostarda dijon e todas as fatias (apenas de um lado de cada uma delas).

Agora vamos a montagem: Com as fatias prontas, com o molho pronto e brócolis cozido, é hora de montar: Pique o brócolis em pedacinhos bem miúdos. E monte na seguinte sequência: Uma fatia de pão, um pouco do queijo (gosto de ser generoso com o queijo), um pouco do brócolis, 2 ou 3 colheres de sopa cheias de molho béchamel, a outra fatia de pão (sempre com a parte que passou manteiga e mostarda viradas para dentro do sanduíche), por cima do sanduíche então já fechado coloque mais 2 ou 3 colheres de sopa de béchamel, e finalize com mais queijo por cima. Se quiser pode por também um pouco de queijo parmesão pra finalizar.

Faça o mesmo com todos os sanduíches e leve ao forno pré-aquecido a 200 graus por uns 15 minutos – ou até dourar o queijo de cima ao seu gosto.

Modo de preparo do purê:

Cozinhe a vapor o brócolis, a ervilha e a batata doce tudo junto. Cozinhe a batata cortada em pedaços pequenos e sem casca. Após cozinhar, coloque tudo em um processador ou liquidificador e acrescente todos os outros ingredientes (exceto o leite e creme de leite). Comece a bater e vá acrescentando leite aos poucos, até atingir a consistência desejada. Quando já estiver todo batido sem pedaços coloque o purê em uma panela ou frigideira. Leve ao fogo brando e então acrescente o creme de leite. Vá mexendo, verifique o sal, e deixe no fogo até aquecer o suficiente para servir e a consistência atingir o seu agrado.

Prontinho! Sirva juntos que será amor. Esse purê acompanha muito bem carne de porco também! Bon appétit!

Abóbora, sementes, plenitude e autenticidade.

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Para o almoço de domingo: Abóbora assada e farofa de semente da mesma abóbora. Engraçado aquilo que podemos fazer com o que normalmente descartamos e jogamos fora (como as sementes). Ás vezes temos q mudar o modo como enxergamos as coisas, reeducar nossos olhares. Assim como fazemos com as sementes da abóbora, as vezes descartamos partes nossas, defeitos ou características pessoais que não parecem tão interessantes ao padrão social e acabamos não vendo valor nelas. Mas tudo que nos compõe faz parte de nós, e podemos usar tudo isso a nosso favor se aprendermos a conhecer melhor nossos elementos e respeitá-los, ao invés de descartá-los para alcançar algum tipo de padrão -vazio, porque deixou de lado parte de nós mesmos. A farofa de sementes ficou perfeita, abrilhantou a abóbora muito mais e destacou sua essência. Há tanto nosso que descartamos, que também poderia nos permitir vivências mais plenas, brilhantes e autênticas. Use as sementes. Use tudo que você é. Sobre aprender algo com a natureza dos ingredientes.

Ovo poché com molho de vinho tinto (Oeufs en meurette) e Risoto Funghi – Veja como fazer!

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Ovo poché com molho de vinho tinto (Oeufs en meurette) sob uma torrada, com risoto funghi. O risoto talvez fosse dispensável nesse prato, mas meu desejo era esses aromas todos juntos. Nossos  desejos às vezes não são catalogados ou conhecidos, são estranhamente não compreendidos ou aceitos, ao mesmo passo que são lindos e autênticos. A cozinha expressa a possibilidade de realizar-se, de simbolicamente dizer em um prato o que queremos dizer em um mundo. Nos links abaixo você encontra a receita completa desse menu, em sua intuição você encontra o caminho para seus desejos autênticos, próprios.

Clique aqui e veja como fazer o perfeito Ovo Poché!

Clique aqui e veja como fazer o molho de vinho tinto!

Clique aqui e veja como fazer o Risoto de Funghi!

10 de Maio – Dia do Cozinheiro.

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10 de maio – dia do cozinheiro. Cozinhar foi uma saída. Uma forma de encontrar uma reconciliação comigo mesmo, com o mundo natural, com minha cultura, educação, lembranças e histórias. Eu transformo ingredientes com minha alma e emoção desde que eu tinha 8 anos, e hoje, depois de tantos anos, cozinhar transformou minha vida – cozinhando eu me vejo com autenticidade. Cozinhar é um ato revolucionário na minha história. Eu sou muito grato por cozinhar, por me relacionar com a natureza, por conciliar e viver outras paixões na cozinha – na minha cozinha cabe um divã porque ela, assim como o divã, nos proporciona encontrar discursos “esquecidos”, adormecidos, mas que trazem significado ao que somos e nos reconecta a natureza que pertencemos. Eu sou – dentre tanta coisa que sou – cozinheiro, com minha alma e história. Com amor. Gratidão. 

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Na imagem, a mistura ainda não é recheio de quiche – ainda são elementos isolados buscando a forma de algo novo através da união de suas composições. Transformamos a natureza ao trabalhar ingredientes, cozinhar é uma obra, artesanal, delicada e intensa, que transmite no resultado final a alma do cozinheiro, seu momento emocional e criação – porque ele cozinha com suas mãos, lembranças e história. Cozinhar é relacionar-se intimamente com o mundo natural, com as culturas, com nossa essência. Cozinhar evoca, cativa. Gratidão por abraçar a natureza cozinhando, gratidão por ser cozinheiro. Parabéns, cozinheiros e cozinheiras – transformadores que transformam ingredientes e ao mesmo tempo são transformados por eles.