Como fazer uma clássica farofa de ovo – das memórias da minha infância.

Sempre amei ovos. Quando eu era criança e ia “brincar na cozinha” nas tardes vazias, adorava fazer farofa de ovo, inventava mil tipos – com restinhos de vegetais, pedaços esquecidos de bacon ou sobras de carne seca. Fiz tantas que fiquei bom nelas. Quando tinha uns 11 anos, fiz uma que uma tia provou e ficou impressionada. Me senti mágico nesse dia. Ovos eram pra mim uma chance bonita de criar algo bom, acho que por isso os amo tanto, acho o ingrediente mais incrível que existe (obrigado pra sempre, galinhas). Vira e mexe volto a brincar de farofa de ovos. A cozinha foi um bom lugar para estar na infância. Essa é uma farofa simples, das clássicas que eu criava, que significa muito pra mim!

Ingredientes (para em média 2 porções):

  • Meia cebola picada
  • 1 dente de alho picado
  • Sal e pimenta-do-reino à gosto
  • 3 colheres de sopa de azeite de oliva
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • Cerca de 5 tomates-cerejas cortados ao meio
  • Pimentão vermelho picado à gosto
  • Cerca de 3 ovos
  • Zathar à gosto (tempero opcional)
  • Farinha de mandioca (o quanto bastar)
  • Coentro picado para finalizar

Modo de preparo:

Refogue a cebola com uma pitada de sal na manteiga e no azeite , acrescente o alho até ele fritar, então coloquei tomate-cereja cortado ao meio e pimentão vermelho. Refogue. Coloque os ovos e mexa sem parar – para que eles cozinhem se unindo a cremosidade da manteiga. Então, antes do ovo ficar seco, coloque a farinha de mandioca e mexa, torrando sutilmente a farinha. Tempere com sal, pimenta e zathar. Finalize com coentro picado. Pronto. Nas quantidades seja intuitivo, é bom à vezes. Veja se sente vontade de colocar menos ou mais algum elemento. Dá certo. Tem mil jeitos de fazer farofa de ovos. Não precisa fazer exatamente essa, inventa uma e me conta, vai ser legal.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 89/94: Peito de boi braseado da Isabel com farofa do Lucas e taioba.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 89/94: Peito de boi braseado da Isabel com farofa do Lucas e taioba. Esse prato é tão bonito. Primeiro porque ele é indiscutivelmente delicioso. Porque em seu nome e apresentação no livro Paola fala de encontros bons e generosos que a cozinha traz e simboliza, fala generosamente de pessoas que trabalham com ela – essa é uma receita coletiva, e isso é tão significativo. Quando eu comi pensei nas histórias cruzadas e enlaçadas por trás dessa farofa, dessa taioba, dessa carne amorosa feita em panela. Carne na panela. Acho que também vi tanta beleza nessa receita porque ela até agora foi a que mais me lembrou a comida da minha mãe. Minha mãe é uma cozinheira de panelas, pesadas, fundas, com caldos grossos e carnes intensas. É realmente um prato muito bom, muito significativo, muito generoso. Hoje eu só queria agradecer, mesmo.

Como fazer um almoço honesto e bom: Cenouras caramelizadas com cogumelos e berinjela defumada. 

As quantidades tem a ver com quantas pessoas terão a honra de comer. Leia e pense.

Modo de preparo:

Para um almoço honesto e bom: Escolha cenouras orgânicas – pequenas, tortinhas, de verdade, docinhas, que provavelmente foram cultivadas por alguém que se orgulhe delas. Corte a parte do talinho. Eu nem descasco. Unte uma fôrma com manteiga, coloque as cenouras, regue com azeite e coloque mais manteiga, pincelando as cenourinhas. Polvilhe açúcar e sal. Se quiser, também coloque folhinhas de sálvia. Asse no forno até elas ficarem na textura que te faça feliz – no meio do tempo em que assam vire elas, para caramelizar por todos os lados. Um pouco antes das cenouras ficarem prontas você pode por cogumelos na mesma fôrma para ficarem amigos da cenoura. É uma amizade bonita. A berinjela defumada: é só queimar a casca de uma berinjela na boca do fogão até tostar toda casca. Depois descasque e tempere com sal e azeite. Aïoli fica bom para acompanhar. É uma alegria profunda comer isso. A terra e a energia do mundo é captada na cozinha, quando cozinhamos honestamente e direito. Entendam isso. Bom domingo.

Como fazer salmão no papelote, e aprender o valor do tempo. 

Você pode temperar, assar e comer um salmão em apenas alguns minutos, pode ser super rápido. Mas hoje eu quero sugerir um salmão que te ensine algo: o valor do tempo. Essa coisa de só querer coisas rápidas… a pressa tem tirado da gente a chance de ter experiências significativas importantes, que trazem cor e sentido pra vida, e isso pode ser bem triste. Que marcas ficam em você depois que a receita/refeição acaba? O que você registra e guarda? Preste atenção nessa receita:

Ingredientes:

  • 1kg de salmão cortado em postas (eu deixo a pele porque ela protege a carne do calor mantendo umidade).
  • Sal à gosto
  • Pimenta-do-reino à gosto
  • 3 colheres de sopa de vinho branco
  • Azeite de oliva extra virgem à gosto
  • Dill à gosto.

Você precisará de papel manteiga e vontade de desacelerar.

Como fazer (sem pressa e com verdade):

Abra a garrafa de vinho, beba alguns goles e coloque uma música que você goste muito. Abra um folha de papel manteiga sob uma fôrma (de um tamanho que dê para receber o salmão e cobrir ele depois). Coloque nela o salmão, o ajeite com calma e carinho, pensando no quanto o mar é imenso, assim como sua vida e história. Coloque todos os ingredientes sob o salmão, com o cuidado de que cada posta seja temperada. Enquanto temperar apenas tempere, não pense em outras coisas que não estão ali, diante de você agora. Quando terminar, olhe para o salmão e agradeça, em seguida feche o papel manteiga, fazendo uma trouxinha. Pré-aqueça o forno à 200 graus. Enquanto espera ouça com atenção a música que está tocando e pense no porque você gosta dela. Leve ao forno por 15/20 minutos – o ponto do salmão é quando ele está com um rosa vivo por dentro. Retire, coma com os acompanhamentos e molhos que sentir vontade, ou só ele.

Você poderia fazer essa receita em 20 minutos. Desse jeito deve levar quase 1 hora, mas o legado que ficará é outro. A vida é boa, se dê uma chance de notar.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 15/94: Coalhada. Receita 16/94: Dukkah. Receita 17/94: Cebolas na brasa, coalhada e dukkah.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 15/94: Coalhada. Receita 16/94: Dukkah. Receita 17/94: Cebolas na brasa, coalhada e dukkah. Tenho me emocionado tanto com os comentários das pessoas acompanhando o projeto que fazer as receitas tem tido uma carga de energia incrível. É absurdamente emocionante quando a gratidão se multiplica, acerta tantos, se torna um agente transformador na vida das pessoas. Eu tenho cada vez mais para agradecer através da cozinha. Essa semana, o dukkah ia ganhando forma e alma enquanto eu esmagava as sementes no meu pilão que veio da Bahia (um presente da minha mãe da terra criativa e amorosa dela) – ele é uma espécie de farofa/tempero de origem egípicia. Que cheiro, que sabor. Deu onda.  Amassei no pilão com toda minha energia. Como mandava a receita, foi romântico. E a melhor coalhada que já comi na minha vida? A que respeita e considera o tempo, que concentra, que no seu cremoso nos envolve no intenso de algo bom. Não sei direito explicar o que senti ao comê-la. Ainda sinto. A cebola assada na brasa – no fogo selvagem que foi domado pelo homem frágil diante da força natural. Fogo na cebola, terra do dukkah, o tempo e outros seres vivos fazendo a coalhada comigo. Cozinhar é um encontro com forças fortes e lindas. Paola ensina receitas que são uma oração, um retorno, um reencontro natural. Hoje eu só queria agradecer.