Gatidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 94/94: Pão Arturito. Finalizando com ele, o senhor do tempo.

​Emoção profunda. A última receita pronta do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella . Receita 94/94: Pão Arturito. Eu poderia te dizer que o pão começou quando eu fui atrás de uma maçã orgânica para fermentar, em uma caminhada bonita por São Paulo, mas não. Na verdade o pão começou a ser feito na receita 1/94, quando eu comecei a compreender a coisa mais importante do livro “Todas as sextas”: Uma lição profunda sobre o valor do tempo e sobre nossa relação com a generosa força natural do mundo. As 93 receitas anteriores me capacitaram para entender a beleza profunda de ver uma maçã sendo transformada em pão pela força natural da fermentação. Fazer o pão foi simbólico, foi apreciar a riqueza do tempo que corre lento. É absolutamente lindo ver o que acontece quando respeitamos o tempo que as coisas precisam durar. Você entende? Isso é um bálsamo diante de um mundo de velocidade tão violenta onde ninguém tem mais tempo de parar, notar, sentir e compreender nada. Fazer pão de fermentação natural é uma chance de sair dessa violência. Foram 7 dias esperando a fruta fermentar, depois 7 dias alimentando a massa madre, depois mais 17 horas para fazer o pão. O Pão Arturito é a alma do livro, que revela uma verdade profunda, aquela que te esconderam quando te contaram que “tempo é dinheiro”, porque na real, o tempo é o tecido de nossas vidas – Fazer algo que leva tanto tempo te faz entender isso. E ah, o pão não ficou perfeito, mas ficou muito bom. Farei mais imperfeitos até chegar no perfeito. Esse projeto teve um porque inicial (clique aqui e leia o post feito dia 11/11/16, expliquei lá), mas esse porque cresceu e me transformou. Também atingiu tanta gente que o acompanhou por aqui e somou sua emoção dando mais sentido a tudo. Vou escrever um texto de finalização e postar em breve para pensar, significar tudo, e é claro, agradecer. Em breve posto. Será o último post do projeto. Se quiser ver todas as receitas, só ir na #gratidaodetodasassextas no Instagram ou na categoria aqui do blog chamada “Gratidão de todas as sextas” ,tem uma história profunda lá. Hoje eu só queria agradecer. #paoarturito

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Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Mais um capítulo do Pão Arturito.

​A massa madre para o Pão Arturito está pronta. Agora farei o levain e então, finalmente, o pão. Após fermentar uma fruta orgânica e bonita por 7 dias eu alimentei a massa madre durante mais 7 dias, 3 vezes por dia, em horários iguais. Não existe um jeito de fazer isso sem pegar um amor profundo pelo processo. Cheguei alguns dias em casa cansado, outros correndo quase atrasado para alimentar no horário certo, alguns dias morto e cheio de glitter depois de algum bloco de carnaval, mas alimentar a massa era um compromisso sério e bom, alimentei ela muitas vezes antes de me alimentar (quando cheguei com fome em casa). É uma dedicação grande. Mas o que eu digo para vocês, senhores, é que alimentar a massa na verdade me alimentou – de um tipo de alimento que tem a ver com coisas da existência, entendem? Isso é um grande presente que eu não tenho como retribuir, por isso eu agradeço. Eu to bem emocionado, às vezes com medo do pão dar errado, mas aí penso que se der errado, coisas muito bonitas durante o processo de fazer já deram certo (aprender e sentir algo enquanto faz é tão importante quanto o resultado, se não mais). Mas enfim, vamos ver, e esperar. Se quiser ver mais sobre as etapas anteriores do pão e do projeto gratidão de todas as sextas, só olhar na hashtag no Instagram #gratidaodetodasassextas , tem tudo lá. Também na categoria do blog chamada “Gratidão de todas as sextas”, tem tudo. #paoarturito

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Continuando a última receita: O pão. 

​Sexta-feira passada não postei algo do projeto gratidão de todas as sextas (Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella ) porque só hoje foi possível seguir a próxima etapa da receita 94/94 que está em processo – O pão Arturito. Não pôde ser na sexta porque o tempo do pão não é o meu tempo programado, mas sim o tempo natural dele – e como temos visto, é ruim não respeitar o tempo que algo precisa para ficar realmente pronto. Nossa pressa é resultado da nossa incompreensão das coisas, esse projeto só tem sentido se eu respeitar o tempo, então atrasos fazem parte. Enfim. Enquanto eu estiver fazendo o pão vou compartilhando aqui com vocês a emoção de cada etapa – Hoje a água de fruta ficou pronta, depois de 5 dias, então comecei a fazer a massa madre. Vou alimentar essa massa durante 7 dias. É um cuidado intenso, que mexe com a gente. A generosidade do mundo natural mexe comigo. Vamos fazendo e sentindo esse pão. Compartilho pra tentar que sintam um pouco junto comigo. Se quiserem ver o post da primeira etapa do pão e todas as outras receitas do projeto Gratidão de todas as sextas é só ir na #gratidaodetodasassextas no Instagram ou olhar a categoria aqui do blog chamada “Gratidão de todas as sextas”.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Iniciando a última e simbólica receita: O pão arturito – o senhor do tempo. 

Hoje eu fui atrás de maçãs, queria encontrar maçãs significativas porque elas não são para uma coisa qualquer – São para a receita 94/94 do projeto “Gratidão de todas as sextas”, aquele que me comprometi a cozinhar as 94 receitas do livro “Todas as sextas” de @paolacarosella . Vou encerrar com essa receita de propósito. É o pão porque o pão é o senhor do tempo, e o livro é sobre comida, afeto e tempo. O projeto tem sido uma das experiências mais profundas de tempo que tive. Eu sabia que não ia sair igual dele, mas não achei que era tanto. Achei essas maçãs orgânicas, honestas, diferentes umas das outras, de verdade e lindas na @solliorganicos , então comecei a fazer a água de fruta – o primeiro processo do pão de fermentação natural. O pão começou a nascer hoje em uma caminhada bonita por São Paulo enquanto eu ia atrás das maçãs. Agora uma delas está fermentando na água, e o pão está a caminho. Acompanhem. E se quiserem ver as outras 93 receitas que já fiz do livro (coração chega a pular quando escrevo isso), é só olhar na hashtag do projeto #gratidaodetodasassextas no Instagram  ou dar uma olhada na categoria aqui do blog chamada “Gratidão de todas as sextas”, tem toda uma história lá. Enfim. Só queria dizer que o pão começou, e agradecer. A foto linda do pão do livro, do @emperorofhoxton , diz muito, como todas as outras imagens do livro dizem profundamente muito. O pão pronto na imagem e as maçãs que achei hoje – os dois lados extremos do processo de criação natural do pão. Essa foto é simbólica, espero que entendam.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 90/94: Caldo de carne. 

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 90/94: Caldo de carne. Primeiro dourar no fogo as partes corretas do boi e os aromas da terra (os legumes), depois pegar tudo, já transformado pelo calor do fogo sagrado, e deixar cozinhando por 8 horas e meia – para o tempo fazer sua mágica, para o tempo extrair o melhor possível disso tudo. O cheiro e gosto complexo e intenso desse caldo é o cheiro e gosto do tempo. O tempo que as coisas levam e que não temos mais gostado de esperar, já que queremos tudo instantâneo. Foi profundamente emocionante fazer meu próprio caldo de carne, ver acontecer diante dos meus olhos o que genuinamente pode ser chamado de caldo de carne (e não qualquer coisa vendida por aí roubando esse nome sagrado). Nada faz você refletir tanto sobre o tempo quanto uma receita que precisa ficar quase 10 horas na panela, lentamente acontecendo. Eu estou transformado e esse caldo deixou uma marca forte em mim. Como não sentir uma vontade enorme de agradecer? Esse projeto tem me dado tanto… nem sei te contar. O tempo é mesmo o tecido de nossas vidas, ele não é dinheiro.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 89/94: Peito de boi braseado da Isabel com farofa do Lucas e taioba.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 89/94: Peito de boi braseado da Isabel com farofa do Lucas e taioba. Esse prato é tão bonito. Primeiro porque ele é indiscutivelmente delicioso. Porque em seu nome e apresentação no livro Paola fala de encontros bons e generosos que a cozinha traz e simboliza, fala generosamente de pessoas que trabalham com ela – essa é uma receita coletiva, e isso é tão significativo. Quando eu comi pensei nas histórias cruzadas e enlaçadas por trás dessa farofa, dessa taioba, dessa carne amorosa feita em panela. Carne na panela. Acho que também vi tanta beleza nessa receita porque ela até agora foi a que mais me lembrou a comida da minha mãe. Minha mãe é uma cozinheira de panelas, pesadas, fundas, com caldos grossos e carnes intensas. É realmente um prato muito bom, muito significativo, muito generoso. Hoje eu só queria agradecer, mesmo.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 87/94: Linguiça de porco. Receita 88/94: Gnocchi de ricota de búfala. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 87/94: Linguiça de porco. Receita 88:94: Gnocchi de ricota de búfala. Foi uma longa caminhada para ir atrás da ricota de búfala mais fresca que eu pudesse achar. Achei uma bonita, não acho que era a mais fresca de São Paulo, mas achei boa. É interessante rodar São Paulo atrás de um ingrediente, enquanto eu andava atrás da ricota tive tempo de olhar os detalhes da cidade, de respirar direito, de pensar nos detalhes da receita, de sentir. Me desconectei de um ritmo intenso e me conectei com alguma sutileza da vida. Acho que eu gosto quando um ingrediente é dificil de achar e exige idas e vindas por São Paulo, afinal. Fazer a linguiça artesanal foi mágico – o perfume dessa linguiça linda, que temperei acariciando gentilmente, parece que perfumou diferente a própria vida. Fiz a linguiça, fiz o molho, fiz o gnocchi. Fiz uma noite alegre aqui em casa. Fiz uma memória para agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 86/94: Frango recheado de Mimi. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 86/94: Frango recheado de Mimi. Eu não sei mesmo dizer a emoção que foi desossar um frango inteiro pela primeira vez. É algo tão complexo e foi tão lindo conseguir, uma realização profunda que me marcou. Acho que ter feito essa receita pro natal ajudou a emocionar, porque mais do que em qualquer outro dia, nesse dia estamos inspirados à oferecer. Colocar ele lindo assim na mesa, ver todo mundo curioso, cortando, comendo, gostando, esboçando faces de alegria e prazer… poucas coisas me preechem tanto de sentido quanto isso. Eu sei muito bem o porque (assunto longo), e saber é bom: cozinhar é meu jeito de me conectar com um lugar de amor. Isso é profundo em mim. E tem um detalhe muito sério e importante sobre essa receita: Até agora todas as receitas do livro eu segui à risca, sem a menor ousadia de mexer. Mas nessa eu mexi, mudei algumas coisas no recheio, nada demais, mas depois que pensei entendi. Eu só consegui colocar algo mais meu na receita 86 porque, além de ter aprendido muita coisa nas outras 85 receitas que me deram condições diferentes, eu também tenho aprendido no último ano a acreditar mais no que sou eu, no que minha mão constrói. Acho que quando isso acontece a gente sente autorização de achar importante o que pensamos e deixamos algo autoral acontecer. A receita ainda foi a da Paola, mas nessa eu pude ouvir uma voz sutil que vinha de dentro de mim e me deixava confiar, em mim. Entendem a força disso? E assim tem sido, eu crescendo com a vida, crescendo com o livro, crescendo. Nunca estive tão grato com esse projeto quanto hoje.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 85/94: Stracciatella de Mimi.

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 85/94: Stracciatella de Mimi. Cheguei em casa, há 3 horas, depois de um longo dia, longa semana. Peguei um caldo de frango que estava guardado como um tesouro, na geladeira (fiz outro dia e guardei o caldo que sobrou pensando nessa receita). Pensei nessa receita durante a tarde toda hoje, porque ela soava aconchego, toda vez que folheava ela no livro sentia que era uma receita de abraço. E era isso mesmo, suave, gentil, exatamente o que eu precisava. Algumas receitas chegam em nossas vidas no dia certo. O dia hoje era da Stracciatella. É tão lindo pingar as gotas da massa úmida no caldo de frango quente e ver as bolotinhas se formando, naquele perfume, naquele carinho. Enfim. Eu queria, claro, agradecer, essas receitas que dão o sentido que um dia precisa ter. Feliz.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 84/94: Magret de pato curado. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 84/94: Magret de pato curado. Essa receita foi muito especial, porque observar o poder mágico de transformação do tempo é inspirador. Poder esperar o tempo das coisas e respeitar isso é transformador. Foram 2 dias no sal de cura, depois 10 dias curando, mantido com cuidado e carinho na geladeira durante esse tempo todo, como um tesouro. Quando a gente fica tanto tempo preparando uma coisa a gente pega um carinho forte por essa coisa, e na hora de comer foi de verdade uma autorealização, aquele perfume e gosto intenso foram uma recompensa muito bonita depois de tanta espera e cuidado, ficou registrado no meu coração. Comemos num domingo, com vinho, avelãs torradas e uvas, ouvindo Johnny Cash, com calma, sem pressa de nada. Ficamos encantados com o magret. Se encantar com as coisas é muito bom, na verdade é muito importante pra vida ter cor. Concluo então que o respeito ao tempo traz uma cor linda e real para o magret curado, assim como traz para a vida. Enfim. Obrigado, magret, tempo e Paola.