Ovo poché com molho de vinho tinto (Oeufs en meurette) e Risoto Funghi – Veja como fazer!

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Ovo poché com molho de vinho tinto (Oeufs en meurette) sob uma torrada, com risoto funghi. O risoto talvez fosse dispensável nesse prato, mas meu desejo era esses aromas todos juntos. Nossos  desejos às vezes não são catalogados ou conhecidos, são estranhamente não compreendidos ou aceitos, ao mesmo passo que são lindos e autênticos. A cozinha expressa a possibilidade de realizar-se, de simbolicamente dizer em um prato o que queremos dizer em um mundo. Nos links abaixo você encontra a receita completa desse menu, em sua intuição você encontra o caminho para seus desejos autênticos, próprios.

Clique aqui e veja como fazer o perfeito Ovo Poché!

Clique aqui e veja como fazer o molho de vinho tinto!

Clique aqui e veja como fazer o Risoto de Funghi!

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10 de Maio – Dia do Cozinheiro.

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10 de maio – dia do cozinheiro. Cozinhar foi uma saída. Uma forma de encontrar uma reconciliação comigo mesmo, com o mundo natural, com minha cultura, educação, lembranças e histórias. Eu transformo ingredientes com minha alma e emoção desde que eu tinha 8 anos, e hoje, depois de tantos anos, cozinhar transformou minha vida – cozinhando eu me vejo com autenticidade. Cozinhar é um ato revolucionário na minha história. Eu sou muito grato por cozinhar, por me relacionar com a natureza, por conciliar e viver outras paixões na cozinha – na minha cozinha cabe um divã porque ela, assim como o divã, nos proporciona encontrar discursos “esquecidos”, adormecidos, mas que trazem significado ao que somos e nos reconecta a natureza que pertencemos. Eu sou – dentre tanta coisa que sou – cozinheiro, com minha alma e história. Com amor. Gratidão. 

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Na imagem, a mistura ainda não é recheio de quiche – ainda são elementos isolados buscando a forma de algo novo através da união de suas composições. Transformamos a natureza ao trabalhar ingredientes, cozinhar é uma obra, artesanal, delicada e intensa, que transmite no resultado final a alma do cozinheiro, seu momento emocional e criação – porque ele cozinha com suas mãos, lembranças e história. Cozinhar é relacionar-se intimamente com o mundo natural, com as culturas, com nossa essência. Cozinhar evoca, cativa. Gratidão por abraçar a natureza cozinhando, gratidão por ser cozinheiro. Parabéns, cozinheiros e cozinheiras – transformadores que transformam ingredientes e ao mesmo tempo são transformados por eles.

Receita de Quiche e o sabor da França.

 

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Como sentir o gosto da França em 4 passos:
1. Fazer uma quiche boa.
2. Fazer uma salada com algum molhinho que leve mostarda Dijon e mel.
3. Sentar e olhar para o prato montado dez segundos antes de começar a comer. Suspirar.
4. Finalmente comer a primeira garfada, fechando o olho lentamente para compreender melhor o sabor dançando em você. Pronto.
Nota: O gosto da França começa a ser experimentado desde o primeiro passo – Porque cozinhar é já viver o gosto das coisas antes mesmo de comer.
Clique aqui e veja a receita de uma tradicional quiche francesa!

Para temperar com a Bahia – Dica de tempero à base de alho e semente de coentro!

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Minha mãe é baiana, e os traços da cozinha nordestina compõe muita coisa que faço e estão no modo como me relaciono com os ingredientes. Falo muito aqui sobre culinária francesa (uma paixão), mas também cozinho muito com a proximidade da minha origem – que é de onde tiramos originalidade para cozinhar com alma, com nossos hábitos familiares e culturais – cozinhamos para contar nossa história, e esse tempero conta um pouco da minha – tem o gosto da minha infância, da comida de mainha, do aroma que quando eu tinha uns 7 anos já me fazia questionar: “qual magia é essa que tem esse cheiro?”. Esse tempero é simples, leva elementos fortíssimos da culinária nordestina, e podem compor muitos pratos (uso no arroz, em carnes, refogas, legumes, grelhados, feijão, etc). Você pode fazer em grande quantidade e deixar armazenado na geladeira. Um tempero marcante, que protagoniza. Aprenda como fazer, e deixa, junto com essa receita, eu te transmitir um pouco da minha história e origem.

Ingredientes:

Para fazer uma quantidade pequena, que encha mais ou menos um potinho de geleia (se quiser uma quantidade maior dobre a receita).

  • Aproximadamente 3 de cabeças de alho (das médias).
  • Azeite de oliva extra-virgem ou óleo de girassol (eu gosto mais de azeite) – o suficiente (você entenderá abaixo como calcular a quantidade.
  • 3 colheres de sopa de sementes verdes de coentro (as secas não servem)
  • Aproximadamente 1 colher de chá de cominho em pó
  • Sal à gosto

Modo de preparo:

Descasque o alho. Coloque o alho, o cominho e as sementes de coentro em um liquidificador e acrescente uma quantidade de azeite que não chegue a cobrir completamente o alho no recipiente, então bata por alguns instantes (até triturar completamente), verifique se a consistência ficou parecida com um purê cremoso, se ficou ainda muito sólido e pouco pastoso acrescente mais um pouco de azeite e bata mais um pouco, se ficar muito liquido acrescente mais dentes de alho e sementes de coentro, faça esse processo até atingir a consistência de uma pasta rústica.

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Tempero na consistência após acrescentar o sal.

Após atingir o ponto, coloque a mistura em um recipiente e acrescente sal – a quantidade é a gosto, coloque o tanto que bastar para atingir um teor que lhe agrade. Eu coloco bastante, pois quando faço uma receita que o uso ele que a tempera, não coloco sal a parte.

Prontinho! Esse tempero é bem versátil, você pode usar em muitos pratos (até hoje só utilizei em pratos quentes). Ele é um tempero forte, marcante, não é tão suave mas não é tão agressivo, é presente. Perfeito para carnes, farofas e arroz. Conserve na geladeira em um pote bem fechado (já conservei por 1 mês e duas semanas e continuou com a mesma qualidade, acho que dura até mais que isso).

Aproveite! Gratidão por partilhar fragmentos de memórias com vocês.

Bom apetite!

 

 

A tarde quente, a Quiche Lorraine, e a poesia que as mãos fazem.

Terça-feira quente – eu chego em casa no fim da tarde depois de um dia de trabalho. Na minha casa tem duas portas de entrada, eu entro pela cozinha – eu gosto de chegar pela cozinha, de respirar pela cozinha e lembrar que é final de tarde, mas que o melhor do dia está só começando. Eu gosto, depois de trabalhar o dia todo, de chegar em casa pela cozinha, de tomar banho, ir lavar a louça de ontem, de cuidar da cozinha, deixá-la limpa para usar como uma tela em branco. A Quiche Lorraine foi a obra de hoje. Ela saiu bem quente do forno, mas hoje eu não à queria tão quente, eu queria morna, menos quente que a tarde. Ela saiu do forno e foi descansar um pouco, e eu fiquei no corredor olhando a cozinha de longe, exausto e tão feliz. Depois a comi morna, maravilhosa, com chá gelado, na tarde que já era noite, ainda quente. Um dia bom. A receita de Quiche Lorraine você encontra clicando aqui. A poesia da vida você encontra no que suas mãos são capazes de fazer.

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Julia Child: O mito que ensina sobre a possibilidade de inauguração existencial na arte de cozinhar.

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Julia Carolyn McWilliams  – A Julia Child –  para quem entende as inaugurações e ousadias que cozinhar é capaz de produzir em nossas vidas, falar de Julia é encontrar em uma história todo o amor e autenticidade que a cozinha produz e exala. O entusiasmo de uma mulher que decide não mais apenas comer, mas sim criar suas próprias experiências sensoriais na cozinha, revela o quão transformador a arte de cozinhar pode ser em uma história. Julia ousou desvendar a cozinha francesa, e através disso transformou não apenas sua vida, mas toda história da cozinha americana, inaugurando novas perspectivas culturais sobre o ato de cozinhar e comer. Julia, somada a outros artistas que tanto admiro (como Paola Carosella e Raíza Costa) foi enorme inspiração para que eu iniciasse um intenso mergulho em mim mesmo através da gastronomia, assim como foi essa mesma inspiração para milhares de pessoas.

Julia nasceu em 15 de agosto de 1912, na Califórnia (EUA). Sua história com a culinária começou após seus 30 anos, antes disso fez diversas coisas, já foi esportista (praticou tênis, basquete e até golf), trabalhou como redatora, e também trabalhou durante a segunda guerra mundial na OSS (Escritório de Serviços Estratégicos), foi onde conheceu Paul Cushing, militar que também trabalhava na OSS, com quem viria a se casar em 1946.

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Julia iniciou seu interesse por culinária quando mudou-se para França para acompanhar o marido. É encantador como a sensibilidade, a arte e o charme da cozinha francesa toca o sentido existencial dessa mulher, que decide compreender mais da cozinha, mais de si mesma, mais de um prazer que lhe renderia muito mais do que uma simples ocupação do tempo. Julia se matriculou na lendária Le Cordon Bleu de Paris, estudou, enfrentou desafios para lidar com preconceitos (mulher na alta gastronomia era – talvez ainda seja – um desafio grande). Começou então a entrar cada vez mais no mundo da gastronomia, até se envolver em um projeto com outras duas cozinheiras (Simone Beck e Luisette Bertholle), que juntas escreveram um livro de culinária francesa para americanos (O famoso “Mastering The Art of French Cooking”). A partir daí Julia iria aos poucos intrigar e encantar muitas cozinheiras americanas, as convidando a algo novo, tornando o que parecia ser algo tão distante muito acessível. Julia virou uma grande referência, virou apresentadora de televisão, com seu jeito irreverente, espontâneo e autêntico encantava a todos, mostrando o quão cozinhar poderia ser simples, grandioso, divertido e mágico. Seu famoso “Bon appétit” com o qual finalizava todos seus programas – dizendo de um jeito tão entusiasmado que faz a gente até rir ouvindo – é uma de suas maiores marcas.

Um dos mais famosos legados de Julia - "Mastering the Arte of French Cooking".

Um dos mais famosos legados de Julia – “Mastering the Arte of French Cooking” – Edição atual com 2 volumes. 

Conhecer Julia através do filme Julie & Julia (Clique aqui e confira artigo sobre o filme) ajudou a nascer um incomodo em mim, um incomodo que me dizia: “Ei, ta faltando você fazer alguma coisa que você sabe que quer fazer, não acha?”. Foi então que comecei a cozinhar mais, cozinhar todos os dias, encontrar (talvez reencontrar) a delicadeza, poesia e sensibilidade que meus dias estavam gritando por. Cozinhar preenche coisas importantes em mim, coisas que preciso. A história de Julia me ajudou a mergulhar mais na cozinha e nas minhas emoções, e isso somado a outras coisas me ajudou a parir o blog. Julia foi a porta para o encontro com uma possibilidade já habitante em mim à tempos, e que eu precisava desenvolver mais. Ela me faz ver o divã que vejo na minha cozinha e deitar nele, para encontrar a mim mesmo e construir as inaugurações existenciais que acredito que a cozinha é capaz de proporcionar.

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Bon appétit!

O contraste constrói!

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Da série “O contraste constrói” – Foto 1: Sobre a poesia das cores diferentes que fazem sentido juntas – o verde do manjericão e o vermelho do tomate, cores que dançam juntas, se complementam e constroem uma experiência linda – o contraste é lindo e constrói o lindo.

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Da série “O contraste constrói” – Foto 2: Sobre a poesia das cores e sabores diferentes, que fazem sentido juntos – Mostarda e Mel: O sabor impactante da mostarda com o doce do mel, encontro de dois elementos revelando a sensibilidade que a mostarda parece não ter, mas tem. O encontro do diferente transforma os envolvidos, os ampliam. – o contraste é lindo e constrói o lindo.

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Da série “O contraste constrói” – Foto 3: Sobre a poesia das cores diferentes que fazem sentido juntas – As cores de São Paulo do último domingo – Que assim como o manjericão e o tomate da foto 1, e assim como a mostarda e o mel da foto 2, o diferente se encontre de uma forma boa – seja na sensibilidade da gastronomia ou no simbólico e cultural da nossa gente. Que a rua um dia pare de precisar “parar” para o diferente passar, e que toda e qualquer “cor singular” de cada um vire sinônimo de gente – O arco-íris nos compõe. O contraste é lindo e constrói o lindo.