Onde comer e se emocionar em Paris – Um roteiro gastronômico e afetivo.

Comer em Paris não é uma coisa qualquer. A França toda trata o ato de comer com muita importância, é incrível a variedade de produtos e restaurantes de altíssima qualidade que você encontra lá, muitos por preços bem baixos (comer bem é tão importante que qualquer um deve conseguir, não importa quanto de dinheiro se tenha – isso é lindo). Paris é uma joia antiga e forte da gastronomia mundial, comer lá nos sensibiliza e nos transforma. Quero compartilhar com vocês um roteiro gastronômico afetivo, onde todo detalhe em volta da refeição seja capaz de te fazer sentir o gosto de Paris. O roteiro contém 5 sugestões – 2 restaurantes para uma refeição plenamente francesa, 2 lugares para comer as estrelas da confeitaria (um é onde você encontra a melhor éclair da França, o outro é um lugar incrível que faz alguns dos doces seguindo receitas muito antigas) e um café carinhoso e simbólico (o café da Amèlie Poulain). Vem comigo, Paris é exatamente o lugar certo para nos lembrar que “até mesmo as alcachofras tem coração”, que comida é afeto e arte do inicio ao fim.

  • Le Valentin  – Os doces mais emocionantes de Paris. 

Quem nos indicou esse lugar foi uma francesa, ela contou que a casa segue receitas muito antigas, fazendo doces como eram feitos há muitos anos. Tudo é lindo e absolutamente bom (veja na foto acima o que comi). o lugar é uma graça, tem um salão de chá sensacional no primeiro andar. O chá é servido em um bule de ferro que te dá a sensação de tradição e tempo. O chá de jasmim é divino, eles dão para adoçar o chá um palito com caramelo cristalizado – o calor do chá vai derretendo o caramelo, é uma riqueza de detalhes que emociona, mesmo. Comer aqui foi delicado do inicio ao fim. Observando o modo como servem, o ambiente em volta e o que servem entendemos o quanto a cozinha francesa é carregada de tempo, marcas e histórias.

Endereço: 30 passage Joufroy – 75009 Paris Tél +33 (0) 1 47 70 88 50 (ela fica dentro de uma espécie de galeria).

  • L’Éclair de Génie – A melhor Éclair da França! 

Uma rede que faz total jus a sua fama. A Éclair deles (que no Brasil chamamos de bomba de chocolate) tem algo de divino e maravilhoso, não dá para explicar. Eles tem diversos sabores e dá vontade de comer todos, prove a de pistache e a de caramelo salgado, eu chorei forte. A rede tem diversas lojas em Paris, eu fui na que se chama “La Fabrique” (fica na 32 rue Notre Dame des Victoires 75002 Paris), adorei essa porque é onde fabricam as belezinhas, dá para ver algumas partes do processo, indico ir nessa. Eu gosto de pedir uma éclair para viagem e ir procurar um parque bonito, sentar e comer a éclair, pensando nela como um tesouro, olhando alguma das mil paisagens lindas de Paris – Comer ela assim cria uma memória sem prazo de validade no seu coração. Já comi éclair duas vezes no jardim que tem atrás da catedral de Notre-Dame. Foi mais que bom.

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Endereço: Tem vários, clique aqui e confira no site deles

  • Le Relais de L’Entrecôte – Uma refeição tradicional francesa farta e incrível!
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A conta por pessoa, com vinho, saí em média 35 euros.

O famoso e nobre corte de carne (entrecôte – filé de costela) servido com um molho sensacional e batatas fritas, só – mas é um só suficiente para te deixar maluco de tão bom. A casa serve seguindo a tradição: Restaurante de um prato só, você escolhe só o ponto da sua carne. A batata frita é a vontade, eles vão te oferecendo como em um rodizio, e a carne é reposta 1 vez (diferente do Brasil onde só as batatas são repostas), você sai super cheio de lá, mas sai muito feliz! E ah, tem uma salada de entrada já inclusa no valor do prato principal. Um lugar incrível para comer carne em Paris. As sobremesas são muito boas também! Lugar charmoso e popular, sempre cheio, é normal ter uma filinha na porta para entrar mas ela é bem rápida. Aproveite o charme francês desse ambiente e observe em volta, a maioria dos frequentadores são franceses, é interessante observar os hábitos. Divirta-se.

Endereço: Tem vários, clique aqui e confira no site deles

  • Cafe Med – Um singelo endereço escondidinho na Île de Saint-Louis

Com os queridos no fofo Cafe Med. Menu completo (entrada, prato principal e sobremesa) custa em média 14 euros.

Adoro esse lugar. Ele é um singelo restaurante que está quase sempre aberto, o espaço é minúsculo e aconchegante, fica na charmosa Île de Saint-Louis (a ilhazinha que fica atrás da Catedral de Notre-Dame). Aqui a comida é simples, boa e bem feita. Comer lá me da quase a sensação de estar comendo na casa de uma mãe francesa que cozinha muito bem. O local tem preços ótimos, menus completos (entrada, prato principal e sobremesa) por cerca de 14 euros. A rua onde fica o restaurante é pequena e cheia de lojinhas interessantes, não deixa de olhar as vitrines incríveis (amo as vitrines de comida de Paris, passo horas observando). Sugiro que vá jantar lá, é mais calmo que no almoço. Dê um passeio em um fim de tarde nas margens da Île de Saint-Louis (que tem menos turistas que os outros lugares nas margens do Sena, é lindo e calmo), então siga para jantar no Cafe Med. Após isso você terminará seu dia com uma sensação muito boa, mesmo.

As vitrines de Paris (suspiros de amor).

Endereço: 77 rue Saint Louis-en-l’Île, 75004, Paris – Tél: 01 43 29 73 17

  • Café Des Deux Moulins – O lendário café do filme “O fabuloso destino de Amèlie Poulain”. 

Crème brûlée da Amèlie Poulain.

Esse lugar é muito simbólico pra mim. Amo profundamente o filme da Amèlie e estar lá sempre é mágico. Além de ser o café da Amèlie e de ter o crème brûlée mais gostoso que já comi, o café fica no bairro de Montmarte, um dos meus bairros preferidos, cheio de coisas legais para ver. Gosto tanto dessa sugestão que tem um artigo falando exclusivamente dela, clique aqui e veja tudo sobre o Des Deux Moulins e sobre uma tarde inteira em Montmarte!

 

Paris tem um gosto muito bom, espero que sinta ele da melhor maneira possível. Além de seguir dicas, sempre também explore lugares seguindo sua intuição, também é muito bom. Bon appétit!

 

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Receita da tradicional Baguete Francesa!

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Baguette – le pain égalité! (O pão da igualdade) – Durante a Revolução Francesa, em 1793, um decreto tornou obrigatório que ricos e pobres tivessem acesso ao mesmo tipo de pão – foi então instituída a famosa baguete – o pão da igualdade, o que se deve a sua econômica produção (não usava leite, ingrediente que encarecia os produtos na época), entre outros aspectos. Hoje é um dos maiores símbolos do país, ir a França e não comer uma baguete é como amar a Madonna e nunca ter dublado Like a Prayer em casa sozinho (Acho que não foi a melhor comparação, mas foi o que me veio na cabeça no momento, sem referências autobiográficas – risos). Confira abaixo a receita da tradicional baguete francesa!

Antes algumas observações:

  • A escolha da farinha é sempre muito importante para conseguir um pão bom de verdade. A farinha orgânica é sua melhor opção, se não encontrá-la, use a farinha comum (conhecido como tipo 1) – nunca compre aquela denominada “especial”. E pense na marca de farinha que irá escolher, crie familiaridade com uma farinha, conheça sua produção, origem e qualidade, isso é importante e te trará comida de verdade, com resultados emocionantes.
  • Essa receita é muito mais adequada de fazer com uma batedeira com gancho – aqueles de “amassar massa”. Você pode tentar na mão, porém é uma massa muito úmida, e precisa ser mesmo, na mão fica difícil mas é possível. Só não se deixe levar e por mais farinha para facilitar, isso tornará a massa seca, e não úmida e incrível como uma baguette deve ser.
  • O glútem se forma magicamente mas pode ser destruído se você movimentar a massa mais que o preciso e na hora errada, por isso preste atenção nos tempos da receita.

Que seja emocionante fazer e comer. Siga em frente!

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Ingredientes (Para 3 baguetes médias):

  • 500g de farinha de trigo (talvez um pouco mais para atingir o ponto exato da massa). Preferência para farinha de trigo orgânica, se não achar, a comum, mas uma que confie e saiba que é boa.
  • 15g de fermento biológico fresco (um tablete daqueles mais comuns de se encontrar por aí).
  • 380 ml de água morna
  • 10g de sal
  • 3 a 4 colheres de sopa de azeite de oliva extra-virgem
  • Manteiga para untar um recipiente

Modo de preparo:

Dissolva o fermente em 4 colheres de sopa da água morna em uma tigela, esfarelando ele, após dissolver todo deixe descansar por 5 minutos.

Se tiver a batedeira que bata massa de pão, hora de pegá-la, se não, use suas mãos e um recipiente para misturar os ingredientes. Coloque a farinha de trigo no recipiente (caso esteja usando a batedeira, já coloque no recipiente dela) e misture com o sal. Em seguida abra um buraco no centro e acrescente o fermento, a água e o azeite.

Se estiver usando a batedeira é só começar a bater (com o gancho para massa) em velocidade baixa por 1 minuto, então desligue a batedeira um instante, passe uma espátula em volta do recipiente e misture para garantir que tudo incorpore, e volte a bater na velocidade 1. Após esse tempo, colocar na velocidade 2 e bater por mais 10 minutos, Após esse tempo verifique se a massa chegou ao ponto, que é o ponto de véu: Um ponto onde você estica a massa e ela fica quase transparente, mas sem rasgar – ou seja, muito elástica. Se ela não tiver atingido esse ponto, esfarinhe uma superfície, coloque a massa, esfarinhe um pouco a mão e trabalhe a massa até atingir o ponto de véu e adquirir essa elasticidade linda que queremos. Atenção: Não acrescente mais farinha para facilitar seu trabalho, a massa é mole e úmido e precisa manter assim, apenas esfarinhe sua mão e superfície para trabalhar a massa, sem por mais farinha na massa.

Se for usar suas mãos, siga os mesmos tempos, mas com suas mãos e energia: comece a mexer essa mistura ainda no recipiente e se preferir, comece com uma espátula, porque no inicio a massa pode grudar muito nas mãos – como eu disse, é uma massa bem úmida. Mexa lentamente por 1 minuto até tudo estar incorporado, depois continue menos lentamente por 5 minutos, e depois com mais energia (mas sem agressividade) trabalhe ela por 10 minutos. Faça isso até atingir o ponto de véu (descrito acima), quando atingir, pare de mexer.

Coloque essa massa linda e macia (passe os dedos e sinta a maciez) em um recipiente untado com manteiga, cubra-o com um pano úmido ou plástico e deixe em um lugar de temperatura amena por 1 hora e meia descansando.

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Depois de descansar, volte a massa para a superfície de trabalho (que deve estar enfarinhada) e amasse ela gentilmente só um pouquinho, cerca de 30 segundos (para essa parte não use batedeira, precisa ser toque gentil, humano). Nessa parte já divida a massa em três partes iguais e comece a formar as baguetes com cada uma das partes: pegue o pedaço da massa, vá rolando fazendo o formato de um cilindro, esticando gentilmente a massa do meio para as extremidades, então faça dobras na massa (pegando as pontas das extremidades, levando até o meio e depois rolando de novo, formando um novo cilindro – o formato das baguetes. Essa coisa de dobrar a massa e ir enrolando é importante para permitir uma maciez interessante e adesão de ar. Deixe-as do tamanho e cumprimento de sua preferência.

Coloque as baguetes na fôrma que irá assar (unte com manteiga e farinha de trigo se sua fôrma não for antiaderente). Se tiver fôrmas especiais para baguete, será perfeito. Cubra-as com um pano e deixe descansar por mais uns 40 minutos. Um pouco antes de terminar o tempo de descanso, já pré aqueça seu forno à 240 graus.

Após esse tempo de descanso faça os famosos cortes nas baguetes (de preferência com uma navalha ou faca bem afiada). Os cortes são a assinatura do padeiro, faça quantos quiser. Normalmente são transversais e a quantidade um número ímpar. Não os faça muito fundos, bem superficiais e singelos – ao assar eles aumentam. Após isso leve direto ao forno (eu gosto de polvilhar uma mistura de farinha de trigo com farinha de semolina por cima). Importantíssimo: No momento em que colocar as baguetes para assar, coloque uma fôrma ou outro recipiente com água dentro do forno, embaixo da grade onde as baguetes estarão – o vapor da água fará com que as baguetes adquiram aquela casquinha crocante deliciosa.

Asse à 240 graus por 15 minutos, depois abaixe para 220 graus e asse até ficarem douradas e lindas – um total de mais ou menos 40 minutos no forno.

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Prontinho! Aproveite essa delícia tão francesa e tão maravilhosa e bon appétit!

Receita da Clássica Tarte Tatin – Como surgiu e como fazer!

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Muita coisa fascinante na gastronomia surgiu de um erro, também foi assim a famosa e clássica sobremesa francesa Tarte Tatin. No final do século XIX, as irmãs Caroline e Sthéphanie Tatin eram donas do Hotel Tatin, que tinha um restaurante comandado pelas duas. O hotel fica (sim, ele existe até hoje) na região central da França, em Sologne, e lá a torta de maçã sempre foi uma especialidade da região. Certo dia no restaurante um cliente importante e apressado pediu uma torta de maçã, e na correria do preparo Stéphanie inverteu a montagem da torta, colocando primeiro o recheio no fundo da forma, não tendo tempo de corrigir o erro colocou a massa por cima do recheio, assou e depois desenformou a torta virando. A torta virada ficou linda, perfeitamente caramelizada e macia – nasceu uma estrela que brilha até hoje. Os erros inauguram coisas, enquanto os acertos ás vezes só mantém padrões – os convido a errar na cozinha, apreciar o erro e extrair muito dele. Veja receita da clássica Tarte Tatin abaixo e bon appétit!

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Hotel Tatin, Sologne, França.

Ingredientes (para 7 à 8 pessoas):

  • De 5 à 6 maçãs verdes
  • 400g de massa folhada
  • Caldo de meio limão-taiti
  • 1 xícara de chá de açúcar
  • 4 colheres de sopa de manteiga (60g)
  • 1 forma redonda de aproximadamente 26cm de diâmetro (eu uso forma antiaderente, mas normal também funciona), ou uma frigideira/panela rasa que possa ir ao forno.
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As maças verdes nesse tom mais amareladinho são as ideais!

Modo de preparo:

Descasque as maçãs, corte-as em 4 partes, tire as sementes e então coloque os pedaços em um recipiente. Acrescente o caldo do limão, misture para espalhar o caldo e reserve.

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Se você for usar massa folhada congelada, tire do congelador 2 horas antes de usar. Se for usar já descongelada, tire da geladeira na mesma hora. Pegue a massa folhada e abra do tamanho da forma que for usar (use a forma para ver a medida), se você comprar aquelas massas folhadas que vem em folhas quadradas pequenas separadas, não tem problema, junte uma na outra pressionando as bordas para emendar, e dará certo também! Reserve a massa pronta para cobrir a torta e vá fazer o caramelo! Coloque a forma (ou panela) que irá assar a torta em fogo médio (no fogão mesmo) e acrescente a manteiga e o açúcar. Deixe derreter, mexa um pouquinho, e quando começar a escurecer é hora de colocar as maçãs.

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Quando estiver nesse tom é hora de colocar as maças.

Acrescente as maçãs fazendo um formato de coroa, até completar todos os espaços vagos da forma, não pode deixar folgas, tem que ficar assim ó:

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Cozinhe por 5 minutos após colocar as maçãs. Enquanto cozinha pré-aqueça o forno a 180 graus. Após isso desligue o fogo e coloque a massa folhada por cima da forma, cobrindo as maças. Pressione as extremidades, empurrando o excesso de massa das bordas para dentro, ajeite a massa com os dedos para que fique bem junta das maças.

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Leve ao forno pré-aquecido e asse por 40 minutos, até a massa ficar dourada.

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Retire do forno e deixe descansar por 5 minutos. Antes de desenformar incline a forma para verificar se há muita calda, se tiver escorra ela em uma tigela antes de desenformar. Para desenformar coloque um prato ou outro recipiente sobre a forma, segure a parte da forma com um pano de prato para não se queimar, e vire de uma vez só! Ela sai linda e emocionante, fica que nem na primeira foto desse post.

Sirva a seguir, ela é maravilhosa quente! Acompanha muito bem sorvete de creme e folhinhas de hortelã.

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Bon appétit!

 

O que é e de onde vem o Crème Brûleé? Comida e história!

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Crème Brûleé para os franceses, Crema Catalana para os espanhóis ou Leite-creme para os portugueses. Com qualquer nome ou em qualquer lugar do mundo, é minha sobremesa preferida. A primeira referência história sobre essa sobremesa foi encontrada no livro Nouveau cuisinier royal et bourgeois, do francês François Massialot, publicado em 1691. Brulée é um termo francês usado para referir-se a pessoa de alto poder aquisitivo e esnobe, a expressão foi extraída do nome da sobremesa Crème Brûlée, por ela, na França, ser uma sobremesa elitizada – a diferentona, classuda, para poucos, glamurosa, 99% não comem, aquele 1% são os poderosos.

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No filme mais lindo do mundo, O Fabuloso Destino de Amélie Poulin, de Jean-Pierre Jeunet, Amélie mostra que o ato de quebrar com a colher a casquinha do créme Brûlée é um de seus maiores prazeres! E claro que é o meu também! A gente é muito igual #risos.

A origem da sobremesa é controversa e suspeita: franceses, espanhóis e ingleses disputam sua origem. Na Grã-Bretanha, existe uma referência, de 1879, ao Trinity Cream ou Cambridge burnt cream. No Trinity College, Cambridge, o símbolo da universidade era marcado, com um ferro quente, sobre o açúcar da cobertura. Mas os franceses, como dissemos, tem registros anteriores a esse, então por hora a honra é deles. E fala sério, Crème Brûleé é a cara da França!

Ovos, leite, baunilha e açúcar – basicamente ele é feito disso. Há vários modos de fazer a casquinha linda e marcante de cima, o maçarico é a forma mais comum hoje, mas alguns lugares colocam bebida alcoólica por cima e botam fogo, para uma caramelização meio com cara de espetáculo (tipo pra dizer UOW!). E também tem o modo mais antigo, de fazer a casquinha com ferro quente.

Adoro história de qualquer alimento, há traços em tudo que comemos que contam algo do mundo. Comida é assim… Agora se você ficou com vontade clique aqui e veja como fazer creme brulee! Eu ensino, e você nem precisa ter maçarico culinário! Vem que tem gente!

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La Tartine Bistrô – Um portal para acessar Paris em São Paulo!

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O elegante cardápio.

Entrar no La Tartine, olhar para os quadrinhos nas paredes, as luminárias, as mesinhas magrinhas bem próximas umas das outras, sentir o perfume encantador da cozinha (suspiros, de amor) foi uma experiência de fato francesa. A minha sensação ao entrar no La Tartine é de atravessar um portal e chegar em Paris. Sem modas vazias, exageros luxuosos ou complexidade, a casa apresenta uma autêntica identidade parisiense, além de ter preços ótimos, completamente justos. Elegante, simples e autêntico – Meu bistrô preferido em São Paulo!

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A fofa fachada – Mas que gracinha…

Algumas casas francesas em São Paulo pecam por não atingirem uma identidade cultural do prato que servem, já no La Tartine encontramos de fato uma identidade francesa – Decoração completamente charmosa, sem se ater a luxos desnecessários que encareceriam inutilmente o restaurante e pratos gostosos, marcantes e perfumados.

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Os vinhos da casa tem preços muito bons para a região, não tem os preços exorbitantes que os restaurantes costumam ter. Você pode pagar R$49,00 por uma garrafa de um bom vinho. A casa tem um cardápio pouco extenso mas que eu considero suficiente. As quiches  são maravilhosas, uma massa que fica totalmente harmoniosa com o recheio, bem integrada à ele, custam cerca de R$36,00 e vem acompanhadas de uma salada verde servida com um molho de mostarda e nozes divino (as vezes o molho da salada fica a venda no caixa).

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Crème Bûlée

As sobremesas são bem gostosas e bem servidas, amei o Mil Folhas de lá e o Crème Brûlée (que é bem servido, se estiver cheio peça um para dividir com alguém). Custam em média R$14,00.

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Foto de espelho com os queridos que nos apresentaram esse lugar lindo em São Paulo!

Uma visita que vale muito a pena! Eu adoro! Uma amiga querida que também tem Paris na alma que me levou lá a primeira vez, ela não poderia ter acertado mais.

Dicas importantes para a visita:

  • Vá ao banheiro pelo menos uma vez para passar em frente a cozinha e sinta o perfume dela – sensacional.
  • Se você como eu gosta muito da cultura francesa, ao menos uma vez feche os olhos e abra sutilmente, respirando o ambiente com sua alma – Porque é preciso mergulhar afetivamente na experiência.

Bon appétit!

 

Como fazer Ovo Poché!

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Cortar um Ovo Poché e ver o mostrar-se da gema é uma emoção muito parecida com quebrar a casquinha do Crème Brûlée. Sentir seu sabor, tão delicado, lembrando quase um queijo, é uma experiência quase religiosa, meio transcedental. E para ir aos céus com tudo isso, você precisa só de um ovo fresco, água, sal e vinagre. Existem momentos importantes do preparo que garantem a perfeição, eu sempre segui isso e nunca errei um Ovo Poché! Veja abaixo o passo a passo!

Ingredientes:

  • 1 Ovo
  • Vinagre branco (aproximadamente 2 colhares de sopa)
  • Sal

Modo preparo:

Ferva água em uma panela pequena, com certa profundidade (o suficiente para a altura da água atingir uns 4 dedos de profundidade). É legal uma panela pequena e mais fundinha, pois isso te ajuda a fazer o redemoinho de água mais forte (quanto mais rasa e larga a panela, mais difícil é fazer um redemoinho forte que segure bem o ovo quando você colocar ele). Quando a água esquentar acrescente o vinagre e um pouco de sal e então espere ferver. Enquanto isso quebre o ovo com cuidado para não desfazer, e o coloque em uma concha (estando em uma concha fica mais fácil de você colocar na panela do jeito certo). Então quando a água estiver fervendo comece a fazer movimentos circulares nela com uma colher, criando um redemoinho forte no centro – eis o momento mais importante do preparo de um Ovo Poché perfeito: Colocar o ovo!

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Note o redemoinho de água no centro.

Depois de fazer os movimentos circulares e ter um redemoinho no centro acrescente o ovo EXATAMENTE no centro do redemoinho – é muito importante que caia no centro.

Quando cai na água da a sensaçãp de ter se espatifado. Mas fique tranquilo, se caiu bem no centro do redemoinho dará tudo certo! Ele roda um pouco assim que cai, acompanhando o rodar do redemoinho.

Quando cai na água da a sensaçãp de ter se espatifado. Mas fique tranquilo, se caiu bem no centro do redemoinho dará tudo certo! Ele roda um pouco assim que cai, acompanhando o rodar do redemoinho.

Então feche a panela e desligue o fogo. Se quiser uma gema mais para mole deixe 5 minutos desse modo (eu prefiro nesse ponto), se quiser mais dura deixe 7 minutos. Depois é só retirar o ovo com uma escumadeira, delicadamente, e morrer de amor pela delicadeza e sabor! Ficam perfeitos servidos com torradas douradas com manteiga! Aproveite esse clássico europeu e seja feliz!

O ovo inteiro antes de cortar.

O ovo inteiro antes de cortar – Servido com torradas e um creme balsâmico de laranja e mel.

Receita de Aspargos à moda de Paris (Aspargos com Molho Allemande)!

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Aspargos à moda de Paris – Aspargos frescos servidos com molho allemande.  Eu fiquei encantado com o resultado dessa combinação! Eu não tenho adjetivos suficientes para descrever esse molho, sério… A harmonia do gosto da manteiga com um toque cítrico ficou tão sensacional… (suspiros de amor). Eu acho que rolou um amor real entre eu e essa receita. Nada como, mesmo depois de um dia difícil, fazer um molho tão apaixonante e notar o lado bom das coisas…

Ingredientes:

  • Cerca de 500g de aspargos frescos
  • Sal e açúcar (para cozinhar os aspargos)
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 2 colhares de sopa de farinha de trigo
  • 450ml de caldo de carne morno
  • 2 colheres de sopa de creme de leite
  • 2 gemas
  • O caldo de meio limão
  • Sal e pimenta-do-reino branca à gosto

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(Se for fazer uma quantidade menor de aspargos, pode cortar a quantidade de ingredientes pela metade e fazer da mesma forma que dará certo!)

Modo de preparo:

Comece pelo molho: Leve a manteiga à uma panela (não pode ser muito pequena!) e derreta, então acrescente a farinha de trigo e misture usando um fouet (fazendo o roux), quando essa mistura começar a ganhar um tom dourado (meio amarronzado) retire do fogo e vá acrescentando o caldo de carne aos poucos, sempre mexendo. Depois de por todo o caldo volte a panela ao fogo e cozinhe (mexendo sempre) por uns 10 minutos – se a consistência ficar muito grossa acrescente mais caldo. Após isso tire o molho do fogo e acrescente o creme de leite e as gemas e bata com o fouet. Coloque em seguida o limão, o sal e a pimenta-do-reino à gosto.

O molho finalizado.

O molho finalizado.

Cozinhe os aspargos: Ferva água, coloque nela uma pitada de sal e uma de açúcar, e então acrescente os aspargos – e deixe cozinhando na água fervente por 2 minutos! (Se passar não ficará na consistência perfeita!).

Sirva imediatamente os aspargos com o molho e sinta a felicidade consumir o seu ser. Eu não sou mais o mesmo depois dessa combinação. ♥

Bon appétit!

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Des Deux Moulins – O Café da Amélie Poulain e um passeio por Montmartre (Paris).

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Fachada do Des Deux Moulins

Parada obrigatória em Paris para quem, assim como eu, ama o filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain), pois trata-se justamente do café em que Amélie trabalha no filme:  Des Deux Moulins (Sim, ele existe!). Para quem se encantou com a poesia desse filme (que ficou bem famoso mundo a fora) é uma experiência que agita o coração entrar no lugar e conseguir identificar todo o cenário daquela história carregada de poesia e detalhes “doces”. Eu adoro o filme e toda a “poesia do simples” que ele evoca, e estar lá foi sensacional. É um lugar indispensável de visitar para aqueles que sabem “que até mesmo as alcachofras tem coração…”

O Café fica bem perto de dois moinhos: O Famoso Moulin Rouge e o Moulin de la Galette, daí o nome: Des Deux Moulins (Os dois moinhos). É um lugar na maioria das vezes cheio, pois é bem famoso e muitos turistas de todo canto se espremem nas pequenas mesas do café. Mas o lugar, além de todo o encanto que traz do filme, é agradável e fofo, os garçons são gentis (e lindos, diga-se de passagem), fui atendido por um que falava português (sorrindo), o que facilitou o pedido.

Interior do Café, onde se pode ver Amélie sorrindo ali atrás...

Interior do Café.

Há objetos usados no filme que ficam expostos no café. Quanto ao cardápio, eu fui direto em um “combo” que é um café (ou um chocolate quente) que acompanha o famoso Crème Brûlée, pois eu jamais poderia perder a experiência de quebrar a casquinha dessa linda e simbólica sobremesa e sentir a felicidade discreta que tal ato produz. E isso tudo custou cerca de 10 euros (o preço lá não é muito barato, mas com 10 euros você já sente a magia da Amélie, e tá bom).

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Não comi outras coisas, mas dizem que há lugares melhores ali por perto mesmo em Montmartre, onde se pode experimentar melhores e tradicionais pratos franceses. Mas o que me interessava lá era Amélie, a magia conectada à essa obra e o Crème Brûlée, e foi isso que fiz, e saí bem feliz!

 

Endereço: 15 Rue Lepic, 75018 Paris, França – Site: http://cafedesdeuxmoulins.fr/pt

Dicas: Aproveite para visitar outros endereços ilustres que também ficam em Montmartre, nas redondezas do café da Amélie: A Basílica de Sacré Coeur (também cenário do filme), O Moulin Rouge, ver a fachada da casa onde morou o pintor Vicent Van Gogh, a Place Du Tertre com seus artistas pintando a céu aberto e restaurantes fofos ao redor, e lá também é um ótimo endereço para comprar aqueles famosos pôsteres da Belle Époque de Paris! Olhem só:

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A Place Du Tertre – Com seus charmosos restaurantes e artistas pintando à céu aberto.

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A incrível Basílica de Sacré Coeur, também bastante presente nos cenários do filme.

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o Simbólico Moulin Rouge! Fica bem pertinho do Café.

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A fachada da casa onde morou o famoso artista Vincent Van Gogh, 54 Rue Lepic.

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Uma charmosa rua perto da Basílica de Sacré Coeur, onde se pode encontrar os famosos posteres da Belle Époque e uma série de artigos para lembrancinhas.