Como fazer um honesto e bom doce (geleia) de uva!

Tem muita coisa por aí sendo vendida como geleia ou doce de fruta que contém tanta coisa estranha dentro que minha avó jamais chamaria isso de comida e chamaria de tolo quem chamasse. É muito bom quando pelo menos de vez em quando nos aproximamos da comida mais honesta que existe – aquela feita só com a natureza pura e com as nossas mãos, só, sem mágica química que altera as coisas e mais tarde altera a gente. Esse doce de uva é simples, vai só uva e açúcar pra virar doce (em medidas adequadas, aprendi a calcular a proporção de açúcar para uvas com a Paola Carosella, nem precisa falar mais nada, né mores?) e um toque de vinho e azeite de oliva, que uma amiga linda e ruiva me indicou. Fica bom mesmo, de coração. E também aprendi (também com Paola) a gostar de colocar nozes torradas no doce depois de pronto. Enfim, essa receita é resultado de muitos encontros e inspirações.  Eu gosto muito quando é assim.

Ingredientes:

  • 1kg de uvas pretas
  • Açúcar (pode ser demerara ou refinado)
  • 4 colheres de sopa de azeite de oliva extra-virgem
  • 1 xícara de café de vinho tinto (um bom, que você beberia bem feliz)
  • 1 colher de sopa de caldo de limão (melhor se for siciliano)
  • Nozes à gosto (opcional)

Modo de preparo:

Se suas uvas tiverem sementes, tire-as. Mantenha a casca. Leve para uma panela em fogo médio até que comece a ferver. Então deixe no fogo um pouco mais baixo até reduzir o volume de liquido pela metade, em seguida desligue e deixe esfriar. Agora você vai definir o quanto de açúcar irá usar, faça assim: Pese as uvas, então volte elas para a panela e coloque uma quantidade de açúcar que seja equivalente à 1/4 do peso das uvas (ou seja, se fosse 1kg o peso, seriam 400g de açúcar). Leve de volta ao fogo, acrescente o vinho, o suco de limão e o azeite, misture. Deixe reduzir novamente, dessa vez até atingir uma consistência que te agrade para seu uso – sinta e desligue quando seu coração disser que está perfeito. Se for acrescentar nozes, torre elas no forno, sem queimar, só um pouquinho para liberar um aroma emocionante, e então quebre em pedacinhos e acrescente no doce pronto.

Dicas de uso:

  • Ela fica ótima para cobrir uma sobremesa gelada, como uma cheesecake – se for usar para isso lembre-se de deixá-la mais líquida, e para essa finalidade não é bom usar nozes.
  • Passe manteiga no pão e acrescente o doce por cima, é algo com um tom de divindade, juro.
  • Como eu disse acima, parte do jeito de fazer essa receita aprendi com Paola Carosella, ela faz um doce parecido com esse e recheia biscoitos, fica muito bom. Então, pode usar como recheio.

Fazenda produz apenas alimentos orgânicos e contrata somente moradores de rua – atuação em simultâneas feridas sociais.

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A fazenda de produção de alimentos orgânicos contrata apenas moradores de rua – destaque as cenouras visivelmente orgânicas, com formas diversas, não padronizadas, naturais, como o mundo as oferece – lindas. Foto: Reprodução.

Produção orgânica de alimentos já é por si só um serviço social se considerarmos que isso transforma a qualidade do que as pessoas comem. Incrível ver isso aliado à outras problemáticas sociais. A Verde Community Farm & Market, que produz apenas alimentos orgânicos, contrata apenas moradores de rua, gerando uma chance de lugar social à pessoas sem oportunidades – fazendo isso ela atua simultaneamente em várias feridas sociais. Um trabalho incrível, lúcido e inteligente.

A fazenda fica em Miami, nasceu em 2008 e já ajudou mais de 10 mil pessoas. Hoje é a fonte de sustento de mais de 145 famílias. A instituição oferece um suporte completo aos funcionários contratados, que inclui moradia – acolhem toda a realidade do morador de rua. O trabalho é amplo e bem pensado, eles destinam os investimentos à treinamentos que tornam os funcionários aptos a lidar com a produção de alimentos orgânicos, também direcionam os investimentos à infraestrutura da fazenda.

A fazenda fornece para população e restaurantes locais, e está aberta a visitação de qualquer pessoa. A produção orgânica de alimentos é uma das ações mais importantes e urgentes de nosso tempo. Além de gerar a possibilidade mais limpa e saudável de alimentação, é um retorno ao contato real com a natureza, uma saída das nossas idealizações patológicas e dificuldades de lidar com os ciclos naturais. Esse tipo de produção também está conectada à possibilidades econômicas mais justas – pequenos produtores locais poderiam fornecer de forma acessível alimentos de qualidade as suas localidades, o que ainda por cima movimentaria interessantes possibilidades econômicas regionais, que viriam a ser a saída de muitas famílias para produzir sustento, e proporcionaria ao mesmo tempo menos consumo de comida industrializada ou alterada quimicamente – ganhos de muitos lados. Claro que, por interesses econômicos de grandes corporações, esses caminhos enfrentam muitos obstáculos – principalmente políticos. Mas dentro das nossas possibilidades, dentro de nossas escolhas cotidianas, podemos já fazer algo que movimento esse ciclo. Qual feira orgânica você conhece? Qual pequeno produtor você ajuda escolhendo comprar algo dele? Repare no que está ao seu alcance.

Ao escolhermos alimentos orgânicos, de pequenos produtores, realizamos um ato social. O que escolhemos comprar gera a dinâmica do que continuará sendo ofertado. Nossas escolhas, a longo prazo, irão reverter o que é barato, o que é caro, o que os mercados oferecem em suas prateleiras, e qual tipo de comida será acessível e possível as pessoas. Um grande tema, com tantos caminhos para amadurecer e construir. Já tem muita gente fazendo um trabalho com esse olhar, e a Verde Community Farm & Market é um exemplo bem legal disso.

Conheça mais sobre o projeto clicando aqui – Verde Community Farm & Market

Fonte: Catraca Livre