Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 23/94: Celli ripieni. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 23/94: Celli ripieni. Uma massinha crocante e aconchegante recheada com um doce de uva bem bonitão que tem nozes torradas dentro. O gosto das nozes depois de serem torradas faz toda diferença – o calor ativa, intensifica e confere alma nova as coisas. Eu gosto de coisas que podem se transformar através de sua própria composição e continuar ao mesmo tempo sendo elas mesmas, mas com algo novo. Dentro das coisas (dentro de nós) está contido um poder de transformação e sabor novo. A vida muda quando notamos isso. Lavar as uvas, separar, ferver, fazer o doce, a massa, esperar, modelar, assar. Minha tarde quente de verão no meu país tropical ficou agitada e bonita com essa receita. Acho que minha massa não ficou perfeita, deu certo trabalho pra fechar, mas tudo bem, a tarde foi linda, agitada e viva, e ficou uma delícia. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 21/94: Cremoso de chocolate com migalhas de cacau e creme inglês.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 21/94: Cremoso de chocolate com migalhas de cacau e creme inglês. Acho que estou descobrindo lentamente porque creme inglês é tão importante. Ele muda as coisas de um jeito generoso – neutraliza algo para melhor experimentarmos a essência genuína do doce que acompanha. Ele é gentil,  fornece espaço para outro brilhar. Alguns doces não seriam tão bons sem ele. Deviamos aprender algo com o creme inglês – tanto com sua generosidade (que da espaço para outros brilharem, sem cobrar nada) quanto com sua capacidade de proporcionar um estado neutro, que tira excessos e com leveza nos faz melhor compreender a verdade de uma coisa. Não sei se está tão claro tudo isso, porque estou falando de uma experiência sensorial com esse prato que me emociona e me lança em algo além. Quando o prato acabar uma coisa bem bonita vai ficar. O cremoso ficou incrível, a farofa de avelãs e cacau também, a fruta suculenta estava plena. Mas o creme inglês fez todo esse conjunto ficar emocionante. Paola me deu uma receita de emoção hoje. Um prato simboliza nossa posição na vida. Estou emocionado e feliz, e queria agradecer. Isso está muito gostoso.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 19/94: Doce de leite. Receita 20/94: A minha infância feliz. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 19/94: Doce de leite. Receita 20/94: A minha infância feliz. Ave Maria! Como doce de leite é bom, esse é bom pra caramba, demais da conta, à beça! Bom também foi ficar em volta da cozinha durante as 6 horas de cozimento lento e generoso do leite das santas vacas. Eu queria mesmo ficar ali, em volta da cozinha esse tempo todo. Em algum momento fiz algo errado (que ainda não entendi direito o que) e o leite subiu derramando um pouco. Uma sujeira. Foi muito divertido. Eu e meu irmão (que acompanhou o cozimento comigo) rimos muito de tudo em volta da situação. E a minha infância feliz? Uma sobremesa emocionante, que enche a gente de contrastes perfeitos – o iogurte com doce de leite, de chorar, peloamordedeus! Ela também me encheu de contato com outras horas, daquelas de tempos antigos, onde brincar de inventar o que comer preenchia tardes vazias. Um menino abria a geladeira e pensava. Com poucas coisas mas com muita criatividade e entusiasmo fazia o prato mais lindo da vida, ele achava. O nome dessa receita é perfeita – me traz mesmo a lembrança do meu caminho pra ser feliz quando eu era pequeno. Quantas lembranças hoje. A vida da gente tem muitos gostos. Hoje  eu só queria agradecer, por todos eles.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 12/94: Pão Moro. Receita 13/94: Picles. Receita 14/94: Berinjelas na brasa. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 12/94: Pão Moro. Receita 13/94: Picles. Receita 14/94: Berinjelas na brasa. Passou alguns minutos da meia noite mas emocionalmente ainda é sexta, está a tempo da postagem. Demorou porque eu acabei agora. Demorou porque foi a maior aventura até agora. Porque teve brasa, fogo selvagem real sendo domado para transformar a natureza em refeição. Eu não tenho ainda uma churrasqueira em casa, nem fogão a lenha, então eu fiz um fogo de chão, fogo artesanal com toda minha criatividade, paixão e coisas que eu encontrei no meu quintal para construir um local em que eu pudesse assar berinjelas (e cebolas, da próxima receita) na brasa real. A brasa do fogo acendeu algo em mim. O fogo é sensual, forte, intenso e poderoso. Cozinhar com fogo é introspectivo, é retornar à ancestralidade natural que nos compõe, é perdidamente lindo. E quanto ao picles que ficou 2 dias descansando para dar seu  melhor pra mim, eu sinto muita gratidão por isso. Sinto gratidão pelo que as cebolas viraram ao se tornar picles – pelo seu ácido, doce e força. O pão moro… (suspiros), com tanta magestade me ajudou a ficar mais feliz com tudo isso. Ele é fino, crocante, salgadinho, elegante, masgestoso. Berinjela na brasa, picles de cebola e pão moro – que explosão de vida esses sabores juntos tem. Eu mergulhei em algo intenso quando comi. Já acabou tudo, mas tem algo de hoje, algo quente da brasa e fresco do sabor, que ficará pra sempre em mim. Hoje eu só queria agradecer, pra caramba!

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 9/94: Massa para empanadas. Receita 10/94: Empanadas salteñas. Receita 11/94: Empanadas de humita.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 9/94: Massa para empanadas. Receita 10/94: Empanadas salteñas. Receita 11/94: Empanadas de humita. Essas três receitas foram muito especiais de fazer. As outras também foram, mas essas tiveram algo especial – um pouco porque a primeira vez que “comi” a arte de Paola foram essas empanadas. Um pouco pelo que ela fala no livro sobre a história dela com as empanadas, mais daquilo emocionante que cria lampejos e ativa umas coisas importantes na gente. Um pouco porque empanadas, seus recheios, formas, detalhes, contam histórias lindas da América Latina. Um pouco porque não tem como uma receita que vai milho-verde fresco e manjericão não ser perdidamente apaixonante (as empanadas humita estão por isso pra sempre no meu coração). Eu fiquei em casa a semana toda, tive tempo. Foi mais de um dia para fazer essas 3 receitas. Foi poético, sensível e empolgante ficar mais de um dia fazendo elas, pensando em todos os elementos que as envolvem. Que bom foi ter tempo, respeitar o tempo das coisas e pensar em como tenho me relacionado com ele, o tempo. Eu me senti em paz e calmo fazendo empanadas. Minha massa não ficou perfeita, mas ficou gostosa. Um dia acerto mais no que faltou acertar. Mas ficou bom. Eu fiquei feliz. Obrigado novamente Paola, pela receita, pelo gosto das empanadas e pela chance de pensar no tempo – que é o tecido de nossas vidas. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 7/94:Rabanada de brioche brûlée e receita 8/94: Creme inglês. 

 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 7/94: Rabanada de brioche brûlée e receita 8/94: Creme inglês. Dourado na manteiga. Algo que é dourado na manteiga não precisa mais de muita coisa para ser incrível. Mas ainda era com brioche, que tem muito mais manteiga. Ainda tinha casquinha brûlée. Ainda tinha o creme inglês. Ainda tinha uma tarde lenta e linda de verão. Ainda tinha Elis Regina cantando pra mim durante o preparo. Ainda tinha muito amor. Não tinha, tecnicamente, como não ser feliz com isso tudo. Eu fiquei especialmente feliz ao acertar fazer um creme inglês lindo, brilhante, perfeito. A vida faz mais sentido quando um creme inglês sai perfeito. A vida fez todo sentido com o sabor da rabanada, do creme e da laranja fresca, juntos, me dizendo alguma coisa que ficou quando o prato acabou. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 6/94: Brioche.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia 0 post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 6/94:  Brioche. Obviamente foi emocionante fazer, uma aventura grande. Mas a receita não deu muito certo. Pensei em não postar, mas depois pensei de novo, e vi que fazia todo sentido postar. Tudo que é real tem um erro, umas muitas imperfeições. Esse projeto é real, eu sou real, e o brioche da foto é um brioche de uma experiência artesanal real que falhou um pouco. Se desse tudo certo sempre seria estranho. Eu preciso de mais alguns erros para conseguir fazer um brioche perfeito. Farei muitos brioches até acertar. A maestria só vem com repetir, errar, treinar. O erro é um presente muito lindo que precisamos de sabedoria para apreciar. No fim, fazer um brioche que deu errado foi tão importante e emocionante quanto fazer todas as receitas que deram certo. Aprender é um presente glorioso. Estou feliz e com vontade de fazer de novo um brioche, de ser mais preciso no movimento dos meus músculos ao amassar, mais atento aos ingredientes que escolhi, a temperatura, a tanta coisa que o erro me permite notar e penetrar com mais sensibilidade e prática. Eu sou grato ao erro nessa noite interessante que o brioche que não deu certo me proporcionou. Hoje eu só queria, novamente, agradecer. Talvez mais do que nunca.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 4/94: Mousse de chocolate amargo com shortbread e receita 5/94: Iogurte. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 4/94:  Mousse de chocolate amargo com shortbread e receita 5/94: Iogurte. Eu me sinto tão livre ao fazer em casa aquilo que tão automaticamente compramos pronto nos mercados. Fazer iogurte em casa é algo de liberdade que me faz muito bem. Essa sexta teve a “espuma” leve e deliciosa, o crocante leve e delicioso, e o equilibrio do iogurte exato e delicioso abrilhantando o melhor da espuma e do crocante. Assim, todas essas sensações dançando na gente. A vida é linda demais quando sensações assim dançam juntas na nossa boca. Que emocionante comer isso! Eu queimei um dedo fazendo essa receita, fez uma bolha. Eu olho para essa bolha e fico tão feliz, ela me lembra o gosto da mousse, do shortbread e do iogurte, e me lembra que minhas mãos podem fazer coisas assim. Eu me sinto sensacional quando lembro disso. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 3/94: Salada de mozzarella de búfala e figos. 

Hoje é sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 3/94: Salada de mozzarella de búfala e figos. Saí hoje atrás de figos emocionantes, como mandava a receita. Achei uns que me emocionaram muito – que explodem na boca explodindo entusiasmo na gente. Ir atrás de ingredientes bons, frescos, reais e emocionantes é sempre uma aventura. Foi difícil achar figos que emocionam, andei muito e fiquei bem cansado, fui para cozinha de novo bem cansado depois de um longo dia… mas desse cansaço eu quero viver, cansaço de ir atrás de coisas emocionantes, como figos maduros e lindos, por exemplo. Essa receita começou com uma caçada ao tesouro e terminou com um gentil sabor refrescante e cheio de sentimento e significado. Que alegria foi ir atrás dos figos e da mozzarella fresca, depois rasgá-los com minhas mãos para preparar o prato, depois comer. Que alegria foi. Hoje eu só queria agradecer.

Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”,de Paola Carosella. A gratidão de “todas as sextas”. Tem um porque.

O dia que agradeci Paola, segurando a mão dela e sentindo que toda essa energia honesta, que vem quando a gente agradece, estava sendo de fato sendo enviada à ela.  Foi no lançamento do livro “Todas as sextas” em São Paulo. Uma das coisas mais lindas da vida é poder dizer à alguém o quanto somos gratos por algo. A vida é muito generosa quando nos da a chance de fazer isso. Essa foto representa muito pra mim.

Eu decidi cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, da cozinheira Paola Carosella. As 94 receitas em até 1 ano, uma a uma até ter feito todas. E tem um porque. Um porque que faz isso ter todo sentido, por isso eu preciso dizer, com alguns detalhes. Há 2 anos conheci o trabalho de Paola através do Masterchef. A principio ela era pra mim uma chef elegante, fina, engraçada, famosa e incrivelmente talentosa, e só. Até então eu não sabia muito sobre ela. Depois de alguns meses vendo o programa passei a sentir algum tipo de entusiasmo ao ver Paola falar de alimentos, de técnicas, de pratos e da natureza. Daí fiquei curioso em saber mais dela (e eu queria mais desse entusiasmo também), então pesquisei mais sobre o trabalho e vida de Paola. Não precisei mais do que uns 3 resultados do Google para entender de onde vinha o entusiasmo que o discurso dela criava em mim. Paola falava de muitas coisas quando falava de alimentação. Falava de respeito ao ingrediente, respeito a enorme generosidade da natureza que devíamos levar em conta e ser generosos em troca. Falava de relações genuínas através da cozinha, de terra, do crescimento emocional através do trabalho duro, dos duros imperativos sociais que seguimos e mantemos quando escolhemos o que comer e como questionar esses imperativos repensando nossas escolhas – como ela diz: “comer é um ato social, cozinhar é revolucionário”. O discurso de Paola fez um laço com tudo que me levou a criar o blog, com toda minha necessidade de falar de gastronomia com um olhar afetivo, psicológico, social e poético. Então eu fiquei muito feliz em acompanhar o trabalho dela mais de perto – nessa época a vida andava um pouco triste, faltavam cores. Então surgiu um entusiasmo crescente. Cozinhar e escrever foi uma saída muito importante para eu manter uma posição criativa diante da vida, das suas faltas e excessos.

Um dia descobri que Paola trabalhou com o Francis Malmann. Pra mim foi emocionante pensar no laço dessas duas histórias, porque recentemente eu tinha visto um documentário sobre a vida e obra de Francis e fiquei fascinado com a liberdade que ele inspirava. A proximidade do homem com a natureza que ele é parte, o retorno as nossas origens e histórias para poder fazer um trabalho autêntico na vida, que exale nossa alma – as ideias de Francis me inspiraram muito. Assim como Paola me inspirou. Eram muitas inspirações que me questionavam, me incomodavam e me colocavam em movimento. É bom quando somos instigados a nos movimentar, a pensar em abandonos e inaugurações, normalmente é o começo da nossa originalidade. O mais legal de admirar pessoas é em algum momento notar o que essas pessoas que admiramos podem nos revelar de nós a nós mesmos – se conduzirmos de uma forma boa, admirar alguém é algo que revela algo muito importante sobre nós,  algo que muitas vezes não reconhecemos como nosso, mas que é. O outro ajuda a gente a notar.

Um outro dia, aliás, há 9 dias, ganhei de presente o livro recém lançado da Paola. Eu li o capítulo da biografia dela em 3 horas em um domingo que foi há 5 dias. Eu me emocionei muito – Por muitas coisas que não consigo dizer bem. Coisas da minha história foram movimentadas com essa leitura. Às vezes passamos anos em terapia pensando em algumas coisas. Às vezes em 3 horas lendo um livro é como se pensássemos em tudo de uma vez, como uma explosão de sentido. Muita coisa da minha história começou a fazer algum sentido diferente depois que li os relatos autobiográficos de Paola, pensei muito, principalmente sobre minhas possibilidades ao longo da vida de conseguir notar valor em mim e de buscar um olhar de amor.

Quando as pessoas resolvem compartilhar com generosidade suas histórias e experiências, podemos aprender algumas coisas valiosas.  O livro “Todas as sextas” me ajudou a ver a fragilidade e humanidade de Paola, o que consequentemente me ajudou a ver o brilho dela de maneira mais intensa e real. O que é de verdade, o que tem defeitos, o que tem medo, o que tem fracasso e o que tem imperfeição é muito mais real. Quando temos ídolos quase que o separamos de aspectos humanos e frágeis, vemos aquele brilho lindo e nos atentamos a isso. Quando um ídolo conta sua história de verdade ele nos faz desconstruir uma idealização e nos da de presente o seu real. Isso é de alguma forma lindo porque nos convida a pensar no quanto às vezes nos achamos menos do que somos. Se vemos a fragilidade nas pessoas que admiramos perdoamos nossas próprias fragilidades e nos reconectamos com a condição mais humana de todas: A imperfeição. E isso é libertador. A verdade é que histórias lindas são construídas por pessoas reais, com vidas tão cheias de “rachaduras” (expressão que Paola usa no livro) como as nossas. Enxergar isso nos encoraja a chegar mais perto do nosso próprio brilho, um brilho real que existe no meio de toda imperfeição que somos. E além disso, nos faz admirar esse ídolo de uma forma nova e mais linda ainda, porque agora ele é mais real. O real é lindo. Quando Paola contou através do livro uma história humana e imperfeita ela me convidou a revisitar o conceito de sucesso, e do que esse conceito é feito quando é de verdade e não um slogan vazio e aniquilador.

E há 2 dias eu encontrei Paola pessoalmente, na noite de autógrafos de seu livro em São Paulo, abracei ela e toda essa história que contei acima. Podem imaginar como foi, então, né? Eu tremi porque era muito importante estar ali e agradecer, por tudo isso que a obra dela me ajudou a conectar, reconectar e significar. O mais incrível foi encontrar pessoalmente exatamente a Paola que li sobre – simples, divertida, elegante (no sentido mais legal da palavra) e generosa. Muito humana, nada de deusa da televisão intocável. Às vezes uma pessoa na mídia mostra uma imagem lustrada e muito irreal. Paola não, Paola era ela ali como me parecia ser em todo canto que vi ela, quem eu esperava abraçar eu abracei. Através do seu trabalho, manifestações públicas e redes sociais ela sempre mostrou seu real, de algum modo quando encontramos ela pessoalmente legitimamos isso. Paola foi generosa com as aproximadamente 400 pessoas que foram lá abraçá-la. Esteve de pé, recebendo todos com sorriso, abraço e alegria. Ela também parecia querer agradecer. Foi lindo sentir que ela prestava real atenção e conferia muito valor e respeito a tudo que ouvia – eu fiquei abestadamente emocionado quando vi que a dedicatória que ela fez ao autografar meu livro era em sintonia com o que eu tinha dito pra ela naqueles poucos minutos que tivemos juntos (eu falei de gratidão, eu só queria agradecer). Ela ouviu de verdade o que dissemos. Mesmo com tanta gente, com tanta coisa, com tanto encontro, ela deu o maior espaço possível para cada um que foi lá. Isso é muita generosidade. Era a Paola que eu li sobre, mesmo.

E foi por gratidão que eu fui vê-la. Era tão importante pra mim dizer obrigado. Eu não tinha como, não tinha tempo, de contar essa história toda pra ela, mas eu tinha tempo de dizer obrigado, e isso já era maravilhoso. Eu pude dizer o quanto sou grato a ela por tanta coisa que o trabalho e história dela despertou em mim. A vida é muito generosa quando nos permite agradecer. A gratidão é a melhor via para o amor fluir.

E agora, porque decidi cozinhar as 94 receitas do livro “Todas as sextas”? Principalmente por gratidão, que é o nome da história que contei agora. O livro é constituído a partir da história de uma das pessoas que mais me inspirou a olhar com vida e criatividade para minha história atualmente, então faz todo sentido que eu cozinhe o que ela ensina. Outro elemento é que eu preciso cozinhar mais, eu quero aprender mais e aprender essa gastronomia, sensível a natureza, ao mundo, aos afetos, aos laços sociais e ao amor – Paola ensina a culinária que ressoa em mim, a cheia de respeito, generosidade, humanidade e história, e é essa que eu quero aprender mais. Costuma ser muito bom aprender algo que é ensinado com autenticidade e generosidade. Farei as 94 receitas dentro do período de 1 ano, e toda sexta postarei a foto do resultado do que cozinhei na semana corrente. A receita não será compartilhada, claro, apenas a foto do resultado junto com minha experiência emocional ao fazer cada prato – o que será uma forma de ampliar a gratidão que sinto e também perceber os laços emocionais que cada preparo evocará em mim, as marcas que ficarão (notar as marcas que as coisas deixam é muito importante). Cada receita terá um sentido. Através da generosidade de Paola, que compartilhou tanto no livro, buscarei aprender, experimentar, para me conectar com os laços e discurso que ela lança, e ao mesmo tempo me conectar comigo mesmo, com meu discurso interno, movimentando a mim mesmo.

Existe sim uma semelhança nesse projeto com o que Julie Powell fez com o livro de receitas de Julia Child – Vemos essa história no livro e filme Julie & Julia, que conta como Julie decidiu cozinhar as 524 receitas do livro de Julia em 365 dias. Essa história também me inspira, porque assim como Julie eu também fui salvo de uma vida um pouco triste e sem cor quando decidi que precisava cozinhar e escrever (quando o blog nasceu, aliás). E Julia Child também me inspira muito, muito mesmo, assim como Paola, assim como Francis, assim como Raíza Costa. Mas no caso, Paola será minha Julia e “Todas as sextas” será meu “Mastering the Art of French Cooking”.

São esses todos os motivos que sei (devem ter outros que ainda não sei) do porque cozinharei as 94 receitas do livro “Todas as sextas”. São motivos muito importantes para mim. Sexta que vem, 18/11/2016, começa. Terá uma categoria exclusiva no blog chamada “Gratidão de todas as sextas” para essas postagens, e elas estarão também no meu Instagram e Facebook. Uma postagem toda sexta. A sexta-feira é meu dia preferido. Será agora um dia de gratidão.