Como fazer Crack pie! A torta viciante da Christina Tosi!

Crack pie – Você verdadeiramente não consegue parar de comer, essa torta vicia, e por isso o nome. Feita com ingredientes muitos simples, ela tem um preparo curioso (que envolve assar, depois congelar e então descongelar a torta – para condensar o recheio). Essa receita divertida é marca registrada da cativante @christinatosi – na nova temporada do @chefstablenetflix (que é um especial de confeitaria) o primeiro episódio é sobre a vida e obra de Christina, é absolutamente encantador. O modo alegre e sincero que ela encara um doce me emociona. Assim como Christina, se alguém me perguntar o que eu poderia fazer pra sempre na vida, eu responderia: cookies. Christina é dona do famoso @milkbarstore , e também é a Paola Carosella dos EUA (é jurada do Masterchef de lá) – parece que minha cina é amar juradas do Masterchef. Ela criou essa torta em um dia que tinha pouquíssimos ingredientes, todos muito simples – uma receita despretensiosa e singela que ganhou o mundo, que lindo isso. Compartilho aqui a receita original, divulgada pela própria autora. Fiz, testei e amei sem medidas!

Sobre a receita – ela é dupla:

Essa receita é para fazer 2 tortas (de aproximadamente 22 cm de diâmetro, que serve de 8 à 10 pessoas). Vou compartilhar a receita assim porque é assim que a encontrei, exatamente do modo como Christina ensina. Quando fiz foi assim, 2 tortas, mas creio que se você quiser apenas 1 pode dividir em 2 todas as quantidades que dará certo (mas não posso garantir porque ainda não tentei cortar a receita no meio para apenas uma torta). Sugiro fazer 2, porque 2 é melhor que 1. E como o congelamento é um processo que a torta passa antes de ser servida, você pode manter a segunda congelada por 1 mês ou até um pouco mais, e descongelar apenas quando decidir servir.

Ingredientes (para 2 Crack pies – cada uma serve cerca de 8 pessoas):

Para a massa da torta (o biscoito de aveia):

  • 115 g de manteiga em temperatura ambiente
  • 75 g de açúcar mascavo claro
  • 40 g de açúcar granulado
  • 1 gema
  • 80 g de farinha de trigo
  • 120 g de flocos de aveia
  • 0.5 g de fermento em pó (aproximadamente meia colher de chá)
  • Uma pitada de bicarbonato de sódio
  • 2 g de sal (aproximadamente meia colher de chá)

Para o recheio da Crack pie:

  • 300 g de açúcar granulado
  • 180 g de açúcar mascavo claro
  • 20 g de leite em pó desnatado
  • 24 g de farinha de milho (fubá)
  • 6 g de sal (aproximadamente 1 colher e meia de chá rasa de sal)
  • 225 g de manteiga derretida
  • 160 g de creme de leite
  • 1 colher de sobremesa de extrato (ou essência) de baunilha
  • 8 gemas*

*É muito importante nessa receita não deixar nem um pouco de clara ficar com as gemas, se as gemas forem junto com vestígios de clara irá alterar muito o resultado da receita. O melhor jeito de separar gemas de claras é com as suas mãos (nela você consegue sentir quando exatamente toda clara foi retirada e só ficou a gema). Não esqueça de lavar a sua mão com água morna por 30 segundos antes e depois de manusear ovos diretamente nelas).

Para montagem e finalização das tortas:

  • 1 receita do biscoito de aveia já frio
  • 1 receita do recheio de Crack pie
  • 15 g de açúcar mascavo claro
  • 1 g (aproximadamente meia colher de chá) de sal
  • 55 g de manteiga derretida, ou o quanto bastar
  • Açúcar de confeiteiro, para finalizar

Modo de preparo:

1) Massa da torta (Biscoito de aveia):

Pré-aqueça seu forno à 180 graus. Bata (preferencialmente em uma batedeira) os açúcares com a manteiga até obter um creme fofo e claro. Raspe as laterais para garantir que tudo se misturou bem, continue batendo e acrescente a gema – bata até que os granulados de açúcar se dissolvam por completo e a mistura fique uma cor pálida. Continuando a bater em velocidade baixa, acrescente a farinha, a aveia, o sal, o fermento em pó e o bicarbonato. Misture até tudo se incorporar muito bem – fica uma massa densa e gordurosa, com aspecto de massa de cookie. Coloque a massa em uma fôrma larga untada ou antiaderente, espalhe ela pela fôrma para que fica em uma altura de 7 milímetros. Asse por aproximadamente 15 minutos (ou até dourar levemente, com cor e cara de cookie). Retire e deixe esfriar completamente. Dica: Se você fizer apenas uma torta e sobrar esse biscoito, em um pote bem fechado ele fica fresco por mais de 1 semana, é uma delícia com café.

2) Recheio da Crack pie:

Dica valiosa: Usar uma batedeira faz muita diferença no resultado final, se a sua tiver um acessório de remo para bater, melhor ainda – se você bater à mão com fouet não alcançará o resultado perfeito – que é um recheio denso e pegajoso. A velocidade também é importante, sempre bater em velocidade baixa – muito alta incorpora muito ar, e isso também afetará na densidade da Crack pie.

Misture o açúcar, o açúcar mascavo, o leite em pó, a farinha de milho e o sal na tigela da batedeira, até tudo ficar uma coisa só. Batendo em velocidade baixa, acrescente a manteiga, bata por cerca de 1 minuto, até todos ingredientes secos estarem úmidos e envolvidos na manteiga. Adicione o creme de leite e a baunilha e continue batendo em velocidade baixa, até que o creme de leite tenha incorporado completamente. Raspe as laterais da tigela para garantir uma mistura total. Adicione as gemas, uma a uma, batendo em velocidade super baixa, apenas o suficiente para incorporar – não queremos que seja incorporado ar aqui – quando todas as gemas estiverem incorporadas o creme deve ser brilhante e homogêneo. Prontinho! O recheio está pronto para ser usado. Se não for usar imediatamente, guarde em um porte hermético na geladeira por até uma semana.

3) Montando a torta e finalizando:

Pré-aqueça seu forno à 180 graus. Coloque o biscoito de aveia, o açúcar mascavo e o sal em um processador e triture tudo, até ficar com aspecto de areia molhada. Se não tiver um processador, pode fazer na mão, esmigalhando tudo muito bem. Transfira o biscoito triturado para uma tigela e acrescente a manteiga e misture até ficar úmido o suficiente para fazer uma bola (se não for suficiente, acrescente mais manteiga).

Feito isso, divida a massa em 2 partes – cada uma será a base de uma torta. Use cada uma das partes para cobrir s uma fôrma de aproximadamente 22 cm de diâmetro, untada ou que seja antiaderente, ou também pode forrar o fundo da fôrma com papel manteiga. As fôrmas devem ficar completamente cobertas, uniformemente, vá ajeitando e pressionando a massa com seus dedos para garantir isso.

Coloque então o recheio nas tortas, dividindo ele por igual entre as duas – o recheio deve encher cerca de 3/4 do espaço, não chegando assim até o topo (as tortas são bem baixas mesmo). Leve então as tortas para assar (sugiro uma de cada vez se seu forno não for muito grande) por aproximadamente 15 minutos – o topo deve ser dourado, mas o recheio ainda mole e instável. Abra então a porta do seu forno e diminua a temperatura para 165 graus – enquanto a temperatura diminui, deixe a porta do forno aberta (as tortas ficam lá dentro do forno durante esse processo todo). Quando a temperatura chegar em 165 graus feche o forno e deixe as tortas lá por mais 5 minutos. Após esse tempo verifique: O recheio deve estar ainda meio mole no centro mas as bordas devem estar mais rígidas. Se o recheio ainda estiver muito mole também nas bordas deixe por mais 5 minutos ou mais, até atingir o estado ideal: Mole no centro e mais rígido nas bordas.

Retire então a torta do forno e deixe esfriar em temperatura ambiente (se estiver com pressa pode por na geladeira ou freezer). Em seguida vem um passo importante que é a marca registrada da Crack pie: Congele a torta por pelo menos 3 horas ou por uma noite para condensar o recheio – isso é muito importante.

Retire as tortas do freezer e coloque na geladeira para descongelar 1 hora antes de servir. As tortas duram congeladas mais de 1 mês, e na geladeira ficam boas por cerca de 1 semana. Prontinho! A incrível Crack pie está pronta! Sirva ela fria! Decore com açúcar de confeiteiro peneirado por cima. Seja feliz, ela é emocionante.

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Cozinhei as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Finalização do projeto “Gratidão de todas as sextas”.

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Finalizei o projeto “Gratidão de todas as sextas”. Cozinhei as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Me comprometi, no dia 11/11/2016 (clique aqui e veja como tudo começou) a cozinhar todas as receitas e ir postando (no meu blog e Instagram) toda sexta-feira o resultado daquilo que foi feito na semana, e assim foi.  Estou aqui pensando em como, em um texto de finalização, significar e registrar tudo que esse projeto foi, daí me ocorre que faz sentido começar esse texto falando do fim do projeto, da receita 94/94: O Pão Arturito – Eu levei 15 dias e 17 horas para fazer essa receita (o pão, em muitos sentidos, é o senhor do tempo), e quando acabei consegui firmemente compreender a maior lição do livro: O valor do tempo. É isso. É sobre isso que o livro é: Tempo, vida e cozinha – porque foi uma COZINHEIRA (em caps, para ser verossímel) que escreveu sobre tempo e vida, e ela fez isso através da cozinha.

O livro “Todas as sextas” é o primeiro livro de Paola Carosella. Ele é composto de um relato autobiográfico profundo e de 94 receitas – cada uma delas trazendo uma reflexão e uma conexão com a história da cozinheira. Não é um livro culinário qualquer.  As receitas nos fazem questionar nossas escolhas e hábitos, nos incomodam e nos movimentam. Para prepará-las tudo começava com a busca pelos ingredientes,  e essa era uma etapa muito séria, porque Paola no livro é convicta ao falar da importância dos ingredientes – tinham que ser ovos de galinha de vida digna, carnes de animais que também tiveram vidas dignas, frutas e legumes plantados e cuidados por pessoas que fazem do jeito honesto o que fazem, farinhas vendidas por pessoas que tenham “olhos de pessoas do bem”, confiáveis – e eu não estava afim de contrariar as indicações, eu queria fazer direito para aprender de verdade o que estava ali sendo dito, então foram muitas caminhadas por São Paulo para encontrar os ingredientes certos. Após ter encontrado tudo para cada receita, na hora de cozinhar eu tinha que escolher uma panela que eu tivesse carinho (afeto importa), tinha que tratar os ingredientes respeitando seu tempo de descanso (alguns precisavam de 1 hora, outros de 24 horas, outros de 15 dias). Eu também tinha que entender o valor do fogo baixo e do tempo lento de cozimento, nada de pressa e pressão. Para servir o prato, tinha que ser também numa louça bonita – eu tinha que ser atencioso e gentil com a refeição, a cada instante – e comer tudo isso no final era quase sempre uma oração, uma recompensa e reflexão profunda do que implicava todo o processo – e do que ia sendo transformado em mim enquanto eu transformava ingredientes desse jeito.

Cozinhar desse jeito muda a gente, não tem como sair igualzinho. Para fazer tudo isso antes de qualquer coisa eu tive que “parar” – frear a velocidade desse mundo rápido e agressivo que vivemos para experimentar, através das receitas, uma outra experiência de tempo – um tempo lento, que corre diferente, que precisa respeitar o tempo dos processos naturais, um tempo que me fez pensar em como eu estava usando e experimentando o próprio tempo da minha existência. A verdade é que eu entendi mais do que nunca o quanto perdemos por causa da nossa pressa, da nossa incompreensão das coisas e do tempo que elas precisam levar para ficarem prontas. Cozinhando assim, eu tive então “tempo” de pensar na minha relação com a natureza quando escolhia ingredientes e quando os tratava de determinado modo, tive tempo de compreender o que de bonito acontece quando esperamos, tive tempo de me acalmar depois de dias complicados enquanto estava ali, cortando uma cebola, por exemplo.  Tive tempo de pensar no quanto minhas escolhas impactam o mundo que eu habito. Tive tempo de pensar nos meus afetos e elaborá-los, enquanto construía uma refeição com minhas mãos. Tive tempo, inclusive, de me lembrar do quanto a cozinha é simbólica na minha vida e é, há tantos anos, o meu divã – lugar onde eu sempre pude me encontrar em paz comigo mesmo.

O livro fala muitas vezes da importância de fazer artesanalmente – com as nossas mãos – aquilo que vamos comer. Eu acredito de verdade que existe uma via terapêutica em fazer artesanalmente algo que normalmente compramos pronto no mercado. É uma via que te permite autonomia e apropriação de um processo que normalmente você deixa que façam por você. Isso também é transformador, existe uma auto-realização grande em terminar uma refeição e falar no final: Eu que fiz, cada detalhe, do inicio ao fim, eu construí e transformei isso, estou implicado na coisa. A gente registra no nosso psiquismo coisas muito importantes quando nos vemos implicados nas coisas.

Fazer as receitas do modo como Paola conta também me permitiu pensar em tantos aspectos sociais, no modo como temos tratado o mundo e como temos nos relacionado com as pessoas. Quando escolho comprar de um pequeno produtor o que meu dinheiro incentiva? Quando escolho alimentos orgânicos o que ajudo a manter com meu ato? Há muito a se pensar, comer é um ato político e nossas escolhas conduzem o lugar social das coisas. Temos mais poder do que pensamos. O livro “Todas as sextas” também é um alerta, sutil e gentil, mas um alerta.

Quando comecei o projeto, estava envolvido por um sentimento muito forte de gratidão. Ao ler o inicio do livro, que é composto de um relato autobiográfico de Paola, muitas coisas na minha história foram tocadas. O mais legal de admirar pessoas é em algum momento notar o que essas pessoas que admiramos podem nos revelar de nós a nós mesmos – se conduzirmos de uma forma boa, admirar alguém é algo que revela algo muito importante sobre nós,  algo que muitas vezes não reconhecemos como nosso, mas que é. O outro ajuda a gente a notar. No meio desse insight e gratidão por Paola ter feito uma obra tão generosa e honesta, eu quis cozinhar o livro inteiro. Era para agradecer, para aprender, para ter um propósito novo. Hoje sei que era mesmo preciso cozinhar o livro todo, porque era preciso que eu me encontrasse com tudo isso. Me sinto mais convicto em relação ao modo como escrevo, com cozinho e até como faço meu trabalho como psicólogo – pude pensar em tudo que a cozinha, de um jeito metafórico e profundo, me faz pensar – porque quando a gente entende melhor o valor do tempo, tudo muda.

O projeto “Gratidão de todas as sextas” nasceu de um encontro – do meu com o livro. Mas ele gerou muitos outros encontros. Através do meu Instagram, milhares de pessoas acompanharam as postagens e compartilharam comigo o que sentiam com elas. A troca de narrativas que o projeto gerou e o alcance que ele teve me surpreendeu e me emocionou muito. Então tudo começou a ser algo maior e com mais sentido, onde quem ia acompanhando ia se transformando junto comigo, repensando sua relação com a comida e com o tempo. O projeto foi feito de encontros que deixaram muitas marcas. Pensar nisso me emociona muito, vai pra sempre emocionar.

Existe sim uma semelhança nesse projeto com o que Julie Powell fez com o livro de receitas de Julia Child – Vemos essa história no livro e filme Julie & Julia, que conta como Julie decidiu cozinhar as 524 receitas do livro de Julia em 365 dias. Essa história também me inspira, porque assim como Julie eu também fui salvo de uma vida um pouco triste e sem cor quando decidi que precisava cozinhar e escrever (quando o blog nasceu, aliás). Mas aqui, Paola foi minha Julia e “Todas as sextas” foi meu “Mastering the Art of French Cooking”.

Enfim, é isso. Acabou as 94. Algumas acertei muito que pulei de emoção, outras errei bastante. Todas me ensinaram muito. Eu tenho tanta coisa ainda pra dizer desse projeto, mas acho que isso não se encerra nunca, não cabe num texto, cabe dentro de mim e da bagagem que levo agora. Eu tive sucesso no projeto – mas um conceito diferente de sucesso. No mundo onde tempo é dinheiro, sucesso tem a ver com velocidade, rapidez, lucro em menos tempo e etc – e esse tipo de “sucesso” pode ser um slogan aniquilador e vazio. O sucesso que eu tive no projeto veio da calma e do tempo que corre diferente, veio das caminhadas longas por São Paulo buscando ingredientes, veio das tardes calmas esperando a panela cozinhar durante horas, do tempo que eu tinha enquanto esperava perto da panela e podia pensar nas coisas da vida, veio da emoção de compartilhar, veio da alegria de sentar e comer na mesa todas as receitas com alguém que eu amava. O sucesso veio de parar, respirar fundo, fazer, depois apreciar, e guardar pra sempre. O nome dessa história é gratidão. Como em todos os dias em que cozinhei cada uma das receitas, hoje eu só queria agradecer.

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Olhando na categoria do blog chamada “Gratidão de todas as sextas” você encontra todas as postagens, de cada uma das receitas. No meu Instagram também (@rodrigo.vilasboas) tem tudo lá. Também é possível encontrar os posts na hashtag #gratidaodetodasassextas .

 

Gratidão de todas sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 77/94: Picarones. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 77/94: Picarones. Levantei do sofá pra fazer essa receita no último domingo, 19:30. Domingos não foram dias muito fáceis ao longo da minha vida, mas isso tem mudado. A vida se transforma e as nossas marcas também. Aconteceu que nesse domingo um tom novo e bom se revelou claramente. Aí fui cozinhar – eu precisava registrar na cozinha essa marca nova, no domingo. Era em tudo isso que eu pensava enquanto fazia esses bolinhos peruanos, com massa à base de abóbora e batata doce, com uma calda cítrica perfumada como o cheiro que a existência autêntica tem. Enquanto eu transformava os ingredientes pensava na minha transformação pessoal. Era para os bolinhos ficarem em formato de rosquinha, mas não deu. A vida também não sai na forma ideal que a gente imagina, mas pode ser boa mesmo assim. Os bolinhos ficaram bons mesmo sem o formato ideal, se eles podem, a vida também pode. Espero que entendam. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 45/94: Frango com sumagre, laranjas e amêndoas. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 45/94: Frango com sumagre, laranjas e amêndoas. Um frango (frango mesmo, orgânico, que foi livre e de verdade) cheio de caldo, aroma e sedução, molhando um arroz simples e bom, que ficou mágico e bom quando o caldo o tocou. Frango com arroz junto me lembra muito a comida da minha mãe. Pode acontecer qualquer coisa nessa vida, mas o gosto do frango da minha mãe junto com o arroz dela é uma memória eterna. É bom às vezes deixar pra lá alguns gostos antigos do passado, de receitas que não deram muito certo na vida, mas alguns são bons de guardar pra sempre, nunca esquecer. Esse frango se enlaçou com minha memória afetiva, com a cozinha transcedental de Paola e com um dia generoso, e tudo foi lindo. Mais dessas memórias de guardar pra sempre. O iogurte é muito bom com tudo isso, só para constar. Obrigado mãe, obrigado Paola, obrigado frango (que nasceu, cresceu e viveu até chegar aqui) e obrigado pessoas que cuidaram do frango com toda dignidade que um frango merece. Tudo isso fez parte dessa experiência bonita, que eu agradeço muito.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 41/94: Sorvete de doce de leite com crocante de erva-doce.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 41/94: Sorvete de doce de leite com crocante de erva-doce. Eu não tenho máquina de sorvete, fiz na mão. Acho que o da máquina fica diferente, mas foi bom fazer na mão. Por algum motivo eu acho interessante e inspirador fazer as coisas com poucos recursos. Ter que criar um meio, dar um jeito de fazer o que tem que ser feito quando algo está faltando. Ter tudo que se precisa sempre e não ter que lidar com falta nenhuma empobrece um pouco a gente. Nada contra máquinas de sorvete, só estou pensando no quanto às vezes é gratificante se virar e fazer acontecer mesmo diante da falta. Após mexer de tempo em tempo e observar de muito perto a transformação da mistura, vi o meu doce de leite feito com tempo longo virar um sorvete incrível que trouxe uma alegria longa, que dura até agora. O crocante de erva-doce foi uma alegria extra e ficou lindo, cheiroso e bom. O gosto de tudo isso junto deixou uma marca – a cada colherada eu pensava nisso que fiz em casa, com pouquíssimas coisas, com muito tempo, disposição e via criativa. Transformar ingredientes transforma a gente, sempre deixa recados importantes. Muita gratidão. Que eu entenda todos os recados.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 30/94: Ovos de 6 minutos. Receita 31/94: Bagna cauda. Receita 32/94: Ovos com parmesão e flor de brócolis. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 30/94: Ovos de 6 minutos. Receita 31/94: Bagna cauda. Receita 32/94: Ovos com parmesão e flor de brócolis. Quando você entende o que um ovo é de verdade você o ama profundamente. Quando você entende que o modo de cozinhar um ovo é o que revela (ou não) o espetáculo dele, você o cozinha como se estivesse em um ritual. Os ovos de 6 minutos são uma oração. O Bagna cauda é um perfume para lembrar – um quase purê cheio de aroma cítrico e de mar (o cítrico que veio da laranja carinhosa do sítio dos meus padrinhos). O conjunto todo desse prato deixa a gente muito feliz. A flor de brócolis teve uma história especial: Comprei um brócolis ramoso que tinha botões todos fechados, quase florzinha nenhuma aberta, não achei diferente disso para comprar. Aí resolvi colocar ele ontem em um vaso, como um arranjo de flores, com água. Esperei com esperança que as florzinhas abrissem mais. Hoje quando cheguei do trabalho elas tinham aberto, não todas, mas muita delas, naquele amarelo poético revelador. Isso foi tão singelo, mas tão bonito. Eu agradeci ao brócolis, e também a possibilidade de criar caminhos alternativos para ter o necessário quando a vida não traz tudo pronto. Quando aprendemos essas coisas, acho importante agradecer. Obrigado.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as Sextas”, de Paola Carosella. Receita 29/94: Frango cozido lentamente em caldo claro e aïoli. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 29/94: Frango cozido lentamente em caldo claro e aïoli. Uma cor clarinha e tímida que exala um perfume avassalador, que tomou a casa inteira – diferente dos frangos baianos e tão colorful que costumamos ter aqui em casa, os frangos que minha mãe, baiana e intensa ao temperar, costuma fazer. Mas até ela se encantou com o perfume invasivo e sedutor que esse caldo claro exalou. Delicioso. Ir atrás de um frango de verdade, que foi um animal respeitado e teve a melhor vida que pôde. Uni-lo a vegetais que tem uma história e origem que pode nos dar orgulho e tranquilidade ao cozinhá-los. Escolher uma panela que eu gostasse (notando que realmente eu tenho um afeto especial por algumas panelas minhas). Cozinhar lentamente… (suspiros). Parar a pressa e só então compreender realmente o valor do tempo. O tempo que as coisas levam e precisam. O tempo sendo tocado e redescoberto, então apreciado. Notamos assim que a espera e maior duração não é perda de tempo, mas ganho de marcas importantes que as coisas só tem e deixam quando levam o tempo que precisam levar, e quando conseguimos deixar que esse tempo aconteça. Eu estou falando do frango, mas também estou falando da vida. Essa receita tocou profundamente o maior sentido desse projeto. Estou muito feliz, e queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 26/94: Romesco. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 26/94: Romesco. Um molho (o meu ficou mais uma pasta) boa para peixe, para legumes, boa para um pão, boa pra acender em você alguma coisa provocante e mesmo assim delicada, que te incendeia mas ao mesmo tempo aconchega e abraça. O preparo foi delicioso – amei cortar, assar, tostar, triturar, sentir o cheiro e afeto de todas essas etapas – e ver tudo virar isso, isso que pra mim é muito lindo, além de tudo de sabor, é lindo de ver. Essa receita eu fiz semana passada para postar hoje, porque hoje viajo para longe, mas ainda assim é dia de agradecer, dessa vez com o Romesco.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 25/94: Aïoli.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 25/94: Aïoli. Na verdade eu ia postar hoje uma receita que o Aïoli era só acompanhante, seria um post de 2 receitas e ele seria uma receita secundária, mas eu decidi que hoje queria falar só de Aïoli e dar um post só pra ele, porque ele não foi coadjuvante. Ele foi incrível e nos conduziu para uma viagem amorosa no paladar.  Ele abraça qualquer coisa que se envolve nele e a torna linda e fascinante, a torna boa, boa pra caramba, boa à beça. A vontade que fica é de fazer Aïoli todo dia, pra sempre. Fazer do jeito que eu fiz hoje: com o entusiasmo de quem faz um jantar carinhoso para a família, com ovos das galinhas felizes e livres do sítio da minha madrinha que ela me trouxe de presente e com o afeto que nos rodeia quando fazemos algo cheio de memória afetiva sobre o gosto lindo que esse algo tem. Esse deve ser um bom jeito e contexto de fazer Aïoli, porque ele ficou emocionante e eu não consigo esquecer o gosto dele nunca mais. Obviamente, hoje eu novamente só queria agradecer. Então, obrigado.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 24/94: Bruschetta de abobrinhas, menta e pecorina. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e veja o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 24/94: Bruschetta de abobrinhas, menta e pecorino. A sutileza da abobrinha crua, a ousadia elegante do limão siciliano e do hortelã – tudo isso em cima da sensualidade de um pão tostado com calor, energia e vontade. É mais do que um contraste de texturas – esse prato é um contraste de sensações importantes e opostas que de vez em quando estão juntas e criam uma cena perfeita. Abobrinhas num pão tostado. Um se desmonta com mais facilidade na boca, o outro pede mais energia e força. Quando os dois estão juntos, na mesma boca, é mágico e completo. Quase um conto erótico de tão intenso. Fazer esse prato e experimentá-lo foi se conectar com sensações fortes e delicadas ao mesmo tempo. Ele é tão simples de fazer e proporciona um sabor que conta alguma história muito complexa e cativante, de elementos diferentes que se complementam. Essas bruschettas foram a entrada da minha noite e já acabaram, só não sei quando termina essa sensação que elas deixaram. Obrigado natureza, obrigado abobrinhas, pão, ovelhas pelo queijo, e à todas as mãos que plantaram, cuidaram, colheram ou fizeram esses ingredientes que construiram, também com minhas mãos, essa experiência forte. Hoje eu só queria agradecer.