Gratidão de todas sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 77/94: Picarones. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 77/94: Picarones. Levantei do sofá pra fazer essa receita no último domingo, 19:30. Domingos não foram dias muito fáceis ao longo da minha vida, mas isso tem mudado. A vida se transforma e as nossas marcas também. Aconteceu que nesse domingo um tom novo e bom se revelou claramente. Aí fui cozinhar – eu precisava registrar na cozinha essa marca nova, no domingo. Era em tudo isso que eu pensava enquanto fazia esses bolinhos peruanos, com massa à base de abóbora e batata doce, com uma calda cítrica perfumada como o cheiro que a existência autêntica tem. Enquanto eu transformava os ingredientes pensava na minha transformação pessoal. Era para os bolinhos ficarem em formato de rosquinha, mas não deu. A vida também não sai na forma ideal que a gente imagina, mas pode ser boa mesmo assim. Os bolinhos ficaram bons mesmo sem o formato ideal, se eles podem, a vida também pode. Espero que entendam. Hoje eu só queria agradecer.

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Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 45/94: Frango com sumagre, laranjas e amêndoas. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 45/94: Frango com sumagre, laranjas e amêndoas. Um frango (frango mesmo, orgânico, que foi livre e de verdade) cheio de caldo, aroma e sedução, molhando um arroz simples e bom, que ficou mágico e bom quando o caldo o tocou. Frango com arroz junto me lembra muito a comida da minha mãe. Pode acontecer qualquer coisa nessa vida, mas o gosto do frango da minha mãe junto com o arroz dela é uma memória eterna. É bom às vezes deixar pra lá alguns gostos antigos do passado, de receitas que não deram muito certo na vida, mas alguns são bons de guardar pra sempre, nunca esquecer. Esse frango se enlaçou com minha memória afetiva, com a cozinha transcedental de Paola e com um dia generoso, e tudo foi lindo. Mais dessas memórias de guardar pra sempre. O iogurte é muito bom com tudo isso, só para constar. Obrigado mãe, obrigado Paola, obrigado frango (que nasceu, cresceu e viveu até chegar aqui) e obrigado pessoas que cuidaram do frango com toda dignidade que um frango merece. Tudo isso fez parte dessa experiência bonita, que eu agradeço muito.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 41/94: Sorvete de doce de leite com crocante de erva-doce.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 41/94: Sorvete de doce de leite com crocante de erva-doce. Eu não tenho máquina de sorvete, fiz na mão. Acho que o da máquina fica diferente, mas foi bom fazer na mão. Por algum motivo eu acho interessante e inspirador fazer as coisas com poucos recursos. Ter que criar um meio, dar um jeito de fazer o que tem que ser feito quando algo está faltando. Ter tudo que se precisa sempre e não ter que lidar com falta nenhuma empobrece um pouco a gente. Nada contra máquinas de sorvete, só estou pensando no quanto às vezes é gratificante se virar e fazer acontecer mesmo diante da falta. Após mexer de tempo em tempo e observar de muito perto a transformação da mistura, vi o meu doce de leite feito com tempo longo virar um sorvete incrível que trouxe uma alegria longa, que dura até agora. O crocante de erva-doce foi uma alegria extra e ficou lindo, cheiroso e bom. O gosto de tudo isso junto deixou uma marca – a cada colherada eu pensava nisso que fiz em casa, com pouquíssimas coisas, com muito tempo, disposição e via criativa. Transformar ingredientes transforma a gente, sempre deixa recados importantes. Muita gratidão. Que eu entenda todos os recados.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 30/94: Ovos de 6 minutos. Receita 31/94: Bagna cauda. Receita 32/94: Ovos com parmesão e flor de brócolis. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 30/94: Ovos de 6 minutos. Receita 31/94: Bagna cauda. Receita 32/94: Ovos com parmesão e flor de brócolis. Quando você entende o que um ovo é de verdade você o ama profundamente. Quando você entende que o modo de cozinhar um ovo é o que revela (ou não) o espetáculo dele, você o cozinha como se estivesse em um ritual. Os ovos de 6 minutos são uma oração. O Bagna cauda é um perfume para lembrar – um quase purê cheio de aroma cítrico e de mar (o cítrico que veio da laranja carinhosa do sítio dos meus padrinhos). O conjunto todo desse prato deixa a gente muito feliz. A flor de brócolis teve uma história especial: Comprei um brócolis ramoso que tinha botões todos fechados, quase florzinha nenhuma aberta, não achei diferente disso para comprar. Aí resolvi colocar ele ontem em um vaso, como um arranjo de flores, com água. Esperei com esperança que as florzinhas abrissem mais. Hoje quando cheguei do trabalho elas tinham aberto, não todas, mas muita delas, naquele amarelo poético revelador. Isso foi tão singelo, mas tão bonito. Eu agradeci ao brócolis, e também a possibilidade de criar caminhos alternativos para ter o necessário quando a vida não traz tudo pronto. Quando aprendemos essas coisas, acho importante agradecer. Obrigado.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as Sextas”, de Paola Carosella. Receita 29/94: Frango cozido lentamente em caldo claro e aïoli. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 29/94: Frango cozido lentamente em caldo claro e aïoli. Uma cor clarinha e tímida que exala um perfume avassalador, que tomou a casa inteira – diferente dos frangos baianos e tão colorful que costumamos ter aqui em casa, os frangos que minha mãe, baiana e intensa ao temperar, costuma fazer. Mas até ela se encantou com o perfume invasivo e sedutor que esse caldo claro exalou. Delicioso. Ir atrás de um frango de verdade, que foi um animal respeitado e teve a melhor vida que pôde. Uni-lo a vegetais que tem uma história e origem que pode nos dar orgulho e tranquilidade ao cozinhá-los. Escolher uma panela que eu gostasse (notando que realmente eu tenho um afeto especial por algumas panelas minhas). Cozinhar lentamente… (suspiros). Parar a pressa e só então compreender realmente o valor do tempo. O tempo que as coisas levam e precisam. O tempo sendo tocado e redescoberto, então apreciado. Notamos assim que a espera e maior duração não é perda de tempo, mas ganho de marcas importantes que as coisas só tem e deixam quando levam o tempo que precisam levar, e quando conseguimos deixar que esse tempo aconteça. Eu estou falando do frango, mas também estou falando da vida. Essa receita tocou profundamente o maior sentido desse projeto. Estou muito feliz, e queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 26/94: Romesco. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 26/94: Romesco. Um molho (o meu ficou mais uma pasta) boa para peixe, para legumes, boa para um pão, boa pra acender em você alguma coisa provocante e mesmo assim delicada, que te incendeia mas ao mesmo tempo aconchega e abraça. O preparo foi delicioso – amei cortar, assar, tostar, triturar, sentir o cheiro e afeto de todas essas etapas – e ver tudo virar isso, isso que pra mim é muito lindo, além de tudo de sabor, é lindo de ver. Essa receita eu fiz semana passada para postar hoje, porque hoje viajo para longe, mas ainda assim é dia de agradecer, dessa vez com o Romesco.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 25/94: Aïoli.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 25/94: Aïoli. Na verdade eu ia postar hoje uma receita que o Aïoli era só acompanhante, seria um post de 2 receitas e ele seria uma receita secundária, mas eu decidi que hoje queria falar só de Aïoli e dar um post só pra ele, porque ele não foi coadjuvante. Ele foi incrível e nos conduziu para uma viagem amorosa no paladar.  Ele abraça qualquer coisa que se envolve nele e a torna linda e fascinante, a torna boa, boa pra caramba, boa à beça. A vontade que fica é de fazer Aïoli todo dia, pra sempre. Fazer do jeito que eu fiz hoje: com o entusiasmo de quem faz um jantar carinhoso para a família, com ovos das galinhas felizes e livres do sítio da minha madrinha que ela me trouxe de presente e com o afeto que nos rodeia quando fazemos algo cheio de memória afetiva sobre o gosto lindo que esse algo tem. Esse deve ser um bom jeito e contexto de fazer Aïoli, porque ele ficou emocionante e eu não consigo esquecer o gosto dele nunca mais. Obviamente, hoje eu novamente só queria agradecer. Então, obrigado.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 24/94: Bruschetta de abobrinhas, menta e pecorina. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e veja o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 24/94: Bruschetta de abobrinhas, menta e pecorino. A sutileza da abobrinha crua, a ousadia elegante do limão siciliano e do hortelã – tudo isso em cima da sensualidade de um pão tostado com calor, energia e vontade. É mais do que um contraste de texturas – esse prato é um contraste de sensações importantes e opostas que de vez em quando estão juntas e criam uma cena perfeita. Abobrinhas num pão tostado. Um se desmonta com mais facilidade na boca, o outro pede mais energia e força. Quando os dois estão juntos, na mesma boca, é mágico e completo. Quase um conto erótico de tão intenso. Fazer esse prato e experimentá-lo foi se conectar com sensações fortes e delicadas ao mesmo tempo. Ele é tão simples de fazer e proporciona um sabor que conta alguma história muito complexa e cativante, de elementos diferentes que se complementam. Essas bruschettas foram a entrada da minha noite e já acabaram, só não sei quando termina essa sensação que elas deixaram. Obrigado natureza, obrigado abobrinhas, pão, ovelhas pelo queijo, e à todas as mãos que plantaram, cuidaram, colheram ou fizeram esses ingredientes que construiram, também com minhas mãos, essa experiência forte. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 23/94: Celli ripieni. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 23/94: Celli ripieni. Uma massinha crocante e aconchegante recheada com um doce de uva bem bonitão que tem nozes torradas dentro. O gosto das nozes depois de serem torradas faz toda diferença – o calor ativa, intensifica e confere alma nova as coisas. Eu gosto de coisas que podem se transformar através de sua própria composição e continuar ao mesmo tempo sendo elas mesmas, mas com algo novo. Dentro das coisas (dentro de nós) está contido um poder de transformação e sabor novo. A vida muda quando notamos isso. Lavar as uvas, separar, ferver, fazer o doce, a massa, esperar, modelar, assar. Minha tarde quente de verão no meu país tropical ficou agitada e bonita com essa receita. Acho que minha massa não ficou perfeita, deu certo trabalho pra fechar, mas tudo bem, a tarde foi linda, agitada e viva, e ficou uma delícia. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 21/94: Cremoso de chocolate com migalhas de cacau e creme inglês.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 21/94: Cremoso de chocolate com migalhas de cacau e creme inglês. Acho que estou descobrindo lentamente porque creme inglês é tão importante. Ele muda as coisas de um jeito generoso – neutraliza algo para melhor experimentarmos a essência genuína do doce que acompanha. Ele é gentil,  fornece espaço para outro brilhar. Alguns doces não seriam tão bons sem ele. Deviamos aprender algo com o creme inglês – tanto com sua generosidade (que da espaço para outros brilharem, sem cobrar nada) quanto com sua capacidade de proporcionar um estado neutro, que tira excessos e com leveza nos faz melhor compreender a verdade de uma coisa. Não sei se está tão claro tudo isso, porque estou falando de uma experiência sensorial com esse prato que me emociona e me lança em algo além. Quando o prato acabar uma coisa bem bonita vai ficar. O cremoso ficou incrível, a farofa de avelãs e cacau também, a fruta suculenta estava plena. Mas o creme inglês fez todo esse conjunto ficar emocionante. Paola me deu uma receita de emoção hoje. Um prato simboliza nossa posição na vida. Estou emocionado e feliz, e queria agradecer. Isso está muito gostoso.