Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as ssxtas”, de Paola Carosella. Receita 82/94: Stinco de cordeiro com laranjas e cenouras.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 82/94: Stinco de cordeiro com laranjas e cenouras. Conhecer de perto o tempo que cada carne leva para ficar maravilhosa, conhecer melhor o animal, suas características, seu gosto, que acompanhamento o dignifica –  Isso constrói na gente uma intimidade com a natureza. A gastronomia tem o poder de nos tornar mais intimos do mundo natural, e ele é tão impressionante que quanto mais nos aproximamos dele mais o respeitamos e nos sentimos honrados em ser sua parte. É, cozinhar pela primeira vez stinco de cordeiro, do jeito que a Paola indica, foi tudo isso. Ele ficou uma delícia, minha mãe comeu comigo e gostou muito, lembrou das panelas quentes da infância dela, da terra dela, onde os animais eram também muito respeitados e aproveitados do nariz até o rabo. Foi muito bom. Eu agradeço imensamente a intimidade com a natureza que esse projeto tem construído. Feliz.

Anúncios

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 81/94: Tagliolini verde com lulas frescas e tomates apimentados. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 81/94: Tagliolini verde com lulas frescas e tomates apimentados. Fazer massa. Eu não consigo te dizer o tanto que cabe nessa frase – nesse ato. Unir, amassar, esperar, abrir, cortar, encharcar com um molho muito generoso que respeite a massa e vice-versa, tudo, absolutamente tudo feito à mão – você sabe o quanto é emocionante sentar pra comer um prato desses? Tem você nessa comida, seu tempo, sua mão, sua energia, seu afeto – a comida que tem isso é sempre a mais fantástica. Nessa massa da Paola, que eu transformei também em uma experiência minha, também tem Caetano, que esteve comigo na cozinha enquanto ela se constituia – tem músicas que revolucionam a experiência de cozinhar. Foi uma tarde toda fazendo, pra comer só a noite, bem a noite. Poucas coisas na vida são tão emocionantes quanto pegar uma panela de ferro, pesada, cheia de comida linda, cheia de você e do que você tem de bom para oferecer, e por na mesa com força e emoção dizendo com entusiasmo: comam, está pronto! Estou revigorado. Estou muito grato.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 80/94: Torta de maçãs com masaa de brioche. 

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 80/94: Torta de maçãs com massa de brioche. Torta fechadinha, quente, com recheio de fruta, é a coisa certa a se fazer nos dias em que a vida não está muito legal. Uma das coisas mais mágicas da cozinha é um prato poder amaciar a gente, acariciar a gente, em dias em que a vida não está nada doce e aconchegante, como essa torta. A gente precisa aprender a entender quais sentimentos uma comida causa na gente, para saber o que fazer na cozinha em determinados dias. A tristeza ganha um tom diferente quando eu pinto ela com uma torta gentil – e essa, que tem massa de brioche… (suspiros de amor) é muito mais potente em gentileza e carinho. Ela entrou para meu repertório de receitas que ressignificam as durezas dessa vida, que às vezes é tão doida. Adorei a casquinha crocante e o recheio cremoso, quase chorei com o aroma dela quando sai do forno (é emocionante de verdade, não tô sendo hiperbólico), adorei experimentar, mais uma vez, as emoções profundas que a cozinha de alma guarda e cativa na vida. Obrigado, novamente. Dia de agradecer é um dia sagrado sempre. Amo sexta-feira.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 79/94: Cazuela de peixe. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 79/94: Cazuela de peixe. Além de tantas coisas e emoções fortes, um enorme presente desse livro foi estreitar minha relação com peixes. Eu não tinha muitos peixes em minhas memórias afetivas, mas agora os tenho. Um caldo respeitosamente feito com peixe é um dos gostos que mais me impactam agora, é um gosto gentil, tão amoroso. No geral comida com caldo em panela é amorosa, deve ter alguns motivos. Esse projeto tem me ampliado de muitos jeitos, e a ampliação de nossas possibilidades é algo maravilhoso – sorte a nossa quando podemos provar os tantos gostos que esse mundo tem. Faça um peixe com caldo e faça aïoli para acompanhar, é afetivamente bom. É bonito criar amores novos, afinal. Obrigado, peixes e Paola.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 78/94: Tortas rústicas de frutas, amêndoas e panna cotta. 

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 78/94: Tortas rústicas de frutas, amêndoas e panna cotta. Um post atrasado, porque ontem foi um dia intenso e não deu para postar – mas não tem problema, porque na real a lição mais forte do livro “Todas as sextas” é uma ressignificação do valor do tempo. Temos que aprender a esperar o tempo que as coisas precisam, nem tudo fica pronto na hora que queremos. Então, me sinto em paz em atrasar, afinal. Falando em tempo, essa foi uma receita que esse conceito estava presente. Esperar as muitas horas para a fruta ficar marinando no licor Amaretto, esperar as horas para a panna cotta atingir sua textura magestosa. Ficar à espera de algumas coisas nos ensina algo, devemos nos acalmar mais com a necessidade de esperar. Enfim. As texturas são lindas, eu gostei tanto dessa sobremesa que tenho vontade de fazê-la muitas outras vezes sem nenhuma preocupação em esperar o tempo que ela leva pra ser feita. Quando entendemos que o bom da vida leva um tempo, meus amigos, a vida muda. Obrigado, torta e Paola, por mais um contato com o valor do tempo.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 76/94: Vitello tonnato. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 76/94: Vitello tonnato. Uma carne que ficou 3 dias em um banho que transformou ela, e depois foi para a panela, ser transformada então pelo calor. Enquanto ela descansava eu vivi uma semana em que, devido a carne que descansava na geladeira, me vi algumas vezes pensando no tempo que as coisas levam e como a gente hoje em dia esqueceu que esperar é natural e importante, isso também foi transformador – enquanto a salmoura transformava a carne essa espera transformava alguma ideia em mim. Finalmente após o descanso, cozinhei a carne com ervas e vegetais pra dar perfume e carinho. Cozinhei ouvindo Chico Buarque, e isso também foi transformador, porque Chico nunca deixa na gente tudo no mesmo lugar. Se a gente fazer  direito e prestar atenção, depois de cozinhar um prato desses, nada fica exatamente no mesmo lugar, e isso é o maravilhoso da cozinha. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 74/94: Caldo do mar. Receita 75/94: Fumet de peixe. 

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 74/94: Caldo do mar. Receita 75/94: Fumet de peixe. Minhas mais profundas referências gastronômicas são todas muito longe do mar. O mar não é tão familiar pra mim, seu gosto é muitas vezes um mistério, uma estranheza e uma aventura na minha boca. Tento conhecê- lo sutilmente, me esvaziando o máximo que posso de preconceitos para mergulhar com alma no seu sabor, e eu gosto disso. Eu gosto do gosto não familiar das coisas, porque isso me revela o gosto da imensidão de possibilidades do mundo. Às vezes é mágico saber que no mundo há muito mais do que conhecemos e estamos familiarizados, é libertador. O gosto do mar é um convite profundo, que a gente precisa de coragem para aceitar – assim como o gosto de todo novo, de todo estranho à nós. Enquanto faço esse post estou aqui sentado de frente pro mar, sentindo um vento forte misterioso que parece me contar algo. Isso é bem emocionante,  na verdade. Obrigado mar, obrigado, Paola.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 71/94: Ajo blanco, pata negra e uvas frescas. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 71/94: Ajo blanco, pata negra e uvas frescas. Eu estava bem cansado antes de comer isso. Acho maravilhoso quando você está realmente cansado e come algo que te conduz para um nível de relaxamento impressionante, te enroscando num prazer que desata qualquer amargura. Pata negra é uma coisa profunda e boa, algo que a gente come e se sente muito sortudo por ter a honra de comer. O ajo branco é sútil e me descansa. O pão moro me arrepia sempre, eu gosto tanto. A uva também é importante, bonita e feliz junto nisso tudo. Esse prato é um descanso magestoso, ele é tão ideal pra ser comido sexta, tô feliz, obrigado, Paola.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 68/94: Coniglio a cacciotora in bianco con tagliatelle. Receita 69/94: Caldo de frango. Receita 70/94: Massa Alfredo. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 68/94: Coniglio a cacciatora in bianco con tagliatelle. Receita 69/94: Caldo de frango. Receita 70/94: Massa Alfredo. Cozinhar coelho é uma experiência muito delicada pra mim. Não sei exatamente porque, mas é. Me preocupo muito que ele fique bonito – cortes bonitos bem feitos, cor bonita, textura certa. Sabe quando um prato que te servem prende seu olhar e você nunca mais esquece a imagem dele? Então, é isso que acho que o coelho deve ser. O alecrim tempera esse coelho e isso concede uma emoção diferente pra ele. É uma emoção que vale a pena sentir na vida. A massa alfredo tem manteiga, queijo lindo e sálvia – uma massa assim faz a gente se sentir seguro quando come, é bom. Eu tinha um caldo de frango guardado que fiz outro dia, foi especial usar ele na receita do coelho, porque ele também é delicado e contém uma lição profunda sobre o tempo. É um caldo feito com tempo e verdade. As azeitonas tem caroços – e isso é muito simbólico, como Paola diz: “não sei em que momento da vida nos transformamos nesses seres tão chatos que queremos azeitonas sem caroço, peixe sem espinhas e todas carnes macias”. Entendem o que isso significa? Espero que entendam. Estamos esquecendo como as coisas de verdade e reais são. Obrigado Paola, por mais esse lembrete tão sério. Dia de gratidão.