Jamile Restaurante – a experiência de assistir a energia da cozinha ir para o prato e depois para você.

A cozinha viva do @jamile_restaurante , que acontece na sua frente enquanto você come (ela fica aberta no salão da casa) exala uma energia incrível, tornando a experiência ali algo muito genial – a energia que você assisti acontecendo na movimentação bonita e harmônica da cozinha vai para o seu prato e depois vai para dentro de você, construindo uma memória boa através do gosto. É emocionante. Sai de lá sinceramente feliz. A comida inteligente do chef @henrique_fogaca74 faz a gente querer aplaudir cada prato – que são modernos, com marca cultural brasileira e generosamente bons. Comi um carré de cordeiro ao molho de vinho do porto com couscous marroquino (foto 1), de entrada palmito pupunha assado em óleo de castanha do Brasil e manjericão (foto 2) e um charuto de chocolate com sorvete de pistache (foto 3). A casa tem um menu autoral de drinks que é um espetáculo a parte. No site do Jamile tem todo o cardápio com preços. Essa experiência foi um convite da @azeitegallo (parceira da casa), fico muito grato por uma noite absoluta de #sabormemoravel !

Site: www.jamilerestaurante.com.br

Endereço: Rua Treze de Maio, 647, Bela Vista, São Paulo – SP

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Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Continuando a última receita: O pão. 

​Sexta-feira passada não postei algo do projeto gratidão de todas as sextas (Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella ) porque só hoje foi possível seguir a próxima etapa da receita 94/94 que está em processo – O pão Arturito. Não pôde ser na sexta porque o tempo do pão não é o meu tempo programado, mas sim o tempo natural dele – e como temos visto, é ruim não respeitar o tempo que algo precisa para ficar realmente pronto. Nossa pressa é resultado da nossa incompreensão das coisas, esse projeto só tem sentido se eu respeitar o tempo, então atrasos fazem parte. Enfim. Enquanto eu estiver fazendo o pão vou compartilhando aqui com vocês a emoção de cada etapa – Hoje a água de fruta ficou pronta, depois de 5 dias, então comecei a fazer a massa madre. Vou alimentar essa massa durante 7 dias. É um cuidado intenso, que mexe com a gente. A generosidade do mundo natural mexe comigo. Vamos fazendo e sentindo esse pão. Compartilho pra tentar que sintam um pouco junto comigo. Se quiserem ver o post da primeira etapa do pão e todas as outras receitas do projeto Gratidão de todas as sextas é só ir na #gratidaodetodasassextas no Instagram ou olhar a categoria aqui do blog chamada “Gratidão de todas as sextas”.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Iniciando a última e simbólica receita: O pão arturito – o senhor do tempo. 

Hoje eu fui atrás de maçãs, queria encontrar maçãs significativas porque elas não são para uma coisa qualquer – São para a receita 94/94 do projeto “Gratidão de todas as sextas”, aquele que me comprometi a cozinhar as 94 receitas do livro “Todas as sextas” de @paolacarosella . Vou encerrar com essa receita de propósito. É o pão porque o pão é o senhor do tempo, e o livro é sobre comida, afeto e tempo. O projeto tem sido uma das experiências mais profundas de tempo que tive. Eu sabia que não ia sair igual dele, mas não achei que era tanto. Achei essas maçãs orgânicas, honestas, diferentes umas das outras, de verdade e lindas na @solliorganicos , então comecei a fazer a água de fruta – o primeiro processo do pão de fermentação natural. O pão começou a nascer hoje em uma caminhada bonita por São Paulo enquanto eu ia atrás das maçãs. Agora uma delas está fermentando na água, e o pão está a caminho. Acompanhem. E se quiserem ver as outras 93 receitas que já fiz do livro (coração chega a pular quando escrevo isso), é só olhar na hashtag do projeto #gratidaodetodasassextas no Instagram  ou dar uma olhada na categoria aqui do blog chamada “Gratidão de todas as sextas”, tem toda uma história lá. Enfim. Só queria dizer que o pão começou, e agradecer. A foto linda do pão do livro, do @emperorofhoxton , diz muito, como todas as outras imagens do livro dizem profundamente muito. O pão pronto na imagem e as maçãs que achei hoje – os dois lados extremos do processo de criação natural do pão. Essa foto é simbólica, espero que entendam.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 92/94: Massa para nero di seppia. Receita 93/94: Nero di seppia com lagostins frescos. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 92/94: Massa para nero di seppia. Receita 93/94: Nero di seppia com lagostins frescos. Essa era uma receita que eu achava muito dificil no inicio do projeto, talvez por isso ela foi ficando para o final. Foi uma surpresa, ao fazer ela, ir notando minha maior familiaridade com os ingredientes que eu, ao longo do projeto, fui aprendendo a tratar melhor. Uma das coisas mais lindas do livro e linguagem da Paola é ensinar a gente a tratar os bichos melhor, as plantas melhor, as coisas da cozinha melhor. Eu acho que isso muda pra sempre nosso modo de comer. Eu digo meio que emocionado que a massa ficou uma delícia, o molho, que foi feito com o sabor da cabeça e carcaça do bicho ficou uma delícia emocionante (porque é simbólico extrair um sabor lindo daquilo que muitos acham que não serve). O lagostim ficou em um ponto respeitável. Estou tão feliz com esse prato e com o que ter conseguido fazer ele bem significa pra mim. É, meus caros, chegamos na receita 93/94. Falta só 1. O pão. Essa ficou por último de propósito. Porque o pão é milenarmente simbólico. O pão é o senhor do tempo. O livro “Todas as sextas” é uma grande lição sobre o valor do tempo – que não é dinheiro (te contaram essa mentira). O tempo é o tecido de nossas vidas.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 91/94: Ceviche de Ostras. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 91/94: Ceviche de ostras. Ontem tive a sorte de encontrar pessoas gentis que venderam com sorrisos ostras fresquinhas. Também tive a sorte de morar em uma cidade-mundo onde se encontra de tudo e de todos (São Paulo é um presente). Tive a sorte de ter alguém que amo tão profundamente para comer as ostras comigo. Tivemos a sorte de ter um vinho muito bom para acompanhar uma tarde calma e boa, de descanso e frescor, o mesmo frescor das ostras. Tive a sorte de Paola ensinar um modo tão sagrado e bom de comer ostras e temperá-las. Pensei também na sorte que tive de ter encontrado Paola de algum modo, de ter inciado esse projeto e de ter tido disposição e convicção para estar hoje na receita 91/94 e ter aprendido tanto. Se isso não for motivo de gratidão, senhores, eu não sei o que é.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 90/94: Caldo de carne. 

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 90/94: Caldo de carne. Primeiro dourar no fogo as partes corretas do boi e os aromas da terra (os legumes), depois pegar tudo, já transformado pelo calor do fogo sagrado, e deixar cozinhando por 8 horas e meia – para o tempo fazer sua mágica, para o tempo extrair o melhor possível disso tudo. O cheiro e gosto complexo e intenso desse caldo é o cheiro e gosto do tempo. O tempo que as coisas levam e que não temos mais gostado de esperar, já que queremos tudo instantâneo. Foi profundamente emocionante fazer meu próprio caldo de carne, ver acontecer diante dos meus olhos o que genuinamente pode ser chamado de caldo de carne (e não qualquer coisa vendida por aí roubando esse nome sagrado). Nada faz você refletir tanto sobre o tempo quanto uma receita que precisa ficar quase 10 horas na panela, lentamente acontecendo. Eu estou transformado e esse caldo deixou uma marca forte em mim. Como não sentir uma vontade enorme de agradecer? Esse projeto tem me dado tanto… nem sei te contar. O tempo é mesmo o tecido de nossas vidas, ele não é dinheiro.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 89/94: Peito de boi braseado da Isabel com farofa do Lucas e taioba.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 89/94: Peito de boi braseado da Isabel com farofa do Lucas e taioba. Esse prato é tão bonito. Primeiro porque ele é indiscutivelmente delicioso. Porque em seu nome e apresentação no livro Paola fala de encontros bons e generosos que a cozinha traz e simboliza, fala generosamente de pessoas que trabalham com ela – essa é uma receita coletiva, e isso é tão significativo. Quando eu comi pensei nas histórias cruzadas e enlaçadas por trás dessa farofa, dessa taioba, dessa carne amorosa feita em panela. Carne na panela. Acho que também vi tanta beleza nessa receita porque ela até agora foi a que mais me lembrou a comida da minha mãe. Minha mãe é uma cozinheira de panelas, pesadas, fundas, com caldos grossos e carnes intensas. É realmente um prato muito bom, muito significativo, muito generoso. Hoje eu só queria agradecer, mesmo.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 87/94: Linguiça de porco. Receita 88/94: Gnocchi de ricota de búfala. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 87/94: Linguiça de porco. Receita 88:94: Gnocchi de ricota de búfala. Foi uma longa caminhada para ir atrás da ricota de búfala mais fresca que eu pudesse achar. Achei uma bonita, não acho que era a mais fresca de São Paulo, mas achei boa. É interessante rodar São Paulo atrás de um ingrediente, enquanto eu andava atrás da ricota tive tempo de olhar os detalhes da cidade, de respirar direito, de pensar nos detalhes da receita, de sentir. Me desconectei de um ritmo intenso e me conectei com alguma sutileza da vida. Acho que eu gosto quando um ingrediente é dificil de achar e exige idas e vindas por São Paulo, afinal. Fazer a linguiça artesanal foi mágico – o perfume dessa linguiça linda, que temperei acariciando gentilmente, parece que perfumou diferente a própria vida. Fiz a linguiça, fiz o molho, fiz o gnocchi. Fiz uma noite alegre aqui em casa. Fiz uma memória para agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 85/94: Stracciatella de Mimi.

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 85/94: Stracciatella de Mimi. Cheguei em casa, há 3 horas, depois de um longo dia, longa semana. Peguei um caldo de frango que estava guardado como um tesouro, na geladeira (fiz outro dia e guardei o caldo que sobrou pensando nessa receita). Pensei nessa receita durante a tarde toda hoje, porque ela soava aconchego, toda vez que folheava ela no livro sentia que era uma receita de abraço. E era isso mesmo, suave, gentil, exatamente o que eu precisava. Algumas receitas chegam em nossas vidas no dia certo. O dia hoje era da Stracciatella. É tão lindo pingar as gotas da massa úmida no caldo de frango quente e ver as bolotinhas se formando, naquele perfume, naquele carinho. Enfim. Eu queria, claro, agradecer, essas receitas que dão o sentido que um dia precisa ter. Feliz.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 84/94: Magret de pato curado. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 84/94: Magret de pato curado. Essa receita foi muito especial, porque observar o poder mágico de transformação do tempo é inspirador. Poder esperar o tempo das coisas e respeitar isso é transformador. Foram 2 dias no sal de cura, depois 10 dias curando, mantido com cuidado e carinho na geladeira durante esse tempo todo, como um tesouro. Quando a gente fica tanto tempo preparando uma coisa a gente pega um carinho forte por essa coisa, e na hora de comer foi de verdade uma autorealização, aquele perfume e gosto intenso foram uma recompensa muito bonita depois de tanta espera e cuidado, ficou registrado no meu coração. Comemos num domingo, com vinho, avelãs torradas e uvas, ouvindo Johnny Cash, com calma, sem pressa de nada. Ficamos encantados com o magret. Se encantar com as coisas é muito bom, na verdade é muito importante pra vida ter cor. Concluo então que o respeito ao tempo traz uma cor linda e real para o magret curado, assim como traz para a vida. Enfim. Obrigado, magret, tempo e Paola.