O que fazer no Vale do Loire (França) – a experiência nos castelos mais fascinantes da Europa e 2 dicas valiosas para os amantes da gastronomia!

Quando pensar na França, vá além de Paris. (pra mim ela é a cidade mais linda do mundo, mas a França é muito que ela). Há regiões que preservam os tempos antigos de um modo tão profundo que você de fato se sente numa outra época da história. É o caso do Vale do Loire – uma região que fica quase no centro da França. Lá estão, em vilas e pequenas cidades, uns dos castelos medievais e renascentistas mais lindos e conservados da Europa. A região é um conto de fadas vivo diante dos seus olhos que pela sua riqueza arquitetônica foi considerado patrimônio mundial pela Unesco.

O traçado histórico dos reis e rainhas da França estão em cada parede desses castelos. Quartos, jardins, móveis, vilas ao redor, obras de arte – um mergulho na história deslumbrante francesa.

Vou compartilhar com vocês a experiência em cada um dos castelos que visitei, e além disso, darei aqui 2 dicas imperdíveis para quem quer se emocionar um pouco através da gastronomia por lá: 1) A visita “doce” ao Château d’Amboise – onde veremos: uma vila encantadora aos pés do castelo, as marcas de Leonardo Da Vinci (que inclusive está enterrado lá) e uma confeitaria tradicional muito antiga onde você provará o melhor chocolate quente e macaron da sua vida! 2) Conhecer a cozinha do Château de Chenonceau – uma das cozinhas antigas de castelo mais preservadas da França (emociona demais qualquer um que gosta de gastronomia), além do castelo inteiro em si ser lindo!

Os Castelos e a experiência em cada um deles:

  • Château d’Amboise – A vila encantadora, Leonardo Da Vinci e o melhor chocolate quente e macaron que você provará na vida!

Parte lateral do Château d’Amboise

Talvez o maior charme do Château d’Amboise é ter bem aos seus pés uma vila antiga muito charmosa e preservada (muitos outros castelos de lá ficam em regiões de grandes campos, sem muita coisa por perto). Após visitar o castelo você pode caminhar por uma vila com estruturas medievais até hoje preservadas, e isso não tem preço.

O Castelo é lindo, tem marcas de sua época medieval mas também do traçado renascentista, mostrando a transição do tempo em sua arquitetura. Hoje o castelo tem apenas um quinto de sua construção original (o restante foi destruído nos períodos de guerra), mas se mantém fascinante.

Amboise e Leonardo da Vinci : O Rei Francisco I foi um grande ocupante desse castelo – rei que foi muito amigo e admirador de Leonardo Da Vinci, daí que vem uma das maiores famas da cidade de Amboise – ter sido onde Da Vinci passou os últimos anos de sua vida. Ele foi convidado pelo rei para sair de Roma e ir morar em Amboise, trabalhando e produzindo sua arte e engenharia a serviço do rei. Da Vinci ganhou um castelo só para si ( o Château du Clos Lucé – a casa de Leonardo da Vinci que hoje está aberta a visitação e é um museu em homenagem ao artista, mais um motivo para você não deixar de visitar Amboise). Leonardo da Vinci está enterrado na Capela Saint Hubert, que fica em um dos jardins externos no Château d’Amboise. Para quem admira esse gênio, é bem emocionante ver seu túmulo.

O túmulo de Leonardo Da Vinci

Pâtisserie Bigot em Amboise – O melhor chocolate quente e macaron da sua vida: Tem algo especial pra mim sobre viagens: além dos atos mais populares e turísticos (que sim, muitas vezes também são legais) gosto de me conectar com detalhes do lugar, aqueles que na euforia turística de fotos nos monumentos a gente acaba não se permitindo notar. Me conecto com esses detalhes principalmente nos lugares que como: Os hábitos das pessoas locais no lugar, o modo como é servido um prato, apresentado, as louças, o perfume do lugar junto com o perfume da comida que servem, e a delicadeza dos sabores e texturas – observar tudo isso e fechar os olhos é gravar pra sempre em você uma memória sensorial delicada. A Pâtisserie Bigot me proporcionou tudo isso – um ambiente com perfume de chocolate, num lugar notavelmente antigo (desses que a gente entra e sabe que as paredes e móveis contam histórias) e doces dispostos de um jeito lindo, como obras delicadas ao mesmo tempo que tem tom de “receitas de família”. Saindo da sua visita ao Château d’Amboise, essa confeitaria fica logo em frente, aos pés do castelo. Vá lá e peça – pelo menos – um macaron e um chocolate quente. Coma fazendo essas observações e grave na sua memória esse momento. Vale a pena.

O macaron e chocolate quente mais emocionante da minha vida – Pâtisserie Bigot

Pâtisserie Bigot

Amboise – vila aos pés do Château (no catinho dá para ver a entrada da Pâtisserie Bigot)

Clique aqui e acesse o site da Pâtisserie Bigot para saber mais sobre eles e sua história.

Clique aqui para acessar o site oficial do Château d’Amboise e verificar todas informações para sua visita.

Endereço da Pâtisserie Bigot: 2 Rue nationale, 37400 Amboise, França.

Endereço do Château d’Amboise: 37400, Amboise, França.

  • O Château de Chenonceau e a cozinha antiga mais impecável que vi na vida!

A beleza desse Château pra mim está na sua localização – que é no meio do rio Cher – sua construção se estende como uma ponte sobre o rio (foi inspirado na Ponte Vecchio de Florença), é lindo isso, no meio da natureza e da correnteza do rio um castelo se estende. Outro ponto interessante sobre ele é que foi um castelo ocupado e administrado por mulheres – desde a rainha Catherine de Médicis (mulher do rei Henri II) até Diane de Poitiers (amante do mesmo rei).

Esse château ficou protegido durante os períodos das guerras e por isso é um dos mais mobiliados e inteiros – e isso é um ponto alto sobre ele, porque ver toda mobília original te conecta muito com toda história do lugar. E daí que vem um dos pontos mais espetaculares pra mim: a cozinha antiga mais completa que já vi!

A cozinha do Château de Chenonceau: Panelas exuberantes de bronze, cestos antigos de pão, fornos de pedra, facas gigantes, pilões… enfim, você verá uma cozinha antiga completíssima! Algumas peças são originais, outras postas pra completar o cenário, o conjunto de tudo te faz entender perfeitamente o funcionamento majestoso da cozinha ancestral de um castelo antigo, onde eram preparados os imensos banquetes reais. Vale muito a pena, só pela cozinha, visitar esse Château!

A cozinha do castelo

O castelo possui três restaurantes. Um gastronômico chamado Orangerie (que é um self agradável) e uma creperie. Os visitantes também podem fazer piquenique no parque do castelo. Duas áreas para piquenique estão à disposição de todos, sendo uma delas coberta.

Clique aqui para acessar o site oficial do Château de Chenonceau e verificar todas informações para sua visita.

Endereço: 37150 Chenonceaux, França.

O Château d’Amboise e o Château de Chenonceau foram meus favoritos, mas indo ao Vale do Loire, não deixe de visitar também:

  • O Château de Chambord

Esse aqui encanta de cara pelo tamanho – é imenso, o maior de todos os castelos do Vale do Loire. Seu aspecto marca muito bem o período do renascimento francês. As inúmeras torres, escadarias e salões gigantes te conectam com toda majestade francesa. Gostei dele ter uma sala exclusiva onde há carruagens expostas (é difícil ver uma original). Outro ponto lindo é a escada central projetada por Leonardo da Vinci – duas escadas que se entrelaçam mas que nunca se cruzam – quem sobe uma das escadas não cruza nunca com quem sobe a outra (e isso é engraçado porque a impressão é de que é uma escada só, mas são duas “enroladas” – coisas de Da Vinci).

A escadas do Château de Chambord – projeto de Leonardo da Vinci

Clique aqui e acesse o site oficial do Château de Chambord e saiba tudo para sua visita.

Endereço: Château, 41250 Chambord, França

  • Château de Villandry

Um dos menores que tem, mas absolutamente lindo, principalmente por 2 motivos: É quase que 100% mobiliado – tem até louças e mesa de jantar posta, é bem impressionante o detalhe decorativo dele. E outro ponto que encanta são os jardins planejados – um dos mais lindos de toda França (eu fui no outono, então não vi a beleza toda dos jardins, mas quem viu se apaixonou muito).

Clique aqui e acesse o site oficial do Château de Villandry e saiba tudo para sua visita.

Endereço: 3 Rue Principale, 37510 Villandry, França.

Qual melhor cidade para se hospedar perto de todos os castelos?

Pra mim, a melhor opção de cidade para se hospedar em Vale do Loire é Tours – primeiro porque é perto e tem localização legal para ir até qualquer um dos castelos. Segundo porque é uma cidade mais movimentada, e tem coisas legais para se fazer a noite (conta com uma vida noturna gostosa – com bares e animação típica bôemia francesa) e restaurantes bons, além de ter hospedagens (como bastante Airbnb) a preços bem legais.

Estrada próxima já da cidade de Tours

Como chegar até o Vale do Loire de Paris?

Eu acho que a melhor opção é alugar um carro – em no máximo 3 horas dirigindo por estradas ótimas vocês chega ao Vale do Loire, partindo de Paris. As vantagens são: Viajar podendo parar nas cidadezinhas do caminho, parar para apreciar os tantos cantos lindos do interior da França… aí, isso não tem preço, te juro. E outra coisa: Para fazer as visitas aos castelos tem opções de ônibus, mas ter um carro facilita muito e faz você ganhar muito tempo. Realmente considere alugar um carro para essa viagem. Mas se não der, fique em paz, tem trem de Paris para diversas cidades da região, e aí para os trajetos entre castelo há ônibus.

É isso, há mais castelos que esses por lá, mas esses são os destaques! Quando for, crie as suas memórias e referências pessoais – porque pegar dicas é importante, mas criar as suas próprias, é fundamental!

Como fazer o clássico e perfeito macaron com recheio trufado!

Apesar de ser um clássico da confeitaria francesa, o macaron é de origem italiana, o nome vem de “maccherone” (“macarrão” em italiano, que designa “massa fina”). Foi levado para a corte francesa no século XVI por Catarina de Médici (a nobre italiana que se tornou rainha da França). Durante muito tempo a receita foi mantida em segredo, era só produzido para a nobreza, só a partir da revolução francesa que ele passou a ser produzido para consumo comum. O que era só um biscoito de merengue e amêndoas ganhou sua primeira versão recheada quando  Pierre Desfontaines uniu dois biscoitos com ganache de chocolate (esse que vos ensino abaixo então é a receita do primeiro macaron recheado que existiu, vejam vocês). Fazer macaron é uma ciência exata, não é tão difícil de fazer quanto parece, você só precisa levar os detalhes e dicas bem a sério, e voilà, terá essa belezinha.

Antes de começar, dicas importantes:

  1. Separe as claras que você usará das gemas e deixe em um pote fechado (pode ser coberto com plástico filme) 4 dias na geladeira. Esse processo de “envelhecer” um pouco a clara ajuda muito na consistência do macaron, pois a umidade da clara sofre alteração.
  2. É importante que os utensílios usados nessa receita estejam bem limpos e livres de traços de gordura, uma dica é passar caldo de limão e lavar, elimina vestígios de gordura.
  3. É bom que todos ingredientes estejam em temperatura ambiente.
  4. Você pode processar amêndoas ou comprar a farinha de amêndoas pronta. Os dois jeitos funcionam, porém uma farinha já feita costuma ser menos úmida e ajuda na textura do macaron.
  5. O açúcar impalpável é diferente do açúcar de confeiteiro, e é muito importante que seja usado o impalpável para os macarons. O açúcar impalpável tem 4% de amido de milho na sua composição, então se não achar ele para comprar você pode fazer em casa seguindo essa proporção (por exemplo, se quiser 100g de açúcar impalpável, misture 96g de açúcar de confeiteiro e 4g de amido de milho).
  6. Essa receita é muito delicada, para atingir sua perfeição até o clima do dia interfere, prefira dias mais secos, clima úmido interfere no resultado (juro).
  7. Sempre quando for assar uma nova formada dos macarons, coloque em uma fôrma fria, se colocar em uma morna ou quente desanda.
  8. Todas as medidas devem ser muito respeitadas, essa receita é uma ciência exatíssima!
  9. A temperatura do forno influência muito, infelizmente em fornos convencionais é difícil ter temperaturas exatas e estáveis o tempo todo do preparo, então precisamos considerar isso e aceitar que podemos fazer o melhor nas condições que temos. Se você seguir tudo certinho e seu macaron não crescer perfeitamente igual os das vitrines de Paris, não se preocupe, ele ficará também gostoso. Fazendo tudo certo ele cresce o suficiente para a textura e sabor serem lindas, mesmo que visualmente note-se algumas falhas (como não crescer muito pra ter aquele pezinho, por exemplo).

Qual tipo de merengue usar?

Existem 3 tipos de merengue usados para fazer macaron, são eles: o merengue francês (aquele mais tradicional onde você bate as claras e vai acrescentando o açúcar direto), o merengue italiano (onde você faz uma calda de açúcar quente e vai acrescentando nas claras em neve) e o merengue suíço (feito aquecendo as claras com o açúcar em banho-maria, procurando dissolver o açúcar nelas antes de bater). Todas funcionam bem, a diferença é que cada uma confere uma característica mais particular: o merengue francês deixa o macaron mais sequinho, o italiano deixa ele com uma textura mais “puxa-puxa” e o suíço deixa o meio mais úmido. Nessa receita vou ensinar com o suíço.

Ingredientes:

  • 125g de amêndoas sem pele ou 125g de farinha de amêndoas
  • 125 de açúcar impalpável
  • 125 de açúcar cristal
  • 130g de claras
  • Se for colorir, use o corante da cor que quer, ou se quiser fazer eles de chocolate, pode adicionar 20g de cacau em pó (o que não é o mesmo que chocolate em pó).

Modo de preparo:

Em um processador triture as amêndoas (ou a farinha de amêndoas) com o açúcar impalpável, se for fazer macarons de chocolate, triture o cacau em pó junto. Peneire e reserve.

Em um bowl ou panela, misture as claras com o açúcar cristal. Coloque água em outra panela que possa receber esse bowl  para fazer um banho-maria. Quando a água aquecer coloque então o bowl com a mistura de claras dentro da panela com água quente e misture para dissolver o açúcar nas claras. Cuidado para não cozinhar as claras, é preciso ficar nesse banho-maria só até o açúcar estar todo dissolvido (coloque o dedo dentro para ir verificando se ainda há cristais de açúcar). Quando todo o açúcar estiver dissolvido, leve a misture para a batedeira e bata em velocidade média inicialmente e depois aumente um pouco. Bata até o merengue atingir picos duros (que é quando você tira o batedor e o bico que se forma em sua ponta não dobra para o lado ao virá-lo). Seu merengue suíço está pronto. Se for colorir seu macaron, acrescente o corante agora e misture com cuidado até dissolver todo corante que colocou.

Acrescente então a mistura de secos no merengue e vá mexendo, fazendo movimentos circulares de baixo para cima. Esse processo de mexer a massa se chama “macaronnage”, serve para tirar um pouco do ar do merengue e deixar tudo em harmonia. Você precisa mexer até sua massa atingir o seguinte estado: Pegue uma colherzinha da massa e coloque em um pratinho, se o biquinho que se formar após você colocar no prato se desfazer em 6 segundos e a bolinha ficar lisa e uniforme, está pronto. Se demorar mais que isso, mexa mais. Esse é o ponto. Se mexer demais ou de menos o crescimento do macaron será prejudicado.

Atingindo o ponto, é hora de assar! Pré aqueça seu forno à 160 graus. Forre a fôrma que irá usar com uma folha de papel manteiga. Coloque a massa de macaron em um saco de confeiteiro e faça bolinhas sob o papel manteiga. Antes de assar, deixe a massa secar por uns 20 minutos, isso é importante.

Após a secagem, hora de levar ao forno para assar, e outro detalhe importante: Coloque a fôrma com os macarons dentro de outra fôrma, isso evitará um calor muito excessivo direto nos macarons e ajudará no crescimento. Se seu forno tiver a opção “delicado”, selecione essa opção (aquela que o calor costuma vir só de baixo e não de cima). Asse por cerca de 15 minutos, até crescer e um pezinho se formar na base. Às vezes o pezinho não se forma muito, acontece, mas o sabor e textura podem ficar bons mesmo assim. O macaron não deve dourar por cima, cuidado para não assar demais.

Retire do forno, deixe esfriar e tire do papel manteiga com cuidado. Protinho! Só rechear. Sem recheio os macarons duram, em um pote bem fechado, uns 4 dias, se rechear consuma em até 2 dias. Pode-se congelar, as casquinhas sem rechear, por até 3 meses, em um pote hermético.

Recheio:

Os recheios são inúmeros e você pode ser muito criativo. Aqui vou dar uma dica mas você pode rechear como quiser. Só evite usar frutas frescas, soltam água e isso estraga o macaron.

Para fazer um recheio de ganache de chocolate, clique aqui e veja como fazer uma autêtica ganache. Se quiser incrementar, após pronta acrescente no ganache um toque de algum licor que goste muito ou uma colher de sopa de azeite de oliva extravirgem, são combinações interessantes que acompanham o chocolate muito bem.

Seja feliz se aventurando e bon appétit!