Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 37/94: Massa de espinafre. Receita 38/94: Migas. Receita 39/94: Rabada braseada com ravióli de Mimi. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 37/94: Massa de espinafre. Receita 38/94: Migas. Receita 39/94: Rabada braseada com ravióli de Mimi. Uma das coisas mais importantes desse livro é resgatar na gente o valor do tempo – porque antes de terem dito que “tempo” é dinheiro, o tempo significava muitas coisas. O tempo é um produtor de marcas na gente, no tecido da nossa história, é muito mais que dinheiro. Quando você faz uma massa fresca em casa, quando você cozinha uma rabada por 4 horas, você para um tempo apressado e doente e entende o que realmente o tempo é, entende sua sagrada possibilidade de extrair o melhor das coisas se respeitarmos o quanto ele precisa durar. Eu fiz essa receita com a música lenta e intensa de Bob Dylan, e isso foi emocionante. Ele me conduziu na cozinha e tudo pareceu ter mais sentido. Eu nunca mais vou esquecer a tarde em que fiz essa receita. O mais incrível de cozinhar desse jeito são as marcas eternas que ficam. E eu queria também dizer que as migas (uma farofa de pão amanhecido) é algo que me deu alegria, desde o nome até o gosto fofo, enfim, só para constar. Obrigado Bob Dylan (a rabada ficou melhor através de sua música, foi outra experiência). Obrigado Paola.

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Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 27/94: Romesco de peixe com batatas. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 27/94: Romesco de peixe com batatas. Faz 3 semanas que não posto a receita da semana do projeto de gratidão. Eu estava num outro canto do mundo e não tinha uma cozinha ou tempo suficiente para cozinhar as receitas, tive que pausar. Mas agora é hora de voltar. Depois de longos e lindos 20 dias eu me debruço mais uma vez na cozinha e, ainda embaraçado nas memórias de uma viagem cheia de marcas fortes, cozinho. Cozinho o peixe, o molho, as batatas, com sentimentos de saudade, desejo, planos, detalhes de angústia e apertos, mas muita vida. Estava ali, tudo isso na cozinha junto comigo. Achei tão lindo a Paola no livro pedir para as batatas serem descascadas com cuidado, torneadas para ficarem lindas. Fiz o meu melhor para que ficassem. As batatas foram tratadas com muito carinho. Esse prato é lindo e bom. O modo como pude visitar meus sentimentos desses dias enquanto cozinhava, reencontrando o feito de minhas mãos, a natureza e meu modo de oração, também é lindo e bom. A cozinha, especialmente esses dias, é um divã, um colo que consola mas que ao mesmo tempo revela muito de nós a nós mesmos. Lembrando que o objetivo desse projeto é fazer, sentir algo enquanto faz, pensar em gratidão e compartilhar essa experiência toda. Então, isso tudo veio da minha cozinha essa semana, de mim, e do Romesco de peixe com batatas. É importante agradecer, e deixar a vida fluir. Tudo flui. Obrigado.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 25/94: Aïoli.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 25/94: Aïoli. Na verdade eu ia postar hoje uma receita que o Aïoli era só acompanhante, seria um post de 2 receitas e ele seria uma receita secundária, mas eu decidi que hoje queria falar só de Aïoli e dar um post só pra ele, porque ele não foi coadjuvante. Ele foi incrível e nos conduziu para uma viagem amorosa no paladar.  Ele abraça qualquer coisa que se envolve nele e a torna linda e fascinante, a torna boa, boa pra caramba, boa à beça. A vontade que fica é de fazer Aïoli todo dia, pra sempre. Fazer do jeito que eu fiz hoje: com o entusiasmo de quem faz um jantar carinhoso para a família, com ovos das galinhas felizes e livres do sítio da minha madrinha que ela me trouxe de presente e com o afeto que nos rodeia quando fazemos algo cheio de memória afetiva sobre o gosto lindo que esse algo tem. Esse deve ser um bom jeito e contexto de fazer Aïoli, porque ele ficou emocionante e eu não consigo esquecer o gosto dele nunca mais. Obviamente, hoje eu novamente só queria agradecer. Então, obrigado.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 23/94: Celli ripieni. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 23/94: Celli ripieni. Uma massinha crocante e aconchegante recheada com um doce de uva bem bonitão que tem nozes torradas dentro. O gosto das nozes depois de serem torradas faz toda diferença – o calor ativa, intensifica e confere alma nova as coisas. Eu gosto de coisas que podem se transformar através de sua própria composição e continuar ao mesmo tempo sendo elas mesmas, mas com algo novo. Dentro das coisas (dentro de nós) está contido um poder de transformação e sabor novo. A vida muda quando notamos isso. Lavar as uvas, separar, ferver, fazer o doce, a massa, esperar, modelar, assar. Minha tarde quente de verão no meu país tropical ficou agitada e bonita com essa receita. Acho que minha massa não ficou perfeita, deu certo trabalho pra fechar, mas tudo bem, a tarde foi linda, agitada e viva, e ficou uma delícia. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 22/94: Tomaticán. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 22/94: Tomaticán. Esse prato é tipo um grande amor pra vida inteira. Você se apaixona pelo mais essencial que o compõe, pelo conjunto da obra, você não enjoa nunca e encontra sempre algum tipo de conforto nele. É, estou apaixonado. Tomaticán é muito mais que uma sopa, é um romance. Alguns tomates maravilhosos com temperos certos, com a água certa, processos certos e outras coisas certas nos dão essa chance de amar um prato e o que ele cria a nossa volta. Como a natureza é estrondosamente maravilhosa. Que delícia é isso. Eu queria muito dar um beijo nas mãos de quem plantou e colheu os tomates lindos que usei. Tenho muita vontade de agradecer quando algo lindo acontece. Essa sopa – esse romance – foi lindo de comer. A vida nessa terra não teria agora o mesmo gosto se eu nunca tivesse feito, provado e amado Tomaticán. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 19/94: Doce de leite. Receita 20/94: A minha infância feliz. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 19/94: Doce de leite. Receita 20/94: A minha infância feliz. Ave Maria! Como doce de leite é bom, esse é bom pra caramba, demais da conta, à beça! Bom também foi ficar em volta da cozinha durante as 6 horas de cozimento lento e generoso do leite das santas vacas. Eu queria mesmo ficar ali, em volta da cozinha esse tempo todo. Em algum momento fiz algo errado (que ainda não entendi direito o que) e o leite subiu derramando um pouco. Uma sujeira. Foi muito divertido. Eu e meu irmão (que acompanhou o cozimento comigo) rimos muito de tudo em volta da situação. E a minha infância feliz? Uma sobremesa emocionante, que enche a gente de contrastes perfeitos – o iogurte com doce de leite, de chorar, peloamordedeus! Ela também me encheu de contato com outras horas, daquelas de tempos antigos, onde brincar de inventar o que comer preenchia tardes vazias. Um menino abria a geladeira e pensava. Com poucas coisas mas com muita criatividade e entusiasmo fazia o prato mais lindo da vida, ele achava. O nome dessa receita é perfeita – me traz mesmo a lembrança do meu caminho pra ser feliz quando eu era pequeno. Quantas lembranças hoje. A vida da gente tem muitos gostos. Hoje  eu só queria agradecer, por todos eles.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 18/94: Biscotti. 

 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 18/94: Biscotti. Que coisa linda, crocante e amorosa. Chove tanto em São Paulo esses dias. Minha sobrinha de 6 anos está de férias aqui em casa. Ela adora me ajudar na cozinha. Queriamos algum biscoito para o café da tarde ao som da chuva, resolvi então contar pra ela a história de um biscoito, para que ela compreendesse que eles não nascem nas prateleiras do mercado, e que podemos fazê-los com nossas mãos. E fizemos. Segundo Ana, minha sobrinha, cortar as amêndoas do biscotti com muito cuidado e amor era muito importante. Assim fizemos. Ela olhava com algum tipo de olhar fascinado o ovo se misturando na farinha, virando massa. Ela gosta dessa parte, e de ter a mão dela no meio disso. Ana aprendeu que o biscoito é a união de muitas coisas, que vem de muitos lugares – das plantas, das galinhas, do trabalho de pessoas. Ana também aprendeu o que a mão dela pode criar, e também o tempo que as coisas às vezes levam – ao invés de em 10 minutos ir no mercado e comprar biscoito, levamos 2 horas cortando, amassando, moldando, assando, esperando. Ela achou bom esperar. Foi uma tarde lenta, e o biscotti ensinou muitas coisas pra Ana. Ela deve ter sentido gratidão, e hoje nós dois agradecemos Paola juntos – ainda com o gosto lindo do biscotti na boca (são durinhos, crocantes, com um tom de erva-doce que abraça a gente, que mágico). Com café é inspirador.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 15/94: Coalhada. Receita 16/94: Dukkah. Receita 17/94: Cebolas na brasa, coalhada e dukkah.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 15/94: Coalhada. Receita 16/94: Dukkah. Receita 17/94: Cebolas na brasa, coalhada e dukkah. Tenho me emocionado tanto com os comentários das pessoas acompanhando o projeto que fazer as receitas tem tido uma carga de energia incrível. É absurdamente emocionante quando a gratidão se multiplica, acerta tantos, se torna um agente transformador na vida das pessoas. Eu tenho cada vez mais para agradecer através da cozinha. Essa semana, o dukkah ia ganhando forma e alma enquanto eu esmagava as sementes no meu pilão que veio da Bahia (um presente da minha mãe da terra criativa e amorosa dela) – ele é uma espécie de farofa/tempero de origem egípicia. Que cheiro, que sabor. Deu onda.  Amassei no pilão com toda minha energia. Como mandava a receita, foi romântico. E a melhor coalhada que já comi na minha vida? A que respeita e considera o tempo, que concentra, que no seu cremoso nos envolve no intenso de algo bom. Não sei direito explicar o que senti ao comê-la. Ainda sinto. A cebola assada na brasa – no fogo selvagem que foi domado pelo homem frágil diante da força natural. Fogo na cebola, terra do dukkah, o tempo e outros seres vivos fazendo a coalhada comigo. Cozinhar é um encontro com forças fortes e lindas. Paola ensina receitas que são uma oração, um retorno, um reencontro natural. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 12/94: Pão Moro. Receita 13/94: Picles. Receita 14/94: Berinjelas na brasa. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 12/94: Pão Moro. Receita 13/94: Picles. Receita 14/94: Berinjelas na brasa. Passou alguns minutos da meia noite mas emocionalmente ainda é sexta, está a tempo da postagem. Demorou porque eu acabei agora. Demorou porque foi a maior aventura até agora. Porque teve brasa, fogo selvagem real sendo domado para transformar a natureza em refeição. Eu não tenho ainda uma churrasqueira em casa, nem fogão a lenha, então eu fiz um fogo de chão, fogo artesanal com toda minha criatividade, paixão e coisas que eu encontrei no meu quintal para construir um local em que eu pudesse assar berinjelas (e cebolas, da próxima receita) na brasa real. A brasa do fogo acendeu algo em mim. O fogo é sensual, forte, intenso e poderoso. Cozinhar com fogo é introspectivo, é retornar à ancestralidade natural que nos compõe, é perdidamente lindo. E quanto ao picles que ficou 2 dias descansando para dar seu  melhor pra mim, eu sinto muita gratidão por isso. Sinto gratidão pelo que as cebolas viraram ao se tornar picles – pelo seu ácido, doce e força. O pão moro… (suspiros), com tanta magestade me ajudou a ficar mais feliz com tudo isso. Ele é fino, crocante, salgadinho, elegante, masgestoso. Berinjela na brasa, picles de cebola e pão moro – que explosão de vida esses sabores juntos tem. Eu mergulhei em algo intenso quando comi. Já acabou tudo, mas tem algo de hoje, algo quente da brasa e fresco do sabor, que ficará pra sempre em mim. Hoje eu só queria agradecer, pra caramba!

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 9/94: Massa para empanadas. Receita 10/94: Empanadas salteñas. Receita 11/94: Empanadas de humita.

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 9/94: Massa para empanadas. Receita 10/94: Empanadas salteñas. Receita 11/94: Empanadas de humita. Essas três receitas foram muito especiais de fazer. As outras também foram, mas essas tiveram algo especial – um pouco porque a primeira vez que “comi” a arte de Paola foram essas empanadas. Um pouco pelo que ela fala no livro sobre a história dela com as empanadas, mais daquilo emocionante que cria lampejos e ativa umas coisas importantes na gente. Um pouco porque empanadas, seus recheios, formas, detalhes, contam histórias lindas da América Latina. Um pouco porque não tem como uma receita que vai milho-verde fresco e manjericão não ser perdidamente apaixonante (as empanadas humita estão por isso pra sempre no meu coração). Eu fiquei em casa a semana toda, tive tempo. Foi mais de um dia para fazer essas 3 receitas. Foi poético, sensível e empolgante ficar mais de um dia fazendo elas, pensando em todos os elementos que as envolvem. Que bom foi ter tempo, respeitar o tempo das coisas e pensar em como tenho me relacionado com ele, o tempo. Eu me senti em paz e calmo fazendo empanadas. Minha massa não ficou perfeita, mas ficou gostosa. Um dia acerto mais no que faltou acertar. Mas ficou bom. Eu fiquei feliz. Obrigado novamente Paola, pela receita, pelo gosto das empanadas e pela chance de pensar no tempo – que é o tecido de nossas vidas. Hoje eu só queria agradecer.