Tapioca de cuscuz – e a simplicidade mágica de um café da manhã.

Às vezes, pra um dia começar em paz, a gente só precisa de cuscuz, tapioca, queijo, café e se propor. Desde sempre, cafés da manhã pra mim são oportunidades de sentir, através do simples, a vida mais leve (talvez um recurso que uso pra que ela, a vida, não escorregue das minhas mãos na complexidade cotidiana). Qual seu recurso simples de paz? Qual sua sustância emocional matinal para dar conta? Os cafés da manhã são simbólicos.

Como fazer:

Para fazer essa tapioca de cuscuz eu só misturei cuscuz pronto (veja abaixo como faço um em 3 minutos no microondas) com goma de tapioca. Aí coloco na frigideira, jogo por cima um pouco de algum queijo ralado e deixo o calor fazer seu trabalho. Não precisa virar (como nenhuma tapioca precisa). Uma casquinha crocante com gostinho de milho tostado fica por baixo e as outras camadas macias. É um sopro de vida. Hoje resolvi colocar também queijo fresco por cima, mas nem precisa.

Cuscuz de 3 minutos:

para 1 porção, coloque um pouco mais de meia xícara de chá de flocão (farinha de milho flocada, aquela pra cuscuz) em um recipiente que possa ir ao microondas. Coloque pitadas de sal e um pouco de água para hidratar e mexa com um garfo (quantidades, na intuição. Você precisa de uma farofa úmida, mas sem ficar encharcada). Leve ao microondas por 2 minutos. Tire e solte a mistura com um garfo. Coloque mais um pouco de água e acrescente, à gosto, manteiga de garrafa ou outra, misture. Acerte o sal. Pronto.

Torta de doce de leite baiano (ambrósia) e a poesia intensa do sertão nordestino!

Receita simples e fácil de uma deliciosa torta doce cheia de marca cultural! A estrela dessa torta é o doce de leite baiano (também conhecido como doce de leite talhado ou ambrósia), que é um preparo tradicional no sertão nordestino. Combinei esse doce com iogurte e uma massa crocante que criam juntos um contraste maravilhoso! Convido vocês para ter uma experiência cultural através dessa torta, sentindo toda a emoção autêntica e potente que o nordeste do Brasil tem!

Parte desse vídeo foi gravado lá, na viagem que fiz em janeiro para conhecer as terras da minha origem! A torta é tão deliciosa e linda quanto a riqueza do nordeste do Brasil! Vamos juntos pra lá através da torta e do video? A gente cozinha pra contar nossa história. Video completo no meu canal do Youtube, só clicar no video acima e conferir!

Receita afetiva que une 2 mundos. Curau brûlée com crumble de canela.

Hoje foi um puta dia lindo. Fui pra cozinha com tudo que eu sou e fiz um prato que quando terminei me vi nele – sabe o quanto isso é emocionante? Eu tenho um compromisso e laço intenso com as coisas da minha terra, em especial as coisas da Bahia da minha mãe. Mas também tenho uma conexão profunda com as coisas da Europa, que na minha infância minha madrasta me ajudou a conhecer. Em especial os detalhes franceses me emocionam. E é assim porque meus caminhos fizeram a história assim – os lugares de amor que ocupei me trouxeram essas referências. É uma história longa, não dá pra contar hoje, o que eu queria contar é que hoje o curau brûlée com crumble de canela que fiz é uma foto do mais profundo que me compõe. Eu suspeito que essa será a receita mais afetiva que compartilhei com vocês até agora.

O curau é com uma textura mais cremosa, que se aproxima do “crème brûlée” francês. O gosto lindo da canela vem através de uma farofa, o crumble, dando junto um crocante que casa lindo com o curau cremoso. O milho, que é uma grande referência da cozinha da minha família (e do meu país), usado com influências francesas. Estou tão feliz com esse prato. Uma mistura de detalhes franceses com marcas profundas do paraíso tupi-guarani – esse prato é isso, eu sou isso.

Ingredientes (rende 5/6 porções):

Para o curau:

  • 4 espigas de milho (ou o suficiente para encher 3 xícaras de chá com grãos debulhados)
  • 2 xícaras de chá de leite
  • 3/4 de xícara de chá de açúcar
  • 5 colheres de sopa bem cheias de creme de leite
  • Um pouco de açúcar para polvilhar e fazer o “brûlée”.

Para o crumble de canela:

  • 70g de açúcar
  • 110g de farinha de trigo
  • 65g de manteiga gelada
  • 3/4 de colher de sopa de canela em pó

Modo de preparo do curau:

Descasque as espigas, tirando toda palha e cabelos (se quiser, guarde alguns pedaços de palha para montar o prato, decorando). Tire os grãos das espigas, com uma faca ou utensílio específico, caso tenha. Coloque em seguida todos os grãos debulhados no liquidificador e acrescente o leite. Bata bastante até tudo estar bem processado e homogêneo.

Em seguida, coloque uma peneira sobre uma panela e peneire a mistura, para remover o bagaço do milho. Aperte bem na peneira para extrair o máximo de liquido possível. Leve então esse liquido ao fogo médio e acrescente o açúcar. Comece a mexer com um fouet, sem parar, enquanto o cozimento acontece. Quando levantar fervura, cozinhe por mais 5 minutos. O curau engrossa rapidinho, quando engrossar mexa com fervor, para evitar que empelote ou grude no fundo da panela, se perceber que isso está acontecendo retire do fogo um instante e bata bem com o fouet até ficar cremoso e uniforme, e então volte ao fogo. Após levantar fervura e após os 5 minutos de cozimento, desligue o fogo e acrescente o creme de leite, mexa bem.

Coloque em um refratário ou em potinhos individuais e leve para gelar por pelo menos 1 hora.

Modo de preparo do crumble de canela:

Em uma tigela, misture todos os ingredientes, esfarelando a manteiga com a ponta dos dedos para que ela se una aos demais ingredientes, construindo uma farofa. Manuseie o mínimo que puder, para evitar que a manteiga derreta muito. Após estar tudo misturado, com aspecto de uma farofa grossa e úmida, leve para a geladeira e deixe lá por 30 minutos (isso é importante para garantir a crocância legal do crumble). Enquanto isso, pré-aqueça o forno à 160 graus. Após o descanso coloque a farofa em uma fôrma, espalhando nela toda. Leve para assar por cerca de 10 minutos, ou até estar dourado. Retire do forno e deixe esfriar.

Montagem:

Você pode fazer o brûlée (casquinha de caramelo bem fininha que ficará na superfície do curau) direto nos potinhos em que deixou o curau esfriando ou pode, como eu gosto de fazer, tirar uma colherada bem cheia de curau, pôr em um prato sob uma palha de milho (veja na foto acima) e fazer o brûlée nele. Seja como for, o brûlée se faz assim:

Polvilhe uma fina camada de açúcar sob o curau e queime para virar caramelo – Você pode fazer isso de 2 jeitos: usando um maçarico culinário (mais prático e com resultados melhores), ou usando uma colher de ferro aquecida. Se usar o maçarico é só ir fazendo com ele movimentos circulares até “queimar” o açúcar e deixar ele no tom da imagem acima (sem queimar muito para não ficar amargo, tem que ficar bronzeadinho só, 10 segundos de maçarico em cada um é suficiente). Se for usar uma colher de metal faça da seguinte forma: Esquente ela na chama do seu fogão a gás até que ela esquente bastante (o metal ficará num tom azul e meio escurecido). Após aquecer encoste a colher no açúcar e faça movimentos circulares, até caramelizar toda a superfície. Antes de aquecer a colher novamente lave-a muito bem para não ficar resíduos.

Pronto, o curau está com o brûlée. Sirva com o crumble de canela (quebre em pedaços, eu gosto de deixar bem trituradinho). É realmente bom.

Espero que gostem. Essa é uma receita valiosa pra mim.

Bon appétit.

Carne de porco, abóbora assada com casca e farofa de semente de abóbora.

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Carne de porco temperada com respeito ao singular do ingrediente, para uma experiência de sabor coerente e gentil. Para acompanhar, abóbora assada com farofa de semente da mesma abóbora – o integral do ingrediente sendo observado, usado e apreciado, para a construção de uma refeição com gratidão e respeito à oferta total da natureza. Reeducar nosso olhar diante dos ingredientes e inaugurar novas formas de construir uma refeição – cozinhar pressupõe reinventar, explorar o natural e transformá-lo com amplitude. A gratidão ao que o mundo nos oferece se manifesta no modo como exploramos a natureza ofertada. A gratidão é a via mais linda do amor. Confira receita completa do prato abaixo – ao fazê-la, espero que a gratidão seja parte de sua refeição. Faça mais que o comum automático. Perceba seu ato com o alimento e olhe seu total.

Como fazer a carne de porco:

Clique aqui e veja um bom tempero para carne de porco – que respeita o animal, a origem, o seu natural e cria experiência sensorial plena. 

Como fazer a farofa de semente de abóbora:

Ingredientes:

  • Sementes de abóbora
  • Farinha de mandioca ou farinha de milho
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 1 dente de alho triturado
  • 1 colher de sopa de cebola picada em pedaços bem pequenos
  • Sal e pimenta rosa ou pimenta-do-reino à gosto
  • Coentro à gosto

Modo de preparo:

Lave bem as sementes de abóbora, deixe de molho na água por cerca de 20 minutos e depois retire e seque-as bem com um papel toalha. Então doure as sementes: Leve-as para uma frigideira quente, acrescente um pouquinho de sal e deixe dourar – vá mexendo. Quando estiver começando a ter cor dourada acrescente a manteiga, a cebola e o alho. Quando a manteiga derreter por completo adicione a farinha, ainda com 0 fogo ligado, para tostar um pouco a farinha – vá colocando farinha aos poucos, o suficiente para atingir o ponto de umidade desejado de sua farofa. Cuidado para não queimar! Mexa sempre. Pronto. Acrescente após desligar o fogo o coentro, se for usar.

Como fazer as abóboras assadas:

Pegue a abóbora da qual você extraiu as sementes e lave bem. Não tire a casca. Corte em pedaços de acordo com o seu gosto (veja na imagem os tamanhos que eu deixei). Coloque em uma forma, acrescente azeite de oliva e sal – apenas – e leve para assar em forno pré-aquecido à 200 graus por cerca de 20 minutos – depende da potência do forno, vá checando o ponto dela até atingir o desejado. Pronto.

Sirva a carne de porco temperada com respeito, com abóbora assada com casca e com a farofa de sementes da mesma abóbora. Que a gratidão à natureza seja parte. Boa refeição.

Receita de Cuca de Banana!

Cuca – palavra que fluiu da palavra alemã “kuchen”, que significa bolo. A cuca é um prato de origem alemã muito consumido no sul do Brasil. É uma espécie de bolo-pão, com uma farofa crocante por cima. Deliciosa, é uma herança cultural da colonização do sul do país, fazendo jus a gastronomia brasileira que dança entre tantas culturas e influências de todo o mundo. Eu adoro uma Cuca, é um prato aconchegante que abraça a gente. Confira receita completa abaixo! Fácil de fazer e difícil de errar – E o legal é fazer um prato tendo noção de que história ele conta e o que ele representa do lugar que vivemos e do espaço que hoje ocupamos. Agora que sabe um pouco vem tentar fazer, com maior consciência do que suas mãos irão produzir.

Abaixo receita, mas se quiser ver um video com todo passo a passo detalhado, só clicar aqui para conferir lá no IGTV no meu Instagram @rodrigo.vilasboas

Ingredientes para a massa:

  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 xícara de leite
  • 1 ovo
  • 8 colheres (não muito cheias) de sopa de açúcar
  • 2 colheres de sopa de fermento biológico instantâneo
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 8 bananas-prata cortadas em fatias
  • Caldo de meio limão taiti
  • 1 pitada de sal
  • 1 pitada de canela

Ingredientes da farofa:

  • 5 colheres de sopa de açúcar
  • 6 colheres de sopa de farinha de trigo
  • Cerca de 3 colheres de sopa de manteiga
  • Canela em pó

Modo de preparo – primeiro a massa:

Antes de começar já deixe uma forma (média) untada, então inicie: Misture o açúcar, o ovo, a manteiga e o sal, batendo com um fouet (ou garfo) até incorporar bem. Acrescente a farinha de trigo, o leite e o fermento, mexendo bem até dissolver tudo. Coloque na forma. Então corte as bananas em rodelas, coloque em uma vasilha, acrescente o caldo do meio limão e a pitada de canela em pó, misture um pouquinho só e coloque as bananas sobre a massa na forma. Reserve enquanto faz a farofa. E já pré-aqueça seu forno à 200 graus.

Modo de preparo – a farofa: É só misturar todos os ingredientes com a mãos até formar uma farofa, se ficar muito seca pode colocar um pouco mais de manteiga, se ficar muito molhada um pouco mais de farinha, tem que atingir uma consistência mais seca para ficar crocante ao assar.

Coloque então a farofa na forma por cima das bananas. Deixe a massa crescer por 20 minutos e depois leve ao forno por 40 à 45 minutos – até ficar douradinha.

Protinho! Bon appétit, tchê!