Julia Child: O mito que ensina sobre a possibilidade de inauguração existencial na arte de cozinhar.

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Julia Carolyn McWilliams  – A Julia Child –  para quem entende as inaugurações e ousadias que cozinhar é capaz de produzir em nossas vidas, falar de Julia é encontrar em uma história todo o amor e autenticidade que a cozinha produz e exala. O entusiasmo de uma mulher que decide não mais apenas comer, mas sim criar suas próprias experiências sensoriais na cozinha, revela o quão transformador a arte de cozinhar pode ser em uma história. Julia ousou desvendar a cozinha francesa, e através disso transformou não apenas sua vida, mas toda história da cozinha americana, inaugurando novas perspectivas culturais sobre o ato de cozinhar e comer. Julia, somada a outros artistas que tanto admiro (como Paola Carosella e Raíza Costa) foi enorme inspiração para que eu iniciasse um intenso mergulho em mim mesmo através da gastronomia, assim como foi essa mesma inspiração para milhares de pessoas.

Julia nasceu em 15 de agosto de 1912, na Califórnia (EUA). Sua história com a culinária começou após seus 30 anos, antes disso fez diversas coisas, já foi esportista (praticou tênis, basquete e até golf), trabalhou como redatora, e também trabalhou durante a segunda guerra mundial na OSS (Escritório de Serviços Estratégicos), foi onde conheceu Paul Cushing, militar que também trabalhava na OSS, com quem viria a se casar em 1946.

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Julia iniciou seu interesse por culinária quando mudou-se para França para acompanhar o marido. É encantador como a sensibilidade, a arte e o charme da cozinha francesa toca o sentido existencial dessa mulher, que decide compreender mais da cozinha, mais de si mesma, mais de um prazer que lhe renderia muito mais do que uma simples ocupação do tempo. Julia se matriculou na lendária Le Cordon Bleu de Paris, estudou, enfrentou desafios para lidar com preconceitos (mulher na alta gastronomia era – talvez ainda seja – um desafio grande). Começou então a entrar cada vez mais no mundo da gastronomia, até se envolver em um projeto com outras duas cozinheiras (Simone Beck e Luisette Bertholle), que juntas escreveram um livro de culinária francesa para americanos (O famoso “Mastering The Art of French Cooking”). A partir daí Julia iria aos poucos intrigar e encantar muitas cozinheiras americanas, as convidando a algo novo, tornando o que parecia ser algo tão distante muito acessível. Julia virou uma grande referência, virou apresentadora de televisão, com seu jeito irreverente, espontâneo e autêntico encantava a todos, mostrando o quão cozinhar poderia ser simples, grandioso, divertido e mágico. Seu famoso “Bon appétit” com o qual finalizava todos seus programas – dizendo de um jeito tão entusiasmado que faz a gente até rir ouvindo – é uma de suas maiores marcas.

Um dos mais famosos legados de Julia - "Mastering the Arte of French Cooking".

Um dos mais famosos legados de Julia – “Mastering the Arte of French Cooking” – Edição atual com 2 volumes. 

Conhecer Julia através do filme Julie & Julia (Clique aqui e confira artigo sobre o filme) ajudou a nascer um incomodo em mim, um incomodo que me dizia: “Ei, ta faltando você fazer alguma coisa que você sabe que quer fazer, não acha?”. Foi então que comecei a cozinhar mais, cozinhar todos os dias, encontrar (talvez reencontrar) a delicadeza, poesia e sensibilidade que meus dias estavam gritando por. Cozinhar preenche coisas importantes em mim, coisas que preciso. A história de Julia me ajudou a mergulhar mais na cozinha e nas minhas emoções, e isso somado a outras coisas me ajudou a parir o blog. Julia foi a porta para o encontro com uma possibilidade já habitante em mim à tempos, e que eu precisava desenvolver mais. Ela me faz ver o divã que vejo na minha cozinha e deitar nele, para encontrar a mim mesmo e construir as inaugurações existenciais que acredito que a cozinha é capaz de proporcionar.

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Bon appétit!

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Receita clássica francesa de mousse de chocolate (finalizado com chantilly de cachaça)

A profundidade cremosa e leve de uma mousse bem feita equilibrada com um chantilly de cachaça facinho – ó, chega arrepiar. Com poucos ingredientes e passos simples, você faz esse clássico charmoso francês (e se você é desses que quando ouve “clássico francês” imagina algo complexo, caro, difícil e até grita, para com isso meu bem, e vem cá mudar essa ideia). Adorable!

História do clássico: Mousse em francês significa “espuma”. Uma sobremesa que nasceu no início de 1900, em plena Belle Époque francesa, uma das épocas mais lindas, de onde às vezes eu acho que sou. Inventada pelo artista francês Henri Toulouse-Lautrec, era inicialmente chamada de “maionese de chocolate”.

Um clássico francês. Simples, mas que precisa ser exato. Ovos, manteiga, açúcar (os eternos protagonistas da confeitaria francesa) e chocolate – é tudo que você precisa. Experimente muito mais que o resultado final dessa receita, experimente também a suavidade ao prepará-la – Mergulhe com delicadeza e percepção aos momentos, valores e “encontros” que a cozinha pode te oferecer. Quase todo mundo sorri por fora ou por dentro ao comer uma mousse de chocolate – vamos sorrir então!

Abaixo receita completa escrita, mas se quiser, tem um video no IGTV do meu Instagram @rodrigo.vilasboas com todo passo a passo detalhado. Clique aqui para conferir!

Essa receita rende 4 porções pequenas ou 3 grandes.

Ingredientes:

  • 180g chocolate em pedaços pequenos
  • 5 claras
  • 3 gemas
  • 2 colheres e meia de sopa de açúcar
  • 2 colheres de sopa de água
  • 80g de manteiga sem sal
  • 1 colher de sopa de licor de laranja (opcional)
  • Para o chantilly de cachaça (que é opcional, tipo um plus meu na receita):
  • Cerca de 100 ml de creme de leite fresco (ou um que bata chantilly)
  • 2 colheres de sopa de cachaça
  • Cerca de 1 colher de sobremesa de mel

Modo de preparo:

Coloque o chocolate e a manteiga em um recipiente e derreta em banho maria até virarem uma coisa só, reserve. Leve uma panela ao fogo e coloque 2 colheres de sopa de açúcar e 2 colheres de sopa de água, ferva rapidamente até virar uma caldinha rala. Coloque as gemas em um recipiente e comece a bater, acrescentando a calda de açúcar quente aos poucos, batendo sempre, até virar uma mistura clara e fofa (o calor da calda irá cozinhar as gemas). Então acrescente essa mistura de gemas na mistura de chocolate, mexa bem para incorporar.

Comece a bater as claras em neve em uma batedeira ou com um batedor. Quando elas começarem a subir acrescente o restante do açúcar (meia colher de sopa) e continue batendo em uma velocidade mais baixa, até atingir o pico duro (em que fica firme e não se movimenta quando você vira de lado o pote da batedeira). Então acrescente metade das claras na mistura de chocolate, mexa delicadamente, com movimentos circulares de baixo para cima. Em seguida acrescente a outra metade e mexa da mesma forma. Delicadeza nessa etapa é o segredo para uma mousse leve como deve ser, então mexa com paciência.

Quando as claras desaparecerem e tudo for cor de chocolate está bom de misturar. Coloque em recipientes e leve à geladeira por no mínimo 2 horas, mas o ideal é umas 6. Antes de servir decore como quiser (peneirando cacau em pó ou com raspas de chocolate). Eu amo finalizar com esse chantilly de cachaça que vou ensinar abaixo, acho que dá um contraste lindo, que equilibra o doce e permite que a gente coma a mousse do inicio ao fim com aquela mesma emoção da primeira colherada.

Para fazer o chantilly de cachaça: Comece a bater o creme, quando começar a ganhar corpo acrescente a cachaça e o mel. Daí é só bater até ficar firme e cremoso. Finalize a mousse com ele por cima e se quiser, jogue um tico de cacau em pó por cima dele

Pronto, lindo e encantdor. Bon appétit!

Cinema e Gastronomia – Julie & Julia – Sobre o efeito transformador existencial da culinária, sobre o amor.

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Julie & Julia (Columbia Pictures, USA, 2009) – Como destacar o que mais me emociona nessa obra? Na verdade a coisa mais especial que esse filme me traz é uma espécie de iluminação, uma adição de cores que a vida pode ganhar quando nos envolvemos com algo que ressoa em nosso coração. No filme, cozinhar se mostra como um caminho que reaproxima a personagem principal dela mesma, é como encontrar um modo de se desafogar de uma vida cheia e ao mesmo tempo com alguns vazios insistentes – a aventura da arte de cozinhar preenche. Me identifico bastante com todos esses aspectos transformadores que uma prática significativa pode trazer para a vida de alguém. Cozinhar, brincar nessa arte de múltiplas experiências sensoriais é um modo de elaborar afetos, de saborear outras perspectivas da própria vida.

O filme conta a história de 2 mulheres envolvidas pelo amor que a culinária desperta em suas vidas. Encontramos a história da famosa (linda e lendária!) chef americana Julia Child nos primeiros anos de sua carreira culinária (Clique aqui e confira artigo sobre a cozinheira americana Julia Child), e da nova-iorquina Julie Powell, que em meio a uma época de questionamentos existenciais decide entregar-se ao mundo da culinária, dando-se então o desafio de cozinhar todas as 524 receitas do famoso livro de receitas de Child em 365 dias, um desafio que ela descreveu em seu blog popular que faria dela uma autora publicada. A história dessas duas mulheres, de épocas diferentes mas de sentimentos similares, é contada simultaneamente, contrastando o universo das duas e nos encantando a cada receita. É possível sentir o sabor desse filme e respirar o ar da França – em toda a magia e delicadeza da cozinha francesa que o filme traz.

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A obra é inspirada nas publicações dessas duas mulheres (A autobiografia de Julia Child – “My life in France“, seu lendário livro de receitas “Mastering The Art of French Cooking”, e o livro que deu origem direta ao filme, “Julie & Julia”, da encantadora Julie Powell).

O filme está disponível no “Netflix”, no aplicativo para assistir filmes online “Popcorn Time”, e no site “Filmes Online Grátis”.

Veja o trailer:

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Batatas Gratinadas Francesas (Gratin Dauphinois)


Gratin dauphinois – as clássicas batatas gratinadas francesas. Gosto muito de alguns antigos clássicos que são simples, feitos com pouca coisa, mas de modo delicado e realmente bom. Saber tratar coisas simples, as combinando com outras coisas igualmente simples que façam sentido, produz pratos capazes de nos emocionar tanto. Pra mim uma das coisas mais lindas da gastronomia é isso, conseguir se emocionar, por exemplo, com uma batata (que foi muito bem tratada).

O nome é gratin dauphinois porque esse prato é originário de Dauphiné, uma antiga província do sudoeste da França.
Rende cerca de 6 porções.

Ingredientes:

  • 1 kg de batatas
  • 300 ml de leite
  • 300 g de creme de leite fresco (pode ser aqueles de latinha)
  • Noz-moscada (Entre 2 e 4 pitadas)
  • Pimenta à gosto
  • 1 colher de chá de mostarda Dijon
  • 1 colher de chá de sal
  • 1 dente de alho
  • 1 colher de sopa de manteiga amolecida
  • Se quiser, algum queijo ralado para finalizar (no modo tradicional não vai queijo, mas eu gosto de colocar)

Modo de preparo:

Lave, descasque (se quiser, para esse preparo eu não me importo muito em descascar, não acho fundamental). Corte as batatas em rodelas bem finas, de aproximadamente 3mm de espessura. As rodelas serem finas permite que os sabores penetrem mais nas batatas, além de deixar seu preparo mais delicado e bonito. Coloque elas em uma panela com o leite, o creme de leite, a noz-moscada, a mostarda Dijon, a pimenta e o sal. Cozinhe em fogo médio por cerca de 13 minutos.

Pré-aqueça o forno à 220 graus. Corte o dente de alho ao meio e esfregue-o no interior de uma fôrma média, depois unte-a com manteiga. Após isso coloque a mistura de batatas na fôrma e distribua adequadamente . Se for usar queijo ralado, coloque agora por cima. Leve ao forno por 40 minutos (ou até dourar por cima).

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Bon appétit!

Receita de Aspargos à moda de Paris (Aspargos com Molho Allemande)!

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Aspargos à moda de Paris – Aspargos frescos servidos com molho allemande.  Eu fiquei encantado com o resultado dessa combinação! Eu não tenho adjetivos suficientes para descrever esse molho, sério… A harmonia do gosto da manteiga com um toque cítrico ficou tão sensacional… (suspiros de amor). Eu acho que rolou um amor real entre eu e essa receita. Nada como, mesmo depois de um dia difícil, fazer um molho tão apaixonante e notar o lado bom das coisas…

Ingredientes:

  • Cerca de 500g de aspargos frescos
  • Sal e açúcar (para cozinhar os aspargos)
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 2 colhares de sopa de farinha de trigo
  • 450ml de caldo de carne morno
  • 2 colheres de sopa de creme de leite
  • 2 gemas
  • O caldo de meio limão
  • Sal e pimenta-do-reino branca à gosto

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(Se for fazer uma quantidade menor de aspargos, pode cortar a quantidade de ingredientes pela metade e fazer da mesma forma que dará certo!)

Modo de preparo:

Comece pelo molho: Leve a manteiga à uma panela (não pode ser muito pequena!) e derreta, então acrescente a farinha de trigo e misture usando um fouet (fazendo o roux), quando essa mistura começar a ganhar um tom dourado (meio amarronzado) retire do fogo e vá acrescentando o caldo de carne aos poucos, sempre mexendo. Depois de por todo o caldo volte a panela ao fogo e cozinhe (mexendo sempre) por uns 10 minutos – se a consistência ficar muito grossa acrescente mais caldo. Após isso tire o molho do fogo e acrescente o creme de leite e as gemas e bata com o fouet. Coloque em seguida o limão, o sal e a pimenta-do-reino à gosto.

O molho finalizado.

O molho finalizado.

Cozinhe os aspargos: Ferva água, coloque nela uma pitada de sal e uma de açúcar, e então acrescente os aspargos – e deixe cozinhando na água fervente por 2 minutos! (Se passar não ficará na consistência perfeita!).

Sirva imediatamente os aspargos com o molho e sinta a felicidade consumir o seu ser. Eu não sou mais o mesmo depois dessa combinação. ♥

Bon appétit!

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Receita de molho mornay (Opção tradicional ou com dose extra de Mostarda Dijon).

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O Molho Mornay é um lindo descendente do Molho Béchamel – Bem parisiense e carregado de sabor suave e charme, como não amar? O preparo é bem fácil, segue praticamente o mesmo processo do Molho Béchamel, com apenas 2 ingredientes a mais (Para ver a receita do Molho Béchamel clique aqui). Esse molho pode ser consumido com inúmeros pratos, desde um croque-monsieur até diversos tipos de massas. Eu o fiz essa semana adicionando uma dose extra de mostarda dijon, o que ficou maravilhoso! (dou abaixo a opção de preparo com a dose normal e com a dose extra de mostarda dijon). Vamos ao preparo! (Essa receita rende aproximadamente o suficiente para acompanhar cerca de 350g de massa).

Ingredientes: 

  • 1 colher e meia de sopa de manteiga (Nem pensar em substituir por margarina! Clique aqui e saiba o porque)
  • 1 colher e meia de sopa de farinha de trigo
  • 300 ml de leite frio
  • De 1 colher à 1 colher e meia de café de sal (cuidado para não exagerar e cortar a suavidade do molho)
  • Meia colher de café de noz-moscada ralada (as raladas na hora tem mais presença)
  • Aproximadamente 50g de queijo parmesão ou gruyère ralado (eu prefiro por uma mistura dos dois!)
  • Meia colher de café de cravo-da-índia em pó
  • Mostarda Dijon (Para o preparo de um Mornay tradicional use apenas uma colher de café de mostarda dijon, e para o preparo de um Mornay com a dose extra de mostarda dijon que falei acima, acrescente 2 colheres e meia de café!).

Modo de preparo:

Primeiro faça o Roux (um preparo tradicional francês, que serve como base para muitos molhos). Ele consiste em cozinhar farinha de trigo na manteiga. Inicie pelo Roux da seguinte forma: Derreta a manteiga na panela e acrescente a farinha de trigo, então mexa sem parar com um fouet, por cerca de 2 minutos, até obter essa consistência, ó:

Quando estiver igual a segunda imagem é hora de colocar o leite e demais ingredientes!

Quando estiver igual a segunda imagem é hora de colocar o leite e demais ingredientes!

Então acrescente aos poucos o leite, sempre mexendo com o fouet. Em seguida acrescente o sal, a noz-moscada, o cravo-da-índia e a mostarda dijon (a quantidade de acordo com a opção de molho que você quer – o tradicional ou o com dose extra de dijon). Continue mexendo sem parar, em fogo baixo, por cerca de 5 à 8 minutos, até obter essa consistência (não deixe secar muito):

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Por último acrescente o queijo, mexa por 1 minuto e desligue! Prontinho! Abaixo sugestão de consumo – A opção com dose extra de dijon ficou MARAVILHOSA com o cappelletti de carne da Massas Romagnola! Coisa de sonho!

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Muffins de Croque-madame da Rachel Khoo!

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Rachel Khoo é uma linda (principalmente quando usa aquele batom vermelhíssimo ♥)! Eu amo as receitas e o modo como ela lida com a culinária francesa. É uma britânica que estudou e trabalhou com moda na Inglaterra, porém sua paixão por confeitaria a fez se render a gastronomia. Largou tudo e foi morar em Paris, estudou na lendária Le Cordon Bleu e hoje é uma sensacional e inspiradora chef! Seu programa (que virou livro) “A pequena cozinha em Paris” é sensacional e oferece muitos modos de mergulhar na culinária francesa. Bom, depois de toda essa referência, ficará ainda mais inspirador se aventurar em uma de suas mais famosas receitas: Muffins de Croque-madame. Aqui no blog já vimos a receita do croque-monsieur – o famoso sanduíche francês! Para ter um Croque-madame basta colocar um ovo por cima do croque-monsieur. Para que essa gracinha tenha um aspecto de muffin, Rachel o faz de um modo diferente, confira abaixo!

Ingredientes:

  • 1 receita de molho mornay (O molho mornay você obtém misturando de 50g à 100g de queijo gruyère ou parmesão ralado e uma pitada de cravo em pó (o cravo é opcional) à uma receita de molho bechamel – acrescente o queijo durante o preparo do bechamel, 1 minuto antes de desligar a panela – (Clique aqui para ver como fazer uma receita de molho bechamel)
  • 6 fatias de pão de forma sem a casca (se o pão de forma for grande é melhor!)
  • Manteiga amolecida para passar nas fatias de pão (o suficiente)
  • 6 fatias de presunto
  • 6 ovos inteiros
  • Um pouco de queijo parmesão ou gruyère para colocar por cima (opcional).
  • Você precisará de uma forma para muffins ou cupcakes.

Essa quantidade é para o preparo de 6 muffins.

Modo de preparo:

A primeira coisa à fazer é deixar seu molho mornay pronto (veja as instruções a cima que explicam isso). Estando o molho pronto, é hora de preparar as fatias de pão. Você precisa achatar as fatias de pão com um rolo, amassando elas, para que fiquem assim:

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Pincele um pouco de manteiga nos dois lados das fatias de pão. Agora você colocará as fatias de pão nos buracos da forma de muffin (ou cupcake), fazendo o pão ficar num formato de copo (observe como na imagem abaixo). Pré aqueça seu forno à 190 graus, então faça a montagem na seguinte ordem: Coloque o presunto, depois o ovo (atenção, se o ovo for muito grande e você notar que irá transbordar, retiro um pouco da clara!), coloque uma pitadinha de sal e pimenta do reino sobre o ovo à gosto. Então coloque de 1 colher e meia à 2 colheres de molho mornay sobre o ovo (vá dosando as colheradas de molho por igual sobre os  6 muffins, para que nenhum fique sem molho), e por último polvilhe queijo por cima. Observe na imagem esse passo a passo:

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Então leve os muffins ao forno por cerca de 15 à 20 minutos (o tempo na verdade depende do ponto em que você gosta dos seus ovos, então vá verificando com um garfinho!). Prontinho gente, essa gracinha francesa está pronta! Sirva imediatamente e seja muito feliz!

A cara deles assim que saem do forno!

A cara deles assim que saem do forno!

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Como fazer “Oeufs en cocotte” (Ovos na tigelinha) – Bem aconchegante e francês!

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Ovos são presenças ilustres em muitos pratos da cozinha francesa, presentes de vários modos em tanta coisa… Depois de me aventurar na culinária francesa passei a ter um olhar mais admirador e respeitoso para ovos! São tantas aplicações e possibilidades que chega a ser quase mágico! Ovos são uma verdadeira joia! Sem exageros, gente! (Ou com exageros sinceros!) ♥

Essa é mais uma receita francesa, que caí muito bem servida como entrada ou como prato principal acompanhado de um pãozinho. Ela é uma gracinha, e simples!

Ingredientes:

  • 1 receita de molho mornay (O molho mornay você obtém misturando de 50g à 100g de queijo gruyère ou parmesão ralado e uma pitada de cravo em pó (o cravo é opcional) à uma receita de molho bechamel – acrescente o queijo durante o preparo do bechamel, 1 minuto antes de desligar a panela – Clique aqui para ver como fazer uma receita de molho bechamel)
  • 4 Ovos
  • Sal, Pimenta-do-reino e noz-moscada à gosto
  • Alho-poró cortado em rodelas (opcional)
  • Um pouco de queijo parmesão ou gruyère ralado para finalizar.

Modo de preparo:

Tudo é tão simples que chegar a parecer besta. Mas é lindo, delicioso e sofisticado! Comece pré-aquecendo seu forno à 180 graus. Pegue 4 ramequins (ou qualquer tigelinha que possa ir ao forno – até mesmo xícaras de chá) e coloque em cada um deles uma colher de sopa bem cheia do molho mornay, em seguida coloque algumas rodelas de alho-poró. Então coloque um ovo inteiro por cima, coloque um pouco de sal, pimenta-do-reino e noz-moscada. Coloque então outra colher de molho mornay por cima, e espalhe um pouquinho de queijo parmesão ou gruyère ralado.

Coloque os ramequins em banho-maria em uma forma (com a água já morna), coloque água até cobrir metade da altura dos ramequins. Leve ao forno por cerca de 20 minutos, porém vá verificando o ponto das gemas, para que elas fiquem ao seu gosto.

Depois que tirar do forno, decore com umas rodelinhas de alho-poró, cebolinha ou a erva fresca perfumada que tiver. E prontinho! Aproveite!

Bon appétit!

Obs: Esse é um jeito que gosto bastante de fazer, mas há varias formas. Você pode fazer a base (primeira camada do fundo) com o que quiser – cebola refogada na manteiga, cogumelos refogados, purê, etc – colocar o ovo e ao invés do molho mornay usar creme de leite puro na última camada, salpicando noz-moscada, sal e pimenta para temperar e finalizando com queijo. A ideia é ter um ovo cozido no forno em banho maria numa mistura cremosa. Use sua criatividade (e o que tem em sua geladeira).

Como fazer Sabayon de champanhe com morangos e tomates-cereja.

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Mais uma sobremesa com a delicadeza e amor da culinária francesa: Sabayon de champanhe com morangos e tomates-cereja (nome original: Sabayon de champagne avec fraises et tomates cerises). Ingredientes simples juntos da forma certa, o segredo é esse! Algo legal que essa receita também permite notar é a interessante semelhança de sabor dos morangos com os tomates-cereja, poeticamente delicioso e surpreendente!

Ingredientes:

  • 200g de morangos (Se forem pequenos corte-os ao meio, se foram grandes corte-os em quatro).
  • 100g de tomates-cereja (corte-os ao meio ou em quatro, e retire as sementes).
  • 4 gemas
  • 2 colheres e meia de sopa de açúcar
  • 100ml de champanhe

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Modo de preparo:

Deixe os morangos e os tomates cortados conforme descrito e reserve-os. Então comece a preparar o sabayon! Coloque as gemas e o açúcar em uma tigela em banho-maria (no fogão, fogo médio), não precisa ser uma tigela muito grande. Bata com um fouet até ficar meio esbranquiçado, mais ou menos nesse tom:

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Então acrescente o champanhe e bata até o sabayon ficar grosso e meio espumado ( o tempo para chegar a esse ponto varia de acordo com o modo que está sendo batido e temperatura, mas normalmente leva cerca de 20/30 minutos para tingir o ponto certo). Algo que ajuda a verificar o ponto é fazer um movimento leve com o fouet e ver se o movimento deixa rastro no creme, isso mostra que a consistência engrossou. Estando nesse ponto seu sabayon está pronto! (rimou!) Eeeee!

Note a área dentro do círculo: O rastro do fouet se mantém, isso mostra que o sabayon engrossou e já está no ponto!

Note a área dentro do círculo: O rastro do fouet se mantém, isso mostra que o sabayon engrossou e já está no ponto!

Para servir divida em partes iguais o preparo do sabayon em 4 pratinhos (não fica uma quantidade exagerada mesmo, é normal ficar pouco em cada prato).

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Então coloque os morangos e os tomates-cereja por cima, e aí é só servir! Se não for servir na hora deixe o sabayon na geladeira, e só coloque os morangos e tomates na hora de servir. Delicie-se e sinta o charme dessa coisinha linda francesa!

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Bon appétit!

Cinema e Gastronomia – A Festa de Babette – Uma história de amor com a gastronomia e com a vida.

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A Festa de Babette (1987) é uma história de amor com a gastronomia, com a arte e com a própria poesia da vida. Um filme mais que recomendado para os amantes da gastronomia, em uma história onde a arte de cozinhar faz parte da alma da personagem principal, que resgata seu entusiasmo diante da vida preparando um jantar tradicional francês impecável. Após conturbado caminho na vida, através desse jantar Babette sente-se viva novamente. O que para muitos é apenas “fazer comida”, para outros é uma forma de significar a vida.

O filme conta a história de Babette, um francesa que em 1871 foge da França durante uma repressão à Comuna de Paris. Encontra refugio em um vilarejo da Noruega, onde começa a trabalhar como empregada na casa de duas irmãs solteiras, religiosas e caridosas. Esse vilarejo tem um clima tradicional, religioso e fechado, onde seus moradores experimentam poucos prazeres, e seguem tradições que com os anos foram perdendo o sentido para eles. Em meio a desentendimentos e desavenças entre os moradores dos vilarejos, o clima estava cada vez ficando mais tenso e sem harmonia, com vidas vazias de sentido. Eis então que Babette, que mantinha o habito de apostar na loteria francesa, acabou por ser premiada, e decide usar todo o dinheiro que ganhou para resgatar do fundo de sua alma uma antiga paixão que deixou na França quando fugiu de lá: o amor pela gastronomia. Ela gasta toda a fortuna preparando um tradicional jantar francês, e o oferece para todos os moradores da vila. A magia se encontra no efeito que os moradores sentem ao provar a arte de Babette, experimentando um prazer novo e totalmente diferente do que haviam experimentado até então.

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Através de um jantar, feito com arte, cultura e tradição gastronômica, Babette foi capaz de despertar novos horizontes e olhares nos moradores da vila (assim como nela própria), os fazendo questionar algumas coisas e encontrar novamente algum encanto na vida. Acho uma ilustração linda do que a arte – a gastronomia – é capaz de fazer pela vida de alguém. Os amantes de cozinhar, que encontram amor nesse ato, sabem bem o que isso quer dizer. Filme inspirador que vale muito a pena!

Assistam o filme completo clicando abaixo (Link youtube):