Como fazer Crepes – O lanche nacional francês!

Rua e Parques de Paris tem sabor de crepe – Esse lanche orgulho nacional francês nos acompanha nas longas caminhadas por Paris. A origem dele é britânica, foi adotado há tempos pelos franceses, e hoje em dia tem crepe sendo vendido em cada canto da capital francesa. Aprenda como sentir o gosto das ruas de Paris através do crepe – Confira receita tradicional com todos segredinhos para um crepe amor real!

Hoje de tarde, estava com mais coisas na cabeça do que é bom estar, então pedi licença pra tudo que era excesso dentro e fora de mim e fui fazer crepes.

Juntei:

1 xícara de chá de farinha de trigo
1 e 1/4 xícara de chá de leite
2 ovos
1 colher de sopa de açúcar
E 1 pitada de sal.

Misturei tudo com um fouet, sem agitar muito a massa, só o suficiente pra ficar homogêneo (crepes não gostam de muita agitação). Quando uma massa precisa de movimentos gentis, eu sinto paz fazendo esses movimentos. Depois deixei descansar 1 hora na geladeira, e descansei junto, na sala, ouvindo Gal, ouvindo o vento, ouvindo meus sentimentos que nem sempre me dou espaço pra ouvir. Tirei da geladeira e fritei na frigideira antiaderente quente, untada com manteiga, porções bem pequenas por vez, crepe é bom fino – sabe quando a gente joga uma meia concha de massa e vai rebolando a frigideira pra espalhar e fazer um disco fino? É isso. Dourei os 2 lados até achar a cor bonita. Comi passando creme de avelã. Rende 7/9 crepes. Rende uma tarde diferente, com cheiro de crepe, com chance de paz.

Quanto aos recheios:

Você pode comer crepes com quase tudo que quiser! Doces ou salgados ficam bons com muitas coisas: Nutella, doce de leite, ganache, queijo e tomate, queijo e presunto, bechamel, etc. Crie e ame!

Bon appétit!

Como fazer Ovo Poché!

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Cortar um Ovo Poché e ver o mostrar-se da gema é uma emoção muito parecida com quebrar a casquinha do Crème Brûlée. Sentir seu sabor, tão delicado, lembrando quase um queijo, é uma experiência quase religiosa, meio transcedental. E para ir aos céus com tudo isso, você precisa só de um ovo fresco, água, sal e vinagre. Existem momentos importantes do preparo que garantem a perfeição, eu sempre segui isso e nunca errei um Ovo Poché! Veja abaixo o passo a passo!

Ingredientes:

  • 1 Ovo
  • Vinagre branco (aproximadamente 2 colhares de sopa)
  • Sal

Modo preparo:

Ferva água em uma panela pequena, com certa profundidade (o suficiente para a altura da água atingir uns 4 dedos de profundidade). É legal uma panela pequena e mais fundinha, pois isso te ajuda a fazer o redemoinho de água mais forte (quanto mais rasa e larga a panela, mais difícil é fazer um redemoinho forte que segure bem o ovo quando você colocar ele). Quando a água esquentar acrescente o vinagre e um pouco de sal e então espere ferver. Enquanto isso quebre o ovo com cuidado para não desfazer, e o coloque em uma concha (estando em uma concha fica mais fácil de você colocar na panela do jeito certo). Então quando a água estiver fervendo comece a fazer movimentos circulares nela com uma colher, criando um redemoinho forte no centro – eis o momento mais importante do preparo de um Ovo Poché perfeito: Colocar o ovo!

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Note o redemoinho de água no centro.

Depois de fazer os movimentos circulares e ter um redemoinho no centro acrescente o ovo EXATAMENTE no centro do redemoinho – é muito importante que caia no centro.

Quando cai na água da a sensaçãp de ter se espatifado. Mas fique tranquilo, se caiu bem no centro do redemoinho dará tudo certo! Ele roda um pouco assim que cai, acompanhando o rodar do redemoinho.

Quando cai na água da a sensaçãp de ter se espatifado. Mas fique tranquilo, se caiu bem no centro do redemoinho dará tudo certo! Ele roda um pouco assim que cai, acompanhando o rodar do redemoinho.

Então feche a panela e desligue o fogo. Se quiser uma gema mais para mole deixe 5 minutos desse modo (eu prefiro nesse ponto), se quiser mais dura deixe 7 minutos. Depois é só retirar o ovo com uma escumadeira, delicadamente, e morrer de amor pela delicadeza e sabor! Ficam perfeitos servidos com torradas douradas com manteiga! Aproveite esse clássico europeu e seja feliz!

O ovo inteiro antes de cortar.

O ovo inteiro antes de cortar – Servido com torradas e um creme balsâmico de laranja e mel.

Julia Child: O mito que ensina sobre a possibilidade de inauguração existencial na arte de cozinhar.

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Julia Carolyn McWilliams  – A Julia Child –  para quem entende as inaugurações e ousadias que cozinhar é capaz de produzir em nossas vidas, falar de Julia é encontrar em uma história todo o amor e autenticidade que a cozinha produz e exala. O entusiasmo de uma mulher que decide não mais apenas comer, mas sim criar suas próprias experiências sensoriais na cozinha, revela o quão transformador a arte de cozinhar pode ser em uma história. Julia ousou desvendar a cozinha francesa, e através disso transformou não apenas sua vida, mas toda história da cozinha americana, inaugurando novas perspectivas culturais sobre o ato de cozinhar e comer. Julia, somada a outros artistas que tanto admiro (como Paola Carosella e Raíza Costa) foi enorme inspiração para que eu iniciasse um intenso mergulho em mim mesmo através da gastronomia, assim como foi essa mesma inspiração para milhares de pessoas.

Julia nasceu em 15 de agosto de 1912, na Califórnia (EUA). Sua história com a culinária começou após seus 30 anos, antes disso fez diversas coisas, já foi esportista (praticou tênis, basquete e até golf), trabalhou como redatora, e também trabalhou durante a segunda guerra mundial na OSS (Escritório de Serviços Estratégicos), foi onde conheceu Paul Cushing, militar que também trabalhava na OSS, com quem viria a se casar em 1946.

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Julia iniciou seu interesse por culinária quando mudou-se para França para acompanhar o marido. É encantador como a sensibilidade, a arte e o charme da cozinha francesa toca o sentido existencial dessa mulher, que decide compreender mais da cozinha, mais de si mesma, mais de um prazer que lhe renderia muito mais do que uma simples ocupação do tempo. Julia se matriculou na lendária Le Cordon Bleu de Paris, estudou, enfrentou desafios para lidar com preconceitos (mulher na alta gastronomia era – talvez ainda seja – um desafio grande). Começou então a entrar cada vez mais no mundo da gastronomia, até se envolver em um projeto com outras duas cozinheiras (Simone Beck e Luisette Bertholle), que juntas escreveram um livro de culinária francesa para americanos (O famoso “Mastering The Art of French Cooking”). A partir daí Julia iria aos poucos intrigar e encantar muitas cozinheiras americanas, as convidando a algo novo, tornando o que parecia ser algo tão distante muito acessível. Julia virou uma grande referência, virou apresentadora de televisão, com seu jeito irreverente, espontâneo e autêntico encantava a todos, mostrando o quão cozinhar poderia ser simples, grandioso, divertido e mágico. Seu famoso “Bon appétit” com o qual finalizava todos seus programas – dizendo de um jeito tão entusiasmado que faz a gente até rir ouvindo – é uma de suas maiores marcas.

Um dos mais famosos legados de Julia - "Mastering the Arte of French Cooking".

Um dos mais famosos legados de Julia – “Mastering the Arte of French Cooking” – Edição atual com 2 volumes. 

Conhecer Julia através do filme Julie & Julia (Clique aqui e confira artigo sobre o filme) ajudou a nascer um incomodo em mim, um incomodo que me dizia: “Ei, ta faltando você fazer alguma coisa que você sabe que quer fazer, não acha?”. Foi então que comecei a cozinhar mais, cozinhar todos os dias, encontrar (talvez reencontrar) a delicadeza, poesia e sensibilidade que meus dias estavam gritando por. Cozinhar preenche coisas importantes em mim, coisas que preciso. A história de Julia me ajudou a mergulhar mais na cozinha e nas minhas emoções, e isso somado a outras coisas me ajudou a parir o blog. Julia foi a porta para o encontro com uma possibilidade já habitante em mim à tempos, e que eu precisava desenvolver mais. Ela me faz ver o divã que vejo na minha cozinha e deitar nele, para encontrar a mim mesmo e construir as inaugurações existenciais que acredito que a cozinha é capaz de proporcionar.

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Bon appétit!

Receita clássica francesa de mousse de chocolate (finalizado com chantilly de cachaça)

A profundidade cremosa e leve de uma mousse bem feita equilibrada com um chantilly de cachaça facinho – ó, chega arrepiar. Com poucos ingredientes e passos simples, você faz esse clássico charmoso francês (e se você é desses que quando ouve “clássico francês” imagina algo complexo, caro, difícil e até grita, para com isso meu bem, e vem cá mudar essa ideia). Adorable!

História do clássico: Mousse em francês significa “espuma”. Uma sobremesa que nasceu no início de 1900, em plena Belle Époque francesa, uma das épocas mais lindas, de onde às vezes eu acho que sou. Inventada pelo artista francês Henri Toulouse-Lautrec, era inicialmente chamada de “maionese de chocolate”.

Um clássico francês. Simples, mas que precisa ser exato. Ovos, manteiga, açúcar (os eternos protagonistas da confeitaria francesa) e chocolate – é tudo que você precisa. Experimente muito mais que o resultado final dessa receita, experimente também a suavidade ao prepará-la – Mergulhe com delicadeza e percepção aos momentos, valores e “encontros” que a cozinha pode te oferecer. Quase todo mundo sorri por fora ou por dentro ao comer uma mousse de chocolate – vamos sorrir então!

Abaixo receita completa escrita, mas se quiser, tem um video no IGTV do meu Instagram @rodrigo.vilasboas com todo passo a passo detalhado. Clique aqui para conferir!

Essa receita rende 4 porções pequenas ou 3 grandes.

Ingredientes:

  • 180g chocolate em pedaços pequenos
  • 5 claras
  • 3 gemas
  • 2 colheres e meia de sopa de açúcar
  • 2 colheres de sopa de água
  • 80g de manteiga sem sal
  • 1 colher de sopa de licor de laranja (opcional)
  • Para o chantilly de cachaça (que é opcional, tipo um plus meu na receita):
  • Cerca de 100 ml de creme de leite fresco (ou um que bata chantilly)
  • 2 colheres de sopa de cachaça
  • Cerca de 1 colher de sobremesa de mel

Modo de preparo:

Coloque o chocolate e a manteiga em um recipiente e derreta em banho maria até virarem uma coisa só, reserve. Leve uma panela ao fogo e coloque 2 colheres de sopa de açúcar e 2 colheres de sopa de água, ferva rapidamente até virar uma caldinha rala. Coloque as gemas em um recipiente e comece a bater, acrescentando a calda de açúcar quente aos poucos, batendo sempre, até virar uma mistura clara e fofa (o calor da calda irá cozinhar as gemas). Então acrescente essa mistura de gemas na mistura de chocolate, mexa bem para incorporar.

Comece a bater as claras em neve em uma batedeira ou com um batedor. Quando elas começarem a subir acrescente o restante do açúcar (meia colher de sopa) e continue batendo em uma velocidade mais baixa, até atingir o pico duro (em que fica firme e não se movimenta quando você vira de lado o pote da batedeira). Então acrescente metade das claras na mistura de chocolate, mexa delicadamente, com movimentos circulares de baixo para cima. Em seguida acrescente a outra metade e mexa da mesma forma. Delicadeza nessa etapa é o segredo para uma mousse leve como deve ser, então mexa com paciência.

Quando as claras desaparecerem e tudo for cor de chocolate está bom de misturar. Coloque em recipientes e leve à geladeira por no mínimo 2 horas, mas o ideal é umas 6. Antes de servir decore como quiser (peneirando cacau em pó ou com raspas de chocolate). Eu amo finalizar com esse chantilly de cachaça que vou ensinar abaixo, acho que dá um contraste lindo, que equilibra o doce e permite que a gente coma a mousse do inicio ao fim com aquela mesma emoção da primeira colherada.

Para fazer o chantilly de cachaça: Comece a bater o creme, quando começar a ganhar corpo acrescente a cachaça e o mel. Daí é só bater até ficar firme e cremoso. Finalize a mousse com ele por cima e se quiser, jogue um tico de cacau em pó por cima dele

Pronto, lindo e encantdor. Bon appétit!