Receita afetiva que une 2 mundos. Curau brûlée com crumble de canela.

Hoje foi um puta dia lindo. Fui pra cozinha com tudo que eu sou e fiz um prato que quando terminei me vi nele – sabe o quanto isso é emocionante? Eu tenho um compromisso e laço intenso com as coisas da minha terra, em especial as coisas da Bahia da minha mãe. Mas também tenho uma conexão profunda com as coisas da Europa, que na minha infância minha madrasta me ajudou a conhecer. Em especial os detalhes franceses me emocionam. E é assim porque meus caminhos fizeram a história assim – os lugares de amor que ocupei me trouxeram essas referências. É uma história longa, não dá pra contar hoje, o que eu queria contar é que hoje o curau brûlée com crumble de canela que fiz é uma foto do mais profundo que me compõe. Eu suspeito que essa será a receita mais afetiva que compartilhei com vocês até agora.

O curau é com uma textura mais cremosa, que se aproxima do “crème brûlée” francês. O gosto lindo da canela vem através de uma farofa, o crumble, dando junto um crocante que casa lindo com o curau cremoso. O milho, que é uma grande referência da cozinha da minha família (e do meu país), usado com influências francesas. Estou tão feliz com esse prato. Uma mistura de detalhes franceses com marcas profundas do paraíso tupi-guarani – esse prato é isso, eu sou isso.

Ingredientes (rende 5/6 porções):

Para o curau:

  • 4 espigas de milho (ou o suficiente para encher 3 xícaras de chá com grãos debulhados)
  • 2 xícaras de chá de leite
  • 3/4 de xícara de chá de açúcar
  • 5 colheres de sopa bem cheias de creme de leite
  • Um pouco de açúcar para polvilhar e fazer o “brûlée”.

Para o crumble de canela:

  • 70g de açúcar
  • 110g de farinha de trigo
  • 65g de manteiga gelada
  • 3/4 de colher de sopa de canela em pó

Modo de preparo do curau:

Descasque as espigas, tirando toda palha e cabelos (se quiser, guarde alguns pedaços de palha para montar o prato, decorando). Tire os grãos das espigas, com uma faca ou utensílio específico, caso tenha. Coloque em seguida todos os grãos debulhados no liquidificador e acrescente o leite. Bata bastante até tudo estar bem processado e homogêneo.

Em seguida, coloque uma peneira sobre uma panela e peneire a mistura, para remover o bagaço do milho. Aperte bem na peneira para extrair o máximo de liquido possível. Leve então esse liquido ao fogo médio e acrescente o açúcar. Comece a mexer com um fouet, sem parar, enquanto o cozimento acontece. Quando levantar fervura, cozinhe por mais 5 minutos. O curau engrossa rapidinho, quando engrossar mexa com fervor, para evitar que empelote ou grude no fundo da panela, se perceber que isso está acontecendo retire do fogo um instante e bata bem com o fouet até ficar cremoso e uniforme, e então volte ao fogo. Após levantar fervura e após os 5 minutos de cozimento, desligue o fogo e acrescente o creme de leite, mexa bem.

Coloque em um refratário ou em potinhos individuais e leve para gelar por pelo menos 1 hora.

Modo de preparo do crumble de canela:

Em uma tigela, misture todos os ingredientes, esfarelando a manteiga com a ponta dos dedos para que ela se una aos demais ingredientes, construindo uma farofa. Manuseie o mínimo que puder, para evitar que a manteiga derreta muito. Após estar tudo misturado, com aspecto de uma farofa grossa e úmida, leve para a geladeira e deixe lá por 30 minutos (isso é importante para garantir a crocância legal do crumble). Enquanto isso, pré-aqueça o forno à 160 graus. Após o descanso coloque a farofa em uma fôrma, espalhando nela toda. Leve para assar por cerca de 10 minutos, ou até estar dourado. Retire do forno e deixe esfriar.

Montagem:

Você pode fazer o brûlée (casquinha de caramelo bem fininha que ficará na superfície do curau) direto nos potinhos em que deixou o curau esfriando ou pode, como eu gosto de fazer, tirar uma colherada bem cheia de curau, pôr em um prato sob uma palha de milho (veja na foto acima) e fazer o brûlée nele. Seja como for, o brûlée se faz assim:

Polvilhe uma fina camada de açúcar sob o curau e queime para virar caramelo – Você pode fazer isso de 2 jeitos: usando um maçarico culinário (mais prático e com resultados melhores), ou usando uma colher de ferro aquecida. Se usar o maçarico é só ir fazendo com ele movimentos circulares até “queimar” o açúcar e deixar ele no tom da imagem acima (sem queimar muito para não ficar amargo, tem que ficar bronzeadinho só, 10 segundos de maçarico em cada um é suficiente). Se for usar uma colher de metal faça da seguinte forma: Esquente ela na chama do seu fogão a gás até que ela esquente bastante (o metal ficará num tom azul e meio escurecido). Após aquecer encoste a colher no açúcar e faça movimentos circulares, até caramelizar toda a superfície. Antes de aquecer a colher novamente lave-a muito bem para não ficar resíduos.

Pronto, o curau está com o brûlée. Sirva com o crumble de canela (quebre em pedaços, eu gosto de deixar bem trituradinho). É realmente bom.

Espero que gostem. Essa é uma receita valiosa pra mim.

Bon appétit.

Des Deux Moulins – O Café da Amélie Poulain e um passeio por Montmartre (Paris).

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Fachada do Des Deux Moulins

Parada obrigatória em Paris para quem, assim como eu, ama o filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain), pois trata-se justamente do café em que Amélie trabalha no filme:  Des Deux Moulins (Sim, ele existe!). Para quem se encantou com a poesia desse filme (que ficou bem famoso mundo a fora) é uma experiência que agita o coração entrar no lugar e conseguir identificar todo o cenário daquela história carregada de poesia e detalhes “doces”. Eu adoro o filme e toda a “poesia do simples” que ele evoca, e estar lá foi sensacional. É um lugar indispensável de visitar para aqueles que sabem “que até mesmo as alcachofras tem coração…”

O Café fica bem perto de dois moinhos: O Famoso Moulin Rouge e o Moulin de la Galette, daí o nome: Des Deux Moulins (Os dois moinhos). É um lugar na maioria das vezes cheio, pois é bem famoso e muitos turistas de todo canto se espremem nas pequenas mesas do café. Mas o lugar, além de todo o encanto que traz do filme, é agradável e fofo, os garçons são gentis (e lindos, diga-se de passagem), fui atendido por um que falava português (sorrindo, vejam vocês), o que facilitou o pedido.

Interior do Café, onde se pode ver Amélie sorrindo ali atrás...

Interior do Café.

Há objetos usados no filme que ficam expostos no café. Quanto ao cardápio, eu fui direto em um “combo” que é um café (ou um chocolate quente) que acompanha o famoso Crème Brûlée, pois eu jamais poderia perder a experiência de quebrar a casquinha dessa linda e simbólica sobremesa e sentir a felicidade discreta que tal ato produz. E isso tudo custou cerca de 14 euros (preços em 2017). O preço lá não é muito barato, mas com 14 euros você já sente a magia da Amélie, e tá bom).

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Não comi outras coisas, mas dizem que há lugares melhores ali por perto mesmo em Montmartre, onde se pode experimentar melhores e tradicionais pratos franceses. Mas o que me interessava lá era Amélie, a magia conectada à essa obra e o Crème Brûlée, e foi isso que fiz, e saí bem feliz! AH, perto do banheiro há uma mini exposição (na verdade, um balcão) com objetos originais usados no filme, veja e chore de emoção, que nem eu!

Endereço: 15 Rue Lepic, 75018 Paris, França – Site: http://cafedesdeuxmoulins.fr/pt

Dicas: Aproveite para visitar outros endereços ilustres que também ficam em Montmartre, nas redondezas do café da Amélie: A Basílica de Sacré Coeur (também cenário do filme) é linda e gigante, o gramado nos entornos das escadarias são perfeitos para sentar, comer algo e ver a vista linda de Paris (fica numa região alta então a vista é emocionante). Dica: Cuidado com os vendedores ambulantes, eles podem ser meio agressivos, digo, insistentes, colocam as pulseirinhas no seu braço como se fossem presentes e daí cobram, então a dica é: se não estiver afim de comprar, feche a cara um pouco e siga dizendo um “merci” sem parar para dar atenção. O Moulin Rouge também está ali pertinho, a noite ele é muito mais lindo que de dia (com as luzes vermelhas deslumbrantes). Por ali você também pode ver a fachada da casa onde morou o pintor Vicent Van Gogh, fica bem perto do Moulin Rouge. A Place Du Tertre fica quase ao lado da Basílica, uma praça famosa pelos artistas pintando a céu aberto e restaurantes fofos ao redor, e lá também é um ótimo endereço para comprar aqueles famosos pôsteres da Belle Époque de Paris! Olhem só:

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A Place Du Tertre – Com seus charmosos restaurantes e artistas pintando à céu aberto.

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A incrível Basílica de Sacré Coeur, também bastante presente nos cenários do filme.

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o Simbólico Moulin Rouge! Fica bem pertinho do Café.

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A fachada da casa onde morou o famoso artista Vincent Van Gogh, 54 Rue Lepic.

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Uma charmosa rua perto da Basílica de Sacré Coeur, onde se pode encontrar os famosos posteres da Belle Époque e uma série de artigos para lembrancinhas.

Montmartre é um bairro lindo e cheio de história, todos os movimentos artísticos históricos que tiveram Paris como palco ocuparam muito esse bairro, então a marca artística e boêmia da região perdura até hoje. Aproveite!