Receita de Cuca de Banana!

Cuca – palavra que fluiu da palavra alemã “kuchen”, que significa bolo. A cuca é um prato de origem alemã muito consumido no sul do Brasil. É uma espécie de bolo-pão, com uma farofa crocante por cima. Deliciosa, é uma herança cultural da colonização do sul do país, fazendo jus a gastronomia brasileira que dança entre tantas culturas e influências de todo o mundo. Eu adoro uma Cuca, é um prato aconchegante que abraça a gente. Confira receita completa abaixo! Fácil de fazer e difícil de errar – E o legal é fazer um prato tendo noção de que história ele conta e o que ele representa do lugar que vivemos e do espaço que hoje ocupamos. Agora que sabe um pouco vem tentar fazer, com maior consciência do que suas mãos irão produzir.

Abaixo receita, mas se quiser ver um video com todo passo a passo detalhado, só clicar aqui para conferir lá no IGTV no meu Instagram @rodrigo.vilasboas

Ingredientes para a massa:

  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 xícara de leite
  • 1 ovo
  • 8 colheres (não muito cheias) de sopa de açúcar
  • 2 colheres de sopa de fermento biológico instantâneo
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 8 bananas-prata cortadas em fatias
  • Caldo de meio limão taiti
  • 1 pitada de sal
  • 1 pitada de canela

Ingredientes da farofa:

  • 5 colheres de sopa de açúcar
  • 6 colheres de sopa de farinha de trigo
  • Cerca de 3 colheres de sopa de manteiga
  • Canela em pó

Modo de preparo – primeiro a massa:

Antes de começar já deixe uma forma (média) untada, então inicie: Misture o açúcar, o ovo, a manteiga e o sal, batendo com um fouet (ou garfo) até incorporar bem. Acrescente a farinha de trigo, o leite e o fermento, mexendo bem até dissolver tudo. Coloque na forma. Então corte as bananas em rodelas, coloque em uma vasilha, acrescente o caldo do meio limão e a pitada de canela em pó, misture um pouquinho só e coloque as bananas sobre a massa na forma. Reserve enquanto faz a farofa. E já pré-aqueça seu forno à 200 graus.

Modo de preparo – a farofa: É só misturar todos os ingredientes com a mãos até formar uma farofa, se ficar muito seca pode colocar um pouco mais de manteiga, se ficar muito molhada um pouco mais de farinha, tem que atingir uma consistência mais seca para ficar crocante ao assar.

Coloque então a farofa na forma por cima das bananas. Deixe a massa crescer por 20 minutos e depois leve ao forno por 40 à 45 minutos – até ficar douradinha.

Protinho! Bon appétit, tchê!

10 de Maio – Dia do Cozinheiro.

13077032_1772865286279421_7062298417610548898_n

10 de maio – dia do cozinheiro. Cozinhar foi uma saída. Uma forma de encontrar uma reconciliação comigo mesmo, com o mundo natural, com minha cultura, educação, lembranças e histórias. Eu transformo ingredientes com minha alma e emoção desde que eu tinha 8 anos, e hoje, depois de tantos anos, cozinhar transformou minha vida – cozinhando eu me vejo com autenticidade. Cozinhar é um ato revolucionário na minha história. Eu sou muito grato por me relacionar com a natureza dessa forma, por conciliar e viver outras paixões na cozinha – na minha cozinha cabe um divã porque ela, assim como o divã, nos proporciona encontrar discursos “esquecidos”, adormecidos, mas que trazem significado ao que somos e nos reconecta a natureza que pertencemos. A gente se distancia de algumas coisas originais nossas nessa vida, por vários motivos, e cozinha é um dos hábitos que nos reaproxima de algo valioso, antigo, próprio. Eu sou – dentre tanta coisa que sou – cozinheiro, com minha alma e história. Com amor. Gratidão. 

13177306_1772852322947384_4207914503969259153_n

Na imagem, a mistura ainda não é recheio de quiche – ainda são elementos isolados buscando a forma de algo novo através da união de suas composições. Transformamos a natureza ao trabalhar ingredientes, cozinhar é uma obra, artesanal, delicada e intensa, que transmite no resultado final a alma do cozinheiro, seu momento emocional e possibilidade criativa pessoal – porque ele cozinha com suas mãos, lembranças e história. Cozinhar é relacionar-se intimamente com o mundo natural, com as culturas, com nossa essência. Cozinhar evoca, cativa. Fico feliz por abraçar a natureza cozinhando, por ser cozinheiro – mesmo que um amador, na minha possibilidade particular. Parabéns, cozinheiros e cozinheiras – transformadores que transformam ingredientes e ao mesmo tempo são transformados por eles.

Para temperar com a Bahia – Dica de tempero nordestino à base de alho e semente de coentro!

20151128_174205

Minha mãe é baiana, e os traços da cozinha nordestina compõe muita coisa que faço e estão no modo como me relaciono com os ingredientes. Falo muito aqui sobre culinária francesa (uma paixão), mas também cozinho muito com a proximidade da minha origem – que é de onde tiramos originalidade para cozinhar com alma, com nossos hábitos familiares e culturais – cozinhamos para contar nossa história, e esse tempero conta um pouco da minha – tem o gosto da minha infância, da comida de mainha, do aroma que quando eu tinha uns 7 anos já me fazia questionar: “qual magia é essa que tem esse cheiro?”. Esse tempero é simples, leva elementos fortíssimos da culinária nordestina, e podem compor muitos pratos (uso no arroz, em carnes, refogas, legumes, grelhados, feijão, etc). Você pode fazer em grande quantidade e deixar armazenado na geladeira. Um tempero marcante, que protagoniza. Aprenda como fazer, e deixa, junto com essa receita, eu te transmitir um pouco da minha história e origem.

Ingredientes:

Para fazer uma quantidade pequena, que encha mais ou menos um potinho de geleia (se quiser uma quantidade maior dobre a receita).

  • Aproximadamente 3 de cabeças de alho (das médias).
  • Azeite de oliva extra-virgem ou óleo de girassol (eu gosto mais de azeite) – o suficiente (você entenderá abaixo como calcular a quantidade).
  • 3 colheres de sopa de sementes verdes de coentro (as secas não servem).
  • Sal à gosto (o quanto quiser salgar)

Modo de preparo:

Descasque o alho. Coloque o alho e as sementes de coentro em um liquidificador (em um mundo perfeito, ele é feito amassando no pilão tudo na mesma sequência que vou apresentar, mas pode ser no liquidificador também), acrescente uma quantidade de azeite que não chegue nem na metade do volume de alho e sementes de coentro, então bata por alguns instantes (até triturar completamente), verifique se a consistência ficou parecida com um purê cremoso, se ficou ainda muito sólido e pouco pastoso acrescente mais um pouco de azeite e bata mais um pouco, se ficar muito liquido acrescente mais dentes de alho e sementes de coentro, faça esse processo até atingir a consistência de uma pasta rústica.

20151128_174146

Tempero na consistência após acrescentar o sal.

Após atingir o ponto, coloque a mistura em um recipiente e acrescente sal – a quantidade é a gosto, coloque o tanto que bastar para atingir um teor que lhe agrade. Eu coloco bastante, pois quando faço uma receita que o uso ele que a tempera, não coloco sal a parte.

Prontinho! Esse tempero é bem versátil, você pode usar em muitos pratos (até hoje só utilizei em pratos quentes). Ele é um tempero forte, marcante, não é tão suave mas não é tão agressivo, é presente. Perfeito para carnes, farofas e arroz. Conserve na geladeira em um pote bem fechado (já conservei por 2 meses e duas semanas e continuou com a mesma qualidade, acho que dura até mais que isso).

Aproveite! Gratidão por partilhar fragmentos de memórias com vocês.

Bom apetite!

 

 

A pimenta em Toronto – Sobre os hábitos alimentares da cidade.

20140402_195402

Dundas Square – A esquina mais movimentada de Toronto.

Na foto acima, eu encontrando mais uma vez, na comida de rua, a pimenta de Toronto. Hot Dog, Dundas Square, luzes, muita gente, de vez em quando um herói da Marvel, agitação, esquina que da para encontrar o mundo – A pimenta quase constante dessa cidade combina com o movimento quase constante dessa esquina agitada e picante – que não para e insiste, que nem o ardor da pimenta. Mas enfim, pimenta pra mim é amor intenso, ardente e sensual, mas para alguns pode ser terror total (até rimou, vejam vocês), então quem viaja para Toronto e não está acostumado com os hábitos alimentares da cidade, deve tomar alguns cuidados!

Canadenses apimentam quase tudo, e o nível é hard! Pimenta-do-reino nem é considerada “ardida”, é acrescida em muitos pratos que não são considerados apimentados, estando presente inclusive no McChicken de lá, eles a consideram um condimento suave, a usam em uma quantidade grande que promove um bom nível de ardor, mesmo assim não consideram ela capaz de fazer arder – mas que coisa, não? Mesmo a comida no geral não levando muitos condimentos diversos (como aqui no Brasil), a pimenta está sempre disponível e presente.

Andando pela cidade você já nota o gosto local por comida “hot”, tem muitos restaurantes indianos e mexicanos, pimenta brilha muito lá! Talvez a sensação térmica que eles experimentam na cidade a maior parte do ano, onde as temperaturas bem negativas predominam, ajude na construção cultural desse apreço todo por pimenta.

Eu adoro pimenta em tudo e não ligo nem um pouco, mas quem tem intolerância ou sensibilidade deve ficar atento, e questionar que condimentos vão em um prato antes de pedir ele, pois se não pode ter uma surpresa, como vi muita gente que não é da cidade ter. E não adianta perguntar apenas se o prato é “spicy”, pois o que é apimentado para eles talvez não seja para você, seja mais especifico e pergunte dos condimentos que podem arder, como pimenta calabresa e pimenta-do-reino.

Se você ama pimenta que nem eu, não deixe de provar uma poutine (prato tradicional canadense, clique aqui e veja mais sobre, até já ensinei ela) apimentada. Também indico um frango em algum dos restaurantes asiáticos, um taco ou burrito e uma costela de porco! Aff, que ardidinhos lindos que os canadenses fazem nesses pratos, eu amo!