Receita de Cuca Alemã de Banana!

img-20160324-wa0049

Cuca – palavra que fluiu da palavra alemã “kuchen”, que significa bolo. A cuca é um prato de origem alemã muito consumido no sul do Brasil. É uma espécie de bolo-pão, com uma farofa crocante por cima. Deliciosa, é uma herança cultural da colonização do sul do país, fazendo jus a gastronomia brasileira que dança entre tantas culturas e influências de todo o mundo. Eu adoro uma Cuca, é um prato aconchegante que abraça a gente. Confira receita completa abaixo! Fácil de fazer e difícil de errar – E o legal é fazer um prato tendo noção de que história ele conta e o que ele representa do lugar que vivemos e do espaço que hoje ocupamos. Agora que sabe um pouco vem tentar fazer, com maior consciência do que suas mãos irão produzir.

Ingredientes para a massa:

  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 xícara de leite
  • 1 ovo
  • 8 colheres de sopa de açúcar
  • 2 colheres de sopa de fermento biológico instantâneo
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 8 bananas-prata cortadas em fatias
  • Caldo de meio limão taiti
  • 1 pitada de sal
  • 1 pitada de canela

Ingredientes da farofa:

  • 5 colheres de sopa de açúcar
  • 5 colheres de sopa de farinha de trigo
  • Cerca de 3 colheres de sopa de manteiga
  • Canela em pó

Modo de preparo – primeiro a massa:

Antes de começar já deixe uma forma (média) untada, então inicie: Misture o açúcar, o ovo, a manteiga e o sal, batendo com um fouet (ou garfo) até incorporar bem. Acrescente a farinha de trigo, o leite e o fermento, mexendo bem até dissolver tudo. Coloque na forma. Então corte as bananas em rodelas, coloque em uma vasilha, acrescente o caldo do meio limão e a pitada de canela em pó, misture um pouquinho só e coloque as bananas sobre a massa na forma. Reserve enquanto faz a farofa.

Modo de preparo – a farofa: É só misturar todos os ingredientes com a mãos até formar uma farofa, se ficar muito seca pode colocar um pouco mais de manteiga, se ficar muito molhada um pouco mais de farinha, tem que atingir essa consistência:

img-20160324-wa0046

Coloque então a farofa na forma por cima das bananas. Deixe a massa crescer por 30 minutos e depois leve ao forno por 40 à 45 minutos – até ficar douradinha assim ó:

img-20160327-wa0041

Protinho! Bon appétit, tchê!

img-20160324-wa0011

Anúncios

10 de Maio – Dia do Cozinheiro.

13077032_1772865286279421_7062298417610548898_n

10 de maio – dia do cozinheiro. Cozinhar foi uma saída. Uma forma de encontrar uma reconciliação comigo mesmo, com o mundo natural, com minha cultura, educação, lembranças e histórias. Eu transformo ingredientes com minha alma e emoção desde que eu tinha 8 anos, e hoje, depois de tantos anos, cozinhar transformou minha vida – cozinhando eu me vejo com autenticidade. Cozinhar é um ato revolucionário na minha história. Eu sou muito grato por cozinhar, por me relacionar com a natureza, por conciliar e viver outras paixões na cozinha – na minha cozinha cabe um divã porque ela, assim como o divã, nos proporciona encontrar discursos “esquecidos”, adormecidos, mas que trazem significado ao que somos e nos reconecta a natureza que pertencemos. Eu sou – dentre tanta coisa que sou – cozinheiro, com minha alma e história. Com amor. Gratidão. 

13177306_1772852322947384_4207914503969259153_n

Na imagem, a mistura ainda não é recheio de quiche – ainda são elementos isolados buscando a forma de algo novo através da união de suas composições. Transformamos a natureza ao trabalhar ingredientes, cozinhar é uma obra, artesanal, delicada e intensa, que transmite no resultado final a alma do cozinheiro, seu momento emocional e criação – porque ele cozinha com suas mãos, lembranças e história. Cozinhar é relacionar-se intimamente com o mundo natural, com as culturas, com nossa essência. Cozinhar evoca, cativa. Gratidão por abraçar a natureza cozinhando, gratidão por ser cozinheiro. Parabéns, cozinheiros e cozinheiras – transformadores que transformam ingredientes e ao mesmo tempo são transformados por eles.

Para temperar com a Bahia – Dica de tempero à base de alho e semente de coentro!

20151128_174205

Minha mãe é baiana, e os traços da cozinha nordestina compõe muita coisa que faço e estão no modo como me relaciono com os ingredientes. Falo muito aqui sobre culinária francesa (uma paixão), mas também cozinho muito com a proximidade da minha origem – que é de onde tiramos originalidade para cozinhar com alma, com nossos hábitos familiares e culturais – cozinhamos para contar nossa história, e esse tempero conta um pouco da minha – tem o gosto da minha infância, da comida de mainha, do aroma que quando eu tinha uns 7 anos já me fazia questionar: “qual magia é essa que tem esse cheiro?”. Esse tempero é simples, leva elementos fortíssimos da culinária nordestina, e podem compor muitos pratos (uso no arroz, em carnes, refogas, legumes, grelhados, feijão, etc). Você pode fazer em grande quantidade e deixar armazenado na geladeira. Um tempero marcante, que protagoniza. Aprenda como fazer, e deixa, junto com essa receita, eu te transmitir um pouco da minha história e origem.

Ingredientes:

Para fazer uma quantidade pequena, que encha mais ou menos um potinho de geleia (se quiser uma quantidade maior dobre a receita).

  • Aproximadamente 3 de cabeças de alho (das médias).
  • Azeite de oliva extra-virgem ou óleo de girassol (eu gosto mais de azeite) – o suficiente (você entenderá abaixo como calcular a quantidade.
  • 3 colheres de sopa de sementes verdes de coentro (as secas não servem)
  • Aproximadamente 1 colher de chá de cominho em pó
  • Sal à gosto

Modo de preparo:

Descasque o alho. Coloque o alho, o cominho e as sementes de coentro em um liquidificador e acrescente uma quantidade de azeite que não chegue a cobrir completamente o alho no recipiente, então bata por alguns instantes (até triturar completamente), verifique se a consistência ficou parecida com um purê cremoso, se ficou ainda muito sólido e pouco pastoso acrescente mais um pouco de azeite e bata mais um pouco, se ficar muito liquido acrescente mais dentes de alho e sementes de coentro, faça esse processo até atingir a consistência de uma pasta rústica.

20151128_174146

Tempero na consistência após acrescentar o sal.

Após atingir o ponto, coloque a mistura em um recipiente e acrescente sal – a quantidade é a gosto, coloque o tanto que bastar para atingir um teor que lhe agrade. Eu coloco bastante, pois quando faço uma receita que o uso ele que a tempera, não coloco sal a parte.

Prontinho! Esse tempero é bem versátil, você pode usar em muitos pratos (até hoje só utilizei em pratos quentes). Ele é um tempero forte, marcante, não é tão suave mas não é tão agressivo, é presente. Perfeito para carnes, farofas e arroz. Conserve na geladeira em um pote bem fechado (já conservei por 1 mês e duas semanas e continuou com a mesma qualidade, acho que dura até mais que isso).

Aproveite! Gratidão por partilhar fragmentos de memórias com vocês.

Bom apetite!

 

 

Tudo sobre o Eataly São Paulo – A plenitude da gastronomia italiana

??????????????

Uma das coisas mais sensacionais que a comida oferece é a possibilidade de mergulhar fundo em uma cultura e sentir sua alma sendo tomada por todos os aspectos culturais e afetivos que rodeiam um alimento. A cultura italiana é tão marcada pela gastronomia que eu penso em Itália e já tenho fome. O Eataly São Paulo é um lugar fantástico, não é só um mercado com restaurante, entrar lá é experimentar marcas fortíssimas culturais da Itália, é filosófico, é poético, é lindo. Tivemos a sorte de ter uma loja Eataly em São Paulo (ela está presente em apenas 6 países do mundo). Ontem eu fui conhecer, e me senti a Julia Roberts naquele filme  – Comi, rezei e amei, e até falei “Attraversiamo” com emoção! Foi lindo!

Os pães maravilhosos!

Os pães maravilhosos!

O Eataly São Paulo inaugurou em maio desse ano, e nessa época estava impossível de ir, muito cheio! Filas enormes para tudo, esse foi um dos motivos para eu ir só agora. Existem 29 lojas do Eataly pelo mundo, 15 estão na Itália, 9 no Japão, 2 nos Estados Unidos, 1 em Dubai, 1 em Istambul e agora 1 em São Paulo (Uhul)! São Paulo recebeu a primeira loja na América Latina, e não é a toa: Aqui vivem o maior número de italianos fora da Itália. O conceito da loja envolve reunir debaixo de um mesmo teto os melhores e mais tradicionais alimentos italianos, oferecendo às pessoas a chance de comprar ingredientes italianos, de comer receitas italianas prontas nos restaurantes do local, e também aprender – o espaço oferece aulas, workshops e outros eventos para promoção de um maior conhecimento sobre a cultura gastronômica italiana. Acho sensacional tudo isso junto em um mesmo local! Com essa ideia o Eataly apresenta de modo autêntico e sensível o que de fato a gastronomia é: uma ciência, um ato socialuma técnica, um laço afetivo.

IMG-20151101-WA0017

IMG-20151101-WA0019

Há diversas placas informativas sobre os produtos que são vendidos e a história de cada marca que os fabrica, muito legal isso, nos aproxima da história do que está na prateleira!

Há diversas placas informativas sobre os produtos que são vendidos e a história de cada marca que os fabrica, muito legal isso, nos aproxima da história do que está na prateleira!

Você encontra uma incrível variedade de produtos lá: produtos feitos com as maravilhosas trufas italianas (ingrediente raríssimo de se encontrar no Brasil), massas italianas tradicionais, molhos, verduras e legumes, vinhos, azeites, aperitivos, farinhas, temperos – um mundo de coisas. Os preços dos produtos são justos – considerando que são produtos importados e de alta qualidade. Achei azeites fantásticos na casa dos R$35,00, massas (pacotes de 500g) por R$14,00, molhos por R$15,00. Algumas coisas são caras e talvez não valham a pena serem compradas lá (como algumas verduras, legumes e outros ingredientes mais simples que podem ser encontrados em lugares mais simples também).

Produtos com trufas italianas - ingrediente raríssimo no Brasil!

Produtos com trufas italianas – ingrediente raríssimo no Brasil!

IMG-20151101-WA0018

Pimentas!

Pimentas!

IMG-20151101-WA0014

Os restaurantes são divididos por categorias. O de Pasta e Pizza, o de Peixes, de Carnes, o Café, os Doces, etc. Os preços são justos. Eu comi “la vera pizza napoletana”, simplesmente incrível! As porções são individuais, mas uma pizza serve 2!

La vera napoletana!

La vera napoletana!

O local é incrível e a visita super vale a pena! É interessantíssimo para qualquer um que gosta de culinária. Aproveitem, comam, rezem e amem! Buon appetito!

Eataly São Paulo

  • Endereço: Av. Pres.Juscelino Kubitschek, 1489 – São Paulo
  • Funcionamento: De Domingo a Quinta das 8h ás 23h, Sexta e Sábado das 8h ás 24h.
  • Contato: Tel. +55 11 3279-3300
  • Estacionamento no local (R$10,00 por 2 horas, R$5,00 por hora adicional). Manobrista incluso no valor.
  • Site: www.eataly.com.br

A pimenta em Toronto – Sobre os hábitos alimentares da cidade.

20140402_195402

Dundas Square – A esquina mais movimentada de Toronto.

Encontrando mais uma vez, na comida de rua, a pimenta de Toronto. Hot Dog, Dundas Square, luzes, muita gente, de vez em quando um herói da Marvel, agitação, esquina que da para encontrar o mundo – A pimenta quase constante dessa cidade combina com o movimento quase constante dessa esquina – que não para e insiste, que nem o ardor da pimenta. Mas enfim, pimenta pra mim é amor intenso, ardente e sensual, mas para alguns pode ser terror total (mas que gracinha de rima, né?), então quem viaja para Toronto e não está acostumado com os hábitos alimentares da cidade, deve tomar alguns cuidados!

Canadenses apimentam quase tudo, e o nível é hard! Pimenta-do-reino nem é considerada “ardida”, é acrescida em muitos pratos que não são considerados apimentados, estando presente inclusive no McChicken de lá, eles a consideram um condimento suave, a usam em uma quantidade grande que promove um bom nível de ardor, mesmo assim não consideram ela capaz de fazer arder – mas que coisa, não?

Andando pela cidade você já nota o gosto local por comida “hot”, tem muitos restaurantes indianos e mexicanos, pimenta brilha muito lá! Talvez a sensação térmica que eles experimentam na cidade a maior parte do ano, onde as temperaturas bem negativas predominam, ajude na construção cultural desse apreço todo por pimenta.

Eu adoro pimenta em tudo e não ligo nem um pouco, mas quem tem intolerância ou sensibilidade deve ficar atento, e questionar que condimentos vão em um prato antes de pedir ele, pois se não pode ter uma surpresa, como vi muita gente que não é da cidade ter. E não adianta perguntar apenas se o prato é “spicy”, pois o que é apimentado para eles talvez não seja para você, seja mais especifico e pergunte dos condimentos que podem arder, como pimenta calabresa e pimenta-do-reino.