Farofa de Carne de Sol – A culinária nordestina e seu contar da história de um povo.

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Acabei de postar a receita de um tempero à base de alho e coentro (receita de mainha, que muito traz de sua origem nordestina). Agora corro pra compartilhar a receita de algo que uso muito esse tempero: Farofa de carne de sol! Farofa é um poço de criatividade, há muitas coisas que podemos fazer quando o assunto é farofa, quase tudo pode virar farofa, daí sua conexão com a versatilidade da culinária nordestina: As tantas farofas possíveis se relacionam com a necessidade, que impele a ser criativo, ter que criar um prato com o que se tem – só para lembrar que um prato típico sempre tem um traço da história de um povo. Essa farofa é simples, sem muitos acréscimos, gosto muito dela, da simplicidade, força e marca cultural que ela me traz! E o sabor é pra mim muito harmônico. Uma carne com farinha, e ponto final. Vem ver como faz!

Ingredientes:

As quantidades são uma referência, varie de acordo com seu gosto.

  • Cerca de 400g  de carne de sol picada em pedaços pequenos
  • Farinha de mandioca (a mais fina possível) – o quanto bastar
  • 1 colher de sopa de azeite de dendê
  • 1 colher de sopa de manteiga (eu uso de garrafa)
  • Meia cebola média picada em cubos
  • Tempero à base de alho e semente de coentro (Clique aqui para ver como fazer esse tempero) – Esse é meu modo de temperar a farofa, mas você pode usar seu jeito, colocando desde apenas sal até outras coisas que queira e ache que combine.

Modo de preparo:

Deixe a carne de molho em água fria na noite anterior ao preparo – é bacana que fique 12 horas ao menos de molho. Ao iniciar o preparo escorra a água da carne. Então coloque a carne em uma panela, complete com água e coloque no fogo, quando levantar fervura, deixa ferver por 5 minutos e então escorra. Reserve a carne. Em uma panela de pressão coloque 2 colheres de sopa de óleo, ligue em fogo médio e então acrescente a cebola e uma pequena pitada de sal (para soltar água da cebola), espere dourar e então coloque a carne. Em seguida acrescente cerca de uma colher de chá rasa do tempero de alho e semente de coentro, misture e acrescente o dendê e a manteiga. Doure um pouco a carne (por uns 10 minutos), então coloque uma quantidade de água suficiente para cobrir a carne, feche e deixe na pressão por uns 20 minutos. Então desligue, espere sair a pressão e abra a panela, verifique se a carne está cozida, se ainda não estiver deixe mais uns 10 ou 5 minutos na pressão. Após, tire da pressão e volte a panela para o fogo, mantenha aberta e vá mexendo, até secar a água. Após isso ficará apenas a gordura – verifique a quantidade de gordura, se achar que é excesso retire um pouco – mas lembre que não pode ter pouca gordura, a gordura que umedece a farofa. Verifique o sal, se necessitar de mais, acrescente mais do tempero de alho e semente de coentro. Após verificar o sal, o cozimento da carne e a quantidade de gordura, chegou a hora de acrescentar a farinha. Coloque a farinha com o fogo ligado no mínimo, e vá acrescentando aos poucos até atingir seu gosto. Eu gosto de um ponto onde a farinha fique mais molhada, então não coloco em excesso. Uma dica é despedaçar alguns dos pedaços de carne, para uma mistura mais plena da carne com a farinha. Após terminar de colocar a farinha deixe no fogo, mexendo sempre, por mais uns 5 minutos. Pronto! Aproveite essa delícia, que pode acompanhar muita coisa, ou sozinha já é um prazer!

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Bom apetite!

Para temperar com a Bahia – Dica de tempero nordestino à base de alho e semente de coentro!

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Minha mãe é baiana, e os traços da cozinha nordestina compõe muita coisa que faço e estão no modo como me relaciono com os ingredientes. Falo muito aqui sobre culinária francesa (uma paixão), mas também cozinho muito com a proximidade da minha origem – que é de onde tiramos originalidade para cozinhar com alma, com nossos hábitos familiares e culturais – cozinhamos para contar nossa história, e esse tempero conta um pouco da minha – tem o gosto da minha infância, da comida de mainha, do aroma que quando eu tinha uns 7 anos já me fazia questionar: “qual magia é essa que tem esse cheiro?”. Esse tempero é simples, leva elementos fortíssimos da culinária nordestina, e podem compor muitos pratos (uso no arroz, em carnes, refogas, legumes, grelhados, feijão, etc). Você pode fazer em grande quantidade e deixar armazenado na geladeira. Um tempero marcante, que protagoniza. Aprenda como fazer, e deixa, junto com essa receita, eu te transmitir um pouco da minha história e origem.

Ingredientes:

Para fazer uma quantidade pequena, que encha mais ou menos um potinho de geleia (se quiser uma quantidade maior dobre a receita).

  • Aproximadamente 3 de cabeças de alho (das médias).
  • Azeite de oliva extra-virgem ou óleo de girassol (eu gosto mais de azeite) – o suficiente (você entenderá abaixo como calcular a quantidade).
  • 3 colheres de sopa de sementes verdes de coentro (as secas não servem).
  • Sal à gosto (o quanto quiser salgar)

Modo de preparo:

Descasque o alho. Coloque o alho e as sementes de coentro em um liquidificador (em um mundo perfeito, ele é feito amassando no pilão tudo na mesma sequência que vou apresentar, mas pode ser no liquidificador também), acrescente uma quantidade de azeite que não chegue nem na metade do volume de alho e sementes de coentro, então bata por alguns instantes (até triturar completamente), verifique se a consistência ficou parecida com um purê cremoso, se ficou ainda muito sólido e pouco pastoso acrescente mais um pouco de azeite e bata mais um pouco, se ficar muito liquido acrescente mais dentes de alho e sementes de coentro, faça esse processo até atingir a consistência de uma pasta rústica.

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Tempero na consistência após acrescentar o sal.

Após atingir o ponto, coloque a mistura em um recipiente e acrescente sal – a quantidade é a gosto, coloque o tanto que bastar para atingir um teor que lhe agrade. Eu coloco bastante, pois quando faço uma receita que o uso ele que a tempera, não coloco sal a parte.

Prontinho! Esse tempero é bem versátil, você pode usar em muitos pratos (até hoje só utilizei em pratos quentes). Ele é um tempero forte, marcante, não é tão suave mas não é tão agressivo, é presente. Perfeito para carnes, farofas e arroz. Conserve na geladeira em um pote bem fechado (já conservei por 2 meses e duas semanas e continuou com a mesma qualidade, acho que dura até mais que isso).

Aproveite! Gratidão por partilhar fragmentos de memórias com vocês.

Bom apetite!