Como fazer Crack pie! A torta viciante da Christina Tosi!

Crack pie – Você verdadeiramente não consegue parar de comer, essa torta vicia, e por isso o nome. Feita com ingredientes muitos simples, ela tem um preparo curioso (que envolve assar, depois congelar e então descongelar a torta – para condensar o recheio). Essa receita divertida é marca registrada da cativante @christinatosi – na nova temporada do @chefstablenetflix (que é um especial de confeitaria) o primeiro episódio é sobre a vida e obra de Christina, é absolutamente encantador. O modo alegre e sincero que ela encara um doce me emociona. Assim como Christina, se alguém me perguntar o que eu poderia fazer pra sempre na vida, eu responderia: cookies. Christina é dona do famoso @milkbarstore , e também é a Paola Carosella dos EUA (é jurada do Masterchef de lá) – parece que minha cina é amar juradas do Masterchef. Ela criou essa torta em um dia que tinha pouquíssimos ingredientes, todos muito simples – uma receita despretensiosa e singela que ganhou o mundo, que lindo isso. Compartilho aqui a receita original, divulgada pela própria autora. Fiz, testei e amei sem medidas!

Sobre a receita – ela é dupla:

Essa receita é para fazer 2 tortas (de aproximadamente 22 cm de diâmetro, que serve de 8 à 10 pessoas). Vou compartilhar a receita assim porque é assim que a encontrei, exatamente do modo como Christina ensina. Quando fiz foi assim, 2 tortas, mas creio que se você quiser apenas 1 pode dividir em 2 todas as quantidades que dará certo (mas não posso garantir porque ainda não tentei cortar a receita no meio para apenas uma torta). Sugiro fazer 2, porque 2 é melhor que 1. E como o congelamento é um processo que a torta passa antes de ser servida, você pode manter a segunda congelada por 1 mês ou até um pouco mais, e descongelar apenas quando decidir servir.

Ingredientes (para 2 Crack pies – cada uma serve cerca de 8 pessoas):

Para a massa da torta (o biscoito de aveia):

  • 115 g de manteiga em temperatura ambiente
  • 75 g de açúcar mascavo claro
  • 40 g de açúcar granulado
  • 1 gema
  • 80 g de farinha de trigo
  • 120 g de flocos de aveia
  • 0.5 g de fermento em pó (aproximadamente meia colher de chá)
  • Uma pitada de bicarbonato de sódio
  • 2 g de sal (aproximadamente meia colher de chá)

Para o recheio da Crack pie:

  • 300 g de açúcar granulado
  • 180 g de açúcar mascavo claro
  • 20 g de leite em pó desnatado
  • 24 g de farinha de milho (fubá)
  • 6 g de sal (aproximadamente 1 colher e meia de chá rasa de sal)
  • 225 g de manteiga derretida
  • 160 g de creme de leite
  • 1 colher de sobremesa de extrato (ou essência) de baunilha
  • 8 gemas*

*É muito importante nessa receita não deixar nem um pouco de clara ficar com as gemas, se as gemas forem junto com vestígios de clara irá alterar muito o resultado da receita. O melhor jeito de separar gemas de claras é com as suas mãos (nela você consegue sentir quando exatamente toda clara foi retirada e só ficou a gema). Não esqueça de lavar a sua mão com água morna por 30 segundos antes e depois de manusear ovos diretamente nelas).

Para montagem e finalização das tortas:

  • 1 receita do biscoito de aveia já frio
  • 1 receita do recheio de Crack pie
  • 15 g de açúcar mascavo claro
  • 1 g (aproximadamente meia colher de chá) de sal
  • 55 g de manteiga derretida, ou o quanto bastar
  • Açúcar de confeiteiro, para finalizar

Modo de preparo:

1) Massa da torta (Biscoito de aveia):

Pré-aqueça seu forno à 180 graus. Bata (preferencialmente em uma batedeira) os açúcares com a manteiga até obter um creme fofo e claro. Raspe as laterais para garantir que tudo se misturou bem, continue batendo e acrescente a gema – bata até que os granulados de açúcar se dissolvam por completo e a mistura fique uma cor pálida. Continuando a bater em velocidade baixa, acrescente a farinha, a aveia, o sal, o fermento em pó e o bicarbonato. Misture até tudo se incorporar muito bem – fica uma massa densa e gordurosa, com aspecto de massa de cookie. Coloque a massa em uma fôrma larga untada ou antiaderente, espalhe ela pela fôrma para que fica em uma altura de 7 milímetros. Asse por aproximadamente 15 minutos (ou até dourar levemente, com cor e cara de cookie). Retire e deixe esfriar completamente. Dica: Se você fizer apenas uma torta e sobrar esse biscoito, em um pote bem fechado ele fica fresco por mais de 1 semana, é uma delícia com café.

2) Recheio da Crack pie:

Dica valiosa: Usar uma batedeira faz muita diferença no resultado final, se a sua tiver um acessório de remo para bater, melhor ainda – se você bater à mão com fouet não alcançará o resultado perfeito – que é um recheio denso e pegajoso. A velocidade também é importante, sempre bater em velocidade baixa – muito alta incorpora muito ar, e isso também afetará na densidade da Crack pie.

Misture o açúcar, o açúcar mascavo, o leite em pó, a farinha de milho e o sal na tigela da batedeira, até tudo ficar uma coisa só. Batendo em velocidade baixa, acrescente a manteiga, bata por cerca de 1 minuto, até todos ingredientes secos estarem úmidos e envolvidos na manteiga. Adicione o creme de leite e a baunilha e continue batendo em velocidade baixa, até que o creme de leite tenha incorporado completamente. Raspe as laterais da tigela para garantir uma mistura total. Adicione as gemas, uma a uma, batendo em velocidade super baixa, apenas o suficiente para incorporar – não queremos que seja incorporado ar aqui – quando todas as gemas estiverem incorporadas o creme deve ser brilhante e homogêneo. Prontinho! O recheio está pronto para ser usado. Se não for usar imediatamente, guarde em um porte hermético na geladeira por até uma semana.

3) Montando a torta e finalizando:

Pré-aqueça seu forno à 180 graus. Coloque o biscoito de aveia, o açúcar mascavo e o sal em um processador e triture tudo, até ficar com aspecto de areia molhada. Se não tiver um processador, pode fazer na mão, esmigalhando tudo muito bem. Transfira o biscoito triturado para uma tigela e acrescente a manteiga e misture até ficar úmido o suficiente para fazer uma bola (se não for suficiente, acrescente mais manteiga).

Feito isso, divida a massa em 2 partes – cada uma será a base de uma torta. Use cada uma das partes para cobrir s uma fôrma de aproximadamente 22 cm de diâmetro, untada ou que seja antiaderente, ou também pode forrar o fundo da fôrma com papel manteiga. As fôrmas devem ficar completamente cobertas, uniformemente, vá ajeitando e pressionando a massa com seus dedos para garantir isso.

Coloque então o recheio nas tortas, dividindo ele por igual entre as duas – o recheio deve encher cerca de 3/4 do espaço, não chegando assim até o topo (as tortas são bem baixas mesmo). Leve então as tortas para assar (sugiro uma de cada vez se seu forno não for muito grande) por aproximadamente 15 minutos – o topo deve ser dourado, mas o recheio ainda mole e instável. Abra então a porta do seu forno e diminua a temperatura para 165 graus – enquanto a temperatura diminui, deixe a porta do forno aberta (as tortas ficam lá dentro do forno durante esse processo todo). Quando a temperatura chegar em 165 graus feche o forno e deixe as tortas lá por mais 5 minutos. Após esse tempo verifique: O recheio deve estar ainda meio mole no centro mas as bordas devem estar mais rígidas. Se o recheio ainda estiver muito mole também nas bordas deixe por mais 5 minutos ou mais, até atingir o estado ideal: Mole no centro e mais rígido nas bordas.

Retire então a torta do forno e deixe esfriar em temperatura ambiente (se estiver com pressa pode por na geladeira ou freezer). Em seguida vem um passo importante que é a marca registrada da Crack pie: Congele a torta por pelo menos 3 horas ou por uma noite para condensar o recheio – isso é muito importante.

Retire as tortas do freezer e coloque na geladeira para descongelar 1 hora antes de servir. As tortas duram congeladas mais de 1 mês, e na geladeira ficam boas por cerca de 1 semana. Prontinho! A incrível Crack pie está pronta! Sirva ela fria! Decore com açúcar de confeiteiro peneirado por cima. Seja feliz, ela é emocionante.

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Como fazer mousse de chocolate com cachaça e crocante de chocolate branco servido com iogurte.

A gente precisa de muito pouco para fazer uma mousse francesa incrível. Eu queria hoje uma sobremesa que me fizesse fechar os olhos por alguns segundos enquanto experimentava uma sensação delicada de alegria na primeira colherada. Essa mousse me trouxe isso. Eu tive sorte por ter encontrado ovos, chocolate, manteiga e açúcar em casa para ter isso hoje. Resolvi colocar um pouco de cachaça, para um pouco mais de emoção. Resolvi também colocar um crocante de chocolate branco e comer com iogurte. Aí, meus caros, a emoção foi tão longe que meu coração sente até agora, enquanto escrevo, o impacto dessa primeira colherada. Enfim. Que a vida seja doce, pelo menos por alguns segundos, diante de uma mousse bem feita.

Como fazer a mousse de chocolate:

Clique aqui e confira a receita completa da tradicional mousse de chocolate francesa. Atenção: para fazer essa versão que leva cachaça basta acrescentar 1 colher de sopa de cachaça no momento em que misturar as gemas ao chococolate derretido.

Como fazer os crocantes de chocolate branco:

Corte chocolate branco em pedaços rústicos pequenos e leve ao forno pré-aquecido à 200 graus. Deixe lá até dourar – cuidado para não queimar! Isso acontece rapidamente. Quando tirar a forma do forno deixe esfriar – os crocantes saem molinhos e ao esfriar endurecem.

Sirva o mousse gelado com os crocantes e iogurte. É bem bom.

Ostara, Easter, Páscoa – Porque coelhos e ovos de chocolate? Confira origem da tradição e ainda seleção de 10 receitas sensacionais para sua páscoa!

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Imagem: Site Santuário Lunar

Ostara, Easter, Páscoa. O termo “Páscoa”, vem de “Ostara”, deusa escandinava da primavera – estação do ano que no hemisfério norte se inicia próxima à celebração da Páscoa. Antes mesmo do cristianismo, o dia de Ostara era a celebração do primeiro dia de primavera, do fim do inverno e retorno do sol, do florescimento e renascimento da natureza – o cristianismo uniu essa simbologia de “renascimento da natureza” a ressurreição de Jesus, fato hoje que universalmente simboliza a páscoa. Na antiguidade, o povo anglo-saxão pintava ovos e os oferecia a Ostara, sendo que o ovo sempre simbolizou vida, nascimento, assim como o coelho também era relacionado a Ostara, simbolizando fertilidade e fecundidade na natureza. Daí vem a origem dos ovos e do coelho da páscoa, que eram muito antes os “ovos e coelhos de Ostara”. A criatividade humana tornou os ovos de Ostara em ovos de chocolate, criando uma intima relação desse ingrediente com toda a simbologia que envolve a Páscoa, os ovos, o coelho, a primavera e o renascimento. Por isso Páscoa tem tom de chocolate (do qual os ovos de Ostara deliciosamente acabaram sendo feitos) – a gastronomia tem sempre símbolos e marcas que contam a história da humanidade. Isso é sempre emocionante.

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Para celebrar toda a simbologia da Páscoa com, claro, chocolate, fiz uma seleção de nossas melhores receitas que envolvem chocolate! Chocolate também é renascimento, é símbolo, e é maravilhoso… Veja abaixo a seleção com todo amor do mundo:

Para acessar as receitas basta clicar no link!

Receita de Ovo de Páscoa de Colher sabor Oreo

Receita de Ovo de Páscoa de Colher Trufado de Laranja

Receita de Ovo de Páscoa de Colher de Brigadeiro Gourmet

Receita de Gâteau au Chocolat (Bolo de chocolate cremoso sem farinha)

Receita da tradicional Mousse de Chocolate Francesa

Bolo Lava de Chocolate (Moelleux au Chocolat)

Receita de Brigadeiro Gourmet

Receita de Cookies Double Chocolate

Torta Mousse de Chocolate

Receita de Bolo Double Chocolate com Azeite de Oliva

Ostara winter

Ostara – Lavando o adormecimento da terra durante o inverno e trazendo o florescimento e renascimento da natureza.

Como fazer biscoitos de manteiga de amendoim com recheio de chocolate.

Essa é uma receita gentil e alegre, para fazer em uma tarde sutil, mas também serve para outros horários do dia. Aprendi ela em um livro canadense incrível que tem receitas emocionantes dos mais lindos cookies norte-americanos. Essa receita é realmente simples e boa, a magia dela está na massa do biscoito ser feita com manteiga de amendoim (fica uma coisa linda e boa de Deus). Esse biscoitinho com um recheio úmido de chocolate é tão envolvente que chega a ser quase sensual, socorro. Tenho um carinho por qualquer receita de cookie, sempre os faço muito feliz e calmo, então compartilho a receita carinhosamente com vocês. E ah, essa é uma opção maravilhosa, viva e honesta para você substituir por aqueles biscoitos recheados que vendem por aí, aqueles que 99% é elemento industrial estranho e só aquele 1% é biscoito mesmo. Fazer em casa é glorioso e libertador, tenta. Não esqueça de se divertir enquanto faz, é importante.

 

Ingredientes (Rende aproximadamente 2 dúzias de biscoitos):

  • 1 xícara e 1/4 de farinha de trigo
  • 1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 1/2 colher de chá de fermento em pó
  • 1/4 de colher de chá de sal
  • 1/2 xícara de açúcar cristal
  • 1/2 xícara de açúcar mascavo
  • 1/2 xícara de manteiga em temperatura ambiente
  • 1/2 xícara de manteiga (ou pasta, ou creme) de amendoim
  • 1 ovo
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 1 xícara de chá de chocolate meio amargo
  • 1/2 xícara de creme de leite

Obs: As medidas em “xícara” são em xícara de chá.

Modo de preparo:

Pré-aqueça seu forno à 190 graus. Em uma tigela, coloque a farinha, o fermento, o bicarbonato e o sal, misture tudo e reserve. Bata (com um fouet, com um mixer elétrico ou em uma batederia) o açúcar mascavo, o açúcar granulado e a manteiga, até ficar uma mistura mais clara e mais fofa. Então acrescente o ovo, a manteiga de amendoim e a baunilha, bata até tudo ficar bem misturado. Em seguida acrescente a mistura de ingredientes secos e misture até ficar uma massa com textura de massa de cookie (que é mole e grudentinha, para ser manuseada apenas com colher e não com as mãos).

Em uma fôrma untada, antiaderente ou coberta com papel manteiga faça bolinhas com a ajuda de uma colherzinha e vá colocando na fôrma, ajeitando para ficar redondinda. Deixe espaço de cerca de 2 dedos entre um biscoito e outro (eles crescem). A quantidade de cada bolinha depende do tamanho que você irá querer seus biscoitos. Eu gosto menores e coloco meia colher de chá para fazer cada bolinha. Após ajeitar as bolinhas, pressione levemente com um garfo, para deixar uma marquinha e também dar uma achatada no biscoito.

Asse no forno pré-aquecido por 6 minutos (ou até dourar à seu agrado), tire a fôrma do forno, espere descansar por 4 minutos e então desenforme.

Para fazer o recheio, é só fazer uma ganache: Pique o chocolate em pedaços pequenos e coloque em um recipiente. Aqueça o creme de leite até levantar fervura e então derrame sob o chocolate. Espere 2 minutos e então misture, está pronto.

Antes de rechear, deixe a ganache esfriar para endurecer um pouco. Daí é só rechear à gosto e ser muito feliz comendo.

Como fazer um honesto e bom doce (geleia) de uva!

Tem muita coisa por aí sendo vendida como geleia ou doce de fruta que contém tanta coisa estranha dentro que minha avó jamais chamaria isso de comida e chamaria de tolo quem chamasse. É muito bom quando pelo menos de vez em quando nos aproximamos da comida mais honesta que existe – aquela feita só com a natureza pura e com as nossas mãos, só, sem mágica química que altera as coisas e mais tarde altera a gente. Esse doce de uva é simples, vai só uva e açúcar pra virar doce (em medidas adequadas, aprendi a calcular a proporção de açúcar para uvas com a Paola Carosella, nem precisa falar mais nada, né mores?) e um toque de vinho e azeite de oliva, que uma amiga linda e ruiva me indicou. Fica bom mesmo, de coração. E também aprendi (também com Paola) a gostar de colocar nozes torradas no doce depois de pronto. Enfim, essa receita é resultado de muitos encontros e inspirações.  Eu gosto muito quando é assim.

Ingredientes:

  • 1kg de uvas pretas
  • Açúcar (pode ser demerara ou refinado)
  • 4 colheres de sopa de azeite de oliva extra-virgem
  • 1 xícara de café de vinho tinto (um bom, que você beberia bem feliz)
  • 1 colher de sopa de caldo de limão (melhor se for siciliano)
  • Nozes à gosto (opcional)

Modo de preparo:

Se suas uvas tiverem sementes, tire-as. Mantenha a casca. Leve para uma panela em fogo médio até que comece a ferver. Então deixe no fogo um pouco mais baixo até reduzir o volume de liquido pela metade, em seguida desligue e deixe esfriar. Agora você vai definir o quanto de açúcar irá usar, faça assim: Pese as uvas, então volte elas para a panela e coloque uma quantidade de açúcar que seja equivalente à 1/4 do peso das uvas (ou seja, se fosse 1kg o peso, seriam 400g de açúcar). Leve de volta ao fogo, acrescente o vinho, o suco de limão e o azeite, misture. Deixe reduzir novamente, dessa vez até atingir uma consistência que te agrade para seu uso – sinta e desligue quando seu coração disser que está perfeito. Se for acrescentar nozes, torre elas no forno, sem queimar, só um pouquinho para liberar um aroma emocionante, e então quebre em pedacinhos e acrescente no doce pronto.

Dicas de uso:

  • Ela fica ótima para cobrir uma sobremesa gelada, como uma cheesecake – se for usar para isso lembre-se de deixá-la mais líquida, e para essa finalidade não é bom usar nozes.
  • Passe manteiga no pão e acrescente o doce por cima, é algo com um tom de divindade, juro.
  • Como eu disse acima, parte do jeito de fazer essa receita aprendi com Paola Carosella, ela faz um doce parecido com esse e recheia biscoitos, fica muito bom. Então, pode usar como recheio.

Lebkuchenpläetzchen – Como fazer o biscoito alemão tradicional no natal do sul do Brasil.

Muitos natais da minha infância foram em Santa Catarina, onde minha família paterna mora. A influência da colonização alemã é muito viva lá até hoje e pode ser vista na gastronomia, é o caso desses tradicionais biscoitos de natal. Essa receita deriva do “Lebkuchenpläetzchen”, biscoitos muito antigos, consumidos no natal da Alemanha desde a idade média, são muitíssimos tradicionais da culinária alemã (minha madrasta tem um livro muito antigo alemão com receitas cheias de tradição e marcas afetivas, tem esses lá).  Em Santa Catarina, nessa época do ano,  são vendidos em todo lugar possível. Adoro eles e o gosto de memórias antigas que eles tem. Fazer eles hoje extraiu um carinho e sutileza gigante de dentro de mim, engraçado, mas até meus movimentos na cozinha ficaram mais suaves e delicados quando os fiz. Essa receita, essa delicadeza e esse carinho, compartilho com vocês.  Vai ser meu jeito de dizer feliz natal. 

Ingredientes para a massa:

  • 500g de farinha de trigo
  • 200g de açúcar
  • 80g de manteiga em temperatura ambiente
  • 4 ovos
  • Meia colher de sopa de bicarbonato de amônio
  • 1 colher de sopa de extrato de baunilha
  • Se quiser aromatizar, você pode colocar umas duas pitadas de cardamomo em pó, raspas de limão ou raspas de gengibre, já fiz dos 3 jeitos e fica muito bom. Por ao mesmo tempo cardamomo e gengibre fica muito bom também!
  • Açúcar cristal colorido para decorar

Ingredientes para cobertura:

  • 2 claras
  • 5 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro
  • Gotas de limão siciliano

Modo de preparo:

Comece pela massa: Junte em uma vasilha grande todos os ingredientes da massa, misture tudo o suficiente para obter uma mistura homogênea, sem misturar demais  – sempre que estamos falando de biscoitos que queremos algo de crocante, misturar a massa demais nunca é bom. Deixe a massa descansar uns 5 minutos e então já pode abrir ela – esfarinhe uma superfície e abra a massa com um rolo. A espessura depende do seu gosto, se quiser biscoitos mais grossos e fofos por dentro deixe mais grosso, se quiser mais corcante deixe mais fino. Eu gosto mais corcante e deixo uma espessura de uns 4 milímetros. Após abrir corte com o cortador que quiser, ou até com uma faca em quadradinhos, use a imaginação. Adoro estrelas e corações. Leve para assar  em forno pré-aquecido à 200 graus, em fôrma untada ou fôrma antiaderente ou ainda forrada com papel manteiga. Asse até começar a dourar. Leva em média 12/15 minutos. Retire do forno e reserve para esfriar um pouco. Após assar todos os biscoitos mantenha o forno ligado, abaixe para 180 graus.

Para a cobertura, bata a clara em neve e acrescente o açúcar e as gotas de limão, e continue batendo até ficar firme (porém fica mais mole mesmo, não chega a atingir “pico duro”). Cubra cada biscoito com um pouco da cobertura, espalhe o açúcar cristal colorido para decorar (ou o confeito que quiser) e leve ao forno de volta, deixe o suficiente apenas para endurecer a cobertura, sem deixar dourar muito. Prontinho!

Após esfriar guarde em um lugar fechado para preservar a crocância. Feliz natal!

 

Receita de Bolo Double Chocolate com Azeite de Oliva!

Sair do uso comum dos ingredientes é importante e bonito, nossas possibilidades sensoriais com comida se expandem e a vida fica mais interessante, sério . Fora que, como sempre digo, a cozinha muitas vezes é ensaio do que podemos fazer na vida no geral – comece ousando o novo no seu paladar e depois entenda a beleza de fazer isso em tantas outras coisas na sua existência. Ousadia faz bem. É por isso que hoje estou aqui para falar de chocolate com azeite de oliva – O azeite proporciona um realce mágico no sabor de uma sobremesa com chocolate, transformando muito a experiência. Esse bolo que compartilho a receita tem o azeite como gordura base, o que traz um sabor marcante. Além disso, acrescento nessa receita iogurte e bicarbonato de sódio, que juntos criam uma reação química que garante uma umidade emocionante na massa (suspiros). E como se não bastasse tanta emoção, ainda acrescento chocolate picado, o que lembra aquele prazer de um cookie, cheio de pedacinhos de chocolate, trazendo ainda mais umidade. Faça, ouse e se divirta fazendo, e me conta o que sentiu – porque sentir algo é importante, talvez o mais importante. Bon appétit.

Ingredientes:

  • 140ml de azeite de oliva extra virgem
  • 4 ovos
  • 280g de açúcar
  • 150g de farinha de trigo
  • 50g de cacau em pó (pode ser chocolate em pó se quiser).
  • 1 pitada de sal
  • 10g de fermento em pó
  • 10g de bicarbonato de sódio
  • 220g de iogurte natural
  • 200g de chocolate picado (eu uso amargo 50%, pode usar qual quiser, inclusive chocolate branco).

Modo de preparo: 

Unte uma fôrma de aproximadamente 25cm de diâmetro (gosto de untar com manteiga e polvilhar cacau em pó, por se tratar de um bolo de chocolate). Pré-aqueça seu forno à 180 graus. Misture em uma vasilha a farinha, o bicarbonato, o fermento e o sal, reserve. Em uma vasilha grande o suficiente para ir recebendo todos os ingredientes, coloque os ovos e o azeite, bata um pouco (com um fouet) e então acrescente o açúcar e continue batendo, até ficar uma mistura fofa, então em seguida acrescente o iogurte e bata mais um pouco.

Junte então o cacau em pó e bata até misturar por completo. Em seguida junte a mistura de farinha e bata até tudo ficar homogêneo. Por último acrescente o chocolate picado (não deixe pedaços muito grandes para não ficar muito denso e ir tudo para o fundo da fôrma), misture. Coloque na fôrma untada.

Leve para assar no forno pré-aquecida por cerca de 35 minutos. Quando você enfiar um palito ou um garfo no centro e ele sair limpo estará prontinho.

Não demore muito de desenformar, pois se tiver descido muito chocolate para o fundo e esfriar na fôrma pode grudar.

Eu gosto de comer ele sempre morninho para sentir o chocolate derretidinho, é um amorzinho assim.

Eu como esse bolo purinho, mas se quiser cobertura sugiro uma ganache de chocolate (clique aqui que divido uma receita com você de uma ganache boa). Também fica ótimo com uma bola de sorvete e frutinhas vermelhas frescas, enfim, coma do jeito que mais te fará feliz, assim que é bom. Bon appétit!

 

Receita de Gâteau au chocolat (bolo de chocolate cremoso sem farinha)!

 

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Receita de gâteau au chocolat (um bolo de chocolate cremoso e amoroso sem farinha). Você é capaz de ver a alegria de viver nesse gâteau? É uma receita simbólica e guarda muito. Fazê-la é sempre uma experiência delicada – começo escolhendo com cuidado e carinho os utensílios e ingredientes (só vai 4 ingredientes, então eles precisam ser escolhidos com seriedade e carinho, é importante que sejam bons). Misturo os ovos com o açúcar sempre num bowl bonito. Pego folhinhas das plantas de casa para servir de molde para as folhas de chocolate que a enfeitam. Os detalhes e cuidados importam. Aprendi essa receita com uma confeiteira que me ensinou a ver na cozinha a “joie de vivre” – a alegria de viver, de se relacionar com o mundo natural de um modo revolucionário e fazer da cozinha o lugar mais feliz, ocupado e vivo da casa. Você é capaz de ver nesse bolo a alegria de viver? Espero que seja. Ele é muito bom, cremoso, intenso e lindo. Mas além de bom, diz muito, pra mim.

Ingredientes:

  • 290g de chocolate amargo (pode ser meio amargo, eu uso amargo)
  • 5 ovos
  • 200g de açúcar
  • 100g de manteiga
  • cacau em pó para polvilhar a fôrma

Você precisará de uma fôrma de fundo removível de cerca de 21cm de diâmetro.

Modo de preparo:

Derreta o chocolate em banho-maria junto com a manteiga – derreter os dois juntos é importante pois a manteiga, nossa amiga querida, é uma gordura gentil que protege todas as propriedades do chocolate e as mantém perfeitas pra gente sentir seu melhor. Após derreter tudo reserve. Em uma vasilha bata os ovos e o açúcar com um fouet – não bata demais, apenas o suficiente para incorporar. Acrescente então o chocolate derretido com a mistura de ovos e bata com um fouet até incorporar tudo.

Pré-aqueça seu forno à 180 graus. Unte a fôrma de fundo removível com manteiga e polvilhe cacau em pó nela, então despeje a mistura do bolo. Leve para assar em banho-maria (é uma mistura muito delicada, sem farinha, com muitos ovos, para ficar em uma consistência incrível, cremosa e meio mousse, precisa assar lentamente de um modo que só o banho-maria permite). Pegue uma folha grande de papel alumínio e coloque a fôrma em cima, rodeando o alumínio em volta dela para proteger e evitar que a água do banho-maria entre na fôrma (já que ela é de fundo removível, né). Coloque então a fôrma com a massa em uma fôrma maior que ela e acrescente água já quente. Leve ao forno pré-aquecido e asse por cerca de 50 minutos à 1 hora.

Uma casquinha crocante incrível se formará por cima! Isso dará um contraste delicioso no gâteau.

Após assar, deixe o bolo ainda na fôrma esfriar um pouco em temperatura ambiente e depois leve para geladeira – só desenforme quando ele estiver completamente gelado. Para desenformar solte as laterais com uma faquinha para ajudar. Ele é um bolo melequentinho lindo mesmo, então é meio difícil desenformar, mas nada demais também. Seja muito feliz comendo – porque não tem como não ser comendo isso.

Dica de decoração:

Tanto essa receita quanto essa dica de decoração eu aprendi com a diva da cozinha Raíza Costa. Para fazer essas folhinhas de chocolate que decoram o bolo faço o seguinte: Derreto o chocolate, espero que esfrie um pouco e então pincelo folhas naturais de árvores ou plantas – que gracinha né? Pois é. As coloco na geladeira e quando endurecem retiro a folha de chocolate da folha, pronto. Também gosto de colocar pedaços rústicos de avelã junto por cima do bolo.

Dicas de acompanhamento:

Fica ótimo com chantili de cachaça do lado (que você obtém batendo creme de leite fresco e quando estiver no ponto de chantili acrescente uma colherzinha de cachaça). Também fica divino com creme inglês, ou uma frutas frescas azedinhas tipo framboesa…

Bon appétit!

Como fazer figos assados com creme de mel. 

Figos emocionantes de sobremesa porque fruta é sobremesa sim, rapaz. Se você prestar atenção vai achar tanta coisa  a sua volta que é capaz de emocionar você na vida e você nem liga. Tem muito prazer simples oculto por aí que ninguém usa direito. Esses figos contam isso, você é capaz de ouvir? O simples pode ser lindo. Fruta pode ser sobremesa, vem feita e a gente só ajeita pra tirar mais emoção dela.

Como fazer:

Corte os figos em 4, coloque em uma assadeira, regue com azeite e asse no forno à 180 graus por uns 10/15 minutos. Enquanto eles assam misture creme de leite com mel, em uma proporção para ficar um amarelinho gentil, como o da foto. Retire os figos do forno e regue com o molho. Quando comer entenda o quanto o singelo pode ser bom e o quanto um figo pode ser muito bom sendo apenas ele mesmo, um figo. Compreenda algumas coisas importantes e adocica a sua vida, meu amor.

Como fazer Madeleines e de onde elas vem? Aprenda a sentir o melhor que uma madeleine pode te trazer!

Madeleines – um dos maiores símbolos da França. Originária da região de Lorraine (do mesmo santo lugar de onde veio a quiche lorraine) esse bolinho traz “joie de vivre” pra gente – a alegria de viver. Alguns dizem que ela surgiu na cozinha do duque de Lorraine, Stanislas Leszcynski (que era, além de sogro de Louis XV, rei da Polônia que perdeu seu reino e então ficou exilado na França). Diz a história que o duque um dia receberia para o jantar o polêmico escritor Voltaire, que era odiado por todos naquela cidade, tanto que o mordomo e padeiro do duque se recusaram à servi-lo. Então a cozinheira da casa, Madeleine, para salvar o jantar fez uma receita de bolo que aprendeu com sua avó – que ficou tão boa que ganhou a apreciação do duque, de seus convidados e depois se espalhou pela cidade, em seguida por toda a França, levando o nome da cozinheira. As madeleines também foram imortalizadas na obra “Em busca do tempo perdido” do escritor Marcel Proust, que usa as madeleines para explicar suas ideias sobre memórias afetivas evocadas através do gosto de algo (no caso do exemplo que ele conta na obra, através do gosto de uma madeleine).

Não é a toa que as madeleines ganharam tanta fama e ainda foram escolhidas por Proust para ilustrar suas ideias sobre tempo e memórias. Recém-assadas elas nos proporcionam uma experiência marcante, de memória eterna. Ao sair do forno possuem um breve momento de glória, apresentando bordas sutilmente crocantes, um centro macio e ao  ser mordida libera um vapor cheio de aroma, que é um sopro de vida, absolutamente emocionante. Mas  isso só acontece nos seus primeiros 5 minutos, depois já mudam de textura. Ficam boas depois também, mas essa glória dos primeiros 5 minutos é algo mágico, prove ao menos uma vez na vida. Já disse Dominique Ansel: “Pisque e você vai perder o melhor da madeleine”. Elas sensivelmente nos mostram uma lição sobre o tempo e sua sutileza – sobre o sopro da glória que é rápida mas que deixa uma marca eterna. É complexo de explicar, melhor sentir. Vamos a receita.

Ingredientes (para aproximadamente 22 madeleines): 

  • 3 ovos
  • 130g de açúcar
  • 200g de farinha de trigo
  • 10g de fermento em pó
  • rapas de 1 limão-siciliano ou laranja
  • 180g de manteiga
  • 20g de mel
  • 60 ml de leite

Modo de preparo:

Você precisará da manteiga derretida, mas ao invés de só derreter, eu faço uma coisinha que aprendi com a Raíza Costa: se você “queimar” um pouquinho a manteiga ela cria um sabor bem mais intenso, que beira o sabor de nozes, e deixa sua receita muito mais encorpada com um tom incrível! Para isso, basta fazer o seguinte: Coloque a manteiga em uma panela em fogo brando, quando derreter você verá os sólidos do leite subindo e se separando da gordura (formando uma espuma na superfície), depois de alguns segundos esses sólidos (a espuma) vão afundar e tostarão no fundo da panela, deixando a mistura num tom castanho escuro – quando atingir essa cor desligue a panela – pronto, essa reação deixará a manteiga com um sabor singular incrível! Quando desligar o fogo, misture nela o mel e o leite. Reserve.

Bata os ovos com o açúcar até ficar mais esbranquiçado e espumoso. Adicione a farinha e o fermento e misture tudo. Em seguida acrescente a mistura de manteiga derretida e as raspas de limão, misture tudo até ficar homogêneo. Cubra e deixe na geladeira por algumas horas ou por uma noite – esse descanso é muito importante para você ter a experiência emocionante ao morder sua madeleine.

Após o tempo de descanso da massa, hora de assar. Pré-aqueça seu forno à 200 graus. Unte com manteiga e farinha as forminhas de madeleine se tiver, se não tiver unte as que tiver. Coloque a massa nas formas (não encha as formas até o final, coloque massa um pouco acima da metade do espaço). Leve para o forno pré-aquecido e asse à 200 graus por 5 minutos, então abaixe o forno para 180 graus e deixe mais cerca de 10 minutos – até ficar dourado nas bordas.

Enquanto assa, deixe seu chá ou o que for acompanhar prontos, na mesa, esperando – porque quando as madeleines sairem do forno você precisa comer pelo menos uma delas no momento de glória – que são os seus primeiros 5 minutos. Morda, sinta, respire essa vida incrível que ela exala nesse momento. Enfim, espero que ao morder entenda a emoção que escrevo aqui.

Dicas: Antes de assar as madeleines, você pode espetar uma framboesa fresca em cada uma delas, fica muito gostoso. Também pode fazer cremes doces de seu agrado para acompanhar. Seja criativo e faça algo que tenha sentido para você para complementar, você é livre para criar e a cozinha te lembra disso.

Bon appétit!