Como fazer Cartola! Receita simples e incrível!

Cartola – uma sobremesa absolutamente brasileira, que é resultado de uma mistura de hábitos e tradições dos portugueses, povos indígenas e africanos – quer algo mais brasileiro que um doce que une referências dos 3 principais povos que compõe a cultura do nosso país? Não é a toa que a cartola é considerada patrimônio cultural imaterial do estado do Pernambuco – veja que chique! Amo fazer um doce que me conecta com a história cultural do meu país! Cozinha é conexão histórica, e isso faz muito bem para a alma, meu povo!

Abaixo receita escrita, mas te sugiro clicar aqui e ir lá no meu Instagram ver o video completo dessa receita, onde ensino o passo a passo completo bem detalhado! O video está no no meu IGTV. Meu endereço no Instagram é @rodrigo.vilasboas

Ingredientes (para cada porção):

  • 1 banana
  • 2 pedaços (fatias grossas) de queijo – preferencialmente coalho, mas eu uso o canastra também
  • Açúcar à gosto
  • Canela à gosto
  • Manteiga (preferencialmente de garrafa)
  • Melado de cana (opcional)

Modo de preparo:

Aqueça uma colher de chá de manteiga numa frigideira antiaderente. Corte a banana ao meio (no sentido do comprimento) e doure ela dos dois lados. Reserve. Limpe o excesso de gordura da frigideira e coloque o queijo, doure um lado dele – é importante que crie uma casquinha crocante, isso faz toda diferença. Agora monte sua cartola: Coloque o queijo tostado sob a banana e polvilhe com açúcar e canela. E se quiser, coloque um pouco de melado de cana por cima.

Seja feliz comendo esse doce marca cultural do nosso paraíso tupi-guarani!

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Receita afetiva que une 2 mundos. Curau brûlée com crumble de canela.

Hoje foi um puta dia lindo. Fui pra cozinha com tudo que eu sou e fiz um prato que quando terminei me vi nele – sabe o quanto isso é emocionante? Eu tenho um compromisso e laço intenso com as coisas da minha terra, em especial as coisas da Bahia da minha mãe. Mas também tenho uma conexão profunda com as coisas da Europa, que na minha infância minha madrasta me ajudou a conhecer. Em especial os detalhes franceses me emocionam. E é assim porque meus caminhos fizeram a história assim – os lugares de amor que ocupei me trouxeram essas referências. É uma história longa, não dá pra contar hoje, o que eu queria contar é que hoje o curau brûlée com crumble de canela que fiz é uma foto do mais profundo que me compõe. Eu suspeito que essa será a receita mais afetiva que compartilhei com vocês até agora.

O curau é com uma textura mais cremosa, que se aproxima do “crème brûlée” francês. O gosto lindo da canela vem através de uma farofa, o crumble, dando junto um crocante que casa lindo com o curau cremoso. O milho, que é uma grande referência da cozinha da minha família (e do meu país), usado com influências francesas. Estou tão feliz com esse prato. Uma mistura de detalhes franceses com marcas profundas do paraíso tupi-guarani – esse prato é isso, eu sou isso.

Ingredientes (rende 5/6 porções):

Para o curau:

  • 4 espigas de milho (ou o suficiente para encher 3 xícaras de chá com grãos debulhados)
  • 2 xícaras de chá de leite
  • 3/4 de xícara de chá de açúcar
  • 5 colheres de sopa bem cheias de creme de leite
  • Um pouco de açúcar para polvilhar e fazer o “brûlée”.

Para o crumble de canela:

  • 70g de açúcar
  • 110g de farinha de trigo
  • 65g de manteiga gelada
  • 3/4 de colher de sopa de canela em pó

Modo de preparo do curau:

Descasque as espigas, tirando toda palha e cabelos (se quiser, guarde alguns pedaços de palha para montar o prato, decorando). Tire os grãos das espigas, com uma faca ou utensílio específico, caso tenha. Coloque em seguida todos os grãos debulhados no liquidificador e acrescente o leite. Bata bastante até tudo estar bem processado e homogêneo.

Em seguida, coloque uma peneira sobre uma panela e peneire a mistura, para remover o bagaço do milho. Aperte bem na peneira para extrair o máximo de liquido possível. Leve então esse liquido ao fogo médio e acrescente o açúcar. Comece a mexer com um fouet, sem parar, enquanto o cozimento acontece. Quando levantar fervura, cozinhe por mais 5 minutos. O curau engrossa rapidinho, quando engrossar mexa com fervor, para evitar que empelote ou grude no fundo da panela, se perceber que isso está acontecendo retire do fogo um instante e bata bem com o fouet até ficar cremoso e uniforme, e então volte ao fogo. Após levantar fervura e após os 5 minutos de cozimento, desligue o fogo e acrescente o creme de leite, mexa bem.

Coloque em um refratário ou em potinhos individuais e leve para gelar por pelo menos 1 hora.

Modo de preparo do crumble de canela:

Em uma tigela, misture todos os ingredientes, esfarelando a manteiga com a ponta dos dedos para que ela se una aos demais ingredientes, construindo uma farofa. Manuseie o mínimo que puder, para evitar que a manteiga derreta muito. Após estar tudo misturado, com aspecto de uma farofa grossa e úmida, leve para a geladeira e deixe lá por 30 minutos (isso é importante para garantir a crocância legal do crumble). Enquanto isso, pré-aqueça o forno à 160 graus. Após o descanso coloque a farofa em uma fôrma, espalhando nela toda. Leve para assar por cerca de 10 minutos, ou até estar dourado. Retire do forno e deixe esfriar.

Montagem:

Você pode fazer o brûlée (casquinha de caramelo bem fininha que ficará na superfície do curau) direto nos potinhos em que deixou o curau esfriando ou pode, como eu gosto de fazer, tirar uma colherada bem cheia de curau, pôr em um prato sob uma palha de milho (veja na foto acima) e fazer o brûlée nele. Seja como for, o brûlée se faz assim:

Polvilhe uma fina camada de açúcar sob o curau e queime para virar caramelo – Você pode fazer isso de 2 jeitos: usando um maçarico culinário (mais prático e com resultados melhores), ou usando uma colher de ferro aquecida. Se usar o maçarico é só ir fazendo com ele movimentos circulares até “queimar” o açúcar e deixar ele no tom da imagem acima (sem queimar muito para não ficar amargo, tem que ficar bronzeadinho só, 10 segundos de maçarico em cada um é suficiente). Se for usar uma colher de metal faça da seguinte forma: Esquente ela na chama do seu fogão a gás até que ela esquente bastante (o metal ficará num tom azul e meio escurecido). Após aquecer encoste a colher no açúcar e faça movimentos circulares, até caramelizar toda a superfície. Antes de aquecer a colher novamente lave-a muito bem para não ficar resíduos.

Pronto, o curau está com o brûlée. Sirva com o crumble de canela (quebre em pedaços, eu gosto de deixar bem trituradinho). É realmente bom.

Espero que gostem. Essa é uma receita valiosa pra mim.

Bon appétit.

Receita de brigadeiro sensacional!

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Brigadeiro. Tão brasileiro, tão simples e tão paradisíaco! Durante o tempo que fiquei no Canadá fiz algumas vezes e levei para algumas festas, era engraçadíssimo ver o encanto de pessoas que não tinham ideia do que era aquilo (canadenses e amigos de outras nacionalidades) experimentando e em seguida fazendo uma cara de quem achou o convite dourado para a Fantástica Fábrica de chocolate! Esse doce está tão dentro de nossa realidade que seu sabor sem igual é anexo ao nosso paladar e não surpreende tanto mais a gente. Na verdade depende, eu me surpreendo toda vez que como a primeira colherada de uma panela de brigadeiro… não sei como parar de me surpreender com ele.

Hoje ensino a fazer essa receita tradicional de um modo especial (eu estava com saudade de rimar). O segredo são as quantidades exatas e ingredientes de qualidade –  usar manteiga ao invés de margarina, chocolate em pó e não achocolatado, chocolate meio amargo para equilibrar o leite condensado. Exatidão e simplicidade! Vamos lá:

Ingredientes:

Modo de preparo:

Simples e encantador: Coloque todos os ingredientes em uma panela em fogo médio (exceto a manteiga), e vá mexendo sem parar. Quando notar que está quase em ponto de fervura acrescente a manteiga, e continue mexendo.

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O ponto do brigadeiro é quando ele desgruda facilmente do fundo da panela. Então coloque em um prato e deixe esfriar. Depois disso é só enrolar e confeitar usando toda sua criatividade, veja sugestões abaixo! Ou se for o dia de preguiça coma na panela mesmo, eu também amo! Para fazer as bolinhas não esqueça de passar manteiga na mão! Essa receita rende 50 brigadeiros pequenos ou 25 médios!

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Os meus confeitos preferidos são rolar o brigadeiro no cacau em pó e no amendoim torrado moído! No coco ralado também fica muito bom!

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Da para fazer presentinhos lindos com eles!

Restaurante Arturito (São Paulo) – Ir na exposição e sentir o sabor da alma do artista.

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Cheguei a pouco da minha primeira visita ao famoso restaurante Arturito, em São Paulo. O restaurante é da premiada chef Paola Carosella, a querida jurada do Masterchef Brasil. Faço questão de escrever agora mesmo sobre o restaurante, logo após chegar de lá, para que a emoção que estou sentindo alcance o post.

Tenho visitado alguns locais em São Paulo que me fizeram ver que fama, filas gigante e casa sempre cheia nem sempre são sinônimos de qualidade e daquilo que busco em um restaurante, mas o Arturito passou longe de ser uma decepção. Fui hoje sem saber que ia, foi uma surpresa planejada por alguém que sempre sabe como tocar minha alma e dessa vez decidiu me levar para conhecer de perto o trabalho de uma cozinheira que admiro e respeito muito (admiração que vem  de muito mais do que é possível falar agora). Estar no Arturito foi especial de verdade, porque ele é um lugar que conta uma história que inspira e movimenta a gente. Saímos de lá com uma sensação forte e bonita, de que comida quer dizer muito mais do que imaginamos.

E meu encanto  de hoje pela visita ao restaurante não é apenas pela admiração à chef Paola, mas sim pela experiência total do restaurante. Alguns detalhes do local nos colocam delicadamente em contato com a essência e marca da cozinha proposta pela chef: A decoração insinuando algo sobre a origem das coisas que se come, lembrando que um prato vem de ingredientes que tem um valor, uma composição, uma originalidade natural que deve ser considerada e observada. A decoração do restaurante vira e mexe lembra a faceta agrícola de um alimento – uma selva, uma fazenda – nos faz entrar em contato com o que se come de uma forma muito bonita. O cardápio é simples e fantástico, com pratos que exaltam ingredientes e mostram o espetáculo que o singelo e natural tem.

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O pão de fermentação natural é oferecido como couvert, servido com manteiga e azeite – R$9,50.

O pão de fermentação natural é o melhor pão que já comi. Aparência já traz a identidade da casa da chef. O sabor é marcante, sabor que nos diz algo intenso e simples – há um entusiasmo delicado que me acompanha ao senti-lo.

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Prime Rib – Servido com chimichurri e batatas Robuchon – R$160,00 (serve 2 pessoas).

Pedi o famoso Prime Rib – e nunca mais vou esquecer o perfume desse prato. Ponto de carne que da vontade de escrever uma poesia só de lembrar. O Perfume do chimichurri invadiu minha alma. O Prime Rib é um prato que serve 2 pessoas, e vem acompanhado de batatas Robuchon (uma especie de purê em formato de esfera que é assado, lhe conferindo uma crosta crocante impecável).

A casa tem uma larga carta de bons vinhos, opções interessantes de drinks (Tomei um Port & Tonic (Porto branco, tônica e zest limão siciliano), muito bem feito, gostei bastante, custou R$23,00 – a maioria dos drinks são nessa faixa de preço.

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Detalhe do cardápio – Filosofia da casa.

De um modo geral a experiência no Arturito foi um contato autêntico com a identidade, com a arte singular de uma cozinheira e com a sua história. Poder sentir claramente em diversos detalhes do restaurante a filosofia que permeia o trabalho de Paola Carosella foi o mesmo que ir em uma exposição e sentir o gosto da obra de um artista, visitar fragmentos de sua alma – e sentimos isso desde a decoração da casa até quando a conta vem – junto com um potinho com pedaços rústicos de chocolate amargo, na forma autêntica e sensacional do ingrediente, para experimentarmos seu original. Experimentamos no Arturito a identidade de uma artista, a identidade dos ingredientes e da própria natureza, isso é uma experiência autêntica, de reconexão ao natural que somos parte. Não tive a sorte de encontrar Paola pessoalmente no restaurante, mas a sensação de conhecer intensamente o Arturito é a de conhecer profundamente algo da alma da cozinheira. Então eu a conheci. Cada segundo no Arturito foi poesia.

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Aquele que sabia que uma noite no Arturito tocaria minha alma!

Restaurante Arturito

  • Endereço: Rua Artur de Azevedo, 542 – Pinheiros, São Paulo
  • Horários: Almoço: de, 3ª a 6ª das 12h às 15h, sábados e domingos das 12h30 às 16h, Jantar: de 2ª à Sábado das 19h às 23h30.
  • Contato: [11] 3063-4951
  • Site: arturito.com.br (Lá você encontra cardápios e preços).

 

 

Exposição “Alimentário – Arte e Construção do Patrimônio Alimentar Brasileiro”, na Oca (Parque do Ibirapuera, São Paulo).

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Gastronomia, cultura e arte! Dica  linda e imperdível para os que, assim como eu, encontram na cozinha muitas coisas, como um Divã. Está acontecendo na Oca (Parque do Ibirapuera, São Paulo) a exposição “Alimentário – Arte e Construção do Patrimônio Alimentar Brasileiro”, que apresenta marcas culturais e históricas presentes no mundo gastronômico do nosso país. A exposição reúne fotografias, pinturas, videos, documentos históricos, esculturas, açafrão, cravo, mexerica e muito mais!

A exposição tem totalmente a cara do blog, gente! Uma relação muito bem feita da alimentação com arte, englobando aspectos dos hábitos sociais, cultura e história do nosso país. É muito interessante caminhar pela exposição e sentir memórias sendo despertas, memórias entrelaçadas às marcas tão típicas de nossos hábitos alimentares, que são tão parte da nossa identidade social.  Alimento é marca, é arte. Achei a experiência emocionante!

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Uma espécie de bolsões suspensos recheados de temperos típicos da nossa culinária, basta se aproximar dos bolsões e brincar de adivinhar os aromas – açafrão, cravo…

“A estratégia da curadoria foi exibir um retrato sugestivo de como o universo dos alimentos e da culinária contribuiu para a constituição visual e do imaginário brasileiro de hoje. “Mais do que apresentar documentos e obras que contassem a mesma história, o que seria impossível, buscou-se por meio das obras expor um retrato do universo alimentar brasileiro que fosse fiel no sentido de reproduzir não seus traços externos, mas a pluralidade, a diversidade e até o seu estado de permanente transformação”, afirma o curador Jacopo Crivelli Visconti.” (Fragmento do portifólio da exposição). 

Espia um pouquinho da exposição:

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História e origem de famosos ingredientes da nossa terrinha.

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O primeiro livro de receitas português, impresso no final do século XVII.

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Cabeças de escravos de açúcar – representando a marca histórica do cultivo de cana.

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Arte que é de comer. 🙂

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Uma paçoca gigante.

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De um lado mexericas desenhadas em uma tela, do outro as próprias mexericas propagando seu aroma.

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A experiência de deitar embaixo daqueles bolsões com especiarias típicas da nossa culinária, e ver – sentir – a obra de outra perspectiva – sensacional!

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Mas para conseguir visitar tem que correr gente, a exposição fica aberta só até domingo (29 de março). Então corre mesmo e aproveite! Depois divida conosco suas impressões a respeito!

Mais informações:

Museu da Cidade – OCA
Exposição Alimentário – Arte e Construção do Patrimônio Alimentar Brasileiro
Abertura: 25 de janeiro de 2015
Visitação: de 25 de janeiro a 29 de março; terças à domingos, das 9h às 17h, com permanência até as 18h.
Entrada franca.

Museu da Cidade – OCA
Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n
Parque do Ibirapuera / portão 3 – São Paulo – SP