Roteiro gastronômico em uma aventura na Patagônia – como se emocionar comendo no extremo do mundo.

A Patagônia é o lugar mais emocionante que estive nesse mundo. O contato extremo com a força do mundo natural transforma a gente. Fui lá para me casar, sob um dos maiores aglomerados de gelo do mundo. Eu queria celebrar o amor, que é uma força natural gigante, num lugar onde a força natural também fosse gigante. Tinha que ser lá. Eu acho que na Patagônia nos conectamos de uma forma diferente com o mundo. Quando o vento gelado bate no nosso rosto ele nos arrasta junto para a composição do mundo, daí é como se fizéssemos parte de tudo, e tudo vira uma coisa só – nós e o mundo . É lindo e faz a vida vibrar, você precisa ir um dia se conseguir.

Te conto aqui onde comer o clássico e ancestral cordeiro patagônico, mas também conto como comprar, num mercado no fim do mundo, um biscoito folhado barato pra comer com doce de leite local durante um trekking para a montanha que fuma. Também te conto da beleza de levar um sanduíche de “mila” e uma cerveja na mochila pra comer enquanto o vento gelado do Glaciar Perito Moreno bate na sua cara e te conta da profundidade e força do mundo natural. Ah, também tem algo sobre comer uma empanada na beira de uma estrada deserta. Isso e mais. Entende do que se trata esse roteiro? Não são só dicas de restaurantes, se trata de como comer algo em um determinado lugar e criar uma memória eterna. Tem amor pra caramba nesse roteiro, espero que sinta aqui uma parte do que a Patagônia é!

 

1) Comida ancestral – O Famoso cordeiro patagônico: Cozinha antiga de fogo alto.

Um dos sabores mais emblemáticos da Patagônia é o cordeiro patagônico – se tiver que escolher uma única coisa para comer lá, escolha isso. Em diversos restaurantes das pequenas cidades há cordeiro assado em fogo de chão (o jeito mais lindo e antigo de assar). É bem comum os restaurantes terem vitrines onde o fogo de chão fica exposto, para você entender bem a coisa. Tipo essa:

Na cidade de El Calafate eu comi meu cordeiro no restaurante Casimiro Biguá, um local bem tradicional e popular para comer esse prato (chegue lá cedo para conseguir lugar, é cheio). Sugiro que lá coma só o cordeiro, ele é barato e servido no modelo 1 para 2 (um prato farto que serve bem 2 e não custa nada caro para a média da cidade, o preço foi um dos melhores que encontramos). Outros pratos lá são meio caros, não acho que vale a pena, lá é para comer o cordeiro e só. Absolutamente delicioso, uma experiência única de sentir o gosto profundo da cozinha de caça antiga, de fogo alto.

Felizes, mesmo.

Clique aqui e acesse o site para saber tudo da unidade do Casimiro Biguá em EL Calafate. É super bem localizado!

Endereço: Av. Libertador 963, El Calafate, Argentina.

 

2) Uma aventura no Glaciar Perito Moreno – um sanduíche de “mila” e uma cerveja na mochila –  e ainda um whisky especial sob um dos maiores glaciares do mundo.

Bem bobo com as paisagens do Mini trekking – passeio sob o glaciar.

Não há nessa parte uma dica gastronômica de restaurante e melhor prato, mas sim de uma maneira marcante de comer durante uma das maiores aventuras de sua vida. Se você estiver na cidade de El Calafate, não pode deixar de visitar o Glaciar Perito Moreno, um dos maiores glaciares do mundo, que é uma das coisas mais lindas e impressionantes que você verá na vida.

Caminhada até a trilha para subir no glaciar

Há algumas maneiras de visitar o Glaciar. Você pode ir apenas até as passarelas do Parque Nacional Los Glaciares e ver o famoso Glaciar Perito Moreno de muitos ângulos. Mas eu sinceramente te sugiro ir além desse passeio nas passarelas… que é legal, mas chegar mais perto do Glaciar é uma experiência emocionante. A Agência Hielo y Aventura te leva para caminhar sob o Perito Moreno. Há 2 modalidades para esse passeio: O Mini trekking e o Big Ice – Ambos passeios duram o dia todo (considerando ida e volta de El Calafate até o Glaciar, preparações para a caminhada no gelo e todas paradas), a diferença entre um e outro é o tempo que dura – No Mini Trekking a caminhada no gelo dura cerca de 1 hora e meia, e no Big Ice cerca de 3 horas e meia. Eu fiz o Mini trekking e achei o suficiente para me emocionar profundamente. Caminhar acima do Glaciar foi a coisa mais emocionante que fiz na vida, te indico de coração. A única agência que faz esse passeio é a Hielo y Aventura, então compre direto por ela. O pacote para o Mini trekking pode ser comprado com translado incluso (ida e volta do seu hotel em El Calafate), também está incluso no pacote do Mini Trekking um percurso de barco lindo para chegar até o glaciar. E ah, no final da caminhada no gelo, o guia chega numa parte onde desenterra uma garrafa de whisky e serve para todos com gelo do glaciar – a única vez na vida onde você vai tomar um whisky onde o gelo o é mais velho que ele.

Finalmente, sobre o que comer: Não há, durante o passeio ao glaciar, onde comprar o que comer. Você deve levar seu lanche na mochila (há uma cabana onde você pode deixar seu lanche enquanto caminha no gelo, para comer na volta). Eu sugiro que você compre, ainda na cidade, um sanduíche “mila” – como eles chamam um sanduíche de milanesa (que pode ser de carne ou frango). Leve junto uma cerveja argentina boa. Na hora que voltar da caminhada do gelo, você fica um tempo numa região linda, onde há uma pausa para você comer seu lanche. Escolha um lugar emocionante para comer seu mila, eu escolhi esse:

Nunca mais vou esquecer o gosto desse mila junto com o vento gelado do glaciar batendo na minha cara e me contando sobre a força e profundidade do mundo natural.

Clique aqui e acesse o site da Hielo y Aventura e saiba detalhes do Mini trekking e Big Ice. Deu tudo certo, a empresa é super competente.

 

3) Comida aconchegante, cardápio diverso (bom e barato) e atendimento gentil que aquece a gente. Coma no Pietro’s (Em El Calafate).

El Calafate é uma cidade mais ou menos cara, os restaurantes não tem lá preços muitos acessíveis. Uma amiga indicou um lugar de comida boa, simples e barata, e nós fomos e amamos. O Pietro’s fica na avenida principal da cidade de El Calafate. Tem pizzas ótimas e um hamburguer de cordeiro que é farto e delicioso (aliás, no geral os pratos na Patagônia são bem fartos, se não estiver morto de fome, 1 sempre dá pra 2).

Amei comer lá, fui 2 vezes durante minha estadia em El Calafate. O atendimento é sensacional, simples e gentil, o que amo. Dica valiosa para não gastar muito e comer bem.

Endereço: Av. Libertador, 1002, El Calafate, Argentina. 

 

4) Empanadas na estrada para algum lugar – No meu caso foi para El Chaltén.

Empanadas na Argentina são um clássico que todo mundo que vai come. Tem em todo lugar. Pra mim as melhores não são de restaurantes muito grandes ou populares – as caseiras, de lugar pequeno, que provavelmente tem receitas familiares cheia de traços culturais antigos, são as melhores. Durante minha estadia na Patagônia fui passar 1 dia em El Chaltén (fui de ônibus de EL Calafate, fui e voltei no mesmo dia, várias agências vendem esse trajeto/excursão e não é caro, no próprio hotel/hostel que você ficar dará para comprar, provavelmente). No caminho para EL Chaltén (leva umas 3 hora para chegar lá partindo de El Calafate) fizemos uma parada num lugar simples, desses de beira de estrada, comprei uma empanada de carne incrível.

Qualquer paisagem na Patagônia é linda, não importa onde, então peguei minha empanada lá dentro do estabelecimento e fui comer do lado de fora, na beira de uma estrada deserta. Enquanto eu comia minha empanada cheia de traço cultural de onde eu estava, olhava exatamente para isso (tirei essa foto com o celular numa mão e a empanada na outra):

Essa dica é apenas uma sugestão para você comer uma empanada na beira de alguma estrada na Patagônia, eu achei emocionante e indico demais. Espero que entenda a delicadeza dessa experiência.

Depois de comer a empanada, volta a estrada.

 

4) Biscoito barato folheado maravilhoso e doce de leite em uma trilha em El Chaltén.

El Chaltén (cidade próxima a El Calafate) é conhecida como a capital mundial do trekking. Existem muitas trilhas lá, de diversos níveis de dificuldade, cada uma mais linda que a outra. As mais famosas são as que levam até alguma visão do Fitz Roy -a montanha mais famosa da região, conhecida como “a montanha que fuma”, devido as constantes nuvens que a circundam. É linda.

El Chaltén é uma cidade – na verdade uma vila – minuscula, com poucas casas e estabelecimentos. Um lugarzinho perdido no meio do mundo. Na rua principal da cidade (e quase a única), enquanto estava indo para o fim dela, onde começam as trilhas, parei num mercadinho pequeno e comprei um biscoito folheado quadrado (que não tinha nome da embalagem, era produzido ali, e eu esqueci de perguntar para alguém, mas ele tem em todo lugar em El Chaltén, quando ver um biscoito folheado quadrado, será ele). Comprei junto com os biscoitos um pote de doce de leite colonial da marca La Sereníssima, coloquei na mochila e segui minha trilha (fiz uma trilha pequena, até a Laguna Capri, eu tinha pouco tempo e não seria possível fazer uma trilha grande). Cada caminhada valeu a pena, paisagens de tirar o fôlego.

Parava em alguns momentos e comia meu folheado com meu doce de leite e pensava em como o mundo podia ser tão impressionante, e que viajar pra esses cantos ensina isso pra gente. Enfim. Eu achei especial comer biscoito folheado barato com doce de leite no meu trekking (infelizmente não fotografei eles, mas você acha fácil, prometo).

 

5) O milanesa gigante e honesto do Vera Cruz, em El Calafate.

Tem milanesa em todo lugar por lá. Comi o meu num restaurante que fica na avenida principal da cidade (Av Libertador), o Vera Cruz. Peça um que dá para 2 comer tranquilamente, sério. É farto e delicioso. Comi com uma cerveja argentina popular (Quilmes), sentei perto da janela para a rua e enquanto comia via o movimento da cidade pequena e encantadora. Foi marcante e bom.

Endereço: Av. Libertador, 1150, El Calafate, Argentina.

 

6) Se der, fique em um lugar em que você possa cozinhar algo.

Eu sempre amo me hospedar em lugares em que eu possa cozinhar algo. Ir num mercado regional, comprar coisas regionais e fazer você mesmo uma refeição regional – entende a beleza disso? Eu acho maravilhoso. Me hospedei no Calafate Hostel , um lugar encantador todo feito de madeira, com atendimento impecável, limpo, gentil e bom. Lá tem quartos privados e compartilhados, e uma cozinha grande que você pode usar. Foi perfeito pra mim, então queria deixar essa dica. Se der, sempre cozinhe por onde vai.

Endereço Calafate Hostel: Rua Gobernador Moyano, 1226, El Calafate, Argentina.

 

Espero que você, quando for a Patagônia, também se emocione, várias vezes. Que seja delicioso e marcante!

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Onde comer em Buenos Aires – 5 sugestões para sentir afetivamente o verdadeiro gosto porteño!

Buenos Aires me deu muito mais do que eu esperava. A riqueza de detalhes e o charme sedutor dessa cidade marcou uma experiência sem prazo de validade no meu coração. E a gastronomia dança nesse mesmo tom – lugares lindos apresentando uma comida com força suficiente para deixar a memória do gosto na gente. A experiência gastronômica em uma viagem é afetiva se rodeada de muitos detalhes – passeios, paisagens, hábitos culturais, temos que comer em volta disso tudo. Compartilho aqui uma experiência afetiva em Buenos Aires através da comida, rodeada de outros elementos e sugestões. Espero que sinta uma parcela da emoção que tento conduzir. Do charme europeu dos cafés elegantes cheio de tango, passando pela carne intensa, também pelo rei alfajor e até mesmo por um “fast-food” moderno e interessante, até chegar nas marcas da cozinha latina expressa nas lindas empanadas. Vem comigo! Buenos Aires tem um gosto muito bom.

  • Empanadas no tradicional El Sanjuanino

Empanadas realmente boas, atendimento rápido e direto (estilo argentino) mas você pode ter a sorte de pegar um dos garçons animados que te servem correndo mas com humor. Os recheios são os mais tradicionais, cardápio bem completo. Peça uma empanada frita, vale a pena! O ambiente é aconchegante, sem luxo e muito agradável, bastante móveis e detalhes em madeira, dando uma sensação rústica e despretensiosa. Peça junto uma boa cerveja argentina ou um gostoso vinho malbec. Preço justo! E já adianto que o lugar é cheio, recebeu muitos prêmios e está em muitos guias, mas vale a pena esperar um pouco para conseguir uma mesa. Eles tem 3 unidades, eu fui que fica no bairro Recoleta. Se for nesse aproveite para dar uma volta no bairro elegante da cidade, olhando a arquitetura singular do lugar. O cemitério da Recoleta (onde está sepultada Evita Perón) e os museus mais famosos (como o Museo Nacional de Bellas Artes) são bem perto – se tratando de arte, vale a pena ir lá depois de ir em um dos museus e entender que a empanada é uma arte muito expressiva da cozinha latina e argentina.

Site: www.elsanjuanino.com.ar/

  • Las Cañas: Uma carne à preço justo com um tostado de lembrar pra sempre.

Um lugar maior do que parece (mais de 3 pisos) sempre cheio mas sempre com um lugar sobrando. Massas e carnes são a marca do local. Comi lá o famoso bife de chorizo e um assado de tira que tinha uma crosta tão linda que me conectou fortemente a cozinha de fogo alto, e marcou em mim o gosto da carne e fogo porteño. Muito valeu a pena! Adorei sentar no espaço externo que eles tem, árvores, luzinhas, uma espécie de pracinha com um tom muito latino e fofo. A casa fica na rua Montevideo, quando for lá aproveite para dar ir adiante nessa rua, sentido à esquerda do restaurante, para ir passando pelas avenidas mais famosas da cidade e ver o movimento noturno. Buenos Aires é iluminada e tem uma noite muito agradável.

Onde fica: Rua Montevideo, 350.

  • Alfajor Cachafaz ou Alfajor Terrabusi – 2 dos melhores para sentir o gosto do doce rei da cidade.

Não há como ir a Buenos Aires e não comer um Alfajor. Existem muitos realmente bons, os que mais gostei foram esses dois: o da Cachafaz é mais caro, fácil de encontrar em mercados e quiosques de shoppings, muito acentuado e gostoso, com texturas delicadas e macias, adorei! O Terrabusi é mais em conta mas igualmente bom, talvez até um pouco melhor que o outro – achei ele mais equilibrado no doce. Tirar um alfajor da bolsa/mochila e comer durante um passeio em um dos parques lindos chega a dar um entusiasmo na gente, fiz isso umas 4 vezes.

Onde achar: Quase em todos os mercados e quiosques de shoppings.

  • O traço europeu de Buenos Aires e toda elegância do tradicional Café Tortoni

Buenos Aires tem uma forte marca francesa – na arquitetura, em alguns hábitos e no estilo dos restaurantes. É a capital latina mais européia que existe. Tem todo um contexto histórico que explica o esforço dos argentinos para “apagar” a marca da colonização espanhola, e você vê Paris em muitas coisas lá. O Café Tortoni é muito elegante e parisiense – a decoração, a luz, os detalhes. Um lugar muito charmoso para um sensacional café da tarde. Peça os churros da casa e o chocolate quente, divino é pouco! O preço é bem mais barato do que parece, fique tranquilo. Também um bom lugar para comer a famosa medialuna (o croissant argentino). Enquanto come no Café Tortoni pense sobre a América e como é interessante ver um lugar no mundo que traz em si a identidade de outros lugares do mundo que mesmo separados por um oceano tem conexões fortes entre si. A avenida em que o café fica é uma das mais famosas e históricas da cidade, o final dela dá na Casa Rosada, uma delicia de caminhar! E a noite a casa te apresentações de tango, num palco elegante e muito tradicional.

Site: www.cafetortoni.com.ar/br/

  • Um Fast-food charmosinho e moderno no Puerto Madero: Dandy Deli

Puerto Madero tem restaurantes extremamente caros e charmosos. Fui lá no dia em que estava afim de comer um hamburguer bom. Não comi em nenhum restaurante mega caro lá, o que me chamou atenção foi um charmoso fast-food, o Dandy Deli – obviamente sou muito desconfiado com fast-food, mas esse soou diferente, e depois de provar vi que era mesmo. É uma casa completa com várias opções de pratos bem frescos e com doces lindos! A casa faz parte de uma rede grande que tem diversas categorias de restaurantes. Nesse comi um hamburguer de salmão de chorar de bom! Tomei também lá um sorvete de doce de leite memorável. Uma ótima opção para fugir dos preços caríssimos de Puerto Madero. Adorei comer nas mesinhas externas e olhar a paisagem aberta do porto, sentindo o vento que naquele dia estava forte, e bom.

Site: somosdandy.com.ar/

Enfim, Buenos Aires é um mundo de possibilidades, obviamente tem muito mais que essas. Ouse e descubra um lugar novo também, seguindo sua intuição. Isso também é bom. Boa viagem!

 

Restaurante Arturito (São Paulo) – Ir na exposição e sentir o sabor da alma do artista.

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Cheguei a pouco da minha primeira visita ao famoso restaurante Arturito, em São Paulo. O restaurante é da premiada chef Paola Carosella, a querida jurada do Masterchef Brasil. Faço questão de escrever agora mesmo sobre o restaurante, logo após chegar de lá, para que a emoção que estou sentindo alcance o post.

Tenho visitado alguns locais em São Paulo que me fizeram ver que fama, filas gigante e casa sempre cheia nem sempre são sinônimos de qualidade e daquilo que busco em um restaurante, mas o Arturito passou longe de ser uma decepção. Fui hoje sem saber que ia, foi uma surpresa planejada por alguém que sempre sabe como tocar minha alma e dessa vez decidiu me levar para conhecer de perto o trabalho de uma cozinheira que admiro e respeito muito (admiração que vem  de muito mais do que é possível falar agora). Estar no Arturito foi especial de verdade, porque ele é um lugar que conta uma história que inspira e movimenta a gente. Saímos de lá com uma sensação forte e bonita, de que comida quer dizer muito mais do que imaginamos.

E meu encanto  de hoje pela visita ao restaurante não é apenas pela admiração à chef Paola, mas sim pela experiência total do restaurante. Alguns detalhes do local nos colocam delicadamente em contato com a essência e marca da cozinha proposta pela chef: A decoração insinuando algo sobre a origem das coisas que se come, lembrando que um prato vem de ingredientes que tem um valor, uma composição, uma originalidade natural que deve ser considerada e observada. A decoração do restaurante vira e mexe lembra a faceta agrícola de um alimento – uma selva, uma fazenda – nos faz entrar em contato com o que se come de uma forma muito bonita. O cardápio é simples e fantástico, com pratos que exaltam ingredientes e mostram o espetáculo que o singelo e natural tem.

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O pão de fermentação natural é oferecido como couvert, servido com manteiga e azeite – R$9,50.

O pão de fermentação natural é o melhor pão que já comi. Aparência já traz a identidade da casa da chef. O sabor é marcante, sabor que nos diz algo intenso e simples – há um entusiasmo delicado que me acompanha ao senti-lo.

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Prime Rib – Servido com chimichurri e batatas Robuchon – R$160,00 (serve 2 pessoas).

Pedi o famoso Prime Rib – e nunca mais vou esquecer o perfume desse prato. Ponto de carne que da vontade de escrever uma poesia só de lembrar. O Perfume do chimichurri invadiu minha alma. O Prime Rib é um prato que serve 2 pessoas, e vem acompanhado de batatas Robuchon (uma especie de purê em formato de esfera que é assado, lhe conferindo uma crosta crocante impecável).

A casa tem uma larga carta de bons vinhos, opções interessantes de drinks (Tomei um Port & Tonic (Porto branco, tônica e zest limão siciliano), muito bem feito, gostei bastante, custou R$23,00 – a maioria dos drinks são nessa faixa de preço.

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Detalhe do cardápio – Filosofia da casa.

De um modo geral a experiência no Arturito foi um contato autêntico com a identidade, com a arte singular de uma cozinheira e com a sua história. Poder sentir claramente em diversos detalhes do restaurante a filosofia que permeia o trabalho de Paola Carosella foi o mesmo que ir em uma exposição e sentir o gosto da obra de um artista, visitar fragmentos de sua alma – e sentimos isso desde a decoração da casa até quando a conta vem – junto com um potinho com pedaços rústicos de chocolate amargo, na forma autêntica e sensacional do ingrediente, para experimentarmos seu original. Experimentamos no Arturito a identidade de uma artista, a identidade dos ingredientes e da própria natureza, isso é uma experiência autêntica, de reconexão ao natural que somos parte. Não tive a sorte de encontrar Paola pessoalmente no restaurante, mas a sensação de conhecer intensamente o Arturito é a de conhecer profundamente algo da alma da cozinheira. Então eu a conheci. Cada segundo no Arturito foi poesia.

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Aquele que sabia que uma noite no Arturito tocaria minha alma!

Restaurante Arturito

  • Endereço: Rua Artur de Azevedo, 542 – Pinheiros, São Paulo
  • Horários: Almoço: de, 3ª a 6ª das 12h às 15h, sábados e domingos das 12h30 às 16h, Jantar: de 2ª à Sábado das 19h às 23h30.
  • Contato: [11] 3063-4951
  • Site: arturito.com.br (Lá você encontra cardápios e preços).

 

 

Com fazer Empanadas! – O sabor autêntico de toda América espanhola!

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Empanadas, In-panis, in-panata –  “encerrar um alimento em massa ou pão para depois ser assado”. Arte espanhola que atravessou o oceano junto com os conquistadores, e hoje é marco cultural de toda América espanhola – cada país da América Latina desenvolveu sua empanada característica, por isso há uma diversidade imensa nos modos de rechear, montar, etc. Assim como tantos outros pratos, comer uma empanada é comer história, herança, resquícios das aventuras humanas no mundo, das miscigenações e encontros. Aprenda a fazer a melhor massa que conheço de empanadas (inspirada na receita da chef argentina Paola Carosella). Arriba los latinos!

Ingredientes (Para cerca de 35 empanadas):

  • 500g de farinha de trigo
  • 150g de banha de porco.
  •  1 xícara de chá de água morna não muito cheia.
  • 1 pitada de sal
  • Para pincelar: 1 gema, 2 colheres de sopa de leite e açúcar para polvilhar

Modo de preparo:

Coloque a farinha e o sal em um recipiente, acrescente a banha e misture. Vá acrescentando a água aos poucos o suficiente para obter uma massa lisa e macia (se for o caso pode usar mais que uma xícara de água para chegar no ponto), misture até dar o ponto e então enrole a massa em um papel filme e deixe na geladeira por 1 hora (ou por 1 dia) – essa etapa é bem importante para obter uma massa crocante.

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Depois dessa etapa sua massa está pronta! Ao tirar da geladeira você já pode trabalhá-la! Polvilhe um pouco de farinha de trigo na superfície que for abrir a massa, abra a massa até ficar bem fina e use um cortador ou improvise um. Importante: A massa precisa ser bem fina (não é massa de esfirra!), para que fique bem crocante!

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Recheie com o recheio de sua preferência e inicie a parte mais divertida: Fazer o “repulgue” – o fechamento das empanadas! Molhe o dedo na água e passe nas bordas do disco, e então dobre-o – e aí é só fazer o fechamento final. Há diversos modos de fechar a empanada, achei um vídeo (segue abaixo) que ilustra certinho o processo! Dá uma olhada nele e você entenderá fácil! (Ignore o áudio esquisito! #risos).

Repulgue sucesso! Eeee!

Repulgue sucesso! Eeee!

Após montar as empanadas pincele com a mistura feita com gema e leite, depois polvilhe um pouco de açúcar por cima, e por último fure delicadamente a superfície da empanada com um garfo (para escapar o vapor necessário). Leve ao forno pré-aquecido à 225 graus (A temperatura do forno precisa ser bem alta mesmo, para proporcionar um dourado mais característico) e asse até ficarem bem douradas por cima! – eu gosto bem douradas, o dourado transforma completamente o sabor delas, intensifica, eu amo! Para atingir o dourado que gosto leva cerca de 15 minutos, porém vá verificando e deixe as suas na cor que preferir. E prontinho! Sinta o sabor autêntico da América espanhola!

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Mais dourada – como gosto!

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Menos douradas.