Cinema e Gastronomia – Filme “Toast: A História de uma criança com fome”.

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“É impossível não amar alguém que fez torradas para você”. Cozinhar é uma forma de entregar amor – nunca isso foi tão evidente em um filme. A comovente história de um cozinheiro contada a partir da perspectiva de sua infância, mostrando como cozinhar está conectado com suas possibilidades de oferecer amor e sentir-se amado. O filme traz encantos para os amantes da gastronomia, com a sensível e poética percepção de Nigel (personagem principal) das receitas, desvendando ingredientes e construindo talentosas produções culinárias. Mas o ápice do filme é sua emocionante história, sua busca de um lugar de amor no mundo, onde em meio a tantas tragédias ele transforma o ato de cozinhar em um sentido existencial lindo.

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O filme gira em torno da história de Nigel, um garoto britânico que sempre quis explorar a culinária, porém não encontrava muito essa possibilidade pelos hábitos alimentares de sua família – sua mãe não tinha talento algum para cozinhar, e basicamente viviam a base de produtos industrializados. Após a morte da mãe, Nigel começa a aventurar-se mais a fundo no mundo da culinária, ao mesmo tempo que seu pai contrata uma nova faxineira, que viria a se tornar sua madrasta, e que de alguma forma iria modificar sua vida – ela é uma cozinheira extremamente talentosa e inicia uma disputa com Nigel pela atenção do pai, ambos tentando conquistá-lo cozinhando coisas boas – a busca do amor através da cozinha. Uma história comovente onde Nigel constrói através da culinária uma identidade pessoal e profissional, escrevendo sua própria história em meio a receitas, ingredientes e afetos. Tudo que a gente ama tem nesse filme.

O filme está disponível na Netflix! Corre lá e assista!

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Confira trailer clicando aqui!

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A tarde quente, a Quiche Lorraine, e a poesia que as mãos fazem.

Terça-feira quente – eu chego em casa no fim da tarde depois de um dia de trabalho. Na minha casa tem duas portas de entrada, eu entro pela cozinha – eu gosto de chegar pela cozinha, de respirar pela cozinha e lembrar que é final de tarde, mas que o melhor do dia está só começando. Eu gosto, depois de trabalhar o dia todo, de chegar em casa pela cozinha, de tomar banho, ir lavar a louça de ontem, de cuidar da cozinha, deixá-la limpa para usar como uma tela em branco. A Quiche Lorraine foi a obra de hoje. Ela saiu bem quente do forno, mas hoje eu não à queria tão quente, eu queria morna, menos quente que a tarde. Ela saiu do forno e foi descansar um pouco, e eu fiquei no corredor olhando a cozinha de longe, exausto e tão feliz. Depois a comi morna, maravilhosa, com chá gelado, na tarde que já era noite, ainda quente. Um dia bom. A receita de Quiche Lorraine você encontra clicando aqui. A poesia da vida você encontra no que suas mãos são capazes de fazer.

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O contraste constrói!

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Da série “O contraste constrói” – Foto 1: Sobre a poesia das cores diferentes que fazem sentido juntas – o verde do manjericão e o vermelho do tomate, cores que dançam juntas, se complementam e constroem uma experiência linda – o contraste é lindo e constrói o lindo.

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Da série “O contraste constrói” – Foto 2: Sobre a poesia das cores e sabores diferentes, que fazem sentido juntos – Mostarda e Mel: O sabor impactante da mostarda com o doce do mel, encontro de dois elementos revelando a sensibilidade que a mostarda parece não ter, mas tem. O encontro do diferente transforma os envolvidos, os ampliam. – o contraste é lindo e constrói o lindo.

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Da série “O contraste constrói” – Foto 3: Sobre a poesia das cores diferentes que fazem sentido juntas – As cores de São Paulo do último domingo – Que assim como o manjericão e o tomate da foto 1, e assim como a mostarda e o mel da foto 2, o diferente se encontre de uma forma boa – seja na sensibilidade da gastronomia ou no simbólico e cultural da nossa gente. Que a rua um dia pare de precisar “parar” para o diferente passar, e que toda e qualquer “cor singular” de cada um vire sinônimo de gente – O arco-íris nos compõe. O contraste é lindo e constrói o lindo.

Piquenique gelado no Bluffer’s Park, Toronto.

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O encontro entre algo de comer e um lugar. Toda vez que eu comer de novo folhado de chocolate eu vou lembrar que o mundo pode ser surpreendente e que o vazio e silêncio dizem bastante coisa quando estamos dispostos a ouvir. Tudo aquilo que uma refeição pode gravar em nossa vida é algo sensacional, é por isso que acredito que o ato de alimentar-se ou preparar alimentos tem algo de “Divã”. Texto sobre um piquenique, praia congelada, amor, folhado de chocolate, nozes, punch de 99 centavos e pássaros dançando. Algo de poesia bem bonita, que agora tem o gosto de folhado de chocolate. Porque o gosto de alguma coisa às vezes é o gosto sensacional da própria vida.

Em meados de fevereiro Toronto é gelo puro. Existem alguns parques mais próximos do centro de Toronto que mesmo no frio você encontra bastante gente (como o High Park). Já o Bluffer’s Park é mais distante do centro, o que o faz bem vazio no inverno.  Fazer um piquenique gelado lá, em pleno rigoroso inverno canadense, foi uma das experiências mais sensacionais que já tive – porque piquenique não tem só a ver com dia de sol e verde intenso.

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 O Bluffer’s Park é uma mistura de parque, marina, praia, e um monte de penhascos rochosos (que são chamados de Bluffers). No inverno ele soa como um pedaço esquecido de alguma coisa. Acho que por isso que foi tão significativo. Lugares que parecem pedaços esquecidos tendem a nos fazer lembrar de pedaços nossos fundamentais, mais ou menos esquecidos. Todo mundo que vai para Toronto no inverno devia fazer um piquenique lá. Todo mundo devia lembrar dos seus pedaços fundamentais quase esquecidos.

Esse post é mais sobre amor. O Bluffer’s Park naquele dia foi amor, foi contato autêntico. Um dia inteligente e cheio de possibilidades, onde deu pra entender algo sobre “Anything could happen”. E tudo teve gosto de algo.

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O Bluffer’s Park fica em Scarborough, distrito da Grande Toronto. Não paga nada para acessar. Não é um local muito famoso. Fica mais cheio no verão (há churrasqueiras públicas e muitas famílias as usam em dias mais quentes). É um lugar lindíssimo de se visitar também no outono canadense. O melhor jeito de chegar lá é de carro, porém você pode ir de TTC (como é chamado o transporte público de Toronto). Para essa opção você deve pegar o metro até chegar na Kennedy Station (Linha 2 Verde), e dentro dessa estação pegar o ônibus 12A (Linha 12A em direção a West – 12A Kingston Rd Towards Victoria Park Station Via Brimley and Variety Village). Você deve descer no cruzamento da Kingston Rd com a Brimley Rd, e de lá ir andando até o parque (é uma caminhada boa, mas vale a pena!). O Google maps faz certinho esse trajeto por transporte público.

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