Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 79/94: Cazuela de peixe. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 79/94: Cazuela de peixe. Além de tantas coisas e emoções fortes, um enorme presente desse livro foi estreitar minha relação com peixes. Eu não tinha muitos peixes em minhas memórias afetivas, mas agora os tenho. Um caldo respeitosamente feito com peixe é um dos gostos que mais me impactam agora, é um gosto gentil, tão amoroso. No geral comida com caldo em panela é amorosa, deve ter alguns motivos. Esse projeto tem me ampliado de muitos jeitos, e a ampliação de nossas possibilidades é algo maravilhoso – sorte a nossa quando podemos provar os tantos gostos que esse mundo tem. Faça um peixe com caldo e faça aïoli para acompanhar, é afetivamente bom. É bonito criar amores novos, afinal. Obrigado, peixes e Paola.

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Como fazer um “pão com ovo” emocionante. 

“Pão com ovo”. É só pão com ovo. Mas é um pão marcante feito por pessoas e não por máquinas, que cortei e passei uma manteiga de verdade. Daí na sequência coloquei no meio um ovo de galinha que vive solta e feliz (lá no sítio da minha madrinha em Itu – SP). Então por cima coloquei pedacinhos de queijo manchego, porque eu amo queijo manchego, mas você pode colocar qualquer queijo meia cura que você ame, o amor é livre. Leve para um forno pré-aquecido à 190 graus e deixe até o ovo ficar no ponto que você goste. Quando tirar, finalize com algo que dê um perfume quase sensual para o prato – eu usei @azeitegallo (o colheita ao luar). Você entendeu essa receita? Entendeu o quão bonito é elevar ingredientes simples ao melhor que podem ser? Pra mim poucas coisas superam um pão honesto com um ovo em seu ponto glorioso acrescido de um queijo bom e algum perfume (que pode vir de ervas ou de um azeite). Uma refeição marcante pode ser pão com ovo, desde que você seja capaz de entendê-lo e construí-lo assim. Boa semana!

Receita de Bolo Double Chocolate com Azeite de Oliva!

Sair do uso comum dos ingredientes é importante e bonito, nossas possibilidades sensoriais com comida se expandem e a vida fica mais interessante, sério . Fora que, como sempre digo, a cozinha muitas vezes é ensaio do que podemos fazer na vida no geral – comece ousando o novo no seu paladar e depois entenda a beleza de fazer isso em tantas outras coisas na sua existência. Ousadia faz bem. É por isso que hoje estou aqui para falar de chocolate com azeite de oliva – O azeite proporciona um realce mágico no sabor de uma sobremesa com chocolate, transformando muito a experiência. Esse bolo que compartilho a receita tem o azeite como gordura base, o que traz um sabor marcante. Além disso, acrescento nessa receita iogurte e bicarbonato de sódio, que juntos criam uma reação química que garante uma umidade emocionante na massa (suspiros). E como se não bastasse tanta emoção, ainda acrescento chocolate picado, o que lembra aquele prazer de um cookie, cheio de pedacinhos de chocolate, trazendo ainda mais umidade. Faça, ouse e se divirta fazendo, e me conta o que sentiu – porque sentir algo é importante, talvez o mais importante. Bon appétit.

Ingredientes:

  • 140ml de azeite de oliva extra virgem
  • 4 ovos
  • 280g de açúcar
  • 150g de farinha de trigo
  • 50g de cacau em pó (pode ser chocolate em pó se quiser).
  • 1 pitada de sal
  • 10g de fermento em pó
  • 10g de bicarbonato de sódio
  • 220g de iogurte natural
  • 200g de chocolate picado (eu uso amargo 50%, pode usar qual quiser, inclusive chocolate branco).

Modo de preparo: 

Unte uma fôrma de aproximadamente 25cm de diâmetro (gosto de untar com manteiga e polvilhar cacau em pó, por se tratar de um bolo de chocolate). Pré-aqueça seu forno à 180 graus. Misture em uma vasilha a farinha, o bicarbonato, o fermento e o sal, reserve. Em uma vasilha grande o suficiente para ir recebendo todos os ingredientes, coloque os ovos e o azeite, bata um pouco (com um fouet) e então acrescente o açúcar e continue batendo, até ficar uma mistura fofa, então em seguida acrescente o iogurte e bata mais um pouco.

Junte então o cacau em pó e bata até misturar por completo. Em seguida junte a mistura de farinha e bata até tudo ficar homogêneo. Por último acrescente o chocolate picado (não deixe pedaços muito grandes para não ficar muito denso e ir tudo para o fundo da fôrma), misture. Coloque na fôrma untada.

Leve para assar no forno pré-aquecida por cerca de 35 minutos. Quando você enfiar um palito ou um garfo no centro e ele sair limpo estará prontinho.

Não demore muito de desenformar, pois se tiver descido muito chocolate para o fundo e esfriar na fôrma pode grudar.

Eu gosto de comer ele sempre morninho para sentir o chocolate derretidinho, é um amorzinho assim.

Eu como esse bolo purinho, mas se quiser cobertura sugiro uma ganache de chocolate (clique aqui que divido uma receita com você de uma ganache boa). Também fica ótimo com uma bola de sorvete e frutinhas vermelhas frescas, enfim, coma do jeito que mais te fará feliz, assim que é bom. Bon appétit!

 

A Figueira Rubaiyat (São Paulo). A emoção da figueira, da cozinha primitiva perfeita e da experiência plena em um restaurante.


Sentar para comer abaixo de uma figueira majestosa e centenária, onde seus galhos dançam pelo salão do restaurante te trazendo a genuína sensação de contato com o mundo natural, ao mesmo tempo que também experimenta um delicado e sofisticado ambiente e serviço. Soma-se à isso o conceito belo “do campo à mesa”, você come a carne que veio da Fazenda Rubaiyat e entende o que é um cuidado completo – e sente isso na carne esplendorosa que experimenta, um prato simples mas perfeito, resgatando o tom da cozinha primitiva, é lindo. O mais bonito restaurante do famoso grupo Rubaiyat é emocionalmente impactante, por muitos detalhes. Lembrando que agora a rede toda voltou a pertencer a família Iglesias e tem agora na direção das cozinhas o ilustre chef Daniel Redondo (o espanhol ex chef do Maní).

Com conceito claro e convicto do que apresenta, com sabor memorável e serviço impecável, A Figueira Rubaiyat marca a gente. Gosto muito dos pratos que na real são muito clássicos, resgatando elementos da cozinha antiga e simples, e lá eles fazem isso com grandiosidade e impacto. Quando você olha para o prato é só um pedaço de carne, mas tão cuidado e bem feito que você decide que não precisa de mais nada para ser feliz.

 

Pedi o bife de chorizo (R$139,00), que veio num ponto emocionante e com um equilíbrio perfeito entre crosta e maciez. Variedade agradável de sobremesas, provei um mil folhas com creme de baunilha e doce de leite (R$25,00),  correto e muito equilibrado quanto ao doce, gostei muito!

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Ao pedir um café (R$8,00) ele vem acompanhado de uma torre carinhosa com pequenos docinhos, um mimo que nos abraça.

Experiência plena que faz jus ao preço que se paga. Algumas experiências tão agradáveis e engenhosas são difíceis de precificar na verdade. Recomendado que vá, ao menos uma vez.

 

 

 

 

Rua Haddock Lobo, 1738 – Jardim Paulista, São Paulo – SP, 01415-000

Site: http://rubaiyat.com.br/figueira/

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 78/94: Tortas rústicas de frutas, amêndoas e panna cotta. 

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 78/94: Tortas rústicas de frutas, amêndoas e panna cotta. Um post atrasado, porque ontem foi um dia intenso e não deu para postar – mas não tem problema, porque na real a lição mais forte do livro “Todas as sextas” é uma ressignificação do valor do tempo. Temos que aprender a esperar o tempo que as coisas precisam, nem tudo fica pronto na hora que queremos. Então, me sinto em paz em atrasar, afinal. Falando em tempo, essa foi uma receita que esse conceito estava presente. Esperar as muitas horas para a fruta ficar marinando no licor Amaretto, esperar as horas para a panna cotta atingir sua textura magestosa. Ficar à espera de algumas coisas nos ensina algo, devemos nos acalmar mais com a necessidade de esperar. Enfim. As texturas são lindas, eu gostei tanto dessa sobremesa que tenho vontade de fazê-la muitas outras vezes sem nenhuma preocupação em esperar o tempo que ela leva pra ser feita. Quando entendemos que o bom da vida leva um tempo, meus amigos, a vida muda. Obrigado, torta e Paola, por mais um contato com o valor do tempo.

Como fazer tartine de presunto parma, mel e queijo. 

Ingredientes (as quantidades dependem, use conforme seu gosto, não tem problema):

  • Pão tipo baguete
  • Presunto parma
  • Mel
  • Mussarela de búfala
  • Azeite de oliva extravirgem
  • Folhas de manjericão fresco
  • Flor de sal​

Modo de preparo poético:

Uma tarde, meu sábado. Começou a tocar Bob Dylan na minha cozinha. Uma música nem tão doce nem também amarga. Eu queria ficar na cozinha com essa música, com essa tarde, e com um gosto que unisse tudo. Eu tinha algumas coisas boas e frescas, que alegria que eu tinha elas. Peguei um pão e cortei, coloquei nas fatias muito azeite honesto e bom, pitaquei flor de sal, coloquei mussarela de búfala e um presunto parma emocionante. Depois por cima de tudo um mel lindo que veio de alguma fazenda de Santa Catarina, meu pai que me deu. Foi tudo pro forno até o queijo derreter e o pão tostar um pouco. Depois coloquei folhas de manjericão fresco do meu quintal. Ficou meio doce, meio salgado, exatamente como eu queria, como a música era. Um vinho branco coroou meu coração junto disso tudo. Minha tarde de sábado ficou gravada pra sempre na minha memória. Cozinhar serve pra isso. Obrigado, cozinha

Gratidão de todas sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 77/94: Picarones. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 77/94: Picarones. Levantei do sofá pra fazer essa receita no último domingo, 19:30. Domingos não foram dias muito fáceis ao longo da minha vida, mas isso tem mudado. A vida se transforma e as nossas marcas também. Aconteceu que nesse domingo um tom novo e bom se revelou claramente. Aí fui cozinhar – eu precisava registrar na cozinha essa marca nova, no domingo. Era em tudo isso que eu pensava enquanto fazia esses bolinhos peruanos, com massa à base de abóbora e batata doce, com uma calda cítrica perfumada como o cheiro que a existência autêntica tem. Enquanto eu transformava os ingredientes pensava na minha transformação pessoal. Era para os bolinhos ficarem em formato de rosquinha, mas não deu. A vida também não sai na forma ideal que a gente imagina, mas pode ser boa mesmo assim. Os bolinhos ficaram bons mesmo sem o formato ideal, se eles podem, a vida também pode. Espero que entendam. Hoje eu só queria agradecer.

Como fazer bruschetta de abobrinha com hortelã e aprender algo sobre a generosidade de combinar certo as coisas da natureza. 

Modo de preparo:

A combinação certa honra tudo, é lindo. Tempere abobrinhas cortadas em lâminas com folhas de hortelã, sal, pimenta, limão siciliano, azeite e gentileza. Deixe descansar, para que tudo se aproxime e se encontre direito, 20 minutos está bom. Depois é só cobrir com isso um pão maravilhoso tostado na manteiga. Um queijo forte por cima deixa mais incrível ainda, se for pecorino então, eu choro. A combinação certa honra tudo, é lindo. E para coroar essa experiência, um azeite bom que você confie faz o sabor ficar cravado na sua alma, memorável, mesmo. Aprendi essa combinação honesta e boa no livro mais emocionante que tenho degustado, o “Todas as sextas”, da Paola Carosella. Enfim, bon appétit.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 76/94: Vitello tonnato. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 76/94: Vitello tonnato. Uma carne que ficou 3 dias em um banho que transformou ela, e depois foi para a panela, ser transformada então pelo calor. Enquanto ela descansava eu vivi uma semana em que, devido a carne que descansava na geladeira, me vi algumas vezes pensando no tempo que as coisas levam e como a gente hoje em dia esqueceu que esperar é natural e importante, isso também foi transformador – enquanto a salmoura transformava a carne essa espera transformava alguma ideia em mim. Finalmente após o descanso, cozinhei a carne com ervas e vegetais pra dar perfume e carinho. Cozinhei ouvindo Chico Buarque, e isso também foi transformador, porque Chico nunca deixa na gente tudo no mesmo lugar. Se a gente fazer  direito e prestar atenção, depois de cozinhar um prato desses, nada fica exatamente no mesmo lugar, e isso é o maravilhoso da cozinha. Hoje eu só queria agradecer.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 74/94: Caldo do mar. Receita 75/94: Fumet de peixe. 

​Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 74/94: Caldo do mar. Receita 75/94: Fumet de peixe. Minhas mais profundas referências gastronômicas são todas muito longe do mar. O mar não é tão familiar pra mim, seu gosto é muitas vezes um mistério, uma estranheza e uma aventura na minha boca. Tento conhecê- lo sutilmente, me esvaziando o máximo que posso de preconceitos para mergulhar com alma no seu sabor, e eu gosto disso. Eu gosto do gosto não familiar das coisas, porque isso me revela o gosto da imensidão de possibilidades do mundo. Às vezes é mágico saber que no mundo há muito mais do que conhecemos e estamos familiarizados, é libertador. O gosto do mar é um convite profundo, que a gente precisa de coragem para aceitar – assim como o gosto de todo novo, de todo estranho à nós. Enquanto faço esse post estou aqui sentado de frente pro mar, sentindo um vento forte misterioso que parece me contar algo. Isso é bem emocionante,  na verdade. Obrigado mar, obrigado, Paola.