Receita de Gâteau au chocolat (bolo de chocolate cremoso sem farinha)!

 

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Receita de gâteau au chocolat (um bolo de chocolate cremoso e amoroso sem farinha). Você é capaz de ver a alegria de viver nesse gâteau? É uma receita simbólica e guarda muito. Fazê-la é sempre uma experiência delicada – começo escolhendo com cuidado e carinho os utensílios e ingredientes (só vai 4 ingredientes, então eles precisam ser escolhidos com seriedade e carinho, é importante que sejam bons). Misturo os ovos com o açúcar sempre num bowl bonito. Pego folhinhas das plantas de casa para servir de molde para as folhas de chocolate que a enfeitam. Os detalhes e cuidados importam. Aprendi essa receita com uma confeiteira que me ensinou a ver na cozinha a “joie de vivre” – a alegria de viver, de se relacionar com o mundo natural de um modo revolucionário e fazer da cozinha o lugar mais feliz, ocupado e vivo da casa. Você é capaz de ver nesse bolo a alegria de viver? Espero que seja. Ele é muito bom, cremoso, intenso e lindo. Mas além de bom, diz muito, pra mim.

Ingredientes:

  • 290g de chocolate amargo (pode ser meio amargo, eu uso amargo)
  • 5 ovos
  • 200g de açúcar
  • 100g de manteiga
  • cacau em pó para polvilhar a fôrma

Você precisará de uma fôrma de fundo removível de cerca de 21cm de diâmetro.

Modo de preparo:

Derreta o chocolate em banho-maria junto com a manteiga – derreter os dois juntos é importante pois a manteiga, nossa amiga querida, é uma gordura gentil que protege todas as propriedades do chocolate e as mantém perfeitas pra gente sentir seu melhor. Após derreter tudo reserve. Em uma vasilha bata os ovos e o açúcar com um fouet – não bata demais, apenas o suficiente para incorporar. Acrescente então o chocolate derretido com a mistura de ovos e bata com um fouet até incorporar tudo.

Pré-aqueça seu forno à 180 graus. Unte a fôrma de fundo removível com manteiga e polvilhe cacau em pó nela, então despeje a mistura do bolo. Leve para assar em banho-maria (é uma mistura muito delicada, sem farinha, com muitos ovos, para ficar em uma consistência incrível, cremosa e meio mousse, precisa assar lentamente de um modo que só o banho-maria permite). Pegue uma folha grande de papel alumínio e coloque a fôrma em cima, rodeando o alumínio em volta dela para proteger e evitar que a água do banho-maria entre na fôrma (já que ela é de fundo removível, né). Coloque então a fôrma com a massa em uma fôrma maior que ela e acrescente água já quente. Leve ao forno pré-aquecido e asse por cerca de 50 minutos à 1 hora.

Uma casquinha crocante incrível se formará por cima! Isso dará um contraste delicioso no gâteau.

Após assar, deixe o bolo ainda na fôrma esfriar um pouco em temperatura ambiente e depois leve para geladeira – só desenforme quando ele estiver completamente gelado. Para desenformar solte as laterais com uma faquinha para ajudar. Ele é um bolo melequentinho lindo mesmo, então é meio difícil desenformar, mas nada demais também. Seja muito feliz comendo – porque não tem como não ser comendo isso.

Dica de decoração:

Tanto essa receita quanto essa dica de decoração eu aprendi com a diva da cozinha Raíza Costa. Para fazer essas folhinhas de chocolate que decoram o bolo faço o seguinte: Derreto o chocolate, espero que esfrie um pouco e então pincelo folhas naturais de árvores ou plantas – que gracinha né? Pois é. As coloco na geladeira e quando endurecem retiro a folha de chocolate da folha, pronto. Também gosto de colocar pedaços rústicos de avelã junto por cima do bolo.

Dicas de acompanhamento:

Fica ótimo com chantili de cachaça do lado (que você obtém batendo creme de leite fresco e quando estiver no ponto de chantili acrescente uma colherzinha de cachaça). Também fica divino com creme inglês, ou uma frutas frescas azedinhas tipo framboesa…

Bon appétit!

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Como fazer figos assados com creme de mel. 

Figos emocionantes de sobremesa porque fruta é sobremesa sim, rapaz. Se você prestar atenção vai achar tanta coisa  a sua volta que é capaz de emocionar você na vida e você nem liga. Tem muito prazer simples oculto por aí que ninguém usa direito. Esses figos contam isso, você é capaz de ouvir? O simples pode ser lindo. Fruta pode ser sobremesa, vem feita e a gente só ajeita pra tirar mais emoção dela.

Como fazer:

Corte os figos em 4, coloque em uma assadeira, regue com azeite e asse no forno à 180 graus por uns 10/15 minutos. Enquanto eles assam misture creme de leite com mel, em uma proporção para ficar um amarelinho gentil, como o da foto. Retire os figos do forno e regue com o molho. Quando comer entenda o quanto o singelo pode ser bom e o quanto um figo pode ser muito bom sendo apenas ele mesmo, um figo. Compreenda algumas coisas importantes e adocica a sua vida, meu amor.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 62/94: Sorvete de baunilha. Receita 63/94: Calda de chocolate. Receita 64/94: Profiteroles recheados de sorvete de baunilha com praliné e calda de chocolate. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 62/94: Sorvete de baunilha. Receita 63/94: Calda de Chocolate. Receita 64/94: Profiteroles recheados de sorvete de baunilha com praliné e calda de chocolate. Fazer um glace à la vanille – foi confortável e lúdico, por algum motivo lembrei da minha infância, das tardes de outras horas, às vezes doces, às vezes vazias. Enquanto esperava para mexer o sorvete de hora em hora tomei um chá, bem inglês, da minha latinha de chá preferida. Gosto de tomar chá durante as horas de espera. O sorvete ia ficando lindo e correto e eu ia ficando com um puta orgulho. To pensando se já senti tanto orgulho na vida quanto senti do meu glace à la vanille. O profiteroles deu muito certo, até me assustei de tão certo – às vezes a gente acredita pouco na potência do nosso fazer. A calda de chocolate também deu certo e deu um abraço em tudo. Estou pensando se já vivi uma tarde que deu tão certo. Nada contra quando dá errado, porque isso também é bom e  fundamental, mas é gostoso pra caramba quando dá certo, é bom. Dia de agradecer.

Cinema e Gastronomia – Filme: “Okja” – Precisamos falar sobre.

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Falam muito sobre a crueldade do sistema industrial de carne, como os animais nascem, crescem, morrem e são considerados.  Mas ainda há um abismo entre o consumidor de carne e seu contato com o bicho – o bicho, não proteína (odeio esse termo que reduz o animal e tira a coisa “viva” e sagrada que ele é). Acho que é preciso visitar o bicho e sua vida para relembrar que o bicho existe, que o colocamos em um lugar quando escolhemos o que comprar e que assim, temos uma relação com esse bicho e somos responsáveis pelo seu destino. O filme Okja (Netflix, 2017) nos faz visitar o bicho, nos faz encontrar a conexão que temos com os seres vivos que dividem o planeta conosco. O preço de uma vida – Quando entramos em contato real com o animal fica ridículo dizer que o valor de sua vida se reduz ao preço do seu quilo no mercado. O filme Okja é delicado, sensível, parece um filme infantil, mas está longe de ser – aliás, o tom infantil que ele confere aos empresários da industria de carne talvez seja um convite à reflexão sobre a imaturidade e irresponsabilidade de um grupo de pessoas que constroem um desgaste e desequilíbrio da vida de um planeta que também são parte, aniquilando a relação genuína de coexistência que as espécies poderiam ter. Eu não sou vegetariano, não aponto maneiras únicas de viver em paz com o planeta e consigo mesmo, mas você não precisa ser vegetariano para achar assombroso como um bicho é tratado no confinamento. Se um dia eu deixar de comer carne, não será porque acho exatamente sujo comer um animal, mas talvez porque eu ache sujo o que a indústria fez com o animal, tirando qualquer chance dele ter uma vida digna e chegar até nós na cadeia de uma forma que não tira sua dignidade e valor – porque ele não é proteína, é uma vida, e nunca deveria ter deixado de ser visto como tal.

No filme, a confusa CEO de uma poderosa empresa apresenta ao mundo uma nova espécie animal que supostamente foi descoberta no Chile. Apelidada de “super porco”, ela é cuidada em laboratório e tem 26 animais enviados para países distintos, onde cada criador a receberia e cuidaria de acordo com a cultura local. Os animais espalhados pelo planeta seriam, após 10 anos, concorrentes de um concurso que elegeria o melhor “super porco”.  Depois dos 10 anos, o filme conta a história da jovem coreana Mija (Seo-Hyun Ahn), que convive desde a infância com um dos animais espalhados pelo mundo, a Okja, o super porco fêmea criado pelo seu avô. Ela cria um vínculo com o animal e quando está prestes a perdê-la devido à proximidade do concurso, Mija decide lutar para ficar ao lado dela, e acaba entrando em contato com a cruel realidade do sistema industrial de carne. Entre pessoas que alimentam esse sistema e pessoas que tentam trazer lucidez para esse trágico cenário, o filme nos emociona e nos incomoda – nos intima a pensar sobre.

A relação afetiva que Mija tem com o animal é uma maneira genial de nos sensibilizar, nos lembrando de que a carne vendida por aí é um bicho – e que os bichos podem se relacionar com nós humanos de maneiras intensas. Essa conexão afetiva constrói ao longo no filme um repúdio em nós ao modo como a indústria vê, considera e classifica os animais. Aquela estranha vergonha de fazer parte da sujeira que acontece no confinamento nasce na gente durante o filme – um sentimento importante de ser elucidado, que pode ganhar destinos importantes. E isso faz do filme um serviço ao planeta – porque sair do mecânico e pensar é sempre o mais difícil, mas quando as pessoas singelamente são convidadas a fazer isso, transformações importantes podem acontecer.

E um aspecto ainda mais genial do filme é o tom infantil que ele confere principalmente aos personagens que representam os empresários da indústria da carne – é possível ler nisso um recado nas entrelinhas – afinal, o modo como as indústrias tem se relacionado com o planeta, com foco sempre na produção capital, pode, de certa ótica, ser visto como infantil (busca de desejos cegos sem medir consequências), imatura e extremamente irresponsável, pois na real, isso tem levado à uma gradual doença dos ecossistemas que todos somos parte – é uma negligência que cava a própria cova, pois nós também somos o planeta. E é engraçado ver no filme os empresários com características de imaturidade, infantilidade, pessoas mimadas ou com dificuldades emocionais que dificultam sua consciência saudável das coisas – mesmo o filme sendo uma ficção, não é muito difícil conectar esse cenário ao nosso, em outros termos.

Precisamos assistir Okja de coração aberto, sem medo de encarar suas próprias responsabilidades – se não a gente fecha o olho e não vê direito o que o filme quer dizer. É importante saber aquilo que você escreve quando escolhe o que consumir. As coisas podem ser diferentes e suas escolhas são importantes. Existem muitos jeitos de comer um animal, existem muitos jeitos também de comer, há alternativas e muita gente séria enxergando coisas sérias. Okja é um presente, bem feito e talentoso, para nos alertar.

O filme é uma produção da Netflix e está até a data desse post disponível no seu catálogo.

Como fazer um almoço honesto e bom: Cenouras caramelizadas com cogumelos e berinjela defumada. 

As quantidades tem a ver com quantas pessoas terão a honra de comer. Leia e pense.

Modo de preparo:

Para um almoço honesto e bom: Escolha cenouras orgânicas – pequenas, tortinhas, de verdade, docinhas, que provavelmente foram cultivadas por alguém que se orgulhe delas. Corte a parte do talinho. Eu nem descasco. Unte uma fôrma com manteiga, coloque as cenouras, regue com azeite e coloque mais manteiga, pincelando as cenourinhas. Polvilhe açúcar e sal. Se quiser, também coloque folhinhas de sálvia. Asse no forno até elas ficarem na textura que te faça feliz – no meio do tempo em que assam vire elas, para caramelizar por todos os lados. Um pouco antes das cenouras ficarem prontas você pode por cogumelos na mesma fôrma para ficarem amigos da cenoura. É uma amizade bonita. A berinjela defumada: é só queimar a casca de uma berinjela na boca do fogão até tostar toda casca. Depois descasque e tempere com sal e azeite. Aïoli fica bom para acompanhar. É uma alegria profunda comer isso. A terra e a energia do mundo é captada na cozinha, quando cozinhamos honestamente e direito. Entendam isso. Bom domingo.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 59/94: Sorvete de uvas-passas com Pedro Ximénez. Receita 60/94: Confit de atum. Receita 61/94: Empanadas de atum. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 59/94: Sorvete de uvas-passas com Pedro Ximénez. Receita 60/94: Confit de atum. Receita 61/94: Empanadas de atum. Fazer sorvete com a mão, sem máquina, mexendo de hora em hora. É bonito. Mexer de hora em hora uma mistura honesta até ela virar sorvete te ensina coisas importantes, porque entre essas horas de espera, você presta atenção no tempo, e ele então corre e se revela diferente. O confit de atum e a empanada feita com ele também ensinam coisas, falam dessa américa espanhola colorida e mágica cheia de significado em cada tempero e canto. Mas esses dois também ensinam sobre o tempo – não comprar o atum em lata mas fazer em casa. Entender a verdade do bicho, preparar as coisas com espera, pausa, respeito, tempo. O tempo, como disse Caetano Veloso: “és um dos deuses mais lindos. Tempo, tempo, tempo”. Cozinhar direito é uma reconexão com a divindade do tempo. Espero que entendam. Dia de agradecer.

Onde comer em Londres – Uma autêntica experiência londrina em 4 atos gastronômicos.

Como sempre digo: Quando viajar, “coma o lugar”. A comida é sempre uma forte marca cultural que conta muita coisa de onde você está. O gosto de algo marca uma cena, e a memória que o gosto deixa é eterna. E ao contrário do que muitos pensam, Londres tem uma gastronomia forte e interessante, cheia de influências. Quero compartilhar com vocês uma verdadeira experiência gastronômica londrina em 4 atos – Não apenas 4 locais para comer, mas 4 momentos e maneiras de comer que te farão tocar Londres intensamente. Começando por um café da manhã inglês forte e curioso, passando por um almoço simples ao ar livre em um dos parques lindos da cidade, seguindo por um tradicional chá da tarde inglês e finalizando com um prato típico e marcante no jantar. Vem ver o que tem de bom na incrível cidade da Beth, que é muito mais que fish and chips!

 

  • Primeiro ato: O grandioso e farto café da manhã inglês na Patisserie Valerie.

Really English Breakfeast.

Esse lugar é famoso pelos seus lindos bolos (o item mais apreciado da confeitaria inglesa), porém lá você consegue fazer qualquer refeição. Eles tem um cardápio super amplo a preços acessíveis, e tomar seu café da manhã lá te trará uma experiência extremamente inglesa para começar o dia – Peça o English Breakfeast – vem com ovos pochés, tomates assados, feijão, linguiça, presunto, cogumelos, manteiga e torradas – (um prato serve 2). É uma delícia, alimenta você bastante e permite que depois você faça um almoço mais leve no parque (que é o segundo ato). Enquanto come sinta o contraste desse café da manhã com aquilo que você está acostumado na sua cultura, sinta a diferença e pense no quanto ela é interessante, no quanto o mundo é grande e diverso…

Há diversas unidades na cidade, clique aqui e veja o site da Patisserie Valerie para mais informações. 

 

  • Segundo ato: Comprar um “Meal Deal” (refeição pronta) em uma das unidades da rede Tesco ou da Pret A Manger.

Vista no lindo Primrose Hill.

Na hora do almoço uma das coisas mais comuns em Londres é ver os parques e alguns outros locais públicos cheios de pessoas com seus “meal deals” almoçando ao ar livre. Isso é muito londrino. O meal deal é uma refeição completa vendida em muitos lugares (mercados, lanchonetes e até farmácias), é composto de um prato principal, um snack e uma bebida por um preço fixo (normalmente £3). Comprar sua comida e ir comer no parque te faz experimentar uma comum atmosfera da cidade, muita gente lá faz isso. Você pode comprar sua refeição na famosa rede Tesco (uma loja que tem de tudo) ou na Pret A Manger (gosto mais dessa, ela só trabalha com produtos frescos e suas refeições são feitas artesanalmente, custa um pouco mais mas acho que compensa). Depois é só escolher um dos parques lindos da cidade e fazer sua refeição – meu preferido é o Primrose Hill – Onde você consegue ter uma das melhores vistas de Londres. Também adoro o St James Park e o Hyde Park. Amoce na grama, olhe em volta, sinta-se tocando um hábito cultural de onde você está.

Uma salada fresquinha do meu meal deal.

Clique aqui para ver as unidades do Tesco ou aqui para ver unidades do Pret A Manger . 

 

  • Terceiro ato: O tradicional chá da tarde inglês, novamente no Patisserie Valerie.

Os famosos bolos da Patisserie Valerie.

Não faz muito sentido ir à Inglaterra e não tomar um chá. O tradicional chá da tarde é uma refeição muito famosa na cidade, e todo mundo quer provar – por isso os preços são altos – existem locais que oferecem a famosa refeição por preços absurdos (em combos que vem até champagne) e locais mais simples. Normalmente oferecem a refeição em um combo, um valor que vem o chá e diversas especialidades, docinhos, sanduichinhos, etc. Para seu tradicional chá da tarde inglês indico novamente a Patisserie Valerie, o preço é um dos melhores e as coisas são gostosas, considero que vale a pena para provar o tradicional chá sem pesar muito no bolso!

Clique aqui e veja mais informações sobre a Patisserie Valerie.

 

  • Quarto ato: Jantar um prato completamente inglês no agradável Garfunkel’s Restaurant.

Proper pie.

Um das coisas mais gostosas que comi em Londres foi a famosa “Proper pie” – um bolo de carne  – algo que está mais para uma torta de carne. É vendida em muitos lugares (inclusive você pode encontrar ela em um dos famosos pubs da cidade), mas a que mais gostei foi uma que comi em um restaurante da rede Garfunkel’s – o recheio era extremamente suculento e marcante. Normalmente ela é servida com um purê de batatas e legumes. No Garfunkel’s tem um Fish and Chips (o famoso peixe frito com batatas fritas) bem gostoso também, mas essa torta é maravilhosa e você precisa provar, sério. Esse prato é aconchegante e da a sensação de uma comida inglesa caseira, de mãe. Sinta esse aconchego, é bom.

O Garfunkel’s tem diversas unidades espalhadas pela cidade, clique aqui e veja mais informações. 

 

Essas experiências gastronômicas são uma forma de ir além do comum e entrar em contato com a cultura do local de diversos jeitos. Mas ela precisa ser feita com sensibilidade  – coma os pratos, olhe em volta, observe as pessoas, sinta toda a atmosfera enquanto o gosto da comida acontece. A experiência será plena. Isso é emocionante. Londres é linda e tem um gosto muito bom! Aproveite!

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 57/94: Anchova na brasa com tomates de Mimi. Receita 58/94: Pot de crème au chocolat com bolachas de noz-pecã. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 57/94: Anchova na brasa com tomates de Mimi. Receita 58/94: Pot de crème au chocolat com bolachas de noz-pecã. A pele tostada dessa anchova perfumada me lembra que cozinhar com fogo – assar o bicho no calor – é forte, sensual e uma experiência extremamente subjetiva e envolvente. Não sei se você me entende, mas o processo de cozinhar com fogo, tostar um animal assim, é uma prática adulta, madura, que nos conecta com conhecimentos importantes que somos capazes de entender só depois de alguns anos, com maturidade. E quando entendemos respeitamos muito o que significa cozinhar um bicho no fogo. Agora os tomates são fofos, suaves e gentis – trazem o gosto das lembranças doces que Paola fala sobre eles no livro. O creme de chocolate eu acho que deixei assar demais, achei que tinha dado errado e fiquei um pouco triste. Mas não desisti e tirei do forno, deixei gelar, arrumei os potes bem bonitos com as bolachas de noz-pecã e provei. Estava muito gostoso. Esse tipo de coisa, se surpreender com o que você achou que estava ruim, lembra a gente de ter esperança nessa vida estranha, mas bonita. Hoje eu só queria agradecer.

Crocantes de caramelo – Uma farofinha mágica para qualquer sobremesa!

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O sorvete de domingo depois do almoço me fez sentir falta de mais enfeites. Sorvete sem ser enfeitado não traz a mesma felicidade que sorvete enfeitado. Então acho que é um momento inspirador para postar receita de algo que, dentre várias outras aplicações, pode servir para enfeitar sorvete e deixar ele mais produtor de felicidade.

Esses crocantes de caramelo são muito fáceis de fazer, usam utensílios super simples e ficam uma farofinha linda, dando aquele tonzinho sofisticado (de aparência e sabor) nas suas sobremesas! Vamos à receita:

Ingredientes:

  • 2 xícaras de chá de açúcar
  • 2 colheres de sopa de manteiga sem sal
  • 2 xícaras de chá não muito cheias de amendoim ou alguma castanha que você ame (use triturados, mas sem ser aqueles que ficam muito farofa, é preciso de pedacinhos grandinhos). Atenção: Esse item é opcional, dá para fazer o crocamte de caramelo sem castanha.
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 2 colheres de sopa de leite em pó

Antes de começar: Unte uma superfície com um pouquinho de óleo (pode ser ferro, mármore, qualquer lugar onde você possa por o caramelo quente para ele esfriar).

Modo de preparo:

Fazer caramelo é tarefa que exige atenção e detalhes. Siga as dicas a risca que tudo tem muita chance de ir bem. Coloque o açúcar todo em uma panela larga que ele possa ter espaço para derreter tranquilamente. Acrescente a manteiga e a baunilha. Espere o açúcar começar a derreter, quando isso acontecer vá movimentando a panela lentamente para mexer o conteúdo e garantir que todo o açúcar vá derretendo por igual. Mexa bem devagar mesmo a panela – agitar demais as moléculas de açúcar enquanto ele derrete não é bom. Quando todo o açúcar tiver derretido e começado a ganhar cor, você pode mexer devagar com uma colher de pau, para misturar tudo. Use seus olhos e nariz: a cor ideal é um âmbar-avermelhado, se passar disso queima e não fica o aroma floral, doce, amargo, emocionante. Quando atingir esse ponto, acrescente a castanha, se for usar. Desligue o fogo e misture rapidamente. Tire a mistura da panela imediatamente e coloque naquela superfície que você untou.

O caramelo precisa ficar próximo a essa cor, se escurecer muito fica amargo!

Figura 1: Momento em que acrescentamos o amendoim. Figura 2: O caramelo esfriando na superfície untada. 

Agora você vai deixar esfriar completamente. Depois que esfriar desprenda o bloco de caramelo da superfície, quebre em algumas partes e coloque dentro de um saco plástico resistente, acrescente dentro do saco o leite em pó e feche. Use um martelo (ou qualquer objetivo pesado que sirva) para bater no saco, triturando o caramelo e criando a nossa linda farofinha. Depois que estiver tudo em pedaços pequenos e com aspecto de farofinha, está pronto para usar!

Rendimento

Da para cobrir um bolo ou uma torta grande (de cerca de 30 cm de diâmetro). Se você for precisar de menos, corte a quantidade de ingredientes pela metade e faça do mesmo jeito.

Dicas

  • Fica uma delícia para usar como cobertura e complementar recheio de bolos e tortas, para colocar no sorvete, ou para qualquer coisa que você queira. Seja criativo, pop, underground e invente!
  • Se posto em local úmido (geladeira) o caramelo umedece, não fica com gosto ruim, mas fica meio grudadinho. Então se o consumo não for demorar muito é melhor ser mantido fora da geladeira mesmo.
  • Não se preocupe com o caramelo grudado em seus utensílios de cozinha. É só deixar de molho na água que o caramelo dissolve e será bem fácil lavar tudo!
Essa é uma torta que eu fiz e cobri todinha com esses maravilhosos crocantes! Que bonitinha, né?

Essa é uma torta que eu fiz e cobri todinha com esses maravilhosos crocantes! Que bonitinha, né?

Como fazer croquetes de abobrinha com queijo de cabra. 

Croquetes de abobrinha para o almoço de domingo, que aprendi com a @paolacarosella (os croquetes da Fran, que vi em uma foto alegre e viva que ela postou na páscoa. Eles me chamaram muita atenção). A abobrinha sozinha na geladeira teve um destino tão alegre e carinhoso que até anima a gente. Obrigado Paola, e Fran. São mais ou menos meia abobrinha ralada, com queijo parmesão ralado, queijo de cabra, ovo (1 ou 2), farelos de pão (usei de mais ou menos 2 fatias de pão velhinho), sal e pimenta. Misture tudo e frite na frigideira bem quente untada com azeite. As quantidades você vai vendo, coloque o suficiente para a consistência ser possível fritar pra ficar assim, croquetes achatadinhos, como o da foto. É só ser coerente e sensível ao ir acrescentando as coisas, prestar atenção e se conectar, tudo vai dar certo. Bom domingo!