Salmão com purê de batata-doce roxa, aspargos e molho hollandaise.

Existem horas que vou para cozinha com uma vontade bem específica. Hoje eu queria um prato que me encantasse pelas cores – algo que explodisse um arco-íris na minha cara e me transmitisse um entusiasmo visual tão grande que eu sentisse vontade de chorar. Aí eu fiz esse prato, com a ajuda do roxo deslumbrante da batata-doce, com o verde convicto do aspargo, com o laranja gentil do salmão e com o amarelo elegante do molho hollandaise. Eu fiquei emocionado quando vi o prato pronto, deu certo. Daí me dei conta, o que eu realmente queria hoje era me lembrar que a cozinha é um modo de colorir o vazio preto e branco da vida, muitas vezes é uma saída. Espero que sinta a verdade e emoção que eu escrevo isso. Receita abaixo. Bon appétit!

Ingredientes (para 4 pessoas):

Para o salmão:

  • 4 pedaços de salmão (prefira pedaços das partes mais altas do filé)
  • Sal e pimenta-do-reino à gosto
  • Azeite de oliva extra virgem à gosto
  • Caldo de meio limão

Para o purê:

  • 500g de batata-doce roxa
  • Sal e pimenta-do-reino à gosto
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • Leite (o quanto bastar)
  • Creme de leite (o quanto bastar)

Você precisará de 8 aspargos frescos (2 para cada prato).

Para o molho hollandaise, clique aqui e confira receita completa.

Modo de preparo:

Comece pelo purê:

Descasque as batatas e corte em pedaços menores, se forem muito grandes. Coloque em uma panela e cubra com água, leve ao fogo e deixe cozinhar até ficarem realmente tenras e cozinharem por completo. Escorra a água e coloque as batatas em um recipiente. Você pode amassar com um garfo ou passar no espremedor de batatas. Estando amassadas, coloque a manteiga, tempere com sal e pimenta e misture (sempre opte por pimenta-do-reino que seja moída na hora, por você). Então vá acrescentando aos poucos o leite e o creme de leite, até o purê atingir a consistência desejada.

Os arpargos:

Retire (corte) a parte branca (mais dura) dos talos dos aspargos e descarte. Coloque-os em uma panela. Cubra com àgua e cozinhe até ficarem moles, mas sem cozinhar demais para não desmanchar e perder sua cor linda. Normalmente leva uns 8/10 minutos após a água ferver.

O salmão:

Pré-aqueça o forno à 190 graus. Coloque os pedaços de salmão em uma fôrma e tempere com pimenta, sal, azeite e limão. Leve ao forno pré-aquecido e deixe assar por 10 minutos – sairá suculento e lindo, pra mim 10 minutos é perfeito. Você pode deixar 15, mas acho que saí menos suculento. Veja seu gosto.

Prepare o molho hollandaise enquanto o salmão assa, pois o molho ao terminar deve ser servido imediatamente. Ele é bom quente/morno.

Daí é só montar. O purê, o salmão sobre ele, os aspargos do lado e o molho hollandaise amorosamente por cima cobrindo tudo.

Seja feliz comendo. Bon appétit!

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Como fazer entrecôte (filé de costela) assado, com a verdade e emoção da cozinha de fogo alto.

Como assar uma carne com emoção e verdade. Respeitar genuinamente cada partícula do animal e construir uma experiência sensorial emocionante – você entende o que é transformar uma carne com calor, com fogo? É uma das experiências mais antigas da humanidade, que nos conecta à uma ancestralidade e simbologia profunda. Se você prestar muita atenção e se conectar profundamente com o ato de assar ou grelhar, vai sentir que algo dentro de você se move com essa experiência. É forte. Transformar uma carne no calor alto é uma experiência que acelera meu batimento cardíaco, te juro. Existe uma força, uma energia e até mesmo uma sensualidade na cozinha de fogo alto que nem sei explicar. Enfim, essa é uma peça de entrecôte (um corte incrível que tem vários nomes – filé de costela, miolo de contrafilé, biche ancho, e por aí vai). Esse corte fica embaixo das costelas do boi. Assei ela seguindo algumas coisas que aprendi com Paola Carosella, outras aprendi com minha mãe. Temperei com minhas referências e emoções. Queria te dizer como faço, olha a receita:

Antes de começar, clique aqui e leia o artigo que publiquei sobre todos os cuidados mais importantes para preparar uma carne antes de assar ela. São dicas bem valiosas.

Ingredientes:

  • 1 peça de entrecôte (o filé de costela) que pese aproximadamente 1,1kg (como expliquei em um artigo, cortes muito grandes causam certa desproporção na hora de assar, então se tiver uma peça muito grande, corte ela para ter um pedaço menor, com esse peso de 1kg/1,3kg).
  • Azeite de oliva extravirgem (à gosto)
  • Sal (à gosto) – mas uso cerca de uma colher de sobremesa cheia para cada kg de carne.

Tempero:

Esses são os temperos que misturo, você pode alterar e escolher os seus, mas quero te contar a mistura que faço. Praticamente todas as quantidades coloco à gosto.

  • Salsinha, orégano, hortelã e manjericão frescos picados bem fininhos (Uso cerca de 4/ colheres de sopa cheias)
  • Pimenta-do-reino (à gosto)
  • 1 dente de alho ralado ou picado muito pequeno.
  • 1 colher de chá de mostarda de Dijon
  • Chimichurri à gosto, se tiver. Muitas vezes faço sem.
  • Um pouco de cominho em pó (só um pouco, uso tipo uma pitadinha)
  • 1 colher de sopa de vinagre de vinho tinto

Modo de preparo:

Misture todos os ingredientes do tempero com o sal e coloque bastante azeite, para fazer todos os temperos virarem um molhinho só. Tempere a peça de carne, lambuzando ela todinha com essa mistura, acariciando a carne e agradecendo ao boi. Após isso, coloque a carne em um recipiente e deixe na geladeira por pelo menos 12 horas. Eu deixo 24 horas.

Tire a carne da geladeira 2 horas antes de assar, para ela atingir temperatura ambiente. Pré-aqueça seu forno à temperatura mais alta que tiver, intenso mesmo, escaldante. Quando o forno estiver quente, coloque uma fôrma na boca do fogão e aqueça ela muito (essa fôrma você usará para assar a carne, se tiver uma chapa de ferro que caiba a carne seria perfeito, mas se não tiver, uma fôrma que você possa colocar na boca do fogão e também no forno serve).

Quando a fôrma na boca do fogão estiver quentíssima, regue com um pouco de azeite e coloque a peça de carne (tem que chiar alto). Após colocar leve imediatamente ao forno quentíssimo que você pré-aqueceu e deixe lá por aproximadamente 15 minutos. Passando esse tempo abra o forno e cheque a parte de baixo da peça – tem que estar dourada, tostada e emocionante, se não tiver, tire a peça e feche o forno para ele esquentar de novo o máximo que puder e em seguida volte a peça para dentro dele, até dourar bem embaixo. Quando dourar vire ela e asse por aproximadamente mais 15 minutos do outro lado.

Estando dourada e linda, tire do forno e deixe descansar por 10/12 minutos (perto do forno, para não esfriar muito, ou dentro do forno desligado).

Pronto. Após o descanso é só cortar, servir e se emocionar. É realmente uma experiência profunda.

Agradeço com muita verdade e emoção a minha mãe (que me ensinou a grandeza de um pedaço de carne e de uma boa pitada de cominho) e a Paola Carosella (que me ensinou as temperaturas e tempos certos para assar com majestade uma carne, em seu livro “Todas as sextas”).

Cuidados com a carne vermelha antes de cozinhá-la (Qual escolher, como e quando temperar e outros detalhes pré-cozimento). Mas antes, lembrar que a carne é um “bicho”. Respeito e coerência.

Quando nos aproximamos mais do que as coisas realmente são a tendência é respeitá-las mais. A minha relação com um pedaço de carne hoje em dia sempre começa pelo respeito – toda vez que toco uma carne, eu respiro fundo, penso, e agradeço. O bicho não é”um pedaço de proteína”. É um bicho. E se você quer comer um pedaço de carne com honestidade tem que lidar com isso. Fico um pouco bravo com o hábito de se referir à carne como “proteína”, é reduzir e mascarar demais. É um bicho gente, nada vai mudar isso. Se você entende isso e se responsabiliza pela sua escolha, você come carne de um jeito coerente, respeitoso. Quando eu lembro que é um bicho eu penso no modo como o bicho chega até mim, penso na origem da carne que compro (e escolher a origem certa pode mudar muita coisa). Quando lembro que a carne é um bicho penso com muita seriedade em como vou temperar, cozinhar e comer – todo processo se torna um ritual sagrado e antigo, que eu só construo com cuidado e respeito se lembro que estou cozinhando um animal – e isso é uma coisa séria, se for para fazer, que seja com respeito, coerência e dignidade. Por isso saber como tratar direito a carne é muito, muito importante.

Eu aprendi com minha família, com as minhas leituras e com a Paola Carosella a ter alguns cuidados e gentilezas na hora de lidar com uma carne, e quero compartilhar com vocês. Aqui vou me ater a dicas sobre carnes vermelhas, em especial: Miolo de acém, costelas, contrafilé, filé de costela (o famoso bife ancho ou entrecôte) ou outros cortes que tem gorduras em proporções semelhantes a desses. No geral essas dicas servem para outras carnes também (até peixes e aves), mas é legal sempre pensar se algum tipo de carne não exige cuidados mais específicos. Vamos lá:

A origem da carne: Eu sei que isso é muito difícil, mas é muito importante, e você precisa saber que é importante. De onde vem a carne que você compra? Se puder entrar em contato com a história da carne e saber como o produtor cria o “bicho”, é algo bem valioso e bonito da sua parte. Talvez você possa, a partir disso, escolher produtores que criem melhor que outros. Isso , além de bonito, também te dá mais tranquilidade e confiança no que você coloca na mesa para sua família comer.

Não comprar carne congelada ou congelar a carne que você comprou. Quando a carne é congelada as fibras se alteram e muita coisa se perde – por exemplo, a capacidade da carne de reter suco e ficar suculenta e incrível (perceba que carnes que foram congeladas tendem a ficar secas após cozidas). Compre fresca e faça fresca.

Temperar com antecedência. Tem muitas teorias sobre isso e cada uma tem seu ponto de vista coerente, porém aprendi isso com gente que respeito muito (minha mãe e Paola Carosella) e também testei muito, e conclui que temperar a maioria das carnes com antecedência não ressaca a carne (como muitos acham) e confere à ela uma complexidade de sabor diferente. O tempo de antecedência para temperar depende da carne, mas carne de boi no geral tempero com 12 /24 horas de antecedência, sempre deu certo.

Temperar com o que e quanto de sal? A quantidade de sal depende de cada carne e dos hábitos de cada um. A Paola Carosella no livro “Todas as sextas” indica uma colher de sobremesa cheia para cada quilo de carne. Tenho usado essa proporção e tem dado muito certo. Gosto muito de temperar carnes vermelhas com um grande mix de ervas verdes frescas e azeite de oliva extravirgem. Faço uma mistura com o que tenho e gosto de ervas, azeite, o sal e pimenta. Que tempero pôr é muito particular às vezes. Seja lá o que escolher como erva e tempero, todos eles vão junto para ficar ali com a carne por longas horas, antes de cozinhar.

Preste atenção no tamanho dos pedaços de carne que você assa. É muito legal quando a carne tem uma proporção boa de crosta tostada por fora e interior rosado por dentro – uma peça muito grande assada de uma vez gera muito miolo rosado e pouca crosta. Fracione, é interessante, você terá mais equilíbrio e todos que comerem com você terão partes tostadas e partes suculentas do interior. O tamanho da peça de carne faz bastante diferença.

Preste atenção na temperatura em que a carne está na hora de cozinhar ela. Quando você leva ao forno, panela ou grelha uma carne gelada, há um desequilíbrio no tempo que o exterior e interior dela vão cozinhar, normalmente queima por fora e não atinge o ponto certo dentro. Sempre é legal tirar a carne da geladeira umas 2 ou 3 horas antes de assar para ela atingir temperatura ambiente, dá mais certo e o cozimento é mais simples e correto.

No geral, essas são regras primordiais no trato inicial de uma carne. Pensar qual comprar, em que estado comprar, em que tamanho cortá-la, como e quando temperar temperar e em que estado deixá-la até o momento de cozinhar. Depois disso vem o cozimento, que será feito de acordo com a receita que você irá seguir. Mas essa preparação e cuidado antes do cozimento faz bastante diferença, eu acredito muito.

Em breve vou compartilhar uma receita de carne assada – de um jeito simples e muito grandioso ao mesmo tempo, é de emocionar.

Agradeça o bicho. E não esqueça – a carne é um bicho.

Como fazer Tikka Masala e viver a intensidade da cozinha indiana. 

O tikka masala é um frango feito em um molho perfumadíssimo, molho esse que hoje na Índia eles chamam de “curry” – lá o curry consiste em misturar especiarias até que virem um pó ou uma pasta para preparar um caldo intenso – o curry para eles é o caldo já pronto. Os ingleses quando chegaram na Índia se encantaram com a mistura de especiarias que os indianos faziam e chamaram essa mistura de “curry”, e isso deu origem ao temperinho de tom amarelo hoje muito popular, que é uma mistura de temperos. Então para nós o curry é aquele tempero amarelinho, para os indianos é o caldo picante e perfumado já pronto que envolve diversos pratos. Curry vem de “kari”, termo da língua tâmil para caldo temperado. Na Índia há muitos tipos de masala (termo que significa mistura de especiarias), cada região e cada família tem seu modo de fazer. A “garam masala” (que significa mistura de especiarias picante) é a base do tikka masala. A minha faço misturando o popular curry com outras coisas. Vem arder na emoção da cozinha indiana comigo, te ensino um tikka masala memorável de pedir socorro de tanto amor e intensidade.

Ingredientes (Serve de 6 à 8 pessoas):

Primeiro, faça seu “garam masala” – a mistura de especiarias que você usará para temperar o frango. Para 1kg de peito de frango, use as quantidades:

  • 1 colher e meia de sopa de curry
  • 1 colher de chá de páprica defumada
  • 1 colher de chá de açúcar mascavo
  • 1 colher de chá de coloral vermelho em pó
  • Meia colher de chá de cominho em pó
  • Meia colher de chá de cravo-da-índia em pó
  • Meia colher de chá de canela em pó
  • Para muita emoção: Meia colher de chá de pimenta caiena. Para média emoção: 1/4 de colher de chá de pimenta caiena. Para leve emoção: Uma pitada de pimenta caiena.

Misture todos os temperos e reserve.

Restante dos ingredientes:

  • 1kg de peito de frango cortado em cubos
  • 340 g de iogurte natural
  • 1 xícara de chá de leite de coco
  • 1 xícara de molho de tomate
  • 2 colheres de sopa de óleo de gergilim
  • 4 colheres de sopa de azeite
  • 1 cebola picada em cubos
  • 3 dentes de alho triturados
  • 1 colher de chá de gengibre ralado
  • Caldo de meio limão
  • Sal à gosto
  • Coentro fresco picado

Modo de preparo:

Em uma tigela, coloque o frango e acrescente a gargam masala – a mistura de temperos que você fez. Acrescente metade do iogurte, o gengibre, o limão, metade do óleo de gergelim e cerca de meia colher de sopa de sal. Misture tudo e deixe marinar por 6 horas ou pelo menos 2.

Leve ao fogo médio uma panela grande para receber todo o frango acrescente a cebola e uma pitada de sal. Refogue ela até ficar transparente e então acrescente o alho, espere ele fritar. Então acrescente o frango que estava marinando. Cozinhe mexendo de vez em quando até o frango ficar totalmente cozido. Então acrescente todos os outros ingredientes (exceto o coentro) e deixe ferver até ficar um caldo com consistência de seu agrado. Se achar necessário coloque água para um caldo mais ralo – se colocar água sempre deixe ela ferver para incorporar totalmente o sabor. Quando desligar o fogo, finalize com coentro. Prontinho. Pra mim, o melhor jeito de comer tikka masala é com um arroz branco fresquinho.

Receita de Strogonoff de camarão! 

Acordei hoje muito marítimo querendo cozinhar coisas de mar. A luz do dia hoje às 9:14 (quando acordei) tava linda, olhei pra minha cozinha e já coloquei uma música nela e ali fiquei, com uma energia muito generosa e boa – que às vezes só acho na cozinha. Enfim, era um clima perfeito para um strogonoff de camarão, e eu tinha esses da DellMare , uma empresa com produtos muito bacanas, bem cuidados e práticos. Eles também tem embalagens super modernas, transparentes (você consegue ver o produto que vai comprar) e com zip (você usa e se sobrar fecha direitinho e guarda de novo). Além de camarões, eles tem kit para preparo de paella (em breve faço esse ❤), anéis de lula, Saint-Peter e outros. Esse strogonoff é super simples! Dá uma olhada:

Ingredientes:

  • 400g de camarão limpo, sem casca e sem cabeça.
  • Meia cebola média picada em cubos
  • 2 dentes de alho picados
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 4 colheres de sopa de azeite
  • 4 colheres de sopa de molho de tomate ou ketchup
  • 1 colher de sobremesa de mostarda
  • 1 colher de sopa de molho inglês
  • 200g de creme de leite
  • Sal à gosto
  • Pimenta-do-reino à gosto
  • 3 colheres de sopa de conhaque

Modo de preparo:

Aqueça uma panela, coloque a manteiga e o azeite. Quando derreter, coloque a cebola, um pouco de sal e pimenta e refogue por 2 minutos. Em seguida coloque o alho e refoque por no máximo 1 minuto. Então coloque o camarão e cozinhe ele até a água que ele solta começar a secar (não cozinhe demais, o camarão cozinha rápido e se cozinhar muito fica meio borrachudo). Coloque o conhaque e misture, até ele evaporar. Na sequência coloque o molho de tomate, a mostarda e o molho inglês, misture bem. Por fim, acrescente o creme de leite e misture. Acerte o sal e desligue o fogo (não deixe o creme de leite ferver). Prontinho! Simples e memorável. Com arroz fica ótimo, não consigo pensar em um jeito melhor de comer. Bon appétit!

Como fazer o tradicional ceviche!

Ceviche. Consumido há mais de dois mil anos pelos povos Incas, esse prato peruano tem ganhado fama mundial, sendo um representante do atual brilho e expansão da gastronomia peruana (que hoje já está presente nas listas dos melhores restaurantes do mundo) – quando a cozinha (e seu poder) eleva a cultura de um país e confere à ele novos lugares (isso é lindo). O preparo do ceviche consiste em um processo químico que acontece quando o suco do limão, ácido e cítrico, entra em contato com a carne do animal e a cozinha de um modo diferente, a carne se desnatura e muda de textura, e de sabor. É absurdamente simples e rápido fazer um ceviche emocionante – você só precisa ter um peixe fresco de verdade, honestamente fresco, escandalosamente fresco, aí tudo vai dar certo. Veja receita abaixo!

Ingredientes (para 2 porções como entrada):

  • 300g de filé de peixe branco muito fresco (pode ser filé de tilápia, robalo, namorado, etc)
  • 200 ml de suco de limão
  • Meia colher de chá de gengibre picadinho
  • Pimenta à gosto (dedo de moça, ou algum molho de pimenta também serve, mas a fresca é legal).
  • Azeite de oliva extra virgem à gosto
  • Cebola roxa à gosto
  • Coentro à gosto
  • Sal à gosto
  • Pimenta-do-reino à gosto

Modo de preparo:

Depois do peixe limpo, corte ele em pedaços (tentando a forma de cubos), cuide para que o tamanho dos pedaços sejam similares. Após cortar o peixe, se estiver um dia quente coloque ele na geladeira enquanto prepara o resto (é importante que ele se mantenha frio).

Corte o gengibre em pedcinhos minúsculos. Pique o coentro. Se usar pimenta fresca, tire as sementes e pique em pedaços bem pequenos também (se for usar molho é só substituir pelas gotas do molho, quantidade à gosto). Corte a cebola em juliana (tiras finas).

Feito isso, coloque o peixe em um bowl e acrescente todos os igredientes. Misture tudo muito bem, vá colocando sal aos poucos e provando para ver se atingiu seu gosto. Pronto. O peixe, cozido pelo ácido do limão, irá mudar de cor e textura, ficando mais esbranquiçado. É lindo, e bom. Sirva imediatamente, é bom gelado.

Como fazer Poisson meunière (Peixe com molho de limão e manteiga queimada) acompanhado de tomates confit e berinjela refogada. Rápido e bom de verdade.

Essa é uma refeição rápida, mas uma refeição rápida com alma, fica boa mesmo, porque os preparos são em sua essência rápidos de verdade (não são aquelas receitas rápidas que encurtam sem respeito o tempo certo que as coisas precisam para ficar prontas). Você não precisa sempre ter duas horas para cozinhar para comer bem, com afeto e verdade. Adoro um peixe fresco, com algo cítrico acompanhado de tomates confitados, é um dos meus jeitos mais felizes de comer um filé de peixe. A berinjela é uma convidada muito querida nesse prato, é um carinho tê-la junto aqui. Para fazer tudo isso  precisei só de uns 30 minutos e de uma música que deixou meus movimentos mais harmônicos e alegres, tipo “I wanna dance with  somebody”, da Whitney Houston. É bom, muito bom.

Modo de preparo:

Clique aqui e confira a receita do Poisson meurinère (Peixe com molho de limão e manteiga queimada).

O tomate confit você pode fazer de dois jeitos: Se tiver mais tempo e puder deixar ele 1 hora no forno, clique aqui e veja como fazer do modo mais tradicional.  Agora se tiver pouco tempo, dá para fazer assim também: Em uma panela pequena coloque o tanto de tomatinhos cerejas que vai querer confitar, acrescente uma quantidade de azeite de oliva extra virgem suficiente para cobrir metade dos tomates, coloque 2 dentes de alho cortados em lâminas, sal à gosto, açúcar à gosto, folhas frescas de louro e pimenta-do-reino. Deixe em fogo médio até que os tomates estejam bem cozidos e molhinhos, com a pele quase soltando, se precisar vire eles durante o cozimento. Em 20 minutos normalmente ficam bons, deixe esfriar um pouco depois que terminar de cozinhar e está pronto.

A berinjela aqui nesse prato é uma visita muito simples de fazer: Refogue alho e cebola em um pouco de azeite e depois coloque a berinjela cortada em cubos, vá refogando em fogo médio até que ela esteja cozida, meio transparente e deliciosa. Tempere com sal e pimenta à gosto.

Prontinho! Bon appétit!

Como fazer Poisson meunière (Peixe com molho de limão e manteiga queimada)

“Meunière” significa em francês “mulher do moleiro”, o que faz referência à farinha usada para fazer uma fina camada no filé de peixe, o protegendo ao cozinhá-lo, evitando ressecamento. Com um perfume sensual de lembrar pra sempre, esse prato é daqueles que você não sabe mesmo o que dizer na primeira garfada. O tom forte da manteiga “queimada” com o cítrico do limão casam muito bem com um filé de peixe fresco. Esse prato é uma história de amor pra mim, meu jeito preferido de comer peixe. um jeito envolvente que te conecta ao prato em uma experiência sensorial muito forte. Coma peixe assim pelo menos uma vez na vida, sério.

Ingredientes (para 2 pessoas):

  • 2 filés frescos de peixe (uso Saint Peter ou linguado, mas se aventure e escolha o seu) limpo e sem espinhas, de aproximadamente 160g cada.
  • 2 colheres e meia de sopa de farinha de trigo
  • Pimenta-do-reino preta à gosto
  • Meia colher de chá de sal
  • 2 colheres de sopa de óleo de girassol ou azeite de oliva extra virgem
  • 45g de manteiga
  • Suco de meio limão (melhor se for siciliano)
  • 2 colheres de sopa de salsa fresca picada
  • 1 colher de sopa de alcaparras pequenas (opcional)
  • Lemon pepper  à gosto (opcional, mas eu gosto muito de colocar)

Modo de preparo:

Misture em um prato a farinha com o sal, a pimenta e o lemon pepper, se for usar. Salpique só um tico de sal nos filés de peixe (porque o sal na farinha já irá temperá-los) e em seguida empane eles na mistura de farinha. Tire o excesso e reserve.

Aqueça o óleo (ou azeite) na frigideira, deixe o fogo médio e então acrescente os filés, doure de um lado por cerca de 1 no máximo 2 minutos (depende to tamanho do filé). Vire e doure o outro lado também por 1 ou 2 minutos. Se seu filé for muito grosso será mais tempo, sinta a coerência. Após dourar retire os filés da frigideira e coloque em um prato aquecido se puder, cubra com papel alumínio.

Na mesma frigideira, ainda em fogo médio, acrescente a manteiga e deixe ela derreter, quando começar a escurecer apague o fogo e coloque o caldo de limão (cuidado, pode espirrar). Coloque a salsa e as alcaparrar e movimente a frigideira para misturar tudo. Sinta o perfume nessa hora, é lindo. Volte os filés para frigideira e encharque no molho. Sirva imediatamente e seja muito feliz comendo. Bon appétit!

Como fazer um almoço honesto e bom: Cenouras caramelizadas com cogumelos e berinjela defumada. 

As quantidades tem a ver com quantas pessoas terão a honra de comer. Leia e pense.

Modo de preparo:

Para um almoço honesto e bom: Escolha cenouras orgânicas – pequenas, tortinhas, de verdade, docinhas, que provavelmente foram cultivadas por alguém que se orgulhe delas. Corte a parte do talinho. Eu nem descasco. Unte uma fôrma com manteiga, coloque as cenouras, regue com azeite e coloque mais manteiga, pincelando as cenourinhas. Polvilhe açúcar e sal. Se quiser, também coloque folhinhas de sálvia. Asse no forno até elas ficarem na textura que te faça feliz – no meio do tempo em que assam vire elas, para caramelizar por todos os lados. Um pouco antes das cenouras ficarem prontas você pode por cogumelos na mesma fôrma para ficarem amigos da cenoura. É uma amizade bonita. A berinjela defumada: é só queimar a casca de uma berinjela na boca do fogão até tostar toda casca. Depois descasque e tempere com sal e azeite. Aïoli fica bom para acompanhar. É uma alegria profunda comer isso. A terra e a energia do mundo é captada na cozinha, quando cozinhamos honestamente e direito. Entendam isso. Bom domingo.

Receita: Atum em crosta com purê verde.

Atum em crosta com purê verde.

O atum é uma carne que pouca gente conhece fresca – são tantas latas nessa vida que o frescor emocionante desse bicho ficou meio sem cena. Mas um atum fresco, feito direito, é uma experiência muito distante do atum em lata. Nada contra a lata, mas é absolutamente diferente, com um frescor que inspira a gente, nessa vida. Aqui eu faço ele de um jeito simples e honesto, que honra seu melhor. Esse purê de soja verde é um dos meus purês prediletos. Fica tão bom com esse atum que não sei direito explicar o quanto bom é. É muito bom. Eu gosto muito desse prato, o inventei esses dias e fico muito feliz de ter inventado. E juro pela tonga da mironga do kabuletê de Vinicius de Moraes que você consegue fazer ele em 30 minutos! Olha só:

 

Ingredientes (para 3 pessoas):

Para o atum:

  • 3 postas de atum fresco (de aproximadamente 160g cada)
  • Sementes de gergelim preto e branco misturadas (o suficiente para empanar as postas de atum)
  • Sal, azeite e pimenta-do-reino à gosto

Para o molho do atum (você pode usar outro molho se quiser, essa é uma sugestão):

  • Meio limão siciliano ou meia laranja pequena cortada em rodelas e depois cortada em cubos, com casca e tudo
  • Azeite (o quanto bastar – mas no máximo meia xícara de chá)
  • 3 dentes de alho cortados em rodelas
  • Sal e pimenta-do-reino à gosto
  • 2 filés de anchova ou sardinha em conserva lavados ligeiramente e sem espinhos.
  • 50 gramas de amêndoas sem casca

Para o purê verde:

  • 300g de soja verde (pode substituir por ervilha fresca ou até aquelas congeladas pré-cozidas).
  • Leite (o suficiente para dar ponto)
  • 1 colher e meia de sopa de manteiga
  • Meia cebola pequena cortada em cubos
  • 1 dente de alho picado
  • 1 colher de chá de mostarda dijon
  • 1 colher de sopa de molho shoyu
  • 1 colher de sopa de vinagre de maçã
  • Sal à gosto
  • Azeite à gosto
  • Pimenta-do-reino à gosto

Para decorar, se quiser: Pedaços de folhinhas de alga (nori).

Modo de preparo:

Primeiro faça o purê: Em uma frigideira coloque meia colher de sopa de manteiga, a cebola, o alho e uma pitada de sal. Refogue até ficar transparente e reserve. Cozinhe a soja verde até ficar totalmente cozida e mole mas mantendo a estrutura do grão, sem deixar desmanchar (Eu uso soja verde da marca Veggie, ela vem congelada e pré-cozida, então deixo só 8 minutos na água fervendo que já chega ao ponto. Você acha ela em lojas de produtos naturais). Se usar ervilha verde é o mesmo esquema – cozinhe até o ponto, se for aquelas congeladas, cozinhe seguindo as instruções da embalagem. Seja qual for seu grão verdinho, após cozinhar coloque no liquidificador ou processador junto com a cebola e alho refogados e bata acrescentando leite para ajudar a bater, coloque a quantidade de leite suficiente para atingir a consistência de um purê mole. Vá batendo, parando, mexendo, batendo, enfim, até triturar completamente e não ter mais pedaços. Transfira essa mistura para uma panela pequena e coloque todos os outros ingredientes, então leve ao fogo médio e cozinhe mexendo sempre de 6 à 8 minutos. Se achar que ficou pouco cremoso pode por um pouco de creme de leite e um pouco mais de manteiga. Prontinho.

Para fazer o molho do atum: Pré-aqueça um forno à 170 graus e torre as amêndoas por 5  minutos. Depois as triture (num pilão ou processador) até virar uma farofa meio quase pastosa. Reserve. Aqueça uma panela e coloque um pouco de azeite, acrescente o alho e frite ele um pouco mas sem dourar. Acrescente o limão, os filés de anchova ou sardinha e as amêndoas. Coloque azeite – o tanto suficiente para deixar esse molho com mais movimento e menos solidez – mas não tanto! É um molho mais “sólido” mesmo. Cozinhe por alguns minutos, uns 4 ou 5, mexendo sempre, em fogo baixo. Tempere com sal e pimenta. Pronto. Deixe atingir temperatura ambiente, ele é servido assim.

Para fazer o atum: Tempere as postas de atum com sal, pimenta e azeite. Passe elas nas sementes de gergelim até cobrir totalmente. Aqueça uma frigideira e coloque um pouco de azeite quando estiver quente. Então doure as postas (30 segundos apenas de cada lado – lembrando que o atum é só selar, não cozinhar completamente se não fica seco e é uma tristeza, ele se come cru no centro mesmo). Retire da frigideira, corte ao meio a posta (toque o centro da posta, tem que estar em temperatura ambiente). Pronto.

Sirva o atum imediatamente com o molho que escolheu e com o purê quente, e se quiser deixar bonitinho e dar um crocante coloque as folhinhas de alga do lado (nori).

  • Molho no atum: O que sugeri na receita é um molho parecido com um chamado bagna cauda, mas você pode substituir regando o atum com azeite e uma pitada de sal, azeite batido com salsinha e sal, molho tarê, enfim, qualquer um que você ame. Eu amo com esse bagna cauda.

Bon appétit!

Soja verde cozida.