Salmão com azedinha (Saumon à l’oseille) – O prato da família Troisgros que é uma lenda da cozinha francesa.

Gosto de receitas práticas, mas também gosto de receitas elaboradas, que exigem processos, etapas e tempo. É um tipo de experiência diferente que me faz muito bem. O desafio de entender uma receita que tem uma história e técnica mais antiga do que todo o tempo que eu terei nesse mundo é algo que me comove, que me dá energia criativa e prazer. Acho que muitas vezes na minha vida fui pra cozinha pra desenvolver força e criatividade pra dar conta de coisas, e isso não vai mudar nunca. Nesse final de semana, depois de pesquisar 7 receitas, ver um documentário e ler muito, decidi tentar pela primeira vez esse prato, e não deu certo, fiquei frustrado e invocado tentando entender onde errei. Compartilhei então a experiência com uma amiga que entende a cozinha francesa com uma sensibilidade e maestria enorme. Ela então generosamente me explicou TUDO que eu precisava saber sobre esse prato, cada detalhe técnico e histórico. Com a receita e orientação dela refiz, e ficou lindo, emocionante, deu vontade de chorar, fiquei tão feliz. Foi uma das coisas mais gostosas e marcantes que já cozinhei na vida e devo isso à sensibilidade, conhecimento e generosidade da @leonay.melo , nunca vou me esquecer disso.

O Salmão com Azedinha é um prato emblemático francês, sua criação pela família Troisgros fez parte de uma revolução que construiu o que hoje chamamos de alta gastronomia, a “nouvelle cuisine”. Na época de sua criação, em meados dos anos 60, na França reinava o hábito de cozinhar demais as coisas, e os irmãos Pierre e Jean Troisgros, após experiências pessoais em viagens, criaram em seu restaurante essa receita onde o salmão era servido mal passado – conservando uma umidade e maciez profunda. Como tudo que quebra costumes, eles tiveram muita rejeição e muitos pratos devolvidos pelos clientes, até que a alma do que eles estavam fazendo fosse devidamente reconhecida e aplaudida. Isso foi um dos atos que revolucionou o modo como alguns ingredientes, pontos de cozimento e outras coisas são tratadas até hoje na gastronomia mundial. O prato é aclamado até hoje, nomeado patrimônio imaterial da humanidade pela Unesco. As paredes, tetos e bancos da estação de trem de Roanne na França são dominados pela cor salmão e verde, em homenagem ao prato que lá se originou.

A história da gastronomia na família Troisgros começou com Jean Baptiste, pai dos irmãos Pierre e Jean – que herdaram o restaurante do pai. Pierre foi o criador do Salmão com Azedinha. Ele na cozinha e o irmão Jean nos vinhos, elevaram o restaurante da família à 3 estrelas Michelin. Após a morte de Jean e aposentadoria de Pierre foi Michel Troisgros (filho de Pierre) que passou a cuidar do restaurante, junto de seu filho, César – que é a quarta geração na gastronomia da família Troisgros. Hoje o restaurante cuidado pelos dois é em Ouches, cidade do interior à 10km de Roanne. O irmão de Michel Troisgros, Claude Troisgross, vive no Brasil e é o popular chef que apresenta um programa de culinária no GNT.

Na Netflix, na série “Chef’s Table França” tem um episódio que conta a vida e obra do Michel Troisgros e sua família, vale a pena ver antes de fazer esse prato 🙂

Vamos então à receita, que devo com muito carinho à minha amiga @lenay.melo:

Antes duas coisas:

  1. Você pode fazer essa receita sem o fumet de peixe, mas pra mim ele faz MUITA diferença na alma do prato, então eu sugiro muito que você faça se puder, sua experiência será outra. E é bom de vez em quando ter um pouco mais de trabalho e se propor na aventura que é uma receita completa assim, a recompensa é linda. Abaixo explico como fazer o fumet (que também aprendi com a @leonay.melo )
  2. O Vermouth branco seco que uso na receita é um francês chamado “Noilly Prat”. Você pode usar qual vermouth encontrar e for possível à você. Mas se puder, use esse, é uma bebida também emblemática que enriqueceu imensamente a experiência do prato. É muito usada em pratos feitos com peixe devido sua composição que engrandece o gosto de mar. Custa cerca de R$100,00 a garrafa dela com 750ml aqui no Brasil.
Vermouth francês Noilly Prat

Fumet de peixe (caso vá usar):

Pique 1 cebola e 1 chalota (aquela cebolinha pequena, se não tiver faça só com a cebola) e corte 1 cenoura média em lâminas. Faça 1 bouquet garni (você junta e amarra com um barbante algumas ervas aromáticas, as mais comuns são: salsa, tomilho, louro e a parte verde do alho-poró). Em uma panela com fios de azeite coloque a cebola, a cenoura, um pouco de pimenta em grãos e o bouquet garni e refogue em fogo baixo até a cebola ficar transparente (não deixe dourar, não queremos cor no fumet). Pegue cerca de 1kg de carcaça de peixe (cabeça, rabo, barbatanas,dorsal, etc), dê uma batidas pra liberar sabor e coloque na panela. Refogue 1 minuto. Fogo sempre baixo. Coloque água até cobrir (cerca de 1 litro) e 100 ml de vinho branco. Deixe cozinhar por 20 minutos sem deixar ferver, no fogo mais baixo que puder. Durante o cozimento tire a espuma que sobe, são impurezas, assim você garante a nobreza do seu fumet. Coe sem apertar a colher. Conserve na geladeira por 3 dias ou congelado por 5 meses.

Salmão com azedinha (Saumon à l’oseille)

Ingredientes:

  • 4 Filés (escalopes) de salmão, que tenha entre 1,5 / 2 cm de altura.
  • 35g de cebola roxa ou chalota
  • 62g de manteiga
  • 100 ml de vinho branco (melhor se for sauvignon blanc)
  • 100g de creme de leite fresco
  • 50 ml de fumet de peixe (caso você vá usar)
  • 15 ml de vermouth branco seco (usei o francês “Noilly Prat”, mas como expliquei acima você pode usar qual puder, porém ele faz diferença)
  • Gotas de limão siciliano – cerca de 1/2 limão
  • Folhas de azedinha (cerca de 2 ou 3 punhados) – sem a nervura central/talo delas, apenas as folhas (para tal dobre as folhas ao meio no sentido do comprimento e puxe o caule de uma ponta a outra, ele sai e a folha fica, partida em 2 partes).
  • Sal
  • Pimenta moída na hora (melhor se for a branca, mas pode ser a preta)

Modo de preparo:

Pique a cebola finamente, beeeem fina mesmo, o máximo que puder. Isso é importante e faz muita diferença na delicadeza do molho. Coloque elas em uma panela, junte o vinho, o vermouth e o fumet de peixe. Deixe reduzir até quase secar completamente e ficar em uma consistência meio melosa.

Coloque o creme de leite e deixe reduzir um pouco (não muito) para que fique cremoso. Adicione as folhas de azedinha, espere 20 segundos e desligue o fogo. Incorpore gentilmente a manteiga, girando a panela. Adicione gotas de limão e tempere com sal e pimenta.

Tempere o salmão com sal. Deixe uma frigideira bem quente e coloque os filés, deixando de 10 à 15 segundos no máximo de cada lado – precisamos preservar o centro mal passado.

Observe o ponto. Centro ainda laranja escuro.

Para servir e garantir a experiência linda com esse prato, é importante fazer assim: Aqueça o prato que irá servir (deixando um pouco no forno quente ou com água quente). Disponha o molho quente no prato e coloque o filé de salmão imediatamente assim que tirar da frigideira. Depois que você coloca o molho no prato o salmão precisa ser posto no máximo em 8 segundos, e depois que empratar tudo precisa ser servido em uns 12 segundos. Cada segundo que passa vai alterando consistência e ponto, e pra você se emocionar de verdade comendo, é bom respeitar isso.

É isso. Espero que faça e sinta a emoção desse prato icônico. Se errar uma vez, faça de novo. Vale a pena insistir em algumas coisas nessa vida.

Bon appétit!

Obrigado profundamente minha amiga @leonay.melo pelo presente lindo que foi aprender esse prato com toda delicadeza, história e marca que ele é.

Brócolis gratinado – a simplicidade emocionante e deliciosa de um clássico francês

Brócolis gratinado com crosta. Um prato francês originalmente feito com couve-for – “Gratin de chou-fleur avec une chapelure aux noisettes”. Mas se você não ama couve-flor, pode fazer com brócolis. A função mais bonita desse prato é ele tirar sorrisos surpresos na primeira garfada, porque as pessoas não esperam muito de um legume gratinado, mas há coisas bem emocionantes onde a gente menos espera.

Como fazer:

1) Cozinhe um brócolis inteiro (ou couve-flor) e reserve.

2) Faça um molho mornay, que é assim: Em uma panela derreta 1 colher de sopa de manteiga e junte 1 colher de sopa de farinha de trigo. Cozinhe até virar uma pasta clara (1/2 min), que se chama “ROUX”. Então desligue o fogo e junte 500 ml de leite frio, mexendo sem parar. Junte agora 1 colher de chá de mostarda de Dijon, pimenta, cravo-da-índia em pó (opcional), noz-moscada ralada e sal – esses últimos todos à gosto. Volte ao fogo e cozinhe até engrossar, mexendo sempre, e você terá um “MOLHO BÉCHAMEL”. Junte então 200g de algum queijo ralado ou cortado em pedacinhos e mexa até derreter e incorporar, e você terá um “MOLHO MORNAY”.
Roux, béchamel, mornay. Um virando o outro. Bonito essas 3 etapas, você não acha?

3) Misture o brócolis cozido com o molho e disponha tudo em uma travessa. Coloque por cima queijo ralado, avelãs quebradas em pedaços e migalhas de pão.

4) Leve ao forno pré-aquecido à 180 graus por 20 min – ou até gratinar. Pronto. Não esqueça de reparar na emoção da primeira colherada da sua cia na mesa, ou na sua própria – é a parte mais legal

Frango de vida digna, cozido.

Como cozinhar um frango – um animal que nasceu, cresceu e morreu – com o respeito que isso merece. Compreendo por frango de vida digna (termo que pego emprestado de Paola Carosella), frangos que nasceram, cresceram e morrer como um frango deve viver, solto, sendo bem tratado, comendo o que sua espécie come. Nenhum frango deveria viver preso numa gaiola, absolutamente mal tratado como é no processo industrial em massa. Escolhi comprar um frango orgânico, sustentável para cozinhar, e essa escolha tem um porque (escrevi uma vez sobre isso, sobre escolher ingredientes que sejam dignas com o mundo natural, clique aqui se quiser ler).

Como fazer frango cozido com todo respeito que isso merece:

Corte o frango em pedaços de tamanhos parecidos. Gosto de desde a hora de cortar a carne lembrar que ela é um bicho – esse título que a gente costuma deixar de lado ajuda na conexão com o ato ancestral sagrado que é cozinhar um animal. Fazer tudo do melhor modo, aproveitar cada pedaço, sem exageros, com respeito. É um bicho. Em uma panela quente coloque um pouco de azeite e doure um pouco rapidamente todos os pedaços. Retire da panela e reserve.

Na mesma panela, doure uns pedaços de bacon. E então coloque temperos (quais você ame. Eu amo cominho, páprica, pimenta, lemon pepper, alho e sal). Misture. Faça uma cama no fundo da panela com: cebola cortada em pedaços grandes, cenoura e tomate. Também jogue uns temperinhos sobre essa cama. E então deite nela os pedaços de frango, um por um – aprendi com @paolacarosella a ajeitar pedaços de frango em panelas com carinho, pensando no tempo que o frango levou pra nascer, crescer… também no trabalho que envolve criar animais de forma digna. Após isso, coloque sobre o frango mais cebola, tomates e cenouras, arrumando tudo de um jeito bonito. Jogue mais tempero por cima. Coloque o caldo de 1 laranja e de meio limão. Coloque água até quase chegar na metade da panela, sem afogar o frango. Tampe a panela.

Deixe cozinhar em fogo baixo, respeitando o tempo lento do frango ficar pronto, macio, suculento e bom (o que costuma levar de 40 min à 1 hora). Pronto. Esse é um dos meus modos de respeitar o máximo que posso um frango que está diante de mim, na minha cozinha.

Servi com batatas pequenas cozidas inteiras (descascadas de modo que sua forma natural seja mantida, entende?), migas (farofa de pão – 5 posts pra trás tem a receita) e aïoli (receita no blog). Acho incrível assim.

Moqueca baiana, axé!

Moqueca baiana, com o dendê profundo do Brasil que revela pra gente toda luz de Tieta, eta. Amo moqueca, amo dendê e a profunda história que ele guarda – é um ingrediente que simboliza muito bem a ancestralidade africana que faz imensa parte do desenho que nos compõe.

Eu faço minha moqueca assim:

Coloco Caetano, Gal ou Olodum pra tocar antes de mais nada, eu acho que isso importa muito e nenhuma moqueca dá tão certo sem a voz de algum baiano emocionante de fundo. Daí tempero 1kg de algum peixe branco fresco que nunca viu congelador na vida com uma mistura triturada de: alho, cebola, azeite, sal, cominho, pimentão, louro e limão. Deixo na geladeira por 1 hora.

Corto em rodelas: 1 pimentão verde. Uns 4 ou 5 tomates. Cerca de 1 cebola e meia.

Em uma panela que caiba toda emoção de uma moqueca, coloco um pouco de azeite de olive e dendê, umas poucos rodelas do tomates, da cebola e do pimentão, sal e pimenta e refogo uns 3 minutos. Então deito o peixe nessa cama e por cima faço camadas intercaladas da cebola, do tomate e do pimentão – em cada camada coloco pitadas de sal, pimenta e fios de azeite (monte de um jeito organizado e bonito, você não vai poder mexer enquanto cozinha). Coloco então o dendê (1/2 xícara de chá), o caldo de meio limão, alguma pimenta fresca picada e mais fios de azeite de oliva. Tampo e deixo cozinhar em fogo baixo para médio, por cerca de 40 min. Após esse tempo junto 200 ml de leite de coco, sacudo de leve a panela para misturar e tampo pra cozinhar mais uns 5 min. Finalizo com coentro picado. Pronto. Com arroz e farofa fica mara. Pode comer e requebrar – requebra sim, pode falar…

Ps: a última foto é o pote do tempero que usei pra temperar minha moqueca. Ganhei ele de presente da minha mãe – ela é uma baiana que adora fazer temperos, colocar em potes e dar de presente pras pessoas, e isso diz muito do lugar que ela vem.

Risoto de funghi secchi com escalope de filé de mignon

Risoto de funghi secchi é intenso e avassalador. Comer ele acende alguma coisa na gente, deixa a gente intenso também, chega dar vontade de olhar pra vida e dizer aquilo que outro dia Marla de Queiroz disse: “Não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha à mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar”. É espetacular um risoto fazer a gente sentir essas coisas, eu penso.

Cogumelos tem algo de misterioso no seu aspecto e sabor, e eu acho isso bem inspirador. Amo usá-los para risotos, tenho uma receita para os frescos e outra para os secos. Os cogumelos frescos tem suavidade, gentileza, uma inocência fresca que conduz a gente para uma sensação delicada – e para manter isso uso no preparo do risoto caldo de legumes e vinho branco. Já os cogumelos secos são intensos, eles tem algo de paixão, não tem meio termo, conduzem a gente por uma conexão profunda, que nos enlaça e não há como escapar – e para manter isso uso no preparo do risoto vinho tinto e caldo de carne.

Clique aqui e veja ambas as receitas de risoto de cogumelos (fresco e seco)

Nesse prato, do lado, tem um escalope de filé mignon temperado com sal e pimenta, grelhado rapidamente na frigideira com azeite e coberto com um molho que é só manteiga, ervas, creme de leite, mostarda, azeite, sal e pimenta, tudo misturado e aquecido junto, rapidinho. Sinceramente, esse risoto sozinho já emociona demais, mas tem dias em que a intensidade é tanta que complemento o prato, pra simbolizar a hipérbole do meu ser.

Tomaticán – caldo de tomates, queijo e pão.

Tomaticán – um caldo profundo, lindo e bom de tomates com migalhas de pão e queijo. Aprendi a fazer no projeto onde cozinhei todas as receitas do livro “Todas as sextas”, da Paola Carosella – Clique aqui e veja tudo sobre isso. Desde então esse prato é o destino mais bonito que consigo pensar para tomates bem maduros, trabalhados pelo tempo. Depois de fazer muitas vezes, acabou que hoje faço de um modo um pouco diferente da receita original. É basicamente assim:

Aqueço uma panela e coloco azeite, junto cebola picada e refogo ela só um instante e junto alho (fresco cortado em lâminas), deixo refogar – mas sem dourar (se doura muda o sabor e esses detalhes importam). Junto então os tomates, picados, e tempero com: sal, pimenta (preta, caiena, ou dedo de moça), páprica doce e defumada (muita, uma orgia de pápricas) e cominho em pó. Cozinho na panela tampada até o tomate se desfazer e virar um purê com pedaços. Ajusto com água se precisar pra que seja de fato um caldo e junto migalhas de pão amanhecido. Deixo tudo cozinhar uns minutos para que o pão seja parte do caldo e desligo a panela, então coloco pedaços de algum queijo fresco (pode ser mozzarella de búfala, também fica ótimo com queijo minas). Finalizo com coentro ou manjericão fresco, e fios de algum azeite bem perfumado.

É isso. Parece pouco mas é tanto, mais do que a gente imagina. Eu e o @wallitostes decidimos que esse prato é a coisa feita de tomates que mais nos emociona. Ficamos muito felizes quando a noite é feita de Tomaticán.

Salmão grelhado com risoto de limão

Antes da receita: Salmão e dill são dessas coisas que nasceram para estar sempre juntas. Se o salmão não tá lá tão fresco e bom mas tem dill, ele brilha. Se o dill tá meio murcho e sem graça mas tem salmão, ele brilha. Quantas relações são assim, onde um ajuda o outro a brilhar, cuidando um da rachadura do outro? Temos algo a aprender com salmão e dill: uma união generosa que produz um amor que faz sentido, onde não ficam numa competição esquisita querendo um brilhar mais que o outro. Enfim, a receita:

O salmão:

Tempere postas de salmão com sal, pimenta, azeite e folhas de dill – esfregando as folhinhas com seus dedos para que elas liberem sua alma profunda aromática. Deixe descansar 20 min. Grelhe os 2 lados numa frigideira untada com azeite (o tempo varia de acordo com o tamanho da posta – no geral,  quando a cor das laterais assume o tom mais rosado e menos laranja, está bom).

Risoto de limão:

Tenha cerca de 600ml de caldo quente (qual quiser, pra esse gosto de usar caldo de legumes). Daí, processo de sempre de risoto: Meia cebola picada refogada em 1 colher de sopa de manteiga e 1 colher de chá de sal, então junte 1 xícara de arroz para risoto e refogue 1 minuto. Em seguida junte 1 xícara de vinho (quando tem salmão junto, gosto de usar vinho rosé, a cor combina, só por isso). Mexa sempre a panela, sempre mesmo, pra soltar todo amido cremoso lindo do arroz. Evaporando o vinho, coloque o suco de 1 limão (melhor se for siciliano) e junte 1/3 do caldo. Misture até evaporar grande parte e junte mais caldo. Repita isso até o arroz atingir o ponto que você ame. Atingindo, coloque uma última pequena quantidade de caldo, incorpore uns minutos pra não ficar ralo, estando cremoso, desligue a panela. Finalize com queijo parmesão e manteiga (manteiga nunca é demais, quando achar que colocou muito, coloque mais o dobro). Acerte o sal e coloque pimenta, se quiser.

Pronto. Sirva um do lado do outro. Folhas frescas de dill por cima são um carinho final muito bonito, e bom.

Mac n’ Cheese (Macarrão com queijo)

Aquela cremosidade que chega ser obscena de tão boa. Um macarrão desses com queijo em um dia frio traz uma sensação fantástica de aconchego, sei nem te falar. Faz e me conta.

Abaixo a receita, mas no IGTV do meu Instagram @rodrigo.vilasboas tem um video com todo passo a passo. Clica aqui pra conferir, e se assistir o video: Acredite na minha dica de que mexer a panela com Tina Turner ajuda no resultado – porque se não for pra se divertir, você vai pra cozinha pra que?

Ingredientes:

  • 200g de macarrão
  • 4 colheres de sopa bem cheias de cheddar cremoso
  • 1 xícara de chá não tão cheia de parmesão ralado (melhor se for aqueles menos secos)
  • 5 colheres de sopa de creme de leite
  • Pimenta-do-reino à gosto

Coloque mais queijo se quiser, e você pode substituir os queijos, legal ter sempre 2 tipos. Mas eu AMO fazer com cheddar, o babado é outro.

Modo de preparo:

Ferva água para cozinhar o macarrão, coloque um pouco de sal nela. Quando estiver fervendo coloque o macarrão e cozinhe até ficar no ponto que você goste. Escorra o macarrão e reserve 1 xícara da água do cozimento (irá ajudar no molho). Em uma panela ou frigideira grande o suficiente para receber todo o macarrão, coloque o cheddar e leve ao fogo médio, junte o outro queijo e o creme de leite, e misture bem para tudo virar uma mistura cremosa e homogênea. Coloque pimenta-do-reino à gosto. Junte o macarrão e metade daquela xícara com a água do cozimento. E comece a misturar tudo, mantendo agora o fogo baixo – para atingir a cremosidade que deseja, coloque mais creme de leite, água do cozimento ou queijo – vá sentindo se precisa de mais até ficar com cremosidade suficiente. Acerte o sal. Prontinho, sirva na hora!

Chapati (pão de frigideira indiano)

Tipo um Rap10 caseiro. Só leva 4 ingredientes e alguns minutos pra você fazer esse pão gracinha cheio de emoção indiana. Serve pra sanduíches, pra acompanhar vários pratos (principalmente os cremosos), para entradinhas… vixe, muito amor possível. Gosto tanto dessa receita, espero que aproveitem!

Abaixo a receita, mas se quiser, clique aqui e veja no IGTV do meu Instagram @rodrigo.vilasboas um video com todo passo a passo!

Ingredientes:

  • 1 xícara de chá de farinha de trigo
  • Meia colher de chá de sal
  • 1/3 de xícara de chá de água
  • 1 colher e meia de sopa de óleo

Modo de preparo:

Em uma tigela coloque a farinha e o sal, misture e coloque e metade da água, misture para umedecer a farinha. Acrescente o óleo e misture, e então acrescente o restante da água. Incorpore tudo. Espalhe farinha em uma bancada e sove a massa por pelo menos 4 minutos, até a massa ficar macia. Cubra com papel filme ou com um pano e deixe descansar 10 minutos. Após isso, faça um rolo com a massa e corte em no máximo 7 partes. Faça bolinhas com essas partes e abra elas, deixando na espessura mais fina que puder, sem deixar rasgar. Aqueça uma frigideira (melhor se for antiaderente) em fogo médio, não precisa untar, e leve os discos, um por vez. Deixe uns 30 segundo de um lado e depois uns 15 do outro. Pronto! Se quiser, ao tirar da frigideira, passe ele direto na chama do fogo do fogão, para dar uma tostada – eu adoro essa parte e adoro o resultado que ela traz! Coma como quiser, são mil possibilidades de uso! 🙂

Huevos rancheros (Ovos rancheiros)

Huevos rancheros – algo mexicano para amar (além da Paola Bracho, tequila e Paulina de la Mora). Ovos cozidos num molho de tomate vermelho-paixão-acesa. Amo tanto pratos onde ovos são as estrelas. Toda vez que os faço penso como as galinhas são sagradas, como nos dão tanto, e como somos tão ingratos com as ofertas do mundo natural. Nenhuma galinha deveria viver presa numa gaiola.

Como fazer:

Não se preocupe tanto com exatidão de quantidades nessa receita, só se divirta.

Em uma panela ou frigideira coloque azeite e refogue um pouco de cebola picada, em seguida junte um pouco de alho esmagado e deixe fritar um tico. Acrescente uns tomates picados, refogue. Junte um tanto de extrato de tomate e um pouco de água. Tempere com sal, pimenta-do-reino, páprica defumada, cominho, pimenta chili… ou quais outros você quiser. Deixe ferver uns instantes. Você precisa de um molho de tomate encorpado mas não tão grosso. Então espalhe no molho cubos de qualquer queijo fresco e em seguida coloque os ovos, acomodando cada um em um canto, de modo que fiquem um pouco espaçados. Não mexa mais a panela depois que colocar os ovos. Em fogo baixo, deixe cozinhar sem tampa 2 minutos e depois tampe, e cozinhe até os ovos atingirem o ponto que você ame. Finalize com ervas. Aproveite.

Se for demorar de comer desligue a panela um pouco antes de atingir o ponto, porque dentro do calor da panela os ovos seguem cozinhando um pouco mesmo após desligar.