Como fazer cinnamon apple – maçã caramelada com canela. 

Cinnamon apple – maçã caramelizada com canela boa para comer com porco, com pancake, com sorvete, com iogurte ou ela plena e linda só mesmo. É fácil fazer, é assim:

Ingredientes:

  • 2 maçãs
  • 100 ml de água
  • 5 colheres de sopa de açúcar
  • 2 colheres de sopa de canela
  • Caldo de meio limão

Modo de preparo:

Descasque as maçãs, torneando elas bem bonitas com gentileza, elas merecem isso. Depois corte ao meio, tire as sementes e corte em pedaços rústicos e belos, não muito pequenos. Em uma frigideira coloque a água, o açúcar, a canela e o caldo de meio limão. Misture com alegria. Quando começar a ferver coloque as maçãs. Deixe cozinhar e mexa de tempo em tempo. Quando o líquido se transformar em uma calda grossa caramelada linda de chorar e a maçã estiver cozida, está pronto. Uma alegria só. Tem cheiro de vida feliz. Seja feliz fazendo, comendo.

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Receita de Gâteau au chocolat (bolo de chocolate cremoso sem farinha)!

 

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Receita de gâteau au chocolat (um bolo de chocolate cremoso e amoroso sem farinha). Você é capaz de ver a alegria de viver nesse gâteau? É uma receita simbólica e guarda muito. Fazê-la é sempre uma experiência delicada – começo escolhendo com cuidado e carinho os utensílios e ingredientes (só vai 4 ingredientes, então eles precisam ser escolhidos com seriedade e carinho, é importante que sejam bons). Misturo os ovos com o açúcar sempre num bowl bonito. Pego folhinhas das plantas de casa para servir de molde para as folhas de chocolate que a enfeitam. Os detalhes e cuidados importam. Aprendi essa receita com uma confeiteira que me ensinou a ver na cozinha a “joie de vivre” – a alegria de viver, de se relacionar com o mundo natural de um modo revolucionário e fazer da cozinha o lugar mais feliz, ocupado e vivo da casa. Você é capaz de ver nesse bolo a alegria de viver? Espero que seja. Ele é muito bom, cremoso, intenso e lindo. Mas além de bom, diz muito, pra mim.

Ingredientes:

  • 290g de chocolate amargo (pode ser meio amargo, eu uso amargo)
  • 5 ovos
  • 200g de açúcar
  • 100g de manteiga
  • cacau em pó para polvilhar a fôrma

Você precisará de uma fôrma de fundo removível de cerca de 21cm de diâmetro.

Modo de preparo:

Derreta o chocolate em banho-maria junto com a manteiga – derreter os dois juntos é importante pois a manteiga, nossa amiga querida, é uma gordura gentil que protege todas as propriedades do chocolate e as mantém perfeitas pra gente sentir seu melhor. Após derreter tudo reserve. Em uma vasilha bata os ovos e o açúcar com um fouet – não bata demais, apenas o suficiente para incorporar. Acrescente então o chocolate derretido com a mistura de ovos e bata com um fouet até incorporar tudo.

Pré-aqueça seu forno à 180 graus. Unte a fôrma de fundo removível com manteiga e polvilhe cacau em pó nela, então despeje a mistura do bolo. Leve para assar em banho-maria (é uma mistura muito delicada, sem farinha, com muitos ovos, para ficar em uma consistência incrível, cremosa e meio mousse, precisa assar lentamente de um modo que só o banho-maria permite). Pegue uma folha grande de papel alumínio e coloque a fôrma em cima, rodeando o alumínio em volta dela para proteger e evitar que a água do banho-maria entre na fôrma (já que ela é de fundo removível, né). Coloque então a fôrma com a massa em uma fôrma maior que ela e acrescente água já quente. Leve ao forno pré-aquecido e asse por cerca de 50 minutos à 1 hora.

Uma casquinha crocante incrível se formará por cima! Isso dará um contraste delicioso no gâteau.

Após assar, deixe o bolo ainda na fôrma esfriar um pouco em temperatura ambiente e depois leve para geladeira – só desenforme quando ele estiver completamente gelado. Para desenformar solte as laterais com uma faquinha para ajudar. Ele é um bolo melequentinho lindo mesmo, então é meio difícil desenformar, mas nada demais também. Seja muito feliz comendo – porque não tem como não ser comendo isso.

Dica de decoração:

Tanto essa receita quanto essa dica de decoração eu aprendi com a diva da cozinha Raíza Costa. Para fazer essas folhinhas de chocolate que decoram o bolo faço o seguinte: Derreto o chocolate, espero que esfrie um pouco e então pincelo folhas naturais de árvores ou plantas – que gracinha né? Pois é. As coloco na geladeira e quando endurecem retiro a folha de chocolate da folha, pronto. Também gosto de colocar pedaços rústicos de avelã junto por cima do bolo.

Dicas de acompanhamento:

Fica ótimo com chantili de cachaça do lado (que você obtém batendo creme de leite fresco e quando estiver no ponto de chantili acrescente uma colherzinha de cachaça). Também fica divino com creme inglês, ou uma frutas frescas azedinhas tipo framboesa…

Bon appétit!

Como fazer figos assados com creme de mel. 

Figos emocionantes de sobremesa porque fruta é sobremesa sim, rapaz. Se você prestar atenção vai achar tanta coisa  a sua volta que é capaz de emocionar você na vida e você nem liga. Tem muito prazer simples oculto por aí que ninguém usa direito. Esses figos contam isso, você é capaz de ouvir? O simples pode ser lindo. Fruta pode ser sobremesa, vem feita e a gente só ajeita pra tirar mais emoção dela.

Como fazer:

Corte os figos em 4, coloque em uma assadeira, regue com azeite e asse no forno à 180 graus por uns 10/15 minutos. Enquanto eles assam misture creme de leite com mel, em uma proporção para ficar um amarelinho gentil, como o da foto. Retire os figos do forno e regue com o molho. Quando comer entenda o quanto o singelo pode ser bom e o quanto um figo pode ser muito bom sendo apenas ele mesmo, um figo. Compreenda algumas coisas importantes e adocica a sua vida, meu amor.

Crocantes de caramelo – Uma farofinha mágica para qualquer sobremesa!

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O sorvete de domingo depois do almoço me fez sentir falta de mais enfeites. Sorvete sem ser enfeitado não traz a mesma felicidade que sorvete enfeitado. Então acho que é um momento inspirador para postar receita de algo que, dentre várias outras aplicações, pode servir para enfeitar sorvete e deixar ele mais produtor de felicidade.

Esses crocantes de caramelo são muito fáceis de fazer, usam utensílios super simples e ficam uma farofinha linda, dando aquele tonzinho sofisticado (de aparência e sabor) nas suas sobremesas! Vamos à receita:

Ingredientes:

  • 2 xícaras de chá de açúcar
  • 2 colheres de sopa de manteiga sem sal
  • 2 xícaras de chá não muito cheias de amendoim ou alguma castanha que você ame (use triturados, mas sem ser aqueles que ficam muito farofa, é preciso de pedacinhos grandinhos). Atenção: Esse item é opcional, dá para fazer o crocamte de caramelo sem castanha.
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 2 colheres de sopa de leite em pó

Antes de começar: Unte uma superfície com um pouquinho de óleo (pode ser ferro, mármore, qualquer lugar onde você possa por o caramelo quente para ele esfriar).

Modo de preparo:

Fazer caramelo é tarefa que exige atenção e detalhes. Siga as dicas a risca que tudo tem muita chance de ir bem. Coloque o açúcar todo em uma panela larga que ele possa ter espaço para derreter tranquilamente. Acrescente a manteiga e a baunilha. Espere o açúcar começar a derreter, quando isso acontecer vá movimentando a panela lentamente para mexer o conteúdo e garantir que todo o açúcar vá derretendo por igual. Mexa bem devagar mesmo a panela – agitar demais as moléculas de açúcar enquanto ele derrete não é bom. Quando todo o açúcar tiver derretido e começado a ganhar cor, você pode mexer devagar com uma colher de pau, para misturar tudo. Use seus olhos e nariz: a cor ideal é um âmbar-avermelhado, se passar disso queima e não fica o aroma floral, doce, amargo, emocionante. Quando atingir esse ponto, acrescente a castanha, se for usar. Desligue o fogo e misture rapidamente. Tire a mistura da panela imediatamente e coloque naquela superfície que você untou.

O caramelo precisa ficar próximo a essa cor, se escurecer muito fica amargo!

Figura 1: Momento em que acrescentamos o amendoim. Figura 2: O caramelo esfriando na superfície untada. 

Agora você vai deixar esfriar completamente. Depois que esfriar desprenda o bloco de caramelo da superfície, quebre em algumas partes e coloque dentro de um saco plástico resistente, acrescente dentro do saco o leite em pó e feche. Use um martelo (ou qualquer objetivo pesado que sirva) para bater no saco, triturando o caramelo e criando a nossa linda farofinha. Depois que estiver tudo em pedaços pequenos e com aspecto de farofinha, está pronto para usar!

Rendimento

Da para cobrir um bolo ou uma torta grande (de cerca de 30 cm de diâmetro). Se você for precisar de menos, corte a quantidade de ingredientes pela metade e faça do mesmo jeito.

Dicas

  • Fica uma delícia para usar como cobertura e complementar recheio de bolos e tortas, para colocar no sorvete, ou para qualquer coisa que você queira. Seja criativo, pop, underground e invente!
  • Se posto em local úmido (geladeira) o caramelo umedece, não fica com gosto ruim, mas fica meio grudadinho. Então se o consumo não for demorar muito é melhor ser mantido fora da geladeira mesmo.
  • Não se preocupe com o caramelo grudado em seus utensílios de cozinha. É só deixar de molho na água que o caramelo dissolve e será bem fácil lavar tudo!
Essa é uma torta que eu fiz e cobri todinha com esses maravilhosos crocantes! Que bonitinha, né?

Essa é uma torta que eu fiz e cobri todinha com esses maravilhosos crocantes! Que bonitinha, né?

Receita clássica de pão de ló!

Pão de ló – Nome que os portugueses deram à esse tipo de massa de bolo, que é delicada e frágil como um tipo de tecido que foi popular em Portugal no século XVI, o “ló”. Nossos colonizadores amam essa massa, muitas cidades portuguesas são famosas pelas suas diferentes versões de pão de ló. Dizem que a inspiração para os portugueses criarem a receita veio após visitarem terras japonesas no século XVI e conhecerem o kasutera – um bolo japonês com a mesma estrutura do pão de ló, só que levava xarope de milho. Também há registros que dedicam a criação do pão de ló ao italiano Giobatta Carbona, que criou um bolo comemorativo encomendado por um marquês italiano para o rei da Espanha (Fernando IV), batizando o bolo leve e aerado de Pan di Spagna. Enfim, como muitas receitas, há muitas trocas, influências e encontros culturais que a permeiam, mas o que a gente tem certeza é que essa mágica da natureza, tão simples e com apenas 3 ingredientes, resulta numa massa incrível e muito versátil, ótima para muitos tipos de bolo, perfeita para Naked Cake. Você pode fazer ela aromatizada e servir purinha, num café da tarde fofo, que nem a massa.

Ingredientes (para uma fôrma redonda de cerca de 25cm de diâmetro):

  • 5 ovos
  • 170g de farinha de trigo
  • 150g de açúcar

Modo de preparo:

Pré aqueça o forno à 160 graus. Peneire a farinha de trigo 3 vezes e reserve. Na batedeira, bata os ovos com o açúcar até a mistura ficar super branca e aerada. Feito isso, acrescente a farinha aos poucos, misturando com uma espátula ou fouet, delicadamente (nem pensar em bater na batedeira nessa parte). A delicadeza para misturar a farinha é muito importante para a massa não perder a qualidade aerada. Misture apenas até incorporar tudo, não mexa demais. Unte uma fôrma de 25cm de diâmetro (com manteiga e farinha), despeje a massa e leve para assar no forno pré-aquecido por 30 minutos, ou até espetar um garfo ou palito no centro e ele sair seco e limpo. Prontinho. Espere esfriar uns 15 minutos pelo menos para desenformar.

Sem fermento nem nada, o bolo cresce o suficiente, fica fofo, lindo, apaixonante, um amor real. Crie bolos incríveis com essa massa super versátil!

Dicas:

  • Essa é um tipo de massa seca, que não tem gordura, então para um bolo ela precisa sempre ser umedecida com uma calda maravilhosa.
  • Você pode aromatizar a massa acrescentando delicadamente raspas de algum cítrico (limão, laranja, etc) na massa no momento anterior ao que acrescenta a farinha de trigo. Fica ótimo também!

 

Receita da clássica cheesecake!

 

A clássica cheesecake – Uma deusa sabor queijo que encanta o mundo há mais tempo do que pode imaginar nossa vã filosofia. A versão que hoje conhecemos foi criada e consagrada em New York, mas a origem desse “bolo/torta de queijo” remonta a Grécia e Roma antiga – há registros antropológicos de cheesecake desde 2000 a.c., vejam vocês. Ao longo da história ela foi feita em diversos países europeus com queijos típicos de cada região, a versão que conhecemos hoje é feita com cream cheese – queijo lindo de Deus que foi descoberto por acidente pelo americano William A. Lawrence em uma tentativa dele de reproduzir um queijo francês chamado Neufchatek (como tantas outras coisas na gastronomia, que nasceram de “erros”. Acho isso inspirador, não devíamos ter tanto medo de errar, pode ser bom). Cheesecake é descaradamente mais fácil de fazer do que você imagina. Tirar uma cheesecake do forno e ver a perfeição dela, quando assada certinho, faz com que eu me sinta sensacional. Não to querendo dizer que fazer uma cheesecake aumenta minha autoestima. Na verdade eu tô sim. Vem aprender!

Nessa que fiz cobri com caramelo salgado, mas você pode cobrir com o que quiser: Caldas, geleias, chocolate, etc.

Ingredientes (para uma cheesecake média que serve umas 7 pessoas):

  • 540g de cream cheese em temperatura ambiente
  • 2 ovos em temperatura ambiente
  • 90g de açúcar
  • 110g de iogurte natural em temperatura ambiente
  • raspas de meio limão siciliano, se quiser (eu amo colocar).
  • 1 colher de sopa de suco de limão (de preferência siciliano)
  • 1 pitada de sal
  • 120g de biscoito de maizena
  • 45g de manteiga derretida

Você precisará de uma fôrma de fundo removível de uns 24cm de diâmetro, mais ou menos.

Muito importante:

– Como notou, todos os ingredientes devem estar em temperatura ambiente, isso é muito importante para a consistência agradável da massa.

– Asse mesmo em banho-maria e em baixa temperatura, se não sua cheesecake não ficará tão emocionante. É preciso delicadeza e tempo, respeite isso.

Modo de preparo:

Comece pela massa. Unte o fundo de sua fôrma com manteiga molinha. Triture as bolachas (pode ser colocando num saquinho e batendo com algo que faça ela virar uma farofa, ou batendo num processador ou num liquidificador – o importante é ter uma farofa bem fina). Acrescente a manteiga derretida e misture até formar uma farofa densa e úmida. Forre o fundo da fôrma com toda a farofa, pressione com seus dedos para assentar bem. Reserve.

Pré-aqueça seu forno à 160 graus. Coloque o cream cheese em uma batedeira e comece a bater, na velocidade máxima até ele ficar uma mistura cremosinha. Continue batendo, acrescente o açúcar e bata até ficar mais fofo. Coloque então o suco de limão e as raspas se for usar, a pitada de sal, o iogurte e os ovos. Bata por mais alguns minutos até todos os ingredientes incorporarem bem (passe a espatula na borda da batedeira para se certificar disso). Coloque essa mistura na fôrma, sob a camada da massa de bolachas.

Hora de levar para assar, em banho-maria. Pegue uma folha grande de papel alumínio e coloque a forma em cima, rodeando o alumínio em volta dela para proteger e evitar que a água do banho-maria entre na fôrma (já que ela é de fundo removível, né). Coloque então a fôrma com a cheesecake em uma fôrma maior que ela e acrescente água já quente, até cobrir metade da fôrma da cheesecake. Leve para assar no forno pré-aquecido por cerca de 45 minutos à 1 hora. O ponto é quanto você chachoalha um pouco o forno e a cheesecake está bem firme nas bordas e firme/meio não tão firme no centro. Não pode pegar cor nenhuma, o aspecto é esse ó:

A sua gracinha está pronta! Tire do forno, passe uma faca gentilmente na lateral da fôrma para soltar a cheesecake, espere 5 minutos e desenforme. Deixe gelar por cerca de 6 horas – ela é boa fria, esse tempo na geladeira garante isso, e também garante uma umidade linda.

Cobertura:

Cubra com que quiser. Essa eu cobri com caramelo salgado (vi a linda amada Raíza Costa fazendo desse modo e amei!). Para ter o caramelo salgado é só fazer isso: Em uma panela derreta 150g de açúcar até caramelizar, quando isso acontecer acrescente 120g de creme de leite fresco, mexa até ficar cremosinho, pronto, só cobrir sua cheesecake com ele. Depois de cobrir salpique uma pitadinha de flor de sal, para deixar o seu caramelo salgado. Pronto.

Seja feliz fazendo e comendo. Bon appétit!

 

 

 

Como fazer mascarpone!

Um queijo de origem italiana, meio adocicado, todo cremoso e com cerca de 70% de gordura – o que faz dele um grande amigo para atingir consistências emocionantes nas sobremesas. É o principal ingrediente do tiramisù e pode ser usado para dar uma cremosidade carinhosa em muitos preparos, como no crème brûlée. Ele é mais simples de fazer em casa que achar nos mercados, vou provar:

Ingredientes:

  • 500g de creme de leite fresco
  • 3 colheres de sopa de caldo de limão

Modo de preparo:

Leve o creme de leite ao fogo médio em uma panela bonita que você goste (Paola Carosella me fez ver que é especial quando gostamos de nossas panelas), quando ele levantar fervura acrescente o caldo de limão e cozinhe por 5 minutos mexendo sem parar. Imagine o ácido do limão cortando o leite e o transformando em queijo, entenda a beleza disso. Após isso desligue o fogo. Coloque uma peneira em uma vasilha e cubra ela com um coador de papel resistente ou com aqueles panos de malha fina de escorrer queijo. Despeje a mistura da panela na peneira e deixe 3 horas em temperatura ambiente e depois uma noite na geladeira, para o soro escorrer. Pronto. Ele fica assim que nem o da foto, rindo pra você e te contando o quanto fazer em casa é libertador.

Como fazer brigadeiro de limão siciliano!

Brigadeiro faz parte da nossa história. Um doce brasileiro que ocupa incrivelmente muitas de nossas memórias afetivas. Alguma coisa da sua vida tem brigadeiro no meio, certeza. Lembro de umas férias de quando eu tinha uns 11 anos em que fiz brigadeiro uns 4 dias seguidos para comer enquanto assistia Cavalo de Fogo (aquele desenho que todo mundo lembra pela música: “Que tocou meu coração, quando me disse então que um dia raaaeeeeeee(…)eeeenha eu seriiiiaaa…”, enfim, lembrou?), foi quase um ritual, só dava para assistir comendo brigadeiro. Foi uma overdose muito doce que eu jamais esquecerei. Adoro essa versão com limão siciliano, acho sutilmente refrescante. Vem fazer e ver o que é bom! Pode comer assistindo Cavalo de Fogo se quiser, mas se não quiser não precisa, é um item opcional.

 

Ingredientes:

  • 1 lata de leite condensado
  • 100g chocolate branco picado
  • 1 colher (sopa) de manteiga sem sal (jamais substituir por margarina, peloamordedeus!)
  • Raspas de 1 limão siciliano (sem raspar a parte branca).
  • Suco de ½ limão siciliano.

Modo de preparo:

Coloque em uma panela o leite condensado, o chocolate e a manteiga. Leve ao fogo médio e mexa sem parar para cozinhar o brigadeiro até atingir o ponto – que é quando você conseguir ver o fundo da panela ao passar a colher. Outro jeito de ver o ponto é inclinar a panela e ver se a mistura está soltando da panela, se estiver está pronto. Normalmente o brigadeiro leva uns 13 minutos de cozimento para atingir o ponto, mas isso varia, o negócio é checar o ponto mesmo. Após atingir o ponto desligue o fogo e continue mexendo uns segundos, então acrescente o suco de limão e as raspas, e mexa para misturar. Coloque em um prato e deixe esfriar para depois manusear e fazer as bolinhas, ou comer assim mesmo. Eu gosto de fazer bolinhas (unto a mão com óleo de canola ou manteiga para não grudar) e enrolar no leite em pó, acho que fica ótimo! Mas fica bom também enrolar em chocolate branco picado, granulado, farofa de pistache ou castanha…enfim.

Se divirta fazendo e seja feliz comendo.

Como fazer Madeleines e de onde elas vem? Aprenda a sentir o melhor que uma madeleine pode te trazer!

Madeleines – um dos maiores símbolos da França. Originária da região de Lorraine (do mesmo santo lugar de onde veio a quiche lorraine) esse bolinho traz “joie de vivre” pra gente – a alegria de viver. Alguns dizem que ela surgiu na cozinha do duque de Lorraine, Stanislas Leszcynski (que era, além de sogro de Louis XV, rei da Polônia que perdeu seu reino e então ficou exilado na França). Diz a história que o duque um dia receberia para o jantar o polêmico escritor Voltaire, que era odiado por todos naquela cidade, tanto que o mordomo e padeiro do duque se recusaram à servi-lo. Então a cozinheira da casa, Madeleine, para salvar o jantar fez uma receita de bolo que aprendeu com sua avó – que ficou tão boa que ganhou a apreciação do duque, de seus convidados e depois se espalhou pela cidade, em seguida por toda a França, levando o nome da cozinheira. As madeleines também foram imortalizadas na obra “Em busca do tempo perdido” do escritor Marcel Proust, que usa as madeleines para explicar suas ideias sobre memórias afetivas evocadas através do gosto de algo (no caso do exemplo que ele conta na obra, através do gosto de uma madeleine).

Não é a toa que as madeleines ganharam tanta fama e ainda foram escolhidas por Proust para ilustrar suas ideias sobre tempo e memórias. Recém-assadas elas nos proporcionam uma experiência marcante, de memória eterna. Ao sair do forno possuem um breve momento de glória, apresentando bordas sutilmente crocantes, um centro macio e ao  ser mordida libera um vapor cheio de aroma, que é um sopro de vida, absolutamente emocionante. Mas  isso só acontece nos seus primeiros 5 minutos, depois já mudam de textura. Ficam boas depois também, mas essa glória dos primeiros 5 minutos é algo mágico, prove ao menos uma vez na vida. Já disse Dominique Ansel: “Pisque e você vai perder o melhor da madeleine”. Elas sensivelmente nos mostram uma lição sobre o tempo e sua sutileza – sobre o sopro da glória que é rápida mas que deixa uma marca eterna. É complexo de explicar, melhor sentir. Vamos a receita.

Ingredientes (para aproximadamente 22 madeleines): 

  • 3 ovos
  • 130g de açúcar
  • 200g de farinha de trigo
  • 10g de fermento em pó
  • rapas de 1 limão-siciliano ou laranja
  • 180g de manteiga
  • 20g de mel
  • 60 ml de leite

Modo de preparo:

Você precisará da manteiga derretida, mas ao invés de só derreter, eu faço uma coisinha que aprendi com a Raíza Costa: se você “queimar” um pouquinho a manteiga ela cria um sabor bem mais intenso, que beira o sabor de nozes, e deixa sua receita muito mais encorpada com um tom incrível! Para isso, basta fazer o seguinte: Coloque a manteiga em uma panela em fogo brando, quando derreter você verá os sólidos do leite subindo e se separando da gordura (formando uma espuma na superfície), depois de alguns segundos esses sólidos (a espuma) vão afundar e tostarão no fundo da panela, deixando a mistura num tom castanho escuro – quando atingir essa cor desligue a panela – pronto, essa reação deixará a manteiga com um sabor singular incrível! Quando desligar o fogo, misture nela o mel e o leite. Reserve.

Bata os ovos com o açúcar até ficar mais esbranquiçado e espumoso. Adicione a farinha e o fermento e misture tudo. Em seguida acrescente a mistura de manteiga derretida e as raspas de limão, misture tudo até ficar homogêneo. Cubra e deixe na geladeira por algumas horas ou por uma noite – esse descanso é muito importante para você ter a experiência emocionante ao morder sua madeleine.

Após o tempo de descanso da massa, hora de assar. Pré-aqueça seu forno à 200 graus. Unte com manteiga e farinha as forminhas de madeleine se tiver, se não tiver unte as que tiver. Coloque a massa nas formas (não encha as formas até o final, coloque massa um pouco acima da metade do espaço). Leve para o forno pré-aquecido e asse à 200 graus por 5 minutos, então abaixe o forno para 180 graus e deixe mais cerca de 10 minutos – até ficar dourado nas bordas.

Enquanto assa, deixe seu chá ou o que for acompanhar prontos, na mesa, esperando – porque quando as madeleines sairem do forno você precisa comer pelo menos uma delas no momento de glória – que são os seus primeiros 5 minutos. Morda, sinta, respire essa vida incrível que ela exala nesse momento. Enfim, espero que ao morder entenda a emoção que escrevo aqui.

Dicas: Antes de assar as madeleines, você pode espetar uma framboesa fresca em cada uma delas, fica muito gostoso. Também pode fazer cremes doces de seu agrado para acompanhar. Seja criativo e faça algo que tenha sentido para você para complementar, você é livre para criar e a cozinha te lembra disso.

Bon appétit!

Como fazer crème pâtissière (creme de confeiteiro).

 

Crème pâtissière é a alma da confeitaria francesa. Saber fazê-lo é dominar uma base que te permite criar um mundo de coisas. Bases e clássicos são importantes de serem conhecidos e dominados, a partir disso você consegue imaginar muito mais na sua cozinha e ter asas para voar cada vez mais alto em pratos mais autorais. Você pode usá-lo para rechear tortas, bombas, bolos, trufas, ou, como Rachel Khoo me ensinou, pode misturar ele com creme de leite fresco e ter uma mousse simples e encantadora, que os franceses chamam de crème madame. Ou, como eu faço, até comer ele puro, com uma geleia amorosa feita em casa com alguma fruta generosa. Eu amo fazer esse creme, amo a tensão poética enquanto o faço, esperando para atingir o ponto perfeito e quase chorar de emoção no final, quando ele fica pronto, majestoso, lindo. Vem aprender e entenda, é intenso mesmo, juro.

Ingredientes:

  • 250 ml de leite integral
  • 250 ml de creme de leite (prefiro sempre o fresco, mas pode ser o mais comum de achar)
  • 4 gemas grandes, se forem pequenas, 5.
  • 80g de açúcar
  • 20g de farinha de trigo
  • 20g de amido de milho
  • 1 fava de baunilha (pode usar essência se quiser, mas a fava é bem melhor, se usar essência 2 colheres de sopa está bom).
  • Você precisará de papel filme

Modo de preparo:

Bata as gemas com o açúcar até começar a esbranquiçar, em seguida acrescente o amido e a farinha e misture bem até incorporar tudo, reserve. Misture o leite, o creme de leite e a baunilha em uma panela (se usar a essência é só acrescentar, se for usar a fava: abra ela com uma faca, raspe as sementes e jogue no leite e depois jogue a fava também). Leve essa mistura ao fogo até levantar fervura, quando começar ferver, desligue e deixe descansar por 5 minutos.

Depois de esperar esses 5 minutos, pegue uma concha da mistura de leite quente e coloque na mistura de gemas e mexa bem (isso tempera a mistura e começa a aquecer ela, porque se colocar tudo de uma vez pode talhar a gema). Após isso transfira o total das duas misturas para uma panela, leve ao fogo médio e mexa sem parar – quando começar a borbulhar, engrossar e for possível ver o fundo da panela ao mexer, estará pronto.

Desligue o fogo e descarte a fava, abra uma folha de papel filme dentro de uma fôrma e despeje o creme sobre ela, depois envolva o papel filme cobrindo todo o creme, para não ficar nada sem ser coberto e ressecar. Leve a geladeira por pelo menos 1 hora. Pronto. Use e seja magicamente feliz usando.

 

Dicas: Se quiser crème pâtissière de:

  • Chocolate: ao invés de baunilha coloque 2 colheres de sopa de cacau em pó.
  • Café: ao invés de baunilha, 2 colheres de chá de café em pó solúvel.
  • Cítrico: acrescente raspas de 1 limão siciliano ou de uma laranja (só use raspas de cítricos orgânicos, peloamordedeus).
  • Moca: Ao invés de baunilha, coloque 2 colheres de chá de café em pó solúvel e 1 colher de sopa de cacau em pó.
  • Experimente outras coisas também: Gengibre, cumaru, pimenta chili, noz-moscada… enfim, tem muitos jeitos de ser feliz.

 

Bon appétit!