Como fazer Poisson meunière (Peixe com molho de limão e manteiga queimada) acompanhado de tomates confit e berinjela refogada. Rápido e bom de verdade.

Essa é uma refeição rápida, mas uma refeição rápida com alma, fica boa mesmo, porque os preparos são em sua essência rápidos de verdade (não são aquelas receitas rápidas que encurtam sem respeito o tempo certo que as coisas precisam para ficar prontas). Você não precisa sempre ter duas horas para cozinhar para comer bem, com afeto e verdade. Adoro um peixe fresco, com algo cítrico acompanhado de tomates confitados, é um dos meus jeitos mais felizes de comer um filé de peixe. A berinjela é uma convidada muito querida nesse prato, é um carinho tê-la junto aqui. Para fazer tudo isso  precisei só de uns 30 minutos e de uma música que deixou meus movimentos mais harmônicos e alegres, tipo “I wanna dance with  somebody”, da Whitney Houston. É bom, muito bom.

Modo de preparo:

Clique aqui e confira a receita do Poisson meurinère (Peixe com molho de limão e manteiga queimada).

O tomate confit você pode fazer de dois jeitos: Se tiver mais tempo e puder deixar ele 1 hora no forno, clique aqui e veja como fazer do modo mais tradicional.  Agora se tiver pouco tempo, dá para fazer assim também: Em uma panela pequena coloque o tanto de tomatinhos cerejas que vai querer confitar, acrescente uma quantidade de azeite de oliva extra virgem suficiente para cobrir metade dos tomates, coloque 2 dentes de alho cortados em lâminas, sal à gosto, açúcar à gosto, folhas frescas de louro e pimenta-do-reino. Deixe em fogo médio até que os tomates estejam bem cozidos e molhinhos, com a pele quase soltando, se precisar vire eles durante o cozimento. Em 20 minutos normalmente ficam bons, deixe esfriar um pouco depois que terminar de cozinhar e está pronto.

A berinjela aqui nesse prato é uma visita muito simples de fazer: Refogue alho e cebola em um pouco de azeite e depois coloque a berinjela cortada em cubos, vá refogando em fogo médio até que ela esteja cozida, meio transparente e deliciosa. Tempere com sal e pimenta à gosto.

Prontinho! Bon appétit!

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Como fazer Poisson meunière (Peixe com molho de limão e manteiga queimada)

“Meunière” significa em francês “mulher do moleiro”, o que faz referência à farinha usada para fazer uma fina camada no filé de peixe, o protegendo ao cozinhá-lo, evitando ressecamento. Com um perfume sensual de lembrar pra sempre, esse prato é daqueles que você não sabe mesmo o que dizer na primeira garfada. O tom forte da manteiga “queimada” com o cítrico do limão casam muito bem com um filé de peixe fresco. Esse prato é uma história de amor pra mim, meu jeito preferido de comer peixe. um jeito envolvente que te conecta ao prato em uma experiência sensorial muito forte. Coma peixe assim pelo menos uma vez na vida, sério.

Ingredientes (para 2 pessoas):

  • 2 filés frescos de peixe (uso Saint Peter ou linguado, mas se aventure e escolha o seu) limpo e sem espinhas, de aproximadamente 160g cada.
  • 2 colheres e meia de sopa de farinha de trigo
  • Pimenta-do-reino preta à gosto
  • Meia colher de chá de sal
  • 2 colheres de sopa de óleo de girassol ou azeite de oliva extra virgem
  • 45g de manteiga
  • Suco de meio limão (melhor se for siciliano)
  • 2 colheres de sopa de salsa fresca picada
  • 1 colher de sopa de alcaparras pequenas (opcional)
  • Lemon pepper  à gosto (opcional, mas eu gosto muito de colocar)

Modo de preparo:

Misture em um prato a farinha com o sal, a pimenta e o lemon pepper, se for usar. Salpique só um tico de sal nos filés de peixe (porque o sal na farinha já irá temperá-los) e em seguida empane eles na mistura de farinha. Tire o excesso e reserve.

Aqueça o óleo (ou azeite) na frigideira, deixe o fogo médio e então acrescente os filés, doure de um lado por cerca de 1 no máximo 2 minutos (depende to tamanho do filé). Vire e doure o outro lado também por 1 ou 2 minutos. Se seu filé for muito grosso será mais tempo, sinta a coerência. Após dourar retire os filés da frigideira e coloque em um prato aquecido se puder, cubra com papel alumínio.

Na mesma frigideira, ainda em fogo médio, acrescente a manteiga e deixe ela derreter, quando começar a escurecer apague o fogo e coloque o caldo de limão (cuidado, pode espirrar). Coloque a salsa e as alcaparrar e movimente a frigideira para misturar tudo. Sinta o perfume nessa hora, é lindo. Volte os filés para frigideira e encharque no molho. Sirva imediatamente e seja muito feliz comendo. Bon appétit!

Como fazer caldo de peixe com cabeça e rabo (para usar em risottos e outros cozimentos). 

É realmente muito lindo usar tudo do animal. Às vezes acho que é o mínimo que podemos fazer para dar à eles o destino mais digno possível. Em uma panela coloque ervas e alguns legumes que você goste (eu gosto aqui de erva-doce, alho-poró e cebola branca), coloque um pouco de sal e acomode com respeito e carinho a cabeça e o rabo de um peixe fresco. Coloque água, leve ao fogo e quando ferver cozinhe por 25 minutos em fogo baixo. Depois é só coar para ter um caldo maravilhoso de sabor lindo – bom para tantas receitas, como risotto, cozimento de peixes e outras carnes, sopas, enfim. Sempre antes de jogar algo fora se pergunte se aquilo não pode virar algo bom, sua vida muda quando você olha para as coisas assim. As coisas podem ser boas da cabeça até o rabo, eu realmente acho. Paola Carosella também acha e acho que ela tem me inspirado a achar ainda mais. Enfim. Leiam “Todas as sextas”.

Receita: Atum em crosta com purê verde.

Atum em crosta com purê verde.

O atum é uma carne que pouca gente conhece fresca – são tantas latas nessa vida que o frescor emocionante desse bicho ficou meio sem cena. Mas um atum fresco, feito direito, é uma experiência muito distante do atum em lata. Nada contra a lata, mas é absolutamente diferente, com um frescor que inspira a gente, nessa vida. Aqui eu faço ele de um jeito simples e honesto, que honra seu melhor. Esse purê de soja verde é um dos meus purês prediletos. Fica tão bom com esse atum que não sei direito explicar o quanto bom é. É muito bom. Eu gosto muito desse prato, o inventei esses dias e fico muito feliz de ter inventado. E juro pela tonga da mironga do kabuletê de Vinicius de Moraes que você consegue fazer ele em 30 minutos! Olha só:

 

Ingredientes (para 3 pessoas):

Para o atum:

  • 3 postas de atum fresco (de aproximadamente 160g cada)
  • Sementes de gergelim preto e branco misturadas (o suficiente para empanar as postas de atum)
  • Sal, azeite e pimenta-do-reino à gosto

Para o molho do atum (você pode usar outro molho se quiser, essa é uma sugestão):

  • Meio limão siciliano ou meia laranja pequena cortada em rodelas e depois cortada em cubos, com casca e tudo
  • Azeite (o quanto bastar – mas no máximo meia xícara de chá)
  • 3 dentes de alho cortados em rodelas
  • Sal e pimenta-do-reino à gosto
  • 2 filés de anchova ou sardinha em conserva lavados ligeiramente e sem espinhos.
  • 50 gramas de amêndoas sem casca

Para o purê verde:

  • 300g de soja verde (pode substituir por ervilha fresca ou até aquelas congeladas pré-cozidas).
  • Leite (o suficiente para dar ponto)
  • 1 colher e meia de sopa de manteiga
  • Meia cebola pequena cortada em cubos
  • 1 dente de alho picado
  • 1 colher de chá de mostarda dijon
  • 1 colher de sopa de molho shoyu
  • 1 colher de sopa de vinagre de maçã
  • Sal à gosto
  • Azeite à gosto
  • Pimenta-do-reino à gosto

Para decorar, se quiser: Pedaços de folhinhas de alga (nori).

Modo de preparo:

Primeiro faça o purê: Em uma frigideira coloque meia colher de sopa de manteiga, a cebola, o alho e uma pitada de sal. Refogue até ficar transparente e reserve. Cozinhe a soja verde até ficar totalmente cozida e mole mas mantendo a estrutura do grão, sem deixar desmanchar (Eu uso soja verde da marca Veggie, ela vem congelada e pré-cozida, então deixo só 8 minutos na água fervendo que já chega ao ponto. Você acha ela em lojas de produtos naturais). Se usar ervilha verde é o mesmo esquema – cozinhe até o ponto, se for aquelas congeladas, cozinhe seguindo as instruções da embalagem. Seja qual for seu grão verdinho, após cozinhar coloque no liquidificador ou processador junto com a cebola e alho refogados e bata acrescentando leite para ajudar a bater, coloque a quantidade de leite suficiente para atingir a consistência de um purê mole. Vá batendo, parando, mexendo, batendo, enfim, até triturar completamente e não ter mais pedaços. Transfira essa mistura para uma panela pequena e coloque todos os outros ingredientes, então leve ao fogo médio e cozinhe mexendo sempre de 6 à 8 minutos. Se achar que ficou pouco cremoso pode por um pouco de creme de leite e um pouco mais de manteiga. Prontinho.

Para fazer o molho do atum: Pré-aqueça um forno à 170 graus e torre as amêndoas por 5  minutos. Depois as triture (num pilão ou processador) até virar uma farofa meio quase pastosa. Reserve. Aqueça uma panela e coloque um pouco de azeite, acrescente o alho e frite ele um pouco mas sem dourar. Acrescente o limão, os filés de anchova ou sardinha e as amêndoas. Coloque azeite – o tanto suficiente para deixar esse molho com mais movimento e menos solidez – mas não tanto! É um molho mais “sólido” mesmo. Cozinhe por alguns minutos, uns 4 ou 5, mexendo sempre, em fogo baixo. Tempere com sal e pimenta. Pronto. Deixe atingir temperatura ambiente, ele é servido assim.

Para fazer o atum: Tempere as postas de atum com sal, pimenta e azeite. Passe elas nas sementes de gergelim até cobrir totalmente. Aqueça uma frigideira e coloque um pouco de azeite quando estiver quente. Então doure as postas (30 segundos apenas de cada lado – lembrando que o atum é só selar, não cozinhar completamente se não fica seco e é uma tristeza, ele se come cru no centro mesmo). Retire da frigideira, corte ao meio a posta (toque o centro da posta, tem que estar em temperatura ambiente). Pronto.

Sirva o atum imediatamente com o molho que escolheu e com o purê quente, e se quiser deixar bonitinho e dar um crocante coloque as folhinhas de alga do lado (nori).

  • Molho no atum: O que sugeri na receita é um molho parecido com um chamado bagna cauda, mas você pode substituir regando o atum com azeite e uma pitada de sal, azeite batido com salsinha e sal, molho tarê, enfim, qualquer um que você ame. Eu amo com esse bagna cauda.

Bon appétit!

Soja verde cozida.

 

Como fazer salmão no papelote, e aprender o valor do tempo. 

Você pode temperar, assar e comer um salmão em apenas alguns minutos, pode ser super rápido. Mas hoje eu quero sugerir um salmão que te ensine algo: o valor do tempo. Essa coisa de só querer coisas rápidas… a pressa tem tirado da gente a chance de ter experiências significativas importantes, que trazem cor e sentido pra vida, e isso pode ser bem triste. Que marcas ficam em você depois que a receita/refeição acaba? O que você registra e guarda? Preste atenção nessa receita:

Ingredientes:

  • 1kg de salmão cortado em postas (eu deixo a pele porque ela protege a carne do calor mantendo umidade).
  • Sal à gosto
  • Pimenta-do-reino à gosto
  • 3 colheres de sopa de vinho branco
  • Azeite de oliva extra virgem à gosto
  • Dill à gosto.

Você precisará de papel manteiga e vontade de desacelerar.

Como fazer (sem pressa e com verdade):

Abra a garrafa de vinho, beba alguns goles e coloque uma música que você goste muito. Abra um folha de papel manteiga sob uma fôrma (de um tamanho que dê para receber o salmão e cobrir ele depois). Coloque nela o salmão, o ajeite com calma e carinho, pensando no quanto o mar é imenso, assim como sua vida e história. Coloque todos os ingredientes sob o salmão, com o cuidado de que cada posta seja temperada. Enquanto temperar apenas tempere, não pense em outras coisas que não estão ali, diante de você agora. Quando terminar, olhe para o salmão e agradeça, em seguida feche o papel manteiga, fazendo uma trouxinha. Pré-aqueça o forno à 200 graus. Enquanto espera ouça com atenção a música que está tocando e pense no porque você gosta dela. Leve ao forno por 15/20 minutos – o ponto do salmão é quando ele está com um rosa vivo por dentro. Retire, coma com os acompanhamentos e molhos que sentir vontade, ou só ele.

Você poderia fazer essa receita em 20 minutos. Desse jeito deve levar quase 1 hora, mas o legado que ficará é outro. A vida é boa, se dê uma chance de notar.

Como fazer Barbecue Ribs – Costela de porco temperada com dry rub e com molho barbecue artesanal. Faça você mesmo todo o processo: O molho, o tempero e a costela.

Barbecue (churrasco, em inglês) é uma palavra de origem americana, vem do termo “barbacoa”, expressão usada pelos nativos de Iucatã para dar nome a carne assada em brasas dentro de um buraco no chão. Os franceses afirmam que a origem do termo é deles, e que vem de “barbe à queue”, que significa uma rês assada inteira no espeto – “da barba à cauda”. O molho barbecue é tradicional nos Estados Unidos, surgiu no sul do país e é consumido com carne assada, principalmente a de porco. Delicioso, com tom agridoce, amadeirado e ácido ao mesmo tempo, ele se incorpora de forma mágica ao sabor defumado da carne.

Vou ensinar vocês à fazer o molho barbecue artesanal, o dry rub (tradicional tempero americano para churrasco) e a famosa Barbecue Ribs – costela de porco assada nadando em muito molho barbecue. Fazer uma carne com elementos que engrandecem seu sabor é uma linda forma de respeitar o animal que morreu para que tal experiência fosse possível. O porco é um animal muito generoso, nos dá muita coisa, merece respeito. Vem aprender a fazer,com suas mãos, essa história toda.

Primeiro  preparo: como fazer o molho barbecue:

Ingredientes para o molho barbecue:

  • 1 cebola média ralada
  • 1 dente de alho ralado
  • 4 colheres de sopa de açúcar mascavo
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 2 colheres de sopa de vinagre branco
  • 2 colheres e meia de sopa de molho inglês
  • 1 colher de chá de mostarda (eu gosto de usar a dijon, mas pode ser qualquer uma)
  • 300 ml de catchup (um bom, de preferência artesanal)
  • 3 folhas de louro (as frescas são muito mais interessantes)
  • 1 ou 2 pitadas de sal, à gosto
  • Um pouco de pimenta-do-reino, à gosto
  • 1 pitada de chilli em pó

Modo de preparo do molho barbecue:

Aqueça uma panela, quando ela estiver quente coloque o azeite, e em seguida a cebola, com uma pitadinha de sal. Espere um instante e coloque a folha de louro e o alho. Doure uns instantes e então coloque o açúcar, quando ele estiver todo derretido acrescente todos os outros ingredientes, acerte o sal e deixe cozinhar em fogo alto por uns 12/14 minutos. Quando desligar o fogo, tire as folhas de louro. Pronto para uso.

Segundo preparo: como fazer o dry rub, o tempero para a costela:

(as quantidades são para fazer uma mistura de tempero que dará para fazer umas 2 ou 3 costelas, você pode fazer metade da receita se quiser apenas para 1, ou guardar o que sobrar em um pote, dura muito):

Ingredientes para o dry rub:

  • Meia xícara de chá de açúcar branco
  • Meia xícara de chá de açúcar mascavo
  • 1 colher rasa de sopa de páprica picante
  • 1 colher rasa de sopa de páprica doce
  • 1 colher e meia de sopa de sal
  • Meia colher de chá rasa de pimenta chilli em pó
  • 1 colher de sopa de alho em pó
  • Meia colher de sopa de cebola em pó
  • 1 colher de chá de cominho em pó

Modo de preparo do dry rub:

Misture todos os ingredientes. Apenas isso. O que não for usar mantenha em um pote fechado em local fresco.

Finalmente, terceiro preparo: como fazer a Barbecue Ribs (Costela de porco com molho barbecue):

Ingredientes para a Barbecue Ribs:

  • 1 costela de porco inteira, limpa e não muito gorda.
  • 11 colheres de sopa de dry rub
  • 25 ml de coca-cola
  • 2 colheres de sopa de molho barbecue para uso no tempero e mais uma quantidade suficiente para as pinceladas durante o cozimento.

Modo de preparo da Barbecue Ribs:

Pré-aqueça seu forno à 190 graus. Coloque em uma tigelinha as 11 colheres de sopa do dry rub e molhe com a coca-cola e com as 2 colheres de sopa do molho barbecue. Misture tudo muito bem.

Abra dentro de uma forma uma folha grande de papel alumínio (de um tamanho suficiente para embrulhar a costela inteira) e coloque sobre ela a costela, então besunte ela toda com o dry rub que acabou de molhar, espalhando ele por toda a costela, dos dois lados. Deixe o lado que tem mais gordura na costela virado para cima, faça algumas espetadas na costela com a faca para ajudar na absorção do tempero. Feche a costela com o papel alumínio, de uma forma ajeitada para ser fácil desembrulhar depois. Leve então ao forno pré-aquecido por mais ou menos 1 hora (depende do tamanho da costela, 1 hora para cada kg).

Após esse primeiro tempo, retire a costela do forno e abra o papel alumínio sem rasgar ele todo (você vai embrulhar de novo). Pincele ela por cima com uma quantidade generosa do molho barbecue que você preparou, cubra de novo com o papel alumínio e leve de novo ao forno por mais 20 minutos. Após isso repita mais uma vez o mesmo processo: Retire do fogo, pincele, cubra com o papel alumínio (sem pressionar muito ele sobre a carne para não tirar todo o molho) e deixe por mais 15 minutos no forno. Após essa última etapa está pronta. Na hora de servir coloque mais molho barbecue à gosto. Fica deliciosa com batatas fritas ou assadas, milho verde fresco assado ou cozido, enfim, seja feliz comendo.

Receita de risoto de arroz negro com camarão e tomilho!

É tecnicamente impossível não amar arroz negro com camarão, um par romântico que deu mais certo que Julia Roberts e Richard Gere em “Uma linda mulher”! O Arroz negro tem uma intensidade, um caldo escuro e forte que brilha e encanta em aparência e sabor. O camarão traz um tom de mar para o caldo desse risoto que faz toda diferença, e o tomilho coroa essa estrela. Extrair a essência genuína de cada ingrediente e combiná-los de modo que um respeite a composição do outro, não se agridam nem se destruam, mas se combinem com harmonia, coerência e gentileza. As ofertas da natureza são imensamente exuberantes, quantos presentes nos dão. Esse risoto é mais fácil do que parece, e nos eleva de alguma maneira. Vem aprender!

Ingredientes (Para 4 pessoas):

  • 450g de arroz negro
  • 300g de camarão (limpo, sem cabeça, descascado).
  • 3 colheres de sopa de manteiga
  • 2 dentes de alho triturados
  • Meia cebola grande cortada em cubos
  • Azeite de oliva à gosto
  • Sal à gosto
  • Pimenta-do-reino à gosto
  • Tomilho fresco à gosto
  • Caldo de meio limão
  • 300 ml de vinho branco
  • Aproximadamente 1,5 litros de água
  • Pimenta rosa à gosto
  • 100g de creme de leite.

Modo de preparo:

Primeira coisa: Tempere em uma vasilha os camarões com sal, pimenta-do-reino, azeite e limão. Vamos dourá-los! Coloque uma frigideira no fogo, quando ela estiver quente coloque azeite, e então coloque os camarões. Doure eles, sem deixar passar muito tempo para que não fiquem secos. 30 segundos antes de desligar a frigideira coloque 1 dos dentes de alho triturado e misture para fritar o alho. Desligue o fogo e reserve.

Próximo passo: Vamos amolecer um pouquinho o arroz negro. Coloque para ferver toda a água em uma panela grande, acrescente uns 3 raminhos de tomilho, um pouco de azeite e sal. Quando começar a ferver acrescente o arroz negro e deixo-o cozinhar ali com a tampa fechada por 10 minutos – não queremos que o arroz cozinhe por completo, apenas queremos amolecer ele um pouco para que o preparo do risoto fique melhor. Após dez minutos escorra o arroz e o separe do caldo – MAS NÃO DESCARTE  O CALDO, ele será o caldo de cozimento do risoto. Reserve o arroz pré-cozido e transfira o caldo para uma panela ou caneca grande, leve de volta ao fogão mas em fogo baixíssimo. Acrescente um pouco mais de sal (experimente para verificar), a pimenta rosa, mais uns raminhos de tomilho, um pouco de azeite e o dente de alho restante.

Sabe a frigideira que você dourou os camarões? Pegue uns 5 camarões e coloque nesse caldo, então tire o restante dos camarões da frigideira e reserve eles. Deglaceie a frigideira: ligue o fogo da frigideira rapidamente, pegue uma concha do caldo do arroz que está na panela, coloque na frigideira e deixe ferver uns instantes, mexendo para soltar todo o sabor do fundo da frigideira. Então despeje essa mistura da frigideira de volta na panela do caldo – você acaba de acrescentar um sabor incrível ao caldo do seu risoto. Mantenha o caldo em fogo baixo para uma boa extração de sabor, sem deixar ferver. Quando o caldo já estiver no fogo nesse processo uns 10 minutos você inicia o preparo do risoto.

Leve uma panela grande ao fogo (pode ser aquela que você ferveu o arroz por 10 minutos, mas seca e limpa), coloque 1 colher de manteiga, ao derreter coloque a cebola e uma pitada de sal, cozinhe por 1 minuto. Em seguida acrescente o arroz pré-cozido, mexa por 1 minuto e meio e em seguida acrescente o vinho branco, mexa até evaporar. Então vá acrescentando aos poucos o caldo que preparou. Sempre coloque umas 2 conchas por vez e fique mexendo até evaporar, só depois que evaporar coloque mais novamente. Vá fazendo esse processo até que o arroz atinja o ponto desejado – o arroz negro fica mais durinho que o arroz tradicional de risoto, é normal.  Atingindo o ponto desligue a panela, se necessário acrescente um pouco mais de caldo para que fique úmido (não muito para não aguar). Acrescente o restante da manteiga, o creme de leite e os camarões que você dourou (deixe apenas alguns para decorar o risoto na hora de servir).Verifique o sal.

Prontinho! Sirva na hora, decore com camarões e despeje um pouco de azeite por cima deles ao servir, se quiser por um raminho de tomilho por cima (que nem eu fiz) para ficar charmoso, fica charmoso. #risos.

Obs: Para atingir o ponto que gosto do risoto – arroz molinho mas consistente – usei 1,5 litros de água para fazer o caldo. Faça uns 2 litros para garantir que você terá caldo para deixar o arroz no ponto que te agrade. Se sobrar pode congelar e guardar para usar outro dia.

Bon appétit!

Carne de porco, abóbora assada com casca e farofa de semente de abóbora.

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Carne de porco temperada com respeito ao singular do ingrediente, para uma experiência de sabor coerente e gentil. Para acompanhar, abóbora assada com farofa de semente da mesma abóbora – o integral do ingrediente sendo observado, usado e apreciado, para a construção de uma refeição com gratidão e respeito à oferta total da natureza. Reeducar nosso olhar diante dos ingredientes e inaugurar novas formas de construir uma refeição – cozinhar pressupõe reinventar, explorar o natural e transformá-lo com amplitude. A gratidão ao que o mundo nos oferece se manifesta no modo como exploramos a natureza ofertada. A gratidão é a via mais linda do amor. Confira receita completa do prato abaixo – ao fazê-la, espero que a gratidão seja parte de sua refeição. Faça mais que o comum automático. Perceba seu ato com o alimento e olhe seu total.

Como fazer o prato:

Clique aqui e veja um bom tempero para carne de porco – que respeita o animal, a origem, o seu natural e cria experiência sensorial plena. 

Como fazer a farofa de semente de abóbora:

Ingredientes:

  • Sementes de abóbora
  • Farinha de mandioca ou farinha de milho
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 1 dente de alho triturado
  • 1 colher de sopa de cebola picada em pedaços bem pequenos
  • Sal e pimenta rosa ou pimenta-do-reino à gosto
  • Coentro à gosto

Modo de preparo:

Lave bem as sementes de abóbora, deixe de molho na água por cerca de 20 minutos e depois retire e seque-as bem com um papel toalha. Então doure as sementes: Leve-as para uma frigideira quente, acrescente um pouquinho de sal e deixe dourar – vá mexendo. Quando estiver começando a ter cor dourada acrescente a manteiga, a cebola e o alho. Quando a manteiga derreter por completo adicione a farinha, ainda com 0 fogo ligado, para tostar um pouco a farinha – vá colocando farinha aos poucos, o suficiente para atingir o ponto de umidade desejado de sua farofa. Cuidado para não queimar! Mexa sempre. Pronto. Acrescente após desligar o fogo o coentro, se for usar.

Como fazer as abóboras assadas:

Pegue a abóbora da qual você extraiu as sementes e lave bem. Não tire a casca. Corte em pedaços de acordo com o seu gosto (veja na imagem os tamanhos que eu deixei). Coloque em uma forma, acrescente azeite de oliva e sal – apenas – e leve para assar em forno pré-aquecido à 200 graus por cerca de 20 minutos – depende da potência do forno, vá checando o ponto dela até atingir o desejado. Pronto.

Sirva a carne de porco temperada com respeito, com abóbora assada com casca e com a farofa de sementes da mesma abóbora. Que a gratidão à natureza seja parte. Boa refeição.

Receita de Pissaladière (Torta de anchovas, cebola e azeitonas pretas) – Um Clássico Provençal!

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Muitas vezes confundida como uma possível versão francesa da pizza italiana, o Pissaladière na verdade tem como principal característica não a massa, mas o peixe, que protagoniza esse clássico provençal francês – A palavra Passaladière vem de passala, uma pasta salgada de peixe antigamente usada para temperar pratos. A base do prato é parecida com pizza, porém a combinação mágica de peixe, cebola e azeitona preta deixa esse prato (que lembra uma torta) diferente de qualquer pizza – há uma umidade exata nesse prato que nos fornece uma amostra do amor comestível que sempre falo. Ah, o amor. Confira receita abaixo! É completamente simples e você preciso de muitos poucos ingredientes!

Ingredientes:

Para a base (massa):

  • 5g de fermente biológico
  • 75ml de água morna
  • 1 pitada de açúcar
  • 150g de farinha de trigo
  • Meia colher de chá de sal
  • Meia colher de chá de alecrim seco
  • 1 colher de sopa de azeite de oliva

Para o recheio:

  • 500g de cebolas cortadas em lâminas
  • De 5 à 8 anchovas (em conserva) ou sardinhas (pode ser das enlatadas) com o óleo escorrido.
  • 1 colher de sopa de azeite de oliva
  • 1 pitada de açúcar
  • Raspas de 1 laranja (faz toda diferença no aroma do prato)
  • 10 azeitonas pretas sem caroço

Modo de preparo:

Comece pela massa: Dissolva o fermento na água e acrescente o açúcar. Coloque os ingredientes secos em uma tigela, acrescente o fermento dissolvido e o azeite e misture tudo até formar uma massa, então leve essa massa para uma superfície enfarinhada e trabalhe ela – sovando, levando ar para dentro da massa, por uns 7 minutos. A massa deve ficar lisa e macia. Após isso abra a massa e coloque em uma assadeira (deixa em uma espessura fina, de uns 4mm), dê uma achatadinha nas laterais. Pincele azeite na massa e cubra com um pano úmido, deixe descansar por 40 minutos.

Agora prepare o recheio: Coloque uma panela grande no fogo, quando ela estiver aquecida coloque o azeite, as cebolas e uma pitada de sal, misture um pouco e acrescente 2 das anchovas. Quando as cebolas já estiverem macias e bem refogadas, acrescente o açúcar e as raspas de laranja (as raspas de laranja dão toda a diferença!). Experiente e acerte o sal (lembre-se de que ainda será acrescentado mais anchova no recheio, as outras que restaram, então se forem salgadas cuidado para não exagerar no sal). Deixe esfriar por uns 10 minutos, enquanto isso vá pré-aquecendo o forno à 200 graus.

Coloque então o recheio refogado sobre a massa descansada e depois as outras anchovas por cima, distribuindo bem. Coloque um pouco de azeite por cima e então leve ao forno pré-aquecido à 200 graus. Asse de 25 à 30 minutos – até dourar as bordas da massa. Após tirar do forno coloque as azeitonas por cima e sirva, fica boa fria ou quente.

Dica master: Se você usar um azeite aromatizado de laranja (clique aqui e conheça) que já indiquei aqui essa receita ficará mais MARAVILHOSA ainda!

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Assim que retirado do forno.

Tempero para carne de porco – Dia de picanha suína. Sobre respeitar o ingrediente em todo ciclo do “alimentar-se”. 

Picanha suína antes da transformação mágica do fogo.

 

Picanha suína depois da transformação mágica do fogo.

 

Temperar a carne é continuar respeitando aquilo que foi extraído da natureza para nos alimentar. Como os animais são criados, como são mortos, como é valorizado e tratado cada centímetro do que os compõe, como é preservada a carne, como é temperada, cozida e apreciada – temos uma responsabilidade ao cozinhar um animal, a responsabilidade de não estragar sua composição genuína e acabar fazendo o animal ter morrido em vão. Tempere com cuidado, conhecimento e respeito, isso é muito importante e tem um valor.

Opção de tempero para carne de porco:

Essa é minha picanha suína temperada com: Alho, sal, pimenta-do-reino preta, pimenta rosa, pimenta calabresa, um pouco de páprica picante e um pouco da doce, azeite de oliva, limão, ervas secas (orégano, salsa, louro), um pouquinho de mostarda dijon e noz-moscada. As quantidades dependem do tanto que quer presente cada ingrediente – use seu gosto e história para temperar e erquilibrar. Ao usar 3 tipos de pimentas equilibre para não pesar. Depois de temperar deixe pelo menos 2 horas pegando gosto antes de assar (melhor uma noite). Eu assei com uma batata doce – que adocica muito bem a carne de porco.