Como fazer Clafoutis! Sobremesa de casa de vó francesa!

Clafoutis – Uma sobremesa típica da região de Limousin, na França! Esse é o tipo de doce que uma avó francesa faz para seus netinhos – absolutamente aconchegante! Consiste em frutas assadas em uma massa simples de ovos – originalmente ele é feito com cerejas, mas qualquer fruta madura e emocionante te dá um clafoutis lindão! Fazendo essa coisa fofa vamos nos sentir numa casa de vó francesa – porque como sabemos, a cozinha pode nos transportar para qualquer lugar do mundo!

Clique aqui e veja o vídeo completo da receita de clafoutis no IGTV no meu Instagram.  Lá tem um passo a passo bem detalhado que te ajudará muito! E aproveita e me segue por lá, sempre tem receita nova!Meu endereço no Instagram é @rodrigo.vilasboas

Ingredientes (rende 6 porções):

  • 4 ovos
  • 150g de açúcar
  • 2 colheres de sopa de farinha de trigo
  • 250g de morangos ou cerejas, ou que fruta você quiser.
  • 20g de farinha de amêndoas
  • 100 ml de leite
  • 100g de creme de leite (de preferência fresco)
  • Uma pitada de sal

Você vai precisar de 6 ou 7 ramequins untados (com manteiga e farinha) ou uma forma grande de mais ou menos 19×20.

Modo de preparo:

Pré-aqueça o forno à 190 graus. Em um bowl, misture os ovos com o açúcar e a pitada de sal e bata até esbranquiçar. Acrescente a farinha de trigo e a farinha de amêndoas e incorpore na mistura. Em seguida acrescente o leite e o creme de leite e incorpore, reserve. Distribua os morangos nos ramequins (ou na fôrma única, se for usar) – gosto de deixar eles inteiros. Em seguida distribua a massa pelos ramequins, deixando uma pontinha dos morangos para fora. Leve ao forno e asse por 30/40 minutos, até firmar e dourar. Pronto! Sirva quente ou frio – eu amo morno. Seja feliz comendo!

Obs: Ao assar eles crescem, mas quando tira do forno murcha, é assim mesmo, fique em paz.

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Como fazer tartine de pera com presunto cru!

A palavra “tartine” vem do verbo francês “tartiner”, que significa “espalhar no pão”. É o termo que designa os famosos sanduíches abertos franceses, que consistem numa fatia de pão maravilhoso coberto com algo que combine bem e faça sentido! Essa combinação é uma das minhas preferidas – a pera casa muito bem com um queijo, e o presunto com toque de mel faz tudo ficar absolutamente emocionante! Super simples e muito bacana para um aperitivo, lanche da tarde ou para surpreender seus convidados com uma entrada muito boa!

Clique aqui e confira no IGTV do meu Instagram video completo com passo a passo dessa tartine! Aproveita e me segue por lá! Sempre saí receita nova! Meu endereço no Instagram é @rodrigo.vilasboas

Ingredientes (para cada porção):

  • 1 fatia de pão (uso baguete, mas pode ser o que preferir)
  • Umas 4 ou 5 lâminas de pera (pode ser com casca)
  • Uma fatia de presunto cru (pode ser cozido se quiser)
  • Uma colher de sobremesa de mel
  • Queijo brie à gosto (uso uns 4 pedaços)
  • Azeite de oliva extravirgem

Modo de preparo:

Regue a parte interna da fatia de pão com azeite. Coloque então as lâminas de pera, o presunto, o queijo brie e finalize com o mel. Leve ao forno pré-aquecido à 200 graus por 5 minutos mais ou menos – até o queijo derreter e a bordas sutilmente começarem a dourar.

Como fazer o Reine de Saba da Julia Child! O bolo de chocolate com amêndoas mais sensacional de todos os tempos!

Reine de Saba – Desde que vi o filme Julie & Julia pela primeira vez persigo esse bolo (que aparece em uma cena do filme). Ele é um bolo cremoso de chocolate com amêndoas que juro, vai te emocionar. Quase não vai farinha de trigo nele, então ele assume uma textura cremosa linda e absoluta. É com muito gosto que ensino vocês uma receita emblemática da Julia Child – a mulher que mudou o modo como a América come e tornou a cozinha francesa uma arte possível de ser realizada por qualquer um em qualquer cozinha. Esse se tornou um dos meus bolos preferidos, ele me leva para um lugar gentil e extremamente confortável na primeira colherada. Vem pra esse lugar comigo! Receita completa abaixo!

Mas se quiser, tem um vídeo com a receita completa no meu IGTV no Instagram – pelo video é mais fácil ter noção das etapas e sua receita tem mais chances de dar super certo! Clique aqui e veja o vídeo! Aproveita e me segue lá no Instagram! Sempre tem receitas novas! Meu endereço no Instagram é @rodrigo.vilasboas

Ingredientes:

Para o bolo:

  • 115g de chocolate amargo
  • 115g de manteiga
  • 2/3 de xícara de chá de açúcar
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • 3 gemas
  • 3 claras
  • Uma pitada de sal
  • 85g de farinha de amêndoas
  • 2 colheres de sopa de café quente ou rum
  • 1/2 xícara de farinha de trigo

Para a cobertura:

  • 75g de chocolate amargo
  • 80g de manteiga
  • Amêndoas em lâminas para decorar

Você precisará de uma fôrma untada (com farinha e manteiga) de aproximadamente 20cm de diâmetro.

Modo de preparo:

Primeiro faça o bolo: Pré-aqueça o forno à 170 graus. Derreta o chocolate em banho-maria junto com o café (ou rum), reserve. Bata a manteiga com os 2/3 de xícara de açúcar até ficar um creme fofo e claro. Então acrescente as gemas e vá batendo para incorporar bem, uma a uma, então reserve.

Bata as claras em neve: No recipiente de uma batedeira adicione as claras e a pitada de sal, comece a bater até atingir picos moles (quando você ergue o batedor e a clara já está em neve mas ainda mole), então adicione a colher de sopa de açúcar e bata até atingir picos duros – onde a consistência da clara em neve será firme.

Adicione a mistura de chocolate na mistura de gemas e açúcar e bata até incorporar tudo. Adicione então nessa mistura a farinha de amêndoas e misture também para incorporar. Agora é hora de adicionar a clara em neve e a farinha de trigo. Atenção: Momento delicado e importante, faça assim: Coloque a mistura de chocolate em um recipiente grande que caiba todos os ingredientes. Vá adicionando partes da clara em neve e partes da farinha de trigo, mexendo com uma espátula delicadamente (nada de batedeira nessa parte) com movimentos de baixo para cima, até incorporar a mistura. Acrescente aos poucos a clara e a farinha e vá misturando, até toda clara e toda farinha estar incorporada.

Coloque a mistura na fôrma untada e leve para assar no forno pré-aquecido por 25/30 minutos – O ponto é quando as bordas estão rígidas e o centro ainda um pouco mole – essa é uma característica importante desse bolo, que garante sua cremosidade emocionante. Ao retirar do forno, só deixar esfriar por 10 minutos e depois desenformar.

Para fazer a cobertura: Derreta o chocolate em banho-maria e adicione a manteiga aos poucos, até incorporar tudo. Deixe esfriar para endurecer.

Estando o bolo frio e a cobertura também, é só cobrir ele todo e decorar com as amêndoas em lâminas. Seja feliz comendo, esse bolo é pra isso. Bon appétit.

Eu te amo, Julia Child.

História e receita do lendário molho hollandaise

O molho hollandaise consiste em uma emulsão de manteiga e gema, com um toque cítrico. Apesar da base gordurosa, tem uma textura que transmite uma leveza impressionante. É hoje um dos 5 molhos mãe da gastronomia francesa (junto do béchamel, espanhol, velouté e de tomate), é usado para cobrir com majestade muitos preparos – com aspargos ou ovo poché é de matar de bom. O molho hollandaise, apesar do nome, é absolutamente francês, seu primeiro registro escrito data de 1651 na obra “Le Cuisinier françois”, do francês François Pierre La Varenne – nome famoso na gastronomia francesa por ter “tirado os molhos da idade média”, como costumam dizer, trazendo novas técnicas que foram glorificadas e perduram até hoje. O molho hollandaise também é conhecido como molho Isigny, nome que homenageia Isigny-sur-Mer, cidade na Normandia famosa por sua manteiga.

Essa foi a primeira menção escrita, na obra de La Varenne sobre a receita do que hoje conhecemos como molho hollandaise:

“Faire une sauce avec du bon beurre frais, un peu de vinaigre, du sel et de la muscade, et un jaune d’oeuf pour lier la sauce, attention à ne pas cailler” (Faça um molho com um pouco de manteiga fresca, um pouco de vinagre, sal e noz-moscada, e uma gema de ovo para amarrar o molho; tome cuidado para não coagular).

Agora que sabemos um pouco da história vamos a receita – porque saber a conexão histórica torna tudo mais emocionante e com sentido. Aprendi essa receita com Rachel Khoo, a britânica com uma das melhores cozinhas francesas que já provei!

Ingredientes:

  • 3 gemas
  • 200g de manteiga derretida ou clarificada, ainda morna (eu faço sem clarificar, só derreto)
  • suco de meio limão
  • sal à gosto
  • pimenta-do-reino à gosto

Modo de preparo:

Coloque um refratário em banho-maria (um banho-maria sutil, sem fogo muito alto). Coloque então as gemas e a partir do momento que as colocar bata com um fouet sem parar (sem parar mesmo) e vá acrescentando a manteiga aos poucos, batendo a cada gota que coloca para a emulsão ir acontecendo sem talhar. Bata muito até ter incorporado toda manteiga e ter um molho com a consistência de um creme espesso.

Tire do fogo, acrescente o limão e tempere com sal e pimenta. Se quiser mais cítrico coloque o caldo de um limão inteiro ao invés de meio.

Sirva imediatamente, se esfriar esquente um tiquinho no banho-maria batendo bem, esse molho é bom morno e fresco.

Como fazer crepe brûlée de doce de leite!

É tecnicamente bem complicado encontrar nessa vida algo tão aconchegante como um crepe bem feito – massa fininha e delicada que se enlaça carinhosamente com um recheio cremoso (suspiros de amor). O crepe é de origem britânica, porém é o lanche mais francês que existe – nas ruas de Paris tem crepe para todo lado. O gosto de um crepe me conecta automaticamente com o gosto das longas caminhadas nas ruas parisienses. Não é difícil fazer um crepe inesquecível, mas existem alguns detalhes importantes que fazem toda diferença – o crepe é uma sutileza do preparo ao consumo. Essa versão é inspirada em uma que a Paola Carosella (uma das pessoas mais interessantes desse mundo) serve no seu restaurante em São Paulo, o Arturito. Recheado com doce de leite, com uma casquinha de caramelo por cima (o brûlée apaixonante). Servido com algo que equilibre o doce fica sensacional – como um creme azedo, crème fraîche ou iogurte. Eu apenas sinto amor por esse prato. Fim.

Para acessar a receita da massa de crepe, clique aqui.

Obs: É possível fazer essa receita em uma versão zero lactose – basta substituir o leite da massa por leite zero lactose. Existe também doce de leite zero lactose (a marca Italac tem). E para fritar, use azeite de oliva ao invés de manteiga. E ah, claro, se for comer com acompanhamento escolha uma possibilidade zero lactose (creme de leite zero lactose com gotas de limão vira um creme azedo muito bom para acompanhar).

Como fazer crepe brûlée de doce de leite:

Logo pós terminar de fritar a massa, recheie ela com doce de leite (com um bom, se souber fazer em casa faça, se não compre um de quem faça com verdade e qualidade) e enrole (sem colocar muito para não vazar). Coloque em um prato com a parte lisa do crepe para cima. Faça uma fina camada de açúcar e “queime” com um maçarico, fazendo movimentos circulares até caramelizar e criar uma casquinha (sem queimar demais para não amargar). Se você não tem maçarico, pode fazer o brûlée da seguinte forma: Esquente uma colher de metal (uma que você não goste, pois ficará manchada) na chama do seu fogão a gás até ficar bem quente (o metal ficará num tom azul e meio escurecido). Após aquecer encoste a colher no açúcar e faça movimentos circulares, até caramelizar toda a superfície. Antes de aquecer a colher novamente lave-a muito bem para não ficar resíduos.

Prontinho. Você já pode comer assim, mas se quiser, pode servir com iogurte, creme azedo, crème fraîche ou sorvete. É bom algo que equilibre o doce. Seja feliz comendo. É bom.

Receita afetiva que une 2 mundos. Curau brûlée com crumble de canela.

Hoje foi um puta dia lindo. Fui pra cozinha com tudo que eu sou e fiz um prato que quando terminei me vi nele – sabe o quanto isso é emocionante? Eu tenho um compromisso e laço intenso com as coisas da minha terra, em especial as coisas da Bahia da minha mãe. Mas também tenho uma conexão profunda com as coisas da Europa, que na minha infância minha madrasta me ajudou a conhecer. Em especial os detalhes franceses me emocionam. E é assim porque meus caminhos fizeram a história assim – os lugares de amor que ocupei me trouxeram essas referências. É uma história longa, não dá pra contar hoje, o que eu queria contar é que hoje o curau brûlée com crumble de canela que fiz é uma foto do mais profundo que me compõe. Eu suspeito que essa será a receita mais afetiva que compartilhei com vocês até agora.

O curau é com uma textura mais cremosa, que se aproxima do “crème brûlée” francês. O gosto lindo da canela vem através de uma farofa, o crumble, dando junto um crocante que casa lindo com o curau cremoso. O milho, que é uma grande referência da cozinha da minha família (e do meu país), usado com influências francesas. Estou tão feliz com esse prato. Uma mistura de detalhes franceses com marcas profundas do paraíso tupi-guarani – esse prato é isso, eu sou isso.

Ingredientes (rende 5/6 porções):

Para o curau:

  • 4 espigas de milho (ou o suficiente para encher 3 xícaras de chá com grãos debulhados)
  • 2 xícaras de chá de leite
  • 3/4 de xícara de chá de açúcar
  • 5 colheres de sopa bem cheias de creme de leite
  • Um pouco de açúcar para polvilhar e fazer o “brûlée”.

Para o crumble de canela:

  • 70g de açúcar
  • 110g de farinha de trigo
  • 65g de manteiga gelada
  • 3/4 de colher de sopa de canela em pó

Modo de preparo do curau:

Descasque as espigas, tirando toda palha e cabelos (se quiser, guarde alguns pedaços de palha para montar o prato, decorando). Tire os grãos das espigas, com uma faca ou utensílio específico, caso tenha. Coloque em seguida todos os grãos debulhados no liquidificador e acrescente o leite. Bata bastante até tudo estar bem processado e homogêneo.

Em seguida, coloque uma peneira sobre uma panela e peneire a mistura, para remover o bagaço do milho. Aperte bem na peneira para extrair o máximo de liquido possível. Leve então esse liquido ao fogo médio e acrescente o açúcar. Comece a mexer com um fouet, sem parar, enquanto o cozimento acontece. Quando levantar fervura, cozinhe por mais 5 minutos. O curau engrossa rapidinho, quando engrossar mexa com fervor, para evitar que empelote ou grude no fundo da panela, se perceber que isso está acontecendo retire do fogo um instante e bata bem com o fouet até ficar cremoso e uniforme, e então volte ao fogo. Após levantar fervura e após os 5 minutos de cozimento, desligue o fogo e acrescente o creme de leite, mexa bem.

Coloque em um refratário ou em potinhos individuais e leve para gelar por pelo menos 1 hora.

Modo de preparo do crumble de canela:

Em uma tigela, misture todos os ingredientes, esfarelando a manteiga com a ponta dos dedos para que ela se una aos demais ingredientes, construindo uma farofa. Manuseie o mínimo que puder, para evitar que a manteiga derreta muito. Após estar tudo misturado, com aspecto de uma farofa grossa e úmida, leve para a geladeira e deixe lá por 30 minutos (isso é importante para garantir a crocância legal do crumble). Enquanto isso, pré-aqueça o forno à 160 graus. Após o descanso coloque a farofa em uma fôrma, espalhando nela toda. Leve para assar por cerca de 10 minutos, ou até estar dourado. Retire do forno e deixe esfriar.

Montagem:

Você pode fazer o brûlée (casquinha de caramelo bem fininha que ficará na superfície do curau) direto nos potinhos em que deixou o curau esfriando ou pode, como eu gosto de fazer, tirar uma colherada bem cheia de curau, pôr em um prato sob uma palha de milho (veja na foto acima) e fazer o brûlée nele. Seja como for, o brûlée se faz assim:

Polvilhe uma fina camada de açúcar sob o curau e queime para virar caramelo – Você pode fazer isso de 2 jeitos: usando um maçarico culinário (mais prático e com resultados melhores), ou usando uma colher de ferro aquecida. Se usar o maçarico é só ir fazendo com ele movimentos circulares até “queimar” o açúcar e deixar ele no tom da imagem acima (sem queimar muito para não ficar amargo, tem que ficar bronzeadinho só, 10 segundos de maçarico em cada um é suficiente). Se for usar uma colher de metal faça da seguinte forma: Esquente ela na chama do seu fogão a gás até que ela esquente bastante (o metal ficará num tom azul e meio escurecido). Após aquecer encoste a colher no açúcar e faça movimentos circulares, até caramelizar toda a superfície. Antes de aquecer a colher novamente lave-a muito bem para não ficar resíduos.

Pronto, o curau está com o brûlée. Sirva com o crumble de canela (quebre em pedaços, eu gosto de deixar bem trituradinho). É realmente bom.

Espero que gostem. Essa é uma receita valiosa pra mim.

Bon appétit.

Como fazer o clássico e perfeito macaron com recheio trufado!

Apesar de ser um clássico da confeitaria francesa, o macaron é de origem italiana, o nome vem de “maccherone” (“macarrão” em italiano, que designa “massa fina”). Foi levado para a corte francesa no século XVI por Catarina de Médici (a nobre italiana que se tornou rainha da França). Durante muito tempo a receita foi mantida em segredo, era só produzido para a nobreza, só a partir da revolução francesa que ele passou a ser produzido para consumo comum. O que era só um biscoito de merengue e amêndoas ganhou sua primeira versão recheada quando  Pierre Desfontaines uniu dois biscoitos com ganache de chocolate (esse que vos ensino abaixo então é a receita do primeiro macaron recheado que existiu, vejam vocês). Fazer macaron é uma ciência exata, não é tão difícil de fazer quanto parece, você só precisa levar os detalhes e dicas bem a sério, e voilà, terá essa belezinha.

Antes de começar, dicas importantes:

  1. Separe as claras que você usará das gemas e deixe em um pote fechado (pode ser coberto com plástico filme) 4 dias na geladeira. Esse processo de “envelhecer” um pouco a clara ajuda muito na consistência do macaron, pois a umidade da clara sofre alteração.
  2. É importante que os utensílios usados nessa receita estejam bem limpos e livres de traços de gordura, uma dica é passar caldo de limão e lavar, elimina vestígios de gordura.
  3. É bom que todos ingredientes estejam em temperatura ambiente.
  4. Você pode processar amêndoas ou comprar a farinha de amêndoas pronta. Os dois jeitos funcionam, porém uma farinha já feita costuma ser menos úmida e ajuda na textura do macaron.
  5. O açúcar impalpável é diferente do açúcar de confeiteiro, e é muito importante que seja usado o impalpável para os macarons. O açúcar impalpável tem 4% de amido de milho na sua composição, então se não achar ele para comprar você pode fazer em casa seguindo essa proporção (por exemplo, se quiser 100g de açúcar impalpável, misture 96g de açúcar de confeiteiro e 4g de amido de milho).
  6. Essa receita é muito delicada, para atingir sua perfeição até o clima do dia interfere, prefira dias mais secos, clima úmido interfere no resultado (juro).
  7. Sempre quando for assar uma nova formada dos macarons, coloque em uma fôrma fria, se colocar em uma morna ou quente desanda.
  8. Todas as medidas devem ser muito respeitadas, essa receita é uma ciência exatíssima!
  9. A temperatura do forno influência muito, infelizmente em fornos convencionais é difícil ter temperaturas exatas e estáveis o tempo todo do preparo, então precisamos considerar isso e aceitar que podemos fazer o melhor nas condições que temos. Se você seguir tudo certinho e seu macaron não crescer perfeitamente igual os das vitrines de Paris, não se preocupe, ele ficará também gostoso. Fazendo tudo certo ele cresce o suficiente para a textura e sabor serem lindas, mesmo que visualmente note-se algumas falhas (como não crescer muito pra ter aquele pezinho, por exemplo).

Qual tipo de merengue usar?

Existem 3 tipos de merengue usados para fazer macaron, são eles: o merengue francês (aquele mais tradicional onde você bate as claras e vai acrescentando o açúcar direto), o merengue italiano (onde você faz uma calda de açúcar quente e vai acrescentando nas claras em neve) e o merengue suíço (feito aquecendo as claras com o açúcar em banho-maria, procurando dissolver o açúcar nelas antes de bater). Todas funcionam bem, a diferença é que cada uma confere uma característica mais particular: o merengue francês deixa o macaron mais sequinho, o italiano deixa ele com uma textura mais “puxa-puxa” e o suíço deixa o meio mais úmido. Nessa receita vou ensinar com o suíço.

Ingredientes:

  • 125g de amêndoas sem pele ou 125g de farinha de amêndoas
  • 125 de açúcar impalpável
  • 125 de açúcar cristal
  • 130g de claras
  • Se for colorir, use o corante da cor que quer, ou se quiser fazer eles de chocolate, pode adicionar 20g de cacau em pó (o que não é o mesmo que chocolate em pó).

Modo de preparo:

Em um processador triture as amêndoas (ou a farinha de amêndoas) com o açúcar impalpável, se for fazer macarons de chocolate, triture o cacau em pó junto. Peneire e reserve.

Em um bowl ou panela, misture as claras com o açúcar cristal. Coloque água em outra panela que possa receber esse bowl  para fazer um banho-maria. Quando a água aquecer coloque então o bowl com a mistura de claras dentro da panela com água quente e misture para dissolver o açúcar nas claras. Cuidado para não cozinhar as claras, é preciso ficar nesse banho-maria só até o açúcar estar todo dissolvido (coloque o dedo dentro para ir verificando se ainda há cristais de açúcar). Quando todo o açúcar estiver dissolvido, leve a misture para a batedeira e bata em velocidade média inicialmente e depois aumente um pouco. Bata até o merengue atingir picos duros (que é quando você tira o batedor e o bico que se forma em sua ponta não dobra para o lado ao virá-lo). Seu merengue suíço está pronto. Se for colorir seu macaron, acrescente o corante agora e misture com cuidado até dissolver todo corante que colocou.

Acrescente então a mistura de secos no merengue e vá mexendo, fazendo movimentos circulares de baixo para cima. Esse processo de mexer a massa se chama “macaronnage”, serve para tirar um pouco do ar do merengue e deixar tudo em harmonia. Você precisa mexer até sua massa atingir o seguinte estado: Pegue uma colherzinha da massa e coloque em um pratinho, se o biquinho que se formar após você colocar no prato se desfazer em 6 segundos e a bolinha ficar lisa e uniforme, está pronto. Se demorar mais que isso, mexa mais. Esse é o ponto. Se mexer demais ou de menos o crescimento do macaron será prejudicado.

Atingindo o ponto, é hora de assar! Pré aqueça seu forno à 160 graus. Forre a fôrma que irá usar com uma folha de papel manteiga. Coloque a massa de macaron em um saco de confeiteiro e faça bolinhas sob o papel manteiga. Antes de assar, deixe a massa secar por uns 20 minutos, isso é importante.

Após a secagem, hora de levar ao forno para assar, e outro detalhe importante: Coloque a fôrma com os macarons dentro de outra fôrma, isso evitará um calor muito excessivo direto nos macarons e ajudará no crescimento. Se seu forno tiver a opção “delicado”, selecione essa opção (aquela que o calor costuma vir só de baixo e não de cima). Asse por cerca de 15 minutos, até crescer e um pezinho se formar na base. Às vezes o pezinho não se forma muito, acontece, mas o sabor e textura podem ficar bons mesmo assim. O macaron não deve dourar por cima, cuidado para não assar demais.

Retire do forno, deixe esfriar e tire do papel manteiga com cuidado. Protinho! Só rechear. Sem recheio os macarons duram, em um pote bem fechado, uns 4 dias, se rechear consuma em até 2 dias. Pode-se congelar, as casquinhas sem rechear, por até 3 meses, em um pote hermético.

Recheio:

Os recheios são inúmeros e você pode ser muito criativo. Aqui vou dar uma dica mas você pode rechear como quiser. Só evite usar frutas frescas, soltam água e isso estraga o macaron.

Para fazer um recheio de ganache de chocolate, clique aqui e veja como fazer uma autêtica ganache. Se quiser incrementar, após pronta acrescente no ganache um toque de algum licor que goste muito ou uma colher de sopa de azeite de oliva extravirgem, são combinações interessantes que acompanham o chocolate muito bem.

Seja feliz se aventurando e bon appétit!

 

Como fazer Poisson meunière (Peixe com molho de limão e manteiga queimada) acompanhado de tomates confit e berinjela refogada. Rápido e bom de verdade.

Essa é uma refeição rápida, mas uma refeição rápida com alma, fica boa mesmo, porque os preparos são em sua essência rápidos de verdade (não são aquelas receitas rápidas que encurtam sem respeito o tempo certo que as coisas precisam para ficar prontas). Você não precisa sempre ter duas horas para cozinhar para comer bem, com afeto e verdade. Adoro um peixe fresco, com algo cítrico acompanhado de tomates confitados, é um dos meus jeitos mais felizes de comer um filé de peixe. A berinjela é uma convidada muito querida nesse prato, é um carinho tê-la junto aqui. Para fazer tudo isso  precisei só de uns 30 minutos e de uma música que deixou meus movimentos mais harmônicos e alegres, tipo “I wanna dance with  somebody”, da Whitney Houston. É bom, muito bom.

Modo de preparo:

Clique aqui e confira a receita do Poisson meurinère (Peixe com molho de limão e manteiga queimada).

O tomate confit você pode fazer de dois jeitos: Se tiver mais tempo e puder deixar ele 1 hora no forno, clique aqui e veja como fazer do modo mais tradicional.  Agora se tiver pouco tempo, dá para fazer assim também: Em uma panela pequena coloque o tanto de tomatinhos cerejas que vai querer confitar, acrescente uma quantidade de azeite de oliva extra virgem suficiente para cobrir metade dos tomates, coloque 2 dentes de alho cortados em lâminas, sal à gosto, açúcar à gosto, folhas frescas de louro e pimenta-do-reino. Deixe em fogo médio até que os tomates estejam bem cozidos e molhinhos, com a pele quase soltando, se precisar vire eles durante o cozimento. Em 20 minutos normalmente ficam bons, deixe esfriar um pouco depois que terminar de cozinhar e está pronto.

A berinjela aqui nesse prato é uma visita muito simples de fazer: Refogue alho e cebola em um pouco de azeite e depois coloque a berinjela cortada em cubos, vá refogando em fogo médio até que ela esteja cozida, meio transparente e deliciosa. Tempere com sal e pimenta à gosto.

Prontinho! Bon appétit!

Como fazer Poisson meunière (Peixe com molho de limão e manteiga queimada)

“Meunière” significa em francês “mulher do moleiro”, o que faz referência à farinha usada para fazer uma fina camada no filé de peixe, o protegendo ao cozinhá-lo, evitando ressecamento. Com um perfume sensual de lembrar pra sempre, esse prato é daqueles que você não sabe mesmo o que dizer na primeira garfada. O tom forte da manteiga “queimada” com o cítrico do limão casam muito bem com um filé de peixe fresco. Esse prato é uma história de amor pra mim, meu jeito preferido de comer peixe. um jeito envolvente que te conecta ao prato em uma experiência sensorial muito forte. Coma peixe assim pelo menos uma vez na vida, sério.

Ingredientes (para 2 pessoas):

  • 2 filés frescos de peixe (uso Saint Peter ou linguado, mas se aventure e escolha o seu) limpo e sem espinhas, de aproximadamente 160g cada.
  • 2 colheres e meia de sopa de farinha de trigo
  • Pimenta-do-reino preta à gosto
  • Meia colher de chá de sal
  • 2 colheres de sopa de óleo de girassol ou azeite de oliva extra virgem
  • 45g de manteiga
  • Suco de meio limão (melhor se for siciliano)
  • 2 colheres de sopa de salsa fresca picada
  • 1 colher de sopa de alcaparras pequenas (opcional)
  • Lemon pepper  à gosto (opcional, mas eu gosto muito de colocar)

Modo de preparo:

Misture em um prato a farinha com o sal, a pimenta e o lemon pepper, se for usar. Salpique só um tico de sal nos filés de peixe (porque o sal na farinha já irá temperá-los) e em seguida empane eles na mistura de farinha. Tire o excesso e reserve.

Aqueça o óleo (ou azeite) na frigideira, deixe o fogo médio e então acrescente os filés, doure de um lado por cerca de 1 no máximo 2 minutos (depende to tamanho do filé). Vire e doure o outro lado também por 1 ou 2 minutos. Se seu filé for muito grosso será mais tempo, sinta a coerência. Após dourar retire os filés da frigideira e coloque em um prato aquecido se puder, cubra com papel alumínio.

Na mesma frigideira, ainda em fogo médio, acrescente a manteiga e deixe ela derreter, quando começar a escurecer apague o fogo e coloque o caldo de limão (cuidado, pode espirrar). Coloque a salsa e as alcaparrar e movimente a frigideira para misturar tudo. Sinta o perfume nessa hora, é lindo. Volte os filés para frigideira e encharque no molho. Sirva imediatamente e seja muito feliz comendo. Bon appétit!

Como fazer o emocionante e clássico aïoli!

Um clássico absolutamente francês. Na Provence (região sul da França) o aïoli é como manteiga, comem com tudo. Originalmente é feito em pilão, onde o alho é esmagado até virar uma pasta e então vão acrescentando as gemas, azeite e óleo, com toda delicadeza para alcançar a leveza mágica dessa emulsão. Eu faço na mão, em uma tigela e bato com um fouet, e dá certo, acho um jeito muito emocionante de fazer, inclusive. Na verdade eu fico sempre emocionado com o tanto de coisa que os ovos podem virar, o tanto que eles nos oferecem, é o ingrediente mais impressionante que existe. Para mim, as galinhas são sagradas, eu tenho muito respeito por uma galinha, chega a me dar arrepios de pensar que tantas vivem vidas horríveis em gaiolas. Nenhuma galinha deveria viver em gaiola, merecem a vida mais feliz que puderem ter. Quando escolho ovos de galinhas criadas soltas e felizes, tem um porque (clique aqui e veja o artigo que escrevi sobre a escolha dos ovos e sobre verdades da triste vida de algumas galinhas). Enfim, escolha ovos honestos e faça um aïoli emocionante para comer em paz essa coisa linda.

Ingredientes (Rende cerca de 350g):

  • 1 ovo inteiro
  • 1 gema
  • 1 colher de chá de sal
  • Caldo de meio limão (siciliano é o melhor para essa receita)
  • 90 ml de azeite de oliva extra virgem
  • O quanto bastar de óleo de girassol para atingir o ponto que você quer (normalmente uso cerca de 220 ml)
  • 1 dente de alho bem esmagado (até ficar uma pastinha)
  • Lemon pepper à gosto (totalmente opcional, mas eu adoro colocar esse temperinho no meu aïoli)

Modo de preparo:

Você pode fazer em um liquidificador ou na mão, em uma tigela com um fouet para bater, eu já fiz dos dois jeitos  e dá certo igual, mas eu tenho um carinho por fazer as coisas à mão. Também pode ser em um pilão, mas desse jeito eu nunca fiz, então não consigo te ensinar.

Coloque na tigela (ou no liquidificador) o ovo, a gema, o suco de limão, o sal, o alho e o lemon peper (se for usar). Comece a bater e acrescente o azeite em fio, bem devagar, devagar de verdade, se não dá errado e não tem jeito, batendo sem parar. Quando terminar de por todo o azeite comece a acrescentar o óleo, batendo sempre, se precisar com mais energia para atingir um ponto mais firme. Ele vai esbranquiçando e gradualmente atingindo a textura de maionese. Quando atingir o ponto que você deseja está bom de óleo e está pronto.

Se a mistura desandar enquanto estiver colocando o azeite ou o óleo, coloque mais uma gema e bata muito, continuando o processo de acrescentar lentamente o azeite e óleo, às vezes isso salva, mas não consigo te garantir.

Coma com torradas de um pão maravilhoso, coma com peixes, com vegetais, com sanduíches, com carnes, com frango, enfim, com qualquer coisa que queira muita emoção.