Tartine com geleia de goiabada e tomate com queijo.

A sensualidade de um pão tostado, por cima o flerte doce e gentil de uma geleia de goiabada com tomate e cobrindo tudo o frescor inocente de um queijo fresco (inocência levemente quebrada – porque o queijo também foi tostado em fogo alto – mas preservada). Essa tartine pra mim é uma história de amor, um encontro exato. Já teve um assim na sua vida?

A geleia de goiabada com tomate você faz assim:

Corte pedaços pequenos de goiabada e coloque numa frigideira com um pouco de água e leve ao fogo médio – a goiabada precisa se dissolver na água, virando um creme. Após dissolver toda junte um pouco de tomate cereja bem picado (desses que são escandalosamente maduros) e deixe cozinhar junto uns 4 min. Tem que ficar cremoso, brilhante, lindo, bem Moulin Rouge. Se precisar coloque mais água.

A tartine:

A tartine (termo francês para coisas espalhadas sobre um pão) é feita tostando uma fatia de pão numa frigideira com um pouco de azeite, depois cobre com a geleia e finaliza com algum queijo fresco (tostado ou não). Usei aqui o Minas Frescal, mas pode ser qualquer um.

Migas – Farofa de pão

Aquele pão velho, duro, de canto, que sobrou esquecido no armário. Normalmente você joga fora, o que é uma tristeza. Essa farofa é um destino muito digno para pães velhos. Coisas que parecem não servir mais ou ter um lugar bom ganhando uma chance de brilho e se transformando em algo incrível – amo ver isso acontecer (com pães velhos e também com pessoas).

Como fazer:

Corte pães velhos em cubos pequenos. Se quiser tirar a casca tire, mas eu gosto de coisas inteiras, nada podado. Leve ao forno quente até secar bem, dourar de leve. Triture tudo no liquidificador ou processador até virar uma farofa fina. Em um frigideira coloque manteiga (para cada 250g de pão, 1 colher de sopa de manteiga basta), pitada de sal e coloque a farinha de pão. Mexa em fogo médio até ficar absolutamente crocante e tostada. Espere esfriar e guarde em um pote. É bom com carnes, massas, sopas… com quase tudo, é uma alegria crocante muito bonita.

Moqueca baiana, axé!

Moqueca baiana, com o dendê profundo do Brasil que revela pra gente toda luz de Tieta, eta. Amo moqueca, amo dendê e a profunda história que ele guarda – é um ingrediente que simboliza muito bem a ancestralidade africana que faz imensa parte do desenho que nos compõe.

Eu faço minha moqueca assim:

Coloco Caetano, Gal ou Olodum pra tocar antes de mais nada, eu acho que isso importa muito e nenhuma moqueca dá tão certo sem a voz de algum baiano emocionante de fundo. Daí tempero 1kg de algum peixe branco fresco que nunca viu congelador na vida com uma mistura triturada de: alho, cebola, azeite, sal, cominho, pimentão, louro e limão. Deixo na geladeira por 1 hora.

Corto em rodelas: 1 pimentão verde. Uns 4 ou 5 tomates. Cerca de 1 cebola e meia.

Em uma panela que caiba toda emoção de uma moqueca, coloco um pouco de azeite de olive e dendê, umas poucos rodelas do tomates, da cebola e do pimentão, sal e pimenta e refogo uns 3 minutos. Então deito o peixe nessa cama e por cima faço camadas intercaladas da cebola, do tomate e do pimentão – em cada camada coloco pitadas de sal, pimenta e fios de azeite (monte de um jeito organizado e bonito, você não vai poder mexer enquanto cozinha). Coloco então o dendê (1/2 xícara de chá), o caldo de meio limão, alguma pimenta fresca picada e mais fios de azeite de oliva. Tampo e deixo cozinhar em fogo baixo para médio, por cerca de 40 min. Após esse tempo junto 200 ml de leite de coco, sacudo de leve a panela para misturar e tampo pra cozinhar mais uns 5 min. Finalizo com coentro picado. Pronto. Com arroz e farofa fica mara. Pode comer e requebrar – requebra sim, pode falar…

Ps: a última foto é o pote do tempero que usei pra temperar minha moqueca. Ganhei ele de presente da minha mãe – ela é uma baiana que adora fazer temperos, colocar em potes e dar de presente pras pessoas, e isso diz muito do lugar que ela vem.

Tapioca de cuscuz – e a simplicidade mágica de um café da manhã.

Às vezes, pra um dia começar em paz, a gente só precisa de cuscuz, tapioca, queijo, café e se propor. Desde sempre, cafés da manhã pra mim são oportunidades de sentir, através do simples, a vida mais leve (talvez um recurso que uso pra que ela, a vida, não escorregue das minhas mãos na complexidade cotidiana). Qual seu recurso simples de paz? Qual sua sustância emocional matinal para dar conta? Os cafés da manhã são simbólicos.

Como fazer:

Para fazer essa tapioca de cuscuz eu só misturei cuscuz pronto (veja abaixo como faço um em 3 minutos no microondas) com goma de tapioca. Aí coloco na frigideira, jogo por cima um pouco de algum queijo ralado e deixo o calor fazer seu trabalho. Não precisa virar (como nenhuma tapioca precisa). Uma casquinha crocante com gostinho de milho tostado fica por baixo e as outras camadas macias. É um sopro de vida. Hoje resolvi colocar também queijo fresco por cima, mas nem precisa.

Cuscuz de 3 minutos:

para 1 porção, coloque um pouco mais de meia xícara de chá de flocão (farinha de milho flocada, aquela pra cuscuz) em um recipiente que possa ir ao microondas. Coloque pitadas de sal e um pouco de água para hidratar e mexa com um garfo (quantidades, na intuição. Você precisa de uma farofa úmida, mas sem ficar encharcada). Leve ao microondas por 2 minutos. Tire e solte a mistura com um garfo. Coloque mais um pouco de água e acrescente, à gosto, manteiga de garrafa ou outra, misture. Acerte o sal. Pronto.

Bolo de fubá com laranja

Como fazer bolo de fubá com laranja, compreendendo a sutileza de um dia sozinho em casa.

Ingredientes:

  • Olhar calmo e sensível para as coisas
  • 4 ovos
  • 1 xícara de chá de suco de laranja
  • 1 xícara de chá de óleo
  • 2 xícaras de chá de açúcar
  • 1 xícara de chá de fubá
  • 1 e ½ xícara de chá de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 xícara de chá de açúcar cristal para polvilhar a forma
  • 1 colher de sopa de canela em pó para polvilhar a forma
  • Alguma música, dessas que fazem a gente esquecer o medo
    Manteiga para untar

Modo de preparo:

Bata no liquidificador os 4 ovos, o suco de laranja, o açúcar e o óleo. Durante o barulho do liquidificador, imagine uma música daquelas que quando toca você sempre canta junto, então cante, e quando desligar o liquidificador, coloque ela pra tocar. Daí, na batedeira ou num bowl (pra bater na mão com um fouet) coloque o fubá, a farinha de trigo e despeje a mistura do liquidificador, bata bem. Quando terminar de bater repare na massa – ela não é linda? Unte uma forma com manteiga. Misture o açúcar cristal com a canela e polvilhe toda a forma untada. Coloque o fermento na massa e bata mais um pouco, com gentileza (é bom quando tratamos massas e pessoas com gentileza – o crescimento, das massas e das pessoas, tem a ver com a gentileza que recebem). Despeje a massa na forma e leve ao forno pré aquecido a 200ºC para assar por 45/50 minutos. Enquanto o bolo assa, sente no tapete do chão da sua sala com algum livro que te faça bem, ou com alguma outra coisa qualquer que te faça bem. O livro Todas as sextas da @paolacarosella me faz muito bem. Quando o bolo assar sinta o cheiro, espete um garfo e veja se sai limpo. Tire do forno e olhe para ele, pensando que foi você que fez aquele cheiro, com suas mãos. Espere esfriar e desenforme. Corte uma fatia e volte com ela e uma xícara de café para o chão da sua sala, respire. Coma. Ainda está escutando a música? A essa altura, ela vem de dentro.

(Aprendi essa receita com o @rodrigohilbert , e sou muito grato à ele por isso).

Pão de queijo com 3 ingredientes para emoções simples – E com um truque para deixá-lo saudável e funcional.

Todo mundo precisa de uma receita simples de pão de queijo para ter a chance de sentir em qualquer hora a magia do pão de queijo saido do forno, feito pelas suas mãos, para ser apreciado em um momento singelo e apoteótico com café, e paz.

E esse, além de exigir apenas 3 ingredientes, tem um truque bem legal para ficar mais saudável e amigo da sua dieta.

Abaixo receita completa escrita, mas se quiser ver um video com todo o passo a passo detalhado, só clicar aqui para ver no IGTV do meu Instagram.

Ingredientes (para 8/10 pãozinhos):

• 1 xícara de chá de goma para tapioca
• 75g de cream cheese
• 40g de queijo parmesão ralado
• 1 colher de sobremesa de chia e outra de linhaça (esses 2 são opcionais, mas isso que irá deixar a receita mais funcional para seu organismo – a tapioca sozinha sem algo que transforme um pouco como nosso organismo vai absorver ela, pode ser uma cilada pra sua dieta.
• Se quiser, 1 pitada de sal.

Modo de preparo:

Misture todos os ingredientes até obter uma massa fácil de manusear (se todos os ingredientes estiverem gelados, a massa fica mais fácil de manusear e também os pãezinhos ficam mais altos ao assar, mas se não estiverem gelados dá certo igual, só muda um pouco o aspecto). Unte sua mão com azeite e faça bolinhas. Leve para assar em forno pré-aquecido à 200 graus por 25/30 minutos, até dourar. Prontinho!

Bolo de cenoura fofinho infalível e a chance de um instante poético!

Receita simples para um bolo de cenoura clássico fofinho! Te ensino o segredo para uma massa super macia e fofa e também uma cobertura cremosa brilhante para coroar seu bolinho! E claro, como sempre por aqui, essa receita também tem um convite para uma experiência emocional gostosa, e dessa vez te chamo para notar a poesia e felicidade discreta, que está escondida na simplicidade do seu cotidiano, só esperando para ser notada por você – e o bolo de cenoura pode te ajudar nisso! Vem comigo entender “Quando a cozinha é um divã”! Clique no vídeo e confira!

Se preferir, no IGTV do meu Instagram @rodrigo.vilasboas tem também o video. Clicando aqui você vê por lá 🙂

Café de terça do Brasil – Hoje: Pão na chapa em 2 versões (tradicional e com queijo cremoso tostado) com pingado.

Terça-feira de café da manhã inspirado no Brasil – mais um post dessa série que lancei semana passada, onde toda terça teremos um post de café da manhã que nos conecta com os hábitos da nossa gente. Hoje foi dia do absolutamente paulistano: Pão na chapa com pingado! E ainda 2 versões de pão na chapa: tradicional e com queijo cremoso tostado.

Nas “padocas” de São Paulo o velho pão na chapa com pingado (café com um pequena dose de leite) é um clássico que inicia o dia de muitos paulistanos.

Pão na chapa tradicional:

Não é muito comum, mas gosto de fazer com toque de azeite junto com a manteiga, fica incrível! Sem segredos: manteiga e azeite (cerca de 1 colher de sopa de cada para cada 1 pão) e 1 pitada de sal. Quando derreter, coloque o pão e pressione, achatando ele, até dourar.

Pão na chapa com queijo cremoso tostado:

Passe no pão algum queijo cremoso grosso à gosto (requeijão, normalmente aqueles de bisnaga são ótimos pra isso, sabe?). Aqui usei o emocionante queijo cremoso fundido de gorgonzola. Leve para tostar na frigideira já quente. Pressione de leve apenas um pouco, deixe uns 2/3 minutos – até criar uma casquinha maravilhosa do queijo.

O pingado é um café com “pingos” de leite – pra ter mais café que leite. Aqui usei o representativo cafezinho do Brasil da @nespresso.br , já que é de Brasil que a gente tá falando, né?

Na #cafedeterçadobrasil no Instagram você vai achando todos os posts da série!

Café de terça do Brasil – Hoje: Cuscuz de 3 minutos e café coado.

Terça-feira de café da manhã inspirado no Brasil – meu ritual semanal que me conecta com a autenticidade da minha terra. Amo, nas terças de manhã, preparos simples, café coado na caneca de alumínio, música brasileira tocando e uma refeição despretenciosa que me eleva, me conecta com meu chão. Decidi toda terça compartilhar meu café da manhã do Brasil com vocês, me contem o que mais querem ver de inspiração brasileira todas as terças? Vai la no meu Instagram @rodrigo.vilasboas e me conta tudo!

Hoje coloquei Caetano Veloso (baiano que sempre nos conecta com o melhor do Brasil) e fiz:

Café coado e cuscuz de 3 minutos com queijo!

Principalmente consumido no nordeste, o cuscuz solto, com manteiga e queijo, com café, às vezes leva carne seca ou de sol e é marca forte do inicio de manhã potente do sertanejo nordestino. Faço assim:

Cuscuz de 3 minutos:

Para 1 porção, coloque um pouco mais de meia xícara de chá de flocão (farinha de milho flocada, aquela pra cuscuz) em um recipiente que possa ir ao microondas. Coloque pitadas de sal e um pouco de água para hidratar e mexa com um garfo (quantidades, na intuição. Você precisa de uma farofa úmida, mas sem ficar encharcada). Leve ao microondas por 2 minutos. Tire e solte a mistura com um garfo. Coloque mais um pouco de água e acrescente, à gosto, manteiga de garrafa ou outra, misture. Acerte o sal. Se quiser, coloque umas fatias de queijo por cima e leve mais 20/30 seg no microondas para derreter.

Dicas para um café coado emocionante:

1) Sempre escalde o filtro de papel (passando nele um pouco de água quente antes de colocar o pó, depois descarte essa água) – papel tem gosto e sem isso, vai manchar o aroma genuíno do seu café.

2) Quando for colocar água sobre o pó de café no coador, vá com muita calma e coloque jatos pequenos, para umedecer todo o pó. Jatos grandes jogados com tudo fazem a água descer e o pó subir, então a água desce antes de fazer uma boa infusão com o café e você perde toda emoção do seu cafezinho.

3) Escolha cafés dignos de emoção – os produzidos em Minas Gerais, Espirito Santo e Bahia são os mais impactantes que conheço).

Terça que vem tem mais café da manhã do Brasil!

Biscoito assado de polvilho!

Receita simples, significativa e linda com nosso sagrado polvilho (que deriva da nossa sagrada mandioca). Qual foi a última vez que você tomou um café da tarde demorado numa mesa gostosa com alguém que valha a pena você gastar seu tempo? Esse biscoito costuma ajudar nisso. É a desculpa que minha família usa há anos pra se reunir e se conectar nas tardes dessa vida breve e tão boa.

No meu Instagram @rodrigo.vilasboas tem um vídeo detalhado onde ensino o passo a passo completo da receita, lá não tem erro. Clique aqui e confira.

Ingredientes:

  • 225 ml de leite
  • 100 ml de óleo
  • 2 colheres de chá de sal
  • 260g de polvilho azedo ou doce
  • 1 ovo
  • 80g de queijo minas ralado
  • 3 colheres de sopa de queijo parmesão ralado
  • Alceu Valença tocando de fundo
  • Vontade de gastar tempo produzindo marcas boas

Modo de preparo:

Em uma caneca ou panela (que possa ir na boca do fogão) coloque o leite, o óleo e o sal, misture e leve ao fogo, quando levantar fervura desligue.

Em uma tigela coloque o polvilho e coloque a misture de leite fervido, misture inicialmente com uma colher (estará muito quente). Acrescente o ovo e misture com as mãos. Você precisa de uma massa lisa e de fácil manuseio que seja possível enrolar – a quantidade de polvilho é relativa, depende da qualidade dele e da umidade do dia, coloque mais polvilho se precisar para atingir a textura ideal (no video no IGTV (link acima) tem o ponto certinho da massa).

Acrescente então os queijos e incorpore bem. Faça rolinhos no formato meia lua, coloque em uma fôrma e leve para assar em forno pré-aquecido à 180 graus até dourar. Prontinho! Tenha um café da tarde afetivo e seja feliz!