Como fazer um “pão com ovo” emocionante. 

“Pão com ovo”. É só pão com ovo. Mas é um pão marcante feito por pessoas e não por máquinas, que cortei e passei uma manteiga de verdade. Daí na sequência coloquei no meio um ovo de galinha que vive solta e feliz (lá no sítio da minha madrinha em Itu – SP). Então por cima coloquei pedacinhos de queijo manchego, porque eu amo queijo manchego, mas você pode colocar qualquer queijo meia cura que você ame, o amor é livre. Leve para um forno pré-aquecido à 190 graus e deixe até o ovo ficar no ponto que você goste. Quando tirar, finalize com algo que dê um perfume quase sensual para o prato – eu usei @azeitegallo (o colheita ao luar). Você entendeu essa receita? Entendeu o quão bonito é elevar ingredientes simples ao melhor que podem ser? Pra mim poucas coisas superam um pão honesto com um ovo em seu ponto glorioso acrescido de um queijo bom e algum perfume (que pode vir de ervas ou de um azeite). Uma refeição marcante pode ser pão com ovo, desde que você seja capaz de entendê-lo e construí-lo assim. Boa semana!

Anúncios

Como fazer bruschetta de abobrinha com hortelã e aprender algo sobre a generosidade de combinar certo as coisas da natureza. 

Modo de preparo:

A combinação certa honra tudo, é lindo. Tempere abobrinhas cortadas em lâminas com folhas de hortelã, sal, pimenta, limão siciliano, azeite e gentileza. Deixe descansar, para que tudo se aproxime e se encontre direito, 20 minutos está bom. Depois é só cobrir com isso um pão maravilhoso tostado na manteiga. Um queijo forte por cima deixa mais incrível ainda, se for pecorino então, eu choro. A combinação certa honra tudo, é lindo. E para coroar essa experiência, um azeite bom que você confie faz o sabor ficar cravado na sua alma, memorável, mesmo. Aprendi essa combinação honesta e boa no livro mais emocionante que tenho degustado, o “Todas as sextas”, da Paola Carosella. Enfim, bon appétit.

Como fazer croquetes de abobrinha com queijo de cabra. 

Croquetes de abobrinha para o almoço de domingo, que aprendi com a @paolacarosella (os croquetes da Fran, que vi em uma foto alegre e viva que ela postou na páscoa. Eles me chamaram muita atenção). A abobrinha sozinha na geladeira teve um destino tão alegre e carinhoso que até anima a gente. Obrigado Paola, e Fran. São mais ou menos meia abobrinha ralada, com queijo parmesão ralado, queijo de cabra, ovo (1 ou 2), farelos de pão (usei de mais ou menos 2 fatias de pão velhinho), sal e pimenta. Misture tudo e frite na frigideira bem quente untada com azeite. As quantidades você vai vendo, coloque o suficiente para a consistência ser possível fritar pra ficar assim, croquetes achatadinhos, como o da foto. É só ser coerente e sensível ao ir acrescentando as coisas, prestar atenção e se conectar, tudo vai dar certo. Bom domingo!

Como fazer tapioca com recheio de queijo e shitake. 

Tapioca – uma das tantas coisas que a sagrada mandioca pode se tornar. O ingrediente mais incrível e representativo do Brasil pra mim é a mandioca. E a tapioca, essa filha querida dela, é marca da minha história. Invento tapiocas desde que eu tinha 8 anos. Ela me lembra outras horas – quando a cozinha, desde cedo, preenchia as tardes vazias da minha vida. Essa da foto é de queijo com shitake, uma das minhas prediletas.

Para fazer,  é só fazer assim: 

Corte shitakes malandramente frescos e os refogue na manteiga. Depois de uns dois minutos acrescente um pouco de molho shoyu. As quantidades de manteiga, shitake e molho shoyu tem que estar em coerência entre si. Coloque o suficiente para os ingredientes se abraçarem com harmonia e ficarem amigos. Depois de refogar tudinho bem gostosinho, devagarzinho, reserve. Coloque sua goma para tapioca na panela, torre o primeiro lado e quando virar, coloque uma fatia de um queijo bonito que você goste (os mais adocicados ficam bons) e em seguida coloque o shitake refogado. Feche e pronto. Coma com verdade, carinho e café, ou um suco, se quiser.

Como fazer brigadeiro de limão siciliano!

Brigadeiro faz parte da nossa história. Um doce brasileiro que ocupa incrivelmente muitas de nossas memórias afetivas. Alguma coisa da sua vida tem brigadeiro no meio, certeza. Lembro de umas férias de quando eu tinha uns 11 anos em que fiz brigadeiro uns 4 dias seguidos para comer enquanto assistia Cavalo de Fogo (aquele desenho que todo mundo lembra pela música: “Que tocou meu coração, quando me disse então que um dia raaaeeeeeee(…)eeeenha eu seriiiiaaa…”, enfim, lembrou?), foi quase um ritual, só dava para assistir comendo brigadeiro. Foi uma overdose muito doce que eu jamais esquecerei. Adoro essa versão com limão siciliano, acho sutilmente refrescante. Vem fazer e ver o que é bom! Pode comer assistindo Cavalo de Fogo se quiser, mas se não quiser não precisa, é um item opcional.

 

Ingredientes:

  • 1 lata de leite condensado
  • 100g chocolate branco picado
  • 1 colher (sopa) de manteiga sem sal (jamais substituir por margarina, peloamordedeus!)
  • Raspas de 1 limão siciliano (sem raspar a parte branca).
  • Suco de ½ limão siciliano.

Modo de preparo:

Coloque em uma panela o leite condensado, o chocolate e a manteiga. Leve ao fogo médio e mexa sem parar para cozinhar o brigadeiro até atingir o ponto – que é quando você conseguir ver o fundo da panela ao passar a colher. Outro jeito de ver o ponto é inclinar a panela e ver se a mistura está soltando da panela, se estiver está pronto. Normalmente o brigadeiro leva uns 13 minutos de cozimento para atingir o ponto, mas isso varia, o negócio é checar o ponto mesmo. Após atingir o ponto desligue o fogo e continue mexendo uns segundos, então acrescente o suco de limão e as raspas, e mexa para misturar. Coloque em um prato e deixe esfriar para depois manusear e fazer as bolinhas, ou comer assim mesmo. Eu gosto de fazer bolinhas (unto a mão com óleo de canola ou manteiga para não grudar) e enrolar no leite em pó, acho que fica ótimo! Mas fica bom também enrolar em chocolate branco picado, granulado, farofa de pistache ou castanha…enfim.

Se divirta fazendo e seja feliz comendo.

Como fazer sorvete natural de banana!

Gosto de servir com castanha triturada por cima e caramelo salgado (outro dia ensino a fazer caramelo salgado 🙂

Melhor receita simples, natural e incrível que você respeita! Daquelas que fazem a gente se perguntar: como um único ingrediente pode virar isso? A banana é um milagre, tem tudo que precisamos dentro dela para obter um sorvete emocionante. Você só precisa de banana e um pouquinho de leite, e se quiser, mel! Só isso pra fazer essa poção mágica. Amo esse sorvete, amo o incrível leque de possibilidades que a natureza nos oferece. Obrigado bananas, obrigado às pessoas que as cultiva e obrigado natureza pelo processo todo de criação.

Ingredientes:

  • Bananas (para uma quantidade que sirva umas 3 pessoas uso umas 6 bananas – prefiro as naninas mais maduras, mas pode ser qualquer uma).
  • Leite – o suficiente para ajudar a bater no liquidificador.
  • Mel ou açúcar – para adoçar

Modo de preparo:

Descasque as bananas e corte em rodelas (não precisa ser muito finas). Forre uma tigela que possa ir ao freezer com papel filme, coloque as bananas dentro e cubra com mais papel filme, tampe a tigela e leve ao freezer – deixe lá até que as bananas congelem, cerca de 3 horas. Depois disso tire as bananas do congelador e coloque no liquidificador, coloque um pouquinho de leite e comece a bater – vá olhando se é necessário por mais leite para ajudar a bater. Não pode ser muito para não ficar com muito gosto de leite. Após ir atingindo uma consistência cremosa acrescente o açúcar ou o mel à gosto (prove para ver se está doce ao seu gosto). É incrível – ao ir batendo a banana vira um creme denso, virando magicamente um sorvete mole. Quando estiver já um creme homogêneo, coloque em uma tigela e leve ao freezer para endurecer. Prontinho! Depois de endurecer é só servir e ser feliz comendo!

Um ponto importante: se atente as quantidades que coloca no liquidificador para bater. Alguns de potência mais baixa podem se sobrecarregar com o processo porque a banana congelada é bem dura. Às vezes para não forçar demais o liquidificador é melhor ir batendo um pouco de banana de cada vez.

Receita de Nhoque de Batata-doce!

Jatica (que em tupi-guarani significa “fruto enterrado”). Batata-doce. Ipome batatas. Ela adocica nosso paladar de uma forma tão gentil, que tem algo de hipnotizante no sabor dela. Nhoque de batata-doce é um dos meus pratos prediletos. Porque batata-doce está nos traços culturais da nossa história, está nos hábitos mais antigos da minha família, é um alimento muito generoso com a nossa saúde e tem um sabor encantador. Que bom ter batata-doce na nossa existência, a vida é um pouco mais feliz com ela. Aprenda a fazer esse nhoque simples e sensacional. Melhor coisa, sério. Vem fazer e adocica sua vida, meu amor. (Abaixo também dou umas dicas de molhos para acompanhar, mas na foto comi ele apenas com azeite de oliva bom, flor de sal, castanha-do-pará e coentro, minha gente, é bom de um jeito que nem dá pra dizer).

Ingredientes:

  • 1kg de batata-doce
  • Aproximadamente 250g de farinha, o que dá 1 xícara e meia (de trigo normal ou de arroz, eu gosto da de arroz)
  • 3 colheres de sopa de polvilho doce
  • 1 ovo
  • Uma pitada de sal

Modo de preparo:

Cozinhe a batata com casca – corte em pedaços menores para não demorar tanto. Mas não em tão menores para não prejudicar o amido, corte ao meio no máximo em três partes cada batata. Cozinhe no vapor ou em uma panela com água. Eu prefiro no vapor. Depois de cozida tire a casca e amasse toda a batata em uma vasilha grande, fazendo um purezinho. Então acrescente o ovo, a pitada de sal e o polvilho, comece a mexer e vá acrescentando a farinha aos poucos, até obter uma massa homogênea (a quantidade total de farinha depende da umidade, acrescente um pouco mais ou um pouco menos se achar necessário). Não coloque muita farinha, o nhoque é uma massa sensível e molinha mesmo. O segredo do bom nhoque é ter muito mais batata que farinha.

Feito isso, esfarinhe uma superfície e pegue um pedaço da massa e faça rolinhos, cilindros, depois vá cortando os pedaços (pedaços de 2cm são o ideal) – lembre-se de sempre que precisar polvilhar farinha para não grudar, a massa é úmida e bem sensível, gruda fácil, conforme for cortando polvilhe farinha nos pedaços e procure não sobrepor um pedaço no outro, para evitar que grude. Feito isso gente, já ta pronta sua massa de nhoque! Agora é só cozinhar: Ferva água, então coloque os pedaços de nhoque na água fervente, quando subirem a superfície é porque já cozinhou – não deixe passar do ponto, subiu já tira da panela e escorra, é uma massa fresca sensível! Se passar fica molengo demais! Escorra e sirva com o molho de sua preferência!

Seja feliz nesse sabor incrível que o nhoque de batata-doce tem! Seguem abaixo algumas sugestões de molho para acompanhar (clique no link para acessar a receita):

Receita de molho de tomate rústico

Receita de molho de manteiga e sálvia

Molho de cogumelos com vinho branco

Molho de laranja e vinho branco

Molho de laranja e tomilho

Clicando aqui você também confere a receita do tradicional nhoque italiano! Que já ensinei por aqui também! 

Carne de porco, abóbora assada com casca e farofa de semente de abóbora.

20160710_125154

Carne de porco temperada com respeito ao singular do ingrediente, para uma experiência de sabor coerente e gentil. Para acompanhar, abóbora assada com farofa de semente da mesma abóbora – o integral do ingrediente sendo observado, usado e apreciado, para a construção de uma refeição com gratidão e respeito à oferta total da natureza. Reeducar nosso olhar diante dos ingredientes e inaugurar novas formas de construir uma refeição – cozinhar pressupõe reinventar, explorar o natural e transformá-lo com amplitude. A gratidão ao que o mundo nos oferece se manifesta no modo como exploramos a natureza ofertada. A gratidão é a via mais linda do amor. Confira receita completa do prato abaixo – ao fazê-la, espero que a gratidão seja parte de sua refeição. Faça mais que o comum automático. Perceba seu ato com o alimento e olhe seu total.

Como fazer o prato:

Clique aqui e veja um bom tempero para carne de porco – que respeita o animal, a origem, o seu natural e cria experiência sensorial plena. 

Como fazer a farofa de semente de abóbora:

Ingredientes:

  • Sementes de abóbora
  • Farinha de mandioca ou farinha de milho
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 1 dente de alho triturado
  • 1 colher de sopa de cebola picada em pedaços bem pequenos
  • Sal e pimenta rosa ou pimenta-do-reino à gosto
  • Coentro à gosto

Modo de preparo:

Lave bem as sementes de abóbora, deixe de molho na água por cerca de 20 minutos e depois retire e seque-as bem com um papel toalha. Então doure as sementes: Leve-as para uma frigideira quente, acrescente um pouquinho de sal e deixe dourar – vá mexendo. Quando estiver começando a ter cor dourada acrescente a manteiga, a cebola e o alho. Quando a manteiga derreter por completo adicione a farinha, ainda com 0 fogo ligado, para tostar um pouco a farinha – vá colocando farinha aos poucos, o suficiente para atingir o ponto de umidade desejado de sua farofa. Cuidado para não queimar! Mexa sempre. Pronto. Acrescente após desligar o fogo o coentro, se for usar.

Como fazer as abóboras assadas:

Pegue a abóbora da qual você extraiu as sementes e lave bem. Não tire a casca. Corte em pedaços de acordo com o seu gosto (veja na imagem os tamanhos que eu deixei). Coloque em uma forma, acrescente azeite de oliva e sal – apenas – e leve para assar em forno pré-aquecido à 200 graus por cerca de 20 minutos – depende da potência do forno, vá checando o ponto dela até atingir o desejado. Pronto.

Sirva a carne de porco temperada com respeito, com abóbora assada com casca e com a farofa de sementes da mesma abóbora. Que a gratidão à natureza seja parte. Boa refeição.

Receita de Cuca Alemã de Banana!

img-20160324-wa0049

Cuca – palavra que fluiu da palavra alemã “kuchen”, que significa bolo. A cuca é um prato de origem alemã muito consumido no sul do Brasil. É uma espécie de bolo-pão, com uma farofa crocante por cima. Deliciosa, é uma herança cultural da colonização do sul do país, fazendo jus a gastronomia brasileira que dança entre tantas culturas e influências de todo o mundo. Eu adoro uma Cuca, é um prato aconchegante que abraça a gente. Confira receita completa abaixo! Fácil de fazer e difícil de errar – E o legal é fazer um prato tendo noção de que história ele conta e o que ele representa do lugar que vivemos e do espaço que hoje ocupamos. Agora que sabe um pouco vem tentar fazer, com maior consciência do que suas mãos irão produzir.

Ingredientes para a massa:

  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 xícara de leite
  • 1 ovo
  • 8 colheres de sopa de açúcar
  • 2 colheres de sopa de fermento biológico instantâneo
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 8 bananas-prata cortadas em fatias
  • Caldo de meio limão taiti
  • 1 pitada de sal
  • 1 pitada de canela

Ingredientes da farofa:

  • 5 colheres de sopa de açúcar
  • 5 colheres de sopa de farinha de trigo
  • Cerca de 3 colheres de sopa de manteiga
  • Canela em pó

Modo de preparo – primeiro a massa:

Antes de começar já deixe uma forma (média) untada, então inicie: Misture o açúcar, o ovo, a manteiga e o sal, batendo com um fouet (ou garfo) até incorporar bem. Acrescente a farinha de trigo, o leite e o fermento, mexendo bem até dissolver tudo. Coloque na forma. Então corte as bananas em rodelas, coloque em uma vasilha, acrescente o caldo do meio limão e a pitada de canela em pó, misture um pouquinho só e coloque as bananas sobre a massa na forma. Reserve enquanto faz a farofa.

Modo de preparo – a farofa: É só misturar todos os ingredientes com a mãos até formar uma farofa, se ficar muito seca pode colocar um pouco mais de manteiga, se ficar muito molhada um pouco mais de farinha, tem que atingir essa consistência:

img-20160324-wa0046

Coloque então a farofa na forma por cima das bananas. Deixe a massa crescer por 30 minutos e depois leve ao forno por 40 à 45 minutos – até ficar douradinha assim ó:

img-20160327-wa0041

Protinho! Bon appétit, tchê!

img-20160324-wa0011

Tempero para carne de porco – Dia de picanha suína. Sobre respeitar o ingrediente em todo ciclo do “alimentar-se”. 

Picanha suína antes da transformação mágica do fogo.

 

Picanha suína depois da transformação mágica do fogo.

 

Temperar a carne é continuar respeitando aquilo que foi extraído da natureza para nos alimentar. Como os animais são criados, como são mortos, como é valorizado e tratado cada centímetro do que os compõe, como é preservada a carne, como é temperada, cozida e apreciada – temos uma responsabilidade ao cozinhar um animal, a responsabilidade de não estragar sua composição genuína e acabar fazendo o animal ter morrido em vão. Tempere com cuidado, conhecimento e respeito, isso é muito importante e tem um valor.

Opção de tempero para carne de porco:

Essa é minha picanha suína temperada com: Alho, sal, pimenta-do-reino preta, pimenta rosa, pimenta calabresa, um pouco de páprica picante e um pouco da doce, azeite de oliva, limão, ervas secas (orégano, salsa, louro), um pouquinho de mostarda dijon e noz-moscada. As quantidades dependem do tanto que quer presente cada ingrediente – use seu gosto e história para temperar e erquilibrar. Ao usar 3 tipos de pimentas equilibre para não pesar. Depois de temperar deixe pelo menos 2 horas pegando gosto antes de assar (melhor uma noite). Eu assei com uma batata doce – que adocica muito bem a carne de porco.