Bacalhau da Noruega – O que é e porque é tão famoso? E ainda uma receita afetiva: Bacalhau de forno com leite de coco.

Bacalhau da Noruega – o que você entende quando ouve esse termo? Não se trata simplesmente de um ingrediente sofisticado, o nome revela a origem, e a origem revela os elementos únicos que ele tem – por ser tratado pela cultura norueguesa de um modo lendário há anos, pelas espécies dos seus mares terem comportamentos específicos e pela temperatura da água do norte europeu. É muito bom quando entendemos bem o que um nome significa. Com autenticidade, quero muito contar mais pra vocês do que se trata o bacalhau da Noruega, e ainda compartilhar uma receita afetiva, vamos?

O que faz o bacalhau da Noruega assim tão especial?

A Noruega está localizada no extremo norte da Europa, onde no clima frio e nas águas cristalinas geladas cria-se ambientes muitos favoráveis para o desenvolvimento dos peixes – que crescem de forma lenta, desenvolvendo sabor e textura únicos. O cardume de bacalhau norueguês é migratório e viaja distâncias gigantes, das águas geladas do mar de Barents até a costa da Noruega – esse é um dos motivos que confere sua textura única (e aquela capacidade das lascas se soltarem após o cozimento). O tipo de alimentação dos peixes desse mar também influencia na textura que ele oferece.

O que torna o peixe um bacalhau é o processo de secagem (há diferentes espécies de peixes que são transformadas em “bacalhau” através do processo de secagem). A Noruega tem uma tradição muito antiga na secagem de peixes, o sol suave e o vento gelado fazem com que suas rochas planas sejam ambiente perfeito para secar os peixes. A palavra norueguesa “klippfisk” significa “peixe na rocha”, foi ela que deu origem a palavra “clipfish”, em inglês, que se refere ao bacalhau salgado. O processo de secar o peixe nas rochas é uma prática muito antiga, hoje fazem isso em ambientes fechados, mas ainda há quem seque no método ancestral.

O bacalhau é um patrimônio muito importante para os noruegueses. A qualidade sem igual do bacalhau que produzem conquistou o mundo. Eles possuem órgãos governamentais que cuidam da qualidade contínua dessa tradição secular. Deu pra entender poque o bacalhau da Noruega é tão valioso?

Tipos de bacalhau:

O mais nobre e tradicional: “O autêntico bacalhau da Noruega” (espécie: Gadus morhua): Salgado e seco. Pescado no Atlântico norte, apresenta postar altas, largas e de coloração palha e uniforme quando salgado e seco. Depois de cozido, sua carne se desfaz em camadas claras e tenras.

Bacalhau ou Bacalhau-do-Pacífico (espécie: Gadus macrocephalus): Salgado e seco. Possui coloração levemente mais branca e sua carne não desmancha em lascas, mas pode ser facilmente desfiada.

Saithe (espécie: Pollachius virens): Salgado e seco. De sabor mais forte e coloração menos clara. Quando cozido, sua carne macia desfia com facilidade. É o tipo perfeito para preparar bolinhos, saladas ou ensopados.

Ling (espécie: Molva molva): Salgado e seco. O mais estreito de todos os tipos de bacalhau. Carne mais branca também fácil de desfiar.

Zarbo (espécie: Brosme brosme): Salgado e seco. É o menor peixe entre os 5 tipos de bacalhau. É mais roliço que o Ling. Também ótimo para preparos onde o bacalhau vai desfiado.

Na Noruega, o Saithe, Ling e Zarbo são submetidas ao mesmo processo do Gadus morhua – salgados e secos com o mesmo rigor de qualidade. São espécies diferentes (porém da mesma família), mas submetidas aos mesmos processos para produção do bacalhau.

Como dessalgar o bacalhau?

Ao ser dessalgado, o bacalhau ganha aproximadamente 30% de volume. O melhor jeito de dessalgar é: Lave o bacalhau em água corrente. Mergulhe então ele em bastante água fria (2 partes de água para 1 parte de bacalhau), com pedras de gelo, e deixe na geladeira durante todo o processo de dessalgar. Tempo de dessalgue: 24 horas para cada cm de altura da parte mais grossa da posta. Troque a água pelo menos 2 vezes a cada 24 horas.

Como conservar o bacalhau em casa?

Quando salgado e seco, manter sempre em potes fechados e na geladeira (nunca em temperatura ambiente). Se dessalgado, você pode manter no congelador por até 8 meses (pincela azeite para conservar). Nunca congele o bacalhau ainda salgado.

Agora que sabemos muito sobre bacalhau, quero compartilhar com vocês a receita de mainha – a que minha mãe faz em toda época de páscoa, receita simples e linda, cheia de memórias afetivas pra mim.

Bacalhau ao forno com leite de coco:

Ingredientes:

  • Aproximadamente 1kg de bacalhau já dessalgado
  • 2 tomates bem maduros picados
  • Salsinha e coentro picados à gosto
  • 4 dentes de alho esmagados
  • 1 pimentão verde (ou vermelho) médio cortado em rodelas ao meio
  • 1 cebola cortada em rodelas ao meio
  • Cerca de 10 azeitonas sem caroço picadas
  • Cerca de 5 à 8 batatas médias cortadas em rodelas e cozidas (a quantidade delas é mais à gosto).
  • Azeite de oliva extra virgem à gosto
  • 1 colher de sopa de azeite de dendê
  • Sal e pimenta-do-reino preta à gosto
  • 250 ml de leite de coco

Modo de preparo:

Coloque o bacalhau já dessalgado em uma panela, cubra com água e leve ao fogo médio. Instantes antes de levantar fervura, desligue o fogo e escorra a água. Reserve o bacalhau.

Em uma panela, coloque azeite e acrescente a cebola, um pouco de sal e pimenta. Refogue por 1 minuto e acrescente o alho, frite ele por uns segundos. Então acrescente o tomate, o pimentão, o azeite de denê, a salsinha e o coentro. Refogue tudo, por uns 4 minutos. Cheque o sal. Reserve.

Em um travessa grande que possa ir ao forno, coloque fios de azeite, então acomode o bacalhau, espalhando por toda travessa. Espalhe as batatas cozidas sobre o bacalhau, e em seguida coloque as azeitonas e então os legumes refogados. Coloque por último o leite de coco, espalhando ele por toda travessa. Finalize com uns fios de azeite por cima. Leve para assar em forno pré-aquecido à 200 graus por cerca de 40 minutos (até o bacalhau estar completamente cozido, desmanchando em lascas).

 

Anúncios

Tapioca significativa de banana e queijo!

Receita simples com uma combinação impactante – que revela toda potência e sutileza do nordeste do nosso Brasil. Um dos meus jeitos preferidos de comer tapioca. Faço em muitas tardes dessa vida, e esse é o tipo de preparo que me faz parar pra sentar na mesa de casa sozinho a tarde e respirar fundo, através da experiência sutil e boa com uma tapioca. Acho que essa receita me acalma, entende? Faz pra entender.

Ingredientes:

Atenção: Todas quantidades são a gosto, dependem do tamanho da tapioca e o quanto você gosta menos ou mais recheada. Coloque a quantidade que for vendo que faz sentido.

  • Tapioca
  • Queijo (melhor se for coalho)
  • Manteiga (melhor se for baiana, mas se não for, tudo bem)
  • Banana (melhor se for da terra, se não tudo bem também)

Modo de preparo:

Corte a banana em cubos/pedaços pequenos. Em uma panela ou frigideira, aqueça um pouco de manteiga e coloque a banana. Refogue por 1 minuto ou 2, só para a banana amolecer e ficar cremosa linda.

Em uma frigideira, coloque a quantidade de tapioca que for usar. Espalhe montando um disco liso e uniforme. Espere 1 minuto e vire. Coloque a banana que refogou na manteiga e o queijo em pedaços. Deixe uns segundos e então feche a tapioca, espere mais uns segundos até o queijo derreter. Tire e sirva passando um pouco de manteiga por cima para umedecer mais, é bom. Seja feliz comendo.

Clique aqui e acesse o meu Instagram – lá no IGTV tem video completo com todo passo a passo desse preparo!

Receita de salpicão verde!

Verde e vermelho porque essas são as cores da memória afetiva no natal. É importante que o prato na mesa conte sempre o máximo possível da situação afetiva que se desenrola em volta dela. Nesse salpicão temático do meu coração, o conjunto de aromas verdes que compõe a cor também compõe um sabor muito fresco e equilibrado, com uma umidade muito adequada para acompanhar os outros pratos mais secos natalinos. A cor da comida atiça algo em mim, em você também? Espero que gostem da receita!

Ingredientes:

  • 1 peito de frango sem pele e sem osso cozido e desfiado (Sem segredo para cozinhar, cozinho sempre na pressão com um pouco de sal, pimenta, uma colher de sopa de azeite, cebola e alho)
  • 2 folhas grandes de couve higienizadas e cortadas em tiras finas
  • Metade de um repolho verde pequeno higienizado e cortado em tiras fininhas (opcional, se não gostar não precisa colocar).
  • 4 colheres de sopa de azeite de oliva extra virgem
  • 10 azeitonas verdes sem caroço picadas
  • Meio talo de salsão picado
  • Meia cebola pequena picada
  • Salsinha fresca picada à gosto
  • Cerca de 4 colheres de sopa de maionese
  • Cerca de 4 colheres de sopa de creme de leite
  • Sal à gosto
  • Pimenta-do-reino à gosto
  • Caldo de meio limão
  • 1 colher de sopa de vinagre branco
  • Tomate cereja para decorar
  • 1 maçã descascada e cortada em cubinhos bem pequenos

Modo de preparo:

Comece fazendo sua “pastinha verde” que dará a cor do salpicão. Coloque o couve cortado em um mixer ou no liquidificador, acrescente o azeite, o vinagre, a salsinha, o creme de leite e 2 colheres de sopa de maionese. Bata até triturar completamente e virar uma “maionese verde”. Se ficar muito pastoso e não bater direito, coloque um pouco mais de creme de leite. Reserve.

Em uma vasilha grande coloque o frango, acrescente o creme verde e todos os outros ingredientes – exceto o tomate. A consistência do seu salpicão depende do seu gosto – se quiser mais cremoso é só colocar mais creme de leite e maionese. Prove o sal e deixe de seu gosto também. Use o tomate-cereja para decorar. Prontinho!

Lebkuchenpläetzchen – Como fazer o biscoito alemão tradicional no natal do sul do Brasil.

Muitos natais da minha infância foram em Santa Catarina, onde minha família paterna mora. A influência da colonização alemã é muito viva lá até hoje e pode ser vista na gastronomia, é o caso desses tradicionais biscoitos de natal. Essa receita deriva do “Lebkuchenpläetzchen”, biscoitos muito antigos, consumidos no natal da Alemanha desde a idade média, são muitíssimos tradicionais da culinária alemã (minha madrasta tem um livro muito antigo alemão com receitas cheias de tradição e marcas afetivas, tem esses lá).  Em Santa Catarina, nessa época do ano,  são vendidos em todo lugar possível. Adoro eles e o gosto de memórias antigas que eles tem. Fazer eles hoje extraiu um carinho e sutileza gigante de dentro de mim, engraçado, mas até meus movimentos na cozinha ficaram mais suaves e delicados quando os fiz. Essa receita, essa delicadeza e esse carinho, compartilho com vocês.  Vai ser meu jeito de dizer feliz natal.

Ingredientes para a massa:

  • 500g de farinha de trigo
  • 200g de açúcar
  • 80g de manteiga em temperatura ambiente
  • 4 ovos
  • Meia colher de sopa de bicarbonato de amônio
  • 1 colher de sopa de extrato de baunilha
  • Se quiser aromatizar, você pode colocar umas duas pitadas de cardamomo em pó, raspas de limão ou raspas de gengibre, já fiz dos 3 jeitos e fica muito bom. Por ao mesmo tempo cardamomo e gengibre fica muito bom também!
  • Açúcar cristal colorido para decorar

Ingredientes para cobertura:

  • 2 claras
  • 5 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro
  • Gotas de limão siciliano

Modo de preparo:

Comece pela massa: Junte em uma vasilha grande todos os ingredientes da massa, misture tudo o suficiente para obter uma mistura homogênea, sem misturar demais  – sempre que estamos falando de biscoitos que queremos algo de crocante, misturar a massa demais nunca é bom. Deixe a massa descansar uns 5 minutos e então já pode abrir ela – esfarinhe uma superfície e abra a massa com um rolo. A espessura depende do seu gosto, se quiser biscoitos mais grossos e fofos por dentro deixe mais grosso, se quiser mais corcante deixe mais fino. Eu gosto mais corcante e deixo uma espessura de uns 4 milímetros. Após abrir corte com o cortador que quiser, ou até com uma faca em quadradinhos, use a imaginação. Adoro estrelas e corações. Leve para assar  em forno pré-aquecido à 200 graus, em fôrma untada ou fôrma antiaderente ou ainda forrada com papel manteiga. Asse até começar a dourar. Leva em média 12/15 minutos. Retire do forno e reserve para esfriar um pouco. Após assar todos os biscoitos mantenha o forno ligado, abaixe para 180 graus.

Para a cobertura, bata a clara em neve e acrescente o açúcar e as gotas de limão, e continue batendo até ficar firme (porém fica mais mole mesmo, não chega a atingir “pico duro”). Cubra cada biscoito com um pouco da cobertura, espalhe o açúcar cristal colorido para decorar (ou o confeito que quiser) e leve ao forno de volta, deixe o suficiente apenas para endurecer a cobertura, sem deixar dourar muito. Prontinho!

Após esfriar guarde em um lugar fechado para preservar a crocância. Feliz natal!

 

Carne cozida de panela com maxixe!

Carne de panela grande num caldo grosso com muita convicção e maxixe. Comi muito isso toda minha vida. Quando era criança, ver esse caldo grosso sendo construído pela minha mãe na nossa cozinha (que era sempre o lugar que a gente se escondia pra ser feliz) era pra mim como assistir uma história de amor. É muito claro pra mim que não importa o quanto um dia seja terrível e patético, se meu jantar for isso, qualquer raiva da vida passa. O gosto dessa carne nesse caldo com esse maxixe tem minha história dentro, é a comida materna das mulheres fortes da minha família, é a comida com as marcas culturais que desenham meu jeito de ser nesse mundo, que me lembra, através do gosto, de onde eu vim e com quem eu aprendi a viver como eu vivo – da pra acreditar que é possível encontrar tudo isso numa panela? Pois é, dá. Receita afetiva completa, como minha mãe sempre fez.

Ingredientes:

  • 1kg de carne cortada em pedaços médios (coxão mole, acém ou patinho)
  • Meia cebola cortada em cubos
  • 2 dentes de alho picados
  • Azeite de oliva ou óleo de girassol à gosto
  • Meio talo de alho-poró
  • Cominho em pó à gosto
  • Páprica defumada à gosto
  • Pimenta-do-reino moída na hora à gosto
  • Uma colher de chá de colorau
  • Sal à gosto
  • 2 xícara de chá de caldo de carne aquecido ou água morna
  • 2 tomates maduros picados
  • 1 colher de sopa de extrato de tomate
  • Aproximadamente meio quilo de maxixe (limpo e já raspado – para tirar as laterais pontudas, como descascar)
  • Coentro fresco picado à gosto

Modo preparo:

Leve uma panela de pressão ao fogo e coloque um pouco de azeite ou de óleo (o suficiente para dourar a cebola). Coloque a cebola, acrescente uma pitada de sal e doure ela por 1 minuto e então acrescente o alho. Coloque então a carne na panela e refogue ela, até toda carne pegar cor e adiantar bastante o cozimento – o que leva uns 5 minutos. Acrescente o alho-poró, a páprica defumada, o cominho em pó, o colorau, a pimenta-do-reino e misture. Acrescente o caldo de carne (ou água), o extrato de tomate e os tomates. Misture tudo, acerte o sal e então tampe a panela de pressão e deixe cozinhar, após pegar pressão, por cerca de 15 à 20 minutos (após 15 minutos vá abrindo e checando, o tempo para total cozimento depende do tipo de carne – é preciso que fique bem molinha, quase desmanchando). Estando a carne cozida, abra a panela e acrescente os maxixes cortados ao meio, leve ao fogo para que cozinhem. Cheque o caldo e a consistência – aqui depende do gosto, se achar que está muito grosso coloque um pouco mais de água ou caldo, se achar muito ralo deixe reduzir. Estando o maxixe cozido e caldo em consistência de seu agrado, cheque o sal novamente, desligue a panela e finalize com o coentro.

Depois de pronto eu coloco o cozido em uma panela bonita de vidro que tenho, coloco na mesa com orgulho e respiro aquele aroma lindo. Que alegria. Seja feliz com essa panela de matriarcado.

Como fazer Cartola! Receita simples e incrível!

Cartola – uma sobremesa absolutamente brasileira, que é resultado de uma mistura de hábitos e tradições dos portugueses, povos indígenas e africanos – quer algo mais brasileiro que um doce que une referências dos 3 principais povos que compõe a cultura do nosso país? Não é a toa que a cartola é considerada patrimônio cultural imaterial do estado do Pernambuco – veja que chique! Amo fazer um doce que me conecta com a história cultural do meu país! Cozinha é conexão histórica, e isso faz muito bem para a alma, meu povo!

Abaixo receita escrita, mas te sugiro clicar aqui e ir lá no meu Instagram ver o video completo dessa receita, onde ensino o passo a passo completo bem detalhado! O video está no no meu IGTV. Meu endereço no Instagram é @rodrigo.vilasboas

Ingredientes (para cada porção):

  • 1 banana
  • 2 pedaços (fatias grossas) de queijo – preferencialmente coalho, mas eu uso o canastra também
  • Açúcar à gosto
  • Canela à gosto
  • Manteiga (preferencialmente de garrafa)
  • Melado de cana (opcional)

Modo de preparo:

Aqueça uma colher de chá de manteiga numa frigideira antiaderente. Corte a banana ao meio (no sentido do comprimento) e doure ela dos dois lados. Reserve. Limpe o excesso de gordura da frigideira e coloque o queijo, doure um lado dele – é importante que crie uma casquinha crocante, isso faz toda diferença. Agora monte sua cartola: Coloque o queijo tostado sob a banana e polvilhe com açúcar e canela. E se quiser, coloque um pouco de melado de cana por cima.

Seja feliz comendo esse doce marca cultural do nosso paraíso tupi-guarani!

Como fazer uma clássica farofa de ovo – das memórias da minha infância.

Sempre amei ovos. Quando eu era criança e ia “brincar na cozinha” nas tardes vazias, adorava fazer farofa de ovo, inventava mil tipos – com restinhos de vegetais, pedaços esquecidos de bacon ou sobras de carne seca. Fiz tantas que fiquei bom nelas. Quando tinha uns 11 anos, fiz uma que uma tia provou e ficou impressionada. Me senti mágico nesse dia. Ovos eram pra mim uma chance bonita de criar algo bom, acho que por isso os amo tanto, acho o ingrediente mais incrível que existe (obrigado pra sempre, galinhas). Vira e mexe volto a brincar de farofa de ovos. A cozinha foi um bom lugar para estar na infância. Essa é uma farofa simples, das clássicas que eu criava, que significa muito pra mim!

Ingredientes (para em média 2 porções):

  • Meia cebola picada
  • 1 dente de alho picado
  • Sal e pimenta-do-reino à gosto
  • 3 colheres de sopa de azeite de oliva
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • Cerca de 5 tomates-cerejas cortados ao meio
  • Pimentão vermelho picado à gosto
  • Cerca de 3 ovos
  • Zathar à gosto (tempero opcional)
  • Farinha de mandioca (o quanto bastar)
  • Coentro picado para finalizar

Modo de preparo:

Refogue a cebola com uma pitada de sal na manteiga e no azeite , acrescente o alho até ele fritar, então coloquei tomate-cereja cortado ao meio e pimentão vermelho. Refogue. Coloque os ovos e mexa sem parar – para que eles cozinhem se unindo a cremosidade da manteiga. Então, antes do ovo ficar seco, coloque a farinha de mandioca e mexa, torrando sutilmente a farinha. Tempere com sal, pimenta e zathar. Finalize com coentro picado. Pronto. Nas quantidades seja intuitivo, é bom à vezes. Veja se sente vontade de colocar menos ou mais algum elemento. Dá certo. Tem mil jeitos de fazer farofa de ovos. Não precisa fazer exatamente essa, inventa uma e me conta, vai ser legal.

Como fazer alcatra na cerveja preta!

Sabe quando um prato te abraça? Eu sei. Esse faz isso. Alcatra na cerveja preta – com um molho de cremosidade estonteante (que o toque especial de creme de cebola proporcionou lindamente). Comer isso no inverno é fazer a vida valer a pena. Com arroz branco fresquinho então, eu choro. Receita escandalosamente fácil, você faz tudo em 40 minutos ou menos, se for ninja. Confere aqui:

Ingredientes:

  • 1kg de alcatra cortada em cubos
  • 1 cebola
  • 1 cenoura
  • 1 tomate
  • 2 colheres de sopa de óleo
  • 300 ml de água
  • 200 ml de cerveja preta
  • sal e pimenta-do-reino à gosto
  • Salsinha picada
  • 1 pacote de creme de cebola

Modo de preparo:

Em uma panela de pressão aqueça o óleo e acrescente a carne. Frite e refogue por 15 minutos. Pique o tomate e a cebola, corte a cenoura em rodelas de 1 cm e acrescente tudo na carne. Misture e deixe cozinhar por 3 minutos. Acrescente então a água, a cerveja e o creme de cebola. Tampe a panela e deixe cozinhar na pressão por 20/25 minutos. Abra a panela (após tirar a pressão com cuidado) e acerte o sal, acrescente a pimenta. Finalize com salsinha picada. Fica sensacional com um arroz branco fresquinho! Sirva com bastante caldo – ele é divino. Bon appétit!

Receita de bolo de mandioca cremoso com coco!

Festa junina é uma marca cultural linda do nosso povo, e a gastronomia dessa época tem muita memória afetiva. Cresci numa família onde o dia de São João é celebrado com comida, música, encontros e saudades de quem deixou sua terra original um dia. E mandioca sempre esteve ali, estrelando nessa festa afetiva toda. A mandioca é um ingrediente sagrado, pra mim o mais representativo da cozinha brasileira, quando a como parece que sinto mais forte minha identidade cultural. Então, minha contribuição para a festa junina de vocês será uma receita com mandioca – esse bolo é receita tradicional de uma família baiana, então tá jóia!

Ingredientes:

  • 1kg de mandioca crua descascada e lavada
  • 100g de manteiga
  • 3 xícaras de chá de açúcar
  • 200ml de leite de coco
  • 100g de coco ralado desidratado
  • 1 pitada de sal
  • 1 xícara de chá de leite
  • 3 ovos

Modo de preparo:

Pré-aqueça o forno à 180 graus. Rale a mandioca e acrescente no liquidificador com todos os outros ingredientes, bata apenas o suficiente para ficar uma mistura homogênea.

Unte com manteiga e farinha uma fôrma de cerca de 27 cm de diâmetro, coloque a mistura nela e leve ao forno pré-aquecido. Asse por cerca de 40/50 minutos – até dourar nas bordas e se gostar, também deixe dourar por completo na superfície toda.

Prontinho! Feliz São João!