Receita afetiva que une 2 mundos. Curau brûlée com crumble de canela.

Hoje foi um puta dia lindo. Fui pra cozinha com tudo que eu sou e fiz um prato que quando terminei me vi nele – sabe o quanto isso é emocionante? Eu tenho um compromisso e laço intenso com as coisas da minha terra, em especial as coisas da Bahia da minha mãe. Mas também tenho uma conexão profunda com as coisas da Europa, que na minha infância minha madrasta me ajudou a conhecer. Em especial os detalhes franceses me emocionam. E é assim porque meus caminhos fizeram a história assim – os lugares de amor que ocupei me trouxeram essas referências. É uma história longa, não dá pra contar hoje, o que eu queria contar é que hoje o curau brûlée com crumble de canela que fiz é uma foto do mais profundo que me compõe. Eu suspeito que essa será a receita mais afetiva que compartilhei com vocês até agora.

O curau é com uma textura mais cremosa, que se aproxima do “crème brûlée” francês. O gosto lindo da canela vem através de uma farofa, o crumble, dando junto um crocante que casa lindo com o curau cremoso. O milho, que é uma grande referência da cozinha da minha família (e do meu país), usado com influências francesas. Estou tão feliz com esse prato. Uma mistura de detalhes franceses com marcas profundas do paraíso tupi-guarani – esse prato é isso, eu sou isso.

Ingredientes (rende 5/6 porções):

Para o curau:

  • 4 espigas de milho (ou o suficiente para encher 3 xícaras de chá com grãos debulhados)
  • 2 xícaras de chá de leite
  • 3/4 de xícara de chá de açúcar
  • 5 colheres de sopa bem cheias de creme de leite
  • Um pouco de açúcar para polvilhar e fazer o “brûlée”.

Para o crumble de canela:

  • 70g de açúcar
  • 110g de farinha de trigo
  • 65g de manteiga gelada
  • 3/4 de colher de sopa de canela em pó

Modo de preparo do curau:

Descasque as espigas, tirando toda palha e cabelos (se quiser, guarde alguns pedaços de palha para montar o prato, decorando). Tire os grãos das espigas, com uma faca ou utensílio específico, caso tenha. Coloque em seguida todos os grãos debulhados no liquidificador e acrescente o leite. Bata bastante até tudo estar bem processado e homogêneo.

Em seguida, coloque uma peneira sobre uma panela e peneire a mistura, para remover o bagaço do milho. Aperte bem na peneira para extrair o máximo de liquido possível. Leve então esse liquido ao fogo médio e acrescente o açúcar. Comece a mexer com um fouet, sem parar, enquanto o cozimento acontece. Quando levantar fervura, cozinhe por mais 5 minutos. O curau engrossa rapidinho, quando engrossar mexa com fervor, para evitar que empelote ou grude no fundo da panela, se perceber que isso está acontecendo retire do fogo um instante e bata bem com o fouet até ficar cremoso e uniforme, e então volte ao fogo. Após levantar fervura e após os 5 minutos de cozimento, desligue o fogo e acrescente o creme de leite, mexa bem.

Coloque em um refratário ou em potinhos individuais e leve para gelar por pelo menos 1 hora.

Modo de preparo do crumble de canela:

Em uma tigela, misture todos os ingredientes, esfarelando a manteiga com a ponta dos dedos para que ela se una aos demais ingredientes, construindo uma farofa. Manuseie o mínimo que puder, para evitar que a manteiga derreta muito. Após estar tudo misturado, com aspecto de uma farofa grossa e úmida, leve para a geladeira e deixe lá por 30 minutos (isso é importante para garantir a crocância legal do crumble). Enquanto isso, pré-aqueça o forno à 160 graus. Após o descanso coloque a farofa em uma fôrma, espalhando nela toda. Leve para assar por cerca de 10 minutos, ou até estar dourado. Retire do forno e deixe esfriar.

Montagem:

Você pode fazer o brûlée (casquinha de caramelo bem fininha que ficará na superfície do curau) direto nos potinhos em que deixou o curau esfriando ou pode, como eu gosto de fazer, tirar uma colherada bem cheia de curau, pôr em um prato sob uma palha de milho (veja na foto acima) e fazer o brûlée nele. Seja como for, o brûlée se faz assim:

Polvilhe uma fina camada de açúcar sob o curau e queime para virar caramelo – Você pode fazer isso de 2 jeitos: usando um maçarico culinário (mais prático e com resultados melhores), ou usando uma colher de ferro aquecida. Se usar o maçarico é só ir fazendo com ele movimentos circulares até “queimar” o açúcar e deixar ele no tom da imagem acima (sem queimar muito para não ficar amargo, tem que ficar bronzeadinho só, 10 segundos de maçarico em cada um é suficiente). Se for usar uma colher de metal faça da seguinte forma: Esquente ela na chama do seu fogão a gás até que ela esquente bastante (o metal ficará num tom azul e meio escurecido). Após aquecer encoste a colher no açúcar e faça movimentos circulares, até caramelizar toda a superfície. Antes de aquecer a colher novamente lave-a muito bem para não ficar resíduos.

Pronto, o curau está com o brûlée. Sirva com o crumble de canela (quebre em pedaços, eu gosto de deixar bem trituradinho). É realmente bom.

Espero que gostem. Essa é uma receita valiosa pra mim.

Bon appétit.

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Como fazer ovo de páscoa de colher de brigadeiro gourmet. 

Ovo de páscoa tem todo um simbolismo antigo e profundo, é um hábito que muito além de um consumo qualquer pode nos conectar com hábitos culturais e tradições afetivas. E eu particularmente acho que quando você cozinha nessas épocas festivas, você entra em um contato muito mais intenso com as tradições e espírito da coisa. Sempre faço em casa meus ovos de páscoa, é bom, delicioso e me faz muito bem. Essa receita é com o querido brigadeiro – doce amado por todos nós amém. É uma opção super simples de fazer e sempre dá certo. Um dos meus eternos favoritos. Confira receita completa.

A receita é para fazer um ovo de colher desse da foto, tamanho médio (casca de 170g) que recheado chega a pesar cerca de 500g.

Você precisa fazer a casca do ovo e o recheio. Você pode comprar a casca pronta e só fazer o recheio, mas claro que é muito mais legal fazer.

A casca do ovo: Clique aqui e confira a receita onde ensino como fazer a casca do seu ovo de páscoa de colher, com todos detalhes sobre o manuseio adequado do chocolate. 

O recheio: Clique aqui e confira receita de como fazer um brigadeiro gourmet equilibrado e delicioso para rechear seu ovo. 

Após ter os dois feitos, basta rechear o ovo com o brigadeiro. Eu também, como na foto, enrolo alguns brigadeiros para por em cima e enfeitar, igual o da foto. O confeito para finalizar pode ser granulado ou o que quiser. Eu gosto de colocar chocolate raspadadinho. Enfim. Esse é um básico, inove com sua criatividade e seja feliz fazendo.

Como fazer um sensacional pão na chapa paulistano!


São Paulo, lugar intenso de tantos sonhos e também contradições faz amanhã 464 anos. É muito coerente homenagear SP ensinando vocês a fazer um ícone da nossa democrática gastronomia: pão na chapa com pingado – mas não vou te ensinar qualquer pão na chapa, é de um modo intenso, como SP é.

Modo de preparo:

Se puder, coloque fones de ouvido e ouvindo Caetano Veloso vá até alguma padaria de SP, andando por alguma rua paulista que te emocione. Se não morar em SP coloque só Caetano pra tocar, também funciona. Coloque então na frigideira/chapa 1 colher de manteiga e 1 colher bem cheia de azeite de oliva extra virgem. Enquanto a manteiga derrete coloque uma pitada de flor de sal e pense na multidão de pessoas que movem essa cidade e que começam seus dias com um pão na chapa, sonham seus dias enquanto o comem, acordam melhor enquanto o comem, e então vão. Coloque em seguida o pão (francês) e toste, pressionando levemente. Parece simples, e na verdade é. Mas colocar um toque de azeite intensifica o gosto e não é nada simples explicar o quanto é bom. Passe um café. Coloque em uma xícara bonita e então pingue leite. Pause Caetano, escute o barulho da cidade, e coma. Feliz aniversário, São Paulo.

Lebkuchenpläetzchen – Como fazer o biscoito alemão tradicional no natal do sul do Brasil.

Muitos natais da minha infância foram em Santa Catarina, onde minha família paterna mora. A influência da colonização alemã é muito viva lá até hoje e pode ser vista na gastronomia, é o caso desses tradicionais biscoitos de natal. Essa receita deriva do “Lebkuchenpläetzchen”, biscoitos muito antigos, consumidos no natal da Alemanha desde a idade média, são muitíssimos tradicionais da culinária alemã (minha madrasta tem um livro muito antigo alemão com receitas cheias de tradição e marcas afetivas, tem esses lá).  Em Santa Catarina, nessa época do ano,  são vendidos em todo lugar possível. Adoro eles e o gosto de memórias antigas que eles tem. Fazer eles hoje extraiu um carinho e sutileza gigante de dentro de mim, engraçado, mas até meus movimentos na cozinha ficaram mais suaves e delicados quando os fiz. Essa receita, essa delicadeza e esse carinho, compartilho com vocês.  Vai ser meu jeito de dizer feliz natal. 

Ingredientes para a massa:

  • 500g de farinha de trigo
  • 200g de açúcar
  • 80g de manteiga em temperatura ambiente
  • 4 ovos
  • Meia colher de sopa de bicarbonato de amônio
  • 1 colher de sopa de extrato de baunilha
  • Se quiser aromatizar, você pode colocar umas duas pitadas de cardamomo em pó, raspas de limão ou raspas de gengibre, já fiz dos 3 jeitos e fica muito bom. Por ao mesmo tempo cardamomo e gengibre fica muito bom também!
  • Açúcar cristal colorido para decorar

Ingredientes para cobertura:

  • 2 claras
  • 5 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro
  • Gotas de limão siciliano

Modo de preparo:

Comece pela massa: Junte em uma vasilha grande todos os ingredientes da massa, misture tudo o suficiente para obter uma mistura homogênea, sem misturar demais  – sempre que estamos falando de biscoitos que queremos algo de crocante, misturar a massa demais nunca é bom. Deixe a massa descansar uns 5 minutos e então já pode abrir ela – esfarinhe uma superfície e abra a massa com um rolo. A espessura depende do seu gosto, se quiser biscoitos mais grossos e fofos por dentro deixe mais grosso, se quiser mais corcante deixe mais fino. Eu gosto mais corcante e deixo uma espessura de uns 4 milímetros. Após abrir corte com o cortador que quiser, ou até com uma faca em quadradinhos, use a imaginação. Adoro estrelas e corações. Leve para assar  em forno pré-aquecido à 200 graus, em fôrma untada ou fôrma antiaderente ou ainda forrada com papel manteiga. Asse até começar a dourar. Leva em média 12/15 minutos. Retire do forno e reserve para esfriar um pouco. Após assar todos os biscoitos mantenha o forno ligado, abaixe para 180 graus.

Para a cobertura, bata a clara em neve e acrescente o açúcar e as gotas de limão, e continue batendo até ficar firme (porém fica mais mole mesmo, não chega a atingir “pico duro”). Cubra cada biscoito com um pouco da cobertura, espalhe o açúcar cristal colorido para decorar (ou o confeito que quiser) e leve ao forno de volta, deixe o suficiente apenas para endurecer a cobertura, sem deixar dourar muito. Prontinho!

Após esfriar guarde em um lugar fechado para preservar a crocância. Feliz natal!

 

Como fazer tapioca com recheio de queijo e shitake. 

Tapioca – uma das tantas coisas que a sagrada mandioca pode se tornar. O ingrediente mais incrível e representativo do Brasil pra mim é a mandioca. E a tapioca, essa filha querida dela, é marca da minha história. Invento tapiocas desde que eu tinha 8 anos. Ela me lembra outras horas – quando a cozinha, desde cedo, preenchia as tardes vazias da minha vida. Essa da foto é de queijo com shitake, uma das minhas prediletas.

Para fazer,  é só fazer assim: 

Corte shitakes malandramente frescos e os refogue na manteiga. Depois de uns dois minutos acrescente um pouco de molho shoyu. As quantidades de manteiga, shitake e molho shoyu tem que estar em coerência entre si. Coloque o suficiente para os ingredientes se abraçarem com harmonia e ficarem amigos. Depois de refogar tudinho bem gostosinho, devagarzinho, reserve. Coloque sua goma para tapioca na panela, torre o primeiro lado e quando virar, coloque uma fatia de um queijo bonito que você goste (os mais adocicados ficam bons) e em seguida coloque o shitake refogado. Feche e pronto. Coma com verdade, carinho e café, ou um suco, se quiser.

Como fazer brigadeiro de limão siciliano!

Brigadeiro faz parte da nossa história. Um doce brasileiro que ocupa incrivelmente muitas de nossas memórias afetivas. Alguma coisa da sua vida tem brigadeiro no meio, certeza. Lembro de umas férias de quando eu tinha uns 11 anos em que fiz brigadeiro uns 4 dias seguidos para comer enquanto assistia Cavalo de Fogo (aquele desenho que todo mundo lembra pela música: “Que tocou meu coração, quando me disse então que um dia raaaeeeeeee(…)eeeenha eu seriiiiaaa…”, enfim, lembrou?), foi quase um ritual, só dava para assistir comendo brigadeiro. Foi uma overdose muito doce que eu jamais esquecerei. Adoro essa versão com limão siciliano, acho sutilmente refrescante. Vem fazer e ver o que é bom! Pode comer assistindo Cavalo de Fogo se quiser, mas se não quiser não precisa, é um item opcional.

 

Ingredientes:

  • 1 lata de leite condensado
  • 100g chocolate branco picado
  • 1 colher (sopa) de manteiga sem sal (jamais substituir por margarina, peloamordedeus!)
  • Raspas de 1 limão siciliano (sem raspar a parte branca).
  • Suco de ½ limão siciliano.

Modo de preparo:

Coloque em uma panela o leite condensado, o chocolate e a manteiga. Leve ao fogo médio e mexa sem parar para cozinhar o brigadeiro até atingir o ponto – que é quando você conseguir ver o fundo da panela ao passar a colher. Outro jeito de ver o ponto é inclinar a panela e ver se a mistura está soltando da panela, se estiver está pronto. Normalmente o brigadeiro leva uns 13 minutos de cozimento para atingir o ponto, mas isso varia, o negócio é checar o ponto mesmo. Após atingir o ponto desligue o fogo e continue mexendo uns segundos, então acrescente o suco de limão e as raspas, e mexa para misturar. Coloque em um prato e deixe esfriar para depois manusear e fazer as bolinhas, ou comer assim mesmo. Eu gosto de fazer bolinhas (unto a mão com óleo de canola ou manteiga para não grudar) e enrolar no leite em pó, acho que fica ótimo! Mas fica bom também enrolar em chocolate branco picado, granulado, farofa de pistache ou castanha…enfim.

Se divirta fazendo e seja feliz comendo.

Como fazer sorvete natural de banana!

Gosto de servir com castanha triturada por cima e caramelo salgado (outro dia ensino a fazer caramelo salgado 🙂

Melhor receita simples, natural e incrível que você respeita! Daquelas que fazem a gente se perguntar: como um único ingrediente pode virar isso? A banana é um milagre, tem tudo que precisamos dentro dela para obter um sorvete emocionante. Você só precisa de banana e um pouquinho de leite, e se quiser, mel! Só isso pra fazer essa poção mágica. Amo esse sorvete, amo o incrível leque de possibilidades que a natureza nos oferece. Obrigado bananas, obrigado às pessoas que as cultiva e obrigado natureza pelo processo todo de criação.

Ingredientes:

  • Bananas (para uma quantidade que sirva umas 3 pessoas uso umas 6 bananas – prefiro as naninas mais maduras, mas pode ser qualquer uma).
  • Leite – o suficiente para ajudar a bater no liquidificador.
  • Mel ou açúcar – para adoçar

Modo de preparo:

Descasque as bananas e corte em rodelas (não precisa ser muito finas). Forre uma tigela que possa ir ao freezer com papel filme, coloque as bananas dentro e cubra com mais papel filme, tampe a tigela e leve ao freezer – deixe lá até que as bananas congelem, cerca de 3 horas. Depois disso tire as bananas do congelador e coloque no liquidificador, coloque um pouquinho de leite e comece a bater – vá olhando se é necessário por mais leite para ajudar a bater. Não pode ser muito para não ficar com muito gosto de leite. Após ir atingindo uma consistência cremosa acrescente o açúcar ou o mel à gosto (prove para ver se está doce ao seu gosto). É incrível – ao ir batendo a banana vira um creme denso, virando magicamente um sorvete mole. Quando estiver já um creme homogêneo, coloque em uma tigela e leve ao freezer para endurecer. Prontinho! Depois de endurecer é só servir e ser feliz comendo!

Um ponto importante: se atente as quantidades que coloca no liquidificador para bater. Alguns de potência mais baixa podem se sobrecarregar com o processo porque a banana congelada é bem dura. Às vezes para não forçar demais o liquidificador é melhor ir batendo um pouco de banana de cada vez.

Receita de Nhoque de Batata-doce!

Jatica (que em tupi-guarani significa “fruto enterrado”). Batata-doce. Ipome batatas. Ela adocica nosso paladar de uma forma tão gentil, que tem algo de hipnotizante no sabor dela. Nhoque de batata-doce é um dos meus pratos prediletos. Porque batata-doce está nos traços culturais da nossa história, está nos hábitos mais antigos da minha família, é um alimento muito generoso com a nossa saúde e tem um sabor encantador. Que bom ter batata-doce na nossa existência, a vida é um pouco mais feliz com ela. Aprenda a fazer esse nhoque simples e sensacional. Melhor coisa, sério. Vem fazer e adocica sua vida, meu amor. (Abaixo também dou umas dicas de molhos para acompanhar, mas na foto comi ele apenas com azeite de oliva bom, flor de sal, castanha-do-pará e coentro, minha gente, é bom de um jeito que nem dá pra dizer).

Ingredientes:

  • 1kg de batata-doce
  • Aproximadamente 250g de farinha, o que dá 1 xícara e meia (de trigo normal ou de arroz, eu gosto da de arroz)
  • 3 colheres de sopa de polvilho doce
  • 1 ovo
  • Uma pitada de sal

Modo de preparo:

Cozinhe a batata com casca – corte em pedaços menores para não demorar tanto. Mas não em tão menores para não prejudicar o amido, corte ao meio no máximo em três partes cada batata. Cozinhe no vapor ou em uma panela com água. Eu prefiro no vapor. Depois de cozida tire a casca e amasse toda a batata em uma vasilha grande, fazendo um purezinho. Então acrescente o ovo, a pitada de sal e o polvilho, comece a mexer e vá acrescentando a farinha aos poucos, até obter uma massa homogênea (a quantidade total de farinha depende da umidade, acrescente um pouco mais ou um pouco menos se achar necessário). Não coloque muita farinha, o nhoque é uma massa sensível e molinha mesmo. O segredo do bom nhoque é ter muito mais batata que farinha.

Feito isso, esfarinhe uma superfície e pegue um pedaço da massa e faça rolinhos, cilindros, depois vá cortando os pedaços (pedaços de 2cm são o ideal) – lembre-se de sempre que precisar polvilhar farinha para não grudar, a massa é úmida e bem sensível, gruda fácil, conforme for cortando polvilhe farinha nos pedaços e procure não sobrepor um pedaço no outro, para evitar que grude. Feito isso gente, já ta pronta sua massa de nhoque! Agora é só cozinhar: Ferva água, então coloque os pedaços de nhoque na água fervente, quando subirem a superfície é porque já cozinhou – não deixe passar do ponto, subiu já tira da panela e escorra, é uma massa fresca sensível! Se passar fica molengo demais! Escorra e sirva com o molho de sua preferência!

Seja feliz nesse sabor incrível que o nhoque de batata-doce tem! Seguem abaixo algumas sugestões de molho para acompanhar (clique no link para acessar a receita):

Receita de molho de tomate rústico

Receita de molho de manteiga e sálvia

Molho de cogumelos com vinho branco

Molho de laranja e vinho branco

Molho de laranja e tomilho

Clicando aqui você também confere a receita do tradicional nhoque italiano! Que já ensinei por aqui também! 

Carne de porco, abóbora assada com casca e farofa de semente de abóbora.

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Carne de porco temperada com respeito ao singular do ingrediente, para uma experiência de sabor coerente e gentil. Para acompanhar, abóbora assada com farofa de semente da mesma abóbora – o integral do ingrediente sendo observado, usado e apreciado, para a construção de uma refeição com gratidão e respeito à oferta total da natureza. Reeducar nosso olhar diante dos ingredientes e inaugurar novas formas de construir uma refeição – cozinhar pressupõe reinventar, explorar o natural e transformá-lo com amplitude. A gratidão ao que o mundo nos oferece se manifesta no modo como exploramos a natureza ofertada. A gratidão é a via mais linda do amor. Confira receita completa do prato abaixo – ao fazê-la, espero que a gratidão seja parte de sua refeição. Faça mais que o comum automático. Perceba seu ato com o alimento e olhe seu total.

Como fazer a carne de porco:

Clique aqui e veja um bom tempero para carne de porco – que respeita o animal, a origem, o seu natural e cria experiência sensorial plena. 

Como fazer a farofa de semente de abóbora:

Ingredientes:

  • Sementes de abóbora
  • Farinha de mandioca ou farinha de milho
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 1 dente de alho triturado
  • 1 colher de sopa de cebola picada em pedaços bem pequenos
  • Sal e pimenta rosa ou pimenta-do-reino à gosto
  • Coentro à gosto

Modo de preparo:

Lave bem as sementes de abóbora, deixe de molho na água por cerca de 20 minutos e depois retire e seque-as bem com um papel toalha. Então doure as sementes: Leve-as para uma frigideira quente, acrescente um pouquinho de sal e deixe dourar – vá mexendo. Quando estiver começando a ter cor dourada acrescente a manteiga, a cebola e o alho. Quando a manteiga derreter por completo adicione a farinha, ainda com 0 fogo ligado, para tostar um pouco a farinha – vá colocando farinha aos poucos, o suficiente para atingir o ponto de umidade desejado de sua farofa. Cuidado para não queimar! Mexa sempre. Pronto. Acrescente após desligar o fogo o coentro, se for usar.

Como fazer as abóboras assadas:

Pegue a abóbora da qual você extraiu as sementes e lave bem. Não tire a casca. Corte em pedaços de acordo com o seu gosto (veja na imagem os tamanhos que eu deixei). Coloque em uma forma, acrescente azeite de oliva e sal – apenas – e leve para assar em forno pré-aquecido à 200 graus por cerca de 20 minutos – depende da potência do forno, vá checando o ponto dela até atingir o desejado. Pronto.

Sirva a carne de porco temperada com respeito, com abóbora assada com casca e com a farofa de sementes da mesma abóbora. Que a gratidão à natureza seja parte. Boa refeição.

Receita de Cuca Alemã de Banana!

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Cuca – palavra que fluiu da palavra alemã “kuchen”, que significa bolo. A cuca é um prato de origem alemã muito consumido no sul do Brasil. É uma espécie de bolo-pão, com uma farofa crocante por cima. Deliciosa, é uma herança cultural da colonização do sul do país, fazendo jus a gastronomia brasileira que dança entre tantas culturas e influências de todo o mundo. Eu adoro uma Cuca, é um prato aconchegante que abraça a gente. Confira receita completa abaixo! Fácil de fazer e difícil de errar – E o legal é fazer um prato tendo noção de que história ele conta e o que ele representa do lugar que vivemos e do espaço que hoje ocupamos. Agora que sabe um pouco vem tentar fazer, com maior consciência do que suas mãos irão produzir.

Ingredientes para a massa:

  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 xícara de leite
  • 1 ovo
  • 8 colheres (não muito cheias) de sopa de açúcar
  • 2 colheres de sopa de fermento biológico instantâneo
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 8 bananas-prata cortadas em fatias
  • Caldo de meio limão taiti
  • 1 pitada de sal
  • 1 pitada de canela

Ingredientes da farofa:

  • 5 colheres de sopa de açúcar
  • 6 colheres de sopa de farinha de trigo
  • Cerca de 3 colheres de sopa de manteiga
  • Canela em pó

Modo de preparo – primeiro a massa:

Antes de começar já deixe uma forma (média) untada, então inicie: Misture o açúcar, o ovo, a manteiga e o sal, batendo com um fouet (ou garfo) até incorporar bem. Acrescente a farinha de trigo, o leite e o fermento, mexendo bem até dissolver tudo. Coloque na forma. Então corte as bananas em rodelas, coloque em uma vasilha, acrescente o caldo do meio limão e a pitada de canela em pó, misture um pouquinho só e coloque as bananas sobre a massa na forma. Reserve enquanto faz a farofa. E já pré-aqueça seu forno à 200 graus.

Modo de preparo – a farofa: É só misturar todos os ingredientes com a mãos até formar uma farofa, se ficar muito seca pode colocar um pouco mais de manteiga, se ficar muito molhada um pouco mais de farinha, tem que atingir uma consistência mais seca para ficar crocante ao assar.

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Coloque então a farofa na forma por cima das bananas. Deixe a massa crescer por 20 minutos e depois leve ao forno por 40 à 45 minutos – até ficar douradinha assim ó:

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Protinho! Bon appétit, tchê!

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