Cinema e Gastronomia – A Festa de Babette – Uma história de amor com a gastronomia e com a vida.

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A Festa de Babette (1987) é uma história de amor com a gastronomia, com a arte e com a própria poesia da vida. Um filme mais que recomendado para os amantes da gastronomia, em uma história onde a arte de cozinhar faz parte da alma da personagem principal, que resgata seu entusiasmo diante da vida preparando um jantar tradicional francês impecável. Após conturbado caminho na vida, através desse jantar Babette sente-se viva novamente. O que para muitos é apenas “fazer comida”, para outros é uma forma de significar a vida.

O filme conta a história de Babette, um francesa que em 1871 foge da França durante uma repressão à Comuna de Paris. Encontra refugio em um vilarejo da Noruega, onde começa a trabalhar como empregada na casa de duas irmãs solteiras, religiosas e caridosas. Esse vilarejo tem um clima tradicional, religioso e fechado, onde seus moradores experimentam poucos prazeres, e seguem tradições que com os anos foram perdendo o sentido para eles. Em meio a desentendimentos e desavenças entre os moradores dos vilarejos, o clima estava cada vez ficando mais tenso e sem harmonia, com vidas vazias de sentido. Eis então que Babette, que mantinha o habito de apostar na loteria francesa, acabou por ser premiada, e decide usar todo o dinheiro que ganhou para resgatar do fundo de sua alma uma antiga paixão que deixou na França quando fugiu de lá: o amor pela gastronomia. Ela gasta toda a fortuna preparando um tradicional jantar francês, e o oferece para todos os moradores da vila. A magia se encontra no efeito que os moradores sentem ao provar a arte de Babette, experimentando um prazer novo e totalmente diferente do que haviam experimentado até então.

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Através de um jantar, feito com arte, cultura e tradição gastronômica, Babette foi capaz de despertar novos horizontes e olhares nos moradores da vila (assim como nela própria), os fazendo questionar algumas coisas e encontrar novamente algum encanto na vida. Acho uma ilustração linda do que a arte – a gastronomia – é capaz de fazer pela vida de alguém. Os amantes de cozinhar, que encontram amor nesse ato, sabem bem o que isso quer dizer. Filme inspirador que vale muito a pena!

Assistam o filme completo clicando abaixo (Link youtube):

Des Deux Moulins – O Café da Amélie Poulain e um passeio por Montmartre (Paris).

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Fachada do Des Deux Moulins

Parada obrigatória em Paris para quem, assim como eu, ama o filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain), pois trata-se justamente do café em que Amélie trabalha no filme:  Des Deux Moulins (Sim, ele existe!). Para quem se encantou com a poesia desse filme (que ficou bem famoso mundo a fora) é uma experiência que agita o coração entrar no lugar e conseguir identificar todo o cenário daquela história carregada de poesia e detalhes “doces”. Eu adoro o filme e toda a “poesia do simples” que ele evoca, e estar lá foi sensacional. É um lugar indispensável de visitar para aqueles que sabem “que até mesmo as alcachofras tem coração…”

O Café fica bem perto de dois moinhos: O Famoso Moulin Rouge e o Moulin de la Galette, daí o nome: Des Deux Moulins (Os dois moinhos). É um lugar na maioria das vezes cheio, pois é bem famoso e muitos turistas de todo canto se espremem nas pequenas mesas do café. Mas o lugar, além de todo o encanto que traz do filme, é agradável e fofo, os garçons são gentis (e lindos, diga-se de passagem), fui atendido por um que falava português (sorrindo, vejam vocês), o que facilitou o pedido.

Interior do Café, onde se pode ver Amélie sorrindo ali atrás...

Interior do Café.

Há objetos usados no filme que ficam expostos no café. Quanto ao cardápio, eu fui direto em um “combo” que é um café (ou um chocolate quente) que acompanha o famoso Crème Brûlée, pois eu jamais poderia perder a experiência de quebrar a casquinha dessa linda e simbólica sobremesa e sentir a felicidade discreta que tal ato produz. E isso tudo custou cerca de 14 euros (preços em 2017). O preço lá não é muito barato, mas com 14 euros você já sente a magia da Amélie, e tá bom).

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Não comi outras coisas, mas dizem que há lugares melhores ali por perto mesmo em Montmartre, onde se pode experimentar melhores e tradicionais pratos franceses. Mas o que me interessava lá era Amélie, a magia conectada à essa obra e o Crème Brûlée, e foi isso que fiz, e saí bem feliz! AH, perto do banheiro há uma mini exposição (na verdade, um balcão) com objetos originais usados no filme, veja e chore de emoção, que nem eu!

Endereço: 15 Rue Lepic, 75018 Paris, França – Site: http://cafedesdeuxmoulins.fr/pt

Dicas: Aproveite para visitar outros endereços ilustres que também ficam em Montmartre, nas redondezas do café da Amélie: A Basílica de Sacré Coeur (também cenário do filme) é linda e gigante, o gramado nos entornos das escadarias são perfeitos para sentar, comer algo e ver a vista linda de Paris (fica numa região alta então a vista é emocionante). Dica: Cuidado com os vendedores ambulantes, eles podem ser meio agressivos, digo, insistentes, colocam as pulseirinhas no seu braço como se fossem presentes e daí cobram, então a dica é: se não estiver afim de comprar, feche a cara um pouco e siga dizendo um “merci” sem parar para dar atenção. O Moulin Rouge também está ali pertinho, a noite ele é muito mais lindo que de dia (com as luzes vermelhas deslumbrantes). Por ali você também pode ver a fachada da casa onde morou o pintor Vicent Van Gogh, fica bem perto do Moulin Rouge. A Place Du Tertre fica quase ao lado da Basílica, uma praça famosa pelos artistas pintando a céu aberto e restaurantes fofos ao redor, e lá também é um ótimo endereço para comprar aqueles famosos pôsteres da Belle Époque de Paris! Olhem só:

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A Place Du Tertre – Com seus charmosos restaurantes e artistas pintando à céu aberto.

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A incrível Basílica de Sacré Coeur, também bastante presente nos cenários do filme.

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o Simbólico Moulin Rouge! Fica bem pertinho do Café.

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A fachada da casa onde morou o famoso artista Vincent Van Gogh, 54 Rue Lepic.

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Uma charmosa rua perto da Basílica de Sacré Coeur, onde se pode encontrar os famosos posteres da Belle Époque e uma série de artigos para lembrancinhas.

Montmartre é um bairro lindo e cheio de história, todos os movimentos artísticos históricos que tiveram Paris como palco ocuparam muito esse bairro, então a marca artística e boêmia da região perdura até hoje. Aproveite!

Cinema e Gastronomia. Filme Chocolate – a história das possibilidades de sabores disponíveis na vida.

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Quando se fala da faceta emocional que a culinária tem podemos encontrar no cinema diversas referências que mostram uma conexão subjetiva com o ato de alimentar-se. Comer é simbólico, é um evento cultural que pode sempre movimentar algo de emoção na gente. É por isso que agora o “Quando a cozinha é um Divã” terá uma categoria todinha dedicada ao cinema e suas obras relacionadas à gastronomia! Porque às vezes o cinema pode ser tão divã quanto sua cozinha! Vamos então estrear essa categoria linda falando de um clássico lindo:

Em muitos momentos se soube o que é emoção verdadeira dando a primeira mordida na barra de chocolate, não é a toa que o nome dessa obra, que fala de gastronomia e vida afetiva, é “Chocolate”. O filme (título original: Chocolat, Imagem Filmes, 2000) mostra de forma sensível e envolvente esse movimento afetivo que comer pode despertar. Mesmo considerando a licença poética do filme e toda ficção, a magia sugerida na obra não é ilusória. Os amantes da cozinha sabem que sentimentos tais como experimentados no filme de alguma forma são reais, pois existe sim algo de inusitado e tocante nessa arte. E o mais belo está em ver na ficção e poesia um encontro com a realidade que nos é possível experimentar quando algo nos é significativo.

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O filme mostra um tom de liberdade gradualmente alcançado pelos moradores de uma pequena cidade francesa, que ao se renderem à uma nova possibilidade de sabor se rendem simultaneamente à uma nova possibilidade de experimentarem suas vidas. Na história uma misteriosa confeiteira e sua filha tentam se adaptar ao seu novo lar, uma pequena cidade (fictícia) na França, chamada Lansquenet-sous-Tannes. Inauguram na cidade a irresistível chocolateria Maya, que gradualmente vai seduzindo os moradores do local. Em meio à temas relacionados a superação de padrões não significativos aos seus praticantes, fala-se da possibilidade de experimentação de novos horizontes e de um tom livre de sentir o sabor da vida. O filme é lindo, envolvente, gostoso de ver e tem um charme delicado e encantador! Sem contar que Juliette Binoche e Johnny Depp estão maravilhosos juntos! Super recomendado! Tenha um recipiente de chocolates do lado e enjoy it!

Assista o trailer: