Ostara, Easter, Páscoa – Porque coelhos e ovos de chocolate? Confira origem da tradição e ainda seleção de nossas 7 melhores receitas com chocolate para sua Páscoa!

Ostara

Imagem: Site Santuário Lunar

Ostara, Easter, Páscoa. O termo “Páscoa”, vem de “Ostara”, deusa escandinava da primavera – estação do ano que no hemisfério norte se inicia próxima à celebração da Páscoa. Antes mesmo do cristianismo, o dia de Ostara era a celebração do primeiro dia de primavera, do fim do inverno e retorno do sol, do florescimento e renascimento da natureza – o cristianismo uniu essa simbologia de “renascimento da natureza” a ressurreição de Jesus, fato hoje que universalmente simboliza a páscoa. Na antiguidade, o povo anglo-saxão pintava ovos e os oferecia a Ostara, sendo que o ovo sempre simbolizou vida, nascimento, assim como o coelho também era relacionado a Ostara, simbolizando fertilidade e fecundidade na natureza. Daí vem a origem dos ovos e do coelho da páscoa, que eram muito antes os “ovos e coelhos de Ostara”. A criatividade humana tornou os ovos de Ostara em ovos de chocolate, criando uma intima relação desse ingrediente com toda a simbologia que envolve a Páscoa, os ovos, o coelho, a primavera e o renascimento. Por isso Páscoa tem tom de chocolate (do qual os ovos de Ostara deliciosamente acabaram sendo feitos) – a gastronomia tem sempre símbolos e marcas que contam a história da humanidade. Isso é sempre emocionante.

20150611_145444

Para celebrar toda a simbologia da Páscoa com, claro, chocolate, fiz uma seleção de nossas melhores receitas que envolvem chocolate! Chocolate também é renascimento, é símbolo, e é maravilhoso… Veja abaixo seleção com todo amor do mundo:

Para acessar as receitas basta clicar no link!

Receita de Ovo de Páscoa de Colher sabor Oreo

Receita da tradicional Mousse de Chocolate Francesa

Bolo Lava de Chocolate (Moelleux au Chocolat)

Receita de Brigadeiro Gourmet

Receita de Cookies Double Chocolate

Torta Mousse de Chocolate

Receita do original Ganache de Chocolate

Ostara winter

Ostara – Lavando o adormecimento da terra durante o inverno e trazendo o florescimento e renascimento da natureza.

Anúncios

Fazenda produz apenas alimentos orgânicos e contrata somente moradores de rua – atuação em simultâneas feridas sociais.

fazenda-organicos-moradores-de-rua

A fazenda de produção de alimentos orgânicos contrata apenas moradores de rua – destaque as cenouras visivelmente orgânicas, com formas diversas, não padronizadas, naturais, como o mundo as oferece – lindas. Foto: Reprodução.

Produção orgânica de alimentos já é por si só um serviço social se considerarmos que isso transforma a qualidade do que as pessoas comem. Incrível ver isso aliado à outras problemáticas sociais. A Verde Community Farm & Market, que produz apenas alimentos orgânicos, contrata apenas moradores de rua, gerando uma chance de lugar social à pessoas sem oportunidades – fazendo isso ela atua simultaneamente em várias feridas sociais. Um trabalho incrível, lúcido e inteligente.

A fazenda fica em Miami, nasceu em 2008 e já ajudou mais de 10 mil pessoas. Hoje é a fonte de sustento de mais de 145 famílias. A instituição oferece um suporte completo aos funcionários contratados, que inclui moradia – acolhem toda a realidade do morador de rua. O trabalho é amplo e bem pensado, eles destinam os investimentos à treinamentos que tornam os funcionários aptos a lidar com a produção de alimentos orgânicos, também direcionam os investimentos à infraestrutura da fazenda.

A fazenda fornece para população e restaurantes locais, e está aberta a visitação de qualquer pessoa. A produção orgânica de alimentos é uma das ações mais importantes e urgentes de nosso tempo. Além de gerar a possibilidade mais limpa e saudável de alimentação, é um retorno ao contato real com a natureza, uma saída das nossas idealizações patológicas e dificuldades de lidar com os ciclos naturais. Esse tipo de produção também está conectada à possibilidades econômicas mais justas – pequenos produtores locais poderiam fornecer de forma acessível alimentos de qualidade as suas localidades, o que ainda por cima movimentaria interessantes possibilidades econômicas regionais, que viriam a ser a saída de muitas famílias para produzir sustento, e proporcionaria ao mesmo tempo menos consumo de comida industrializada ou alterada quimicamente – ganhos de muitos lados.

Ao escolhermos alimentos orgânicos, de pequenos produtores, realizamos um ato social. O que escolhemos comprar gera a dinâmica do que continuará sendo ofertado. Nossas escolhas, a longo prazo, irão reverter o que é barato, o que é caro, o que os mercados oferecem em suas prateleiras, e qual tipo de comida será acessível e possível as pessoas. Um grande tema, com tantos caminhos para amdurecer e construir. Já tem muita gente fazendo um trabalho com esse olhar, e a Verde Community Farm & Market é um exemplo bem legal disso.

Conheça mais sobre o projeto clicando aqui – Verde Community Farm & Market

Fonte: Catraca Livre

10 de Maio – Dia do Cozinheiro.

13077032_1772865286279421_7062298417610548898_n

10 de maio – dia do cozinheiro. Cozinhar foi uma saída. Uma forma de encontrar uma reconciliação comigo mesmo, com o mundo natural, com minha cultura, educação, lembranças e histórias. Eu transformo ingredientes com minha alma e emoção desde que eu tinha 8 anos, e hoje, depois de tantos anos, cozinhar transformou minha vida – cozinhando eu me vejo com autenticidade. Cozinhar é um ato revolucionário na minha história. Eu sou muito grato por cozinhar, por me relacionar com a natureza, por conciliar e viver outras paixões na cozinha – na minha cozinha cabe um divã porque ela, assim como o divã, nos proporciona encontrar discursos “esquecidos”, adormecidos, mas que trazem significado ao que somos e nos reconecta a natureza que pertencemos. Eu sou – dentre tanta coisa que sou – cozinheiro, com minha alma e história. Com amor. Gratidão. 

13177306_1772852322947384_4207914503969259153_n

Na imagem, a mistura ainda não é recheio de quiche – ainda são elementos isolados buscando a forma de algo novo através da união de suas composições. Transformamos a natureza ao trabalhar ingredientes, cozinhar é uma obra, artesanal, delicada e intensa, que transmite no resultado final a alma do cozinheiro, seu momento emocional e criação – porque ele cozinha com suas mãos, lembranças e história. Cozinhar é relacionar-se intimamente com o mundo natural, com as culturas, com nossa essência. Cozinhar evoca, cativa. Gratidão por abraçar a natureza cozinhando, gratidão por ser cozinheiro. Parabéns, cozinheiros e cozinheiras – transformadores que transformam ingredientes e ao mesmo tempo são transformados por eles.

Cinema e Gastronomia – Filme “Toast: A História de uma criança com fome”.

merengue-de-limc3a3o

“É impossível não amar alguém que fez torradas para você”. Cozinhar é uma forma de entregar amor – nunca isso foi tão evidente em um filme. A comovente história de um cozinheiro contada a partir da perspectiva de sua infância, mostrando como cozinhar está conectado com suas possibilidades de oferecer amor e sentir-se amado. O filme traz encantos para os amantes da gastronomia, com a sensível e poética percepção de Nigel (personagem principal) das receitas, desvendando ingredientes e construindo talentosas produções culinárias. Mas o ápice do filme é sua emocionante história, sua busca de um lugar de amor no mundo, onde em meio a tantas tragédias ele transforma o ato de cozinhar em um sentido existencial lindo.

Toast3

O filme gira em torno da história de Nigel, um garoto britânico que sempre quis explorar a culinária, porém não encontrava muito essa possibilidade pelos hábitos alimentares de sua família – sua mãe não tinha talento algum para cozinhar, e basicamente viviam a base de produtos industrializados. Após a morte da mãe, Nigel começa a aventurar-se mais a fundo no mundo da culinária, ao mesmo tempo que seu pai contrata uma nova faxineira, que viria a se tornar sua madrasta, e que de alguma forma iria modificar sua vida – ela é uma cozinheira extremamente talentosa e inicia uma disputa com Nigel pela atenção do pai, ambos tentando conquistá-lo cozinhando coisas boas – a busca do amor através da cozinha. Uma história comovente onde Nigel constrói através da culinária uma identidade pessoal e profissional, escrevendo sua própria história em meio a receitas, ingredientes e afetos. Tudo que a gente ama tem nesse filme.

O filme está disponível na Netflix! Corre lá e assista!

MV5BMTQxMDQyMDQ0N15BMl5BanBnXkFtZTcwMzE4Njg3Ng@@._V1__SX640_SY720_

Confira trailer clicando aqui!

Cinema e Gastronomia – Filme “A 100 Passos de um Sonho”.

 

a-100-passos-de-um-sonho

A 100 passos de um Sonho é um dos melhores filmes que vi esse ano sobre gastronomia, arte, cultura e afeto. O filme fala do encontro entre a cultura gastronômica indiana e a francesa, mostrando a possibilidade de culturas diferentes coexistirem e juntas criarem elementos novos – e lindos. Podemos estender a ideia que o filme traz para diversas questões sobre preconceitos e exclusão que tanto nos limitem e nos impedem de aprender com o diferente de nós. Me identifico muito com o filme, principalmente quando lembro dos tantos toques que já dei em receitas clássicas francesas com especiarias do nordeste – nossa origem e nossa alma estando no prato o torno autentico. O filme fala de gastronomia, amor, autenticidade, respeito.

02_2-jpg

O filme narra um história ocorrida no sul da França, onde Madame Mallory (Helen Mirren) é uma respeitada e autoritária dona de um restaurante estrelado no famoso guia Michelin que está cada vez mais preocupada com um estabelecimento indiano, concorrente, que abriu do outro lado da rua do seu famoso restaurante. Ela trava uma verdadeira guerra contra o vizinho, mas aos poucos conhece o filho do seu adversário, Hassan Kadam (Manish Dayal), um garoto com autêntico talento para a culinária. Os dois tornam-se amigos, e Mallory passa a guiá-lo pelos conhecimentos da refinada gastronomia francesa, sem abandonar a tradição indiana, encorajando-o a alçar voos muito mais altos. Uma história de encontro autêntico, aprendizado e amor promovido pela gastronomia.

A delicadeza do filme nos inspira. O permitir-se permear por uma cultura e costumes diferentes do nosso é algo extremamente difícil, porém a abertura ao novo, ao estranho à nós nos proporciona um crescimento sem igual. O filme lindamente mostra isso, ilustrado através do ato de cozinhar está indicado uma conduta existencial aberta as mais belas possibilidades. O filme proporciona uma lição de ética, cidadania, respeito e humanidade. Também nos faz observar apaixonadamente a dança de sentidos de o ato de cozinhar proporcionar. Uma linda obra que vale muito a pena ser vista!

Título original: The Hundred-foot Journey, Ano: 2014.

Clique aqui e confira o trailer!

No site Filmes Online Grátis você encontra o filme para assistir online! Clique aqui e vá para lá.

 

O que é e de onde vem o Crème Brûleé? Comida e história!

20141018_191926

Crème Brûleé para os franceses, Crema Catalana para os espanhóis ou Leite-creme para os portugueses. Com qualquer nome ou em qualquer lugar do mundo, é minha sobremesa preferida. A primeira referência história sobre essa sobremesa foi encontrada no livro Nouveau cuisinier royal et bourgeois, do francês François Massialot, publicado em 1691. Brulée é um termo francês usado para referir-se a pessoa de alto poder aquisitivo e esnobe, a expressão foi extraída do nome da sobremesa Crème Brûlée, por ela, na França, ser uma sobremesa elitizada – a diferentona, classuda, para poucos, glamurosa, 99% não comem, aquele 1% são os poderosos.

12342651_1715789268653690_721021163702587393_n

No filme mais lindo do mundo, O Fabuloso Destino de Amélie Poulin, de Jean-Pierre Jeunet, Amélie mostra que o ato de quebrar com a colher a casquinha do créme Brûlée é um de seus maiores prazeres! E claro que é o meu também! A gente é muito igual #risos.

A origem da sobremesa é controversa e suspeita: franceses, espanhóis e ingleses disputam sua origem. Na Grã-Bretanha, existe uma referência, de 1879, ao Trinity Cream ou Cambridge burnt cream. No Trinity College, Cambridge, o símbolo da universidade era marcado, com um ferro quente, sobre o açúcar da cobertura. Mas os franceses, como dissemos, tem registros anteriores a esse, então por hora a honra é deles. E fala sério, Crème Brûleé é a cara da França!

Ovos, leite, baunilha e açúcar – basicamente ele é feito disso. Há vários modos de fazer a casquinha linda e marcante de cima, o maçarico é a forma mais comum hoje, mas alguns lugares colocam bebida alcoólica por cima e botam fogo, para uma caramelização meio com cara de espetáculo (tipo pra dizer UOW!). E também tem o modo mais antigo, de fazer a casquinha com ferro quente.

Adoro história de qualquer alimento, há traços em tudo que comemos que contam algo do mundo. Comida é assim… Agora se você ficou com vontade clique aqui e veja como fazer creme brulee! Eu ensino, e você nem precisa ter maçarico culinário! Vem que tem gente!

20141018_192101

Cinema e Gastronomia – Documentário “Chef’s Table” (Netflix)

17481620554_1570f42f25_o

Assistir a relação intensa de amor entre o homem e a gastronomia é algo emocionante. É mais que encantador ver uma história de sentido existencial traçada através das possibilidades criativas da arte gastronômica. Esse documentário americano produzido pela Netflix traz a história da vida e obra de 6 dos mais renomados chefs da atualidade. O modo como a série mostra a trajetória e características do trabalho dos chefs é comovente, nos envolve e nos convida a experimentar o sabor da alma das pessoas que vivem de gastronomia. Imperdível!

A série, criada por David Gelb, conta a história de 6 renomados chefs, de sua trajetória profissional e da identidade de seu trabalho, ilustrando de um modo lindo como a comida que alguém produz é uma foto da alma do cozinheiro. A série está dividida em 6 episódios, cada um dedicado a um dos chefs, confira quem são eles:

Episódio 1) Massimo Bottura, chef do Osteria Francescana (Modena, Itália). A incrível identidade e desafio de um chef que casa a tradicional e intocável culinária italiana com técnicas modernas, levando o Osteria Francescana ao posto de um dos mais famosos restaurantes do mundo.

Massimo Bottura

Massimo Bottura

Episódio 2) Dan Barber, chef do Blue Hill Restaurant (Stone Barns e New York City, EUA). Chef renomado, agricultor revolucionário que trava uma batalha para inaugurar novos modos de lidar com a comida.

wastED-kitchen_Dan-Barbe-Daniel-Krieger-Photographer

Dan Barber

Episódio 3) Francis Mallmann, chef do El Restaurante Patagonia Sur (Buenos Aires, Argentina). Contato com o universo através do ato de cozinhar – das ilhas remotas da Patagônia aos melhores restaurantes franceses, um chef aventureiro que traça na gastronomia sua identidade e estilo de vida.

Francis Mallmann

Francis Mallmann

Episódio 4) Niki Nakayama, chef do N/Naka Restaurant (Los Angeles, CA, EUA). A história da sensível e guerreira chef, repleta de desafios e encontros com a criatividade marcante que a culinária pode oferecer, uma possibilidade linda da culinária tradicional japonesa.

Niki Nakayama

Niki Nakayama

Episódio 5) Ben Shewry, chef do Attica Restaurant (Melbourne, Austrália). Um chef conectado com a natureza e a invenção de novos sabores, ousadia e inovação construindo identidade culinária.

Ben Shewry

Ben Shewry

Episódio 6) Magnus Nilsson, chef do Fäviken (Järpen, Suécia). O mais sensacional do trabalho desse chef é sua localização geográfica, e sua dificuldade com a escassez de recursos naturais, e como mesmo com tudo isso ele consegue fazer um trabalho com muita identidade, extremamente único e encantador.

Magnus Nilsson

Magnus Nilsson

Vale super a pena assistir a série! Um encontro legítimo com aquilo de afetivo, criativo e sensacional que a gastronomia pode escrever na história de alguém! De arrepiar! Confira o trailer:

Julia Child: O mito que ensina sobre a possibilidade de inauguração existencial na arte de cozinhar.

womenwhochangedamerica-julia-child-1-e1314308541647

Julia Carolyn McWilliams  – A Julia Child –  para quem entende as inaugurações e ousadias que cozinhar é capaz de produzir em nossas vidas, falar de Julia é encontrar em uma história todo o amor e autenticidade que a cozinha produz e exala. O entusiasmo de uma mulher que decide não mais apenas comer, mas sim criar suas próprias experiências sensoriais na cozinha, revela o quão transformador a arte de cozinhar pode ser em uma história. Julia ousou desvendar a cozinha francesa, e através disso transformou não apenas sua vida, mas toda história da cozinha americana, inaugurando novas perspectivas culturais sobre o ato de cozinhar e comer. Julia, somada a outros artistas que tanto admiro (como Paola Carosella e Raíza Costa) foi enorme inspiração para que eu iniciasse um intenso mergulho em mim mesmo através da gastronomia, assim como foi essa mesma inspiração para milhares de pessoas.

Julia nasceu em 15 de agosto de 1912, na Califórnia (EUA). Sua história com a culinária começou após seus 30 anos, antes disso fez diversas coisas, já foi esportista (praticou tênis, basquete e até golf), trabalhou como redatora, e também trabalhou durante a segunda guerra mundial na OSS (Escritório de Serviços Estratégicos), foi onde conheceu Paul Cushing, militar que também trabalhava na OSS, com quem viria a se casar em 1946.

julia101

Julia iniciou seu interesse por culinária quando mudou-se para França para acompanhar o marido. É encantador como a sensibilidade, a arte e o charme da cozinha francesa toca o sentido existencial dessa mulher, que decide compreender mais da cozinha, mais de si mesma, mais de um prazer que lhe renderia muito mais do que uma simples ocupação do tempo. Julia se matriculou na lendária Le Cordon Bleu de Paris, estudou, enfrentou desafios para lidar com preconceitos (mulher na alta gastronomia era – talvez ainda seja – um desafio grande). Começou então a entrar cada vez mais no mundo da gastronomia, até se envolver em um projeto com outras duas cozinheiras (Simone Beck e Luisette Bertholle), que juntas escreveram um livro de culinária francesa para americanos (O famoso “Mastering The Art of French Cooking”). A partir daí Julia iria aos poucos intrigar e encantar muitas cozinheiras americanas, as convidando a algo novo, tornando o que parecia ser algo tão distante muito acessível. Julia virou uma grande referência, virou apresentadora de televisão, com seu jeito irreverente, espontâneo e autêntico encantava a todos, mostrando o quão cozinhar poderia ser simples, grandioso, divertido e mágico. Seu famoso “Bon appétit” com o qual finalizava todos seus programas – dizendo de um jeito tão entusiasmado que faz a gente até rir ouvindo – é uma de suas maiores marcas.

Um dos mais famosos legados de Julia - "Mastering the Arte of French Cooking".

Um dos mais famosos legados de Julia – “Mastering the Arte of French Cooking” – Edição atual com 2 volumes. 

Conhecer Julia através do filme Julie & Julia (Clique aqui e confira artigo sobre o filme) ajudou a nascer um incomodo em mim, um incomodo que me dizia: “Ei, ta faltando você fazer alguma coisa que você sabe que quer fazer, não acha?”. Foi então que comecei a cozinhar mais, cozinhar todos os dias, encontrar (talvez reencontrar) a delicadeza, poesia e sensibilidade que meus dias estavam gritando por. Cozinhar preenche coisas importantes em mim, coisas que preciso. A história de Julia me ajudou a mergulhar mais na cozinha e nas minhas emoções, e isso somado a outras coisas me ajudou a parir o blog. Julia foi a porta para o encontro com uma possibilidade já habitante em mim à tempos, e que eu precisava desenvolver mais. Ela me faz ver o divã que vejo na minha cozinha e deitar nele, para encontrar a mim mesmo e construir as inaugurações existenciais que acredito que a cozinha é capaz de proporcionar.

julia-child (1)

Bon appétit!

Cinema e Gastronomia – Julie & Julia – Sobre o efeito transformador existencial da culinária, sobre o amor.

Julie-e-Julia-sonypictures.-com.-br

Julie & Julia (Columbia Pictures, USA, 2009) – Como destacar o que mais me emociona nessa obra? Na verdade a coisa mais especial que esse filme me traz é uma espécie de iluminação, uma adição de cores que a vida pode ganhar quando nos envolvemos com algo que ressoa em nosso coração. No filme, cozinhar se mostra como um caminho que reaproxima a personagem principal dela mesma, é como encontrar um modo de se desafogar de uma vida cheia e ao mesmo tempo com alguns vazios insistentes – a aventura da arte de cozinhar preenche. Me identifico bastante com todos esses aspectos transformadores que uma prática significativa pode trazer para a vida de alguém. Cozinhar, brincar nessa arte de múltiplas experiências sensoriais é um modo de elaborar afetos, de saborear outras perspectivas da própria vida.

O filme conta a história de 2 mulheres envolvidas pelo amor que a culinária desperta em suas vidas. Encontramos a história da famosa (linda e lendária!) chef americana Julia Child nos primeiros anos de sua carreira culinária (Clique aqui e confira artigo sobre a cozinheira americana Julia Child), e da nova-iorquina Julie Powell, que em meio a uma época de questionamentos existenciais decide entregar-se ao mundo da culinária, dando-se então o desafio de cozinhar todas as 524 receitas do famoso livro de receitas de Child em 365 dias, um desafio que ela descreveu em seu blog popular que faria dela uma autora publicada. A história dessas duas mulheres, de épocas diferentes mas de sentimentos similares, é contada simultaneamente, contrastando o universo das duas e nos encantando a cada receita. É possível sentir o sabor desse filme e respirar o ar da França – em toda a magia e delicadeza da cozinha francesa que o filme traz.

julie_e_julia_2009_g

A obra é inspirada nas publicações dessas duas mulheres (A autobiografia de Julia Child – “My life in France“, seu lendário livro de receitas “Mastering The Art of French Cooking”, e o livro que deu origem direta ao filme, “Julie & Julia”, da encantadora Julie Powell).

O filme está disponível no “Netflix”, no aplicativo para assistir filmes online “Popcorn Time”, e no site “Filmes Online Grátis”.

Veja o trailer:

julie_and_julia-jonathan-wenk

Cinema e Gastronomia – “Chef” – Um filme sobre gastronomia, amor e liberdade.

chef-movie

Um filme que junta gastronomia, aventura, liberdade e laços de amor obviamente me cativaria. Chef (2014) é uma trama leve e divertida (incrível para assistir em um domingo à tarde gente!),  os amantes de gastronomia com certeza irão se identificar com muitas coisas do filme. Ele traz de modo descontraído (e ao mesmo tempo intenso) aspectos que envolvem a paixão do protagonista pela gastronomia, mostrando como ele encontra meios de viver essa paixão de forma autêntica e livre. É um filme de fato sobre gastronomia, amor e liberdade. O sentimento que toma conta de mim depois de assisti-lo é uma vontade enorme de cozinhar comida para experimentar “liberdade” – e quem sabe comprar um trailer e sair por aí cozinhando pra sempre… (suspiros de amor).

O filme gira em torno do chef Carl Casper (Jon Favreau), que tem enfrentando grandes frustrações em seu atual emprego (um famoso restaurante de Los Angeles) por ver-se impedido de usar sua criatividade e ter sempre que cozinhar aquilo que mandam. Depois de receber uma critica negativa de um importante critico gastronômico (justamente pela falta de criatividade de seus pratos) Casper fica furioso, cria atritos com o dono do restaurante e com o próprio critico e acaba se demitindo. Videos dessas brigas acabam caindo na internet e se tornam um viral, o que prejudica sua imagem para conseguir outros trabalhos. A alternativa que lhe resta é aceitar a ajuda de sua ex-esposa para iniciar um novo projeto: Comprar um trailer e vender sua comida – feita de seu jeito. A partir disso um emaranhado de coisas relacionam a prática gastronômica do chef com laços emocionais, no encontro de um modo livre e autentico de viver sua arte.

chef_movie_still

O filme me proporcionou um delicioso sentimento de aventura e de uma ainda maior apreciação da arte gastronômica, no qual somos convidados a “viajar” por uma aventura guiada pelo sabor e prazer da comida. O modo como o significado de uma história (de uma vida) podem se entrelaçar com a culinária é tocante para que é sensível ao toque dessa arte. Filme indispensável para quem ama culinária! Segue abaixo link do trailer do filme! O filme está disponível no Netflix, e você também consegue assisti-lo online no site “Filmes Online Grátis”.

Trailer: