Como fazer entrecôte (filé de costela) assado, com a verdade e emoção da cozinha de fogo alto.

Como assar uma carne com emoção e verdade. Respeitar genuinamente cada partícula do animal e construir uma experiência sensorial emocionante – você entende o que é transformar uma carne com calor, com fogo? É uma das experiências mais antigas da humanidade, que nos conecta à uma ancestralidade e simbologia profunda. Se você prestar muita atenção e se conectar profundamente com o ato de assar ou grelhar, vai sentir que algo dentro de você se move com essa experiência. É forte. Transformar uma carne no calor alto é uma experiência que acelera meu batimento cardíaco, te juro. Existe uma força, uma energia e até mesmo uma sensualidade na cozinha de fogo alto que nem sei explicar. Enfim, essa é uma peça de entrecôte (um corte incrível que tem vários nomes – filé de costela, miolo de contrafilé, biche ancho, e por aí vai). Esse corte fica embaixo das costelas do boi. Assei ela seguindo algumas coisas que aprendi com Paola Carosella, outras aprendi com minha mãe. Temperei com minhas referências e emoções. Queria te dizer como faço, olha a receita:

Antes de começar, clique aqui e leia o artigo que publiquei sobre todos os cuidados mais importantes para preparar uma carne antes de assar ela. São dicas bem valiosas.

Ingredientes:

  • 1 peça de entrecôte (o filé de costela) que pese aproximadamente 1,1kg (como expliquei em um artigo, cortes muito grandes causam certa desproporção na hora de assar, então se tiver uma peça muito grande, corte ela para ter um pedaço menor, com esse peso de 1kg/1,3kg).
  • Azeite de oliva extravirgem (à gosto)
  • Sal (à gosto) – mas uso cerca de uma colher de sobremesa cheia para cada kg de carne.

Tempero:

Esses são os temperos que misturo, você pode alterar e escolher os seus, mas quero te contar a mistura que faço. Praticamente todas as quantidades coloco à gosto.

  • Salsinha, orégano, hortelã e manjericão frescos picados bem fininhos (Uso cerca de 4/ colheres de sopa cheias)
  • Pimenta-do-reino (à gosto)
  • 1 dente de alho ralado ou picado muito pequeno.
  • 1 colher de chá de mostarda de Dijon
  • Chimichurri à gosto, se tiver. Muitas vezes faço sem.
  • Um pouco de cominho em pó (só um pouco, uso tipo uma pitadinha)
  • 1 colher de sopa de vinagre de vinho tinto

Modo de preparo:

Misture todos os ingredientes do tempero com o sal e coloque bastante azeite, para fazer todos os temperos virarem um molhinho só. Tempere a peça de carne, lambuzando ela todinha com essa mistura, acariciando a carne e agradecendo ao boi. Após isso, coloque a carne em um recipiente e deixe na geladeira por pelo menos 12 horas. Eu deixo 24 horas.

Tire a carne da geladeira 2 horas antes de assar, para ela atingir temperatura ambiente. Pré-aqueça seu forno à temperatura mais alta que tiver, intenso mesmo, escaldante. Quando o forno estiver quente, coloque uma fôrma na boca do fogão e aqueça ela muito (essa fôrma você usará para assar a carne, se tiver uma chapa de ferro que caiba a carne seria perfeito, mas se não tiver, uma fôrma que você possa colocar na boca do fogão e também no forno serve).

Quando a fôrma na boca do fogão estiver quentíssima, regue com um pouco de azeite e coloque a peça de carne (tem que chiar alto). Após colocar leve imediatamente ao forno quentíssimo que você pré-aqueceu e deixe lá por aproximadamente 15 minutos. Passando esse tempo abra o forno e cheque a parte de baixo da peça – tem que estar dourada, tostada e emocionante, se não tiver, tire a peça e feche o forno para ele esquentar de novo o máximo que puder e em seguida volte a peça para dentro dele, até dourar bem embaixo. Quando dourar vire ela e asse por aproximadamente mais 15 minutos do outro lado.

Estando dourada e linda, tire do forno e deixe descansar por 10/12 minutos (perto do forno, para não esfriar muito, ou dentro do forno desligado).

Pronto. Após o descanso é só cortar, servir e se emocionar. É realmente uma experiência profunda.

Agradeço com muita verdade e emoção a minha mãe (que me ensinou a grandeza de um pedaço de carne e de uma boa pitada de cominho) e a Paola Carosella (que me ensinou as temperaturas e tempos certos para assar com majestade uma carne, em seu livro “Todas as sextas”).

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