Sobre figos – O que são, de onde vem e porque alguns vegetarianos não o comem. 

Ficus carica. Figo. A flor invertida da figueira – As figueiras florescem diferentes, suas flores se abrem dentro de uma vagem em formato de pera, que mais tarde, amadurece e vira o fruto emocionante que comemos. O figo é, então, uma flor introspectiva, misteriosamente guardada, que nasce pra dentro e não se revela. O nascer do figo é uma poesia.Originário de onde hoje é a Turquia, foi na antiguidade levado para Grécia, depois Itália, Espanha e Portugal – chegando até nós através da colonização. É consumido há muito tempo pelo homem, possivelmente desde a Idade da Pedra. Já foi fruto simbólico dos celebrações ao deus Dionísio na Grécia Antiga, veja vocês. Além de tudo isso, você sabia que o figo é o berço da reprodução de vespas que constroem com o figo uma relação de mutualismo? Alguns vegetarianos nem o comem por isso. Essa florzinha turca constrói ciclos importantes e é muito polêmica.

O figo é um pouco vespa-do-figo.

Como eu disse, os figos são flores diferentes, que abrem para dentro, então precisam ser polinizadas de uma maneira especial (pois o vento e as abelhas não podem transportar seu pólen, como em flores comuns). É a vespa que faz esse processo no figo.

Existe o figo masculino e o feminino – o que comemos é o feminino. As vespas fêmeas penetram o figo masculino (que tem um formato especial para acomodá-las) para depositar seus ovos. Quando ela penetra numa pequena passagem as asas e antenas delas quebram e caem, desse modo, depois que entra ela jamais sairá.

A partir daí, as vespinhas dos ovos que levarão o ciclo da vida adiante. As vespas machos nascem sem asas, pois sua única função é acasalar com as fêmeas (suas irmãs) – as que sairão depois dos figos (elas sim tem asas) levando o pólen com elas.

Quando uma vespa-do-figo penetra por acidente um figo feminino (aqueles que comenos) ao invés do masculino, não há espaço para ela se reproduzir – ou seja: ela penetra ele a toa, perde as asas e não pode mais sair de lá. Então ela morre lá dentro sem completar seu ciclo e transporte do pólen que nos proporciona o figo.

Quando esse acidente acontece o figo usa uma enzima chamada ficina para decompor a vespa em proteínas. Desse modo não mastigamos esqueletos de vespas, porém às vezes a enzima não decompõe o exoesqueleto inteiro.

Considerando isso, ao comer um figo podemos estar comendo também uma vespa-do-figo, que foi transformada pelo próprio figo e agora é parte dele. Mas elas são tão minúsculas que uma parte muito pequena do figo seria restos do que um dia foi vespa. Por esse motivo alguns vegetarianos não comem figos.

O mais bonito é o figo ter uma relação de coexistência com as vespas-do-figo, pois ele não pode sobreviver se a vespa não disseminar seu material genético, e ela sem ele não tem onde acomodar suas larvas – isso é o mutualismo. A natureza é genial, generosa e perfeita. Conhecer a engenhosidade de um ingrediente nos faz respeitá-lo melhor e honrá-lo no preparo e consumo.

Benefícios para a saúde:

Não bastasse essa história linda, o figo é um ótimo antioxidante, ajuda a controlar pressão arterial, age na prevenção ao câncer de mama, ajuda no fluxo intestinal e também na perda de peso.

Algumas informações desse post tiveram como fonte a matéria original publicada no Huff Post Brasil

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