Lebkuchenpläetzchen – Como fazer o biscoito alemão tradicional no natal do sul do Brasil.

Muitos natais da minha infância foram em Santa Catarina, onde minha família paterna mora. A influência da colonização alemã é muito viva lá até hoje e pode ser vista na gastronomia, é o caso desses tradicionais biscoitos de natal. Essa receita deriva do “Lebkuchenpläetzchen”, biscoitos muito antigos, consumidos no natal da Alemanha desde a idade média, são muitíssimos tradicionais da culinária alemã (minha madrasta tem um livro muito antigo alemão com receitas cheias de tradição e marcas afetivas, tem esses lá).  Em Santa Catarina, nessa época do ano,  são vendidos em todo lugar possível. Adoro eles e o gosto de memórias antigas que eles tem. Fazer eles hoje extraiu um carinho e sutileza gigante de dentro de mim, engraçado, mas até meus movimentos na cozinha ficaram mais suaves e delicados quando os fiz. Essa receita, essa delicadeza e esse carinho, compartilho com vocês.  Vai ser meu jeito de dizer feliz natal.

Ingredientes para a massa:

  • 500g de farinha de trigo
  • 200g de açúcar
  • 80g de manteiga em temperatura ambiente
  • 4 ovos
  • Meia colher de sopa de bicarbonato de amônio
  • 1 colher de sopa de extrato de baunilha
  • Se quiser aromatizar, você pode colocar umas duas pitadas de cardamomo em pó, raspas de limão ou raspas de gengibre, já fiz dos 3 jeitos e fica muito bom. Por ao mesmo tempo cardamomo e gengibre fica muito bom também!
  • Açúcar cristal colorido para decorar

Ingredientes para cobertura:

  • 2 claras
  • 5 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro
  • Gotas de limão siciliano

Modo de preparo:

Comece pela massa: Junte em uma vasilha grande todos os ingredientes da massa, misture tudo o suficiente para obter uma mistura homogênea, sem misturar demais  – sempre que estamos falando de biscoitos que queremos algo de crocante, misturar a massa demais nunca é bom. Deixe a massa descansar uns 5 minutos e então já pode abrir ela – esfarinhe uma superfície e abra a massa com um rolo. A espessura depende do seu gosto, se quiser biscoitos mais grossos e fofos por dentro deixe mais grosso, se quiser mais corcante deixe mais fino. Eu gosto mais corcante e deixo uma espessura de uns 4 milímetros. Após abrir corte com o cortador que quiser, ou até com uma faca em quadradinhos, use a imaginação. Adoro estrelas e corações. Leve para assar  em forno pré-aquecido à 200 graus, em fôrma untada ou fôrma antiaderente ou ainda forrada com papel manteiga. Asse até começar a dourar. Leva em média 12/15 minutos. Retire do forno e reserve para esfriar um pouco. Após assar todos os biscoitos mantenha o forno ligado, abaixe para 180 graus.

Para a cobertura, bata a clara em neve e acrescente o açúcar e as gotas de limão, e continue batendo até ficar firme (porém fica mais mole mesmo, não chega a atingir “pico duro”). Cubra cada biscoito com um pouco da cobertura, espalhe o açúcar cristal colorido para decorar (ou o confeito que quiser) e leve ao forno de volta, deixe o suficiente apenas para endurecer a cobertura, sem deixar dourar muito. Prontinho!

Após esfriar guarde em um lugar fechado para preservar a crocância. Feliz natal!

 

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Como fazer tender com mostarda e mel acompanhado de abacaxi grelhado.

Esse tender cheio de mostarda boa e mel, acompanhado de abacaxi grelhado, é daqueles pratos que você tira do forno, se emociona com o perfume e coloca na mesa com um orgulho que não cabe em você. É com ele que começo a série de postagens para o natal. Tenho produzido e pesquisado muita receita linda para compartilhar com vocês nessa época do ano – onde o que cozinhamos tem afeto e significado, mais que o normal. Esse tender tem uma das características mais marcantes da comida natalina: assados com toques adocicados e frutas nos preparos. Amo o tom que a mostarda e mel dá para o tender, somado ao aroma que o cravo deixa, é de sorrir na primeira garfada. O abacaxi grelhado traz a majestade toda que esse prato precisa para ser só alegria. Vamos à receita:

Ingredientes:

  • 1 tender inteiro (de aproximadamente 1 kg)
  • 2 colheres e meia de sobremesa de mostarda de Dijon
  • 2 colheres e meia de sobremesa de mel puro
  • Cravos da índia (quantidade à gosto)
  • 6 rodelas grossas de abacaxi
  • Açúcar e canela (pitadas para colocar no abacaxi antes de grelhar)

Modo de preparo:

Pré-aqueça seu forno à 200 graus. Pegue seu tender e faça cortes superficiais nele, cortes que montem um desenho xadrez. Misture o mel e mostarda e então besunte todo o tender. Então espete cravos nas extremidades dos cortes que fez, para o tender ficar com cravo espetadinho em grande parte dele.

Cubra com papel alumínio (sem esfregar ele muito no tender) e leve para assar por 20 minutos. Após esse tempo tire o papel e deixe até dourar – o que costuma levar 15 minutos. Pronto. Sinta o aroma lindo.

Para o abacaxi: coloque pitadas de açúcar e canela nos dois lados das rodelas de abacaxi. Esquente uma frigideira (de preferência antiaderente) e coloque um fio de azeite. Quando ela estiver bem quente coloque as rodelas de abacaxi e grelhe, dos dois lados, até dourar ambos.

Sirva o tender com o abacaxi. É sinceramente bom. Aproveite!

Carne cozida de panela com maxixe!

Carne de panela grande num caldo grosso com muita convicção e maxixe. Comi muito isso toda minha vida. Quando era criança, ver esse caldo grosso sendo construído pela minha mãe na nossa cozinha (que era sempre o lugar que a gente se escondia pra ser feliz) era pra mim como assistir uma história de amor. É muito claro pra mim que não importa o quanto um dia seja terrível e patético, se meu jantar for isso, qualquer raiva da vida passa. O gosto dessa carne nesse caldo com esse maxixe tem minha história dentro, é a comida materna das mulheres fortes da minha família, é a comida com as marcas culturais que desenham meu jeito de ser nesse mundo, que me lembra, através do gosto, de onde eu vim e com quem eu aprendi a viver como eu vivo – da pra acreditar que é possível encontrar tudo isso numa panela? Pois é, dá. Receita afetiva completa, como minha mãe sempre fez.

Ingredientes:

  • 1kg de carne cortada em pedaços médios (coxão mole, acém ou patinho)
  • Meia cebola cortada em cubos
  • 2 dentes de alho picados
  • Azeite de oliva ou óleo de girassol à gosto
  • Meio talo de alho-poró
  • Cominho em pó à gosto
  • Páprica defumada à gosto
  • Pimenta-do-reino moída na hora à gosto
  • Uma colher de chá de colorau
  • Sal à gosto
  • 2 xícara de chá de caldo de carne aquecido ou água morna
  • 2 tomates maduros picados
  • 1 colher de sopa de extrato de tomate
  • Aproximadamente meio quilo de maxixe (limpo e já raspado – para tirar as laterais pontudas, como descascar)
  • Coentro fresco picado à gosto

Modo preparo:

Leve uma panela de pressão ao fogo e coloque um pouco de azeite ou de óleo (o suficiente para dourar a cebola). Coloque a cebola, acrescente uma pitada de sal e doure ela por 1 minuto e então acrescente o alho. Coloque então a carne na panela e refogue ela, até toda carne pegar cor e adiantar bastante o cozimento – o que leva uns 5 minutos. Acrescente o alho-poró, a páprica defumada, o cominho em pó, o colorau, a pimenta-do-reino e misture. Acrescente o caldo de carne (ou água), o extrato de tomate e os tomates. Misture tudo, acerte o sal e então tampe a panela de pressão e deixe cozinhar, após pegar pressão, por cerca de 15 à 20 minutos (após 15 minutos vá abrindo e checando, o tempo para total cozimento depende do tipo de carne – é preciso que fique bem molinha, quase desmanchando). Estando a carne cozida, abra a panela e acrescente os maxixes cortados ao meio, leve ao fogo para que cozinhem. Cheque o caldo e a consistência – aqui depende do gosto, se achar que está muito grosso coloque um pouco mais de água ou caldo, se achar muito ralo deixe reduzir. Estando o maxixe cozido e caldo em consistência de seu agrado, cheque o sal novamente, desligue a panela e finalize com o coentro.

Depois de pronto eu coloco o cozido em uma panela bonita de vidro que tenho, coloco na mesa com orgulho e respiro aquele aroma lindo. Que alegria. Seja feliz com essa panela de matriarcado.

Como fazer um bolo emocionante de limão.

Leia essa receita estando aberto para ter uma experiência emocional na cozinha.

Ingredientes:

  • 3 xícaras de chá de farinha de trigo
  • 2 xícaras de chá de açúcar refinado
  • 1 xícara de chá de leite
  • 3 ovos
  • 1 xícara de óleo
  • 1 colher de sobremesa de fermento em pó
  • Suco de 1 limão e meio

Modo de preparo:

Escolha um bowl ou tigela bonita que te lembre algo bom (é bom quando nossos utensílios nos trazem lembranças) e coloque nele a farinha de trigo e o açúcar. Misture. Então acrescente o leite e o ovos (de vacas e galinhas felizes) e também o óleo (qual você quiser, eu uso de girassol porque é bom e porque gosto de ter algo do girassol na minha receita, ele é tão lindo, você não acha?). Misture tudo com um fouet, ou batedeira. Na mão sempre é melhor, é mais você e menos máquina ali. Após tudo estar incorporado acrescente o fermento em pó e misture. Acrescente o suco do limão e também misture. Coloque em uma fôrma untada e leve para assar em forno pré-aquecido à 180 graus por 40 minutos ou até você espetar um palito e ele sair limpo. Que lindo o cheiro que invade sua cozinha nessa hora – repare esse momento e guarde ele com você. Espere esfriar 5 minutos e desenforme.

Dica de cobertura:

Se quiser cobrir com algo obscenamente bom, faça um brigadeiro mole de limão: Coloque em uma panela uma lata de leite condensado, 100g de chocolate branco picado (se quiser, ajuda a não talhar) e uma colher de sopa de manteiga. Cozinhe mexendo sempre até atingir um ponto de brigadeiro mole (cozinhe uns 4 minutos após levantar fervura) ou deixe na consistência que quiser. Quando desligar a panela acrescente o suco de 1 limão e misture. Cubra seu bolo com isso e finalize com raspas de limão.

Sente com seu bolo pronto numa mesa com alguém que você ame (pode ser você mesmo, inclusive). Corte um pedaço, coma devagar, com café coado. Pense na delicadeza que a vida pode ter. Pense nos prazeres simples do mundo. Pense na sorte que temos por limões existirem, vacas e galinhas também. Seja feliz.

Roteiro gastronômico em uma aventura na Patagônia – como se emocionar comendo no extremo do mundo.

A Patagônia é o lugar mais emocionante que estive nesse mundo. O contato extremo com a força do mundo natural transforma a gente. Fui lá para me casar, sob um dos maiores aglomerados de gelo do mundo. Eu queria celebrar o amor, que é uma força natural gigante, num lugar onde a força natural também fosse gigante. Tinha que ser lá. Eu acho que na Patagônia nos conectamos de uma forma diferente com o mundo. Quando o vento gelado bate no nosso rosto ele nos arrasta junto para a composição do mundo, daí é como se fizéssemos parte de tudo, e tudo vira uma coisa só – nós e o mundo . É lindo e faz a vida vibrar, você precisa ir um dia se conseguir.

Te conto aqui onde comer o clássico e ancestral cordeiro patagônico, mas também conto como comprar, num mercado no fim do mundo, um biscoito folhado barato pra comer com doce de leite local durante um trekking para a montanha que fuma. Também te conto da beleza de levar um sanduíche de “mila” e uma cerveja na mochila pra comer enquanto o vento gelado do Glaciar Perito Moreno bate na sua cara e te conta da profundidade e força do mundo natural. Ah, também tem algo sobre comer uma empanada na beira de uma estrada deserta. Isso e mais. Entende do que se trata esse roteiro? Não são só dicas de restaurantes, se trata de como comer algo em um determinado lugar e criar uma memória eterna. Tem amor pra caramba nesse roteiro, espero que sinta aqui uma parte do que a Patagônia é!

 

1) Comida ancestral – O Famoso cordeiro patagônico: Cozinha antiga de fogo alto.

Um dos sabores mais emblemáticos da Patagônia é o cordeiro patagônico – se tiver que escolher uma única coisa para comer lá, escolha isso. Em diversos restaurantes das pequenas cidades há cordeiro assado em fogo de chão (o jeito mais lindo e antigo de assar). É bem comum os restaurantes terem vitrines onde o fogo de chão fica exposto, para você entender bem a coisa. Tipo essa:

Na cidade de El Calafate eu comi meu cordeiro no restaurante Casimiro Biguá, um local bem tradicional e popular para comer esse prato (chegue lá cedo para conseguir lugar, é cheio). Sugiro que lá coma só o cordeiro, ele é barato e servido no modelo 1 para 2 (um prato farto que serve bem 2 e não custa nada caro para a média da cidade, o preço foi um dos melhores que encontramos). Outros pratos lá são meio caros, não acho que vale a pena, lá é para comer o cordeiro e só. Absolutamente delicioso, uma experiência única de sentir o gosto profundo da cozinha de caça antiga, de fogo alto.

Felizes, mesmo.

Clique aqui e acesse o site para saber tudo da unidade do Casimiro Biguá em EL Calafate. É super bem localizado!

Endereço: Av. Libertador 963, El Calafate, Argentina.

 

2) Uma aventura no Glaciar Perito Moreno – um sanduíche de “mila” e uma cerveja na mochila –  e ainda um whisky especial sob um dos maiores glaciares do mundo.

Bem bobo com as paisagens do Mini trekking – passeio sob o glaciar.

Não há nessa parte uma dica gastronômica de restaurante e melhor prato, mas sim de uma maneira marcante de comer durante uma das maiores aventuras de sua vida. Se você estiver na cidade de El Calafate, não pode deixar de visitar o Glaciar Perito Moreno, um dos maiores glaciares do mundo, que é uma das coisas mais lindas e impressionantes que você verá na vida.

Caminhada até a trilha para subir no glaciar

Há algumas maneiras de visitar o Glaciar. Você pode ir apenas até as passarelas do Parque Nacional Los Glaciares e ver o famoso Glaciar Perito Moreno de muitos ângulos. Mas eu sinceramente te sugiro ir além desse passeio nas passarelas… que é legal, mas chegar mais perto do Glaciar é uma experiência emocionante. A Agência Hielo y Aventura te leva para caminhar sob o Perito Moreno. Há 2 modalidades para esse passeio: O Mini trekking e o Big Ice – Ambos passeios duram o dia todo (considerando ida e volta de El Calafate até o Glaciar, preparações para a caminhada no gelo e todas paradas), a diferença entre um e outro é o tempo que dura – No Mini Trekking a caminhada no gelo dura cerca de 1 hora e meia, e no Big Ice cerca de 3 horas e meia. Eu fiz o Mini trekking e achei o suficiente para me emocionar profundamente. Caminhar acima do Glaciar foi a coisa mais emocionante que fiz na vida, te indico de coração. A única agência que faz esse passeio é a Hielo y Aventura, então compre direto por ela. O pacote para o Mini trekking pode ser comprado com translado incluso (ida e volta do seu hotel em El Calafate), também está incluso no pacote do Mini Trekking um percurso de barco lindo para chegar até o glaciar. E ah, no final da caminhada no gelo, o guia chega numa parte onde desenterra uma garrafa de whisky e serve para todos com gelo do glaciar – a única vez na vida onde você vai tomar um whisky onde o gelo o é mais velho que ele.

Finalmente, sobre o que comer: Não há, durante o passeio ao glaciar, onde comprar o que comer. Você deve levar seu lanche na mochila (há uma cabana onde você pode deixar seu lanche enquanto caminha no gelo, para comer na volta). Eu sugiro que você compre, ainda na cidade, um sanduíche “mila” – como eles chamam um sanduíche de milanesa (que pode ser de carne ou frango). Leve junto uma cerveja argentina boa. Na hora que voltar da caminhada do gelo, você fica um tempo numa região linda, onde há uma pausa para você comer seu lanche. Escolha um lugar emocionante para comer seu mila, eu escolhi esse:

Nunca mais vou esquecer o gosto desse mila junto com o vento gelado do glaciar batendo na minha cara e me contando sobre a força e profundidade do mundo natural.

Clique aqui e acesse o site da Hielo y Aventura e saiba detalhes do Mini trekking e Big Ice. Deu tudo certo, a empresa é super competente.

 

3) Comida aconchegante, cardápio diverso (bom e barato) e atendimento gentil que aquece a gente. Coma no Pietro’s (Em El Calafate).

El Calafate é uma cidade mais ou menos cara, os restaurantes não tem lá preços muitos acessíveis. Uma amiga indicou um lugar de comida boa, simples e barata, e nós fomos e amamos. O Pietro’s fica na avenida principal da cidade de El Calafate. Tem pizzas ótimas e um hamburguer de cordeiro que é farto e delicioso (aliás, no geral os pratos na Patagônia são bem fartos, se não estiver morto de fome, 1 sempre dá pra 2).

Amei comer lá, fui 2 vezes durante minha estadia em El Calafate. O atendimento é sensacional, simples e gentil, o que amo. Dica valiosa para não gastar muito e comer bem.

Endereço: Av. Libertador, 1002, El Calafate, Argentina. 

 

4) Empanadas na estrada para algum lugar – No meu caso foi para El Chaltén.

Empanadas na Argentina são um clássico que todo mundo que vai come. Tem em todo lugar. Pra mim as melhores não são de restaurantes muito grandes ou populares – as caseiras, de lugar pequeno, que provavelmente tem receitas familiares cheia de traços culturais antigos, são as melhores. Durante minha estadia na Patagônia fui passar 1 dia em El Chaltén (fui de ônibus de EL Calafate, fui e voltei no mesmo dia, várias agências vendem esse trajeto/excursão e não é caro, no próprio hotel/hostel que você ficar dará para comprar, provavelmente). No caminho para EL Chaltén (leva umas 3 hora para chegar lá partindo de El Calafate) fizemos uma parada num lugar simples, desses de beira de estrada, comprei uma empanada de carne incrível.

Qualquer paisagem na Patagônia é linda, não importa onde, então peguei minha empanada lá dentro do estabelecimento e fui comer do lado de fora, na beira de uma estrada deserta. Enquanto eu comia minha empanada cheia de traço cultural de onde eu estava, olhava exatamente para isso (tirei essa foto com o celular numa mão e a empanada na outra):

Essa dica é apenas uma sugestão para você comer uma empanada na beira de alguma estrada na Patagônia, eu achei emocionante e indico demais. Espero que entenda a delicadeza dessa experiência.

Depois de comer a empanada, volta a estrada.

 

4) Biscoito barato folheado maravilhoso e doce de leite em uma trilha em El Chaltén.

El Chaltén (cidade próxima a El Calafate) é conhecida como a capital mundial do trekking. Existem muitas trilhas lá, de diversos níveis de dificuldade, cada uma mais linda que a outra. As mais famosas são as que levam até alguma visão do Fitz Roy -a montanha mais famosa da região, conhecida como “a montanha que fuma”, devido as constantes nuvens que a circundam. É linda.

El Chaltén é uma cidade – na verdade uma vila – minuscula, com poucas casas e estabelecimentos. Um lugarzinho perdido no meio do mundo. Na rua principal da cidade (e quase a única), enquanto estava indo para o fim dela, onde começam as trilhas, parei num mercadinho pequeno e comprei um biscoito folheado quadrado (que não tinha nome da embalagem, era produzido ali, e eu esqueci de perguntar para alguém, mas ele tem em todo lugar em El Chaltén, quando ver um biscoito folheado quadrado, será ele). Comprei junto com os biscoitos um pote de doce de leite colonial da marca La Sereníssima, coloquei na mochila e segui minha trilha (fiz uma trilha pequena, até a Laguna Capri, eu tinha pouco tempo e não seria possível fazer uma trilha grande). Cada caminhada valeu a pena, paisagens de tirar o fôlego.

Parava em alguns momentos e comia meu folheado com meu doce de leite e pensava em como o mundo podia ser tão impressionante, e que viajar pra esses cantos ensina isso pra gente. Enfim. Eu achei especial comer biscoito folheado barato com doce de leite no meu trekking (infelizmente não fotografei eles, mas você acha fácil, prometo).

 

5) O milanesa gigante e honesto do Vera Cruz, em El Calafate.

Tem milanesa em todo lugar por lá. Comi o meu num restaurante que fica na avenida principal da cidade (Av Libertador), o Vera Cruz. Peça um que dá para 2 comer tranquilamente, sério. É farto e delicioso. Comi com uma cerveja argentina popular (Quilmes), sentei perto da janela para a rua e enquanto comia via o movimento da cidade pequena e encantadora. Foi marcante e bom.

Endereço: Av. Libertador, 1150, El Calafate, Argentina.

 

6) Se der, fique em um lugar em que você possa cozinhar algo.

Eu sempre amo me hospedar em lugares em que eu possa cozinhar algo. Ir num mercado regional, comprar coisas regionais e fazer você mesmo uma refeição regional – entende a beleza disso? Eu acho maravilhoso. Me hospedei no Calafate Hostel , um lugar encantador todo feito de madeira, com atendimento impecável, limpo, gentil e bom. Lá tem quartos privados e compartilhados, e uma cozinha grande que você pode usar. Foi perfeito pra mim, então queria deixar essa dica. Se der, sempre cozinhe por onde vai.

Endereço Calafate Hostel: Rua Gobernador Moyano, 1226, El Calafate, Argentina.

 

Espero que você, quando for a Patagônia, também se emocione, várias vezes. Que seja delicioso e marcante!

Como fazer Currywurst – prato alemão símbolo da comida de rua de Berlim!

O Currywurst basicamente é salsicha com uma espécie de ketchup com curry, simples mas absolutamente delicioso! É comumente servido com batata frita ou pão. O prato alemão nasceu após a segunda guerra mundial – em um cenário destruído e precário na Alemanha pós-guerra. Esse prato que era um opção barata e saborosa de refeição se tornou extremamente popular, e assim é até hoje. O curry foi acrescentado no ketchup por influência dos soldados ingleses que ocupavam a Alemanha no fim da guerra – os mesmos ingleses que criaram o curry sob influência da colonização na Índia – como tem história de tanta coisa num prato né? A comida conta a história do mundo! Veja abaixo o preparo tradicional de currywurst e seja feliz!

Ingredientes (para 2 porções):

  • 4 Salsichas do tipo Frankfurt ou Viena (ou a que achar, mas preze por uma de qualidade que faz diferença, amo as que são 100% carne suína)
  • 1 xícara de chá de extrato, polpa ou molho bem groso de tomate
  • 1 tomate bem maduro picado
  • 1 dente de alho picado
  • 1 colher e meia de chá de curry
  • 1 colher de sopa de molho inglês
  • 1 colher e meia de sopa de mel
  • 1 pitada de alguma pimenta em pó (gosto da caiena)
  • Meia colher de chá de canela em pó
  • Azeite de oliva à gosto
  • Sal à gosto

Modo de preparo:

Em uma frigideira (melhor antiaderente) coloque fios de azeite e doure as salsichas, de todos os lados. Reserve.

Na mesma frigideira doure o alho, em seguida acrescente o tomate e refogue ele um pouco, por uns 3 minutos. Então acrescente a xícara de molho de tomate, o molho inglês, o mel, a pimenta, a canela, o sal e o curry. Uma coisa importante desse molho é provar – alguns temperos e ingredientes variam de força e acidez, então prove e sinta no seu paladar, se sentir que está muito ácido e falta doce coloque mais mel, se sentir que falta acidez coloque mais molho inglês, se sentir pouca força mais curry – o curry precisa ser bem presente.

Misture tudo e deixe ferver por uns 3 minutos, então desligue.

Corte as salsihas (normalmente 2 por porção, mas fique a vontade para seu gosto e fome) e cubra com uma generosidade de molho. Finalize salpicando um pouco mais de curry por cima se quiser. Fica maravilhoso servido com batata frita. Seja feliz comendo!

Como fazer Cartola! Receita simples e incrível!

Cartola – uma sobremesa absolutamente brasileira, que é resultado de uma mistura de hábitos e tradições dos portugueses, povos indígenas e africanos – quer algo mais brasileiro que um doce que une referências dos 3 principais povos que compõe a cultura do nosso país? Não é a toa que a cartola é considerada patrimônio cultural imaterial do estado do Pernambuco – veja que chique! Amo fazer um doce que me conecta com a história cultural do meu país! Cozinha é conexão histórica, e isso faz muito bem para a alma, meu povo!

Abaixo receita escrita, mas te sugiro clicar aqui e ir lá no meu Instagram ver o video completo dessa receita, onde ensino o passo a passo completo bem detalhado! O video está no no meu IGTV. Meu endereço no Instagram é @rodrigo.vilasboas

Ingredientes (para cada porção):

  • 1 banana
  • 2 pedaços (fatias grossas) de queijo – preferencialmente coalho, mas eu uso o canastra também
  • Açúcar à gosto
  • Canela à gosto
  • Manteiga (preferencialmente de garrafa)
  • Melado de cana (opcional)

Modo de preparo:

Aqueça uma colher de chá de manteiga numa frigideira antiaderente. Corte a banana ao meio (no sentido do comprimento) e doure ela dos dois lados. Reserve. Limpe o excesso de gordura da frigideira e coloque o queijo, doure um lado dele – é importante que crie uma casquinha crocante, isso faz toda diferença. Agora monte sua cartola: Coloque o queijo tostado sob a banana e polvilhe com açúcar e canela. E se quiser, coloque um pouco de melado de cana por cima.

Seja feliz comendo esse doce marca cultural do nosso paraíso tupi-guarani!

Como fazer ovo benedict!

Um clássico que todo mundo pensa que é francês mas na verdade é americano! O nome homenageia um famoso executivo da Wall Street, Lemuel Benedict, que pediu que fosse feito um prato com ovos, presunto e molho hollandaise para curar uma ressaca numa manhã qualquer – vindo de uma solicitação cura ressaca, o prato ganhou fama e tem uma combinação que é impossível não amar – Um pão fofo, presunto, ovo poché e molho hollandaise! Socorro… é uma ousadia de tão bom. Vem comigo te ensino essa receita onde o ovo (meu ingrediente preferido) é protagonista!

Abaixo tem a receita escrita, mas eu te sugiro muito que assista o video que fiz dessa receita, onde mostro o passo a passo detalhadamente, as chances de você acertar aumentam muito! Clique aqui e veja o video lá no meu Instagram, está no meu IGTV! (meu endereço no Instagram é @rodrigo.vilasboas).

Para fazer ovo benedict, você precisará, por porção, do seguinte:

  • Molho hollandaise (à vontade)
  • 1 ovo poché
  • 1 fatia de pão fofo (brioche é o melhor)
  • 1 fatia de presunto (cru ou cozido) ou também pode ser bacon
  • Manteiga

Clique aqui e veja como fazer um molho hollandaise perfeito!

Clique aqui e veja como fazer um ovo poché perfeito!

Após ter esses dois preparos prontos, é só montar seu ovo benedict:

Passe manteiga na fatia do seu pão e coloque o presunto, depois o ovo poché e regue com uma generosidade de molho hollandaise! Prontinho! Seja muito feliz comendo!

Bon appétit!

Falando em ovos, onde você compra os seus? O que acontece com as galinhas que os produzem? Eu compro ovos de galinha de vida digna – Clique aqui e veja um artigo onde falo um pouco disso.

Receita de pão caseiro rápido, fácil e fofinho!

Pão caseiro absurdamente fofo, facílimo de fazer e que nunca dá errado – a verdade bonita de um pão feito por pessoas e não por máquinas. Existem muitos tipos de pães, os de fermentação natural são meus prediletos, mas nem sempre é possível fazê-los, são mais complexos e precisam de tempo. Todos precisamos de uma receita simples de pão nessa vida.

Ingredientes (para 1 pão grande e lindo):

  • 500g de farinha de trigo e um pouco mais para dar o ponto, se precisar.
  • 30g de fermento fresco (2 tabletes daqueles mais comum de achar) ou 1 envelope de fermento seco.
  • 1 colher e meia de sopa de açúcar
  • 1/4 de colher de sopa de sal
  • 200 ml de água morna
  • 1/4 de xícara de chá de óleo
  • 1 ovo

Modo de preparo:

Junte todos os ingredientes, exceto a farinha, no liquidificador e bata até tudo ficar uma coisa só. Coloque a farinha num bowl ou tigela grande que você goste (é bom quando gostamos de nossas tigelas) e faça um buraco no centro, então coloque nele a mistura liquida que você bateu e misture tudo. Comece com uma colher e depois continue com as mãos – e chega a hora de passar sua energia pra massa.

Amasse, sove, rasgue a massa e una de volta, coloque ar e verdade nela. Faça isso uns 5 minutos mais ou menos. Se ficar muito úmida e grudar nas mãos coloque mais farinha, mas não demais. Tem que ficar uma massa elástica. Após trabalhar a massa, abra ela um pouco com um rolo e enrole, como se fosse um rocambole (isso é só para o pão ficar liso e bonito, é um carinho com ele). Esfarinhe uma assadeira e coloque seu pão. Cubra com um pano úmido. Deixe descansar num lugar sem corrente de vento por 40/50 minutos (tipo no forno desligado). Ele vai dobrar de tamanho e isso é da hora. Leve então para assar em forno pré-aquecido à 200 graus por cerca de 30/35 minutos – até dourar e um cheiro maravilhoso invadir sua alma. Pronto.

Coma numa tarde tranquila com café coado na hora e manteiga boa. Chega emocionar.

Como fazer Clafoutis! Sobremesa de casa de vó francesa!

Clafoutis – Uma sobremesa típica da região de Limousin, na França! Esse é o tipo de doce que uma avó francesa faz para seus netinhos – absolutamente aconchegante! Consiste em frutas assadas em uma massa simples de ovos – originalmente ele é feito com cerejas, mas qualquer fruta madura e emocionante te dá um clafoutis lindão! Fazendo essa coisa fofa vamos nos sentir numa casa de vó francesa – porque como sabemos, a cozinha pode nos transportar para qualquer lugar do mundo!

Clique aqui e veja o vídeo completo da receita de clafoutis no IGTV no meu Instagram.  Lá tem um passo a passo bem detalhado que te ajudará muito! E aproveita e me segue por lá, sempre tem receita nova!Meu endereço no Instagram é @rodrigo.vilasboas

Ingredientes (rende 6 porções):

  • 4 ovos
  • 150g de açúcar
  • 2 colheres de sopa de farinha de trigo
  • 250g de morangos ou cerejas, ou que fruta você quiser.
  • 20g de farinha de amêndoas
  • 100 ml de leite
  • 100g de creme de leite (de preferência fresco)
  • Uma pitada de sal

Você vai precisar de 6 ou 7 ramequins untados (com manteiga e farinha) ou uma forma grande de mais ou menos 19×20.

Modo de preparo:

Pré-aqueça o forno à 190 graus. Em um bowl, misture os ovos com o açúcar e a pitada de sal e bata até esbranquiçar. Acrescente a farinha de trigo e a farinha de amêndoas e incorpore na mistura. Em seguida acrescente o leite e o creme de leite e incorpore, reserve. Distribua os morangos nos ramequins (ou na fôrma única, se for usar) – gosto de deixar eles inteiros. Em seguida distribua a massa pelos ramequins, deixando uma pontinha dos morangos para fora. Leve ao forno e asse por 30/40 minutos, até firmar e dourar. Pronto! Sirva quente ou frio – eu amo morno. Seja feliz comendo!

Obs: Ao assar eles crescem, mas quando tira do forno murcha, é assim mesmo, fique em paz.