Como fazer mousse de chocolate com cachaça e crocante de chocolate branco servido com iogurte.

A gente precisa de muito pouco para fazer uma mousse francesa incrível. Eu queria hoje uma sobremesa que me fizesse fechar os olhos por alguns segundos enquanto experimentava uma sensação delicada de alegria na primeira colherada. Essa mousse me trouxe isso. Eu tive sorte por ter encontrado ovos, chocolate, manteiga e açúcar em casa para ter isso hoje. Resolvi colocar um pouco de cachaça, para um pouco mais de emoção. Resolvi também colocar um crocante de chocolate branco e comer com iogurte. Aí, meus caros, a emoção foi tão longe que meu coração sente até agora, enquanto escrevo, o impacto dessa primeira colherada. Enfim. Que a vida seja doce, pelo menos por alguns segundos, diante de uma mousse bem feita.

Como fazer a mousse de chocolate:

Clique aqui e confira a receita completa da tradicional mousse de chocolate francesa. Atenção: para fazer essa versão que leva cachaça basta acrescentar 1 colher de sopa de cachaça no momento em que misturar as gemas ao chococolate derretido.

Como fazer os crocantes de chocolate branco:

Corte chocolate branco em pedaços rústicos pequenos e leve ao forno pré-aquecido à 200 graus. Deixe lá até dourar – cuidado para não queimar! Isso acontece rapidamente. Quando tirar a forma do forno deixe esfriar – os crocantes saem molinhos e ao esfriar endurecem.

Sirva o mousse gelado com os crocantes e iogurte. É bem bom.

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Ostara, Easter, Páscoa – Porque coelhos e ovos de chocolate? Confira origem da tradição e ainda seleção de 10 receitas sensacionais para sua páscoa!

Ostara

Imagem: Site Santuário Lunar

Ostara, Easter, Páscoa. O termo “Páscoa”, vem de “Ostara”, deusa escandinava da primavera – estação do ano que no hemisfério norte se inicia próxima à celebração da Páscoa. Antes mesmo do cristianismo, o dia de Ostara era a celebração do primeiro dia de primavera, do fim do inverno e retorno do sol, do florescimento e renascimento da natureza – o cristianismo uniu essa simbologia de “renascimento da natureza” a ressurreição de Jesus, fato hoje que universalmente simboliza a páscoa. Na antiguidade, o povo anglo-saxão pintava ovos e os oferecia a Ostara, sendo que o ovo sempre simbolizou vida, nascimento, assim como o coelho também era relacionado a Ostara, simbolizando fertilidade e fecundidade na natureza. Daí vem a origem dos ovos e do coelho da páscoa, que eram muito antes os “ovos e coelhos de Ostara”. A criatividade humana tornou os ovos de Ostara em ovos de chocolate, criando uma intima relação desse ingrediente com toda a simbologia que envolve a Páscoa, os ovos, o coelho, a primavera e o renascimento. Por isso Páscoa tem tom de chocolate (do qual os ovos de Ostara deliciosamente acabaram sendo feitos) – a gastronomia tem sempre símbolos e marcas que contam a história da humanidade. Isso é sempre emocionante.

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Para celebrar toda a simbologia da Páscoa com, claro, chocolate, fiz uma seleção de nossas melhores receitas que envolvem chocolate! Chocolate também é renascimento, é símbolo, e é maravilhoso… Veja abaixo a seleção com todo amor do mundo:

Para acessar as receitas basta clicar no link!

Receita de Ovo de Páscoa de Colher sabor Oreo

Receita de Ovo de Páscoa de Colher Trufado de Laranja

Receita de Ovo de Páscoa de Colher de Brigadeiro Gourmet

Receita de Gâteau au Chocolat (Bolo de chocolate cremoso sem farinha)

Receita da tradicional Mousse de Chocolate Francesa

Bolo Lava de Chocolate (Moelleux au Chocolat)

Receita de Brigadeiro Gourmet

Receita de Cookies Double Chocolate

Torta Mousse de Chocolate

Receita de Bolo Double Chocolate com Azeite de Oliva

Ostara winter

Ostara – Lavando o adormecimento da terra durante o inverno e trazendo o florescimento e renascimento da natureza.

Como fazer ovo de páscoa de colher trufado de laranja.

Chocolate com laranja pra mim é uma das histórias de amor mais profundas que esse mundo já viu. Dá tão certo que chega a ser uma ousadia. Fiz uma trufa de laranja que boa é pouco e usei ela pra rechear a casca do ovo que eu também fiz, com chocolate amargo que foi devidamente temperado pra ninguém botar defeito.  É um crime de tão bom, me ajuda. E não é difícil, na verdade é tão fácil fazer esse ovo que eu compartilho essa receita com um puta orgulho e alegria porque é receita acessível, você só precisa estar com vontade de tentar e se divertir enquanto tenta – repare que quero muito te convencer do quanto é bom fazer seu ovo de páscoa em casa, você se sente de algum jeito mais livre e feliz quando vê que fez ao invés de comprar pronto. Se tiver crianças em casa, elas vão amar fazer junto com você e terão uma memória muito mais profunda que aquela que ela teria ganhando o ovo caro do mercado. Faz um dia, se não for nessa páscoa, que seja em alguma, mas faça, é algo que a gente lembra pra sempre.

A receita é para fazer um ovo de colher desse da foto, tamanho médio (casca de 170g) que recheado chega a pesar cerca de 400g.

Você precisa fazer a casca do ovo e o recheio. Você pode comprar a casca pronta e só fazer o recheio, mas claro que é muito mais legal fazer tudo.

A casca do ovo: Clique aqui e confira a receita onde ensino como fazer a casca do seu ovo de páscoa de colher, com todos detalhes sobre o manuseio adequado do chocolate e temperagem. 

Agora, vamos a receita do recheio trufado de laranja!

Ingredientes (Quantidade para rechear 1 metade de ovo no tamanho acima dito):

  • 165g de creme de leite fresco
  • Raspas de meia laraja
  • Suco de meia laranja
  • 150g de chocolate meio amargo picado
  • 1 colher de chá bem cheia de manteiga (10g aproximadamente)
  • Uma pitada bem pequena de sal

Modo de preparo:

Coloque o suco de laranja em uma frigideira e leve ao fogo, deixe reduzir pela metade do volume, reserve. Em uma panela, acrescente o creme de leite e as raspas da laranja, quando levantar fervura desligue e tampe para acontecer uma infusão, espere uns 5 minutos. Depois acrescente o suco de laranja reduzido e tampe, deixando ali por mais 5 minutos, em fogo desligado.

Após esse descanso aqueça de novo o creme de leite e desligue quando levantar fervura. Coloque o chocolate picado em um recipiente e despeje o creme de leite quente por cima. Não mexa, deixe ali por 5 minutos para que o chocolate derreta adequadamente e não se agite. Após esse tempo misture tudo, acrescente a manteiga em temperatura ambiente e o sal, misture mais, até tudo incorporar. Leve então à geladeira para esfriar um pouco – precisa estar frio (não gelado) para rechear o seu ovo.

Pronto, senhores. É só usar essa trufa linda pra rechear seu ovo, e enfeitar usando sua criatividade. Eu coloquei 3 brigadeiros por cima porque brigadeiro sempre é bom. Mas se você deixar essa trufa mais tempo na geladeira ela fica mais durinha e dá pra você enrolar ela como se enrola brigadeiro. E se quiser, pode polvilhar cacau em pó por cima, eu adoro fazer isso. Seja criativo e feliz para confeitar seu ovo. Feliz páscoa!

Como fazer ovo de páscoa de colher de brigadeiro gourmet. 

Ovo de páscoa tem todo um simbolismo antigo e profundo, é um hábito que muito além de um consumo qualquer pode nos conectar com hábitos culturais e tradições afetivas. E eu particularmente acho que quando você cozinha nessas épocas festivas, você entra em um contato muito mais intenso com as tradições e espírito da coisa. Sempre faço em casa meus ovos de páscoa, é bom, delicioso e me faz muito bem. Essa receita é com o querido brigadeiro – doce amado por todos nós amém. É uma opção super simples de fazer e sempre dá certo. Um dos meus eternos favoritos. Confira receita completa.

A receita é para fazer um ovo de colher desse da foto, tamanho médio (casca de 170g) que recheado chega a pesar cerca de 500g.

Você precisa fazer a casca do ovo e o recheio. Você pode comprar a casca pronta e só fazer o recheio, mas claro que é muito mais legal fazer.

A casca do ovo: Clique aqui e confira a receita onde ensino como fazer a casca do seu ovo de páscoa de colher, com todos detalhes sobre o manuseio adequado do chocolate. 

O recheio: Clique aqui e confira receita de como fazer um brigadeiro gourmet equilibrado e delicioso para rechear seu ovo. 

Após ter os dois feitos, basta rechear o ovo com o brigadeiro. Eu também, como na foto, enrolo alguns brigadeiros para por em cima e enfeitar, igual o da foto. O confeito para finalizar pode ser granulado ou o que quiser. Eu gosto de colocar chocolate raspadadinho. Enfim. Esse é um básico, inove com sua criatividade e seja feliz fazendo.

Como fazer Tikka Masala e viver a intensidade da cozinha indiana. 

O tikka masala é um frango feito em um molho perfumadíssimo, molho esse que hoje na Índia eles chamam de “curry” – lá o curry consiste em misturar especiarias até que virem um pó ou uma pasta para preparar um caldo intenso – o curry para eles é o caldo já pronto. Os ingleses quando chegaram na Índia se encantaram com a mistura de especiarias que os indianos faziam e chamaram essa mistura de “curry”, e isso deu origem ao temperinho de tom amarelo hoje muito popular, que é uma mistura de temperos. Então para nós o curry é aquele tempero amarelinho, para os indianos é o caldo picante e perfumado já pronto que envolve diversos pratos. Curry vem de “kari”, termo da língua tâmil para caldo temperado. Na Índia há muitos tipos de masala (termo que significa mistura de especiarias), cada região e cada família tem seu modo de fazer. A “garam masala” (que significa mistura de especiarias picante) é a base do tikka masala. A minha faço misturando o popular curry com outras coisas. Vem arder na emoção da cozinha indiana comigo, te ensino um tikka masala memorável de pedir socorro de tanto amor e intensidade.

Ingredientes (Serve de 6 à 8 pessoas):

Primeiro, faça seu “garam masala” – a mistura de especiarias que você usará para temperar o frango. Para 1kg de peito de frango, use as quantidades:

  • 1 colher e meia de sopa de curry
  • 1 colher de chá de páprica defumada
  • 1 colher de chá de açúcar mascavo
  • 1 colher de chá de coloral vermelho em pó
  • Meia colher de chá de cominho em pó
  • Meia colher de chá de cravo-da-índia em pó
  • Meia colher de chá de canela em pó
  • Para muita emoção: Meia colher de chá de pimenta caiena. Para média emoção: 1/4 de colher de chá de pimenta caiena. Para leve emoção: Uma pitada de pimenta caiena.

Misture todos os temperos e reserve.

Restante dos ingredientes:

  • 1kg de peito de frango cortado em cubos
  • 340 g de iogurte natural
  • 1 xícara de chá de leite de coco
  • 1 xícara de molho de tomate
  • 2 colheres de sopa de óleo de gergilim
  • 4 colheres de sopa de azeite
  • 1 cebola picada em cubos
  • 3 dentes de alho triturados
  • 1 colher de chá de gengibre ralado
  • Caldo de meio limão
  • Sal à gosto
  • Coentro fresco picado

Modo de preparo:

Em uma tigela, coloque o frango e acrescente a gargam masala – a mistura de temperos que você fez. Acrescente metade do iogurte, o gengibre, o limão, metade do óleo de gergelim e cerca de meia colher de sopa de sal. Misture tudo e deixe marinar por 6 horas ou pelo menos 2.

Leve ao fogo médio uma panela grande para receber todo o frango acrescente a cebola e uma pitada de sal. Refogue ela até ficar transparente e então acrescente o alho, espere ele fritar. Então acrescente o frango que estava marinando. Cozinhe mexendo de vez em quando até o frango ficar totalmente cozido. Então acrescente todos os outros ingredientes (exceto o coentro) e deixe ferver até ficar um caldo com consistência de seu agrado. Se achar necessário coloque água para um caldo mais ralo – se colocar água sempre deixe ela ferver para incorporar totalmente o sabor. Quando desligar o fogo, finalize com coentro. Prontinho. Pra mim, o melhor jeito de comer tikka masala é com um arroz branco fresquinho.

O que você faz acontecer quando você compra de pequenos produtores? Uma memória afetiva da minha infância. 

Durante minha infância, minha mãe sempre fez doces para vender. Esse era um trabalho que nos ajudava muito. Em uma páscoa, quando eu tinha 12 anos, fizemos ovos. Era minha mãe, uma tia e eu, imersos no chocolate, horas e horas fazendo ovos, trufas, bombons e pirulitos. Tivemos mais encomendas do que imaginávamos e ficamos tão felizes – elas trabalhavam muito e muito alegres, pra mim era mágico estar ali, todo aquele trabalho era feito com uma energia profunda, cada pedido importava muito pra gente. Quando entregávamos cada encomenda era com um orgulho gigante, era nossa obra, feita pelas nossas mãos. Naquela páscoa o dinheiro das vendas foi muito importante pra nós. Por conta da ajuda que dei, minha mãe e minha tia me deram um valor – eu fiquei tão feliz, lembro que fui em uma livraria e comprei 3 livros que me fizeram companhia por alguns meses, foi bem especial. Estou falando tudo isso para você entender o que é comprar de pequenos produtores – seu dinheiro promove esse tipo de coisa e incentiva algo muito valioso. Fora que comer o que é feito por pessoas e não por máquinas é sempre outra coisa. Nessa foto eu estou em casa, fazendo “à mão” meus chocolates para presentear quem amo. Vou compartilhar algumas receitas com vocês, mas caso não possam fazer seus próprios ovos, pensem bem onde vocês irão comprá-los. Vou também compartilhar no Instagram essa semana o trabalho de alguns produtores pequenos que conheci, trabalhos  de gente que faz com afeto e verdade o que faz. Enfim. O consumo nessas épocas e o dinheiro que a gente gasta pode alimentar coisas bem boas. Pense bem antes de comprar, pense. Logo logo dicas para uma páscoa artesanal, humana e afetiva.

Muza Restaurante (São Paulo). A tradição italiana com um charme moderno de amar forte. 

Descobri ontem na zona sul de São Paulo um restaurante italiano muito bacana que se destaca da maioria da categoria – ao mesmo tempo que apresenta receitas e conceitos tradicionais da intocável e sagrada gastronomia italiana, aquela da “nona”, também tem uma pegada moderna que você sente desde a decoração até a apresentação e composição dos pratos – adoro quando o tradicional e moderno se encontram e se respeitam bem. O tiramisù (R$ 29,00) é sensacional, onde você sente o café e o cacau em harmonia linda. A burrata para entrada (R$39,00) tem a cremosidade generosa que a gente espera e o linguine al mare, com camarões, tomates, limão siciliano e azeite com ervas (R$72,00) tem um frescor que constrói um sabor memorável . Eles também tem um bar de saladas que é uma ideia bem legal! Você escolhe um grelhado, um acompanhamento e vai ao bar de saladas escolher tudo que quer na sua. Super vale a pena conhecer! Mais um endereço incrível em Sampa para uma refeição de nunca esquecer!


Cozinhei as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Finalização do projeto “Gratidão de todas as sextas”.

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Finalizei o projeto “Gratidão de todas as sextas”. Cozinhei as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Me comprometi, no dia 11/11/2016 (clique aqui e veja como tudo começou) a cozinhar todas as receitas e ir postando (no meu blog e Instagram) toda sexta-feira o resultado daquilo que foi feito na semana, e assim foi.  Estou aqui pensando em como, em um texto de finalização, significar e registrar tudo que esse projeto foi, daí me ocorre que faz sentido começar esse texto falando do fim do projeto, da receita 94/94: O Pão Arturito – Eu levei 15 dias e 17 horas para fazer essa receita (o pão, em muitos sentidos, é o senhor do tempo), e quando acabei consegui firmemente compreender a maior lição do livro: O valor do tempo. É isso. É sobre isso que o livro é: Tempo, vida e cozinha – porque foi uma COZINHEIRA (em caps, para ser verossímel) que escreveu sobre tempo e vida, e ela fez isso através da cozinha.

O livro “Todas as sextas” é o primeiro livro de Paola Carosella. Ele é composto de um relato autobiográfico profundo e de 94 receitas – cada uma delas trazendo uma reflexão e uma conexão com a história da cozinheira. Não é um livro culinário qualquer.  As receitas nos fazem questionar nossas escolhas e hábitos, nos incomodam e nos movimentam. Para prepará-las tudo começava com a busca pelos ingredientes,  e essa era uma etapa muito séria, porque Paola no livro é convicta ao falar da importância dos ingredientes – tinham que ser ovos de galinha de vida digna, carnes de animais que também tiveram vidas dignas, frutas e legumes plantados e cuidados por pessoas que fazem do jeito honesto o que fazem, farinhas vendidas por pessoas que tenham “olhos de pessoas do bem”, confiáveis – e eu não estava afim de contrariar as indicações, eu queria fazer direito para aprender de verdade o que estava ali sendo dito, então foram muitas caminhadas por São Paulo para encontrar os ingredientes certos. Após ter encontrado tudo para cada receita, na hora de cozinhar eu tinha que escolher uma panela que eu tivesse carinho (afeto importa), tinha que tratar os ingredientes respeitando seu tempo de descanso (alguns precisavam de 1 hora, outros de 24 horas, outros de 15 dias). Eu também tinha que entender o valor do fogo baixo e do tempo lento de cozimento, nada de pressa e pressão. Para servir o prato, tinha que ser também numa louça bonita – eu tinha que ser atencioso e gentil com a refeição, a cada instante – e comer tudo isso no final era quase sempre uma oração, uma recompensa e reflexão profunda do que implicava todo o processo – e do que ia sendo transformado em mim enquanto eu transformava ingredientes desse jeito.

Cozinhar desse jeito muda a gente, não tem como sair igualzinho. Para fazer tudo isso antes de qualquer coisa eu tive que “parar” – frear a velocidade desse mundo rápido e agressivo que vivemos para experimentar, através das receitas, uma outra experiência de tempo – um tempo lento, que corre diferente, que precisa respeitar o tempo dos processos naturais, um tempo que me fez pensar em como eu estava usando e experimentando o próprio tempo da minha existência. A verdade é que eu entendi mais do que nunca o quanto perdemos por causa da nossa pressa, da nossa incompreensão das coisas e do tempo que elas precisam levar para ficarem prontas. Cozinhando assim, eu tive então “tempo” de pensar na minha relação com a natureza quando escolhia ingredientes e quando os tratava de determinado modo, tive tempo de compreender o que de bonito acontece quando esperamos, tive tempo de me acalmar depois de dias complicados enquanto estava ali, cortando uma cebola, por exemplo.  Tive tempo de pensar no quanto minhas escolhas impactam o mundo que eu habito. Tive tempo de pensar nos meus afetos e elaborá-los, enquanto construía uma refeição com minhas mãos. Tive tempo, inclusive, de me lembrar do quanto a cozinha é simbólica na minha vida e é, há tantos anos, o meu divã – lugar onde eu sempre pude me encontrar em paz comigo mesmo.

O livro fala muitas vezes da importância de fazer artesanalmente – com as nossas mãos – aquilo que vamos comer. Eu acredito de verdade que existe uma via terapêutica em fazer artesanalmente algo que normalmente compramos pronto no mercado. É uma via que te permite autonomia e apropriação de um processo que normalmente você deixa que façam por você. Isso também é transformador, existe uma auto-realização grande em terminar uma refeição e falar no final: Eu que fiz, cada detalhe, do inicio ao fim, eu construí e transformei isso, estou implicado na coisa. A gente registra no nosso psiquismo coisas muito importantes quando nos vemos implicados nas coisas.

Fazer as receitas do modo como Paola conta também me permitiu pensar em tantos aspectos sociais, no modo como temos tratado o mundo e como temos nos relacionado com as pessoas. Quando escolho comprar de um pequeno produtor o que meu dinheiro incentiva? Quando escolho alimentos orgânicos o que ajudo a manter com meu ato? Há muito a se pensar, comer é um ato político e nossas escolhas conduzem o lugar social das coisas. Temos mais poder do que pensamos. O livro “Todas as sextas” também é um alerta, sutil e gentil, mas um alerta.

Quando comecei o projeto, estava envolvido por um sentimento muito forte de gratidão. Ao ler o inicio do livro, que é composto de um relato autobiográfico de Paola, muitas coisas na minha história foram tocadas. O mais legal de admirar pessoas é em algum momento notar o que essas pessoas que admiramos podem nos revelar de nós a nós mesmos – se conduzirmos de uma forma boa, admirar alguém é algo que revela algo muito importante sobre nós,  algo que muitas vezes não reconhecemos como nosso, mas que é. O outro ajuda a gente a notar. No meio desse insight e gratidão por Paola ter feito uma obra tão generosa e honesta, eu quis cozinhar o livro inteiro. Era para agradecer, para aprender, para ter um propósito novo. Hoje sei que era mesmo preciso cozinhar o livro todo, porque era preciso que eu me encontrasse com tudo isso. Me sinto mais convicto em relação ao modo como escrevo, com cozinho e até como faço meu trabalho como psicólogo – pude pensar em tudo que a cozinha, de um jeito metafórico e profundo, me faz pensar – porque quando a gente entende melhor o valor do tempo, tudo muda.

O projeto “Gratidão de todas as sextas” nasceu de um encontro – do meu com o livro. Mas ele gerou muitos outros encontros. Através do meu Instagram, milhares de pessoas acompanharam as postagens e compartilharam comigo o que sentiam com elas. A troca de narrativas que o projeto gerou e o alcance que ele teve me surpreendeu e me emocionou muito. Então tudo começou a ser algo maior e com mais sentido, onde quem ia acompanhando ia se transformando junto comigo, repensando sua relação com a comida e com o tempo. O projeto foi feito de encontros que deixaram muitas marcas. Pensar nisso me emociona muito, vai pra sempre emocionar.

Existe sim uma semelhança nesse projeto com o que Julie Powell fez com o livro de receitas de Julia Child – Vemos essa história no livro e filme Julie & Julia, que conta como Julie decidiu cozinhar as 524 receitas do livro de Julia em 365 dias. Essa história também me inspira, porque assim como Julie eu também fui salvo de uma vida um pouco triste e sem cor quando decidi que precisava cozinhar e escrever (quando o blog nasceu, aliás). Mas aqui, Paola foi minha Julia e “Todas as sextas” foi meu “Mastering the Art of French Cooking”.

Enfim, é isso. Acabou as 94. Algumas acertei muito que pulei de emoção, outras errei bastante. Todas me ensinaram muito. Eu tenho tanta coisa ainda pra dizer desse projeto, mas acho que isso não se encerra nunca, não cabe num texto, cabe dentro de mim e da bagagem que levo agora. Eu tive sucesso no projeto – mas um conceito diferente de sucesso. No mundo onde tempo é dinheiro, sucesso tem a ver com velocidade, rapidez, lucro em menos tempo e etc – e esse tipo de “sucesso” pode ser um slogan aniquilador e vazio. O sucesso que eu tive no projeto veio da calma e do tempo que corre diferente, veio das caminhadas longas por São Paulo buscando ingredientes, veio das tardes calmas esperando a panela cozinhar durante horas, do tempo que eu tinha enquanto esperava perto da panela e podia pensar nas coisas da vida, veio da emoção de compartilhar, veio da alegria de sentar e comer na mesa todas as receitas com alguém que eu amava. O sucesso veio de parar, respirar fundo, fazer, depois apreciar, e guardar pra sempre. O nome dessa história é gratidão. Como em todos os dias em que cozinhei cada uma das receitas, hoje eu só queria agradecer.

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Olhando na categoria do blog chamada “Gratidão de todas as sextas” você encontra todas as postagens, de cada uma das receitas. No meu Instagram também (@rodrigo.vilasboas) tem tudo lá. Também é possível encontrar os posts na hashtag #gratidaodetodasassextas .

 

Receita de Strogonoff de camarão! 

Acordei hoje muito marítimo querendo cozinhar coisas de mar. A luz do dia hoje às 9:14 (quando acordei) tava linda, olhei pra minha cozinha e já coloquei uma música nela e ali fiquei, com uma energia muito generosa e boa – que às vezes só acho na cozinha. Enfim, era um clima perfeito para um strogonoff de camarão, e eu tinha esses da DellMare , uma empresa com produtos muito bacanas, bem cuidados e práticos. Eles também tem embalagens super modernas, transparentes (você consegue ver o produto que vai comprar) e com zip (você usa e se sobrar fecha direitinho e guarda de novo). Além de camarões, eles tem kit para preparo de paella (em breve faço esse ❤), anéis de lula, Saint-Peter e outros. Esse strogonoff é super simples! Dá uma olhada:

Ingredientes:

  • 400g de camarão limpo, sem casca e sem cabeça.
  • Meia cebola média picada em cubos
  • 2 dentes de alho picados
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 4 colheres de sopa de azeite
  • 4 colheres de sopa de molho de tomate ou ketchup
  • 1 colher de sobremesa de mostarda
  • 1 colher de sopa de molho inglês
  • 200g de creme de leite
  • Sal à gosto
  • Pimenta-do-reino à gosto
  • 3 colheres de sopa de conhaque

Modo de preparo:

Aqueça uma panela, coloque a manteiga e o azeite. Quando derreter, coloque a cebola, um pouco de sal e pimenta e refogue por 2 minutos. Em seguida coloque o alho e refoque por no máximo 1 minuto. Então coloque o camarão e cozinhe ele até a água que ele solta começar a secar (não cozinhe demais, o camarão cozinha rápido e se cozinhar muito fica meio borrachudo). Coloque o conhaque e misture, até ele evaporar. Na sequência coloque o molho de tomate, a mostarda e o molho inglês, misture bem. Por fim, acrescente o creme de leite e misture. Acerte o sal e desligue o fogo (não deixe o creme de leite ferver). Prontinho! Simples e memorável. Com arroz fica ótimo, não consigo pensar em um jeito melhor de comer. Bon appétit!

Onde comer e se emocionar em Paris – Um roteiro gastronômico e afetivo.

Comer em Paris não é uma coisa qualquer. A França toda trata o ato de comer com muita importância, é incrível a variedade de produtos e restaurantes de altíssima qualidade que você encontra lá, muitos por preços bem baixos (comer bem é tão importante que qualquer um deve conseguir, não importa quanto de dinheiro se tenha – isso é lindo). Paris é uma joia antiga e forte da gastronomia mundial, comer lá nos sensibiliza e nos transforma. Quero compartilhar com vocês um roteiro gastronômico afetivo, onde todo detalhe em volta da refeição seja capaz de te fazer sentir o gosto de Paris. O roteiro contém 5 sugestões – 2 restaurantes para uma refeição plenamente francesa, 2 lugares para comer as estrelas da confeitaria (um é onde você encontra a melhor éclair da França, o outro é um lugar incrível que faz alguns dos doces seguindo receitas muito antigas) e um café carinhoso e simbólico (o café da Amèlie Poulain). Vem comigo, Paris é exatamente o lugar certo para nos lembrar que “até mesmo as alcachofras tem coração”, que comida é afeto e arte do inicio ao fim.

  • Le Valentin  – Os doces mais emocionantes de Paris. 

Quem nos indicou esse lugar foi uma francesa, ela contou que a casa segue receitas muito antigas, fazendo doces como eram feitos há muitos anos. Tudo é lindo e absolutamente bom (veja na foto acima o que comi). o lugar é uma graça, tem um salão de chá sensacional no primeiro andar. O chá é servido em um bule de ferro que te dá a sensação de tradição e tempo. O chá de jasmim é divino, eles dão para adoçar o chá um palito com caramelo cristalizado – o calor do chá vai derretendo o caramelo, é uma riqueza de detalhes que emociona, mesmo. Comer aqui foi delicado do inicio ao fim. Observando o modo como servem, o ambiente em volta e o que servem entendemos o quanto a cozinha francesa é carregada de tempo, marcas e histórias.

Endereço: 30 passage Joufroy – 75009 Paris Tél +33 (0) 1 47 70 88 50 (ela fica dentro de uma espécie de galeria).

  • L’Éclair de Génie – A melhor Éclair da França! 

Uma rede que faz total jus a sua fama. A Éclair deles (que no Brasil chamamos de bomba de chocolate) tem algo de divino e maravilhoso, não dá para explicar. Eles tem diversos sabores e dá vontade de comer todos, prove a de pistache e a de caramelo salgado, eu chorei forte. A rede tem diversas lojas em Paris, eu fui na que se chama “La Fabrique” (fica na 32 rue Notre Dame des Victoires 75002 Paris), adorei essa porque é onde fabricam as belezinhas, dá para ver algumas partes do processo, indico ir nessa. Eu gosto de pedir uma éclair para viagem e ir procurar um parque bonito, sentar e comer a éclair, pensando nela como um tesouro, olhando alguma das mil paisagens lindas de Paris – Comer ela assim cria uma memória sem prazo de validade no seu coração. Já comi éclair duas vezes no jardim que tem atrás da catedral de Notre-Dame. Foi mais que bom.

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Endereço: Tem vários, clique aqui e confira no site deles

  • Le Relais de L’Entrecôte – Uma refeição tradicional francesa farta e incrível!
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A conta por pessoa, com vinho, saí em média 35 euros.

O famoso e nobre corte de carne (entrecôte – filé de costela) servido com um molho sensacional e batatas fritas, só – mas é um só suficiente para te deixar maluco de tão bom. A casa serve seguindo a tradição: Restaurante de um prato só, você escolhe só o ponto da sua carne. A batata frita é a vontade, eles vão te oferecendo como em um rodizio, e a carne é reposta 1 vez (diferente do Brasil onde só as batatas são repostas), você sai super cheio de lá, mas sai muito feliz! E ah, tem uma salada de entrada já inclusa no valor do prato principal. Um lugar incrível para comer carne em Paris. As sobremesas são muito boas também! Lugar charmoso e popular, sempre cheio, é normal ter uma filinha na porta para entrar mas ela é bem rápida. Aproveite o charme francês desse ambiente e observe em volta, a maioria dos frequentadores são franceses, é interessante observar os hábitos. Divirta-se.

Endereço: Tem vários, clique aqui e confira no site deles

  • Cafe Med – Um singelo endereço escondidinho na Île de Saint-Louis

Com os queridos no fofo Cafe Med. Menu completo (entrada, prato principal e sobremesa) custa em média 14 euros.

Adoro esse lugar. Ele é um singelo restaurante que está quase sempre aberto, o espaço é minúsculo e aconchegante, fica na charmosa Île de Saint-Louis (a ilhazinha que fica atrás da Catedral de Notre-Dame). Aqui a comida é simples, boa e bem feita. Comer lá me da quase a sensação de estar comendo na casa de uma mãe francesa que cozinha muito bem. O local tem preços ótimos, menus completos (entrada, prato principal e sobremesa) por cerca de 14 euros. A rua onde fica o restaurante é pequena e cheia de lojinhas interessantes, não deixa de olhar as vitrines incríveis (amo as vitrines de comida de Paris, passo horas observando). Sugiro que vá jantar lá, é mais calmo que no almoço. Dê um passeio em um fim de tarde nas margens da Île de Saint-Louis (que tem menos turistas que os outros lugares nas margens do Sena, é lindo e calmo), então siga para jantar no Cafe Med. Após isso você terminará seu dia com uma sensação muito boa, mesmo.

As vitrines de Paris (suspiros de amor).

Endereço: 77 rue Saint Louis-en-l’Île, 75004, Paris – Tél: 01 43 29 73 17

  • Café Des Deux Moulins – O lendário café do filme “O fabuloso destino de Amèlie Poulain”. 

Crème brûlée da Amèlie Poulain.

Esse lugar é muito simbólico pra mim. Amo profundamente o filme da Amèlie e estar lá sempre é mágico. Além de ser o café da Amèlie e de ter o crème brûlée mais gostoso que já comi, o café fica no bairro de Montmarte, um dos meus bairros preferidos, cheio de coisas legais para ver. Gosto tanto dessa sugestão que tem um artigo falando exclusivamente dela, clique aqui e veja tudo sobre o Des Deux Moulins e sobre uma tarde inteira em Montmarte!

 

Paris tem um gosto muito bom, espero que sinta ele da melhor maneira possível. Além de seguir dicas, sempre também explore lugares seguindo sua intuição, também é muito bom. Bon appétit!